Com uma história profissional tão dinâmica, a pergunta que se impõe é quem é Cristina de Almeida?

Sou uma pessoa ambiciosa, criativa e muito prestativa. As mulheres da minha geração, foram educadas para estudar, ter uma carreira profissional, além de serem mães e donas de casa. Serem super-mulheres, portanto. Cresci com essa crença, e por isso licenciei-me na Faculdade de Economia do Porto e especializei-me em Auditoria, atingindo o topo de carreira com a obtenção de cédula profissional de Revisora Oficial de Contas, em 2002. Dezassete anos depois, decidi apostar na moda, setor que acompanhei sempre. Já me destacava dos demais profissionais da área, conservadora por natureza, pela minha imagem diferenciadora.

Como aconteceu esta mudança?

Vivi a minha profissão intensamente, fui uma workaholic, o que culminou num burn-out. Entrei num processo de autoconhecimento “forçado”, concluindo que, não conseguia mais, voltar ao escritório que ajudei a fundar. Durante a minha recuperação, procurei ocupar-me em outras áreas, nomeadamente, na moda, acompanhando, sobretudo, através das redes sociais. E foi a partir daí que surgiu a inscrição no curso de Consultoria de Imagem e Personal Shopping, na Fashion School. Este foi o ponto de viragem na minha vida. Começou por ser uma ocupação de tempos livres, transformando-se em algo renovador e estimulante. A auditoria era um capítulo de sucesso que se encerrava, e a Consultoria de Imagem era o novo mundo que se abria para mim! Com o curso adquiri todos os conhecimentos técnicos para exercício da profissão.

O que nos pode contar sobre este novo projeto criado de raíz?

Este projeto, vai muito além da consultoria de imagem, perseguindo a missão de sensibilização para a necessidade de escolhas responsáveis e sustentáveis ao nível da moda. Assim, criei a marca Cristina de Almeida® que quero ver reconhecida como consultoria especializada em moda sustentável, com elevado valor acrescentado, individual e socialmente.

A minha missão é, servindo de inspiração, valorizar a autoestima, abrilhantar o estilo, e guiar quem me procura, na busca de uma menor pegada ecológica.

O que é mais desafiante no seu trabalho? Pode dizer-se que gosta daquilo que faz?

Quando o trabalho se faz naturalmente, somos felizes a fazê-lo. Sempre me preocupei com o bem estar dos outros, e na consultoria de imagem, posso ajudar quem não está bem com a sua imagem, a encontrar o seu eu e a transmití-lo através das corretas escolhas vestimentares. Aliar a isto uma missão de sensibilização para a sustentabilidade e responsabilidade social, de forma convicta, mas não fundamentalista, é um desafio gigante.

E como consegue essa harmonização da imagem, à identidade e à mensagem que se pretende transmitir aos outros?

A base do processo é o conhecimento da personalidade do cliente e dos receios/inseguranças relativamente ao seu corpo, identificando a partir daqui as escolhas que melhor refletem a sua individualidade e o que desta quer comunicar.

O que se pretende exatamente com uma sessão de apoio nesta área?

Citando o designer Aaron Burns, não existe uma segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão. Este julgamento é feito nos primeiros dez segundos de contacto, pelo que, se a imagem não reflete a identidade da pessoa, nem a mensagem que esta quer transmitir, a relação poderá ficar logo comprometida.

A imagem é ainda causa de problemas de autoestima e falta de auto-confiança, que podem ser resolvidos com a orientação profissional quanto às melhores escolhas, contribuindo para pessoas mais felizes.

Qual é a melhor coisa que retira de se ter tornado empresária?

Liberdade.

O que podemos esperar de Cristina de Almeida para o futuro? O que ainda pretende “conquistar”?

Com o meu blog GIRL IN SLOWFASHION®, pretendo motivar as pessoas a mudar o seu comportamento de consumo de moda, partilhar opiniões e informações que permitam escolhas mais conscientes. A minha marca GREENIN’®, de artigos de moda, será uma alternativa no mercado sustentável – “não olhes para o que eu digo, olha para o que eu faço” – para os mais céticos.

Quero acabar com o preconceito de que a moda é supérflua e demonstrar que, através desta, pode-se fazer pessoas felizes, iniciar reformas e mudar mentalidades.