“A ARV é um gabinete de projeto que se destaca pela sua inovação”

Rui Pacheco, Arquiteto e BIM Manager da ARV, abordou, em entrevista, os desafios e as mais-valias que a Portaria 255/2023 vem trazer ao mercado nacional, uma vez que introduz o BIM na legislação portuguesa. Conheça a sua visão.

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A ARV é uma organização/entidade no Setor da Engenharia e Arquitetura. Que fatores diferenciam a atuação da empresa no mercado e a podem considerar uma aposta segura?
A ARV é um gabinete de projetos. Temos a nossa experiência focada na arquitetura e nos processos BIM, oferecemos todo um conjunto de projetos e serviços baseados na tecnologia e metodologia BIM, totalmente em 3D com os padrões de informação, metodologia e normalização BIM.
Disponibilizamos aos nossos clientes todo o apoio e trabalho desde as fases iniciais de definição do projeto até à construção. Estamos especializados, como referi, na arquitetura, contudo oferecemos todo espectro de projetos necessários para licenciamentos e execução de obra, sempre integrados e focados no objetivo dos nossos clientes. Estamos no mercado desde 2005, há, portanto, 18 anos, recentemente cumpridos, onde prestámos e prestamos aos nossos clientes um ambiente de projeto tridimensional e virtual informado.
Na ARV posso destacar alguns pontos que nos diferenciam e que temos sempre bem presentes e os quais bem cuidamos:

  • Inovação tecnológica: investimos continuamente em tecnologia de ponta para melhorar os processos de projeto e metodologias de construção. Isso incluí a adoção de tecnologias de modelação 3D (a qual temos desde 2005 um vasto histórico), realidade virtual, análise de dados e inteligência artificial para otimizar projetos, reduzir custos e garantir a qualidade, quer dos nossos projetos, quer dos resultados práticos dos mesmos, ou seja, na obra decorrente dos mesmos;
  • Sustentabilidade: Na ARV temos sempre o foco no desenvolvimento de projetos sustentáveis e ambientalmente responsáveis. Preocupa-nos o impacto ambiental dos nossos projetos e procuramos criar edifícios e infraestruturas que atendam a altos padrões de eficiência energética e respeito pelo meio ambiente, fundamentos para um mundo cada vez mais preocupado com a sustentabilidade e recursos naturais;
  • Visão estratégica: Como CEO da ARV cumpre-me garantir uma liderança solida. Penso a ARV como uma empresa que tem de estar atenta às tendências de mercado e oportunidades de crescimento, sempre, sempre atenta às alterações e mudanças nas regulamentações do setor e à sua adaptação e adoção. Só assim podemos tomar decisões informadas, fortalecer e ampliar a nossa posição no mercado;
  • Equipa de profissionais altamente qualificados: Na ARV pretendemos ter sempre os nossos profissionais motivados e plenamente satisfeitos, só assim conseguimos prestar um serviço de qualidade. Temos connosco grandes talentos da indústria, dos quais destacamos arquitetos, engenheiros, designers, gestores de projeto, entre outros. Esta equipe que pretendemos responsável, tecnologicamente excelente, com um vasto conhecimento das nossas regulamentações, sempre em formação continua e sempre em pesquisa de novas soluções mais sustentáveis e direcionadas para os objetivos dos nossos clientes, resumindo, altamente qualificada, é capaz de executar qualquer projeto, desde os mais simples aos mais complexos e difíceis, sempre com sucesso e inovação;
  • Compromisso com a qualidade e com a satisfação plena dos nossos clientes: Na ARV priorizamos a qualidade em todos os aspetos dos nossos projetos, mas acima da qualidade, estamos comprometidos e empenhados em entender as necessidades e espectativas dos nossos clientes e em conseguir atingir e superá-las. Desta forma conseguimos altos níveis de satisfação dos nossos clientes. É sempre uma honra para nós ganharmos um cliente, satisfazer plenamente as suas espectativas e objetivos e mantermo-lo como nosso amigo e referência positiva após a realização do nosso trabalho.
  • Resiliência e adaptação: O nosso percurso, nem sempre homogéneo, nem sempre de crescimento, nem sempre excelente, apresentou-nos, ao longo do nosso tempo de existência, diversos desafios, dos quais gostaria de salientar dois particularmente difíceis: desafios económicos (crises económicas, financeiras, de disponibilidade e custo de materiais e mão de obra, com impacto direto na nossa atividade), e desafios de mercado (falta de procura, fraca confiança de investimento e dificuldade de angariar de clientes). Aprendemos a valorizar e a superar esses desafios e foi, com muita resiliência e adaptabilidade, com uma enorme vontade de crescer e ultrapassar barreiras, com a nossa (difícil) facilidade de conseguirmos reduzir e adaptarmos (por vezes mesmo a nível de pessoal), que estamos neste momento ativos no mercado e estamos preparados para nos adaptar a mudanças e incertezas, o que é fundamental para estar presente num mercado competitivo e em constante evolução.

Em sumo, a ARV é um gabinete de projeto que se destaca pela sua inovação, compromisso com o cliente, compromisso com a qualidade, sustentabilidade e capacidade de adaptação. Esses fatores a tornam uma aposta segura no mercado da Arquitetura, Engenharia e Construção (e Operação – AEC(O)), capaz de atender às necessidades dos clientes mais exigentes e de se destacar em um ambiente competitivo.

De forma a contextualizar o leitor, e fazendo uma análise ao mercado, de que forma o BIM tem vindo a ser implementado no contexto nacional?
A implementação do BIM em Portugal tem sido um processo bastante heterogéneo. No início, há cerca de oito/nove anos assistimos a uma grande divulgação do BIM, da sua metodologia, dos seus benefícios em termos de projeto e construção. Ao longo desses anos inicias, e com algumas iniciativas das quais saliento a comissão técnica de desenvolvimento e normalização do BIM em Portugal, a CT 197, foi pouco o impacto no investimento e na sua aplicabilidade. Entretanto, vimos outros países crescerem, assistimos à adoção de metodologias, processos e de standards, e da obrigatoriedade de aplicação dos mesmos, nomeadamente, e por exemplo, no Reino Unido (em 2016), Islândia, Finlândia, entre outros. Nós ficámos, até há bem pouco tempo, um pouco à margem dessas obrigatoriedades, mantendo um percurso singelo e longo de desenvolvimento de normas e de documentos de apoio. Assistimos à sua utilização apenas por investidores (particulares, pequenos ou grandes) que já tinham tido algum contacto, e portanto, que já conheciam, e desta forma podiam exigir a sua aplicabilidade, tivemos de nos sujeitar à aplicação de standards internacionais, onde foco como referência mais ou menos consensual, as normas britânicas: as famosas BS e PAS, bem como a definição americana (BIM Forum) dos níveis de desenvolvimento de modelos (LOD). Parece que só com a publicação dos standards internacionais pela agência de normalização ISO, nomeadamente com a publicação da primeira parte, em 2018, da norma da série 19650, é que se começou a ganhar mais consciência do que é o BIM e que chegou e está para ficar. No entanto tenho de referir que em 2017 pela CT 197, foi publicado um guia para auxiliar a contratação de serviços BIM em Portugal, que também ajudou à consciencialização pública. Mais recentemente com os projetos de normalização da SeCClass, e mesmo da presença do chapter “Building Smart” Portugal, contamos com uma divulgação mais ativa e consciente das vantagens de adotar e desenvolver projetos com a metodologia, normalização e processos BIM como centro de gestão, decisão e execução dos mesmos.

Recentemente, foi publicada a Portaria 255/2023 que introduz o BIM no quadro legislativo português. Como é que esta Portaria está a influenciar a adoção do BIM em Portugal?
A Portaria 255/2023 de 7 de agosto, em si e isoladamente de outra legislação, julgo que demorará algum tempo a ter o efeito desejado. Presumo que do ponto de vista do legislador a ideia é obrigar à sua implementação e consideração no processo de projeto e construção. No entanto, para atingir este objetivo, torna-se igualmente necessária a publicação (ou transposição com as devidas adaptações ao nosso mercado), das normas ISO 19650 e outras acessórias, para darem suporte legislativo ao processo, metodologia, normalização e execução subjacentes ao BIM.
Não querendo minimamente diminuir a importância desta portaria (no que respeita ao BIM), que tem uma grande importância para os técnicos do mercado AEC, e que representa a evolução e adaptação da anterior portaria (701-H/2008 de 29 de julho) à realidade atual das obras públicas e dos sistemas técnico e tecnológicos da construção atuais, nomeadamente pela atualização de conceitos, exigências e definições das fases de projeto, pela maior responsabilização dos técnicos, pelo maior rigor nas estimativas orçamentais e pela introdução da figura dos modelos tridimensionais com recurso à metodologia BIM, reforço que mais será necessário realizar no caminho para a “obrigatoriedade plena do uso desta metodologia”, mas realço e sublinho, novamente, o grande primeiro passo tomado no seu reconhecimento e inclusão da metodologia BIM na nossa legislação.
Respondendo diretamente à questão no que respeita à influencia da publicação da Portaria, esta irá com certeza nos próximos tempos, ter dois tipos de efeitos fundamentais: por um lado, tornará a metodologia BIM conhecimento universal nos diversos players do mercado, especialmente os mais conservadores ou mais resistentes às novas tecnologias (primeiro nos envolvidos diretamente em obras publicas e depois nos envolvidos em obras particulares), por outro fará, numa primeira instancia, que todas as empresas envolvidas em obras publicas, tenham de apresentar as suas respostas aos concursos e execuções com a componente BIM efetivamente considerada e devidamente valorizada como parte integrante no processo.

Enquanto líder da ARV Lda., qual é a sua perspetiva em relação a esta mudança legislativa? O que traz de melhor e o que faltou alterar?
Como já referi, a Portaria 255/2023 de 7 de agosto, vem além de outras alterações, finalmente introduzir o tema do BIM, no panorama legislativo nacional. Isso trará diretamente melhor conhecimento entre os diversos players do mercado AEC(O), (Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação), do BIM e da sua metodologia, normalização, execução, e processos, tornando esta indústria menos ignorante ao mesmo.
Ainda hoje temos consultas para a execução de projetos em que é referenciado o BIM como “projeto feito em BIM”, frequentemente associado apenas ao projeto ser executado numa plataforma ou software tridimensional (“em 3D”, dizem), desprovido de qualquer outra intenção, metodologia, processos ou normalização. Isto não é BIM. Assim penso que a portaria poderá suscitar a curiosidade na sociedade e indústria AEC, do que o que realmente é o BIM.
Por outro lado, sim, de facto, ainda falta muito para fazer, nomeadamente, como referi, transpor para a nossa legislação nacional as diversas normas ISO associadas ao BIM, com as devidas adaptações e modificações às necessidades e particularidades do nosso mercado e da nossa legislação de urbanismo e edificação, nacional e generalista, numa primeira instância, e local (municipal) numa segunda instância. É necessário, com extrema urgência, rever o ambiente legislativo associado e aplicado à edificação, urbanização e planeamento urbano e construção. Poderá ser esta a grande oportunidade de uniformização que nos faz falta há bastante tempo, quer em termos nacionais e de aplicação global, quer em termos locais, municipais, com a uniformização de critérios, exigências, normalização e, uniformização de plataformas de receção de documentos, em todos os municípios.

No que diz respeito ao futuro do setor onde a ARV Lda. se insere, quais é que são as expetativas à medida que a transformação digital, impulsionada pelo BIM, se torna mais predominante?
A ARV tem sido sempre uma empresa muito virada para as novas tecnologias. Desde 2005 que os nossos trabalhos são realizados em plataformas e softwares tridimensionais. Ao longo destes anos, até hoje, temos incorporado diversos processos que nos levaram hoje a incorporar a metodologia BIM para todas as fases de projeto. Por exemplo, em 2005 quando iniciámos, fazíamos os nossos trabalhos em 3D, apresentando-os impressos em papel, bidimensionais, contudo, aproveitando o software para minimizar erros de projeto e de representação erradas entre vistas do projeto, frequentemente associadas a softwares de CAD, ou seja, garantíamos que plantas, cortes e alçados estavam todos bem representados e sem deformações ou alterações entre os mesmos elementos representados em cada uma delas. Mais tarde, tirámos partido da possibilidade de podermos quantificar esses elementos e subelementos, e desta forma temos maneira, hoje, de quantificar eficazmente todos os nossos projetos. Começámos igualmente há alguns anos a incluir informação diversa nos nossos elementos de projeto, como portas, janelas, equipamentos, tais como marcas, modelos, características. Temos nos últimos cinco/seis anos uniformizado e normalizado a informação nos nossos elementos dos modelo, geometria e modos de modelação. Hoje conseguimos ter a geometria e informação necessárias nos nossos modelos tridimensionais de modo a podermos dar suporte aos documentos escritos do processo, nomeadamente aos que são exigíveis num processo BIM, e aos que são exigíveis aos nossos processos de licenciamento, de execução de obra e de operação e manutenção.
Neste sentido e desde há uns oito anos a esta parte, a ARV tem vindo sempre procurar incorporar o conhecimento adquirido em processos BIM existentes noutras realidades, nomeadamente pela adoção dos princípios da metodologia e gestão BIM existentes e padronizados pelas normas britânicas BS e PAS, e pelas definições que, entretanto, se foram disseminando, como por exemplo as normas americanas e definições da modelação LOD da BIM Forum. O nosso maior desafio, que ainda se vai mantendo atualmente, se bem que com cada vez menos importância, é: que e quais as regras, regulamentações ou normalizações, ou definições devemos aplicar cá em Portugal.
Desta forma as nossas expetativas nos últimos oito anos, e que ainda se mantém hoje em dia, são resumidas à resposta à grande pergunta que se impõe: “para quando a definição e quais as regras em jogo no que respeita ao BIM para o mercado português?”. Já temos algumas ideias, já temos, agora com a portaria, o reconhecimento da importância da metodologia BIM e dos modelos de informação digitais da construção, agora espera-nos a publicação de legislação com a definição da regulamentação dos processos, metodologias, definições, normalizações e gestão, partilha e segurança da informação.
Associado a estas últimas, será expectável que os organismos e entidades licenciadoras, quer a nível nacional, quer a nível municipal, adotem igualmente uma uniformização de critérios e exigências, uma uniformização das plataformas de receção de documentos para dar suporte ao processo de licenciamento, de modelos e informação gerada na, e pela metodologia e processos BIM.

Por fim, como é que a empresa pretende continuar a destacar-se como uma empresa líder em BIM em Portugal?
Nada melhor como continuar a realizar os nossos processos tendo em conta os fatores que consideramos diferenciadores, nomeadamente, a inovação tecnológica, a sustentabilidade, a visão estratégica, a resiliência e adaptação, e a aposta na evolução e formação da nossa equipa de profissionais de excelência. Acima destes e de modo absoluto, o nosso compromisso de qualidade nos e dos serviços prestados e com a incessante busca pela satisfação plena dos nossos clientes. Como referi, ambicionamos tornar os nossos clientes, em amigos, em alguém que confie “de olhos fechados” e sem reservas no nosso trabalho e nos nossos processos e que possa testemunhar, sem qualquer constrangimento, a experiência connosco.
Iremos continuar a apostar nas novas tecnologias, na desmaterialização dos nossos processos, na permanente partilha de informação dos nossos processos com os nossos clientes e parceiros, na crescente qualidade dos nossos serviços (e posso adiantar que estamos neste momento em processo de certificação de qualidade destes), e por último, continuar a dar suporte e vida aos sonhos dos nossos clientes, em continuar a superar as suas espectativas a acima de tudo, proporcionar-lhes uma excelente experiencia, conforto e acompanhamento durante estes processos.

Para terminar, que desafios e oportunidades se colocam à ARV de futuro, agora que completou recentemente 18 anos de existência?
A ARV completou no mês passado 18 anos de existência. Foram como disse anteriormente 18 anos de muita aprendizagem, de altos e baixos, de contração e de crescimento. Espero, aliás ambiciono, como CEO da ARV e como profissional nesta indústria, que a ARV continue a crescer no futuro, desejando desde já pelo menos mais 18 anos de existência; desejando que a ARV continue a crescer e a evoluir, que continue a ter nas novas aprendizagens provenientes quer do feedback dos nossos clientes, quer pela investigação e formação tecnológica; que continue a poder gozar de novos desafios e, consequentemente que continue a conseguir novas superações. Espero, acima de tudo, que a constante qualidade dos nossos serviços, o acompanhamento personalizado, o suporte e cumprimento das necessidades e espectativas dos nossos clientes, que prestamos em todos os nossos processos, possam continuar a merecer a confiança dos nossos clientes. Estamos cá para eles e por eles.
Do ponto de vista de liderança e de visão estratégica, é crucial considerar alguns fatores para se poder pensar em continuar a crescer no setor das AEC(O). Julgo que enfrentaremos alguns desafios e oportunidades tais como:
Desafios tecnológicos: continuaremos a assistir ao aparecimento de novas ferramentas e de novas tecnologias, à constante redefinição de conceitos, metodologias e regulamentações, e a uma constante evolução da tecnologia neste setor, como por exemplo a utilização da IA (inteligência artificia), nos processos.
A problemática constante e crescente da sustentabilidade e da pressão para a criação de projetos mais sustentáveis e mais verdes, no que respeita à eficiência da utilização dos recursos naturais, de redução da sua pegada ecológica, descarbonização e da utilização de energias verdes, entre outras.
Outros desafios que são universais e intemporais como a massificação de concorrência nos mercados internacionais e entrada de players estrangeiros no mercado nacional, aliada à escassez de talentos qualificados.
Como oportunidades, penso que existem nichos de mercado por explorar associados á aplicação de novas tecnologias, à colaboração, partilha e segurança digital, associados à sustentabilidade ou mesmo de gestão de património edificado
A realidade que estamos a preparar desde há dois anos para a internacionalização dos nossos serviços, quer no mercado europeu, nos países francófonos, germânicos e britânicos, quer em África, nos países lusófonos (PALOP), também prevemos a existência de oportunidades, algumas já em parceria, nomeadamente em França e em Angola.
A sustentabilidade como serviço diferencial, o qual já fornecemos e que estamos a expandir, nomeadamente com a certificação dos nossos técnicos em LEED.
O futuro prevê-se com bastantes desafios no setor, mas repleto de bastantes mais oportunidades. Com a nossa visão estratégica, inovação, liderança e um compromisso contínuo com a qualidade, a ARV poderá continuar a servir, prosperar e crescer nos próximos anos, consolidando a sua posição no mercado de Arquitetura, Engenharia e Construção (e Operação e Manutenção) com a disponibilização permanente dos seus serviços sob a metodologia, processos, normalização e gestão em BIM. Assim apostamos.