“O IBERFAR MANTÉM UMA CULTURA DE INOVAÇÃO, DE EXCELÊNCIA OPERACIONAL E DE MELHORIA CONTÍNUA EM TODOS OS PROCESSOS”

Joana Ferraz da Costa pertence à terceira geração da família que fundou o IBERFAR – uma empresa vocacionada para a produção de medicamentos sólidos e líquidos para terceiros. Com as suas competências distintivas e os seus objetivos concretos e definidos o futuro parece sorrir. Saiba porquê.

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Primeiramente interessa perceber quem é a Joana Ferraz da Costa enquanto pessoa e profissional. O que nos pode contar sobre o seu percurso até chegar ao IBERFAR?
Nasci em Lisboa em 1979 e sou a terceira de quatro irmãs. Sou casada e mãe de três filhos. Licenciei-me em Economia pela Universidade Católica Portuguesa e posteriormente tirei um Mestrado em Econometria Aplicada e Previsão no ISEG. Comecei a minha atividade profissional como analista júnior no Departamento de Analise Macro e Rendimento Fixo do Banco Santander e, depois de tirar o mestrado, fui trabalhar como economista no Gabinete de Estudos do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Publico (IGCP). Fui também assistente da disciplina de Economia dos mestrados da Faculdade de Engenharia da Universidade Católica Portuguesa, uma experiência que representou um grande desafio e me deu um enorme prazer. Depois de mais de dez anos dedicada à Economia, a minha grande paixão, achei que tinha chegado o momento de me juntar ao grupo de empresas familiar. Neste sentido, decidi juntar-me, em abril de 2019, à administração das empresas do grupo IBERFAR. Recentemente, e com objetivo de especializar mais a gestão ao nível de cada uma das empresas do grupo, assumi a administração executiva do IBERFAR, sendo a empresa do grupo à qual dedico a minha maior atenção.

Desde 1951 o IBERFAR presta serviços num dos ramos industriais de maior rigor, fabricando especialidades farmacêuticas para os mercados mais exigentes do mundo. Com os constantes desafios impostos à indústria farmacêutica, quem é hoje esta organização?
O IBERFAR, faz parte de um grupo de empresas nacionais, que cobrem praticamente todo o espectro da indústria. Fazem parte do Grupo, no setor farmacêutico, o FERRAZ LYNCE, vocacionado para a promoção e distribuição de medicamentos éticos e de venda livre, o IBERFAR, vocacionado para a produção de especialidades farmacêuticas para terceiros, e a Alloga-LOGIFARMA, uma plataforma logística e de distribuição de produtos farmacêuticos.
Este grupo de empresas farmacêuticas foi fundado em 1924. O IBERFAR iniciou a sua atividade em 1951 e a primeira unidade fabril foi construída em 1965. Desde então, as instalações foram sendo constantemente ampliadas por forma a acompanhar o crescimento do negócio. Em 1996, com instalações que não possibilitavam a necessária expansão, a empresa decidiu adquirir a fábrica Merck Sharp & Dohme e em 2003, após o melhoramento e renovação das instalações, foi inaugurada a nova fábrica.
A principal área de negócio do IBERFAR, é a produção de medicamentos sólidos e líquidos para terceiros, tendo como competências distintivas a qualidade, os prazos de entrega e uma grande flexibilidade de adaptação às necessidades dos seus clientes.
Para sustentar este desafio, o IBERFAR mantém uma cultura de inovação, de excelência operacional e de melhoria contínua em todos os processos.
O IBERFAR tem como missão produzir sempre melhor, mais rápido e ao menor preço, trabalhando diariamente no sentido de reforçar a sua competitividade e assim conquistarmos novos mercados na área da saúde, nacionais e internacionais. Os nossos produtos estão atualmente presentes em vários mercados mundiais, como por exemplo: Portugal, Espanha, Irlanda, Suíça, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia, Tailândia, entre outros.

Quão gratificante tem sido para si trabalhar numa empresa com a dimensão do IBERFAR?
É um enorme orgulho. Principalmente por ser uma empresa com quase 70 anos de história, fundada pelo meu avô, e que já vai na terceira geração! O IBERFAR insere-se num dos setores mais exigentes em termos regulamentares e por essa razão tem um padrão de qualidade muito elevado. Um dos aspetos para mim mais desafiante é poder participar na gestão de uma organização que transforma matérias-primas em produto acabado passando transversalmente por todas as áreas fabris, e serviços de suporte, em conformidade com as exigências do cliente, das boas práticas de fabrico e cumprindo com as Normas de Certificação da Qualidade.
Atualmente trabalham connosco 119 pessoas e é para mim muito gratificante saber que sempre honrámos os nossos compromissos e que, para além disso, nos preocupamos em proporcionar a estas mesmas pessoas um conjunto de outros benefícios que contribuem, em certa medida, para um maior bem-estar.

É objetivo da empresa que os próximos cinco anos sejam baseados na inovação, introduzindo no mercado português e outros externos produtos que sirvam um universo de consumidores com necessidades de cuidados de saúde diferentes das dos últimos 25 anos. Como têm implementado esta estratégia?
Em 2014 levámos a cabo uma reflexão profunda sobre o que somos e, principalmente, sobre o que teremos de ser para regressar ao caminho do crescimento, através da admissão de novos colaboradores e do desenvolvimento de novas atividades muito mais voltadas para a exportação e a presença em mercados externos. Tal missão exige a deteção de novas oportunidades criadas por um mundo em mudança e o estudo de soluções terapêuticas desde a sua conceção, registo e fabricação até à sua comercialização. Pretendemos, sem nunca pôr em causa os princípios éticos que desde 1924 norteiam estas empresas, passar de uma atividade centrada no mercado português para uma outra crescentemente aberta às oportunidades de crescimento que existem noutros países.
O IBERFAR presentemente é visto como uma empresa muito competitiva, com excelentes prestações nos indicadores críticos, quer a nível da Garantia da Qualidade, quer a nível do cumprimento dos prazos de entrega, o que lhe proporciona um ótimo relacionamento com vários clientes de referência. Em termos de mercados, a estratégia passa claramente por uma internacionalização tão ativa, ou mais, quanto a que tem vindo a acontecer até ao momento, por forma a aproveitar as oportunidades externas e reduzir o impacto de desenvolvimentos negativos no mercado interno. O volume de exportações continuou a aumentar em 2019, tanto em termos absolutos como em termos relativos, representado cerca de 63% do total das vendas (versus 11,4% em 2012).

Considera que na indústria farmacêutica a inovação tem um impacto positivo na qualidade? De que forma?
Sem dúvida. Apesar da conjuntura difícil, o IBERFAR não tem deixado de executar o seu plano de investimentos de médio prazo para a modernização contínua das instalações e equipamentos. Pretende-se com estes investimentos responder às exigências sempre crescentes de certificação de instalações e equipamentos, bem como adequar a nossa oferta à orientação estratégica da empresa focando-se mais para o mercado externo, o qual exige equipamentos com maior nível de inovação.
Em julho de 2017 fizemos uma candidatura ao Programa Portugal 2020, no sentido de obter financiamento para estes investimentos. O projeto enquadra se na tipologia de aumento de capacidade instalada e engloba diversas inovações, tanto ao nível de processo, quanto de serviço, de marketing e organizacional.

Atravessamos atualmente uma pandemia provocada pelo novo coronavírus desconhecida até então. Muitas foram as empresas que obrigatoriamente mudaram as suas práticas diárias para garantir a segurança e a saúde pública pedidas. Tendo em conta a dimensão do IBERFAR, como têm lidado com as consequências sociais e económicas da mesma?
Tem sido um verdadeiro desafio! Mas com calma, ponderação e trabalho de equipa tem sido possível adaptarmo-nos e ajustarmo-nos às múltiplas exigências que nos têm sido impostas. O facto de operarmos no setor farmacêutico, e mais concretamente em ambiente GMP, ajudou a que a exigência, em termos de novas práticas e comportamentos não tivesse de ser tão grande. A desinfeção dos espaços, a utilização de máscaras nos locais de trabalho e a generalidade das regras em termos de higiene e segurança, eram práticas que, na fábrica, já nos eram naturais. Obviamente que teve de haver um reforço de todas estas práticas e houve regras que nos foram impostas que acabaram por representar um grande desafio, como por ex. a criação de equipas rotativas e em espelho, que implicou a adoção de horários de trabalho exigentes que, com o prolongar da situação, implicaram um cansaço grande. Apesar de tudo, considero que respondemos de forma exemplar a este desafio e foi para nós uma vitória nunca termos parado. As pessoas foram incansáveis na forma como responderam e cooperaram a todos os níveis.
No que diz respeito à organização do trabalho, na fábrica, naturalmente, não foi possível adotar o regime de teletrabalho, tendo sido aplicado parcialmente na Garantia e Controlo da Qualidade e em maior escala nos serviços de apoio, como a Contabilidade, Informática, Logística e RH.
Em termos de acompanhamento da evolução da Pandemia e de comunicação criámos um grupo de coordenação que reunia inicialmente quase diariamente e, mais tarde, com o passar das semanas e estabilização da situação, semanalmente. Ainda hoje vemos necessidade de manter essas reuniões numa base semanal.
Ao nível da fabricação, não nos podemos queixar! Neste momento podemos afirmar com um elevado grau de confiança que iremos atingir o volume de encomendas que tínhamos projetado no início do ano. Mantivemos praticamente o ritmo de trabalho, naturalmente com um esforço maior, quer ao nível das operações, quer no que diz respeito ao custo de alguns materiais, nomeadamente o álcool, devido à sua escassez.

Os produtos do IBERFAR estão presentes nos mais diversos mercados. Assim, quão impactante se tornou a atual pandemia na atividade diária da empresa?
O principal impacto que a pandemia teve na atividade diária do IBERFAR foi o esforço adicional para recuperar os atrasos que resultaram da falta de princípios ativos necessários para o fabrico dos nossos medicamentos. Atrasos esses que resultaram da paragem prolongada da atividade nos países de origem, maioritariamente Índia e China, e da dificuldade de transporte pelo fecho dos espaços aéreos e do controlo de fronteiras no espaço da UE. Naturalmente que o esforço necessário para recuperar esses atrasos, e dar resposta aos nossos clientes no menor tempo possível, acabou também por trazer custos indiretos. Por último, mas não menos importante, o aumento de preços de alguns materiais pela escassez no mercado.

Com o próximo ano à porta, o que podemos esperar da Joana Ferraz da Costa e do seu papel enquanto Executive Board Member do IBERFAR?
Continuar a trabalhar com brio e afinco no sentido de respeitar as solicitações dos nossos clientes – quer em termos de qualidade, quer em termos de prazos de entrega, e alargar a nossa carteira de clientes. Pessoalmente quero continuar a estar próxima das pessoas, a crescer e a evoluir com os desafios que nos vão sendo apresentados diariamente!