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Ricardo Andrade

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ABANCA e Endesa assinam acordo de longo prazo para fornecimento de energia eólica na Península Ibérica

O ABANCA e a Endesa assinaram um acordo de colaboração de energias renováveis para cobrir a maior parte da procura de eletricidade da instituição financeira durante os próximos dez anos, com energia proveniente da Galiza. O contrato garante ao ABANCA o fornecimento de energia renovável a preços estáveis e implicará a construção de um novo parque eólico da Endesa na Galiza.

O acordo foi assinado na sede do ABANCA, na Corunha, pelo CEO da instituição financeira, Francisco Botas, e pelo Diretor-Geral de Comercialização da Endesa, Javier Uriarte.

“Este acordo permite-nos promover a sustentabilidade no nosso funcionamento enquanto organização, garantindo a origem local e renovável da energia que consumimos. Significa também a possibilidade de desenvolver novos projetos na Galiza num sector altamente tecnológico e estratégico”, disse o CEO do ABANCA, Francisco Botas.

O acordo “confirma o compromisso da Endesa e do ABANCA na sustentabilidade e é de grande importância na Galiza, uma comunidade à qual a Endesa tem estado historicamente ligada e na qual hoje queremos estar mais presentes do que nunca. Com contratos de compra e venda de energia a longo prazo, os grandes consumidores podem beneficiar de condições de fornecimento estáveis durante longos períodos, proporcionando certeza na gestão das suas necessidades energéticas, ao mesmo tempo que se comprometem com energias renováveis livres de emissões”, destacou o Diretor Geral de Comercialização da Endesa, Javier Uriarte.

O acordo entrará em vigor a 1 de janeiro de 2022 e é válido por dez anos. Durante este período, a Endesa fornecerá energia eólica ao ABANCA de forma a cobrir 70% da procura de eletricidade dos seus escritórios e sedes em Espanha e Portugal.

Durante toda a duração do acordo, a energia fornecida virá integralmente de parques eólicos localizados na Galiza. Inicialmente, será proveniente das instalações da Endesa já existentes na província de Lugo. A partir de janeiro de 2023, a energia será gerada por novas instalações renováveis da Endesa na Galiza que estão em processo de tramitação.

Quota do Bacalhau para 2022 aumenta 168%

Durante uma semana, decorreram intensas negociações entre a organização da NAFO e todas as Partes Contratantes, tendo estado também presentes Organizações Não Governamentais (ONG´s), Cientistas e Observadores diversos, entre os quais se incluíram os armadores nacionais com interesse nesta área de pesca.

Esta reunião, que se realiza anualmente, é de extrema importância para a frota de pesca portuguesa, que opera em águas internacionais, uma vez que visa estabelecer as possibilidades de pesca para o bacalhau, palmeta e cantarilho, espécies relevantes para a dieta alimentar dos portugueses.

As negociações foram difíceis, em particular, no que respeitava ao Bacalhau, mas os resultados finais foram positivos.

Com o apoio do representante da União Europeia e de algumas Partes Contratantes, foi possível manter as quotas das várias espécies com interesse para Portugal, acrescento o acordo para um aumento do Total Admissível de Captura de Bacalhau para 2022, o que permitiu o aumento da quota nacional para 784 toneladas.

No corrente ano a quota do Bacalhau era de 293 toneladas, pelo que o valor para 2022 representa um aumento de 168%.

Em 2022 a 44ª reunião anual da NAFO irá realizar-se em Portugal.

Alqueva Sunset: Vinhos do Alentejo promovem festa em barco, ao pôr do sol, com sushi e muita música

No próximo dia 02 de outubro (sábado), a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) promete um final de tarde memorável com o evento “Alqueva Sunset”. Às 18h00 é hora de embarcar no barco que está reservado para a festa na Amieira Marina (7220-999, Portel), no qual haverá sushi, música e, claro, provas de Vinho do Alentejo.

O “Alqueva Sunset” vai juntar turistas, produtores e enólogos a bordo para apreciar o pôr do sol naquele que é também uma das grandes atrações turísticas do Alentejo, o Alqueva, e dar a provar os vinhos Herdade dos Medeiros, Quinta do Paral, Herdade da Calada, Adega Cooperativa de Redondo, Adega Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito e Adega do Montado.

Já a gastronomia japonesa, com a assinatura do chef Kenzo, será servida ao som do DJ Bruno Silva, que promete animação garantida até as 21h00, momento do regresso da embarcação à Amieira Marina.

Sendo um evento limitado à capacidade do barco, todos os que pretendam embarcar no maior lago artificial da Europa deverão contactar a CVRA e garantir a inscrição, sendo que aos primeiros 50 inscritos é ainda oferecida a deslocação a partir de Évora (Avenida Doutor Francisco Barahona, junto ao Hotel D. Fernando) até à Amieira Marina.

BILHETE “ALQUEVA SUNSET”: €30 p.p. (inclui a viagem de barco, as provas de vinho e o sushi servidos durante a festa).

INSCRIÇÕES: helena.direitinho@vinhosdoalentejo.pt // 266746498

Participação da Câmara Municipal de Sintra no ciclo de entrevistas APPSIG – SIG nos municípios 

Os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) são uma ferramenta essencial à análise territorial e à tomada de decisão. A Câmara Municipal de Sintra disponibiliza um visualizador SIG onde podem ser consultados todos os planos territoriais em vigor, outros instrumentos de planeamento municipal de natureza estratégica, servidões e restrições de utilidade pública, bem como alguma informação genérica pertinente.

A partir do visualizador SIG são desenvolvidas operações que permitem a impressão de plantas, efetuar medições e outras mais simples, mas pertinentes, que estão acessíveis a qualquer utilizador, a partir do sítio da internet da Câmara Municipal de Sintra.

De que forma os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) têm influenciado a gestão municipal e as políticas de intervenção municipais promovidas pelo município de Sintra?

O SIG é um sistema transversal ao Município de Sintra, incindindo em diversas áreas de gestão municipal. Funciona de forma integrada na orgânica municipal, assumindo-se como uma infraestrutura de dados espaciais municipal, que se baseia em padrões normalizados de atuação.

A gestão integrada, com uma base de dados única, permitiu, para além da otimização de recursos e da agilização de processos, aceder e atualizar informação com maior facilidade (acessível a todos os departamentos em tempo real), reduzir redundâncias e erros, tornando a gestão mais eficaz.

Atualmente existem 30 visualizadores SIG, com informação nas mais diversas áreas como: ordenamento do território, urbanismo, infraestruturas, ambiente, cultura, educação, desporto e lazer, saúde, atividades económicas, ação social, mobilidade e transportes, segurança defesa e proteção civil.

Esta informação, disponível internamente, encontra-se acessível a todos os serviços, permitindo a consulta, edição e tratamento de dados, elaboração de cartografia temática, realização de estudos e apresentação de relatórios com fundamentação técnica, de forma célere e com maior fiabilidade, que sustentam o planeamento, a gestão municipal e consequentemente a tomada de decisões.

Existe, ainda, a possibilidade de efetuar operações com um grau de complexidade mais elevado, com licenças em software específico (SIG), acessível aos utilizadores com formação especializada, que permite realizar operações como análises de redes, análises espaciais matriciais e tridimensionais, interoperabilidade, as quais permitem efetuar relações entre os vários tipos de informação, essenciais para determinar carências ou até mesmo excedentes em áreas específicas do concelho.

Ao disponibilizar ao público a informação dos planos territoriais, potencia-se a intervenção do munícipe nas políticas municipais, munindo-o de informação fiável e credível para que a sua participação ao nível das políticas públicas territoriais possa ser cada vez mais válida e informada. Da mesma forma, ao recorrer a aplicações móveis para registo do munícipe de anomalias da manutenção urbana, tornamos a resposta a essas solicitações mais expedita, permitindo a identificação espacial das mesmas. Com esta identificação, é possível perceber a existência de clusters temáticos que permitem uma mais correta ação por parte dos serviços de forma a minimizar o impacto e a recorrência dessas anomalias, dando ao munícipe uma ação ativa no planeamento e na gestão territorial.

Desta forma, o SIG tem contribuído para uma gestão municipal mais eficiente e para uma tomada de decisões assertivas em função da missão a que o município se propõe.

Barómetro de Mobilidade da CarNext: Procura por carros usados cresce em Portugal como resultado do aumento da confiança e da transparência dos consumidores

CarNext, um dos principais marketplaces digitais B2C e B2B de carros usados da Europa, apresenta mais resultados do seu primeiro Barómetro de Mobilidade, onde revela que Portugal é dos países onde mais condutores afirmam utilizar carros usados. A mudança de comportamento dos consumidores na compra de carros usados e o aumento nas compras online têm origem em mais confiança. Entre as principais conclusões do estudo sobre a compra de carros usados estão:

  • 61% dos condutores entrevistados em Portugal optariam por um carro usado no caso de quererem comprar um carro agora. Destes, 29% compraram um carro usado nos últimos 12 meses, uma percentagem que aumenta para 36% no caso dos condutores na faixa etária dos 18-23 anos de idade, com apenas uma pequena minoria dos entrevistados recorrendo a leasing (1%).
  • É possível observar um crescimento semelhante no uso de carros usados em todos os países, com até 71% dos portugueses, 61% dos franceses e 59% dos alemães a afirmarem que conduzem principalmente carros usados.
  • 44% dos entrevistados (53% no caso da faixa etária dos 46-55 anos) afirmaram terem considerado comprar um carro usado nos últimos 12 meses. Esse aumento reflete-se especialmente nos jovens entre os 18 e os 35 anos, em que quase 80% afirma utilizar um carro usado.
  • Entre os motivos para comprar um carro usado, a vasta maioria (78%) dos condutores afirmam que a razão principal é a maior conveniência. Já 16% afirmaram que a compra é motivada principalmente pelo desejo de fazer viagens de um dia ou escapadinhas de fim de semana, e 3% comprariam um carro principalmente para utilização nos feriados mais longos.
  • 33% dos consumidores portugueses considerariam comprar um carro usado online. Mais de metade (60%) dos entrevistados afirmaram que essa escolha se deve principalmente à comodidade, considerando a possibilidade de comparar preços, ler avaliações e procurar informações sem sair de casa.
  • Em relação aos fatores que mais preocupam os consumidores na hora de comprar carro usado, 73% diz ter medo que o veículo avarie depressa, enquanto 34% teme que não venha de um vendedor reconhecido, e 33% foca-se na garantia.

Segundo Luís Lopes, Managing Director da CarNext em Portugal, “o Barómetro de Mobilidade da CarNext mostra que quase metade dos consumidores são mais propensos a comprar um carro usado hoje, em grande parte graças ao aumento da confiança do consumidor na fiabilidade e qualidade que os usados oferecem atualmente. O estudo também mostra um nível mais elevado de entusiasmo pela compra online de carros entre os Millenials e a geração Z, fortalecendo ainda mais as competências da CarNext como o fornecedor melhor posicionado para responder a essa tendência, graças à sua plataforma de tecnologia disruptiva, e ao valor adicional que oferecemos aos consumidores”. E conclui: “O crescimento do comércio eletrónico, que foi despoletado pela pandemia Covid-19, especialmente entre os consumidores mais jovens, cria uma oportunidade de longo prazo para expandir a nossa posição como líderes num espaço que se encontra perfeitamente adequado às necessidades atuais e futuras de mobilidade do consumidor.”

O que um livro pode fazer por si

«A leitura engrandece a alma»
 VOLTAIRE

A minha relação com os livros começou bastante cedo. Com a escrita também. Os livros e a escrita foram o refúgio quando tudo o que me rodeava parecia não fazer sentido.
Olho para determinadas obras como marcadores existenciais, tal como aquela música que nos faz recordar um amor do passado que o tempo não fez esquecer.
A trilogia que trago, para partilhar consigo, influenciou três momentos da minha vida pessoal e profissional (como se fosse possível destrinçar uma da outra). Lidos em momentos-chave, estes livros provocaram mudanças na forma de estar e de ver o mundo. Como dizia Henry David Thoreau: «Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro». Subscrevo de coração.

«Quem mexeu no meu queijo», de Spencer Johnson 

Foi-me sugerido por um dos meus primeiros mentores no início da minha carreira, gestor francês de topo, que enxergou em mim potencial que eu desconhecia. Tinha vinte e cinco anos, acabadinha de sair da faculdade, total inexperiência para enfrentar o mundo empresarial… Com esta obra aprendi a gerir a mudança, as expetativas e a olhar para a realidade por um caleidoscópio diferente.
A história? Muito simples: dois ratos e dois duendes vivem num labirinto, em eterna busca por um queijo, a metáfora perfeita daquilo que se deseja na vida, seja dinheiro, relacionamento amoroso, bom emprego, paz espiritual ou saúde, que nos alimenta e traz felicidade… «Quem mexeu no meu queijo» fez o clique, acabou por guiar toda a minha carreira profissional e conduziu-me de forma subliminar até onde desejava: a um cargo de direção.

«Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas», de Dale Carnegie 

A leitura deste livro aconteceu há cerca de oito anos, na fase em que optei pelo empreendedorismo. Depois de ter chegado «ao topo» da carreira à custa de muitos sacrifícios pessoais, incluindo o adiado sonho da maternidade, este livro revelou-me um caminho que já estava em mim, mas carecia de ser consolidado: precisei de ler o óbvio para o óbvio se manifestar.
Dale Carnegie demonstra-nos que o êxito tem pouco que ver com conhecimentos profissionais — o mundo pertence a quem consegue expressar as suas ideias, assumir a liderança e entusiasmar os outros. «Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas» explicou-me a chave do êxito em qualquer atividade profissional: o relacionamento pessoal.
Publicada em 1937, ainda hoje atual, esta obra começa com as três técnicas fundamentais para lidar com as pessoas, e logo a seguir propõe seis formas de fazer com que os outros gostem de nós, doze maneiras para convencer e nove para liderar. Pode parecer algo «frio ou calculista», mas o grande segredo para que estes ensinamentos funcionem é amar o que se faz, ser autêntico em todos os momentos, demonstrando as nossas forças e as nossas fraquezas, aprendendo a olhar, a escutar o outro de forma genuína, sem egos. Transporto estes conhecimentos comigo sempre que inicio uma nova turma, quando falo para uma ou para duzentas pessoas.

«As Quatro Verdades», de Don Miguel Ruiz 

Foi-me sugerido por uma das minhas formandas do IEFP, do módulo de Escrita Criativa. Pela forma entusiástica como falou, não hesitei em comprá-lo. Foi das minhas leituras mais recentes. Depois de ler, refleti bastante sobre o seu conteúdo e assimilei muitos dos conhecimentos. Partilho consigo parte da sinopse oficial: «Quando acabar de ler este livro, verá que o Universo vai continuar na mesma. Haverá injustiça, dor, sofrimento — como sempre houve. E também céu e estrelas e amor e felicidade. O seu mundo, porém, nunca mais será o mesmo. As Quatro Verdades vão crescer dentro de si, criar raízes e ficar na memória. A princípio nem notará. Mas em momentos inesperados, como uma discussão em casa, vai lembrar-se delas e sentir-se absolutamente livre. Vai perceber que todas as palavras que diz têm um enorme impacto — e dirá apenas as palavras certas (1.ª Verdade). Aprenderá a ficar imune aos sentimentos negativos das pessoas com quem se dá (2.ª Verdade). Passará a saber exatamente o que pretende dos outros e o que os outros esperam de si (3.ª Verdade), e aprenderá a dar sempre o seu melhor (4.ª Verdade).» Mais uma vez, o óbvio atinge-nos com uma força tremenda, quando espelhado nas páginas de um livro.

Como afirmou Agostinho da Silva: «Escrevendo ou lendo nos unimos para além do tempo e do espaço, e os limitados braços se põem a abraçar o mundo; a riqueza de outros nos enriquece a nós. Leia.».
Tudo isto — e muito mais — um livro poderá fazer por si.

“O certo e o errado para mim não existem. Se para mim faz sentido eu vou e faço”

Quem é a Maria Inês Rodrigues?
A Inês Rodrigues é uma jovem mulher lutadora, ambiciosa de uma forma saudável e muito sonhadora, insisto todos os dias em fazer da minha meta o meu sonho com um prazo.
Não sou feliz todos os dias. Os meus sorrisos nem sempre são verdadeiros, o meu olhar nem sempre transparece serenidade, o meu corpo nem sempre está onde quer estar, mas o meu coração… esse sempre esteve e estará onde ele quiser. Por essa mesma razão considero-me muito verdadeira. A verdade vem sempre do coração e esse tem o poder de bater por conta própria.

Como surgiu o gosto pela escrita?
O gosto pela escrita vem desde sempre, já desde muito novinha que escrevo os meus textos, mas só agora decidi tirar, entre aspas, esse sonho da gaveta e tentar alcançá-lo de uma forma positiva. Acredito que vem do potencial de cada um e diante disso encontrei meios para a prática da escrita ser completamente prazerosa para mim, apontando claro, a lucidez como um caminho a ser explorado para alcançar o objetivo. Fui aprendendo que é extremamente necessário escrever o mais possível como se falasse. Tenho ideia que nós jovens devemos cada vez mais expor as nossas ideias e opiniões, no meu caso realço claramente, a importância do amor próprio no livro. Acredito que o que é escrito não se perde e por isso torna-se mais fácil fazer os outros ouvir. Em relação à simpatia pela escrita sobre o amor, é porque acredito, e quero muito continuar a acreditar, que é o amor que nos mantém vivos e que nos move, seja ele de que natureza for. Neste livro existem frases que realmente martelam a mente de tão cheias que são, por isso é que para mim escrever é mágico, conseguir chegar a alguém, chegar à outra pessoa, servir de exemplo (ainda que seja fictício) é maravilhoso. Desde muito nova que ambiciono lançar um livro meu, dizem que os sonhos comandam a vida desde então deixei de ser eu a decidir, mas sim esses sonhos. A razão pela qual a escrevi passa mesmo pelo facto de ser apaixonada pelas palavras. Acho que elas têm um poder inferior aos gestos, mas não deixam de ter uma enorme importância. Sempre achei que ao escrever sentimos com mais verdade e acredito que do outro lado, os leitores, soletram cada letra e devagarinho vai entrando na cabeça. “Uma chance ao destino” será o primeiro de muitos projetos de vida e tal como o livro descreve a Maria decidiu renascer do passado e acho que todos nós devemos renascer do mesmo, não nos amarrarmos tanto ao que já foi, isso não nos acrescenta nada, só nos magoa, só faz com que juntemos nó por nó para que assim consigamos sobreviver e não é isso o especulado. Durante o processo de elaboração do livro cresci muito, a mulher que sou hoje já não é aquela menina que escreveu a primeira palavra no livro. Acho que á maneira que ia escrevendo, ia-me apercebendo da importância do amor, a importância de ter as pessoas certas ao nosso lado. A grande lição que eu tiro deste livro é: prefiro ter a carteira cheia de amor do que cheia de dinheiro. Prefiro ser do que ter. Vencer na vida é claramente ter o coração cheio de amor e paz.

Quanto à história do livro, onde foi buscar a inspiração?
O livro “Uma chance ao Destino” não relata nada pessoal. Relata a história de uma mulher que como muitas outras, e sim posso dizer que a inspiração vem do que oiço de outras mulheres, aceitou uma mão cheia de nada a troco do seu coração quando subitamente aprende que o amor-próprio tem de prevalecer.
Com o início da Pandemia e o recolhimento a que todos nós fomos sujeitos, a escrita acabou por ser o meu escape. Acabei por verter os meus sentimentos nas palavras e a história surgiu, como e se estivesse á espera de brotar, muito naturalmente e com algum despojamento. Mas, sendo eu muito realista, acredito que escrevi com a lucidez que me é natural, já com um objetivo traçado.
O amor-próprio é a chave desta história, algo que na minha geração acaba por estar abafado. Sempre fui apaixonada por ler, sempre li muito e eu própria fui a minha professora no que diz respeito á escrita. Neste meu primeiro livro, porque acredito que este é apenas o início do trilho, lavei a minha alma. Acabei por me despojar da morte do meu tio, que faleceu quando eu ainda era criança e não estava preparada para a frieza da morte, principalmente de um ser que eu admirava, que era o sinónimo de ser boa pessoa. Morreu de uma doença que se revelou fatal e, com a criação deste livro e desta personagem, acabei por libertar todos os sentimentos, toda a angústia que ficou a obstruir o meu ser. Por essa mesma razão este livro é dele e para ele. Há pessoas que nunca vão embora da nossa vida mesmo que já tenham ido.

A comunicação é uma área que a fascina também, de que forma?
A comunicação fascina-me muito, sim. Na altura de ingressar no ensino superior eu estava em dúvida entre comunicação e solicitadoria. Optei pela segunda, mas sem nunca descartar a ideia que um dia iria tirar algo relacionado com a comunicação. A pandemia fez com que eu tivesse mais tempo livre, mais tempo para mim e foi mais por aí. Nessa altura vi que a Teresa Guilherme estava a abrir uma turma com pouquíssimas vagas onde também trazíamos o diploma e inscrevi-me. Felizmente consegui a minha vaga, foi um curso onde aprendi muito e sendo a Teresa, para mim, uma referência no que diz respeito á comunicação saí daquele curso muito mais realizada. Acredito que o maior segredo é voar sem ter medo de partir uma asa pelo caminho e eu voei. Só temos uma vida, mas temos várias chances para mudar o rumo da mesma, enquanto eu não souber o meu destino estarei sempre á altura de desafiar a vida e foi o que eu fi mais uma vez. Sonhar é a primeira parte do processo e eu sou realmente muito sonhadora e acredito muito em mim. O certo e o errado para mim não existem, se para mim faz sentido eu vou e faço.

Quando escreve, qual é a parte mais fácil? E a mais difícil?
Para mim escrever é muito fácil, aliás sou realmente feliz a fazê-lo. O mais difícil é mesmo trazer aquilo que escrevemos para o mercado, principalmente quando ainda se é anónima como eu nesta estreia.
Tive de derrubar algumas barreiras pelo facto de ser jovem. Uma jovem de 21 anos. A lançar um livro foi novo para muitos editores e o medo deles era investir em alguém que não valesse a pena. Tive várias propostas, mas sendo eu uma pessoa ainda anónima, pediam preços sempre muito altos, por medo.
Aponto ainda a falta de interesse pelos jovens talentos, refiro-me ao facto de muitas editoras me perguntarem se eu tinha algum antecedente escritor pelo tal receio de investir em novatos.

O que trata o seu livro “Uma chance ao destino” e o porquê da escolha deste título?
“Uma chance ao Destino”, relata a história de uma mulher e do seu destino, as reviravoltas da vida e o que aprendemos com ela.
O leitor neste livro pode esperar verdade. Apesar de esta história não ser pessoal, relata a história verídica de muitas mulheres e homens na nossa sociedade, refiro-me claramente á falta de amor-próprio. Se uma pessoa não se amar, dificilmente o outro conseguirá fazê-lo por ela, ou seja, por vezes aceitamos pouco com o medo de não termos nada pela razão óbvia… nem nós sabemos o quanto valemos quando o amor pelo outro se sobrepõe ao próprio.
Não espero passar uma mensagem, mas sim várias com este livro. Fiz questão de em cada capítulo, pelo menos, conseguir transmitir uma mensagem clara e objetiva ao leitor.
Posso é dizer que o amor-próprio é a chave desta história, algo que na minha geração acaba por estar abafado.
Este título surgiu porque acredito muito no destino. Passei uma fase complicada da minha vida e do nada começou tudo a dar certo, até aquilo que eu achei mau na altura me trouxe até às coisas boas, por isso nada melhor que intitular o meu primeiro livro com “Uma chance ao Destino”.

Tem recebido feedback bastante positivo sobre o seu livro, certo? Como se sente? Esperava que tantas pessoas partilhassem e dessem a conhecer o seu livro?
Sim, posso dizer que o feedback que tenho recebido tem sido positivo e por isso sinto-me realizada e feliz.  Honestamente já esperava que muita gente fosse gostar, relata uma história comum, relata a dor de perder alguém que amamos e acho que muita gente comprou por se rever nesse sentimento. É bom sabermos que não “acontece só a nós” e quem comprou este livro, tenho a certeza que não se sentiu tao sozinha/o. Durante a escrita procurei ser o espelho das outras pessoas e acho que resultou bem. Conseguir ajudar alguém, ainda que de uma forma fictícia é maravilhoso.
Aquilo que eu não esperava é que chegasse a outros países, pelo menos não tão rápido. O livro foi apresentado nas prateleiras portuguesas em maio e hoje, em junho, já está á venda em mais dois países (Espanha e Brasil). Estou muito feliz.

Como se sente por, aos 21 anos, conseguir receber o título de escritora?
Sinto-me grata. Estou muito grata à vida por me ter dado esta oportunidade e claro, estou grata a todos aqueles que acreditaram em mim e confiaram no meu trabalho.

Por último, pensa continuar a escrever? Já há alguma ideia na forja?
Continuar a escrever é uma certeza que eu posso assegurar, adoro escrever e não fazia sentido nenhum deixar de o fazer só porque já lancei um livro.
Posso dizer que já tenho uma vaga ideia de como será o segundo, mas ainda com “muitas pontas soltas”. Neste momento quero viver este momento e não quero muito pensar já no próximo. Gosto de disfrutar de cada vitória da minha vida.

“A pandemia veio reforçar ainda mais a importância capital deste setor”

Qual tem vindo a ser a estratégia e abordagem por parte da GoContact, em criar condições para apoiar os seus colaboradores em todos os processos que visem o desenvolvimento das suas atividades de Contact Center?
A estratégia da GoContact tem passado pela formação contínua e por dotar todas as nossas equipas com condições e ferramentas de trabalho de excelência. Outro vetor desta estratégia é integração de vários estudos junto dos nossos de clientes, sobre User Experience, Customer Experience no desenvolvimento das nossas soluções, para que todos os StakeHolders possam usufruir sempre de uma experiência de máxima qualidade.

Podemos afirmar que, apesar dos desafios existentes, o teletrabalho se tem revelado do agrado dos colaboradores? Que motivos fomentam esta ideia?
Sim, no caso da GoContact o teletrabalho tem-se revelado extremamente positivo para os nossos colaboradores. Momentos constantes de feedback 360º revelam que o teletrabalho permite um equilíbrio ainda maior e melhor entre o trabalho e a vida pessoal. Este fator potenciou, ao mesmo tempo que aumenta o nível de satisfação pessoal, um aumento da produtividade. Naturalmente acreditamos que de futuro, irá prevalecer uma solução híbrida entre o trabalho remoto e o trabalho presencial para, entre outros, fortalecer o espírito de equipa, uma maior partilha de conhecimento e o reforçar do que chamamos orgulhosamente de ADN GoContact.

Este setor em Portugal, tem um potencial empregador muito elevado e que constitui um nicho de mercado competitivo a nível internacional. Que vantagens existem no mercado português, comparativamente a outros e que a GoContact visualiza?
O bem receber dos portugueses, sermos um país seguro (o quarto país mais seguro do Mundo), o nosso clima, alimentação e boas condições de vida, tornam-nos muito atrativos para atrair pessoas de outros países para virem trabalhar para este setor em Portugal.
A qualidade no nosso capital humano é outra das nossas grandes vantagens competitivas! Um excelente exemplo dessa qualidade, verificou-se agora com a fusão da GoContact com a norte-americana Broadvoice, em que o centro de desenvolvimento do grupo vai ser em Portugal, em Aveiro. É uma clara evidência do reconhecimento Internacional das nossas capacidades.

Entre os vários desafios impostos pela pandemia que vivemos atualmente, o teletrabalho é um tema que se tem destacado. Sendo que a GoContact é hoje, mais do que nunca, uma organização internacional, quais diria que são as maiores dificuldades na adoção deste formato?
Uma das grandes dificuldades para algumas empresas, resultou da utilização de tecnologias que não permitiam que os seus colaboradores pudessem trabalhar em qualquer local, ficando obrigados a estar presencialmente nas instalações da empresa.
No caso dos nossos clientes, como todas as nossas soluções são nativamente Cloud, a transição do presencial para o remoto foi totalmente transparente, sem qualquer disrupção de serviço, mantendo todas as funcionalidade e mais valias, não só para os agentes mas também para os supervisores e responsáveis das operações.
Para a GoContact, mais do que as dificuldades, a pandemia foi um acelerador e um dinamizador da nossa internacionalização. O trabalho remoto e a adoção em pleno de ferramentas colaborativas, tornaram não só a integração de novos colegas, em novas geografias, muito mais direta e simples, como também tornou os processos comerciais muito ágeis, permitindo-nos chegar ao contacto com mais clientes de forma mais rápida.

Quão importante é, para a GoContact, enquanto importante organização do setor dos Contact Centers, ter a oportunidade para a revisão da legislação do setor onde atua e reconhecimento do seu importante papel na sociedade e em Portugal?
Até por tudo o que já falámos, este ponto é de enorme importância. É muito relevante que o enquadramento legal permita agilizar cada vez mais a atuação dos vários intervenientes deste setor, desde os prestadores às tecnológicas como a GoContact, quer para a valorização do capital humano de grande qualidade que trabalha neste setor, quer também para ajudar na captação de investimento estrangeiro e no apoio à internacionalização das nossas empresas.

Certo é, o mercado está cada vez mais exigente – e no setor dos Contact Centers não é diferente. Com a evolução tecnológica, os profissionais precisam de se adaptar à nova realidade e, para isso, é mandatório estar por dentro das tendências futuras. Assim, o que se pode esperar no futuro deste setor?
A pandemia veio reforçar ainda mais a importância capital deste setor para as empresas e para as pessoas. Tendo sido um dos setores que mais rapidamente e melhor se adaptou ao teletrabalho, deu um sinal fortíssimo que está vivo e que é uma peça fundamental da evolução da economia. Relativamente ao futuro, que na verdade já é presente, a grande evolução é a incorporação da Inteligência Artificial nos processos e na relação com o cliente. Tecnologias como a IVR Natural e automação de processos estão a revolucionar a forma como as empresas comunicam com os seus clientes e lhes proporcionam experiências cada vez mais eficazes. Vão permitir também que os agentes de contact center se foquem cada vez mais em processos de valor acrescentado. O setor dos contact center está claramente na vanguarda tecnológica e será um dos grandes dinamizadores da recuperação económica no pós-pandemia!

“Os nossos Associados são criadores de riqueza, para as suas Empresas e para o País”

A Associação Portuguesa de Contact Centers tem, desde a sua criação, assistido a um setor e a um mercado com inúmeras evoluções. Assim, como nos pode descrever o papel que a APCC tem tido até então, na sua missão de criar e fortalecer riqueza nacional?
A APCC é uma Associação constituída há 17 anos, num período de profundas transformações desta atividade.
Na nossa perspetiva, as Associações existem para defender e representar os seus Associados e para promover o desenvolvimento sustentável das atividades que representam. E isso é conseguido de diversas formas, mas começa sempre com uma vontade de acelerar mudanças, voluntariedade em participar nessa mudança e, não menos importante, ter uma estrutura que o possa fazer acontecer com mais efetividade
A APCC fez esse caminho e hoje é uma Associação liderada por uma Direção composta por alguns Associados eleitos, que trabalham de forma voluntária e apoiada por uma estrutura orgânica leve, mas sólida e ativa.
Atualmente com cerca de 100 Membros, Empresas e Instituições de setores de atividade económica como os Seguros, as Telecomunicações, a Banca, as Utilities, o Comércio e os Serviços, entre outros, a APCC representa não apenas Contact Centers, internalizados ou mistos, mas também fornecedores de serviços de Contact Center – Outsourcers, de Tecnologia, Consultoria, Formação e outros serviços.
Esta Indústria, na qual trabalham mais de 100.000 profissionais, distingue-se pelas suas práticas organizacionais, gestão de equipas, gestão de Clientes, gestão de infraestruturas de suporte. Muito em particular, distingue-se pela utilização de Tecnologia, predominantemente desenvolvida por Empresas nacionais ou operando no nosso país, com um elevadíssimo nível, reconhecido internacionalmente.
Os nossos Associados são criadores de riqueza, para as suas Empresas e para o País e cabe à APCC promover as suas atividades, fortalecer as condições envolventes para o seu sucesso e difundir as melhores práticas.
Há sempre caminho e novas ações para desenvolver.

Qual tem vindo a ser a estratégia e abordagem por parte da APCC, em criar condições para apoiar os seus associados em todos os processos que visem o desenvolvimento das suas atividades de Contact Center?
Uma dimensão importante de esforço contínuo para o fomento de boas práticas e o crescimento do conhecimento do que melhor se faz no Setor começa com as ações que fomentam o contacto entre os Associados e eventos de divulgação, dos temas relativos aos fundamentais, mas também ao que mais importante se coloca no momento, ou como tendência crescente. Temos promovido eventos anuais regulares, como webinares, conferências anuais e entrega de prémios de reconhecimento.
E cabe aqui destacar, pela sua relevante importância, a certificação do Selo da Qualidade APCC, ferramenta fundamental para a difusão das boas práticas e para apoiar o procura pela excelência no desempenho das operações.
Suportada em exigentes auditorias, que observam cerca de 178 diferentes indicadores de performance, esta certificação é o garante da manutenção de uma atitude de melhoria contínua nos mais variados aspetos da atividade de um Contact Center.
Como parte muito importante no seu papel de representação dos Associados, não pode deixar de se destacar os contactos com a Tutela e com a Assembleia da República, sobre as questões e temas mais relevantes para a Indústria, como foi exemplo recente a audição acerca das discussões sobre teletrabalho e direito de desligar.

A APCC afirma que este setor em Portugal, tem um potencial empregador muito elevado e que constitui um nicho de mercado competitivo a nível internacional. Que vantagens existem no mercado português, comparativamente a outros?
O mercado português é atrativo a vários níveis. É sabido que várias Empresas instalam os seus serviços partilhados em Portugal, porque combinamos uma população com bom nível de formação, condições agradáveis de se trabalhar, profissionais disponíveis, salários e custo de vida relativamente mais baixos quando comparados com muitos países próximos, entre outros fatores com menor peso. Em simultâneo, cresceram os serviços de Contact Centers profissionais que prestam serviços em Portugal para o resto do mundo.
Estas atividades são de facto importantes exportadores de serviços e tiveram um papel fundamental no crescimento do setor em Portugal nos últimos 10 anos, com especial impacto positivo para a nossa economia. Hoje, mais de 50% dos Contact Centers trabalham para outros países e elevaram as competências das pessoas que trabalham no setor, como, por exemplo, o conhecimento de línguas. Também isso fez elevar os salários, o que muito gostamos de assinalar. Quanto mais competências, mais valorizadas as pessoas são, e melhores salários auferem. É isso que é necessário fomentar. Os baixos salários são sinónimos indesejáveis de competências pouco relevantes ou indistintas. Educação e formação são fundamentais em qualquer setor e aqui também o é. É uma aposta que está na nossa agenda também.

Entre os vários desafios impostos pela pandemia que vivemos atualmente, o teletrabalho é um tema que tem destacado grande importância. Sendo que a APCC é hoje, mais do que nunca, um elo de ligação e comunicação entre empresas e colaboradores, quais diria que são as maiores dificuldades na adoção deste formato?
O teletrabalho já era praticado no Setor antes da pandemia, com pouca expressão, é certo. O Setor é altamente suportado em tecnologia, muito organizado, como é natural em ambiente onde muitas pessoas trabalham, pelo que foi necessário e possível de forma, quase instantânea, que 90% do setor ficasse a operar em teletrabalho, por força da pandemia. Mas nem tudo se revelou ideal, como é natural. O tempo rapidamente trouxe necessidades que não eram evidentes logo nos primeiros tempos. Por exemplo, nem todas as pessoas têm condições físicas ideias para trabalhar em casa, nem todas as pessoas conseguem estar isoladas muitos dias sem iteração com outras pessoas, as Empresas perdem a iteração social e as ideias que surgem nas conversas, mesmo que informais, e que são um autêntico capital invisível que alimenta uma organização de ideias e conhecimento. As ferramentas de comunicação e colaboração entre os Operadores e as suas chefias não eram as ideais, em muitos casos, entre muitas outras considerações, nomeadamente a discussão dos custos e o direito ao desligamento, que é importante.
Por isso, surge um equilíbrio, que é o teletrabalho parcial ou híbrido, que julgamos que veio para ficar, mesmo neste Setor. O teletrabalho a tempo integral serve um segmento mais restrito de profissionais e julgamos que assim continuará como tendência. Há muitas oportunidades de beneficiar ambas as partes num regime mais híbrido, com regras.

Podemos afirmar que, apesar dos desafios existentes, o teletrabalho se tem revelado do agrado dos colaboradores? Que motivos fomentam esta ideia?
Julgo que há unanimidade em sondagens de opinião que as pessoas que usufruíram ou ainda usufruem dessas condições forçadas de teletrabalho decorrente da pandemia, gostariam de continuar, num regime híbrido. A poupança de horas de deslocação é um enorme atrativo. Em Portugal e nos grandes centros urbanos, muitos profissionais de Contact Center gastam 2 ou mais horas por dia, apenas em deslocação. Penso que tudo o resto é relativamente secundário: as pessoas a consumirem 2 horas, que seja por dia, é brutal. Multipliquem isso e resultam meses ou anos de vida perdidos.

Quão importante é, para a APCC, enquanto voz e visão do setor dos Contact Centers, ter a oportunidade para a revisão da legislação e reconhecimento do seu importante papel na sociedade e em Portugal?
É um enorme reconhecimento do trabalho de alinhamento e promoção pelo Setor que tem sido desenvolvido. Há sempre muito para fazer, é certo.

Certo é, o mercado está cada vez mais exigente – e no setor dos Contact Centers não é diferente. Com a evolução tecnológica, os profissionais precisam de se adaptar à nova realidade e, para isso, é mandatório estar por dentro das tendências futuras. Assim, o que se pode esperar no futuro deste setor?
É, e sempre foi, um setor muito tecnológico. A conectividade com os Clientes finais e o apoio aos seus profissionais, a tecnologia ao serviço da organização e gestão de equipas e também ao serviço do profissional para dar resposta aos Clientes finais, é extraordinária. Sem dúvida que há automações e processos muito mais evoluídos digitalmente nos últimos anos mas, com essa tendência, o fator humano ganha mais destaque porque fica com as questões mais complexas.
Novas funções apareceram e não se vê um declínio de número de profissionais neste setor, que muitas vezes é apontado como tendência. Pode haver, pontualmente em setores tradicionalmente muito contacto intensivo, como é o caso das Telecomunicações, mas há efeitos substituição de novas necessidades que emergem, tanto por força de novas indústrias e negócios que exigem uma componente de relacionamento com o Cliente, como também é muito verdade que nem toda a digitalização envolve uma automação radical. É muito raro isso acontecer. Pode acontecer que a perceção seja essa, e é compreensível.
Alguns destaques que são uma realidade: os chats bots, ou os assistentes virtuais, integrados com a utilização de produtos e serviços para melhorar a experiência do Cliente final, a utilização dos dados e modelização de grande volume de dados para o apoio à decisão, conhecimento, e que permite abordagens inteligentes de gestão de Clientes. Do lado da tecnologia de conectividade e funcionalidades de apoio à gestão dos próprios Contact Centers, nem preciso dizer dada a enorme visibilidade que têm: as Empresas portuguesas são referências internacionais, o que muito nos orgulha.
Em suma, o caminho neste setor é continuar o alinhamento contínuo da tecnologia, que continuará a evoluir, como sempre aconteceu, com as práticas e as exigências de gestão de pessoas que são profissionais do Setor, que fazem parte de uma abordagem industrial, no seu sentido positivo, em que possibilita às empresas relacionarem-se com os seus Clientes, ou potenciais Clientes, e parceiros.

Contratação Pública em destaque

No seu ponto de vista, e enquanto Inspetor-Geral de Finanças, qual é a importância da Contratação Pública?
A contratação pública configura uma área estruturante da gestão pública, atento, desde logo, o peso que a respetiva despesa representa no orçamento das administrações públicas, calculando-se que o seu valor corresponda a mais de 16% do PIB da União Europeia.
Em Portugal e tomando como referência o ano de 2019, para evitar enviesamentos decorrentes da pandemia decorrente do COVID-19, a aquisição de bens e serviços correntes e de bens de capital nas entidades integradas no perímetro orçamental, superou os 18 mil milhões de euros (valores da Conta Geral do Estado), representando mais de 11% da despesa daquelas entidades.
O quadro legal que rege esta matéria tem subjacente a prossecução de princípios essenciais ao funcionamento e consolidação do mercado único europeu, v.g., a concorrência, a igualdade e a transparência, sendo igualmente de sublinhar o relevante papel de alavancagem de políticas transversais, designadamente nas áreas sociais e do ambiente.

Acredita que, ao longo dos anos, se tem inovado positivamente os processos de Contratação Pública, de modo a atingir os níveis de desempenho desejados? O que se tem vindo a modificar?
Sim, o quadro legal aplicável tem tido uma evolução que considero globalmente positiva, de onde ressaltam claramente os aspetos de inovação em matéria procedimental.
Sem querer recuar demasiado no tempo, é incontornável o marco que representa a aprovação do Código dos Contratos Públicos, em que pela primeira vez foi concentrado num único diploma, a disciplina aplicável à contratação pública e o regime substantivo dos contratos públicos que revistam a natureza de contrato administrativo.
Destaco ainda a inovação que representou a aposta no e-procurement, onde Portugal foi pioneiro, enquanto importante instrumento de maximização da transparência nos procedimentos pré-contratuais e que, em nossa opinião, deverá ser ainda alargado, tornando-o obrigatório mesmo nos procedimentos não concorrenciais, pelo menos os de valor mais elevado.
Ainda na ótica da transparência, não poderei deixar de referir o Portal BASE, repositório da grande maioria dos contratos públicos, tornando tal informação acessível ao escrutínio de qualquer cidadão.
Há, com certeza, ainda um caminho a percorrer, designadamente no que se refere à utilização de determinados tipos de procedimentos vocacionados para a inovação, naturalmente desde que verificados os pressupostos para o recurso aos mesmos, que atualmente têm uma expressão residual, desde logo, a relativamente recente parceria para a inovação mas, também, o já não tão recente diálogo concorrencial.

Há quem afirme que existem dificuldades claras no que diz respeito ao formar e gerir os grandes Contratos, de forma eficaz e eficiente e, simultaneamente, imunizá-los em relação a problemas, como por exemplo, de corrupção. Concorda? Porquê?
Desconhecendo o contexto em que foi proferida e a autoria da afirmação, torna-se difícil concordar ou discordar simplesmente da mesma, sendo prudente evitar generalizações que, em regra, não são desejáveis. Se é verdade que uma maior dimensão financeira consubstancia um fator de risco, tal não significa forçosamente que tal risco se concretize em procedimentos desconformes ou mesmo ilegais.
Aliás, quanto maior o projeto, também maior será o escrutínio a que o mesmo está sujeito. Desde logo numa fase preliminar, através do controlo efetuado pelo Tribunal de Contas em sede de fiscalização prévia, mas também pela atuação dos órgãos de controlo da Administração Pública, não esquecendo a cada vez mais presente e salutar atenção por parte, por exemplo, da comunicação social e dos cidadãos em geral.
O próprio Código dos Contratos Públicos tem vindo a densificar os mecanismos de acompanhamento e controlo da execução dos contratos, de que é exemplo a implementação da figura do gestor do contrato que, aliás, já configurava uma boa prática precisamente em grandes projetos públicos, ainda antes da sua consagração normativa.
Por último, importa referir que a dimensão financeira não é, de forma alguma, o único fator de risco na contratação pública. Existem inúmeros sinais de alerta, que poderão ocorrer em procedimentos de menor expressão financeira, tais como explicado na nossa brochura sobre a Gestão dos Riscos em Contratação Pública, disponível em https://www.igf.gov.pt/aigf/primeirapagina/IGF_91_Anos_Gestao_dos_Riscos_na_Contratacao_Publica.pdf

Que mitos ainda existem por desconstruir no que concerne ao Código dos Contratos Públicos?
Vários, mas atrever-me-ia a dizer que a maioria deriva de um deficiente conhecimento do regime legal no mesmo contido. Este é, de facto, um dos principais problemas com que a área da contratação pública se debate, ou seja, a insuficiente capacitação dos trabalhadores que lidam com estas matérias, preocupação, aliás, partilhada por diversas entidades, com destaque para a Comissão Europeia.
Destacaria ainda a ideia, a meu ver errada, de que o recurso reiterado a procedimentos não concorrenciais, é consequência da morosidade e complexidade dos procedimentos abertos ao mercado.
Recordo, a título de exemplo, que um concurso público sem publicidade internacional pode ter um prazo de apresentação de propostas de apenas 6 dias e que a peça-chave de qualquer procedimento, o caderno de encargos, tanto tem de ser elaborado num concurso público, como num ajuste direto e um bom caderno de encargos é essencial para garantir a adequada execução do contrato e a qualidade, eficiência e eficácia de todo o processo.
Ao não abrir ao mercado a possibilidade de apresentação de propostas, as entidades adjudicantes estão, na maioria dos casos, a comprar em condições mais desvantajosas, com evidente prejuízo para o interesse público.

Recentemente foram aprovadas as alterações ao novo Código dos Contratos Públicos. Que medidas serão aplicadas consoante o novo CCP? Na prática, o que irá mudar?
A revisão efetuada corrigiu algumas imprecisões de que padecia o articulado do Código, sendo de salientar igualmente o reforço dos aspetos relativos às garantias de imparcialidade e à adoção de medidas adequadas para impedir, identificar e resolver eficazmente os conflitos de interesses, a densificação e clarificação de determinados regimes, de que são exemplo os aspetos relativos ao gestor do contrato.
No entanto, existem também alguns focos de preocupação, designadamente no que se refere à compatibilização com o Direito Comunitário de certas disposições, designadamente as relativas a preferências regionais e aos contratos reservados a PME’s.
Para além disso, continuam a existir matérias que carecem de atenção do legislador, das quais salientamos a premente revisão do regime de realização das despesas públicas, que ainda se rege por um diploma de 1999 (com os valores em contos) e a necessidade de incorporar no Código uma norma que imponha às entidades adjudicantes a elaboração de verdadeiros planos de compras, já que a ausência de planeamento, é, em nossa opinião, a causa esmagadoramente maioritária das desconformidades detetadas nos procedimentos de contratação pública.

Acredita que estas alterações vêm simplificar e acelerar os processos de Contratações Públicas? Quais são as expetativas para o futuro dos mesmos?
A expectativa é essa. Contudo, como sabem, uma entidade de controlo desenvolve o seu trabalho com âmbitos temporais normalmente correspondendo aos 2/3 anos anteriores, pelo que só daqui a algum tempo poderemos efetivamente aferir quais os impactos que estas alterações tiveram na prática.
Não obstante a questão que me é colocada se refira explicitamente às alterações ao CCP, julgo que, nas entrelinhas, estaria também presente a ideia de nos pronunciarmos sobre as medidas especiais de contratação aprovadas em simultâneo com estas alterações.
Sobre estas, numa perspetiva puramente técnica, poderei dizer que, entendendo as razões de simplificação e agilização de procedimentos que subjazem à sua promulgação, as mesmas suscitam algumas dúvidas, fundadas numa eventualmente excessiva limitação da concorrência, que enquanto entidade de controlo não podemos ignorar.

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