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Marcelo felicita Moçambique por “dia histórico” pela paz

Fonte LUSA

“Neste dia de comemoração da assinatura do acordo de paz, o Presidente da República enviou uma mensagem ao Presidente Filipe Nyusi, congratulando o Governo de Moçambique e a Renamo por este passo corajoso e visionário, em prol da efectiva implementação da paz, que se reveste de importância crucial para o desenvolvimento económico e social de Moçambique”, pode-se ler na mensagem publicada na página oficial da presidência da República.

Na mesma nota, Marcelo Rebelo de Sousa salienta que “esta excelente notícia para Moçambique constitui motivo de grande alegria para Portugal e para os portugueses, atendendo aos fortes laços de amizade fraternal que unem os dois países e povos”. O Presidente da República deverá descolar-se a Moçambique em Dezembro.

A assinatura do acordo final de paz e reconciliação que tem lugar na Praça da Paz da capital moçambicana às 15 horas (hora portuguesa) contará com a presença da Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Federica Mogherini, e Portugal estará representado pela Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro. Este acordo terá de ser depois ratificado no Parlamento.

Trata-se do terceiro acordo entre o Governo, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), e a Renamo, depois da assinatura do Acordo Geral de Paz de Roma de 1992 e do acordo de cessação das hostilidades militares em 2014, na sequência de uma nova vaga de confrontos entre as duas partes.

FONTE – LUSA

“Moçambique tem vantagens muito importantes com Portugal que devem ser aproveitadas nos negócios”

Nelson Muianga esteve em Portugal como participante num evento que uniu Portugal e Moçambique através de treze acordos de cooperação em diferentes setores. A assinatura dos documentos marcou a segunda visita de Filipe Nyusi a Portugal.

Sobre a relação entre os dois países o nosso entrevistado ressalvou alguns pontos que considera como desafiantes mas necessários. “Neste momento há questão fulcral em Moçambique: a recuperação e posicionamento das empresas. Isto é essencial porque muitas fecharam e precisam de ser reativadas com estímulos e projetos concretos. Acredito que deva ser desenhado um modelo de recuperação de empresas com objetivos concretos. As empresas devem estar preparadas para os desafios mais próximos decorrentes dos projetos e oil & gas e recursos minerais e para o feito devem apostar na certificação. Este é que vai ser o grande input para o futuro. Temos de ter uma abordagem de parceria estratégica dentro e fora de Moçambique. Criar um bom cluster por sectores de atividade para mostrar que estamos organizados”.

Prova de que acredita nesta mudança de paradigma é a própria resiliência do Grupo NEF que desde a sua formação tem contribuído para o desenvolvimento do país. “Quando fizemos a aquisição foi com o propósito de crescer e robustecer a indústria de construção em Moçambique. Aprendemos que ser resilientes era a única hipótese. Avaliámos o que correu mal e instaurámos um novo modelo de gestão e de governance. Os novos cenários de perspetiva da economia acreditarmos que possamos resistir. Estamos a fazer os possíveis para mostrar que vamos conseguir”, refere Muianga.

Em 2015, um conjunto de gestores da CETA e RIBEMOZ propuseram ao anterior acionista maioritário das empresas uma operação de MBO (Management buy Out) para adquirir 77.97% do capital social da CETA – Engenharia e Construção – e 100% do capital social da RIBEMOZ. Para corporizar esta aposta empresarial, a equipa de gestores criou uma holding, designada NEF – Investimentos e Gestão de Participações Sociais, SA.

A operação da aquisição das participações sociais da CETA e da RIBEMOZ, efetuada em sessão especial de compra na Bolsa de Valores, foi concluída a 30 de Setembro de 2016. Para além das participações sociais já adquiridas, este novo grupo, integralmente constituído por moçambicanos, pretende expandir o cluster de construção, criando mais unidades de negócios, fortalecendo deste modo a integração das operações.

“Os próximos anos  serão fulcrais”

O empresário acredita que “os próximos três/quatro anos serão fulcrais mas não podemos olhar apenas para o setor da construção, temos que explorar outras atividades de logística e serviços e assim diversificar o portfólio em áreas complementares. De facto, há áreas-chave que o governo moçambicano definiu que são quatro pilares importantes: infraestruturas, turismo, energia e agricultura. Este grupo de prioridades. Na minha opinião, a agricultura e o turismo deverão ser os principais focos porque ambos podem ser massificados pelo país inteiro. A agricultura é a base para o desenvolvimento do país. O turismo é o pilar nevrálgico do país que atualmente é completamente inexplorado e Moçambique tem que apostar forte aí.”

Laços estreitos

O empresário acrescenta ainda que “Moçambique tem vantagens muito importantes com Portugal que devem ser aproveitadas nos negócios. Devemos criar uma parceria de troca de conhecimento. Isto é importante para Moçambique porque pode usar Portugal como hub para chegar a outros países. Os serviços que permitam transações em termos de mobilidade é um fator importante para dinamizar as relações. Devemos continuar a trabalhar em plena sintonia e próximos. Moçambique deve capitalizar o facto de Portugal fazer parte da União Europeia. Para que isto aconteça também é importante que Portugal se abra mais para receber Moçambique, eliminar alguma burocracia que pode facilitar e muito a internacionalização empresarial. Como empresários, temos que reforçar estes laços para criar um dinamismo entre os dois países e criar fluidez.”

A humildade é o fator que mais salta à vista quando se fala de Moçambique. Um país que partilha uma história incontornável com Portugal e que neste momento começa a ver uma luz ao fundo do túnel depois de uma grave crise económica que afetou várias áreas de negócio e por conseguinte a economia nacional.

 

As novas tecnologias revolucionaram o continente africano nas últimas décadas

O Luís é o Diretor Regional, em Moçambique, da Axiz. Quais diria que são os seus maiores desafios no exercício das suas funções?

Há desafios que são comuns a todos os empresários e/ou diretores em Moçambique e há desafios que são específicos da nossa atividade e da nossa condição de líderes no mercado da distribuição de TIC na SADC. Em adição a isto, há igualmente o desafio de gerir à distância os outros mercados pelo quais tenho a responsabilidade direta, como Angola, Cabo Verde e São Tomé e Principe.

A motivação permanente dos nossos colaboradores e a melhoria contínua das suas competências é a principal responsabilidade de qualquer líder. Especialmente num contexto onde é necessário gerir diferentes origens e culturas entre investidores, empresa e colaboradores.

Em segundo lugar, temos o desafio de, num mercado pequeno e algo saturado, como o de Moçambique, explorar novas oportunidades, explorar o melhor possível a relação com parceiros, melhorar margens e reduzir barreiras ao negócio, quer o nosso quer o dos nossos clientes (revendedores).

Depois existem desafios específicos da economia moçambicana como são a gestão dos riscos de crédito ou cambiais (desafios igualmente partilhados em Angola), que também são relevantes numa economia pequena e dependente do exterior como é Moçambique.

E finalmente existem desafios relacionados com a estrutura e competição específicas do mercado de distribuição de TIC em Moçambique e que implicam uma permanente atenção à qualidade do serviços prestado pelos distribuidores e á satisfação dos clientes finais, a valorização das marcas e dos seus produtos originais, o combate à contrafacção (grey market) e a monitorização dos preços e margens praticados para garantir que superamos sempre as expectativas dos nossos clientes (revendedores).

Moçambique atravessa uma fase menos boa do ponto de vista económico-social devido ao ciclone, porém, anteriormente, o crescimento era consolidado e esperavam-se ótimos números. Empresas como a Axiz podem estar na origem deste crescimento. Na sua opinião, qual o contributo que a tecnologia teve e tem neste crescimento?

Moçambique atravessou um período de menor crescimento, mas atenção, nunca entrou em recessão. No ano mais crítico da chamada crise cambial (porque foi sobretudo motivada por uma desvalorização significativa do metical face às principais moedas dos parceiros externos – USD, EURO e RAND), o país registou uma taxa de crescimento real de 3,2%. E espera-se que, nos próximos anos, se aproxime dos dois dígitos por ano, em grande medida motivado pelo investimento na indústria extrativa, especialmente por parte da Anadarko que, só na bacia do Rovuma investirá 22 a 24 mil milhões de USD nos próximos anos.

Estas entradas de capital, a realizarem-se, são massivas face à dimensão da economia Moçambicana. E, na sua maioria, são investimentos em tecnologia de ponta na área da energia, construção naval, tecnologias de informação e comunicação, transportes e logística. O passado mostra, aliás, que foram investimentos semelhantes na área da energia, extração e logística que alavancaram o crescimento do país.

No curto prazo, será o investimento em tecnologia o principal acelerador do crescimento em Moçambique. A sustentar este facto temos assistido a um boom acentuado de novas startups tecnológicas nos últimos anos.

Em termos de soluções tecnológicas, quais são as necessidades mais emergentes no mercado moçambicano? Como é o panorama tecnológico atual em Moçambique?

Moçambique tem um stock de capital físico e humano muito aquém do que conhecemos nas economias mais desenvolvidas da Europa e Ásia, ou mesmo quando comparando com outros países da África Austral.

Estas necessidades não podem ser todas satisfeitas de repente, dado que o país tem uma capacidade limitada para investir em tecnologia e tem de qualificar o capital humano nacional para a sua absorção e utilização produtiva.

Setores como a indústria extractiva, a construção, a logística e os serviços financeiros (banca e seguros) têm um potencial enorme de crescimento. Mas este crescimento será, sobretudo, satisfeito com recursos a tecnologia importada e, por isso, o país estará limitado na sua satisfação. O Estado Moçambicano já está sobreendividado o suficiente e o país depende fortemente da ajuda de doadores para manter contas públicas equilibradas. E a importação em massa de tecnologia vai agravar os deficits externos do país, pelo que terá de ser feito dentro do quadro e possibilidades do país e, necessariamente, acompanhado por uma melhoria significativa das competências tecnológicas dos recursos humanos nacionais.

Que papel pretende a Axiz assumir também no crescimento e desenvolvimento do país?

A AXIZ tem um papel chave a três níveis: em primeiro lugar no apoio à transição do mercado para uma estrutura mais qualificada, recheada de operadores e empresas qualificadas, certificadas e promotoras de garantias aos clientes finais, capaz de oferecer soluções tecnológicas e financeiras adequadas a um mercado que carece sobretudo de confiança. Na qualidade dos produtos e na qualidade dos serviços. Para que ambos criem valor nas empresas que investem em tecnologia.

Em segundo lugar no combate à contrafação e contrabando de produtos tecnológicos (grey market), sem que isso signifique o aumento de custos de investimento e exploração para as empresas nacionais e internacionais instaladas no país. Mas como representantes e distribuidores de marcas mundiais de confiança, temos de assumir um papel muito ativo neste domínio.

Finalmente, queremos apoiar a melhoria contínua das competências e qualificações dos profissionais e utilizadores de tecnologia em Moçambique. Para isso temos contribuido anualmente com workshops e ações formação das marcas que representamos oficialmente em Moçambique.

Porque é o caminho único para o desenvolvimento da procura de tecnologia em qualquer país e isso significa que estaremos a criar o nosso próprio mercado, mas também porque só com recursos humanos (e empresas) capazes de uma transformação tecnológica em valor, poderemos crescer de forma sustentada.

O foco da empresa é concentrar-se no futuro das novas tecnologias em África, construindo ecossistemas. Num continente tão grande e diverso, estas soluções criam proximidade e rapidez nos negócios. Como descreveria a transformação tecnológica que aconteceu nos países africanos nos últimos anos e de que forma foram essas mudanças revolucionárias?

As novas tecnologias revolucionaram o continente africano nas últimas décadas, nos mais diversos contextos e muitas vezes, mesmo em territórios e nações onde os desastres naturais e os conflitos ameaçavam de forma determinantes qualquer forma de progresso humano.

Novas tecnologias no domínio agrícola, das comunicações, banca, saúde e saneamento levaram a que a esperança média de vida, a escolarização (especialmente das raparigas) e o poder de compra da classe média (que nem existia!) alcançassem níveis que julgaríamos inimagináveis há 30 anos.

No setor das tecnologias de informação e comunicação, as transformações foram quase inacreditáveis.

Em países como o Quénia a banca móvel chega à maioria da população e o país é hoje o recordista mundial nas transações móveis! À frente de todos os países de desenvolvimento elevado! As redes móveis garantem coberturas quase universais e permitem fazer chegar às populações rurais serviços bancários e de seguros, serviços informativos e serviços de pagamento como a água e a energia em contextos dificílimos e onde os países ocidentais demoraram séculos a encontrar soluções.

Por isso, a tecnologia foi e é o principal criador de mercados em África. E têm sido as empresas que usam mais intensivamente tecnologia que têm conseguido criar e reter valor nestes novos mercados.

Recentemente o BCI, juntamente com a Axiz assinaram um protocolo de parceria que formaliza o lançamento do cartão de crédito Private Label AXIZ. Que solução é esta e a quem se destina?

O acesso ao crédito em Moçambique ainda não está ao nível de outros Países com economias mais estáveis, com exigências idênticas às práticas internacionais, a concessão de Crédito é condicionada ao cumprimento de regras e informações da actividade que muitas vezes as empresas não têm devidamente estruturadas e com isso , as empresas especialmente dedicadas ao comércio por grosso e a retalho de equipamento, registam dificuldades naturais na constituição de  stocks ou elas próprias na criação de facilidades de crédito aos seus clientes para uma boa fluidez do seu negócio.

A AXIZ sempre procurou apoiar os seus Clientes Revendedores (empresários em nome Individual, Micro, Pequenas e Médias, e Grandes Empresas) facilitando-lhes vendas a Crédito, mas esta é uma actividade que cabe ao sistema financeiro gerir e não a cada empresa individualmente.

O que fizémos foi criar com o Banco Comercial de Investimentos de Moçambique (BCI), um produto de crédito que facilita a actividade dos nossos clientes revendedores e que lhes permite adquirir stock a Crédito sem custos, quando realizados os pagamentos dessa mercadoria até 40 dias, ou com custos quando o pagamento observa prazos superiores.

Com esta solução, aumentamos o apoio de tesouraria a cada um dos nossos Clientes, permitindo maior fluidez nas vendas e na reposição de stocks, sem penalizar o sector por falta de meios.

Esta parceria, que celebramos com o BCI, permite-nos dividir o risco associado a este apoio e assegurar uma cobertura nacional a qualquer empresa do sector que possa desenvolver a sua actividade entre o Sul ou o Norte de Moçambique, que tem no Crédito a sua principal área de negócio com vantagens para ambos pela troca de conhecimento que promove.

É aquilo a que podemos chamar uma solução win-win-win (BCI-AXIZ-Revendedores).

Dentro daquilo que é a vossa oferta, em que áreas têm apostado mais ao nível de soluções?

Atualmente, estamos a ser impulsionados pelo crescimento do ‘’cloud computing’’, da transformação digital e de um papel (directo) menos abrangente desempenhado pelos fabricantes que representamos; o relacionamento entre estes fabricantes, os distribuidores e os revendedores, está a ser radicalmente alterado.

Todos os grandes fabricantes, estão globalmente a mudar sua abordagem de negócio – de um onde havia uma entidade “super ativa” em toda a cadeia de valor, para um onde estão a reduzir os seus principais negócios, direccionando muito das suas atividades, aos seus distribuidores de valor acrescentado (VAD).

Estão a solicitar-nos para fazer (mais) marketing, para ter (mais) recursos técnicos altamente capacitados e fornecer (mais) serviços de suporte direto e indireto. E ao mesmo tempo, os revendedores e os seus clientes finais, estão a diminuir seus departamentos de TI.

Tudo isto tem um grande impacto nas nossas margens de lucro, uma vez que o ecosistema que nos rodeia, perde as suas ofertas de serviços. Também afeta, como e onde devemos investir.

Estamos focados na construção de ecossistemas que simplifiquem a forma como os clientes interagem com tecnologia, com soluções e entre si.

Moçambique faz fronteira com a Tanzânia, Malawi, Zâmbia, Zimbabué, África do Sul e Reino de Eswatini. Na sua opinião, estes países estão alinhados com Moçambique em questões tecnológicas?

Moçambique tem um mercado pequeno, estruturado em torno de um pequeno número de grandes compradores de tecnologia (empresas de minas e energia, telcos e bancos) e com um baixo nível de readiness (novos produtos e novas soluções) quando comparado com outros países da sub-região.

A competição no setor das comunicações faz-se entre três grandes operadores (Vodacom, TmCel e Movitel), o que é normal em outros países vizinhos. Mas, no entanto tem algumas características raras. É dos poucos países onde existe competição interplataforma nas comunicações (a TV CABO compete com as operadoras moveis em todas as províncias). E a competição provocou que o preço de 1GB em Moçambique fosse (é) o 3º mais baixo entre 49 economias africanas, mais barato do que no Quénia, Gana ou África do Sul (fonte: Research ICT África).

No entanto, a penetração das comunicações móveis e internet é ainda muito baixa face aos países vizinhos. E apenas 50% da população tem acesso a telefone móvel, havendo, especialmente, um significativamente baixo número de mulheres com acesso a telefone móvel (32%).

O baixo poder de compra da população rural (Moçambique tem um poder de compra muito inferior à média dos seus vizinhos, especialmente em meio rural) leva a que muitos não possam sequer comprar equipamentos informáticos ou de comunicações. E na maioria das regiões do país o acesso a energia seria sempre impeditivo da sua utilização regular. (50% da população não tem acesso a energia regular, contra 33% na Nigéria ou 6% na África do Sul).

Também devido a isto, a banca móvel ainda tem uma penetração limitada em Moçambique, mas está em acelerado crescimento nas zonas urbanas e peri-urbanas (63% dos utilizadores de telefones moveis têm uma conta de banca móvel nas cidades principais).

Podemos dizer que os fortes laços de Moçambique com o motor económico da região, a África do Sul, sublinham a importância do seu desenvolvimento económico?

A África do Sul é um parceiro económico de referência, especialmente no sul de Moçambique. Mas atenção que Moçambique tem parcerias económicas importantes com muitos outros países, tanto ao nível comercial como financeiro.

Os principais mercados de exportação de moçambique são a Índia, a África do Sul e a China (30,4%, 24,0 e 7,1% respetivamente), mas há um peso importante de países europeus neste domínio. É nas importações que se sente mais o peso da África do Sul, mas como o país vale “apenas” 23,1% das importações, não podemos falar exactamente de dependência.

Moçambique é a porta de entrada das mercadorias importadas por quatro países na região que não têm acesso ao mar (Reino de Eswatini, Zimbabwe, Zâmbia e Malawi). Moçambique vende energia eléctrica de Cahora Bassa aos seus vizinhos da região e este já é um dos principais produtos de exportação do país.

O que não quer dizer que a África do Sul não tenha uma importância muito grande. É uma das principais origens de investimento em áreas críticas como a agricultura e a agro-indústria. E o seu peso nas importações é suficiente para que se sintam intensamente as flutuações do Metical face ao RAND.

Por vários motivos, Moçambique nunca foi uma prioridade do investimento das empresas sul-africanas, a que não é alheia o contexto da língua e cultura e a situação de conflito em Moçambique durante muitos anos. Há espaço para um grande crescimento da relação com a África do Sul. Como fornecedor de tecnologia mas também como origem de investimento, competências e formação e até mesmo como mercado de exportação para produtos de origem moçambicana.

Numa dinâmica de cooperação entre os países pertencentes à CPLP, o que deveria, na sua opinião, ser prioridade dentro do universo das novas tecnologias?

Educação, educação, educação. Esta deve ser a primeira, a segunda, a décima e a última prioridade da cooperação em matérias de novas tecnologias em Moçambique.

Uma sociedade tecnologicamente avançada e inclusiva requer uma população qualificada na sua utilização, na sua transformação em valor e utilidade, na sua aplicação produtiva nas empresas nacionais e no desenvolvimento de novos produtos e serviços para o mercado, baseados nessas mesmas tecnologias.

Sem acesso a educação, para todos, e a um ensino tecnologicamente avançado, não se podem cumprir as fundadas, mas muito exigentes, expectativas de desenvolvimento e fuga à pobreza da população no país.

“Moçambique tomou um lugar muito importante na minha vida”

Que papel assume atualmente o mercado moçambicano no continente africano? 

Efetivamente a minha ligação a Moçambique passou de um mercado onde eu tinha uma ligação meramente profissional e com uma presença residual a nível de investimentos para ser a minha terra de adoção. Moçambique tomou um lugar muito importante na minha vida, e fazendo a analogia com as mulheres da minha vida, Portugal é como a minha Mãe – ama-nos, não escolhemos – e Moçambique como uma esposa – aquela pessoa que escolhemos para ficar.

Moçambique assume hoje um lugar muito importante como um dos principais produtores de gás natural. A exploração do gás natural é uma realidade, as empresas Eni/ Exxon Mobil e Anadarko já começaram a construir as infraestruturas com vista à extração, a produção do GNL está prevista começar em 2022.

As reservas de gás são muito grandes sendo esperado que a ENI/ Exxon Mobil venha a produzir cerca de 3,5 milhões de toneladas com a plataforma flutuante, aumentando para 10 milhões em Onshore enquanto a Anadarko espera uma produção de 12 milhões de toneladas por ano.

Por outro lado a exportação do carvão, setor liderado pela Brasileira Vale, tem vindo aumentar, atingindo este ano de 2019 o recorde 14 milhões de toneladas.

Mas Moçambique não é só o carvão e gás, tem um potencial enorme na Agricultura, Turismo e serviços.

É Administrador Delegado East África do Grupo Salvador Caetano. Que importância assume, efetivamente, a ligação e cooperação do grupo com estes países do continente africano?

Em 2013 a Renault lançou um concurso internacional para atribuição do mercado do East Africa, a estratégia do GSC foi criar dois Hub´s, um a Norte no Quénia, Nairóbi para servir os países da Tanzania e Uganda e outro a Sul, Moçambique, para servir os mercados da Zâmbia, Zimbabue e Malawi. Foi graças ao plano bem delineado e a um investimento fundamentado que o GSC conseguiu este importante contrato. Sendo assim um Pais muito importante para a estratégia escolhida.

Hoje temos operação nos sete países do East Africa, com investimento direto em Maputo e em Nairobi, continuando a investir em ambos os países. Recentemente ganhamos o contrato da importação da Hyundai e a Volvo para o Quénia, Volkswagen para Moçambique, para o Uganda e Tanzânia ganhámos a Volvo.

Neste momento temos contratos de distribuição em 32 países e já iniciamos a expansão das nossas empresas de mobilidade para o continente africano, sendo Moçambique um dos próximos mercados a apostar nessa área.

Que estratégia o grupo tem delineado para África Oriental num futuro próximo?

A estratégia delineada para estes mercados passou pela criação de uma estrutura em Portugal, a Salvador Caetano África, onde tem uma equipa focada nas necessidades de cada mercado e que todos os dias tem contacto com os mesmos. Continuar a reforçar a nossa presença, trazendo mais marcas, quer seja do setor automóvel quer sejam produtos ou serviços de eventuais parceiros, que se queiram juntar ao GSC nestas geografias.

Contamos com uma larga experiência de conhecimento dos mercados onde estamos a atuar, podendo alagar o nosso portfólio de produtos se estes se adequarem.

Questões como a mobilidade e a livre circulação de pessoas entre os países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estão a ser colocadas em cima da mesa como questões urgentes. Estes são, sem dúvida, aspetos fulcrais para fomentar a cooperação económica na CPLP?

Sem dúvida. A mobilidade e a livre circulação permitem aos empresários a possibilidade de se focarem menos em questões burocráticas para fazer negócios e concentrarem-se mais no investimento. Se hoje um empresário cabo-verdiano entende deslocar-se para Portugal, Moçambique ou Brasil, ou movimentar a sua mercadoria ou capitais para um desses países com vista a satisfazer uma necessidade de negócio urgente que seja sua ou de um outro empresário situado nesse outro país irmão, havendo políticas de mobilidade e livre circulação de pessoas, bens e capitais torna-se mais célere a realização desta operação. O timing é um elemento fundamental nos negócios. Estas políticas vão melhorar e muito os timings.

Que outros fatores deverão ser tidos em conta para promover esta cooperação e a expansão dos negócios do tecido empresarial dos países-membros?

Do lado dos empresários precisamos fomentar mais a mentalidade e preparação para oportunidades através de políticas de governança corporativa, etc.

Pensamos que faltam também ferramentas institucionais por parte dos governos para permitir essa expansão. Do lado dos nossos governos faltam políticas transversais e estratégias claras que favoreçam a meritocracia e eliminem a interferência política, bem como incentivo e financiamento aos setores produtivos.

O presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) afirma que os governos não estão a dar atenção ao potencial económico da CPLP. E os empresários? Qual é a sua opinião?

Concordo que não se está a dar atenção suficiente, e prova disso é que ainda temos muitos desafios no que diz respeito à mobilidade, livre circulação, instituições económicas, fundos da CPLP, entre outras iniciativas que dinamizariam o nosso potencial económico. É verdade que tem havido muitas discussões, que revelam cada vez maior preocupação dos governos da CPLP relativamente ao nosso potencial económico, mas é preciso que estas discussões se materializem em ações concretas o mais urgente possível.

Que mais-valias, mas também que verdadeiros desafios acarreta a aposta nos mercados da comunidade?

Os desafios residem nas nossas diferenças geográficas, culturais, e de desenvolvimento, mas que certamente podem ser ultrapassadas e aos poucos começam a ficar para trás. Um exemplo são os acordos de abolição dos vistos que temos vindo a acompanhar, e que no último ano de 2018 foram significativos entre países da CPLP.

As mais-valias encontram-se nas oportunidades: mesma língua, falada por aproximadamente 274 milhões de pessoas (o que reduz custos operacionais e tempo com, por exemplo, as traduções), possibilidade de promover em conjunto, como um bloco económico e coeso, assim como a nossa presença em diferentes mercados regionais, através dos países-membros. A possibilidade de entrada em outros mercados onde os países da CPLP estão inseridos, como o caso do Mercosul, ASEAN ou União Europeia.

TopAtlântico promove ajuda humanitária para Moçambique com a UNICEF

A TopAtlântico aproveitou a sua mais recente campanha “Vamos de Férias!” para realizar uma campanha de comunicação para despertar atenção para uma causa que necessita da intervenção de todos, a emergência em Moçambique.

Mais de 2 milhões de pessoas, das quais 1 milhão são crianças, estão a braços com a devastação deixada pelos ciclones Idai e Kenneth e precisam de assistência humanitária urgente. A UNICEF está a trabalhar, desde a primeira hora, para dar resposta ao impacto dos ciclones, que deixaram um rasto de destruição por onde passaram.

Como agência de viagens, a TopAtlântico tem como missão contribuir para a felicidade de cada viajante. Mas, a felicidade de cada viajante depende da felicidade de quem o recebe em cada destino.

Parte do prazer de conhecer e visitar Moçambique prende-se com a alegria do seu povo e o sorriso das suas crianças e é com o intuito de ajudar esta causa que a TopAtlântico criou duas formas de contribuir. Assim, para além da TopAtlântico doar 5€ da sua receita em cada reserva da campanha “Vamos de Férias” à UNICEF, está, simultaneamente, a apelar para que mesmo quem não viaja, faça a sua contribuição individual à UNICEF através do IBAN, MB WAY ou transferência Multibanco, que podem ser consultados no seguinte link: https://cdn.topatlantico.pt/PDF/unicef_topatlantico.pdf.

Independentemente da fonte do donativo, se todos passarem a mensagem e contribuírem, faremos um mundo melhor.

A campanha “Vamos de Férias!” está disponível para reservas até dia 7 de junho na rede de lojas TopAtlântico ou em www.topatlantico.pt.

Allianz promove angariação de bens para Moçambique

A organização terá um espaço próprio para a recolha de bens junto à estrutura principal da prova, que serão enviados para Moçambique na próxima semana, através do apoio dos Bombeiros e Força Aérea Portuguesa.

Teresa Brantuas, CEO da Allianz Portugal refere: “A Allianz Portugal tem um compromisso assumido com a responsabilidade social, pelo que não podíamos deixar passar em branco este infeliz acontecimento nem esquecer a ajuda de que a população moçambicana tanto precisa. Esta é uma iniciativa que faz todo o sentido para nós e, por isso, queremos incentivar todas as pessoas a ajudar com o que puderem, de forma a que Moçambique se possa reerguer e suprimir as suas necessidades primárias”.

Paralelamente, a Allianz Portugal tem a decorrer uma campanha interna para que todos os colaboradores possam ajudar o povo moçambicano com doações, através de pontos de recolha no Porto e em Lisboa.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui afetou 2,9 milhões de pessoas e as Nações Unidas estimam que 1,8 milhões precisam de assistência humanitária urgente.

Recorde-se que o Allianz Figueira Pro decorre de 29 a 31 de maio, na Figueira da Foz, e é palco da segunda etapa da Liga MEO Surf 2019, a principal competição de Surf em Portugal.  

Sobre a Allianz

A Allianz Portugal integra o Grupo Allianz, um dos maiores grupos financeiros do mundo, presente em mais de 70 países e com cerca de 145.000 colaboradores. Mais de 60 milhões de clientes, a nível mundial, confiam no seu know-how e sentido de responsabilidade. A Allianz Portugal tem, também, como acionista e principal parceiro estratégico, o Banco BPI. Posiciona-se no mercado nacional de forma inovadora, apostando no desenvolvimento de produtos de acordo com as necessidades de segurança dos seus Clientes, na expansão da sua rede de distribuição e na melhoria da prestação de Serviço. Conta atualmente com cerca de 600 colaboradores e mais de 6.000 mediadores em todo o país. Desde Dezembro de 2004, a Allianz Portugal é uma seguradora com Certificação da Qualidade ISO 9001, que abrange a maior parte dos seus produtos e serviços.

“A nossa aposta é na inovação”

A Contraven é líder de mercado na aplicação de betão leve. Como é que se alcança um lugar de alto destaque num mercado tão difícil como é o caso do setor da construção?

A Contraven iniciou a sua atividade há 20 anos com a aplicação de betão leve à base de poliestireno. Num mercado onde este tipo de soluções eram praticamente inexistentes, houve um trabalho intensivo no sentido de divulgar as vantagens destas soluções face às convencionais. O facto de termos sido pioneiros foi um fator determinante, no entanto é certo que o nosso foco no desenvolvimento de novas formulações, de forma a satisfazer as várias necessidades do mercado foi igualmente indispensável. No decurso da nossa atividade e quando ainda estavam a iniciar-se os passos na indústria da reciclagem, a Contraven desenvolveu soluções capazes de incorporar esferovite reciclado. Um resíduo extremamente problemático devido ao seu volume e por inexistência de afetação em novos produtos. Aliada ao desenvolvimento das formulações próprias desenvolvemos os nossos próprios equipamentos, como é o caso das máquinas MMBL, capazes de assegurar o cumprimento dos requisitos das atuais cinco soluções em betão leve: Betcel®, Betespuma®, Betnível®, Betforma® e Betfloor®. Passados 20 anos a Contraven é muito mais do que o betão leve, devido à nossa vontade constante de superar as dificuldades de um  tão exigente e competitivo.

Já se encontram em Portugal, Angola, Moçambique e Brasil. É possível estabelecer as principais diferenças que afastam este país na vossa área de atuação?

Apesar do denominador comum destes países, certo é que as questões económicas não poderiam ser mais díspares, o que levou a que a nossa abordagem fosse também ela diferenciada.

Em Angola a abordagem passou pela criação de uma empresa de capital 100% português. Na altura estávamos perante uma economia emergente, mas com inúmeras condicionantes a nível de infraestruturas e capacitação da mão-de-obra. Passados 12 anos a evolução está à vista e, apesar da grave crise que o país atravessou, a indústria angolana é neste momento uma realidade e caminha a passos largos no sentido da diversificação. Ao longo deste 12 anos edificamos em Angola uma unidade industrial de geotêxtil, outra de poliestireno e uma confeção de têxtil-lar, para além dos serviços técnicos de construção.

A economia brasileira na altura encontrava-se em franco crescimento, mas estávamos perante uma economia num estado de desenvolvimento já avançado. Como tal, apostamos no estabelecimento de parceria com uma empresa brasileira capaz de desenvolver a área dos betões leves, implementando todo o know-how da Contraven, desde os equipamentos, à reciclagem e aplicação das nossas formulações. A área das resinas já é uma indústria amadurecida no brasil, pelo que não foi política da empresa reforço das marcas próprias Confloor® e Conwall®. No Brasil o processo passa por fomentar a adoção de novas técnicas construtivas incluindo o betão leve à base de poliestireno, à semelhança do que foi feito em Portugal.

Em Moçambique estamos perante um país com algumas semelhanças culturais a Angola, mas uma economia mais pequena e ritmo de crescimento mais gradual, pelo que a nossa presença no mercado tem uma expressão pouco significativa.

Por outro lado, que semelhanças os aproximam? A língua enquanto fator comum é um facilitador na hora de realizar negócios?

O principal elemento unificador é de facto a língua, fator que consideramos ter um grande impacto no sucesso das empresas portuguesas nesses países. A herança histórica e a presença portuguesa é significativa, o que se reflete numa afinidade intrínseca da população em geral e revela-se um ponto de partida favorável ao desenvolvimento de negócios.

Um dos objetivos traçados pela CPLP é o fortalecimento dos fluxos comerciais entre os países e enfoque nos desafios e oportunidades. Enquanto empresária sente esta realidade?

A Contraven é uma PME de cariz familiar, tendo o seu percurso de internacionalização sido levado acabo por iniciativa e recursos próprios. Reconhecemos no entanto, que as iniciativas desenvolvidas pela CPLP promovem o reforço dos vínculos culturais e preservação da história comum a estes países, o que é um elemento facilitador das relações negociais entre os mesmos.

Ao longo de 18 anos de existência a inovação mostrou-se ser uma palavra latente na vossa existência. Que planos estão neste momento em curso e que merecem destaque?

A nossa aposta sempre foi na inovação, seja pela introdução de novos produtos ou abordagem de novos mercados. Neste momento, as nossas ações estão focadas na área do betão leve no desenvolvimento de técnicas de aplicação mais eficientes e equipamentos tecnologicamente mais avançados, capazes de fazer face à realidade da mão-de-obra disponível nos mercados amadurecidos. No que concerne aos revestimentos resinosos manteremos a nossa aposta no desenvolvimento de formulações capazes de satisfazer os requisitos técnicos cada vez mais exigentes dos acabamentos. A grande aposta passará pela diversificação de mercados, sempre com foco nos países da CPLP.

Cotur: a agência de viagens de Moçambique

A Cotur está no mercado desde 1994 e, hoje, é a maior agência de viagens em Moçambique. Enquanto CEO da marca, que características considera que foram essenciais para terem chegado ao patamar onde se encontram hoje?

Não acreditando em fórmulas mágicas para o sucesso, muito menos quando falamos de uma liderança consecutiva com quase duas décadas, como é o caso na Cotur, julgo ainda assim que de fato certas características foram e são a base daquilo que tem sido o nosso percurso, e que definem bastante daquilo que somos enquanto empresa: trabalho árduo, espírito de sacrifício e vontade de inovar.

No entanto se tivesse de escolher uma, aquela que considero decisiva, diria a capacidade de adaptação à mudança ou por outras palavras a resposta à adversidade e ao inesperado. Penso que essa capacidade e essa visão fizeram e fazem a diferença.

A própria história da empresa e da sua fundação são um testamento a essa capacidade. O meu pai, Vali Momade, soube responder rapidamente à mudança de realidade económico-social do país, e teve a visão clara para onde deveria ir, fundando a Cotur. Desde então, temos usado várias vezes essa capacidade, adaptar e continuar tendo ao longo do tempo aberto portas e encontrado soluções que permitiram não só à Cotur mas às restantes agências de viagens em Moçambique continuar a evoluir e crescer. A Cotur é uma referência, não pelos prémios ou distinções, isso são reflexos deste trabalho. Mas é uma referência por ser precursor e por estar numa posição em que a maioria espera para ver o que vamos fazer para depois continuar.

Enquanto agente económico do setor do turismo, como descreveria o contributo da empresa e a sua importância no universo CPLP?

A Cotur tem procurado contribuir positivamente, tanto no contexto da discussão da sua área de expertise como no setor do turismo no geral. A Cotur é membro da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP) e ainda recentemente, o nosso CEO, Muhammad Abdullah, foi nomeado Presidente da Comissão Especializada da CE-CPLP para o Turismo.

Efetivamente, existe um enorme potencial neste universo, e sem dúvida que procuramos estar envolvidos na busca de soluções para os problemas e na criação de oportunidades, para que este se desenvolva e atinja potencial que todos lhe reconhecemos.

A verdade é que existem diversos problemas que ainda têm de ser ultrapassados, que têm sido entraves ao desenvolvimento que todos ambicionamos. No entanto, temos tido sinais positivos, que indiciam vontade de todos os intervenientes em evoluir e por isso julgo que só podemos estar otimistas. Ao nível do Turismo, acredito que a implementação da isenção de vistos entre membros da CPLP seria um passo fundamental para o desenvolvimento do setor.

Na sua opinião, quais são as maiores vantagens que não estão a ser aproveitadas no seu expoente máximo em termos de turismo entre os países lusófonos?

Na verdade, penso que a própria natureza da Lusofonia será a grande vantagem que não tem sido aproveitada, a base a partir da qual as maiores oportunidades para o setor do Turismo têm origem.

A real dimensão do potencial turístico entre os países lusófonos está nesta partilha de identidade cultural e histórica, enriquecida obviamente pela partilha também da língua.

O fluxo de pessoas nos países lusófonos, entre o país de residência e o país de onde são oriundos ou onde têm família, já é uma realidade incontornável. Dando os passos necessários para facilitar mais todo este processo, e esse fluxo aumentará significativamente, beneficiando não apenas quem visita por razões afetivas e familiares, mas também quem o faz por razões puramente turísticas.

Por exemplo, a inexistência de pacotes turísticos que combinem dois ou mais países é algo que ilustra bem todo potencial que existe e que infelizmente não está a ser aproveitado.

Os investimentos que têm sido dedicados ao turismo em Moçambique são suficientes?

Penso que o investimento no turismo em Moçambique tem sido feito de uma forma pouco eficaz. Há algum desfasamento entre a perceção de oportunidade de negócio e a realidade. Por isso, a maior parte dos empreendimentos turísticos têm grande dificuldade em serem viáveis.

Esta dificuldade não resulta da falta de potencial turístico, muito pelo contrário, já que esse potencial é enorme. O problema está antes ao nível da execução, com muito do investimento a ser feito na criação de empreendimentos concorrentes, em vez de em melhorias da capacidade já existente, aumentando por exemplo a qualidade de serviço. Julgo que a aposta deve ser feita mais em parcerias inteligentes e sustentáveis, que acrescentem de fato valor e aumentem a qualidade da oferta e do serviço prestado.

Historicamente, Moçambique é considerado um dos destinos turísticos de primeira classe em África, principalmente devido à sua fauna, praias e centros urbanos. Como descreveria o país a quem ainda não o conhece?

Moçambique é sem dúvida um país maravilhoso. A nossa Pérola do Índico tem tudo aquilo que a maioria dos turistas procura para as chamadas férias de sonho. No entanto, julgo que a essa grande diversidade e riqueza natural e paisagística, há a juntar uma característica única que faz Moçambique ser tão especial: os moçambicanos. As nossas gentes são de fato um dos grandes patrimónios e uma das grandes riquezas do nosso país, e quem visita Moçambique fica invariavelmente marcado pela gentileza, simpatia e calor dos moçambicanos.

Temos algum caminho a percorrer em termos de melhorias estruturais, para que o turismo moçambicano possa estar desenvolvido como outros grandes destinos internacionais, mas têm sido dados passos fundamentais para que isso aconteça. Evoluímos cada vez mais com o maior fluxo de turistas e só podemos esperar que continue a aumentar e que venham desfrutar da riqueza natural à cultural e histórica sem esquecer a gastronómica e acima de tudo a social e humana do nosso Moçambique.

Quem é Noor Momade 

Noor Momade foi distinguido como ‘Empresário empreendedor do ano durante a VI Conferência Nacional do Empreendedorismo, organizada em Maputo, pela ANJE.

Durante a III Gala do Empreendedor, inserida na VI Conferência Nacional de Empreendedorismo, foram distinguidas as personalidades e instituições que mais se destacaram no país enquanto empreendedoras ou promotoras do empreendedorismo nacional.

Numa das categorias mais aguardadas, Noor Momade, PCA da Cotur, foi distinguido como empresário empreendedor do ano, reforçando ainda mais o seu estatuto de referência no mundo empresarial Moçambicano no geral e no Turismo em particular, onde tem colecionado juntamente com a Cotur, vários prémios e distinções nacionais e internacionais.

Noor Momade garante que essa distinção tem de ser encarada com grande otimismo por todos os empresários moçambicanos, principalmente os mais jovens. “Há um potencial enorme nos nossos jovens, e o nosso país vai proporcionando cada vez mais um crescimento sustentado de novos negócios e ideias, pelo que só podemos estar otimistas. Moçambique merece este momento.”

Moçambique: Comissão Nacional dos Direitos Humanos “profundamente preocupada”

“Foi com profunda preocupação que a Comissão Nacional dos Direitos Humanos tomou conhecimento do Decreto nº 40/2018, de 23 de Julho, que estabelece o regime jurídico das taxas a cobrar no ato de registo, licenciamento, renovações bem como na acreditação e credenciamento de jornalistas e correspondentes nacionais, estrangeiros colaboradores autónomos, na República de Moçambique”, considera, em comunicado de imprensa, a CNDH.

A CNDH reconhece a legitimidade do Governo em atualizar as taxas, para garantir a sustentabilidade do sistema de licenciamento dos órgãos de comunicação social, mas considera que essa medida não deve perigar ou dificultar o exercício do direito fundamental e humano de acesso à informação.

“As novas taxas não são consentâneas com as linhas orientadoras definidas nos instrumentos jurídicos sobre o direito de acesso à informação em vigor no país”, lê-se no texto.

O acesso à informação, prossegue o documento, é matéria de interesse público e o seu exercício deve ser promovido e facilitado.

A CNDH salienta que as novas taxas são aprovadas numa altura em que o ambiente económico não é favorável à maioria da população moçambicana, em particular para as pessoas com baixo rendimento.

“A aplicação das novas taxas num contexto economicamente desfavorável pode refletir-se no consumidor final da informação”, destaca a comissão.

Ao abrigo das novas taxas, o Governo moçambicano vai passar a cobrar 500 mil meticais (7.469 euros) pela acreditação de jornalistas estrangeiros e igual valor pela renovação.

O decreto, publicado em Boletim da República e que entra em vigor a 23 de agosto, impõe ainda o pagamento de 200 mil meticais (2.985 euros) pela acreditação de correspondentes nacionais de órgãos de comunicação social estrangeiros e igual valor pela renovação da acreditação.

Na passada terça-feira, organizações da sociedade civil pediram ao Provedor de Justiça que interceda junto do Conselho Constitucional, para a declaração da inconstitucionalidade das novas taxas.

Moçambique: chuva já matou 200 pessoas desde outubro

“A preocupação continua a ser a assistência às populações. Passámos para uma situação de 21 mortos”, declarou Paulo Tomás, porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

O número de óbitos cresceu devido à depressão tropical que atingiu, na última semana, em que morreram sete pessoas nas províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, acrescentou.

Imagens divulgadas pelos residentes na região mostraram construções típicas do interior rural (feitas com barro) destruídas, ruas alagadas, outras cobertas de lama e estruturas derrubadas por fortes correntes de água pluvial.

No total, de acordo com dados do INGC, mais de 15 mil famílias já foram afetadas nestas quatro províncias.

As autoridades preveem que sejam necessários 300 milhões de meticais (mais de 4,1 milhões de euros) para reparar os danos causados pelas chuvas e ventos fortes nas províncias.

Da verba, 187 milhões de meticais (2,5 milhões de euros) serão destinados serão destinados à reabilitação de estradas e pontes, segundo dados do INGC.

Entre outubro e abril, Moçambique é ciclicamente atingido por cheias, fenómeno justificado pela sua localização geográfica, sujeita à passagem de tempestades e, ao mesmo tempo, a jusante da maioria das bacias hidrográficas da África Austral.

Lusa

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