António Barbosa

Porquê a escolha destas duas áreas de diferenciação?

A MR é uma das áreas de subespecialização dentro do campo mais vasto da Ginecologia/ Obstetrícia, ela própria também uma área de especialização dentro do campo de conhecimento da Medicina. O especialista em MR dedica a sua atenção à investigação e tratamento do casal infértil tendo nesse contexto a possibilidade de recorrer às técnicas de reprodução assistida –FIV (fertilização in vitro) e ICSI (injecção intracitoplasmática de espermatozóide). Infertilidade, considera-se a situação do casal que após um ano de relações sexuais frequentes e desprotegidas, não alcança a gravidez. No meu trajecto profissional a MR surgiu por uma feliz coincidência: o meu interesse especial pela cirurgia endoscópica, no meu caso muito ligada à investigação e tratamento da infertilidade feminina, fez com que acabasse por me dedicar em especial ao campo da MR.

É médico na COGE-Clinica da Santa Casa da Misericórdia de Espinho. De que forma é que gerem a vossa atividade valorizando um atendimento personalizado à medida de quem vos procura?

Sendo a COGE-CSCME uma clínica privada, cada casal que nos procura é encarado como um caso único, especial, sendo a sua abordagem diagnóstica e terapêutica um “fato à medida”. O casal é, em todas as etapas do tratamento, sempre acompanhado pelo seu médico. Mesmo na eventualidade de ser necessário o recurso a outras especialidades, o acompanhamento personalizado é um aspeto central do atendimento.

Quais são para si as principais causas de infertilidade?

As causas são múltiplas e muitas vezes associam-se no mesmo casal, mas as que ocorrem com mais frequência são o fator masculino, os distúrbios ovulatórios e a insuficiência ovárica (muito relacionada com a idade). Evidentemente que as obstruções das trompas e as patologias uterina e pélvica também surgem, mas com menor expressão.

Considera que os fatores psíquicos são causadores de infertilidade?

Por si só não se pode dizer que são causadores de infertilidade, mas estão sempre presentes e são motivo de grande sofrimento para o casal. Se não forem tratados, interferem com o sucesso terapêutico podendo mesmo ser o motivo para o abandono do tratamento.

Acredita que a infertilidade tem a haver com a diminuição da natalidade em alguns países?

Existe uma correlação entre a diminuição da natalidade e a infertilidade, mas, não podendo afirmar que esta é a causadora, será pelo menos um fator associado. Há outros motivos para a diminuição da natalidade que passam por fatores sociais: para além dos casais que decidem ter só um filho ou mesmo não ter filhos, a questão da idade em que se decide ter o primeiro filho é de importância crítica e isso prende-se muito não só com as perspectivas de vida do indivíduo com também, em grande medida, com políticas sociais (ou falta delas).

Quais são os recursos e serviços disponíveis na COGE?

Na COGE estão disponíveis as técnicas de RMA – FIV, ICSI (com ou sem doação de gâmetas), criopreservação de gâmetas e/ou embriões- Indução de ovulação, Inseminação artificial. No âmbito do diagnóstico e tratamento da infertilidade também é efectuado o estudo da permeabilidade das trompas por ecografia com contraste e a cirurgia endoscópica do útero e a laparoscopia (ex.: dor pélvica, suspeita de endometriose). Relativamente ao estudo do fator masculino, na COGE são também realizados espermogramas e biópsias testiculares.

Há solução para a maior parte dos casos? Qual a taxa de sucesso dos tratamentos?

Há solução para a maioria dos casos se bem que nesta área da medicina temos a ingrata tarefa de explicar ao casal que o sucesso implica frequentemente a repetição dos tratamentos. Mesmo quando tudo parece correr bem nem sempre o desfecho é o desejado. As taxas de sucesso variam muito de acordo com o escalão etário e a gravidade de cada situação, mas genericamente podemos dizer que na FIV/ ICSI a taxa de sucesso varia entre 35 a 50% enquanto na Inseminação intra-uterina anda pelos 10 a 15%.

Qual a diferença entre infertilidade primária e secundária?

Considera-se a infertilidade primária quando no casal nunca ocorreu qualquer gravidez; secundária, se já ocorreu uma gravidez anteriormente, mesmo que não tenha havido nascimento de um nado-vivo.