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“A diversidade é essencial para responder à sociedade que servimos”

Sylvia Lin é Diretora Geral da Sanofi Pasteur Portugal, a unidade de negócio de vacinas da Sanofi, há dois anos. Como encarou este desafio?

Em Janeiro de 2017 foi criada a unidade de vacinas da Sanofi Pasteur, no seguimento do fim da joint-venture com a MSD. Mas, a Pasteur já tem um histórico de liderança em Portugal, pelas suas vacinas inovadoras e também pelo seu portefólio de vacinas que são a base do programa nacional de vacinação.

Somos reconhecidos pela nossa parceria e compromisso com a saúde pública.

Assim, foi com muito orgulho que encarei este desafio e é para mim um privilégio assumir esta posição em Portugal. Mas, como acontece com quase todos os gestores que assumem posições de liderança numa empresa nova ou num país diferente, eu também enfrentei e ainda enfrento alguns desafios. O meu primeiro desafio foi conhecer bem o mercado português e a equipa. Inicialmente, dediquei muito tempo a estudar o mercado, todos os seus intervenientes e particularidades.

Felizmente posso dizer que assumi este compromisso com uma equipa fantástica que me tem apoiado desde o início. Tive a sorte de ter, desde há dois anos, uma equipa com imensa experiência e conhecimento. Juntos, temos trabalhado para ultrapassar todos os desafios, para antecipar e fazer crescer a companhia.

É, portanto, responsável pela coordenação e desenvolvimento do negócio das vacinas em Portugal. Qual será, doravante, a estratégia a seguir de acordo com as necessidades e desafios desta área?

A nossa companhia tem um legado de mais de cem anos dedicados à investigação e à produção de vacinas. Desde sempre atuamos na área da prevenção, pois acreditamos num mundo onde nenhuma pessoa sofra ou perca a vida por doenças preveníveis pela vacinação.

Em linha com a prevenção, a nossa estratégia e prioridades incluem o compromisso contínuo de sensibilizar, de impulsionar e melhorar o conhecimento sobre a importância e a ciência da vacinação, em crianças e adultos, e de trabalhar junto com os
nossos parceiros, com o governo e as autoridades para melhorar a saúde pública e a sustentabilidade da sociedade.

A somar a esta estratégia, está também o trabalho de garantir que os portugueses têm acesso às vacinas
necessárias e mais eficazes a curto-prazo e também de uma maneira sustentável a longo-prazo. Para isso, muitas pessoas, grupos e instituições têm de ser envolvidos.

A vacinação é muito mais que uma medida de prevenção eficaz para reduzir a doença e a mortalidade, podendo ser usada como estratégia para promover a igualdade e a equidade na prestação de cuidados de saúde.

Sente que é necessário apostar fortemente na divulgação de informação e consciencialização para o valor inestimável das vacinas e para o seu contributo para a saúde pública?

É essencial apostar na comunicação e na sensibilização sobre o valor da vacinação; acredito é que ainda temos de ser mais específicos e concretos. O contributo da vacinação para a saúde pública é indiscutível quando olhamos para os dados e para a ciência. Com a exceção da disponibilização da água potável, a vacinação é das melhores medidas de prevenção de doenças transmissíveis: reduz a mortalidade e promove a saúde e o crescimento da população em todo o mundo. A vacinação tem benefícios individuais e coletivos, na medida em que ao vacinarmos uma pessoa contribuímos para a sua proteção pessoal, mas também para promover a proteção de outros indivíduos não vacinados, o que chamamos de “proteção de grupo”.

Todos os intervenientes na área da saúde pública têm o compromisso e a responsabilidade de informar e de transmitir às pessoas que a prevenção através da vacinação é essencial. Isto inclui também a responsabilidade de desmistificarmos factos e argumentos que não são fundamentados pela ciência e pela evidência.

Adicionalmente, é muito importante irmos além do valor de saúde pública. Há informação relevante que demonstra os benefícios sociais e económicos da vacinação. A vacinação contra a gripe é um bom exemplo disso. Em média, ocorrem entre
3 000 a 4 500 mortes por ano em Portugal relacionadas com a gripe. Este é uma realidade devastadora, particularmente se pensarmos que é um número exponencialmente mais elevado do que o número de mortes que ocorrem devido a acidentes de automóvel todos os anos. Se analisarmos os últimos dados, observamos que morreram cerca de 500 pessoas por acidentes rodoviários em 2017. E no período gripal 2017/2018, morreram 4 500 pessoas em Portugal por causas relacionadas com a gripe. A vacinação pode reduzir a mortalidade devido a esta causa especialmente nos grupos de risco. É um facto, que a vacina da gripe reduz o risco de desenvolvimento de complicações graves relacionadas com a gripe que muitas vezes conduzem à morte. Aqui, temos um impacto claro e direto na saúde pública. Associado a este, temos o peso económico que a gripe causa anualmente, resultado de hospitalizações, tratamentos, dias de abstenção laboral, quer para a pessoa que fica doente, quer para o cuidador. Existem custos sociais e económicos claros e elevados que resultam da época gripal e que poderiam ser minimizados se existisse um maior conhecimento quanto à importância da vacinação anual contra a gripe.

Há cada vez mais mulheres em cargos de liderança. No entanto, mesmo com o crescimento do número de mulheres em cargos de chefia ainda temos um longo caminho a percorrer para assegurar a “igualdade de oportunidades” de género nas organizações. Concorda?

Concordo em absoluto que existe um número crescente de mulheres a assumir cargos de liderança, o que é uma tendência muito positiva, e posso afirmar que a Sanofi em Portugal é disso um exemplo, com um Comité Executivo onde mais de 75% são mulheres. Mas, Portugal é também um excelente exemplo de um país que realmente permite que isto aconteça. No entanto, ainda temos um caminho a percorrer, pois não é suficiente que apenas haja mulheres em cargos de liderança. Devemos falar em igualdade mas também em equidade e equilíbrio. Em primeiro lugar, a presença de mulheres em cargos de liderança varia muito consoante os setores. No setor da saúde, as mulheres predominam em muitas profissões. Contudo, seria interessante analisar as diferenças no acesso a posições de liderança nas diversas áreas de atividade: media, tecnologia, infraestruturas, finanças, engenharias… Em segundo lugar, é importante que sejam feitas as mesmas exigências às mulheres em cargos de liderança mas que também lhe sejam dadas as mesmas oportunidades que aos homens, incluindo espaço e oportunidade para correr riscos, oportunidade de desenvolvimento profissional, compensação equitativa, entre outros. Em terceiro lugar, temos de garantir que os jovens talentos, mulheres e homens, são continuamente desenvolvidos dentro das organizações e que existem planos de sucessão baseados em competências, independentemente do género. No fundo, temos de garantir que conseguimos criar uma pool de talento feminino e liderança transversal a todas as indústrias, assegurar que todos têm acesso às mesmas oportunidades e trabalhar no seu desenvolvimento e retenção. O que me leva ao meu último ponto, que é a equidade de género. Não conseguimos atingir a igualdade de oportunidades sem termos equidade. Existem questões estruturais e sistemáticas que temos de resolver enquanto sociedade para garantirmos a igualdade de género. Alguns dos meus artigos favoritos sobre este tópico são de Anne-Marie Slaughter, CEO de um think tank e Professora na Universidade de Princeton, e anterior responsável de Planeamento de Políticas do Departamento de Estado dos EUA. Na raiz da questão está o desafio de, enquanto sociedade, pensarmos nos papéis do género e no impacto que eles têm em casa e no trabalho. Só quando avançarmos na modernização do pensamento em relação a estes papéis, estaremos mais perto de atingir a igualdade e a equidade de género.

Que desafios enfrentam, ainda, as mulheres que ocupam cargos de chefia?

No seguimento do que já mencionei, é um facto que existe uma batalha de longa data entre as mulheres serem tratadas de forma igualitária e o equilíbrio entre a vida profissional/pessoal. Apesar de haver um número crescente de mulheres em posições de liderança, as mulheres continuam a acumular a função de cuidadoras da casa e o papel de mães, muitas vezes em exclusivo. Adicionalmente, como muitos líderes seniores continuam a ser homens, é um grande desafio encontrar mentores e criar redes que facilitem os contactos e as relações entre mulheres líderes.

A desigualdade de género, em múltiplos domínios, é uma realidade bem presente. Durante o seu percurso profissional foram-lhe colocados entraves pelo facto de ser mulher?

Eu diria que o contexto de hoje é muito diferente (e melhor) do que quando comecei a trabalhar há 20 anos. Ao longo da minha carreira deparei-me com inúmeros desafios por ser mulher e por ser americana-asiática. Estes dois elementos em determinadas regiões, como por exemplo, na América Latina, e mesmo na Europa, incluindo Portugal, contribuíram para por vezes ser olhada de maneira diferente. Durante a minha carreira, sempre senti orgulho nesta diferença, mas, ao mesmo tempo, sempre me esforcei ao máximo e fui muito focalizada nos meus objetivos, procurando responder aos desafios com bons resultados. Esta atitude fez com que ao longo do tempo eu fosse vista como um par, um colega, um membro da equipa, e um líder, que por acaso traz também todo o valor de ser uma mulher americana-asiática. Uma das grandes riquezas e beleza do mundo é a sua diversidade a todos os níveis mas, dentro dessa diversidade, ainda urge trabalhar a igualdade e a equidade de uma forma muito mais transversal e abrangente enquanto sociedade universal. Todas as formas de diversidade, de género, raça, orientação sexual, idade, ou qualquer handicap, devem ser respeitadas e valorizadas. Vivemos num mundo incrivelmente diverso e devemos saber refletir e aproveitar essa riqueza da diversidade da população, caso contrário perderemos oportunidades na pool de talento e não conseguiremos compreender verdadeiramente as necessidades da população diversa que servimos. Este é um ponto essencial que a sociedade e as empresas têm de trabalhar para que todos ganhem ao nível da representação global dessa diversidade, homens e mulheres.

QUEM É SYLVIA LIN

Mãe de dois filhos, Sylvia Lin que já passou pelos EUA, pelo México, Colômbia e Brasil, confessa que sem apoio teria sido um percurso difícil, aliás, “para qualquer mulher o é se não tiver uma rede de apoio à sua volta”. Para mulheres com uma carreira profissional, conciliar a vida pessoal, casamento ou filhos ainda é um desafio.

“No meu caso, que sou mulher, jovem e estrangeira, tive a sorte de Portugal ser um país bastante recetivo. Passei por outros países antes de chegar à Sanofi Pasteur Portugal, por isso posso tomar como exemplo diferentes realidades”, ressalta Sylvia Lin.

Sylvia Lin confessa que não encontrou uma barreira pelo facto de ser mulher, mas outros fatores levaram o seu tempo a consolidar por ser uma mulher jovem e estrangeira a ocupar um cargo de direção num mercado que não era ainda a sua zona de conforto.

“Chegar a uma empresa nova, num país novo é normal que cause dúvidas nas pessoas, por isso temos de saber ouvir e compreender para, pouco a pouco, explorar e conhecer a realidade”, diz-nos Sylvia Lin.

E conclui: “Temos de conhecer o mercado, a empresa, os métodos de trabalho, bem como as pessoas, e ter uma mentalidade aberta para absorver uma nova realidade. Isto acontece em qualquer setor e em qualquer país, pois de país para país a cultura é diferente e temos de nos saber adaptar”.

 

Nesta história vamos falar-vos de emoções… Mais concretamente da emoção do azeite…

Esta é a história da OliveEmotion que recentemente ganhou vida como uma marca de azeite premium e que convida à descoberta de emoções, para quem gosta de novas experiências, de arriscar sabores invulgares, partilhar o inesquecível à mesa e colocar as emoções à prova.

Por detrás da criação da OliveEmotion está a empreendedora Isabel Faria, que descobriu cedo a paixão pelo azeite que a levou à concretização deste sonho. “Uma das memórias que tenho mais presente em mim é o do pão com azeite que a minha avó tanto gostava de comer. Ainda hoje é das coisas que me dá mais prazer comer”.

E continua, “quis criar uma marca que fosse diferente no mercado, que apelasse ao entusiasmo pela descoberta do azeite e dos seus benefícios, a um desejo pela Dádiva dos Deuses, a uma inspiração numa viagem à nossa gastronomia, à atração por combinações invulgares com azeite e à paixão pelas tradições de Portugal”. – refere a empreendedora. “É que ao descobrir o azeite ficamos inspirados com tanto potencial que está por ser explorado e ficamos tão entusiasmados que queremos quebrar padrões antigos e partilhar novas e criativas utilizações do Azeite”.

A Dieta Mediterrânea está repleta de exemplos onde o azeite é um ingrediente chave na preparação e finalização de pratos ou simplesmente como entrada de degustação com pão, uma flor do sal, umas ervas aromáticas. E ainda temos o potencial de explorar sobremesas em que o azeite pode ser usado de uma forma inovadora com um sorbet, com uma laranja ou chocolate. “Podemos desta forma despoletar muitas emoções. E temos que cada vez mais de valorizar o azeite pela riqueza que acrescenta aos pratos e pela importância como parte de uma alimentação saudável e completa”.

Quando falamos do azeite OliveEmotion falamos num azeite de qualidade superior feito essencialmente com variedades portuguesas, Cordovil, Cobrançosa e Galega e uma acidez abaixo de 0.2%. É um azeite caracterizado por ser um frutado médio de azeitonas verdes, complexo, muito fresco e equilibrado. É produzido na região do Alentejo por portugueses que colocam toda a emoção no momento.

É que quando um português cria algo, põe toda a emoção no momento! Foi isso que aconteceu ao criarmos a marca OliveEmotion

A marca quer apostar num modelo de consumo diferenciado que combine azeite a cru com outros ingredientes. A OliveEmotion promove a partilha com família e amigos, unindo uma imagem contemporânea com um forte enfoque nas plataformas digitais, para um mercado nacional e internacional. Está presente no Facebook, Instagram e LinkedIn, não faltando o canal no Youtube.

A importância do azeite e dos seus benefícios

O azeite deixou de ser apenas um alimento utilizado só na cozinha para passar a ser visto também como um “produto na moda”, associado a um estilo de vida mais saudável. A difusão dos resultados científicos relativos aos inúmeros benefícios do azeite para a saúde, bem como as inúmeras campanhas promocionais levadas a cabo, quer pela União Europeia, quer pelo Conselho Oleícola Internacional também contribuíram para a sua ascensão.

O consumo de azeite de forma diária contribui para um coração saudável ajudando a diminuir a tensão arterial, o risco de Ataque cardíaco, o risco de diabetes tipo 2 e reduz o risco de alguns tipos de cancro. Representa assim um alimento indispensável no combate de doenças como os diabetes, obesidade, colesterol, doenças cardiovasculares, depressão, osteoporose entre outras.

Nos últimos anos o mercado tem feito uma maior aposta no marketing com um posicionamento mais alto mas ainda falta fazer muito trabalho no que toca à promoção da sua qualidade e da capacidade de inovar do que se faz em Portugal. É esse o objetivo da OliveEmotion, o de promover um azeite de qualidade de Portugal com uma imagem mais contemporânea e apostando em utilizações invulgares de forma saudável e criativa.

A OliveEmotion descobriu o pulso da terra , e engarrafou o vento que beija as nossas oliveiras. Deixou cair preconceitos e misturou as melhores variedades para oferecer todo o prazer do sabor. Seria egoísmo puro ficar com um segredo destes. Este é um segredo para quem gosta de novas experiências, arriscar sabores invulgares, partilhar o inesquecível à mesa, pôr as emoções à prova. E quem prova com o coração descobre.

Descobra a OliveEmotion em www.oliveemotion.com

DHC Food Experience seleciona produtos que pode ter à mesa

A paixão por produtos alimentares inovadores e pelas relações interpessoais, bem como a sua ambição, motivaram Ana Paula Teixeira a lançar-se neste projeto. No início, o ser jovem e mulher foi muitas vezes encarado como vulnerabilidade, quando chegava a hora de se afirmar como empresária. Porém, conta que manteve sempre presente que seria o seu profissionalismo, honestidade e humildade a falar por si. E assim foi. Diz que felizmente o mercado mudou e que as mentalidades, na maioria dos casos, também.

DHC Food Experience

Os produtos da DHC Food Experience têm em comum o fato de o frio positivo ser o seu principal meio de conservação. A empresa seleciona e coloca no mercado aqueles que considera serem os melhores produtos refrigerados nas respetivas categorias em que se posiciona.

Podemos encontrar no portefólio da empresa, produtos com mais de 20 marcas, entre elas Pasta do Dia, Soloitália, Martiko e Tulip.

Em 2013, já com16 anos de experiência no mercado, a oportunidade surgiu e a DHC lançou a sua marca própria PASTA DO DIA na categoria de Massas Frescas. A marca tem-se vindo a afirmar no mercado e a ganhar a confiança dos consumidores e já conta com dez referências. No próximo mês a décima primeira juntar-se-á à família.

Ana Paula fala-nos que para que a empresa hoje possa ter solidez e reconhecimento no mercado, foi preciso ter muito otimismo, confiança e resiliência para ultrapassar os obstáculos, que foram surgindo ao longo dos anos, nomeadamente no período da crise económica. Características que continua a ter e que considera fundamentais para continuar neste seu percurso.

As pessoas importam para a empresária. Considera que os colaboradores são o maior património de uma empresa. Que para haver sucesso é essencial ter, em simultâneo ambição e humildade: “Quem não é humilde não aprende e não evolui”, afirma. Gerir pessoas considera ter sido uma das suas funções mais difíceis de desempenhar, mas hoje Ana Paula garante não o ser mais devido à aprendizagem adquirida ao longo dos tempos e que agora se traduz em tranquilidade. “Sou mais seletiva e assertiva, tenho pessoas em que posso confiar e delegar embora continue a estar muito presente na área comercial por gostar do contato com clientes e fabricantes e por considerar esse contato direto muito importante”. Considera que recrutar novos elementos nem sempre é tarefa fácil. Devido à forte cultura organizacional assente em valores enraizados como humildade, honestidade, foco, produtividade e a máxima orientação para a satisfação cliente, a nossa entrevistada confessa que a sua maior dificuldade é encontrar pessoas que se adaptem a esta filosofia da qual nunca prescindirá e que ainda tenham as competências necessárias, como sejam, sentido de responsabilidade e autonomia, rigor, disciplina, proatividade, reatividade e elevados níveis de produtividade.

“Não vendo o que nunca compraria”

É sob esta máxima que a empresária faz negócios.

Para saber se um produto tem o nível de qualidade e garantia da qual não prescindem, começam por aceitar apenas parceiros produtores que sejam certificados ao mais alto nível, com Certificação Internacional IFS- International Featured Standards e/ou BRC – British Retail Consortium.

No processo de seleção de produtos, para além das tendências, são tidas ainda em conta visitas regulares às fábricas com quem trabalham, ou que podem vir a trabalhar, o acompanhamento constante de outros mercados e as visitas regulares às feiras Internacionais.

A DHC procura ser também uma solução para os clientes na Área da Alimentação Saudável, contando com diversos produtos transversalmente em todas as categorias em que se posiciona com os designados Free From (sem Gluten e sem Lactose), Lights (Baixo teor de sal, gordura, açucar), Vegetarianos, Vegan e Orgânicos (Bio), todos eles com tendência num forte crescimento.

Parceiros certos, fator determinante para o sucesso

Desde 1997 que a mudança acontece a toda a hora com todas as exigências naturais de um mercado muito dinâmico e em constante evolução. “Os nossos clientes nomeadamente da distribuição são muito profissionais, é um privilégio trabalhar com equipas tão bem preparadas, mas isso também acarreta os seus desafios e responsabilidades. Para se estar à altura, é fundamental trabalhar só com equipas e parceiros de excelência e ter os mais eficazes sistemas de informação. O nosso papel é gerar valor para os nossos clientes e consequentemente para o consumidor. Nos dias de hoje, não basta ter um bom produto, é determinante ser capaz de o colocar no mercado a um preço ao qual o mesmo está disposto a pagar. É indispensável ter uma estrutura otimizada e conseguir economias de escala em toda a cadeia para que o produto seja colocado no mercado a um preço competitivo”.

Já em 2019 a DHC promete lançar novos produtos, todos eles com a excelência pela qual se pauta e de acordo com aquilo que mais importa à sua fundadora: gerar satisfação ao consumidor através da qualidade, diferenciação e inovação.

De Guimarães para o mundo

Há 40 anos no mercado, a Vidraria Taipas estava, inicialmente, muito centrada na construção civil. Em 2007, a estratégia comercial foi alterada atempadamente e hoje apresenta-se no mercado de uma forma vanguardista, dividindo os nichos de mercado onde atua. Logo depois da alteração da estratégia da empresa o país começa a atravessar uma profunda crise na construção, estando a Vidraria Taipas salvaguardada por ter expandido o negócio a outras áreas e por se pautar sempre pela inovação.

Essa mentalidade é notória quando verificamos que foi uma das primeiras empresas a nível nacional na produção de vidro duplo. Atualmente, e seguindo este mesmo paradigma, a Vidraria Taipas tem vindo a destacar-se pela aposta em produtos diferenciadores que rompem, assim, o conceito das vidrarias direcionadas apenas para a construção, como é o caso do Vidro Laminado Decorativo.

O Vidro Laminado Decorativo é uma variante otimizada do Vidro Laminado normal. No Vidro Laminado Decorativo a película de segurança que intercala os dois vidros é peculiar, podendo assim ser configurada com qualquer imagem, tecido ou padrão, tornando-se numa ótima solução em termos de decoração. Em arquiteturas de exterior e interior, dá um toque de criatividade e design pessoal aos mais arrojados trabalhos. Arquitetos e decoradores têm agora à sua disposição uma nova ferramenta de criatividade para os mais variados projetos em vidro.

O core business da empresa é agora, a par da construção, a decoração, o frio e a arquitetura, com uma resposta personalizada às necessidades dos clientes, o que envolve uma capacidade forte de adaptação.

“A PERSISTÊNCIA É O CAMINHO DA EXCELÊNCIA”

Em 2007 aconteceu uma passagem geracional e estruturada na Vidraria Taipas e Ana Silva assume a administração da empresa partilhada com o irmão e o sócio, sob o supervisionamento do fundador da empresa, o seu pai, que considera ser o melhor mentor, professor e patrão. “Foi ele que me ensinou quase tudo” o que, complementado com a sua formação, determinação e o facto de ser mulher, tem contribuído bastante para a expansão da empresa.

Hoje, enquanto CEO da Vidraria Taipas, Ana Silva continua a implementar mudanças não só a nível de estratégia comercial, mas também a nível de organização estrutural da empresa e da diversidade de género. Com quatro mulheres a assumir funções na administração, a Vidraria Taipas tem uma visão mais abrangente e diversificada, neste que é um setor associado e dominado, maioritariamente, por homens.

Ana Silva é quem dá a cara pela empresa e tem consciência que os inícios não foram fáceis pelo facto de ser nova e mulher numa área dedicada à construção civil. No entanto, “a persistência é o caminho da excelência” e com bastante resiliência os obstáculos foram superados.

Resiliência, coragem, entrega e uma gestão do quotidiano de proximidade com todos os setores da empresa foram os fatores-chave para Ana Silva assumir a liderança, considerando que a liderança feminina é diferente. Contudo, Ana Silva entende que, enquanto mulheres, não podemos considerar esse fator como uma vantagem nem como uma desvantagem ou “não deveríamos”. “Devemos assumir-nos como profissionais, independentemente do género. Não podemos vitimizar-nos, temos de lutar com as armas que temos nesta que será sempre uma guerra diária”, diz-nos.

Para Ana Silva, a diferença nos estilos de liderança entre homens e mulheres embate apenas na questão pessoal, a qual influenciará nas tomadas de decisões e na resolução de problemas.

Quanto ao seu trabalho, Ana Silva afirma que gosta de tudo. Apesar de ser responsável pela área administrativa, confessa que a área que mais a fascina é a produção. “Novos projetos e produtos inovadores é o que mais me empolga, mas não é uma área fácil. Tratam-se de projetos que envolvem meses de trabalho e muita dedicação”, elucida a nossa entrevistada.

Por sua vez, em relação aos desafios encarados quando se está em cargos de chefia, Ana Silva reconhece que a gestão de equipa foi outro dos desafios encontrados inicialmente, mas que com o tempo e com a sua postura sempre próxima na resolução dos mais diversos problemas “tornou tudo mais fácil”, conclui. ▪

Vidraria Taipas

Fundada em 1978, nas Caldas das Taipas (Guimarães), a Vidraria Taipas dedica, há quatro décadas, toda a sua atividade na elaboração de trabalhos em vidro e sua colocação. Do seu portefólio destaca-se o Vidro Laminado Decorativo que permite máxima personalização para todo o tipo de decoração exterior e interior, bem como o Vidro LED através de inserção de fontes luminosas no interior do vidro.

 

Fazer pessoas felizes

Tem como formação base psicologia e, neste momento, lidera uma equipa de fitness no Gymnasium. diz que faz desta empresa a sua vida até hoje. O que mais gosta no seu trabalho?

A alegria do fitness e o poder de mudança na vida de cada pessoa. A par disto a comunicação no seu todo é outra paixão.

Os três Gymnasium estão situados no Algarve desde 2011, de forma a elucidar os nossos leitores, quais são as características diferenciadoras que a organização promove e de que forma está estruturada?

O Gymnasium é um conceito pensado de pessoas para pessoas. A cultura de proximidade, conhecer quem nos visita e sobretudo tratar cada pessoa pelo seu nome. Temos também vários serviços complementares como a Nutrição, a Acupuntura e a Estética. A par disto temos o cuidado de construir espaços atuais e agradáveis que acompanham as tendências do mercado tanto nacional como internacional. A dinâmica dos eventos que fazemos outdoor para toda a comunidade também contribuem para nos distinguir do que se faz no Algarve.

Enquanto diretora de marketing, quais são os maiores desafios com que se depara?

Cada vez se torna mais difícil captar a atenção do público. No entanto com a criatividade genuína de uma equipa, embora pequena, que me acompanha em todas estas aventuras temos conseguido algum destaque no on-line.

“No Gymnasium cuidamos de ti como um todo”, este é o lema da empresa. De que forma pode ser explicado?

O lema/missão da empresa é “Fazer pessoas felizes”. O nosso foco é contribuir para o bem-estar geral de cada pessoa. Isto é, seja através de um treino, uma aula divertida ou apenas uma conversa.

Nos dias de hoje existe uma maior preocupação com a forma física e o bem-estar, tanto emocional como fisicamente, mas nem todas as pessoas dizem não gostar ou ter tempo para frequentar o ginásio. O que diria a estas pessoas?

Penso que é uma questão de prioridades, no entanto temos o cuidado de adequar cada treino à disponibilidade apresentada por cada sócio. É sempre feita uma avaliação inicial em que os objetivos e tempos disponíveis são cruzados para que não haja expetativas erradas. O exercício físico per si previne variadíssimas doenças e contribui para uma qualidade de vida superior a médio/longo prazo. É, portanto, algo que se aprende a gostar. Por vezes diz-se que não se gosta de ginásio devido a experiências anteriores pouco gratificantes. Há que ter paciência e ser perseverante. Os resultados surgem com o tempo.

3 Três motivos pelos quais as pessoas devem inscrever-se no Gymnasium
A relação qualidade /preço bastante apelativa. Espaços agradáveis concebidos não apenas vocacionados para o fitness mas para o bem-estar geral. A garantia de ser recebido com um grande sorriso todos os dias.

“É nas pessoas que está a capacidade de fazer diferente”

Paula Oliveira tem três filhos. Sim, é desta forma que queremos começar a contar a história desta mulher líder e empreendedora. Já vai perceber porquê.

Paula Oliveira é sócia na SDO Consulting e fundadora da Ucall. É mulher, casada, tem três filhos e uma carreira profissional de sucesso que a obriga a viajar regularmente. “Tudo aconteceu de forma natural, não foi nada planeado”, começa por referir a nossa entrevistada.

Nos dias de hoje, numa sociedade onde ainda se colocam limites às mulheres, numa sociedade com estereótipos e onde a desigualdade de género ainda é bastante proeminente, a questão natural seria: “como é que ela consegue conciliar a vida pessoal com a vida profissional?”.

Licenciada em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho, Paula Oliveira fala-nos do seu percurso e do seu cargo aliciante, mas bastante desafiante. A SDO Consulting está integrada num grupo que opera a nível nacional e internacional, um desafio que encara com entusiasmo apesar do esforço que exige pela constante conquista de parceiros, clientes e do mercado no geral. “Esse caminho da conquista é o que realmente me entusiasma, enquanto pessoa, e o que contribui para o crescimento consistente da empresa. Tratam-se de mercados diferentes, com culturas e contextos laborais diferentes que nos obrigam a um treino e adaptação constantes, tornando-nos em pessoas mais versáteis e ágeis na compreensão e execução de projetos”, afirma Paula Oliveira, adiantando que se trata de uma grande alavanca para perceber as pessoas e compreender o que as motiva para darem o seu melhor.

Quanto à questão colocada anteriormente, “é difícil conciliar a vida pessoal com a vida profissional”, Paula Oliveira diz-nos que nunca sabe responder bem a essa pergunta, porque é algo muito natural em si. “Nunca planeei como é que iria ser o meu percurso. Tenho três filhos que exigem bastante de mim, mas com foco e versatilidade conseguimos fazer o nosso caminho. Não sou aquela mãe que leva os filhos todos os dias à escola, mas também não sou aquela mãe que se culpabiliza por isso, não deve ser um remorso porque o que importa é estarmos lá quando eles realmente precisam de nós”, adianta a nossa entrevistada.

Para Paula Oliveira, é tudo uma questão de conseguir fazer a gestão do equilíbrio entre estas duas esferas. “Entre a vida profissional e pessoal existem momentos em que temos de privilegiar o trabalho e outros em que temos de privilegiar a família. Para mim é importante envolver a família no que faço profissionalmente, para que eles percebam o porquê de passar tanto tempo fora de casa, mas também para celebrar as vitórias e as conquistas e partilhar os dias menos bons”, afirma.

MULHERES NA LIDERANÇA

Paula Oliveira conta-nos que teve a “sorte” de não ter sido discriminada pelo facto de ser mulher, no entanto é bastante solidária com a causa da desigualdade de género. “Não desprezo esta causa nem a sua importância. Falando no meu caso pessoal, sempre fui posta à prova em termos de resultados e de entrega, mas os meus colegas homem também eram postos à prova. Não se tratava de uma questão de género, porém, para mostrar os mesmos resultados tinha de me esforçar mais por ter de gerir as várias vertentes da minha vida. Mas isso está relacionado com a minha escolha pessoal”, elucida-nos Paula Oliveira.

Explica, ainda, que existe uma tendência para escolhermos pessoas que se pautam pelos mesmos valores que os nossos para trabalhar connosco. “Quando chegamos a uma posição com o privilégio para escolher a nossa equipa, tendemos a escolher pessoas com quem nos identificamos de alguma forma, sendo o género uma delas. Há estudos que indicam que os homens tendem a escolher mais homens para as suas equipas e as mulheres e a escolher mais mulher”, acrescenta a nossa entrevistada, rematando que no caso dos líderes, maioritariamente homens devido a toda uma história que carregamos, é lógico que a tendência seja um homem líder continuar a escolher um homem, com o qual se identifica melhor. “Existe aqui uma curva muito natural, que não é propriamente discriminatória, que temos de saber inverter”.

“NÃO PODEMOS GENERALIZAR”

Paula Oliveira defende, ainda, que para esta causa da desigualdade de género falta uma maior cumplicidade e espírito de liderança entre as mulheres ao invés da competição. “O movimento deve ser mais coletivo e menos individualista para que consigamos ultrapassar estas questões relacionadas à liderança feminina”, diz-nos a nossa entrevistada, relembrando que é solidária com esta causa e prova disso é a SDO ser constituída, maioritariamente, por mulheres. “É por este caminho que devemos seguir. Temos de dar oportunidades às pessoas e perceber que essas mulheres, eventualmente, irão ter filhos, licenças de parto e reuniões de escola, mas que isso não afetará o comprometimento com a empresa e com o trabalho nem as tornará menos capazes ou focadas. Antes pelo contrário, a garra feminina faz falta nas equipas de liderança das empresas”, acrescenta Paula Oliveira.

Quanto aos estilos de liderança entre homens e mulheres, Paula Oliveira defende que as mesmas não são opostas. “Depende das pessoas, não podemos generalizar nem gosto de generalizar”, afirma.

De acordo com a sua experiência profissional, em termos de contacto com equipas de gestão, Paula Oliveira entende que mulheres e homens têm características comuns, independentemente do género, às pessoas que chegam a cargos de liderança. “São pessoas focadas, competitivas e inteligentes. Estas são características que identifico tanto em homens como em mulheres, pelo que a genialidade não está relacionada com o género”, diz-nos.

O que tem acontecido é que as mulheres não têm tido oportunidade de mostrar estas características e é por aqui que temos de abrir um caminho. “Não defendo a teoria de que as mulheres são mais inteligentes ou capazes de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, apesar de a nossa natureza ser essa. Mas entendo que estas características não estão no género, mas sim na personalidade das pessoas”, adianta Paula Oliveira, referindo que concorda que faz falta um olhar feminino na equipas de gestão pela diversidade que é necessária para tomarmos uma decisão. “Quanto mais diversidade existir, quer seja de género, quer seja de cultura, de raça ou de idades, mais diferenças existem para debater, acrescentando valor às tomadas de decisão. É importante sim a inclusão de mulheres nestas equipas pelo lado da diversidade”.

COMO POTENCIAR O CAPITAL HUMANO NAS EMPRESAS?

A abordagem da SDO Consulting passa pela promoção do desenvolvimento organizacional e gestão dos seus recursos humanos. Podemos afirmar que hoje um dos maiores desafios das empresas é a retenção e gestão de talentos?

Paula Oliveira responde que sim. Gerir as pessoas é o grande desafio atual e dos próximos anos. “Toda a evolução e revolução que está a acontecer a nível tecnológico, económico e social imprime um ritmo incomum às empresas. A tecnologia traz esse ritmo acelerado para chegar a melhores resultado e mais ambiciosos”, explica-nos.

Realça que a competitividade já não é local, mas sim global e que as práticas são partilhadas pelo mundo através de uma comunicação mais abrangente e transparente, o que faz com que a diferença resida cada vez mais nas pessoas. “É nas pessoas que está a capacidade de fazer diferente. E é aqui que está o grande desafio: atrair pessoas com capacidades de resiliência e de adaptação a esta constante evolução tecnológica, e com ideias visionárias”, afirma Paula Oliveira.

“É com este espírito irreverente que a SDO se apresenta atualmente aos seus clientes: apoiar a mudança a que chamamos Evolução com uma abordagem que integra a diversidade de género, idades, e competências, de forma a responder à rapidez que o mercado e o mundo exigem. Conciliar 28 anos de história com visão de futuro, aliar sabedoria à criatividade e a tecnologia ao know-how, é o nosso dia a dia.”

QUEM É PAULA OLIVEIRA

Licenciada em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho, começou o seu percurso profissional como técnica de Recursos Humanos.

Fez todo um percurso natural, ascendendo a Consultora Júnior e posteriormente a Consultora, Consultora Sénior, Gestora de Projeto e Líder dessa mesma empresa de Recursos Humanos.

Quando era sócia de uma empresa de Consultoria, Paula Oliveira foi convidada para ingressar na multinacional Coca-Cola como Diretora de Recursos Humanos Corporate Affairs, durante cinco anos. Aqui é convidada para fazer parte da equipa do Conselho de Administração do Grupo Espírito Santo, assumindo os dois pelouros de Relações Institucionais e Recursos Humanos. Chegou ao topo da carreira com muito foco e trabalho, independentemente do seu género.

É aqui que é lançado o desafio a Paula Oliveira de criar o seu próprio negócio.

Enquanto pessoa com ideias sempre diferentes e inovadoras, e com o espírito empreendedor, Paula Oliveira faz nascer a UCall, um Call Center de domínio no metier angolano, onde as pessoas “são a sua maior fonte de orgulho”. A UCall é um espaço único de desenvolvimento e crescimento, pessoal e profissional, onde formam e apostam na sua equipa, como o coração das suas operações.

“Fazia todo o sentido para mim enveredar numa carreira onde pudesse decidir o futuro e o percurso da empresa, bem como pôr em prática as minhas ideias”.

Entretanto, surge a SDO Consulting em Portugal e Paula Oliveira decide voltar a Portugal, com outro prisma, e mergulhar nesta aventura enquanto sócia.

 

“Na cultura timorense a mulher ainda assume essencialmente o papel de mãe e mulher”

Era este o percurso que ambicionava para si?

Interessei-me pela área de Gestão muito cedo. De certa forma, o mundo empresarial sempre me fascinou pelo seu dinamismo, desafio e complexidade.

Quanto estava no 12º ano comecei a pesquisar sobre as saídas profissionais possíveis e deparei-me com a área dos Recursos Humanos. Felizmente em 1998 o ISCTE lançou o primeiro curso de Gestão de Recursos Humanos e eu entrei no ano a seguir. Considerei de imediato que poderia ser uma mais-valia, pois ainda existiam poucas pessoas especializadas na área no país.

A Consultoria está presente na minha vida desde cedo também. Lembro-me de ser presença assídua nas apresentações das “Big Four” que visitavam o ISCTE, as quais se deslocavam às universidades para promover o sector e contratar estagiários. Ficava sempre fascinada com o que ouvia, com as brochuras que recebia e imaginava-me a trabalhar numa delas. Tinha esta ambição pois queria construir uma carreira no seio de uma empresa multinacional que me permitisse construir uma carreira internacional.

Nos últimos 15 anos tenho desenvolvido toda uma carreira internacional em torno da Gestão de Recursos Humanos. Já trabalhei em empresas nacionais e multinacionais, tendo trabalhado e vivido em Portugal e Angola. Recentemente abracei um novo desafio em Timor-Leste.

Posso afirmar que tudo aquilo que ambicionei aconteceu, e sou muito feliz por isso. Escolhi o meu caminho e corri sempre atrás dos meus objetivos.

No dia 25 de outubro lançou a sua própria marca. Em que momento da sua vida surge este projeto de consultoria? Porquê uma reviravolta no seu percurso profissional?

Todo o meu percurso profissional foi feito em torno da consultoria de Gestão de Recursos Humanos, exceto nos últimos três anos em que assumi a liderança de uma Direção de Recursos Humanos, acumulando também a posição de Board Member numa empresa de retalho alimentar e não alimentar.

Após 13 anos a viver em Angola em Maio regressei a Portugal. Durante 5 meses estive a viajar por África, Europa e Ásia e numa dessas viagens apercebi-me de que o meu recomeço em Portugal seria difícil pois o país não está preparado para receber alguém que esteve a trabalhar mais de uma década no continente africano. As empresas não dão o devido valor a quem esteve a trabalhar num mercado tão distinto de Portugal, apesar de ser muito mais exigente a vários níveis. Por esse motivo, e à medida que o tempo foi passando, fui ficando cada vez mais convencida de que o meu futuro não passava por Portugal.

Timor-Leste nasceu como uma escolha natural, já que os meus pais nasceram neste país e eu também tenho a nacionalidade. Estive em Díli, em Junho, a convite da União Europeia para participar numa conferência sobre o papel da Mulher timorense na nação. Durante os dez dias em que estive em Díli rapidamente constatei sobre as oportunidades existentes, mas também as necessidades de um país que só conheceu a sua independência há 16 anos atrás. Dadas às relações que tenho ao país, a minha decisão de criar um projeto que ajudasse Timor-Leste a crescer e a desenvolver foi quase automática.

Nasceu em Lisboa, mas esteve ausente do país durante 13 anos. Que desafios surgem quando se regressa a um país em tudo diferente da realidade que viveu até então?

Apesar de nunca ter perdido o contacto com Portugal nos 13 anos que vivi em Angola, Luanda passou a ser o lugar a que passei a chamar de casa. E mesmo fazendo inúmeras viagens por ano a Portugal, a verdade é que quando regressei a Lisboa senti-me deslocada. Os amigos já não eram os mesmos, as rotinas já não existiam, as conversas já não se enquadravam na minha realidade. Em termos profissionais apercebi-me de que as empresas não valorizam quem teve uma experiência dedicada a África. Apesar das relações e dos negócios existentes entre Portugal e os países lusófonos, essa experiência não é considerada para as empresas que se encontram sediadas em Portugal, quer sejam empresas nacionais ou multinacionais.

No entanto, a nova empresa será lançada em Díli, Timor-Leste, devido às suas origens. Qual será a estratégia e as facetas do projeto para singrar neste mercado?

Naturalmente que ser timorense, conhecer a cultura e os costumes é uma vantagem competitiva que me permitiu entrar no mercado facilmente. Ao longo dos últimos meses fui falando com diversas pessoas (nacionais e estrangeiras) que estavam ou estiveram em Timor para perceber os desafios, as dificuldades e as limitações do tecido empresarial, de forma a garantir que iria montar um projeto diferenciador e adequado à realidade do país. À medida que fui criando uma ideia mais consistente em torno do que pretendia que fosse o meu projeto, as ideias tornavam-se mais claras. Em Setembro contactei um amigo e pedi-lhe ajuda para montar o meu negócio, aproveitando os seus conhecimentos e experiência em startups. Desde o momento da ideia até ao lançamento da FORSAE em Díli, no passado 25 de Outubro, passaram 5 semanas. Felizmente tive a melhor equipa de estratégia e branding a trabalhar comigo. Definimos a estratégia de entrada no mercado, a marca, a identidade, o plano de comunicação e o lançamento. Para tal, contei com a ajuda fantástica da equipa da Zenki Group e da BUS – Creative Agency.

As mulheres empreendedoras têm vindo crescer e a conquistar o seu espaço. Mas é suficiente? Existem as mesmas oportunidades para mulheres e homens?

É verdade, cada vez mais as mulheres têm ocupado um lugar mais significativo no mundo empresarial, na criação de novos negócios. Em Portugal, não sei se será suficiente, mas claramente em Timor-Leste não é. Na cultura timorense a Mulher ainda assume essencialmente o papel de mãe e mulher. São poucas as mulheres que trabalham, e menos ainda as que se tornam empresárias ou que ocupam cargos de destaque no Governo. Por isso, acredito que desde a minha participação na Conferência da União Europeia a mentalidade do mercado timorense tenha mudado ligeiramente e que as mulheres irão gradualmente a alterar a sua condição de Mulher no país. É um grande desafio, que irá levar muito tempo para consolidar a mudança pretendida. Esta mudança de paradigma implica a alteração de valores e costumes muito fortes existentes na cultura timorense.

De igual forma, a presença feminina é cada vez maior no mundo dos negócios. É fácil ser-se mulher no mundo dos negócios? Alguma vez sentiu dificuldades ou enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher?

Felizmente nunca senti que tivesse um tratamento diferenciado por ser Mulher, no mundo empresarial. Sempre tive a sorte de trabalhar em empresas que respeitam e valorizam a igualdade de géneros, assim como, sempre trabalhei com parceiros e clientes em que ser Mulher nunca foi um problema ou obstáculo.

“Desenhamos experiências, criamos memórias e deixamos saudade”

Tânia Palma é fundadora do The Traveler Hostess. Como é que surge este projeto na sua vida?

Vivi em diversos países, a minha última despedida foi em Marrocos, que sempre me acolheu de braços abertos e que viu crescer a minha família… Marrakech apresentou-me o turismo como setor profissional. Comecei por trabalhar numa agência inserida na rede de luxo Virtuoso, onde acabei por completar um “mestrado” em turismo. No entanto, após o nascimento do meu terceiro filho, vi-me forçada a regressar a Portugal. O que levei comigo? Além de um enorme receio da incerteza que avizinhava, a paixão por bem receber e partilhar o melhor dos lugares que cruzo.

Portugal, a nível turístico, estava na boca do Mundo. Esta oportunidade, e talvez o destino e um pouco de sorte, fizeram com que alguns agentes, que me acompanharam neste processo de mudança, voltassem a contactar-me, solicitando assistência. Nesta altura, o projeto que escondia entre post-its desalinhados começou a fazer cada vez mais sentido, ganhando forma através da marca The Traveler Hostess.

Pretendia criar uma agência que marcasse pela diferença, pelo profundo conhecimento dos locais que inseria nos seus roteiros, pela criatividade na forma como comunicava, pela paixão por receber de forma distinta e, sobretudo, pela oferta especializada e customizada que apresentava ao cliente que recebia. Este projeto, que nasceu do grande conhecimento que adquiri do mercado marroquino, é hoje uma agência de viagens dedicada ao acompanhamento permanente e local do cliente mais exigente, em território marroquino e não só…

Antes do The Traveler Hostess já tinha experienciado o empreendedorismo?

Sempre me considerei criativa ou sonhadora (risos), visto que os sonhos que tinha nunca passavam disso mesmo, ideias em papéis esquecidos pela casa. Depois, chegou a necessidade, esta fez-me agarrar as ideias e transformá-las num projeto que me continua a fazer sonhar, mas hoje como um desafio real, que agarro todas as manhãs e que me leva a partilhar o melhor de mim. Os meus clientes são amigos que levo comigo em aventuras únicas, a locais míticos e emblemáticos, seja por Marrocos, Espanha ou no tão nosso Portugal.

Que desafios ou que barreiras se enfrentam quando se toma iniciativa de implementar novos negócios?

A incerteza e instabilidade da fase inicial é muito difícil. Superar a irregularidade da frequência de trabalho e a instabilidade financeira que advém da mesma, requer muita força de vontade e um enorme querer.

Para ser empreendedor é necessário ter o perfil certo ou é algo que se aprende e com o qual se vai crescendo ao longo do tempo?

Acho que obviamente existem pessoas que detêm uma capacidade inata de empreendorismo, estas conseguem ser bem-sucedidas porque se sentem eternamente inconformadas, até conseguirem atingir os seus objetivos. Por outro lado, existe a circunstância ou o acaso, que nos leva a desenvolver o empreendorismo. Estas pessoas, tal como eu, têm de redobrar a paciência, a serenidade, a persistência e o optimismo para triunfarem como empreendedores.

As mulheres empreendedoras têm vindo crescer e a conquistar o seu espaço. Mas é suficiente? Existem as mesmas oportunidades para mulheres e homens?

É claro que não. As mulheres continuam a ser penalizadas pelo papel que a própria sociedade lhes impõem e que está profundamente desatualizado. Detesto rótulos.

Achei curioso um comentário que um cliente neozelandês teceu quando falávamos de mulheres que tinham regressado ao trabalho após a licença de maternidade. O cliente, que por sua vez, ocupava um cargo de chefia na empresa onde trabalhava, constatou que estas mulheres apresentavam um maior nível de eficiência na realização das tarefas que lhes eram atribuídas. Tendo um horário mais reduzido que um trabalhador que não esteja a usufruir dos direitos desta licença, são obrigadas a desenvolver uma maior rapidez, disciplina e rigor na concretização das suas funções.

Obviamente que esta é uma análise demasiado simplista de uma questão muito complexa, e que remete para condições relacionadas com o mercado de trabalho, questões salariais e motivacionais até… Mas, de uma forma muito básica, a mulher é naturalmente um ser polivalente, forte, organizado, e dotado de uma resistência e persistência fora do “normal”.

De igual forma, a presença feminina é cada vez maior no mundo dos negócios. É fácil ser-se mulher no mundo dos negócios? Alguma vez sentiu dificuldades ou enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher?

A minha aventura empresarial talvez ainda não tenha maturado o suficiente para servir de exemplo ou para que possa fazer uma análise justa. Até hoje não tenho quaisquer razões de queixa. Muitas vezes fico sim surpreendida por me apresentar em tarefas que, para mentes mais desatualizadas, rapidamente seriam de atribuição masculina…mas tem sido engraçado, muito engraçado, surpreender! E vou continuar por aqui a fazê-lo.

Saia da sua zona de conforto

Tratam-se de distinções de orgulho, mas também de um acréscimo de responsabilidade?

Sim, de facto são distinções que me deixam muito orgulhosa, trata-se de ver reconhecido o meu trabalho e o trabalho de todos os colaboradores da SI.

Termos sido os vencedores do Portugal 5 Estrelas em 2018, na categoria Imobiliárias, comprova o cuidado que a SI tem em apoiar, formar e ajudar os seus franchisados, e acredito que esta foi a fórmula que nos levou a ser reconhecidos pelos consumidores portugueses como uma marca Cinco Estrelas.

Não menos importante é o facto de nos últimos três anos termos sido distinguidos como uma das melhores marcas no apoio à rede pelo Instituto do Franchising. Torna-se claro que o nosso forte apoio aos franchisados e a todos os colaboradores é o que nos conduz à excelência do serviço, e, para mim, este reconhecimento tem um valor muito importante. Enquanto Diretora de expansão da Marca, o apoio à rede é uma das minhas principais funções, e este reconhecimento traz-me um sentimento de dever cumprido.

Estas distinções trazem-nos uma projeção ao nível nacional enquanto Marca de confiança e com um nível de serviço de excelência.

Enquanto Marca Portuguesa, obter este estatuto é claramente uma responsabilidade acrescida. Temos de manter uma grande objetividade no nosso principal objetivo, crescer e ser até 2020 a maior rede imobiliária nacional, par a par com o compromisso de manter a qualidade do serviço que nos levou a ser distinguidos com tão prestigiados reconhecimentos.

Desenvolver um plano e estratégia com vista ao crescimento almejado, mantendo intacto o nosso modelo de negócio e a nossa forma de estar no mercado, honesta, transparente e profissional, tem sido o nosso maior desafio. Mas temos uma estrutura altamente capaz, motivada, preocupada e preparada para orientar todos as nossas lojas para o máximo sucesso, implementando as melhores práticas com vista à elevada satisfação do cliente.

Queremos (e vamos) manter a identidade própria dos Serviços da SI que nos permitiram alcançar estes reconhecimentos. Não é novidade sermos reconhecidos como líderes de mercado e pela excelência do nosso serviço, mas esta realidade passou do âmbito regional para o âmbito nacional e, obviamente, além do orgulho que sentimos, sentimos também o peso da responsabilidade que estes reconhecimentos nos trazem.

 

O Grupo SI está a viver um momento de grande expansão no país, com previsão de chegar às 60 lojas até 2020. Qual tem vindo a ser a estratégia do grupo para se diferenciar dos demais do setor?

Efetivamente encontramo-nos num notável processo de expansão. Este ano focámo-nos no processo de expansão a norte e conseguimos chegar às quatro agências, a mais recente na Maia, e já temos mais três aberturas previstas até ao final do ano, em Ermesinde, Matosinhos e Gaia.

A sul também temos assistido a um excelente processo de crescimento. Neste momento, temos uma posição de referência com cinco unidades já em atividade, e passámos à sexta este mês, com a inauguração da loja do Laranjeiro. Além disso, já se encontra em andamento a inauguração de mais uma loja em Linda-a-Velha.

No centro, região onde nos encontramos mais representados, continuamos igualmente a crescer e a reforçar a nossa posição. Em outubro, inaugurámos a terceira loja na cidade de Coimbra, na zona da Portela, e estamos agora focados no crescimento em duas importantes cidades – Viseu e Leiria.

Este sucesso que temos vindo a obter, no que diz respeito ao crescimento, é graças ao nosso plano de expansão cuidadosamente delineado e estruturado. Em 2019, temos como objetivo abrir 30 agências, 10 a norte e 10 a sul e Algarve, e pretendemos ainda iniciar a nossa expansão na Ilhas, onde queremos estar representados com cinco agências na Madeira e Açores.

A nossa estratégia passa pelo planeamento antecipado: onde estamos, onde queremos chegar, identificar oportunidades e dificuldades, pontos fortes e fracos, definir uma estratégia assertiva e realista e trabalhar diariamente de forma focada.

Claro que a nossa estratégia de crescimento tem sempre associada a componente de inovação e diferenciação, pois sem esta somos iguais aos demais do nosso setor.

Durante 15 anos, a fazer 16 já no próximo dia 26 de novembro, podemos dizer orgulhosamente que sempre procurámos oferecer um serviço melhor, diferenciado e inovador.

Não vou falar muito dos serviços adicionais que disponibilizamos ou de ferramentas exclusivas da marca, porque esta inovação está assente em algo que considero ser a chave do nosso sucesso e o que nos leva a esta diferenciação e inovação.

Basicamente trata-se da ligação intensa que todos os colaboradores da SI têm, não existem barreiras ou hierarquias de comunicação, qualquer colaborador, seja consultor, franchisado ou parceiro, não tem barreiras de comunicação com o Diretor Geral, Diretor de Expansão, Departamento Jurídico, etc., seja para partilhar ideias, pedir ajuda em dificuldades ou partilhar vitórias. Somos todos iguais e igualmente acessíveis.

Todos os colaboradores são ouvidos e tidos em conta nas importantes decisões que a SI toma, e, de uma forma geral, todos sentem orgulho e vontade em serem participativos no caminho que a SI trilha diariamente, e sabem que podem contar sempre com toda a estrutura da SI nos bons e nos maus momentos.

Acredito que todos partilhamos este sentimento. Somos SI, somos uma família com laços fortes, somos unidos e existe apoio e colaboração mútua constante, e, por isso, somos DIFERENTES.

Oferecemos um serviço diferenciado, tanto pela qualidade como pelo alargado leque de serviços que disponibilizamos ao cliente, que no processo de transação imobiliária pode contar com mediação de obras, consultoria financeira, gestão de arrendamentos, contratação de importantes serviços para a habitação, como certificados energéticos, energias, comunicações, água e luz, mudanças e até planos de segurança.

Estes serviços permitem-nos apoiar o cliente num maior número de necessidades, com vista à sua máxima satisfação.

Procuramos regularmente novos serviços, e neste processo fazemos questão de ouvir os nossos clientes através de inquéritos regulares sobre o serviço prestado. Estes inquéritos permitem-nos evoluir e melhorar de acordo com as reais necessidades do cliente, mas também assegurar que mantemos a qualidade do nosso serviço. No último inquérito obtivemos 98.7% de satisfação dos nossos clientes, um dado muito positivo.

Se tiver de resumir o que nos diferencia, penso que é o nosso modelo de negócios orientado para uma forma de estar transparente, leal e profissional, e o facto de estarmos a crescer com pessoas que adotam o nosso modelo de forma entusiasta.

 

Sara Guedes é a Diretora de Expansão do Grupo SI. Em que momento da sua vida agarrou este desafio? E que desafios acarreta um cargo desta dimensão?

O desafio foi-me lançado em 2013, altura em que a SI traçou a sua estratégia de crescimento no âmbito regional a curto prazo e no nacional a médio prazo. Este projeto foi-me apresentado de uma forma entusiasta e ao perceber que iria haver uma forte aposta no crescimento da marca, de uma forma bem planeada e estratégica, fiquei sem qualquer dúvida de que iria ser um projeto bem-sucedido e do qual eu queria fazer parte.

Tenho que ser franca, não precisei de refletir muito sobre a decisão de abraçar este projeto, conhecia muito bem a SI, dado que já era colaboradora da marca desde 2003, e ter a oportunidade de crescer dentro de uma marca em que confio e acredito, mantendo-me ligada a uma atividade pela qual sou apaixonada, a área imobiliária, foi quase como um sonho.

Foi assim que iniciei esta caminhada, lado a lado com a SI, sempre consciente de que o desafio era ambicioso e que esta nova função iria exigir de mim mais tempo e concentração, e que teria de estar preparada para muita aprendizagem durante o processo.

É óbvio que um cargo de tão elevada responsabilidade exige alguns sacrifícios. Numa primeira instância, exigiu uma reflexão e análise para perceber se estava preparada para enfrentar este novo desafio. Na verdade, sei que não estava, mas se há uma coisa que as mulheres sabem fazer muito bem, é tomar decisões de forma determinada, que é a parte mais difícil, mas depois de tomada, rapidamente ajustam as condicionantes, arregaçam as mangas, vão à luta e não aceitam nada menos que o sucesso.

Claro que um cargo desta natureza nos obriga a uma excelente capacidade de gestão e de conciliação das responsabilidades profissionais e pessoais. É preciso muita determinação e vontade e termos pessoas otimistas ao nosso redor.

 

Portugal é o sexto país do mundo com melhores oportunidades e condições de apoio para as mulheres prosperarem enquanto empreendedoras. Na sua opinião, estamos realmente num bom caminho?

Acredito plenamente que estamos no bom caminho, afinal em quantos rankings se consegue ver Portugal tão bem classificado?

Temos assistido nos últimos anos ao fenómeno do empreendedorismo feminino. Hoje, cada vez mais se veem líderes femininas em altos cargos de direção e de gestão, e acredito que esta será uma tendência que vamos continuar a verificar nos próximos anos.

A sociedade mudou e continua a mudar, aliás, a evoluir. Hoje, as mulheres crescem sabendo que conseguem ser autónomas, que podem desenvolver as suas capacidades e competências e que podem ser participativas e ativas em atividades que eram exclusivamente masculinas de uma forma tão ou mais bem-sucedida.

As mulheres já têm acesso à mesma formação e às mesmas oportunidades que os homens, não vejo diferenças, crescem nas mesmas creches, estudam nas mesmas instituições, têm acesso aos mesmos cursos, aos mesmos estágios, por isso claro que estão capazes e prontas para enfrentar os mesmos desafios.

No entanto, quando falamos do acesso ao mercado de trabalho, aqui sim, ainda existe muito a fazer. Eu tenho a sorte de nunca ter sentido este tipo de desigualdades, mas não estou alheia às desigualdades salariais, ao facto de existirem determinados cargos em que privilegiam as candidaturas masculinas, por supostamente estes terem menos limitação de tempo relacionado a responsabilidades parentais ou a tarefas domésticas.

E aqui sim, existe muito a fazer para continuarmos no bom caminho. Otimista como sou, vejo que as mentalidades estão a mudar a olhos vistos e espero que continuemos a ver uma mudança de mentalidades e uma evolução que nos leve em pouco tempo a sanar estas desigualdades a que ainda assistimos. Penso que nós, mulheres, temos aqui um importante papel, está nas nossas mãos valorizarmo-nos e exigirmos que as responsabilidades domésticas e parentais sejam igualmente repartidas, não faz sentido um casal em que só a mulher tem a responsabilidade de fazer a comida ou de tratar dos filhos, estas responsabilidades devem e têm de ser igualmente partilhadas.

É fácil para uma mulher sair da sua zona de conforto para se tornar numa empreendedora de sucesso? Que obstáculos se enfrenta? Conte-nos um pouco sobre a sua história.

Começando pela minha história, sempre fui muito precoce e irreverente, sempre pronta para enfrentar desafios. Dá-me um gosto especial encarar e ultrapassar desafios “fora da caixa”. Sinto-me muito realizada, quando decido fazer algo totalmente inesperado numa mulher e que causa impacto e admiração na sociedade.

Tive a felicidade de ter uma família que me transmitiu valores profissionais muito importantes. Desde muito cedo, criança ainda, as minhas férias escolares eram passadas a trabalhar no restaurante do meu avô, o melhor avô do mundo quando estava no papel de avô, mas no que tocava ao trabalho não havia misturas, desligava-se do papel de avô e tornava-se um patrão exemplar e exigente. Tenho de partilhar esta história: há uns largos anos, as máquinas de café tinham um manípulo que tínhamos de puxar para tirar o café. Determinado dia, o meu avô teve de se ausentar para fazer umas compras urgentes a uma hora em que os clientes que poderiam aparecer apareciam para beber café. Portanto, tínhamos um problema que precisava de ser resolvido. Ele precisava mesmo de ir fazer as compras para garantir a satisfação dos clientes à hora do jantar, e, ao mesmo tempo, garantir o atendimento dos clientes que chegassem na sua ausência. O problema é que eu não chegava ao manípulo da máquina de café!

Logo aqui comecei a aprender o que é sair da zona de conforto, pois o meu avô rapidamente encontrou uma solução: foi buscar uma grade, vazia, colocou em frente à máquina e mandou-me tirar um café. Imaginem só qual a minha zona de conforto, nesse momento seria o meu avô não se ausentar ou fechar o restaurante. Mas não foi isso que aconteceu, ali fiquei atrapalhada, mas preparada para responder às expetativas e não deixar nenhum cliente insatisfeito. Quando o meu avô chegou, senti-me realizada e orgulhosa e percebi naquele dia que com determinação, criatividade e força de vontade não existem barreiras ou limites para alcançar os sucessos a que nos propomos.

E fui assim crescendo, no seio de uma família humilde que me proporcionava as oportunidades de crescimento necessárias, mas sempre com a atitude de que sem esforço não existe recompensa.

Por isso, para mim, foi muito fácil entrar no mercado de trabalho preparada para todos os desafios que me surgissem. Aos 18 anos tive o primeiro contacto com a área imobiliária e nunca mais me consegui desligar dela, não me vejo a fazer outra coisa, não porque não consiga ou não tenha capacidade, mas porque me sinto realizada diariamente nesta atividade.

Desde então, passei por várias funções, como consultora imobiliária, diretora comercial, gerente de loja, e consegui enfrentar os desafios dos altos e baixos, das bolhas, etc. Cometi erros, claro, faz parte do processo do nosso crescimento pessoal e profissional e é com eles que nos vamos tornando melhores e mais fortes.

Respondendo então à questão: é fácil sair da zona de conforto? Claro que não, não é fácil para ninguém, nem para as mulheres, nem para os homens e nem mesmo para as crianças. Para mim, só existem dois fatores que nos obrigam a sair da zona de conforto. O primeiro é a necessidade, seja qual for a sua razão, e o segundo passa pela atitude, sendo que tanto numa situação como na outra é uma escolha que cada pessoa tem a liberdade de tomar.

Sair da zona de conforto tem um primeiro obstáculo, a capacidade de assumir o risco e estar mentalmente capaz e preparado para saber que assumir esse risco nos pode levar à satisfação e realização, mas também preparados para assumir o risco de algo que não corra tão bem e conseguir ultrapassar a frustração com um plano B, com otimismo e persistência para voltar a sair da zona de conforto.

Se é mais difícil para a mulher, claro que sim, infelizmente a mulher está mais sujeita a julgamentos pelo facto de arriscar sair da zona de conforto que a sociedade lhe impõe. Mas quando a mulher o decide fazer, está preparada para enfrentar tudo, inclusive os julgamentos alheios. Resume-se a coragem e atitude, e por vezes sabermos que nos vamos insurgir contra as normas habitualmente aceites pela sociedade, mas ter a capacidade de ser superior a isso.

O preconceito de género continua a ser o principal entrave ao empreendedorismo feminino, a nível mundial. É ou foi o seu caso? Já teve de enfrentar obstáculos pelo facto de ser mulher?

Sou uma pessoa bem-disposta e muito otimista, e, quanto a esta questão, só posso dizer que estou muito grata por todos os obstáculos que já tive de enfrentar. Eles foram essenciais e fundamentais para o meu processo de crescimento enquanto pessoa e enquanto profissional.

Pessoalmente, recuso-me a compactuar e a aceitar o preconceito de género, tenho uma personalidade muito forte e se existe algo que me motiva é conseguir feitos que muitos julgam que uma mulher não consegue. Pode ser difícil, exigente e até improvável, mas ter a liberdade de escolha, de decisão e conseguir provar de que não há limites para a determinação das mulheres é das coisas que mais satisfação me traz.

Se enfrentei obstáculos, claro que sim. Sou uma mulher pequenina, tenho 1,52 m e sinto algumas vezes o olhar surpreso das pessoas no primeiro impacto, mas é algo para o qual estou sempre preparada mentalmente, provar às pessoas que sou uma profissional exemplar e em quem podem confiar.

Nos obstáculos vejo sempre uma oportunidade de ir mais além, de conseguir mais e melhor e de me realizar profissionalmente.

Acredito que o maior entrave ao empreendedorismo feminino continue a ser as responsabilidades acrescidas das mulheres no que diz respeito à vida familiar e doméstica, o que a sociedade espera dela, que sejam mães, donas de casa e nalguns casos ser até inaceitável que descurem estas tarefas para se dedicarem mais à realização profissional.

Esta mudança tem que começar em nós, cada mulher deve poder ter a liberdade de decidir a sua vida, este é o primeiro e mais importante passo.

Uma carreira assente em disciplina e rigor

Disciplinada e rigorosa, Adriana Monteiro abre o seu escritório de advogados, almejando um projeto maior: conciliar a advocacia com a investigação científica na área da fiscalidade.

Adriana Monteiro Advogados RL teve como marco de início a publicação e apresentação do primeiro livro da advogada, no domínio do direito fiscal, subordinado ao tema “IVA nos Atos Médicos” e com chancela da editora Almedina. A presente obra procura analisar alguns dos aspetos essenciais da tributação em IVA dos atos médicos.

A principal área de atuação do escritório é, portanto, o direito fiscal, com especial foco no IVA, quer ao nível da investigação (já com duas obras publicadas), quer ao nível da advocacia.

“A par do direito fiscal, e pela sua conexão, tenho tratado de dossiers que se inserem noutros ramos de direito, como seja o direito societário, direito das obrigações, insolvência, direito comercial, familiar e menores, direito penal e direito de mera ordenação social”, acrescenta Adriana Monteiro.

Olhando para a presença da mulher no setor da advocacia, até há bem pouco tempo dominado, maioritariamente, por homens, Adriana Monteiro salienta que “há já algum tempo que os bancos das faculdades de direito têm vindo a ter mais mulheres do que homens, o que também virá a ter os seus reflexos na advocacia”, diz-nos.

Adriana Monteiro explica, no entanto, que sentiu a necessidade de se empenhar mais, ampliar conhecimento, assimilar informação e fazer o seu melhor, alargando o seu leque de competências, o que exigiu um claro acréscimo de horas de trabalho, pois, confessa, no início da carreira sentiu alguns entraves. “Era claro que “ab initio” os colegas homens gozavam de uma maior credibilidade e votos de confiança, tanto entre pares, como na relação com os clientes e os intervenientes da justiça, para inverter essa tendência e conseguir o meu reconhecimento, trabalhei de forma árdua, investi muito em formação, estudei ainda mais e foquei-me no exercício da profissão”, adianta a nossa entrevistada.

Ao longo de 15 anos, e após a licenciatura na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Adriana Monteiro frequentou cinco cursos de Pós-Graduação na área da fiscalidade nas faculdades de Direito do Porto, Coimbra e Lisboa. Assistiu a inúmeras conferências, leu o quanto pode e, por fim, na mesma faculdade onde se licenciou, obteve o grau de Mestre em Ciências Jurídico-Políticas, menção em Direito Fiscal, sob a orientação do Professor Casalta Nabais.

“Foi assim que fui adquirindo mais e mais competências para abarcar o vasto mundo do Direito Fiscal e, à medida que fui crescendo em conhecimento, fui conquistando o meu lugar como advogada fiscalista, na cidade do Porto e no país. Concomitantemente fui obtendo o reconhecimento daqueles que, na advocacia, iam ombreando comigo, independentemente do género”, afirma a advogada.

Em rigor, foi o trabalho e a expansão do conhecimento que lhe permitiram ultrapassar a confiança e credibilidade “ab initio” atribuída aos advogados homens, e obter o reconhecimento profissional daqueles que nos mais diversos cargos participam na administração da justiça, bem como clientes com os quais se foi cruzando nestes 15 anos de prática.

“Hoje não sinto qualquer tipo de discriminação, antes pelo contrário. Fruto do empenho, dedicação e da forma como estou na advocacia, sinto um manifesto reconhecimento do meu trabalho nos vários quadrantes, seja de profissionais homens, seja de profissionais mulheres”, adianta Adriana Monteiro.

“Superada a barreira erguida pelos fatores históricos e culturais”, Adriana Monteiro está convicta que a advocacia pode ser, e para si é, uma profissão que pode ser exercida por uma mulher, “de forma meritória, com elevado nível de qualidade, a ombrear com homens advogados em qualquer ramo do direito, inclusive no domínio do direito fiscal”, embora reconheça que mesmo nos dias de hoje ainda é um ramo do direito dominado pelo género masculino.

CINCO FATORES PARA O SUCESSO EMPRESARIAL

Adriana Monteiro acredita que o êxito de qualquer estrutura empresarial depende, na sua opinião, de organização, disciplina, conhecimento, prontidão e assertividade.

Organização, porque qualquer estrutura, por mais histórica que seja, sucumbirá se não estiver organizada em termos de recursos humanos e de modus operandi;

Disciplina, na medida em que seria difícil conseguir resultados eficientes e eficazes por parte de entidades regradas por um certo anarquismo. O escritório deve obedecer a um único modelo de ação e a uma só voz. É isso que faz a sua identidade interna e externa;

Por sua vez, uma forte aposta na expansão do conhecimento é a chave da vitória. Ter uns horizontes de conhecimento alargados permitem uma melhor leitura de cada caso à luz de iure constituto e da jurisprudência firmada;

Por fim, a prontidão e a assertividade, por serem as características que os clientes mais privilegiam.

A advogada, Adriana Monteiro, termina afirmando que desenvolve a prática da advocacia sob o lema “disciplina, conhecimento e respeito pelo dossier do cliente”.

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