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Vanessa Ferreirinha

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ALTERAÇÕES AO REGIME DE LAY-OFF DURANTE O ESTADO DE EMERGÊNCIA

OPINIÃO DE PATRÍCIA REIS LOURENÇO, FUNDADORA E ADVOGADA DA LOURENÇO & NICOLAU LEGAL NETWORK®

O instituto de redução e suspensão de trabalho, visando a recuperação económica das empresas como meio necessário à manutenção dos postos de trabalho e à contenção do desemprego, tem demonstrado ao longo da história ser um instrumento robusto para ajudar a responder às situações de crise como a que o país atravessa, importando, no entanto, garantir a sua flexibilidade procedimental de forma a que possa ser operacionalizado rapidamente.

Nesta aceção, através do DL10-G/2020 foi adotado um regime simplificado de redução temporária do período normal de trabalho ou suspensão de contrato de trabalho, previsto nos artigos 298.º e seguintes do CT, o qual produzirá efeitos até 30/06/2020, podendo ser prorrogado por mais 3 meses.

Destarte, iremos aqui perscrutar o regime de lay-off simplificado, por forma a descortinar os seus requesitos e pressupostos, assim como as obrigações e direitos que gera.

Conforme resulta do DL em análise, os empregadores têm direito ao apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho, com ou sem formação, em caso de redução temporária do período normal de trabalho ou da suspensão do contrato de trabalho, mediante requerimento eletrónico apresentado junto da Segurança Social, em modelo próprio, onde devem declarar a situação especifica que lhes é aplicavel e que fundamenta o seu direito, devidamente certificada por Contabilista Certificado.

O requerimento deverá ser entregue através da plataforma Segurança Social Direta no menu Perfil, opção Documentos de Prova, com o assunto COVID19-Apoio extraordinário à manutenção do contrato de trabalho–DL10-G/2020.

Este apoio aplica-se aos empregadores do setor privado, incluindo as entidades empregadoras afetados pela pandemia da COVID-19, que se encontrem, em consequência, em situação de crise empresarial.

Para o empregador poder recorrer a este apoio deverá encontrar-se numa situação de crise empresarial que é determinada pela verificação de uma das seguintes situações:

O encerramento total ou parcial da empresa ou estabelecimento, decorrente do dever de encerramento de instalações e estabelecimentos, previsto no Decreto2-A/2020, de 20 de março, ou por determinação legislativa ou administrativa, nos termos previstos no DL10-A/2020, de 13 de março, ou ao abrigo da Lei de Bases da Proteção Civil, assim como da Lei de Bases da Saúde, relativamente ao estabelecimento ou empresa efetivamente encerrados e abrangendo os trabalhadores a estes diretamente afetos;

A paragem total ou parcial da atividade da empresa ou estabelecimento que resulte da interrupção das cadeias de abastecimento globais, ou da suspensão ou cancelamento de encomendas, que possam ser documentalmente comprovadas, atestada por declaração do empregador conjuntamente com certidão do contabilista certificado da empresa;

A quebra abrupta e acentuada de, pelo menos, 40% da faturação no período de trinta dias anterior ao do pedido junto dos serviços competentes da segurança social, com referência à média mensal dos dois meses anteriores a esse período, ou face ao período homólogo do ano anterior ou, ainda, para quem tenha iniciado a atividade há menos de 12 meses, à média desse período, atestada por declaração do empregador conjuntamente com certidão do contabilista certificado da empresa.

Verificada e comprovada uma destas situações, para o empregador poder reduzir temporariamente os períodos normais de trabalho ou suspender os contratos de trabalho, (sendo aplicável, com as necessárias adaptações, o disposto nos artigos 298.º e seguintes do Código do Trabalho) terá de comunicar aos trabalhadores, por escrito, a decisão de requerer o apoio extraordinário à manutenção dos postos de trabalho, indicando a duração previsível, ouvir os delegados sindicais e comissões de trabalhadores, quando existam, e remeter de imediato o referido requerimento eletrónico à Segurança Social com a descrição sumária da situação de crise empresarial que o afeta, acompanhada nos casos em que tal é exigido, de certidão do contabilista certificado da empresa que o ateste, bem como da listagem nominativa dos trabalhadores abrangidos e respetivo número de segurança social.

Para comprovar que o empregador se encontra numa destas situações, a Segurança Social poderá requerer a apresentação dos seguintes documentos:

O balancete contabilístico referente ao mês do apoio bem como do respetivo mês homólogo ou meses anteriores;

Declaração do IVA referente ao mês do apoio, bem como dos dois meses imediatamente anteriores, ou a declaração referente ao último trimestre de 2019 e o primeiro de 2020, conforme a requerente se encontre no regime de IVA mensal ou trimestral respetivamente, que evidenciem a intermitência ou interrupção das cadeias de abastecimento ou a suspensão ou cancelamento de encomendas;

Documentos demonstrativos do cancelamento de encomendas ou de reservas, dos quais resulte que a utilização da empresa ou da unidade afetada será reduzida em mais de 40 % da sua capacidade de produção ou de ocupação no mês seguinte ao do pedido de apoio;

Elementos comprovativos adicionais a fixar por despacho do membro do Governo da área do trabalho e da segurança social.

Estando tudo em conformidade, o empregador receberá um apoio financeiro, por trabalhador, destinado exclusivamente ao pagamento das remunerações.

Este apoio concretiza-se numa compensação retributiva, a favor do trabalhador, no valor de 2/3 da remuneração normal ilíquida correspondente ao período normal de trabalho dos trabalhdores abrangidos, ou ao valor do salário mínimo nacional (€635), conforme o mais elevado, não podendo contudo ultrapassar €1.905.

A Segurança Social suporta 70% do valor do apoio, até ao limite de €1.333,50 por trabalhador, e a entidade empregadora os restantes 30%.

Este apoio tem uma duração inicial até 1 mês, podendo ser prorrogável mensalmente, até um máximo de 3 meses.

Durante o período de aplicação das medidas de apoio previstas no DL10-G/2020, bem como nos 60 dias seguintes, o empregador não pode fazer cessar contratos de trabalho de trabalhadores abrangido por aquelas medidas, ao abrigo das modalidades de despedimento coletivo, ou despedimento por extinção do posto de trabalho, previstas nos artigos 359.º e 367.º do CT.

Os empregadores que beneficiem das medidas previstas o DL10-G/2020 têm também direito a um incentivo financeiro extraordinário para apoio à retoma da atividade da empresa, a conceder pelo IEFP, pago de uma só vez, no valor de €635,00 por trabalhador.

Para aceder a este incentivo, o empregador terá de apresentar requerimento junto do IEFP, o qual deverá ser obrigatoriamente   acompanhado pelos  documentos que identificamos anteriormente como podendo vir a ser solicitados pela Seguramça Social no âmbito das medidas de apoio à manutenção de postos de trabalho.

Os empregadores que beneficiem das medidas previstas no DL10-G/2020, durante o período de vigência das mesmas, têm igualmente direito à isenção total do pagamento das contribuições à Segurança Social a cargo da entidade empregadora, respeitantes aos trabalhadores abrangidos e aos membros dos órgãos estatutários.

Esta isenção também é aplicável aos trabalhadores independentes que sejam entidades empregadoras beneficiárias das medidas e respetivos cônjuges.

A isenção reporta-se às contribuições referentes às remunerações relativas aos meses em que a empresa seja beneficiária das medidas.

A dispensa do pagamento de contribuições relativas aos trabalhadores independentes determina o registo de remunerações por equivalência à entrada de contribuições de acordo com a base de incidência contributiva que for aplicável, sendo que estes trabalhadores continuam obrigados à entrega da declaração trimestral.

As entidades empregadoras devem entregar as declarações de remunerações autónomas relativas aos trabalhadores abrangidos e efetuar o pagamento das respetivas quotizações.

Por último, refira-se que o incumprimento por parte do empregador das obrigações relativas aos apoios atribuídos ao abrigo do DL 10-G/2020 implica a imediata cessação dos mesmos e a restituição ou pagamento, conforme o caso, total ou proporcional, dos montantes já recebidos ou objeto de isenção, quando se verifique alguma das seguintes situações:

Despedimento, exceto por facto imputável ao trabalhador;

Não cumprimento pontual das obrigações retributivas devidas aos trabalhadores;

Não cumprimento pelo empregador das suas obrigações legais, fiscais ou contributivas;

Distribuição de lucros durante o periodo de concessão do incentivo, sob qualquer forma;

Incumprimento, imputável ao empregador, das obrigações assumidas, nos prazos estabelecidos;

Prestação de falsas declarações, e;

Prestação de trabalho à própria entidade empregadora por trabalhador abrangido pela medida de apoio extraordinário.

Mais, a prestação de falsas declarações para além das consequências já eferidas, implica ainda a aplicação das sanções legais previstas para o respetivo ilícito, designadamente de âmbito contra-ordenancional criminal.

MY NAME IS OFF: LAY-OFF

OPINIÃO DE TÚLIO MACHADO ARAÚJO, PARTNER DA TÚLIO M ARAÚJO, CRISTINA CASTRO & ASSOCIADOS

Ao ter que proibir a atividade de empresas, empresários e outros empregadores, para confinar a maioria dos cidadãos às suas casas, por impossibilidade do sistema global de saúde responder às necessidades, o Governo assingelou a possibilidade de LayOff, com critérios orientados a esta crise.

De forma simplex, retira um terço do salário aos trabalhadores, desde que o empregador pague a horas os outros dois terços. Depois o empregador receberá 70% da Segurança Social, numa divisão próxima dos 33%, 21%, 46%. Na redução da atividade há que atender à proporção de algumas horas de trabalho. Garante o “salário mínimo nacional”, mantém o desconto de 11% do trabalhador, para a Segurança Social. Isenta o empregador da sua parte, incluindo os gerentes.

Só é acessível a empresas sem dívidas à AT e à Segurança Social, que tenham reduzido ou suspenso a atividade por imposição de encerramento, do Decreto 2-A de 20/3 ou decorrente das quebras da oferta e da procura (como o turismo) e/ou de, pelo menos 40% na faturação em comparação aos 30 dias anteriores, ao período homólogo, ou à média do período (se com menos de um ano de atividade).

O processo inicia-se com uma carta ao trabalhador, a informar o período mensal escolhido pelo empregador (a soma máxima será de três vezes). De seguida os contabilistas calculam, sobre o
SAF-T, assinam e entregam o impresso e o mapa dos trabalhadores abrangidos, com as remunerações base, acrescido das parcelas que mensalmente se repetiam (agora por força do Decreto 2-B de 2/4).

O regime vigorará até 30 de junho, mas suspeito que será prorrogado. Até 60 dias depois do uso desse regime, o empregador, assim auxiliado, tem que cumprir as demais obrigações fiscais, mesmo que com os benefícios do Decreto Lei 10-F de 26/3. Não pode socorrer-se de despedimentos coletivos e/ou por extinção do posto de trabalho, de qualquer trabalhador seu. Mas pode não renovar contratos a termo, dispensar no período experimental ou despedir com justa causa.

Quem não aderir a este regime, por exemplo, por ter dívidas fiscais, pode ser objeto de uma inspeção do ACT, ao despedir um trabalhador. Se forem encontrados indícios de despedimento ilícito, como um processo disciplinar mal instruído, lavrará Auto. A consequência é o trabalhador receber a remuneração total do empregador, até ao transito em julgado da sentença, se o vício não for corrigido. Essa tarefa que era de um Juiz, o Decreto 2-B de 2/4 atribui esse poder ao ACT. Isto aconselha o recurso a advogado, familiarizado com os vícios do processo laboral, seja pelo empregador, seja pelo trabalhador. Fora do LayOff não foram proibidos os despedimentos, mas fazê-los sem aconselhamento, é agora uma aventura perigosa.

Os apoios de um salário mínimo por trabalhador, formação profissional comparticipada, dilação de rendas de instalações, suspensão de prazos de pagamentos e judiciais são quase simbólicos.

Os empréstimos bancários apoiados (Decreto-Lei 10-J de 26/3), se não forem quiçá convertidos em fundo perdido, apoiados por algum Fénixbond europeu, poderão ser meros paliativos.

Estou em crer que, embora evite a primeira onda de despedimentos, se o Governo não criar um RERE Simplex (alterando a Lei 8/18 de 22/3 Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas) não irá evitar uma segunda vaga, superior à primeira. Em setembro de 2008 foi declarada a insolvência do banco Lehman Brothers, marco da crise subprime, mas o grande tsunami no desemprego, em Portugal, verificou-se em 2012. Com um RERE, mas agora simplificado, permitira a todos os devedores, em situação económica difícil ou de insolvência eminente negociar com os seus credores (com exceção das pessoas singulares não empresários).

Muitos de nós estaremos em situação económica difícil ou de insolvência eminente. Tal como incentivou os inspetores do ACT, o Governo terá ora que estimular o recurso aos Mediadores de Recuperação de Empresa, criados no RERE, pois teremos que repartir entre todos esta crise e é este o mester desses Mediadores, sob pena de Fénix não renascer.

Uma outra solução se poderá colocar que é a da alteração anormal das circunstâncias, da maioria dos contratos, segundo o artº 439º do Código Civil. Devia ser criada uma providência cautelar, um processo judicial especial provisório, em que um dos contratantes pedisse para o outro ser chamado à presença do Juiz e aí reapreciarem o contrato, as circunstâncias em que as partes fundaram a decisão de contratar e dado as mesmas terem sofrido uma alteração anormal, renegociarem, sob tal tutela, segundo a equidade e a boa fé, os termos desse contrato, que se tornou de difícil cumprimento, antes de o mesmo ser resolvido ou, a sê-lo, definir termos próprios para tal, nessa fase pós pandémica.

A AULP COMO PROMOTORA DO EIXO LUSÓFONO

Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) é uma ONG internacional que promove a cooperação e troca de informação entre Universidades e Institutos Superiores. Como é que a AULP, vem facilitar, a comunicação entre os membros em prol do desenvolvimento coletivo do ensino e da língua portuguesa no mundo?

O conhecimento, é a base para o desenvolvimento de qualquer sociedade, e diz-se, que um povo culto, é um povo avisado. É por isso, que o Ensino Superior tem um papel fundamental e importantíssimo, naquilo que é a formação do homem e naquilo que é a formação do capital. Quanto mais indivíduos formados, quanto mais for a capacidade interventiva da sociedade, melhor para um determinado país. Porque é o capital humano que participa nas tarefas que visam o desenvolvimento do país e da sociedade. E é através desta cooperação entre Estados e Países Lusófonos, que nós podemos trocar experiências, irmos aprendendo com os outros, para que todos possamos crescer juntos. A AULP vem facilitar desta forma, a mobilidade e a comunicação, entre estas Instituições de Ensino Superior e de Investigação Científica, permitindo não só, aos estudantes, mas também a docentes, a sua movimentação entre o espaço lusófono, partilhando as suas experiências, conhecimentos e estratégias de desenvolvimento.

Qual a importância de promover a colaboração multilateral entre as universidades dos países de expressão portuguesa?

Multiplicar esforços no sentido de consolidar laços e promover ações conjuntas entre os membros, para que se opere o reconhecimento da importância e da força desta comunidade de pessoas que falam a língua portuguesa e, sobretudo, que fazem investigação e estudos superiores.

Qual a grande prioridade neste momento, de desenvolvimento da AULP?

Uma das prioridades de desenvolvimento desta associação é apostar na mobilidade de pessoas e de conhecimento entre os países lusófonos, tendo para isso apostado o ano passado no lançamento do Programa de Mobilidade AULP e, até então, concretizou diversas parcerias com outras instituições para poder aferir bolsas de estudos aos estudantes que nele queiram participar.

Como é que dinamizam a rede de universidades de língua portuguesa?

Valorizando as diversas culturas, aproximando as dinâmicas científicas, multiplicando os intercâmbios nos domínios do ensino e da investigação científica, consolidando as parcerias estratégicas e ampliando também, o papel da língua portuguesa como animador qualificado desta comunidade.

A AULP lançou o Programa de Mobilidade AULP em maio de 2019, que é o primeiro programa de mobilidade académica que abrange exclusivamente o intercâmbio de alunos entre instituições dos países de língua oficial portuguesa e Macau (RAEM). Um ano depois, que balanço faz desse programa?

Deste primeiro ano de vigência do Programa de Mobilidade AULP, fazemos um balanço francamente positivo. Pudemos contar com a pronta adesão das instituições de ensino superior parceiras e com a resposta massiva de estudantes de vários países, que veio a traduzir-se em mais de 180 candidaturas ao longo de um ano. Após validação de cerca de 90 candidaturas, no segundo semestre do ano letivo 2019-2020, tiveram oportunidade de realizar a mobilidade académica exatamente 25 alunos, cifra que cremos conseguir subir assim que a situação global o permita.

No que respeita à origem dos candidatos, o país mais representado foi o Brasil e a instituição de ensino superior com mais alunos a candidatarem-se ao programa foi a Universidade Federal de Minas Gerais. Por outro lado, o país de maior preferência foi Portugal e a instituição de acolhimento mais escolhida foi a Universidade de Coimbra.

Ao cabo do primeiro ano de existência do Programa de Mobilidade AULP, gostaríamos sobretudo de destacar o seu ainda enorme potencial de crescimento e de afirmar a nossa determinação em fazê-lo avançar de forma sustentada, correspondendo positivamente aos desafios e melhorando um projeto ambicioso que só agora começa a dar os primeiros passos.

Os estudantes aceites no Programa de Mobilidade AULP podem concorrer a bolsas de estudo?

Para além de apoio no alojamento e alimentação na instituição de acolhimento já característico e assegurado na participação ao Programa de Mobilidade AULP, trabalhámos com o objetivo de conseguir parcerias com outras entidades externas para disponibilizar outros apoios aos estudantes em mobilidade, sob a forma de bolsas de estudo. Neste momento estamos a atribuir cinco bolsas de viagem para estudantes universitários de 1º e 2º graus, equivalente a licenciatura e mestrado, provenientes de países da CPLP que queiram frequentar uma universidade membro da nossa associação, do Brasil ou de Portugal. Esta apoio foi conseguido através de uma parceria com a Organização de Estudos ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) para facilitar o processo de deslocação dos estudantes para os países onde ficarão a estudar em mobilidade. Apesar de mais restrito, pois abrange apenas estudantes dos PALOP e Timor-Leste que estejam a estudar um curso na área da cultura, a AULP assinou no final de 2019 uma parceria com o Camões I.P. e a CPLP para disponibilizar as bolsas de estudo PROCULTURA.

A AULP, em conjunto com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e a CPLP, assinou um protocolo para Bolsas PROCULTURA PALOP-TL. De que forma é que esta atividade, pode/tem, um pacote bastante significativo para as instituições que pertencem à AULP?

Consideramos o projeto de atribuição das Bolsas PROCULTURA PALOP-TL uma iniciativa da maior importância, na exata medida em que pretende contribuir para a criação de emprego em atividades geradoras de rendimento nas economias culturais e criativas dos PALOP e de Timor-Leste. Pretendemos dar oportunidade a estudantes que estejam a frequentar licenciatura ou mestrado numa instituição de ensino superior dos PALOP ou Timor-Leste, em áreas disciplinares relacionadas com a Cultura, e cujas candidaturas ao Programa de Mobilidade AULP tenham já sido validadas.

Decorrendo ao abrigo do projeto da União Europeia PROCULTURA PALOP-TL – Promoção do Emprego nas Atividades Geradoras de Rendimento no Sector Cultural nos PALOP e Timor-Leste, a iniciativa é financiada pela União Europeia, cofinanciada e gerida pelo Camões, IP e cofinanciada também pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Contamos poder atribuir, entre 2020 e 2023, pelo menos, 40 bolsas, no valor máximo de €760,00, acrescido de subsídio de viagem (ida e volta), cuja duração não deverá exceder o período de um semestre.

Havendo a AULP solicitado às instituições de ensino superior com departamentos de Cultura a boa divulgação desta iniciativa junto dos seus alunos e professores, esperamos assim poder contar em breve com uma grande adesão ao projeto, que decerto o fará avançar no sentido da concretização dos objetivos a que tão ambiciosamente se propõe.

Acredita que esta parceria técnica deixará uma marca muito positiva no setor na cultura, e que, constitui um passo concreto na prossecução da mobilidade académica?

Acreditamos que esta parceria poderá revelar-se decisiva na resposta aos vários problemas que marcam os sectores culturais dos PALOP e de Timor-Leste e que neles originam contextos de grande deficiência nos sistemas de acesso à Cultura. Esperamos que esta iniciativa represente uma oportunidade para o desenvolvimento desses sectores e para a criação de postos de trabalho, favorecendo a sua visibilidade e valorização socioeconómica e despertando consciências para a necessidade de um maior investimento público e privado na área da Cultura.

Quanto ao impacto do PROCULTURA no programa de mobilidade académica, devemos reconhecer que, não obstante ter atraído um grande número de alunos de vários países neste primeiro ano de vigência, o Programa Mobilidade AULP contou, no entanto, com uma participação de estudantes oriundos dos PALOP e de Timor-Leste muito mais reduzida do que inicialmente esperámos. Contamos, portanto, neste contexto, que o PROCULTURA seja capaz de promover a atribuição de incentivos suficientemente atrativos aos estudantes das áreas da Cultura nesses países, com vista a aumentar o número de candidaturas e, desse modo, reforçar a mobilidade académica.

Quais os desafios que o Programa de Mobilidade poderá encontrar, em particular, bem como o ensino superior e a mobilidade em geral?

A atual pandemia fez com que vivêssemos atualmente uma conjuntura extraordinária que modificou o funcionamento de vários setores, nomeadamente no ensino superior, condicionando fortemente, no curto e médio prazo, a mobilidade estudantil.

Perante esta situação sem precedentes, as instituições de ensino superior viram-se obrigadas a encerrar provisoriamente e a se adaptarem para lecionar por videoconferência. Estudantes em mobilidade em Portugal regressaram aos seus países para junto das suas famílias, outros estudantes desistiram da mobilidade e recebemos informação de várias instituições de ensino superior portuguesas que, perante esta crise, cancelaram a receção de alunos para o 2º semestre do ano letivo 2019/2020 ao abrigo do Programa de Mobilidade AULP.

Para além disso, em consequência da pandemia, por todo o mundo, vários eventos nacionais e internacionais foram cancelados, pelo que também a AULP decidiu adiar o XXX Encontro da AULP para 2021, em data e local a confirmar, de forma a garantir a segurança de todos. Este constrangimento vem colocar muitas indeterminações sobre a contingência de funcionamento do Programa de Mobilidade ainda em 2020, mas, ainda assim, a AULP, na medida das exequíveis possibilidades visará, com a sua atividade cumprir os objetivos finais, mesmo que com realização mais tardia.

O DIA MUNDIAL DA LÍNGUA PORTUGUESA

A escolha da data deveu-se ao fato de que, desde 2009, já celebramos, na esfera da CPLP, o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP. O reconhecimento do 5 de maio pela UNESCO representa, assim, para a nossa Comunidade, um passo importante na valorização e na projeção do nosso idioma comum à escala internacional.

Dessa forma, em 2020 o dia 5 de maio será celebrado primeira vez como uma data mundial no âmbito do sistema das Nações Unidas.

Infelizmente, esse momento histórico para nós, falantes da língua portuguesa, será marcado também por um outro fato inédito: a pandemia mundial causada pelo novo coronavírus, ou Covid-19, que tem se expandido com assustadora rapidez e já custou quase duas centenas de milhares de vítimas fatais em todo o mundo. Os países da CPLP, espalhados pelos quatro continentes, não foram poupados pela propagação da doença. Vivemos, pois, tempos difíceis e os efeitos da pandemia na nossa vida quotidiana, nas nossas relações sociais e nas atividades económicas continuarão a fazer-se sentir por algum tempo.

Mais do que nunca, o momento pede solidariedade e ação conjunta. E, numa fase em que o isolamento social se tornou uma exigência para a saúde pública, devemos enfrentá-lo reafirmando o que nos une e o que nos permite permanecer ligados apesar da distância física.

Nesse contexto, celebrar a língua portuguesa adquire uma nova dimensão e torna-se ainda mais relevante e necessário. A nossa comunicação tem sido realizada de maneira virtual e a utilização de um idioma comum tem-nos permitido não só uma maior facilidade na troca de mensagens, telefonemas e teleconferências mas também facilidade e rapidez na concretização de ações essenciais, como, por exemplo, as operações de repatriação de nacionais dos nossos Estados-membros apanhados de surpresa num outro país da CPLP.

Por isso, e apesar das circunstâncias atuais, não podemos deixar de assinalar a passagem do primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Todas as línguas carregam consigo valores, modos de pensar e a herança do universo cultural onde se desenvolveram. A língua portuguesa é, acima de tudo, um património comum dos países e dos povos que a usam e que a foram alimentando e valorizando ao longo dos séculos, apropriando-se dela e vivendo-a hoje como elemento central da sua própria identidade nacional.

Como todos sabemos, o mundo globalizado em que vivemos coloca desafios à nossa língua, mas será importante realçar que tanto as estimativas sobre a evolução demográfica como a nova realidade da revolução tecnológica e digital oferecem igualmente oportunidades favoráveis à difusão do português.

O número de falantes da língua portuguesa ascende hoje aos 260 milhões de pessoas, espalhadas por todos os continentes. É a língua mais falada no Hemisfério Sul, é a 5ª língua mais falada no mundo e é também uma das línguas mais usadas na internet e nas redes sociais, o que, no contexto atual, adquire especial relevância.

De acordo com as mais recentes projeções demográficas das Nações Unidas, o número de falantes de português poderá aumentar para 500 milhões até ao final deste século, sobretudo graças ao crescimento demográfico em Angola e em Moçambique, cuja população deverá ascender aos 150 milhões e 140 milhões, respetivamente, o que conferirá ao português uma dimensão mais africana, reforçando a sua natureza pluricêntrica.

As questões da língua têm hoje uma crescente expressão nos domínios político-diplomático e da geoeconomia, dos negócios, do conhecimento, da ciência, da inovação e da cultura, entre outros, extravasando uma abordagem cingida aos contextos da educação e da comunicação. A nossa língua representa, com efeito, a matéria prima de um conjunto de atividades económicas geradoras de riqueza, que incluem o turismo, a cultura, as artes criativas, as indústrias do audiovisual, da televisão e do cinema, a produção editorial, entre outras. E o seu crescente valor geoestratégico e o enorme potencial económico são ainda ampliados pelo contributo insubstituível das diásporas de todos os nossos países, que levam a língua portuguesa a todo o mundo, constituindo-se, assim, como poderosos agentes de divulgação e promoção do nosso idioma.

Nesse sentido, devemos sublinhar o trabalho realizado pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (ILLP), instituição vinculada à CPLP que tem a missão de prestar apoio técnico à Comunidade no que diz respeito à elaboração e implementação de políticas e planos de promoção e difusão da língua portuguesa. Apesar de enfrentar sérios constrangimentos de ordem orçamental, o IILP regista avanços no desenvolvimento do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira ou Não Materna, importante ferramenta virtual de apoio aos professores de português de todo o mundo, com conteúdos adaptáveis à realidade de cada país.

Quero saudar também o estreitamento das relações entre a CPLP e o sistema ibero-americano, por meio da Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB) e da Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI). Em 2018, a OEI tornou-se o primeiro organismo internacional a obter o estatuto de Observador Associado da CPLP e, na próxima Cimeira da CPLP, a decorrer em Luanda, no segundo semestre de 2020, a candidatura da SEGIB ao mesmo estatuto será apreciada pelos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade.

As nossas organizações coincidem no entendimento de que a cooperação em matéria de política de língua, sobretudo no caso de línguas pluricêntricas como o português e o espanhol, deverá beneficiar grandemente da cooperação multilateral, envolvendo o maior número possível de nossos Estados-Membros. Juntos, devemos promover a heterogeneidade e rejeitar qualquer tentativa de hegemonia linguística.

Devemos celebrar a língua portuguesa como património comum, que nos une e nos singulariza enquanto cultura e nos serve como instrumento para exprimir a nossa imensa diversidade. A língua portuguesa dá corpo e sentido ao mesmo tempo à nossa singularidade e à nossa pluralidade. O português encerra uma enorme mais-valia como língua capaz de estabelecer pontes e promover a paz e o desenvolvimento. A diversidade e a heterogeneidade que encerra são elementos de poder e de futuro.

Mas precisamos lembrar também que a nossa língua, especialmente neste momento, um elemento facilitador essencial para o aprofundamento do nosso diálogo político e da nossa cooperação com vista ao desenvolvimento sustentável de nossos países e ao bem-estar de nossos cidadãos. Não podemos esquecer que, para além da crise atual, importantes desafios nos esperam, tais como a ampliação da mobilidade no interior do espaço da CPLP e o aprofundamento da cooperação económica entre nossos Estados-Membros, com a consequente geração de empregos e de rendimentos que poderá fomentar. A língua comum oferece-nos uma ferramenta incomparável para enfrentar esses desafios. Cabe a nós utilizá-la.

Viva a CPLP! Viva a língua portuguesa!

“QUERO ACABAR COM O PRECONCEITO DE QUE A MODA É SUPÉRFLUA”

Com uma história profissional tão dinâmica, a pergunta que se impõe é quem é Cristina de Almeida?

Sou uma pessoa ambiciosa, criativa e muito prestativa. As mulheres da minha geração, foram educadas para estudar, ter uma carreira profissional, além de serem mães e donas de casa. Serem super-mulheres, portanto. Cresci com essa crença, e por isso licenciei-me na Faculdade de Economia do Porto e especializei-me em Auditoria, atingindo o topo de carreira com a obtenção de cédula profissional de Revisora Oficial de Contas, em 2002. Dezassete anos depois, decidi apostar na moda, setor que acompanhei sempre. Já me destacava dos demais profissionais da área, conservadora por natureza, pela minha imagem diferenciadora.

Como aconteceu esta mudança?

Vivi a minha profissão intensamente, fui uma workaholic, o que culminou num burn-out. Entrei num processo de autoconhecimento “forçado”, concluindo que, não conseguia mais, voltar ao escritório que ajudei a fundar. Durante a minha recuperação, procurei ocupar-me em outras áreas, nomeadamente, na moda, acompanhando, sobretudo, através das redes sociais. E foi a partir daí que surgiu a inscrição no curso de Consultoria de Imagem e Personal Shopping, na Fashion School. Este foi o ponto de viragem na minha vida. Começou por ser uma ocupação de tempos livres, transformando-se em algo renovador e estimulante. A auditoria era um capítulo de sucesso que se encerrava, e a Consultoria de Imagem era o novo mundo que se abria para mim! Com o curso adquiri todos os conhecimentos técnicos para exercício da profissão.

O que nos pode contar sobre este novo projeto criado de raíz?

Este projeto, vai muito além da consultoria de imagem, perseguindo a missão de sensibilização para a necessidade de escolhas responsáveis e sustentáveis ao nível da moda. Assim, criei a marca Cristina de Almeida® que quero ver reconhecida como consultoria especializada em moda sustentável, com elevado valor acrescentado, individual e socialmente.

A minha missão é, servindo de inspiração, valorizar a autoestima, abrilhantar o estilo, e guiar quem me procura, na busca de uma menor pegada ecológica.

O que é mais desafiante no seu trabalho? Pode dizer-se que gosta daquilo que faz?

Quando o trabalho se faz naturalmente, somos felizes a fazê-lo. Sempre me preocupei com o bem estar dos outros, e na consultoria de imagem, posso ajudar quem não está bem com a sua imagem, a encontrar o seu eu e a transmití-lo através das corretas escolhas vestimentares. Aliar a isto uma missão de sensibilização para a sustentabilidade e responsabilidade social, de forma convicta, mas não fundamentalista, é um desafio gigante.

E como consegue essa harmonização da imagem, à identidade e à mensagem que se pretende transmitir aos outros?

A base do processo é o conhecimento da personalidade do cliente e dos receios/inseguranças relativamente ao seu corpo, identificando a partir daqui as escolhas que melhor refletem a sua individualidade e o que desta quer comunicar.

O que se pretende exatamente com uma sessão de apoio nesta área?

Citando o designer Aaron Burns, não existe uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão. Este julgamento é feito nos primeiros dez segundos de contacto, pelo que, se a imagem não reflete a identidade da pessoa, nem a mensagem que esta quer transmitir, a relação poderá ficar logo comprometida.

A imagem é ainda causa de problemas de autoestima e falta de auto-confiança, que podem ser resolvidos com a orientação profissional quanto às melhores escolhas, contribuindo para pessoas mais felizes.

Qual é a melhor coisa que retira de se ter tornado empresária?

Liberdade.

O que podemos esperar de Cristina de Almeida para o futuro? O que ainda pretende “conquistar”?

Com o meu blog GIRL IN SLOWFASHION®, pretendo motivar as pessoas a mudar o seu comportamento de consumo de moda, partilhar opiniões e informações que permitam escolhas mais conscientes. A minha marca GREENIN’®, de artigos de moda, será uma alternativa no mercado sustentável – “não olhes para o que eu digo, olha para o que eu faço” – para os mais céticos.

Quero acabar com o preconceito de que a moda é supérflua e demonstrar que, através desta, pode-se fazer pessoas felizes, iniciar reformas e mudar mentalidades.

UMA MULHER DE CAUSAS

Gosta de uma refeição que a surpreenda e de um bom vinho. Relaxa nas suas caminhadas à beira mar, a experimentar uma nova receita ou a ouvir uma boa música. Há muito adepta de audio books e e-learning, e mais recentemente de podcasts, não só para se entreter mas também para “saber mais”. Diz que não passa um dia sem aprender qualquer coisa e acredita que aprende muito mais a ouvir do que a falar.

Tem 41 anos e é mãe de dois rapazes, há 15 e 12 anos. Com o nascimento deles um avivar de uma enorme vontade de contribuir no seu dia a dia para um mundo melhor. A entrada no sector social foi por acaso. Em 2011, quando saiu da Deloitte, ofereceu-se para ajudar com a implementação da certificação de qualidade numa organização social perto de sua casa. Começou a desenhar processos e acabou por ficar. Sentiu pela primeira vez que com o seu trabalho, e com as suas competências de gestão, poderia fazer a diferença. Desde 2011 colaborou com algumas organizações no terceiro sector e é desde 2015 Diretora Geral da Fundação Rui Osório de Castro, onde conciliou a área social com área da saúde, que sempre a cativou desde o início do seu percurso profissional. A Fundação Rui Osório de Castro é uma organização que se dedica ao cancro pediátrico.

Em Portugal anualmente cerca de 400 crianças e jovens são diagnosticadas com cancro. O cancro é a primeira causa de morte por doença, apesar de nos dias de hoje, e graças aos grandes progressos ao nível do diagnóstico e dos tratamentos, perto de 80% destas crianças e adolescentes sobrevivem.

A Fundação Rui Osório de Castro concentra a sua atividade em duas grandes áreas: INFORMAR, esclarecendo os pais e as crianças sobre questões relacionadas com o cancro infantil e PROMOVER a INVESTIGAÇÃO contribuindo assim para o avanço da medicina nesta área.

Com a premissa de que uma família informada é uma família mais tranquila, mais segura e consequentemente mais capacitada para ultrapassar uma situação de cancro de um filho a Fundação Rui Osório de Castro preocupa-se em assegurar a qualidade, a seriedade e credibilidade da informação disponível a estas famílias. Para isso disponibiliza um conjunto de formatos informativos como os seminários, workshops, um portal (pipop.info) e publicações várias que se debruçam sobre as várias tópicos e fases da doença.

Pouco se sabe acerca das causas do cancro nas crianças e adolescentes, mas pouco se investe na sua investigação. A Fundação Rui Osório de Castro quer que esta realidade mude pela sua importância para melhorar a qualidade de vida das crianças durante e pós tratamento. Apesar de cerca de 80% sobreviver, 2/3 destas vivem com sequelas para o resto da vida. É fundamental que se investigue mais nesta área. Tendo em conta o número reduzido de casos de cada tipo de cancro pediátrico, a investigação nesta área tem de ser coordenada internacionalmente, por grupos de trabalho compostos por profissionais especialistas de vários países, para que a amostra seja significativa e para que se consiga tirar verdadeiras conclusões. Portugal tem de contribuir para a evolução do conhecimento da doença e da melhoria contínua nos cuidados prestados. Mas existe uma enorme falta de recursos não só financeiros, mas também humanos. A Fundação quer ser parte da solução pelo que se propôs a suportar o custo das apólices de seguro de responsabilidade civil profissional necessárias para que os três centros de referência em Portugal possam integrar estes estudos internacionais, e com isso permitir o acesso e a participação das crianças portuguesas a estes tratamentos inovadores.

Ainda com o foco na melhoria dos cuidados, a Fundação atribui anualmente, já desde 2017, o Prémio Rui Osório de Castro / Millennium BCP, não limitado a investigação, tem como objetivo de permitir o desenvolvimento de projetos, estudos e iniciativas inovadoras nesta área.

“A ROUPA CORRETA, FAZ-NOS SENTIR MAIS CONFIANTES ”

Quando e como surgiu a ideia da aposta neste projeto?

A ideia surgiu quando eu resolvi deixar a minha carreira financeira na banca e começar a dedicar-me mais à família. Tinha um dresscode muito formal na banca, quando me vi com outras rotinas, deparei-me com um guarda-roupa cheio de roupas, mas sempre com a sensação de não ter nada para vestir. Eu que sempre gostei de moda, vi-me diariamente a perder tempo e a sentir-me muito incomodada para escolher uma roupa. Ao conversar com uma amiga que também tinha passado pela mesma mudança profissional, percebi que o que eu estava a viver, era uma perda da minha identidade devido à mudança no meu lifestyle. Eu já não sabia vestir-me!

Comecei a pesquisar sobre o assunto e vi que o problema tinha mesmo a ver com as mudanças que temos na vida, mudanças de país, de emprego, de corpo, de hábitos, de maternidade e com a forma como isso, influencia o nosso estilo e forma de vestir.

Isso aflorou a minha paixão antiga pela moda e tudo o que ela influencia. Chamei essa amiga, a Camila Alves, para embarcar comigo neste novo projeto, fizemos inúmeras formações, e assim, nasceu a Nothing to Wear.

“Empoderar as pessoas por meio de sua imagem Pessoal” é uma frase que vos define. Que mensagem pretendem transmitir?

Sim, essa frase pode ser considerada o nosso “slogan”. O mais importante para nós é resgatar a confiança e autoestima de cada um. Fazer com que cada um se sinta confortável e feliz com a imagem que vê no espelho. Sem regras, sem padrões, com a melhor versão de si próprio.

Acredita que a moda tem o poder de transformar as pessoas? De que forma?

Não é a moda que transforma, mas sim o autoconhecimento, que faz com que cada um entenda o que melhor harmoniza em si. Ensinamos as pessoas a entenderem o momento atual, o seu tipo físico, o seu dia a dia, e de que maneira quer ser visto pelos outros, as características que querem passar ao mundo. As cores também são uma ferramenta muito importante em todo esse processo. Por exemplo, se uma pessoa quer passar confiança, poder, segurança é importante ela se vestir com cores que transmitam esse significado, assim como roupas mais clássicas.

Quais os serviços que oferecem aos vossos clientes através da marca Nothing to Wear? Quais os mais solicitados?

Hoje em dia, com a curva crescente na utilização de Mídias sociais em prol de um negócio, fez os holofotes ascenderem para a marca pessoal, onde a imagem pessoal é muito importante. E como também sou coach de Alta Performance, tenho trabalhado muito para empresas e empresários que utilizam a sua imagem.

Todo o trabalho é bem personalizado. O primeiro ponto é detetar as necessidades do cliente, e montar um plano. Começamos sempre pelo teste de coloração pessoal. Neste serviço, identificamos por meio de uma análise da coloração de pele, cabelos e olhos, o melhor conjunto de cores próximo ao rosto. Essas cores trazem mais harmonia, disfarçando as imperfeições e valorizando qualidades. Temos uma etapa de identificação de estilo e criação de uma nova imagem. Nesta etapa, entendemos tudo o que o cliente pretende com uma nova imagem. É uma etapa bem importante e minuciosa, pois avaliamos os estilos, tipo físico, e, entendemos o que está a incomodar a imagem atual. Com base nisso, traçamos um projeto para a criação de uma nova imagem. Quanto à penúltima etapa, à qual chamamos, closet clean, colocamos tudo em prática, no closet de cada um, vemos tudo o que se enquadra e montamos novos looks. E a última etapa, chamada de Personal Shopper, onde ajudamos nas compras.

O que é para si, mais desafiante naquilo que faz?

Desmistificar que a consultoria de imagem está ligada ao mundo fashion. É mostrar que é para todos, e, não somente para quem trabalha como figura pública ou celebridades.

No meu caso em específico, também é desafiante divulgar e mostrar resultados, pois como clientes, tenho muitos jogadores de futebol e esposas, e nem sempre, estão dispostos a mostrar que utilizam este serviço.

Que linha condutora e valores pretende firmar com a marca no mercado?

Mostrar ao mundo que não existe padrões de certo ou errado. Que o certo para uns, pode ser errado para outros. Que a consultoria de imagem é exatamente ensinar a harmonizar melhor, o tipo físico e estilo de cada um. E o mais importante, transmitir essas características aos outros. Já foi cientificamente comprovado que a roupa correta, faz-nos sentir mais confiantes e mais produtivos. Então porque não usar isso a nosso favor?

Muitas pessoas saem da depressão ao sentirem que tem uma imagem mais satisfatória, outras vendem mais por terem uma imagem que demonstre mais empatia, confiança e credibilidade aos clientes, e por aí vai…

Quais são os projetos que tem em mente para o futuro da Nothing to Wear?

Uma das ideias, será expandir nos cursos e palestras para empresas. Contudo, recentemente, lançamos uma app, chamada NTW, onde temos uma rede de consultoras pelo mundo e podemos atender pela nossa plataforma e “entrar no closet “de clientes pelo telemóvel. Através desta app, montamos looks e ajudamos a montar malas de viagens, de forma a ajudar o maior número de pessoas pelo mundo, com um custo mais acessível.

Além disso para a Nothing to Wear faz muito sentido unir forças. Não vejo outras consultoras como concorrentes, e acredito que juntas temos mais força no mercado.

“O MEU OBJETIVO É E SEMPRE FOI CAMINHAR PARA A EXCELÊNCIA”

Rita Ventura é Head of People and Culture na ASM INDUSTRIES. O que a define enquanto mulher e profissional?

Sou uma pessoa muito organizada e prática. Ambas as características se refletem quer como mulher, quer como profissional. Também sou bem disposta, conciliadora e disponível. E sou inconformada, procurando sempre ser e fazer melhor.

O seu percurso profissional está muito ligado aos Recursos Humanos, tendo passado por outras grandes empresas nacionais, estou correta penso. Enquanto profissional o que a fascina mais nesta área e no seu envolvimento em torno do crescimento da empresa?

Trabalho em Recursos Humanos desde 2006 e sou muito grata por todas as etapas do longo do meu percurso profissional e por ter tido oportunidade de trabalhar com várias pessoas, incluindo várias mulheres profissionais de Recursos Humanos e de outras áreas da indústria. Foram essas oportunidades e pessoas que me ajudaram a ser o que sou hoje, como pessoa e como profissional.

Acredito que a área de gestão de pessoas tem que ser um parceiro de todo o negócio, tem que o compreender totalmente para poder encaixar-se e apresentar soluções. Aquilo que mais gosto na área de Recursos Humanos é exatamente isto, desenvolver soluções: para a empresa, para o negócio, para as pessoas. Acredito que as pessoas fazem as empresas e que o papel dos profissionais de Recursos Humanos é encontrar as melhores pessoas para cada empresa, as que mais se identificam, as que melhor se enquadram na filosofia do negócio, até mais do que as que são melhores tecnicamente. Muitas vezes, as melhores pessoas para a nossa empresa não são as que têm mais qualificações académicas ou profissionais, mas sim as que melhor compreendem as necessidades do negócio e que querem e sabem como crescer com ele. É esta demanda por encontrar e o desafio de motivar e desenvolver estas relações que mais me cativa.

Quais são os seus maiores desafios a nível pessoal e profissional?

Profissionalmente, o meu percurso sempre se pautou por desafios constantes. Sempre que sentia que o desafio esmorecia e que precisava de novos estímulos e pôr diferentes ideias em prática, procurei outras oportunidades. Neste momento, estou num projeto altamente desafiante, numa indústria inovadora, com desafiantes responsabilidades e oportunidades de crescimento pessoal e profissional. Temos muitas metas para alcançar na área de Recursos Humanos, que é um dos pilares estratégicos da empresa e isso é muito gratificante e entusiasmante. Definimos uma estratégia a longo prazo para a área de Pessoas e Cultura e estamos a trabalhar nela e a concretizá-la. Pessoalmente, acho que o maior desafio que tenho – como a grande maioria dos profissionais – é manter a harmonia entre as esferas pessoal (individual e familiar) e profissional. E gostava de sublinhar a harmonia, em detrimento do equilíbrio. Há uns dias, em conjunto com uma colega, concluímos que as palavras, na sua força, condicionam os nossos comportamentos e quando substituímos o equilíbrio, termo que aparentemente implica esforço e tensão, por harmonia, percebemos que conciliar todos os domínios em que nos movimentamos pode ser feito com mais tranquilidade e serenidade. Ainda assim, é um caminho que faz todos os dias, ainda mais agora, nesta fase excecional que vivemos e em que, de repente, trabalho, família e pessoa se concentram no mesmo espaço e com novas formas de viver.

Que competências tem vindo a acrescentar à sua “bagagem” com estes anos de experiência?

Como disse, ao longo do meu percurso tive experiências diferentes, cruzei-me com profissionais e pessoas excelentes e aprendi muito. Felizmente, a aprendizagem é contínua e sei que daqui a dez anos, se responder a esta questão, possivelmente fá-lo-ei de forma diferente.

A atualização e desenvolvimento das qualificações técnicas é quase inevitável para podermos realizar o nosso trabalho diário, com competência e correção. Mas esta é a parte fácil.

O caminho que me trouxe até aqui ensinou-se o real significado da empatia e da assertividade. Na área de Recursos Humanos, já me defrontei com o melhor e o pior de cada pessoa, de cada história de vida, de cada momento. Aprendi que temos que lidar com todas estas emoções, mas que também temos que tomar decisões que vão além da vida de cada um e temos que o fazer para o bem de todos. Encontrar o ponto de equilíbrio entre todas estas questões e tomar decisões equilibradas, talvez tenha sido a competências mais importante que tenho vindo a aprender.

Ser mulher e Head of People and Cultura da ASM INDUSTRIES representa…

Trabalhar todos os dias para fazer o melhor para as nossas pessoas, é partilhar as suas alegrias e não esmorecer perante as dificuldades. É também ser um exemplo para os meus filhos, procurando sempre transmitir-lhes que todos os dias saio de casa com o objetivo de fazer o meu melhor e que é com essa vontade e com esse espírito que contribuo para a minha empresa. Representa ainda ter alcançado um objetivo pessoal e profissional, que era chegar à gestão de um departamento de Recursos Humanos de maior dimensão e numa empresa em que esta área é bastante valorizada.

Onde quer chegar? Como quer chegar? Ao que ainda lhe falta chegar?

Conforme tive oportunidade de dizer anteriormente, sou uma pessoa inconformada e encaro isso como uma característica positiva. Procuro sempre ser melhor pessoa, melhor profissional, melhor mãe. Às vezes sou muito exigente comigo mesma e lembro-me que quando era pequena me diziam que o “ótimo é inimigo do bom”. Na altura não compreendi o alcance daquelas palavras, hoje são elas que me fazem parar de procurar a perfeição, quando essa procura já não é construtiva. Leio muito, reflito muito, experimento muitas coisas. O meu objetivo é e sempre foi caminhar para a excelência. Sei hoje que a excelência é uma utopia e por isso divirto-me no caminho que vou fazendo para lá chegar.

Neste momento, estou muito focada e muito contente com o desafio que tenho em mãos na ASMI. Fiz um percurso do qual me orgulho e que conduziu a esta nova etapa e atualmente estou muito realizada.

Não sei se me falta chegar a algum lado, mas penso que um dia gostaria de partilhar os meus saberes e as minhas aprendizagens com os outros, embora ainda não tenha pensado muito bem como.

“A TRADUÇÃO É UMA ARTE”

Quando foi edificada a Ana Honrado – Traduções & Explicações e como é que a marca tem assumido um crescimento e contributo para o mercado através de pilares como a qualidade, excelência e rigor?

Comecei a trabalhar em 2007 como tradutora freelancer a partir de casa e apenas em 2015 resolvi abrir o meu próprio espaço, isto porque me apercebi que as pessoas sentem mais confiança num profissional que tenha um espaço aberto, onde possam dirigir-se, ver a pessoa, tirar dúvidas e saber que no caso de precisarem de um acompanhamento têm o profissional disponível num determinado horário e local. Nestes cinco anos de trabalho, tenho vindo a criar parcerias com notários, advogados, solicitadores, entre outros, que acabam por ser uma mais-valia não só pelo facto de atualmente os profissionais da área da tradução ainda não poderem certificar as suas próprias traduções como por a grande maioria da população achar que são estes os profissionais que realizam as traduções e desta forma acabamos por conseguir fornecer com mais facilidade e confiabilidade um serviço ao cliente final, e claro, a um preço mais competitivo, dado a parceria. O escritório foi edificado no Seixal por não existir um espaço similar e por ser um local com procura.

Quem é Ana Honrado enquanto profissional e o que nos pode contar sobre o seu percurso profissional?

Licenciei-me em Tradução na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa em 2007. Efetuei uma especialização em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa, uma Pós-graduação em Gestão Hoteleira no ISLA, vários Workshops em Formação de E-Learning e Project Management, e ainda na área da tradução e do turismo e terminei em 2019 o meu doutoramento em Tradução e Interpretação na BIU em Madrid, sendo que sou uma “insatisfeita” por natureza e acredito que tenho sempre mais qualquer coisa a aprender, acabo por estar sempre “à procura” do próximo curso ou workshop, formação, palestra, etc.

Atualmente sou membro da APTRAD – Associação de Profissionais de Tradução e de Interpretação desde 2015 e da APT – Associação Portuguesa de Tradutores desde 2019.

Há quanto tempo é tradutora? Também trabalha como intérprete?

Comecei a trabalhar como tradutora assim que terminei o curso em 2007, como intérprete comecei a trabalhar em janeiro deste ano, visto que terminei o Doutoramento na área em 2019. Sou neste momento intérprete remota (telefónica) para uma empresa nos EUA, sendo que em Portugal este ainda é um conceito um pouco desconhecido, estamos habituados a ter o intérprete presente nas mediações/notários/conferências, noutros países, principalmente os das Américas, os interpretes já são na sua grande maioria remotos, uma vez que acaba por ser mais fácil e menos dispendioso para o cliente, seja ele empresarial ou particular. Ter um intérprete presente num local obriga à marcação do mesmo e discussão de valores, com um intérprete remoto basta ligar um número (da empresa de interpretação) escolher os idiomas e tem-se um intérprete disponível “no momento”.

Fale-nos um pouco do conceito da marca e das mais-valias que a mesma aporta ao mercado.

Como tenho formação em gestão e sou residente na área do Seixal, efetuei uma análise SWOT, por minha autoria e verifiquei quais os pontos positivos/negativos, procuras e ameaças à abertura de um escritório nesta área e acabei por descobrir que existia procura e pouca ou nenhuma oferta, assim vim suprir esta necessidade, e acredito que tenha vindo enriquecer a zona, que como se sabe tem vindo a passar por várias mudanças, sendo alvo de investimento por parte da câmara, sendo agora um local muito turístico e em evolução.

Ser uma Mulher empreendedora em Portugal é difícil? Sente que o facto de ser mulher lhe criou mais obstáculos ou nunca sentiu ao longo da carreira essa realidade?

Penso que a minha geração é extremamente empreendedora, e sem parecer puxar a brasa à minha sardinha penso que nós mulheres temos mais facilidade em dar o salto para o desconhecido e tornar a nossa ideia em forma do que os homens que são mais agarrados ao certo. Claro que não podemos generalizar, cada pessoa é uma pessoa. Não sinto, nem senti quaisquer obstáculos ao tornar o meu sonho realidade, a única coisa com que me deparo por vezes é incredulidade por parte de alguns clientes, principalmente pessoas mais velhas, que não conseguem acreditar que sou eu a pessoa por trás da “empresa”. Alguns clientes acham-me demasiado nova para ter já alcançado tanto. E eu, por outro lado, acho que ainda não alcancei o suficiente.

Sendo que a globalização tornou o mundo cada vez mais pequeno e que a maioria das pessoas fala inglês acredita que a tradução vai eventualmente deixar de ser necessária ou que é cada vez mais importante?

Acredito que a tradução é uma arte, e digo arte, porque acredito que é preciso um dom para se fazer o que nós tradutores fazemos todos os dias, porque traduzir não é apenas pegar num texto e transportá-lo para outra língua, é sim ter a preocupação de pensar no texto original e no texto a produzir, na ou nas pessoas que o vão ler, no país que o vai receber, entre tantas outras problemáticas. E por essa razão, acredito que a tradução e/ou interpretação nunca vão deixar de ser necessárias, vemos hoje um aumento das tecnologias de Tradução Automática, que estão, tem de ser dito, cada vez mais capazes, mas ainda existe a necessidade de existir sempre um olho humano como último leitor e revisor, então não acredito que o desaparecimento desta profissão esteja para breve. Existimos desde os tempos em que a bíblia foi traduzida pela primeira vez e, cruzemos os dedos, haveremos de cá estar durante muito mais tempo.

“TUDO É CONSIDERADO IMPOSSÍVEL ATÉ ACONTECER”

Quando foi edificada a Will Creative Consulting e de que forma é que a marca tem vindo a promover uma dinâmica inovador e promotora de valor ao mercado?

A Will é um estúdio criativo a inventar desde 2013. Somos criadores e engenhocas com a capacidade de fazer muita coisa a partir de pouco. Criamos e construímos as nossas ideias, no nosso espaço, constituído, por mentes fervilhantes de ideias e conceitos, computadores, martelos e pinceis. Temos uma vocação genuína para projetos especiais, únicos, pensados à medida para aquela marca, aquele espaço e momento. Cuidamos cada projeto como se fosse o primeiro e aportamos um elemento surpresa a cada proposta.

Acreditamos, tal como Nelson Mandela, “tudo é considerado impossível até acontecer”.

A Marta Pires assume a posição de Partner & Manager da marca. Assim, começaria por lhe perguntar como se deu início a este desafio e que balanço é possível perpetuar da sua liderança?

Há sete anos ganhou forma a minha vontade, enquanto gestora e empreendedora, de iniciar um projeto próprio juntamente com o meu marido Paulo Gouveia, designer.

Em pouco tempo a Will já trabalha marcas como Porto Ferreira, Symington, Porto Cruz, Mateus Rosé, Niepoort, Super Bock e outras. O balanço é muito positivo, o nosso esforço, entrega e criatividade está no resultado dos nossos trabalhos, prémios e feedback dos clientes.

O que é mais desafiante para si neste cargo?

O meu desafio como líder é conseguir que a Will contribua para que o mundo seja um pouco melhor. Isto significa entrega personalizada a cada cliente, o cuidado com os fornecedores e parceiros, o carinho com os colaboradores e estarmos atentos a tudo o que nos rodeia, com humanidade e sustentabilidade.

De que forma é que diariamente procura marcar a diferença e ter assim impacto no quotidiano da marca e das pessoas que compõem a mesma enquanto líder?

É uma pergunta pertinente, que se impõe ainda mais nos dias incertos desta pandemia. Assim, mais do que nunca, impõe-se uma liderança presente e consciente.

Na minha ótica o líder deve ser o primeiro a dar o exemplo, em palavras e ações, colocar-se no lugar do outro, fazer com que todos se sintam envolvidos e façam parte da solução.

Ao longo do seu percurso, que momentos ou aspetos considera fulcrais para o seu crescimento pessoal e profissional e de que forma foram os mesmos fundamentais para que hoje tenha capacidade de responder aos desafios diários da sua função?

Ao longo do meu percurso assinalo as bases sólidas que começaram na escolha do curso e mestrado em gestão, com passagem pela Universidade de Louvain la Neuve, Bélgica. Sublinhava a incursão pela Sonae, uma indubitável escola de negócios. Estas experiências e vivencias confluíram na Will, para uma melhor resolução de problemas, adaptação à mudança e espírito de equipa.

Numa altura em que se debatem cada vez mais questões relacionadas com a desigualdade de género, como diria ter sido o seu percurso profissional neste sentido? A desigualdade de género é uma realidade para si? Como a podemos ultrapassar e contornar? Estamos no bom caminho?

Pessoalmente não senti desigualdade ao longo do meu percurso. Reconheço que existem ainda desigualdades de oportunidades, nomeadamente a nível do acesso a altos cargos de gestão e diferenças salariais para o género feminino. Mas penso que existe um esforço para alertar e esbater essas diferenças e é esse o caminho.

Na Will existe paridade, não intencional, importam as competências e esforço de cada um, independentemente do género.

Liderança Masculina ou Feminina? Ou a liderança de qualidade não tem qualquer relação com o género?

A liderança não é uma qualidade relativa de um género – a liderança é missão, valores e como diz o Papa Francisco: “Mais importante que o líder é a missão”.

Julgo existirem características mais femininas e masculinas de liderar, que influenciam a maneira de cada um fazer as coisas, nem boas nem más, mas diferentes. Em conjunto, somando esforços, complementando-se e cooperando, tornam-se imbatíveis.

Que mensagem lhe aprazaria deixar ao universo feminino que diariamente ultrapassa dificuldades e obstáculos em prol de uma carreira profissional?

A mensagem é que se deve preparar, pessoal e profissionalmente, tornar-se na sua melhor versão para que primeiro se possa liderar a si própria e depois compreender e liderar os outros. Considero que um líder deve procurar alguns valores como a resiliência, humildade e empatia que ajudam ao longo do caminho, nem sempre fácil.

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