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Ricardo Andrade

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“Queremos continuar a ser uma empresa de referência no mercado nacional”

A ALL WAYS CARGO PORTUGAL é hoje um dos principais players no domínio do mar e outros, sendo um prestigiado elemento deste setor que tem vindo a perpetuar uma dinâmica positiva e de qualidade no setor. No sentido de contextualizar, como tem vindo a ser realizado este périplo da marca no sentido de aportar valor ao mercado?
A empresa tem desenvolvido nos seus 27 anos de existência uma aposta forte na diversificação dos mercados internacionais em várias áreas geográficas o que nos permitiu um crescimento sustentado durante estes anos.
Nos serviços que prestamos, lideramos no produto de importação e exportação do extremo oriente, seja no transporte de cargas consolidadas (grupagem), seja no produto do contentor completo em que movimentamos 37.000 teus/anuais com serviços semanais diretos aos portos nacionais, assim como saídas diretas para o mercado norte-Americano e para países do Maghreb, mercados importantíssimos para a indústria Portuguesa,
Somos também agentes IATA desde 1995 e também um dos líderes de mercado de carga aérea nesta área de negócio permitindo uma solução “one stop shop” aos nossos clientes

De que forma é que a ALL WAYS CARGO PORTUGAL lidou e lida com o atual panorama nacional provocado pela pandemia Covid-19? Que medidas foram obrigados a colocar em prática?
Face a uma crise global sem precedentes na história moderna, a logística obviamente que foi afetada pelo súbito confinamento e, no limite, pela necessidade de layoff dos colaboradores de muitas empresas nacionais assim como nas grandes multinacionais com quem trabalhamos. No nosso grupo de empresas, felizmente, não tivemos de recorrer ao layoff e assim esperamos continuar.
No mercado da importação é notório um abrandamento, mais visível no mês de Maio dado a inércia económica nesta área de negócio, mas estamos convictos de que a retoma será possível ainda este ano, e consolidar-se-á em 2021. Mas, por outro lado, muitos dos nossos clientes ligadas à área da saúde, contrataram os nossos serviços para transporte urgente de material de proteção para o combate ao Covid-19 tendo sido fretados vários aviões da China para Portugal e para outros países da Europa em Abril e Maio o que nos ajudou a equilibrar o volume de negócio. Estamos presentemente a trabalhar noutros fretamentos para o continente Africano assim como para alguns mercados na América do Sul, dada a evolução previsível da pandemia nestes continentes e a extrema necessidade de equipamentos e material médico.

Não querendo fazer futurologia, mas que impacto tem o atual panorama no vosso volume de negócios e no relacionamento com o mercado nacional e internacional?
Temos a convicção de que a partir do segundo semestre iremos assistir a uma redução no volume de negócio, dado o timing e a evolução futura internacional, no entanto estamos confiantes de que não havendo uma segunda vaga, os mercados tenderão a estabilizar ainda este ano.

Começa a ser o momento de reiniciar empresas de começar a avançar paulatinamente. Neste sentido, quais são os desafios do setor no contexto da Covid-19?
O principal desafio nesta fase será o de nos posicionarmos como uma empresa de referência no mercado nacional e também mantermos a base dos clientes existentes.
É ainda necessária uma atenção redobrada na área financeira dado o fecho previsível de algumas empresas no mercado.
Contamos com uma equipa experiente, com antiguidades médias acima de 15 anos mas ainda assim uma equipa muito jovem, que têm sido a principal razão do nosso sucesso junto aos nossos clientes, trazendo a estabilidade e confiança necessária numa atividade tão sensível e importante como a nossa.

No âmbito do vosso setor, sente que as dificuldades provocadas pela pandemia irão provocar uma espécie de seleção entre empresas e organizações do setor onde apenas sobreviverão os melhores?
As crises do século XX e as já deste século XXI demonstraram-nos que a seleção das empresas é inevitável e assim será certamente durante esta nova pandemia, no entanto o mercado dos transportes internacionais abrigará sempre os pequenos, médios e grandes operadores logísticos no futuro.
Existirão novas fusões e aquisições em 2021 e surgirão novas empresas no mercado nacional e internacional, substituindo algumas que certamente cessarão a sua atividade.
O importante será mesmo mantermos a capacidade de nos ajustarmos e de nos reinventarmos, ao sabor da exigência dos mercados nacionais e internacionais com o lado a lado com a utilização de ferramentas tecnológicas que terão de estar sempre atualizadas.

Em todo este panorama, além dos clientes, é vital que o corpo de recursos humanos da marca não seja esquecido. Neste domínio, que medidas e metodologias utiliza a marca neste cenário da Covid-19 para proteger os seus trabalhadores?
As empresas do grupo, iniciaram a 17 de março o confinamento dos seus trabalhadores, tendo providenciado as condições e soluções informáticas necessárias no início de março para a eventualidade do tele trabalho, o que veio a ocorrer.
Iremos iniciar na segunda quinzena de junho o regresso de 50% dos nossos colaboradores com turnos quinzenais, providenciando entre a substituição das duas equipas uma desinfestação dos nossos escritórios.
Por outro lado iremos na 1a semana de Junho providenciar os testes serológicos a todos os funcionários de modo a termos uma visão global e podermos assim implementar uma estratégia laboral adequada, no regresso à atividade laboral.
Além de diverso material de protecção que adquirimos e cedemos aos nossos colaboradores, criamos soluções caso a caso de modo a evitar a utilização dos transportes públicos, que receamos sejam uma fonte de contágio.

Que desafios tem a marca para o futuro? O que podemos continuar a esperar da vossa parte?
Conforme comunicamos ao mercado, o nosso grupo foi adquirido parcialmente pelo Grupo Alonso, maior operador logístico espanhol e um dos 10 maiores europeus em Novembro de 2019, tornando-se a principal referência ibérica na atividade transitária.
Com escritórios próprios na Asia e América latina, estamos a trabalhar em conjunto para reforçar parcerias em muitos tráfegos e na extensão para Portugal das plataformas de logística ferroviária de modo a oferecer soluções ao mercado ibérico de um modo mais eficaz, económico e sustentável em termos ambientais.
Os nossos clientes e parceiros continuarão a contar com o nosso compromisso na prestação de um serviço de qualidade, só possível com equipas como a nossa, com um elevado grau de conhecimento técnico aliado a uma grande capacidade de destreza para movimentar vários tipos de carga nas mais diversas áreas do transporte internacional.

“TRABALHAMOS PARA CRIAR UM MUNDO MELHOR E MAIS SAUDÁVEL”

Presente em Portugal desde 2001, a Gilead é hoje um dos principais players no domínio da bio farmacêutica, especializada nas vertentes do VIH/SIDA, das Hepatites Víricas e da Oncologia. De que forma tem vindo a Gilead a deixar a sua marca na promoção da investigação e do desenvolvimento para transformar e simplificar os tratamentos de pessoas com doenças potencialmente fatais?
Ao longo dos seus mais de 30 anos de história, a Gilead tem apostado na investigação fazendo disso mesmo a sua missão. À nossa escala, temos contribuído para a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas em Portugal e de milhões em todo o Mundo. Sabemos também que tal só acontece com o empenho de quem diagnostica, define terapêuticas e acompanha a saúde de cada pessoa e de cada Doente
A Gilead concretizou avanços médicos que em tempos se julgavam impossíveis. A nossa busca incessante pela inovação está centrada no objetivo de criar um mundo mais saudável, através dos tratamentos que desenvolvemos e da forma como conduzimos a nossa atividade. Pretendemos fazer do impossível, possível.

Inovar e investigar em saúde requer resiliência e arriscar caminhos difíceis, algo que faz parte do ADN da Gilead. De que forma é que a inovação tem sido essencial na orgânica da marca? É cada vez mais desafiante trazer inovação para os doentes e para o mercado?
Toda a dinâmica de inovação e investigação feita pela Gilead tem como objetivo satisfazer necessidades médicas até agora não preenchidas que se traduzirão na prevenção da doença, na sua cura ou num melhor tratamento, conseguido como resultado de um melhor equilíbrio entre eficácia e segurança. O valor desta inovação poderá medir-se em anos de vida ganhos com qualidade ou em qualidade de vida.
No entanto, na área da saúde serão sempre as necessidades dos doentes que padecem das doenças mais difíceis de tratar e que permanecem sem a melhor resposta possível, que definirão o rumo da inovação e investigação que é realizada no campo do medicamento. Prova disso mesmo tem sido a colocação de todos os esforços por parte de um grande número de empresas farmacêuticas na investigação e inovação em torno da procura de uma resposta para o combate à pandemia por SARS-CoV-2.

Vivemos atualmente um momento excecional provocado pela pandemia do Covid-19. De que forma é que a Gilead se viu «obrigada» a adaptar a estes novos tempos e realidade?
Como todos os países e sociedades, a Gilead teve rapidamente que se adaptar à emergência de saúde pública causada pela Covid-19. A nossa prioridade, desde o início da emergência foi preservar a saúde dos nossos colaboradores, profissionais da área da saúde com quem interagimos e os doentes que servimos. Adaptámos a nossa forma de trabalhar face à necessidade de quebrar cadeias de transmissão do vírus, preservando o distanciamento social e aprendemos rapidamente a utilizar a tecnologia para continuar a cumprir a nossa missão nas diversas áreas terapêuticas em que estamos presentes.

Que medidas tiveram de tomar no sentido de continuarem próximos do mercado e de estarem presentes nesta luta?
O forte instinto de colaboração da Gilead impulsionou uma rápida resposta ao surto provocado pela Covid-19. Estamos a trabalhar em estreita parceria com governos, agências reguladoras e organizações de saúde para ajudar a enfrentar este importante desafio para a saúde global. Para isso a Gilead está a recorrer a décadas de experiência em antivíricos para responder rapidamente à pandemia. Estamos totalmente empenhados em utilizar os nossos recursos e investigação, para procurar uma resposta terapêutica para o vírus que causa a Covid-19. Por outro lado, continuamos determinados em servir os doentes através da investigação e inovação no VIH, hepatites virais, oncologia e inflamação, as áreas terapêuticas em que já estávamos empenhados antes da Covid-19.

O papel das marcas e das organizações com maior dimensão e capacidade de intervir no mercado e na sociedade é fundamental? Qual acha que deve ser o papel das mesmas e como é que a Gilead o tem vindo a fazer?
Os doentes e as comunidades muitas vezes enfrentam desafios no acesso aos melhores cuidados. Por isso também estamos empenhados em ser uma parte importante da solução, sabendo que a Gilead sozinha não pode resolver estes desafios – Os programas corporativos da Gilead financiam, através de donativos, projetos que apoiam comunidades desfavorecidas que, sistematicamente enfrentam obstáculos sociais ou económicos na área da saúde. O nosso objetivo é estabelecer parcerias que sirvam os doentes e as comunidades, para construir soluções colaborativas que ajudem a alargar o acesso aos cuidados de saúde de forma tão ampla quanto possível. Através das nossas parcerias com as associações de doentes, organizações sem fins lucrativos, profissionais de saúde e Academia, trabalhamos para ajudar a melhorar o acesso aos cuidados, reduzir as desigualdades, melhorar a educação e apoiar as comunidades locais.
Em 2019 e em todo o Mundo, a Gilead doou 380 milhões de dólares num esforço para reduzir as desigualdades em saúde, eliminar as barreiras no acesso aos cuidados de saúde encontradas pelas populações carenciadas, promover a educação dos profissionais de saúde e apoiar as comunidades locais em que operamos.
Em Portugal, a Gilead criou em 2013 o Programa Gilead GÉNESE com a ambição de incentivar a investigação, a produção e a partilha de conhecimento científico a nível nacional, e de viabilizar iniciativas que conduzam à implementação de boas práticas no acompanhamento dos doentes. O Programa Gilead GÉNESE tornou-se uma referência na área da Responsabilidade Social Corporativa, incentivando projetos de investigação científica e de intervenção na área da comunidade. Ao longo de seis edições, o montante global de financiamento atribuído aos 76 projetos apoiados pelo Programa Gilead GÉNESE ultrapassou um milhão e seiscentos mil euros, tornando este um dos maiores programas de responsabilidade social do setor farmacêutico em Portugal. As comunidades e os doentes enfrentam, com frequência, desafios à adoção dos melhores tratamentos disponíveis, pelo que a Gilead apoia também, através do seu programa de Grants & Donations, organizações sem fins lucrativos e organizações de prestação de cuidados de saúde. Face à situação de pandemia por Covid-19, a verba a atribuir na edição de 2020 foi realocada a projetos e iniciativas que de alguma forma contribuam para aliviar o impacto da crise nas instituições de saúde e nos profissionais de saúde que se encontram na linha da frente, bem como junto das populações mais vulneráveis.

O papel da indústria farmacêutica será fundamental para encontrar uma vacina? Que medidas tem a Gilead tomado neste sentido?
A Gilead não está a trabalhar para o desenvolvimento de qualquer vacina. Desde janeiro, a Gilead tem trabalhado com rapidez, cuidado e diligência para se preparar para a possibilidade de o remdesivir, o antivírico desenvolvido e investigado pela empresa, poder ser considerado eficaz e seguro contra o vírus. Vários estudos foram rapidamente desenhados e implementados com o intuito de demonstrar a eficácia e segurança deste medicamento, estando os resultados de alguns deles já publicados.

Em todo este panorama, além dos clientes, é vital que o corpo de recursos humanos da marca não seja esquecido…
Uma das prioridades da Gilead é assegurar que a empresa tem uma equipa de líderes com experiência diversificada e pessoas excecionais que apoiem a empresa agora e no futuro. Uma das responsabilidades mais importantes desta equipa de líderes é aproveitar e desenvolver o potencial dos mais de 12.000 talentosos colaboradores da Gilead em todo o mundo, que todos os dias realizam o seu trabalho com verdadeiro empenho e paixão, percetível em tudo o que fazem.

A terminar, quais são os grandes desafios de futuro da Gilead em Portugal?
Trabalhamos para criar um mundo melhor e mais saudável. A Gilead reconhece que o avanço das descobertas científicas é apenas um ingrediente para a melhoria da saúde pública e estamos empenhados em disponibilizar mais do que apenas medicamentos aos doentes. Os nossos programas mundiais ajudam a enfrentar as barreiras aos cuidados, tais como o acesso ao tratamento, o estigma e a discriminação, assim como desigualdades na prestação dos cuidados de saúde em todo o mundo. Em mais de 15 anos, temos trabalhado para disponibilizar os nossos medicamentos em países com recursos limitados. Não só estamos determinados a melhorar a saúde através dos nossos tratamentos, como também procuramos uma estratégia de sustentabilidade mundial para reduzir o impacto associado à cadeia de fornecimento, produção e distribuição dos nossos produtos e operações das nossas instalações corporativas.

“OS NOSSOS CLIENTES CONTINUARÃO A PODER ESPERAR DOS SIMAS UM SERVIÇO SEMPRE DISPONÍVEL”

Sobejamente conhecidos e reconhecidos, os SIMAS de Oeiras e Amadora assumem-se como uma entidade de excelência nos serviços prestados, tendo sempre como foco a satisfação do cliente. De que forma é que a marca tem vindo a perpetuar esta dinâmica e esta filosofia?
Os SIMAS de Oeiras e Amadora são uma instituição profundamente enraizada nos dois concelhos que servem. Este ano assinalamos 93 anos de história e, nesta medida, somos uma organização que assistiu e participou no desenvolvimento económico e social de Oeiras e da Amadora. Claro que em 93 anos quase tudo mudou. Todavia existem dois fatores que se mantêm perenes neste percurso. “Qualidade” e “Confiança”. Ao longo desta longa história, que seguramente conheceu avanços e recuos, os SIMAS são sinónimo de elevada qualidade nos serviços que prestam e essa qualidade traduz-se numa relação de forte confiança entre a instituição e a comunidade.

Os SIMAS assentam num modelo organizacional de gestão focado na otimização de resultados, com vista a potenciar os recursos humanos e tecnológicos, de forma a criar valor acrescentado para os clientes e municípios envolvidos. De que forma funciona este modelo?
Somos uma organização com 450 colaboradores que serve uma população de cerca de 380.000 pessoas. Com os movimentos pendulares nos dois territórios serão perto de 500.000 consumidores que diariamente beneficiam da água de qualidade que chega através da torneira. Esta missão aparentemente simples, tem a montante um conjunto complexo de processos e procedimentos que conjugados permitem um output final de qualidade.
Sabemos que as Pessoas, sendo totalmente necessárias são quase sempre insuficientes. Também sabemos que a tecnologia, sendo totalmente insuficiente, é absolutamente necessária. E com certeza que na interação entre as pessoas e tecnologias residem processos de trabalho que são, afinal, o conjunto de ações que se desencadeiam para produzir resultados. O nosso modelo assenta num sistema orgânico concebido para articular de forma adequada esta perspetiva tridimensional composta por “Pessoas” – “Processos” – “Tecnologia”, valorizando cada um destes elementos e as suas interações. É nesta linha que atuamos, que estruturamos a Organização e que procuramos a melhoria todos os dias.

Vivemos atualmente um momento excecional provocado pela pandemia do Covid-19. De que forma é que se viram «obrigados» a adaptar a estes novos tempos e realidade?
O fato de os SIMAS serem prestadores de um serviço imprescindível para as populações leva-nos a manter permanentemente uma forte capacidade de adaptação. Por esse motivo acompanhámos de forma atenta o processo pandémico, mesmo antes de se registar o primeiro caso em Portugal. E para além de atentos preparámo-nos atempadamente para garantir uma resposta adequada, atendendo ao duplo papel que assumimos neste processo: por um lado, uma entidade que viria a garantir a continuidade da prestação de serviços à população, nunca diminuindo a capacidade de resposta; por outro lado, enquanto entidade empregadora, responsável pela preservação da saúde e do bem-estar dos colaboradores. Na qualidade do serviço, mantivemos todos os procedimentos que garantem a excelência da qualidade da água e garantimos sempre uma capacidade operacional de intervenção na via pública. A principal adaptação neste domínio passou pelo direcionamento do sistema de atendimento reforçando os canais telefónico e digital, embora tenhamos sempre mantido os atendimentos presenciais, agora sujeitos a marcação prévia. Na preservação da saúde dos colaboradores e nas rotinas diárias internas verificaram-se algumas adaptações. Todas as funções passíveis de serem desempenhadas em teletrabalho transitaram para essa modalidade num curtíssimo período. Foi um processo muito bem planeado e executado que permitiu que, não obstante a adaptação, se mantivesse o ritmo normal de trabalho, sem alterações no serviço prestado.

Que impacto teve todo este novo cenário na vossa orgânica e como continuam a perpetuar os vossos serviços no sentido de continuar a servir bem o vosso cliente?
O impacto é sobretudo de natureza psicossocial. Todo o processo pandémico alterou a forma de organização social. Foi um período monotemático. Durante mais de dois meses praticamente apenas se falou de Covid-19. As escolas fecharam, o país confinou-se, a incerteza tornou-se na única certeza no quotidiano dos portugueses e esta circunstância de certa forma afetou-nos a todos enquanto sociedade. Ainda assim, os SIMAS de Oeiras e Amadora, enquanto organização, demonstraram uma resiliência notável e uma capacidade de adaptação e de resposta que tem vindo a permitir ultrapassar os desafios que quotidianamente nos são colocados. Continuamos a servir e a servir bem sobretudo porque toda a organização se revê num sentido de serviço público muito forte. Sabemos que somos portadores de uma missão importante e que vamos cumprir essa missão.

Nesta fase de pandemia, muitos serviços foram cessados, mas alguns, como o fornecimento de água, tiveram de continuar com a sua missão. Para que a água não tenha parado de correr, de que foram se adaptaram e criaram estratégias para que isso fosse sempre uma realidade, até porque estamos a falar de um recurso essencial para as populações?
As estratégias dificilmente se criam em cima das crises. Efetivamente, como já referi, o fator chave foi estarmos preparados. A existência de um Plano de Segurança da Água que define um modelo de atuação em cenários de normalidade e em cenários de crise, o desenvolvimento atempado de um Plano de Contingência com uma execução impecável e uma monitorização diária e uma forte mobilização de toda a organização, permitiu agir de forma organizada e eficaz. Acreditamos que nestes processos, como noutros de igual criticidade, aliar o planeamento à capacidade de execução aumenta a probabilidade de as coisas correram bem. E hoje podemos efetivamente afirmar, com orgulho, que as coisas correram bem.

Como é que os SIMAS de Oeiras e da Amadora promoveram auxílio e apoio na proteção de todos?
De diversas formas. Já referi o papel enquanto entidade empregadora e a responsabilidade que assumimos na preservação da saúde dos nossos colaboradores. Mas não nos ficámos por aí. Os SIMAS participaram na operacionalização de algumas estruturas logísticas, designadamente em infraestruturas de intervenção avançada de natureza hospitalar que foram montadas no concelho de Oeiras. Para a população, o Conselho de Administração aprovou moratórias relativas aos pagamentos vencidos. Temos consciência que muitas famílias foram afetadas nos seus rendimentos e respondemos a essa emergência social de forma efetiva.

Em todo este panorama, além dos clientes e parceiros, é vital que o corpo de recursos humanos não seja esquecido. Neste domínio, que medidas e metodologias utiliza a marca neste cenário da Covid-19 para proteger os seus trabalhadores?
A nossa atuação relativa aos recursos humanos é sempre estruturada, multidimensional e de grande abrangência. Todos os dias valorizamos as pessoas, seja através das políticas de promoção social, de formação, de segurança e de saúde no trabalho, desenvolvendo múltiplos programas e ações amplamente reconhecidos.
Neste período específico sentimos a necessidade de reforçar diversas vertentes da política de RH. Procurámos manter as valências internas com algumas adaptações. Por exemplo, transitámos o apoio psicológico para um canal telefónico. Concretizamos um modelo comunicacional que foi fundamental para a transmissão de informação chave aos trabalhadores, quer no domínio da promoção de comportamentos preventivos, quer no que diz respeito à própria gestão da situação. Definimos e divulgamos intensamente procedimentos de atuação claros e objetivos e criámos uma linha de comunicação específica para temáticas relacionadas com o fenómeno pandémico. Foi um trabalho executado por uma equipa de gestão de crise que se traduziu na implementação de dezenas de medidas e na geração de centenas de respostas que, na globalidade, permitiram uma aplicação harmonizada da resposta que tínhamos planeado. Protegemos os colaboradores, cientes que apenas dessa forma protegeríamos os clientes e o serviço que prestamos.

A Responsabilidade Social das grandes marcas, como os SIMAS de Oeiras e da Amadora, é essencial, principalmente neste novo panorama em que vivemos. Assim, de que forma é os SIMAS foram sensíveis às dificuldades, por exemplo, que muitas famílias tiveram para liquidar as suas contas relativas ao consumo de água?
Há muito que disponibilizamos respostas sociais às famílias. Os SIMAS disponibilizam há muitos anos uma tarifa social e uma tarifa familiar dirigida a famílias numerosas. Neste contexto respondemos prontamente com a implementação de moratórias para o pagamento de faturas, prorrogando automaticamente os prazos nas situações de incumprimento, independentemente da sua natureza.

O que é que vai mudar daqui para a frente na vossa orgânica e estratégia, sabendo que hoje em dia vamos ter de viver a conviver com um vírus invisível e que pode ser letal?
O posicionamento que tínhamos antes da crise pandémica, revelou-se eficaz. No fundo, estar preparado. Temos capital intelectual interno, massa critica que nos permite estar preparados para responder a cenários de incerteza. E iremos estar cada vez mais preparados. É por isso que apostamos na valorização das pessoas, na sua formação e continuamos a alimentar uma perspetiva critica sobre os processos e sobre a organização interna. A gestão da incerteza e a gestão de crise são áreas que deverão ser desenvolvidas e densificadas no sentido de aportar capacidade analítica e de resposta a este mundo tão volátil, incerto, complexo e ambíguo em que vivemos. Não é um desafio pequeno. Mas é um desafio que iremos superar.

Foram inúmeros os profissionais, de diversos setores, que estiveram na linha da frente no combate a esta pandemia. Neste sentido, que mensagem lhe aprazaria deixar a todos eles?
Dizer que conhecemos e que reconhecemos o valor do trabalho realizado. Dizer que não nos esquecemos dos sacrifícios pessoais e familiares que os profissionais dos SIMAS assumiram, muitas vezes ao colocar em primeiro lugar o serviço público. Finalmente dizer-lhes que o seu trabalho, a sua dedicação, competência e entrega escreveram uma página notável na história dos SIMAS. Uma página na história, que ficará para a história, pelo exemplo de dedicação à causa publica.

Quais são os grandes desafios dos SIMAS de Oeiras e da Amadora para 2020? O que podem os vossos clientes continuar a esperar da vossa parte?
Os SIMAS irão continuar a laborar no sentido de cumprir o Plano de Atividades aprovado e tudo faremos para que seja um ano com bons níveis de execução. Relativamente à pandemia podemos afirmar que há muito que temos a estrutura estabilizada pelo continuaremos a efetuar uma gestão de crise ponderada, mas implacável no combate à pandemia. Os nossos clientes continuarão a poder esperar dos SIMAS um serviço sempre disponível, aberto à comunidade, que garantirá a distribuição de água de elevada qualidade a toda a população. É este o nosso compromisso há 93 anos. Podem continuar a contar connosco.

CASA ERMELINDA FREITAS E OS IMPACTOS DE COVID-19 NO SETOR

Leonor Freitas, Casa Ermelinda Freitas

Como tem estado a decorrer a venda e exportação da produção de vinhos? a escoação do produto está a decorrer de modo normal ou decaiu?
A Covid-19 trouxe alterações a todos os setores, e no setor do vinho também não podemos dizer que está tudo igual como estava antes. Vamos continuando a laborar e vendendo sobretudo os vinhos mais económicos, reforçando que felizmente o vinho ainda é um produto onde existe procura e consumo. A Casa Ermelinda Freitas, gerência e colaboradores continuam unidos para nos mantermos a trabalhar agradecendo assim aos consumidores a ajuda que tem dado ao adquirir os nossos vinhos.

Em caso de prejuizo, já contabilizam alguns dados?
Neste momento a minha grande preocupação é a saúde dos nossos colaboradores, bem como tomar todas as medidas para que cada um dos mesmos seja um agente de saúde, pois queremos continuar a laborar. Depois logo farei outros levantamentos e recolha de dados.

No caso da produção não estar a ser escoada consoante as previsões, já têm algum planeamento de como fazer esse escoamento para o mercado, através de campanhas?
Por enquanto temos de agradecer aos consumidores que nos tem ajudado a ir escoando o que se vai laborando, bem como a preferência pelos vinhos da Casa Ermelinda Freitas, enquanto isto acontecer iremos manter a nossa estratégia.

Têm previsão em relação à nova colheita de 2020, quer no número de trabalhadores que vão conseguir reunir, quer também no seu futuro escoamento?
Ainda é muito cedo pois neste setor sempre se diz que até ao lavar dos cestos é vindima. No fundo isto quer dizer que cada dia vai ser um dia pois ainda temos muitos dias pela frente de sol, calor e chuva até por as uvas na adega. O que se prevê perante os acontecimentos atuais, é que vai ser uma colheita normal e nada mais consigo antecipar pois o futuro ninguém o sabe.

Casa Ermelinda Freitas e IPS juntos na produção de álcool gel e viseiras

Projeto de fabrico de 6000 litros de álcool gel está a ser desenvolvido nas instalações da empresa vitivinícola.

A Casa Ermelinda Freitas está numa parceria com o ips para a produção litros de álcool gel. como está a decorrer esse processo e, tendo em conta que a pandemia ainda pode vir a durar bastantes meses?
Nesta iniciativa, o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) foi responsável pelo desenvolvimento tecnológico, com os seus docentes a criarem a solução antisséptica. “É um trabalho de grande colaboração com o IPS, de que me orgulho muito, porque nesta fase as preocupações devem estar centradas, nas pessoas, depois nas pessoas, e ainda nas pessoas” diz Leonor Freitas, gerente da empresa.
A produção deste álcool gel vai ser distribuída em hospitais e IPSS do distrito, bem. como por agentes de proteção civil e estabelecimentos prisionais. A Casa Ermelinda Freitas apoiou também a produção de 2500 viseiras de proteção individual, igualmente em articulação com o Politécnico de Setúbal.

Leonor Freitas, como surgiu esta ideia de produzir Álcool Gel e Viseiras?
A ideia de produzir Álcool Gel, nasce da necessidade que a Casa Ermelinda Freitas sentia que havia na sociedade e no mercado devido à grande procura de álcool gel, nos próprios tínhamos dificuldades em adquirir e o que encontrávamos estava com um preço muito alto. Leonor Freitas sentiu também grande necessidade de colaborar com as instituições mais desfavorecidas, lares, prisões, e outras instituições carenciadas de idosos que não conseguiam ter acesso.
Mãos à obra e temos o álcool, mas não sabemos como fazer o gel… Nesta altura de dilema o presidente do Instituto Politécnico de Setúbal telefona para Leonor Freitas e pergunta se tinha álcool para dispensar para poderem fazer gel pois sabiam como fazer mas não tinham o álcool necessário.
O Instituto Politécnico de Setúbal forneceu todo o seu conhecimento e parte química para o processo de conceção, a Vinisol vendeu o álcool a preço muito barato, tendo sido assim possível criar esta conjugação de esforços que permitiram uma grande aprendizagem em prol da nossa sociedade podendo assim ajudar todos os que necessitam.
Assim nasce a iniciativa que juntou três entidades Casa Ermelinda Freitas, Vinisol, e IPS e sem todo esta envolvência não seria possível fazer os 6.000L de álcool gel.
As viseiras foi porque o IPS estava a fazer as mesmas e necessitava de mais alguns recursos, a Casa Ermelinda Freitas deu um donativo para ajudar a aumentar a produção, existindo também mais empresas na região a contribuir para esta causa. A Casa Ermelinda Freitas, vai dar uma viseira a cada funcionário da empresa, queremos proteger os nossos colaboradores
Não há dúvida que juntando vontades, saberes, colaboradores podemos ser solidários e com um pequeno gesto ser uma grande mudança e ajuda para a vida das pessoas e instituições.
A adaptação apenas foi possível juntando, vontade, produto e o saber de uma instituição superior com é o Instituto Politécnico de Setúbal. Tudo é possível e tudo é fácil quando queremos ajudar o próximo.
A Casa Ermelinda Freitas está preocupada com o que se passa com a saudade e economia da sociedade em Portugal e no mundo. Mas temos imensa alegria em pensar que é possível e termos a possibilidade de podermos ajudar aqueles que tanto precisam desta ajuda. Também dizer que tivemos imensa preocupação que cada funcionário nosso fosse um agente de saúde, dando formação para poderem agir como tal, podendo assim também passar a quem lhe rodeia toda esta responsabilidade.
Estou preocupada com a economia, mas muito mais preocupada com as pessoas. Quando estivermos bem lutaremos pela economia agora vamos lutar pelas pessoas.

Necessidade desse produto, pode ser uma nova linha de laboração para a empresa?
Quanto a ser uma nova linha de laboração, nunca será. Não é a nossa área fazer Álcool Gel foi feito por uma necessidade sentida de responsabilidade social, dando à mesma um produto que muita falta fazia tendo. O foco principal da Casa Ermelinda Freitas é fazer sempre os melhores vinhos, ao melhor preço para poder satisfazer os seus consumidores.

“A COVID-19 alterou as necessidades das empresas”

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A Rentokil é hoje um dos principais players do mercado de controlo de pragas e higiene, sendo a marca mais antiga e aquela em que os Portugueses mais confiam. De que forma é que têm conseguido ser um ator de relevância?
A Rentokil Initial chegou a Portugal em 1982 com o Serviço de Controlo de Pragas, entretanto alargado aos Serviços de Higiene, HACCP e ao Marketing Olfativo. Beneficiamos de mais de 100 anos de experiência internacional, dos conhecimentos técnicos e científicos dos melhores Especialistas e de um Centro de Investigação próprio no Reino Unido, desenvolvendo soluções exclusivas e inovadoras. O grupo desenvolve soluções adequadas aos desafios quotidianos. Os três principais valores que nos norteiam são o Serviço, as Relações e o Trabalho em Equipa. A Segurança é sempre posta em primeiro lugar e a Formação é uma constante.

É fundamental ter um comportamento consciente e responsável, seguindo as orientações das Autoridades de Saúde. Sendo a desinfeção essencial neste domínio, de que forma têm vindo a realizar um serviço altamente especializado, de forma imediata, segura, discreta e em conformidade legal?
Oferecer um serviço especializado não é conseguido apenas através da aplicação dos protocolos transversais (e naturalmente simplificados) das autoridades sanitárias. Utilizamos o potencial de relacionamento internacional dentro do Grupo para provermos o corpo técnico das competências necessárias. Temos acesso a produtos cientificamente testados para a inativação de vírus encapsulados, substitutos do SARS-CoV-2. É importante saber que a realização de testes de desinfeção com o SARS-CoV-2 é um enorme risco e que a maioria dos biocidas disponíveis não é capaz de afirmar a eliminação do SARS-CoV-2 propriamente dito.
O rigor técnico e científico, os equipamentos mantidos em adequado funcionamento, os protocolos de segurança e a formação exigente e constante permitem-nos afirmar tranquilamente que oferecemos o melhor Serviço na defesa da Saúde Pública.

Neste panorama de pandemia, como têm conseguido responder a todas as solicitações?
A COVID-19 alterou as necessidades das empresas e o ângulo de visão evoluiu. O SARS-CoV-2 é um inimigo invisível e de fácil transmissão, que já fez milhares de vítimas mortais. Espontaneamente, a indústria e os serviços; lares, escolas, hospitais, clínicas, laboratórios e restauração procuram-nos diariamente para uma efetiva solução no combate à pandemia. Conseguimos dar uma rápida resposta pois agimos de forma proativa desde o início do ano: criámos uma equipa multidisciplinar dedicada ao estudo de soluções cientificamente comprovadas, desenvolvemos os métodos mais eficazes e habilitámos os técnicos com competências e equipamentos seguros. Paralelamente, os nossos serviços e produtos de higiene de mãos e superfícies, os restantes equipamentos para instalações sanitárias e a recolha de resíduos hospitalares têm naturalmente enorme procura.

A desinfeção tem sido mais requerida por clientes particulares ou empresas?
A maioria dos pedidos vem das Empresas. Na premente necessidade de se regressar à atividade laboral, a desinfeção especializada de espaços é fundamental para mitigar o risco e um importante complemento das medidas de proteção recomendadas pela OMS e pela DGS. Nos clientes particulares, observamos uma progressiva procura deste Serviço. A desinfeção de viaturas e moradias é uma preocupação atual, sobretudo quando existem grupos de risco nas famílias. Esta ação irá também minimizar a ocorrência de outras patologias com impacto negativo na saúde. Há outras soluções complementares como tapetes que minimizam o potencial de contágio e as máscaras.

Quais são as garantias da Desinfeção Rentokil?
A utilização de biocidas seguros para as Pessoas e para o Ambiente, os procedimentos adequados, a formação dos Técnicos, um departamento que avalia e pondera constantemente as metodologias adotadas, culminando como uma ação de consultadoria. É importante perceber que um ser humano infetado, em contacto permanente ou intermitente com um espaço é uma fonte de contaminação. A OMS tem vindo a alertar para um dos fatores críticos da desinfeção: os ambientes de alta concentração de matéria orgânica ou sujidade, que comprometem a eficácia da desinfeção. Antes da realização do Serviço, é essencial a análise pormenorizada e a preparação do espaço.

Se até hoje a desinfeção era requisitada somente quando existia um problema, sente que passará a ser regra?
Sem dúvida. Esta pandemia alertou globalmente para a importância da higiene e da desinfeção. Sabemos que 80% das infeções são transmitidas pelas nossas mãos e que podemos contaminar até cinco superfícies consecutivas. A concentração demográfica, principalmente nas cidades, vai criar um novo paradigma, com comportamentos e rotinas diferentes, para a proteção contra esta e inúmeras outras doenças, conhecidas ou ainda por chegar.

“Sim, considero-me empreendedora”

Quem é Susana Santos e porquê a aposta da Sanna Handmade?
A Susana Santos é uma mulher com coração de menina, sonhadora, lutadora, com uma mente criativa. Desde muito cedo viu-se obrigada a lutar por aquilo que queria, tendo que, na maior parte das vezes, ultrapassar obstáculos e barreiras que atrasaram no tempo a realização desses mesmos sonhos. Exemplo disso foi o facto de vir para Lisboa com apenas 20 anos, sozinha, sem conhecer ninguém, integrar a primeira incorporação de mulheres militares na
Marinha Portuguesa, apenas em busca de um futuro melhor, que a sua terra na altura não lhe proporcionava.
A Sanna Handmade é o tal sonho que ficou preso no tempo e que só agora teve autorização de crescer. Sanna é a minha alcunha dos tempos de escola e o Handmade vem da minha paixão pelo artesanato, que sempre me acompanhou como hobby. A minha área de formação é, e sempre foi, Recursos Humanos (após sair da Marinha) mas, após 20 anos de muita dedicação, trabalho árduo e fora de horas, este capítulo da minha
história termina com um burnout que me fez repensar prioridades de vida, de família, de saúde e, finalmente, abraçar outra paixão que até então era um hobby e passou a ocupar a tempo inteiro a minha nova profissão, a de empresária, artesã e dona da loja/atelier criativo Sanna Handmade. Foi uma autêntica reviravolta na minha vida, um começar de novo!

Quando foi edificada a Sanna Handmade e como é que a marca tem assumido um crescimento e contributo ao mercado através de pilares como a qualidade, excelência e rigor?
A marca Sanna Handmade começou, inicialmente, como peças artesanais vendidas em pequenas feiras, amigos e familiares. Quando abandonei a área de Recursos Humanos, cresceu e tornou-se numa loja e abriu portas ao público, em geral, no passado dia 9 de maio de 2020. Sim, em plena pandemia! Foi um grande desafio. Uma das minhas preocupações quando preparei o projeto de abertura da loja, foi ter em conta a criação de um espaço diferente e que colmatasse a falta de oferta de certos produtos e serviços na zona de Agualva-Cacém. Assim, hoje posso afirmar, com base nos comentários e
elogios recebidos dos clientes que nos visitam, que foi uma boa aposta. Temos ido ao encontro dos clientes com qualidade dos artigos, proximidade, diversidade, inovação num espaço acolhedor e moderno. A Sanna Handmade pretende ser conhecida e distinguida por isso mesmo, pela satisfação do cliente na oferta de artigos de qualidade.

Diz que a loja “Sanna Handmade” pretende ser muito mais do que uma simples Retrosaria. O que quer dizer com isto?
A Sanna Handmade além de Retrosaria é um espaço criativo preparado para ter aulas de formação e workshops dentro da área do artesanato. Estamos a tratar, junto da DGERT, da certificação do espaço para poder ter aulas certificadas de costura. Além disso, o espaço permite a realização de eventos de caris artístico, nomeadamente, direcionado para as camadas mais jovens, inclusive ocupação de tempos livres nos períodos de férias escolares. Pretendemos atrair a juventude para algo que lhes faça ganhar interesse por outros hobbies que não eletrónicos e assim contribuir para o seu desenvolvimento nas artes manuais que se têm vindo a perder ao longo dos tempos. Queremos ainda, com a realização de workshops de reciclagem e reaproveitamento, sensibilizar a população para a sustentabilidade do planeta. Sinto que tenho aqui uma oportunidade de ouro para fazer a diferença.

É legítimo afirmar que a Sanna Handmade pretende ser um espaço criativo para os outros/clientes? Explique um pouco este conceito.
Sim, é verdade. O nosso cliente pode vir dar asas à sua imaginação no nosso espaço e costurar os seus modelitos caso não tenha acesso a uma máquina de costura, uma vez que temos uma sala equipada com várias máquinas de costura da marca Bernette que, sendo modelos de ótima qualidade, garantem ao nosso cliente um trabalho fácil, cómodo e profissional.

Considera-se uma Mulher empreendedora? Ser uma Mulher empreendedora em Portugal é difícil? Sente que o facto de ser mulher lhe criou mais obstáculos ou nunca sentiu ao longo da carreira essa realidade?
Sim, considero-me empreendedora e sim, é difícil ser-se empreendedor em Portugal. Não pelo facto de ser mulher, mas pelo facto de haver muita burocracia, muita lentidão nos processos, muitas organizações estatais com funcionários mal-informados que nos fazem perder tempo com falsas informações e, como tempo é dinheiro, torna o processo de criação de um negócio muito complicado e, muitas das vezes, em parte, desanimador (falo pela minha experiência pessoal). Quanto ao facto de encontrar obstáculos ou dificuldades por ser mulher, encontrei sim, no passado. Mas, com o passar dos anos, a mentalidade foi evoluindo e, hoje em dia, já não noto tanto essa diferença. Creio que as Mulheres de hoje em dia têm um futuro melhor pela frente.

Quais são as mais valias de uma liderança no feminino? A verdadeira liderança não tem género, ou seja, não podemos dizer que a liderança feminina é melhor que a masculina e o inverso também?
Na minha opinião e pela minha experiência profissional, tenho verificado algumas diferenças entre a liderança no feminino e masculino, que, por vezes, se destacam. Nomeadamente, a ponderação, a sensibilidade, a dedicação e o poder de observação. Talvez porque a Mulher desde sempre sente que tem que mostrar o seu valor. No entanto, sempre trabalhei bem, tanto com homens como com mulheres na liderança das nossas equipas. Todos em conjunto fazemos “o pleno”.

O que podemos continuar a esperar de si e da sua marca para o futuro?
O futuro… O futuro é sempre uma incógnita, mas já temos algumas ideias em desenvolvimento e outras hão de surgir com o dia-a-dia, uma vez que, neste negócio, todos os dias, todas as horas e a qualquer momento, a inspiração aparece sem contarmos, nem esperarmos por ela. Por vezes basta olhar pela janela, para uma flor, para um tecido e uma ideia surge. É assim o artesanato, é esta a sua beleza!

JPS GROUP ULTRAPASSA O PERÍODO DE PANDEMIA E ESTÁ A CONTRATAR

Numa altura em que o mundo entra em recessão, com uma crise económica derivada da pandemia do Covid-19, a JPS GROUP anuncia uma política de expansão e reforça a aposta na mediação imobiliária, com novo site e nova imagem: a Real Estate by JPS GROUP.
Durante o mês e meio que durou o estado de emergência em Portugal, a promotora portuguesa afirma ter continuado a realizar negócios com vendas fechadas durante este período. Só no primeiro fim-de-semana, após o período de confinamento, revela ter recebido mais de 150 contactos de clientes à procura de casa. Um contexto que cria a necessidade do lançamento de um novo site, exclusivamente dedicado à compra e venda de imóveis, que abrange não só os imóveis da JPS GROUP, como também oportunidades disponíveis no mercado. O novo site nasce ainda com a intenção de dar resposta aos clientes que pretendem trocar de casa, mas para tal necessitam primeiro vender as casas atuais.
A aposta na mediação imobiliária não é de agora, contudo, segundo o CEO da JPS GROUP, João Sousa, esta forte procura que a promotora tem registado, não só dos próprios empreendimentos, como também de produtos externos, mereceu uma resposta à altura: “Decidimos lançar este novo site , com um design apelativo, dentro das linhas da JPS GROUP, para dar resposta à grande procura que temos tido por parte dos nossos clientes, mesmo em tempo de pandemia”, revela.
Com a Real Estate, a JPS GROUP pretende tornar-se uma referência na mediação imobiliária, contribuindo desta forma não só para economia de uma forma geral, como também para a recuperação do mercado imobiliário. A intenção não é ser mais uma mediadora, mas sim um parceiro na venda das casas dos seus clientes. “Tratamos cada casa como se fosse nossa. Todos os imóveis são especiais e, por isso, elaboramos planos de marketing à medida de cada casa, e um check-up gratuito completo, de forma a que esta seja colocada no mercado ao melhor preço e já com um plano de recuperação delineado e orçamento fechado, se for caso disso. A empresa vai envolver todos os seus departamentos em cada angariação, desde a equipa comercial, até aos departamentos de marketing, arquitetura e engenharia, sendo que a própria construtora poderá ser envolvida no processo de reabilitação, com preços muito mais acessíveis do que os praticados normalmente no mercado. Pretendemos ser uma mais-valia no processo da venda, e com o nosso know-how, estamos aptos para encontrar os clientes certos para cada imóvel, e imóveis certos para cada cliente”, afirma o CEO da JPS GROUP.
Mas as novidades não ficam por aqui. A promotora imobiliária nacional revela ainda que está a encarar os tempos de incerteza provocados pela Covid-19 com muito otimismo e que se encontra em fase de recrutamento. “Queremos aumentar as equipas e fechar o ano com um crescimento superior a 50%”, salienta João Sousa, CEO da JPS GROUP.

A ZAGOPE É HOJE UM EXEMPLO DE EMPRESA DE CONSTRUÇÃO EM QUE EXISTE UMA FORTE PRESENÇA FEMININA

A ZAGOPE é hoje um dos principais players no seu mercado de atuação, assumindo uma postura de rigor, excelência e qualidade na sua dinâmica. No sentido de contextualizar, de que forma é que a marca tem vindo a promover e a contribuir para o mercado e, consequentemente, para a satisfação do seu cliente?
Num setor que passou uma década de crise em Portugal, como o da construção, foi muito importante a ZAGOPE ter-se mantido fiel à sua missão: somos uma empresa de construção de infraestruturas e de grandes projetos de engenharia e, como tal, não enveredámos por outros ramos do setor que, apesar de poderem representar bolsas de oxigénio em tempos de crise, ter-nos-iam desviado do nosso foco.
Atualmente a ZAGOPE tem os seus objetivos bem determinados, sabe que empresa quer ser no futuro, e essa consciência e determinação potencializa a definição da melhor estratégia para o alcançar. Há uma forte aposta na qualidade técnica e na competência dos seus colaboradores, a gestão da empresa acredita muito na equipa que compõe hoje a ZAGOPE, no rigor e dedicação com que se empenha em todos os projetos em que se envolve.
Temos muito orgulho na qualidade com que trabalhamos e é por esta qualidade que o cliente nos tem avaliado satisfatoriamente – disso são bons exemplos as recentes adjudicações de obras públicas e particulares, dentro e fora de Portugal.
Acredito também que a comunicação e promoção da “marca” no mercado se faz através do reconhecimento, por parte dos nossos clientes, desta competência e qualidade.

Quem é Margarida Damião Ferreira e de que forma é que nos pode dar a conhecer um pouco mais sobre o seu percurso profissional?
Iniciei o meu percurso profissional como Advogada no departamento de Direito Público de uma das maiores sociedades de advogados do País, onde trabalhei cerca de 8 anos, já nessa altura dedicada sobretudo à Contratação Pública. Com essa sociedade de advogados, emigrei para Moçambique, onde assessorei a negociação e contratação, pelo Governo Moçambicano, da primeira grande Concessão Rodoviária do país, projeto que, na altura, me convenceu a abandonar o mundo das sociedades de advogados e a transferir-me para a empresa Cliente. Durante a minha emigração de quase dez anos em Moçambique, assumi ainda a Direcção Jurídica de uma outra grande empresa de construção, o que contribuiu para reunir as valências necessárias para assumir a posição numa empresa de referência como a Zagope, integrada num grupo internacionalmente reconhecido como é o grupo Andrade Gutierrez.
Além das minhas funções enquanto General Counsel da Zagope, sou responsável também, desde janeiro de 2019, pela área de Compliance da empresa, a qual tem vindo a assumir, cada vez mais, um papel de destaque no mundo empresarial, ao nível global.

Assumindo atualmente a função de General Counsel da ZAGOPE, empresa responsável pela operação do Grupo AG na Europa, África e Ásia, assume uma posição de liderança. Que características indicaria como sendo fundamentais para um líder e gestor de pessoas?
Se não houver, por parte do gestor, a consciência de que o trabalho e o resultado da empresa são feitos pelas pessoas que gere, não haverá uma boa liderança de pessoas, projetos ou empresas. As pessoas são o motor das empresas, a ZAGOPE sabe-o e, tendo passado por uma grande reestruturação há uns anos, teve a preocupação de reter os melhores talentos. É importante ter a pessoa certa no lugar certo para que possa dar o seu melhor. Sou fã deste lema.
Pessoas nas mesmas posições não têm de desempenhar necessariamente as mesmas funções e pessoas com as mesmas funções não as têm de desempenhar da mesma forma. O papel pode ser mais ou menos forte consoante a interpretação do ator, pelo que gosto de pensar que cada um tem uma forma diferente de assumir a sua posição numa empresa e esta só ganha se aprender a lidar com a diversidade de perfis e a valorizar o que essa diversidade lhe agrega.
Um bom gestor tem de perceber onde e como pode um colaborador agregar mais valor, mas também tem de saber reconhecer quando um colaborador não se enquadra no espírito da empresa.
Além das pessoas, é importante ter estratégia e saber comunicar. É fundamental assegurar uma comunicação clara, tanto dos objetivos como da estratégia definida para os alcançar, de forma a que todos rumem no mesmo sentido.
Pessoas certas no lugar certo, quando bem orientadas, são capazes dos maiores feitos.

Que mais valias aporta aos seus grupos de trabalho com o seu estilo de liderança e quais são as principais caraterísticas desse estilo?
Acredito que tudo se faz, é quase um dogma de vida. Não há nada que não se faça. Por isso, consigo manter e incutir calma nas situações de maior pressão.
Sou, sem dúvida, exigente, a minha equipa sabe disso e responde bem a essa exigência. Apontam-me assertividade e foco, como características principais. Procuro não perder tempo com obstáculos, privilegiando a procura da solução. Tento ao máximo incutir uma visão prática das questões jurídicas, em benefício do negócio.
Confio na equipa e dou autonomia a cada um para organizar o seu trabalho, mas apesar de dar importância ao resultado objetivo, tento não me distanciar muito e acompanho de perto o desenvolvimento dos assuntos.
Procuro estimular o desenvolvimento profissional de cada um e ter sensibilidade para lidar com cada membro da equipa, tentando respeitar ao máximo o seu Work/Life Balance.
A ZAGOPE tem operação em mercados de presença tradicional Portuguesa, como sejam Angola e Moçambique, mas também em mercados tão culturalmente distintos do nosso, como sejam os do Líbano, Argélia, Gana ou Senegal. Para conseguirmos atuar em mercados e jurisdições tão díspares, a empresa precisa, sobretudo, de saber adaptar-se aos diferentes contextos e linguagens para melhor enquadrar a operação em cada mercado. Isto leva-nos a uma constante aprendizagem, enquanto empresa e enquanto profissionais, pelo que uma das coisas em que insisto muito é na necessidade de saber ouvir, para que a minha equipa receba e compreenda a mensagem de quem está nos mercados e precisa do nosso apoio na ponta da operação. Só assim conseguimos ser eficazes no trabalho que fazemos remotamente para geografias tão distintas. A ZAGOPE, como empresa Portuguesa presente em três continentes diferentes, tem feito um trabalho extraordinário a este nível.

Como é trabalhar numa área que é composta, maioritariamente, por homens? Isso obriga-a a ser mais atenta e focada?
Não é a convivência com homens que obriga a maior atenção ou foco, acho até que há muitas vantagens em ser uma mulher entre homens, na medida em que há muitas vezes curiosidade, e talvez um respeito acrescido, pelo ponto de vista da mulher que, naturalmente, pode (ou não) ser diferente da dos homens em determinadas matérias.
Acredito que, cada vez mais, se encara a presença feminina em qualquer área e setor com naturalidade, já não há “áreas masculinas”. Apesar de Engenharia ser ainda um curso universitário de escolha maioritariamente masculina, a verdade é que é hoje uma exceção, já que uma grande parte dos cursos universitários são de frequência feminina e masculina muito equilibrada, pelo que não há, atualmente, áreas de estudo ou setores de trabalho exclusivamente masculinas, como também já não existem profissões tipicamente femininas.
A ZAGOPE é hoje um exemplo de empresa de construção em que existe uma forte presença feminina, devidamente valorizada e reconhecida.

O que se poderá esperar da ZAGOPE na “construção do futuro” e no “futuro da construção”?
Da atuação da ZAGOPE, em qualquer mercado, poder-se-á esperar muita persistência na entrega de trabalho com qualidade e total dedicação dos seus profissionais aos projetos que lhe forem confiados pelos Clientes.
Para o futuro da construção, a ZAGOPE procura, acima de tudo, contribuir com excelência técnica e inovar nas melhores práticas do setor.
Para a construção do futuro, a ZAGOPE tem uma cada vez maior preocupação com a sustentabilidade dos projetos em que participa. Nos países em desenvolvimento, por exemplo, através da priorização de projetos que possibilitam a acessibilidade a regiões muitas vezes isoladas e que assim potencializam o respetivo desenvolvimento socio – económico ou através da seleção de projetos que se revelam essenciais ao nível do saneamento básico de populações inteiras.
Nos países ditos maduros, mediante a participação em projetos integrados em políticas públicas promotoras da designada economia circular ou através da constante atualização de métodos e processos construtivos cada vez mais eficientes ao nível da utilização de recursos. Acreditamos estar a fazer o que de melhor se faz na área da construção em Portugal e nas demais geografias em que atuamos.

“NESTA FASE DIFÍCIL, COMEÇÁMOS DE IMEDIATO A APOIAR OS NOSSOS CLIENTES”

O Millennium bim comemora este ano 25 anos de vida e, assim, interessa dar a conhecer como a marca tem perpetuado um legado de excelência em prol dos seus clientes e de que forma tem vindo a contribuir para o crescimento económico do país?
O Millennium bim é, de facto, o maior grupo financeiro de Moçambique. Desde a sua criação, há 25 anos, tem desempenhado um papel fulcral na bancarização dos Moçambicanos, na modernização do sistema financeiro e no desenvolvimento económico e social do País.
Estamos em todas as Províncias e Distritos de Moçambique e conseguimos, por isso, ter uma proximidade muito grande com os nossos Clientes, respondendo da melhor forma às suas necessidades.
Somos a instituição bancária de referência e que mais inova no mercado nacional. A evolução crescente dos resultados financeiros ao longo da última década, tem sido alavancado pelos investimentos na expansão da rede bancária nacional (de 126 balcões em 2010 para 200 em 2019). A inovação tecnológica e o lançamento de novos produtos e serviços, simplificando e melhorando o dia-a-dia das populações tem sido o foco constante do Banco.
A estratégia comercial do Millennium bim foi sempre orientada no sentido de oferecer as melhores soluções financeiras estruturadas, inovadoras e modernas para apoiar o desenvolvimento do tecido empresarial e satisfazer as necessidades das famílias nos seus vários contextos, obedecendo a critérios de gestão muito rigorosos, com uma forte solidez de balanço e níveis de rentabilidade sustentáveis no longo prazo.
Temos, por isso, a consciência de que impactamos e contribuímos para melhorar a vida dos Moçambicanos todos os dias. Foco no Cliente é o nosso papel, a nossa missão. Sentimos também que ainda há muito por fazer, e isso motiva-nos a continuar a desenvolver a nossa atividade e a inovar neste País onde nascemos há 25 anos.

Tomaram a decisão de cancelar esta efeméride e doar a verba para o combate à Covid-19. Porquê esta decisão e de que forma revela e bem a responsabilidade social que a entidade tem para com a sociedade?
25 anos é de facto um número muito especial para o bim. E desejávamos poder celebrá-los com os nossos clientes e colaboradores.
A pandemia do Covid-19 trouxe dificuldades para o País e para os Moçambicanos. Estamos a assistir a situações muito difíceis, devido á quebra muito acentuada da atividade económica. As empresas e as famílias moçambicanas estão a sofrer.
Nestas circunstâncias, decidimos cancelar todas as festividades programadas, (tínhamos vários eventos planeados ao longo do ano), e fazer um donativo de 15 milhões de Meticais para o Hospital Central de Maputo para apetrechamento da maior unidade sanitária do País, e compra de equipamento de proteção hospitalar para profissionais de saúde, procurando responder a Moçambique que estamos presentes, tão próximos quanto possível da linha da frente no combate à pandemia do Covid-19.
O Millennium bim desenvolve desde sempre um programa de Responsabilidade Social muito vasto e que abrange várias áreas, nomeadamente, a educação, a saúde, a cultura, o desporto, entre outras, e neste enquadramento pareceu-nos que fazer a oferta desse orçamento ao Hospital Central de Maputo, era a decisão mais adequada de “celebrar” essa efeméride ainda que de uma forma muito diferente.

De facto, vivemos atualmente um momento excecional provocado pela pandemia do Covid-19. De que forma é que a marca se viu «obrigada» a adaptar a estes novos tempos e realidade?
O mundo depara-se com uma crise sanitária e económica sem precedentes, causada pela pandemia do Covid-19. Desde que a doença eclodiu, o Millennium bim adotou as melhores práticas de prevenção, cumprindo rigorosamente as recomendações indicadas pelas Autoridades de Saúde e Segurança Pública Nacionais.
A nossa prioridade tem sido sempre proteger a saúde dos nossos Colaboradores e Clientes, sem deixar de cumprir as nossas obrigações perante as comunidades, ou seja, continuando a prestar os serviços financeiros indispensáveis ao funcionamento da sociedade. De facto, e apesar das conhecidas dificuldades, os serviços bancários do Millennium bim estão a ser prestados com normalidade.
De entre as medidas adotadas e implementadas para prevenção e proteção da saúde dos seus Colaboradores, respetivas famílias e Clientes, destacam-se as seguintes:
• O distanciamento interpessoal entre Colaboradores e clientes;
• Proteção individual com máscaras, e separadores (ou viseiras) em acrílico entre os Colaboradores e os Clientes;
• Medidas de desinfeção individual e das instalações;
• Fomento do teletrabalho (trabalho remoto a partir de casa). Mais de um terço dos colaboradores do Banco trabalham a partir de casa,
• Reforço da recomendação para que os Clientes utilizem cada vez os canais digitais e telefónicos para a realização das operações bancárias, através das nossas plataformas digitais, tais como: Millennium IZI; Smart IZI; IZI no WHATSAPP; IZI no FACEBOOK e o site;

Que medidas tiveram de tomar no sentido de continuarem próximos dos vossos Clientes?
Nesta fase difícil para todos, começámos de imediato também a apoiar os nossos Clientes, procurando aliviar as suas dificuldades financeiras, o que está a ser feito com medidas de apoio em consonância com as orientações das autoridades moçambicanas, nomeadamente o Banco de Moçambique. Medidas que passam pela redução do custo de diversas transações dos serviços bancários, nomeadamente nos canais digitais, e também ao nível de Moratórias de crédito para apoiar as dificuldades de tesouraria das empresas e das famílias, introduzindo planos alternativos de pagamento de dívidas financeiras.
Os nossos clientes estão debaixo da mesma pressão que nós, e se conseguirmos apoiá-los com a atitude e soluções adequadas nesta fase difícil para todos, estaremos a contribuir para a criação de uma relação duradoura de confiança que vai permanecer sólida muito após o final desta pandemia. E acreditamos estar assim também a contribuir para uma retoma mais rápida, uma vez ultrapassada esta fase.

O papel das marcas e das organizações com maior dimensão e capacidade de intervir no mercado e na sociedade é fundamental? Qual acha que deve ser o papel das mesmas e como é que a Millennium bim o tem vindo a fazer?
As marcas e organizações fazem parte do tecido económico e da sociedade de um País. E, como tal, devem assumir-se como exemplo a seguir pelos outros agentes económicos de menor dimensão. Demonstrando-se disponíveis para, no âmbito da sua atividade, encontrar soluções, produtos, serviços e sobretudo atitudes de solidariedade que possam mitigar os efeitos desta crise sanitária que me breve se transformará numa crise económica que todos queremos ultrapassar.
Felizmente, no nosso caso, o Banco tem demonstrado, com os seus resultados ao longo dos anos, que tem uma posição de liquidez muitíssimo favorável e um rácio de capital que ronda os 45%. Esta fortíssima liquidez e robustez, permite-nos por um lado ter capacidade de intervir no mercado através da concessão de crédito como mais nenhum outro banco, e por outro lado, a solidez do balanço dá-nos total confiança de que vamos passar esta fase da pandemia com a capacidade para absorver eventuais impactos negativos que a pandemia possa ter na economia moçambicana e no nosso negócio.
A essa robustez acresce o nosso comprometimento com a sociedade, através de desenvolvimento de iniciativas de responsabilidade corporativa. Nesse âmbito, o Banco subscreve, desde 2003, os Princípios do Pacto Global da Nações Unidas que tem por objetivo contribuir para a construção de um mercado global mais sustentável e partilhar valores que permitam à população mais vulnerável o acesso a oportunidades a uma vida melhor.
O Millennium bim e os seus Colaboradores acompanham sempre, e com grande preocupação, os efeitos das calamidades naturais que ocorrem sistematicamente no País, posicionando-se na linha de frente com respostas proactivas de apoio aos mais afetados. Este é apenas um exemplo. O Banco desenvolve inúmeras iniciativas de responsabilidade social em todo o País e em diversas áreas, através do seu Programa “Mais Moçambique pra mim”.

O Millennium bim considera-se como uma Marca e Empresa na Linha da Frente do Covid-19?
O Banco tem adotado medidas excecionais com vista a mitigar o risco de propagação do surto viral causado pela pandemia do Covid-19, contribuindo, primeiro, para a estabilidade económica e financeira do país e, segundo, visando o bem-estar da população moçambicana.
A envergadura do apoio que temos disponibilizado às empresas e aos projetos de responsabilidade social, desde a primeira hora que esta situação se instalou, são disso exemplo. Acreditamos que sim, que estamos na linha da frente nesse combate, mas preferimos que os nossos atos e iniciativas o expliquem melhor que estas palavras.

Na sua opinião, qual deverá ser o papel que os Bancos na CPLP devem assumir para ajudar as empresas e cidadãos a ultrapassar o Covid-19?
Os bancos têm sido chamados a dar um contributo fundamental no apoio às famílias e às empresas por força da contração da atividade económica decorrente da pandemia do Covid-19. Neste contexto, o espaço da CPLP não é exceção.
Sendo assim, é necessário que os Bancos da CPLP estejam disponíveis para conceder moratórias, concedam linhas de financiamento para apoio à tesouraria das empresas, com taxas de juro bonificadas, prorrogação de todos os créditos com pagamento de capital no final do contrato, com todos os seus elementos associados, incluindo juros, garantias, designadamente prestadas através de seguro ou em títulos de crédito. Acreditamos também que a extensão do prazo de pagamento de capital, rendas, juros, comissões e demais encargos, bem como isenções ou reduções de comissões nas operações realizadas nos canais digitais possam ser opções a considerar e a aplicar caso a caso.
Por outro lado, a cooperação entre bancos da CPLP constitui um grande contributo para a integração financeira dos bancos comerciais, melhorando as condições de financiamento da economia, bem como a promoção do desenvolvimento sustentável das transações financeiras entre as entidades envolvidas, num ambiente de transformação das práticas de supervisão bancária.

Moçambique atravessa ou atravessava (antes do Coronavírus) uma fase de crescimento e evolução, sendo importante continuar a promover esta dinâmica. Esse crescimento pode estar em risco? Que medidas para evitar esse cenário devem ser tomadas?
Em 2019, enquanto as projeções apontavam para a recuperação económica, o País foi devastado por dois ciclones (Idai e Kenneth) que destruíram infraestruturas e diminuíram a capacidade produtiva das empresas, acompanhado pela diminuição de preços de matérias-primas no mercado internacional, redução de fluxos de capitais externos, levando a um crescimento historicamente baixo do PIB (cerca de 2,2%).
Em 2020, os riscos aumentaram, prevendo-se um crescimento mais fraco de 2% resultante da menor procura agregada, fraco crescimento mundial, num contexto em que os preços dos principais bens de exportação se encontram em queda, elevando a pressão sobre a inflação e taxa de câmbio. Por outro lado, o adiamento da decisão final de investimento da Área 4 e violência armada em algumas regiões de Cabo Delgado e zona centro, constituem riscos nas projeções da atividade económica no ano corrente.
Para mitigar os impactos económicos causados pela pandemia, será necessária uma conjugação de políticas fiscais e monetárias com vista a impulsionar os setores económicos mais afetados, deferimento de descontos fiscais no setor empresarial, celeridade no reembolso de IVA e pagamento de faturas em atraso pelo Estado, isenção do IVA em alguns bens de primeira necessidade, linha de financiamento ao apoio á tesouraria das empresas com juros bonificados, renegociação e concessão de moratórias a créditos em incumprimento.

No domínio do universo empresarial, como tem o banco promovido um relacionamento próspero que promova mais investimento em Moçambique em tempos de pandemia? As empresas lusas assumem uma forte preponderância na orgânica da marca? O banco tem liquidez para apoiar as empresas portuguesas?
O Millennium bim posiciona-se sempre como parceiro de referência no apoio ao desenvolvimento das empresas, particularmente das Pequenas e Médias Empresas (PME), através de programas como o ‘Negócios do Millennium’.
No contexto lusófono, o Millennium bim tem assinado vários protocolos que se materializam na abertura de uma linha de crédito para financiar, em condições mais favoráveis, empresas com capital português nos seus projetos de investimento em Moçambique.
O Millennium bim é o banco mais robusto no sistema financeiro moçambicano, em termos de capitalização, rentabilidade e dimensão de balanço, detendo, por isso, uma posição confortável de liquidez para apoiar empresas lusas que pretendam investir os seus projetos em Moçambique. As soluções de Banca Corporativa e Investimento envolvem serviços avançados de project finance e corporate finance, contando com a estreita colaboração da equipa do Millennium bcp baseada em Portugal.

Quais são os grandes desafios que se colocam ao Millennium bim em 2020? O que podemos esperar da marca para este ano? Como tem vindo a marca a ultrapassar os constrangimentos provocados pela pandemia que vive atualmente o mundo?
Os principais desafios que se nos colocam são a apoiar a retoma que seguramente virá a seguir a esta crise, a inovação tecnológica através da oferta de soluções de banca digital, a transformação dos modelos de governação e negócio e consolidação de uma banca responsável, estável, confiável com capacidade de promover o crescimento e desenvolvimento da economia.
Temos também a preocupação de acelerar a transformação digital. O confinamento da população decorrente do Covid-19 veio mostrar-nos ainda com maior clareza a necessidade de dinamizar mais o relacionamento com os nossos Clientes através das plataformas digitais. Já vínhamos desenvolvendo este trabalho, todavia, a pandemia obrigou-nos a desenvolver ainda mais serviços e produtos mobile para os Clientes particulares e o internet banking para as empresas. A opção pelo Trabalho Remoto passará a ter maior consideração, observando-se, naturalmente, os indicadores de desempenho e produtividade.
Aliás, a aposta na digitalização e o investimento que o Banco tem feito nas novas tecnologias e na captação de talento já nos garantiu reconhecimento internacional, com o recente Prémio ‘Serviços Bancários Mais Inovadores – Moçambique 2020”.
Para ultrapassar os constrangimentos causados pela pandemia, o Banco tem vindo a desenvolver um conjunto de iniciativas estratégicas para melhorar a competitividade em termos de qualidade de serviços prestados, modernização das transações bancárias, desenvolvimento da banca digital, credibilidade institucional, e maior transparência na comunicação com o público.

UMA MULHER LÍDER E EMPREENDEDORA

Quem é Liliana Ferreira e como pode dar a conhecer um pouco mais do seu percurso e carreira profissional até aos dias de hoje?
A Liliana é uma pessoa que nasceu e viveu (ainda vive quando está em Portugal) numa aldeia do concelho de Mação, Chão de Lopes. Tem muito orgulho nas suas origens e é fascinada pela natureza. Praticou futsal nos tempos de juventude; atualmente apenas aprecia o futebol como espectador. Adora viajar e tem um blog designado “Descobrir África” onde mostra um pouco daquilo que são as viagens pelo continente africano, que é deslumbrante.
Comecei a trabalhar desde muito cedo, ainda no ensino secundário trocava as férias de verão por trabalho em part-time. Logo que fiz 18 anos, fui trabalhar para a Alemanha para garantir a minha independência financeira e ganhar experiência de vida – a qual a longo prazo se reflete como um grande ensinamento.
Aquilo que alcancei no meu percurso de vida, deve-se em primeira instância à minha família, aos princípios que me foram transmitidos, à minha natureza de fazer acontecer, fazer com paixão, fazer dando valor acrescentado/ significado, e às dificuldades que se atravessavam pelo caminho. O percurso académico também teve muita relevância, pelo que tive sempre envolvida em inúmeras atividades, como Tuna Feminina, Associação de Estudantes, Concelho Pedagógico, Núcleo do curso e outras atividades desportivas e académicas. Formei-me em Engenharia Informática e das Tecnologias de Informação e no último ano de curso resolvi integrar a equipa da PT, onde em backoffice resolvia processos complexos de clientes insatisfeitos com os diversos serviços, permitindo-me conhecer muito bem o ramo das telecomunicações. Depois de terminar o curso, comecei a trabalhar na Capgemini e foi onde conheci o mundo desafiante da consultoria, seja em contexto tecnológico como estratégico.

Tem um passado repleto de passagens por empresas de enorme renome e prestígio como a Portugal Telecom, a Capgemini e PwC. De que forma é que foi «bebendo» destas experiências para ser uma melhor profissional?
De facto, não me posso queixar do meu passado que foi sempre repleto de boas aprendizagens, pela diversidade de projetos desafiantes que tive oportunidade de abraçar e pelos colegas altamente profissionais com quem tive o privilégio de aprender. Também pela confiança que nalgumas passagens, a gestão de topo (top management) depositou em mim.
Na PT trabalhava com ferramentas que a Capgemini também desenvolvia para os seus clientes e sem me dar conta que já dominava ferramentas que teria que vir a implementar no futuro, um feliz acaso e uma boa alavanca para muitos projetos futuros. Foram os desafios na Capgemini que me permitiram tornar na profissional que sou hoje, mas também é preciso ter muita vontade de fazer mais e melhor a cada dia. Na “Cap.” não havia monotonia de projetos ou setores de negócio (posso dizer que experienciei áreas como banca e seguros, energia e utilites, telecomunicações, setor público, retalho, projetos internacionais de grande relevo ao nível mundial como a Vodafone Global Enterprise, ou rede CTT e também várias áreas tecnológicas (área técnica), das quais me fui afastando propositadamente, caminhando para a área de gestão e estratégia – que é aquela em me sinto “sobre rodas” como se costuma dizer.
Tanto os projetos, como a atividade comercial ou até a formação, foram sempre com timings apertados – recordo que muitas vezes tínhamos de aprender a trabalhar com uma tecnologia na qual não havia na altura outras empresas com experiência em Portugal. A título de exemplo, em 2009 (eu tinha acabado de ser contratada) foi adjudicado um projeto de uma Seguradora de renome e a ferramenta de software selecionada foi Salesforce.com ou SFDC (atualmente, o Customer Relationship Management número 1 no mundo) e nós demos os primeiros passos como parceiros/ implementadores, portanto passamos por desafios que não lembra a ninguém. Era uma descoberta atrás de outra e apesar do desafio fez-me ganhar uma experiência e conhecimento muito enriquecedores sem dúvida.
Como tinha o bichinho cá dentro de voar para Angola fazer projetos que mudassem para melhor a vida das pessoas, surgiu a oportunidade na PwC com um projeto também fantástico e muito aliciante para o setor público a nível nacional, sendo assim o ponto de partida para esta aventura em Angola, naquilo que faço hoje, com muito gosto. E a partir daí tenho tido a sorte (aliada à vontade) de participar em projetos públicos muito importantes a nível nacional – Ministério das Finanças e Ministério da Justiça. O meu foco hoje enquanto profissional é essencialmente no Ministério da Justiça, na área de Identificação Civil, onde existe um grande enfoque na área estratégica de melhoria de serviços, seja a nível funcional/operacional como tecnológico. De notar que em Angola ainda existem municípios onde o registo civil é feito em papel e é muito grande o desafio da transformação digital e formação de quadros em tecnologia.
A empresa para a qual trabalho é sediada em Pequim, sendo que também tive a oportunidade de conhecer e ficar um mês a trabalhar na China, conhecendo outra realidade completamente diferente da nossa em Angola.

Encontra-se há cerca de quatro anos em Angola, e gostava de saber como tem sido viver com esta nova realidade, provocada pela pandemia da Covid-19?
Na nova realidade provocada pela pandemia, há sempre o receio do desconhecido, de como será a evolução da pandemia, ou até o quão preparados estamos para combater o vírus (penso que isto é geral no mundo inteiro). Em Angola existe um conjunto de limitações (ao nível da saúde) que se estendem a quase todo o continente africano e nesse sentido as condições para tratar doentes são mais limitados do que em Portugal e isso faz com que nos questionemos sobre muitas coisas: “E se fico doente e precisar de ventilador, será que há para mim? E se a pandemia se descontrola de tal forma, começa o caos nas ruas e consequente aumento da violência? Aumento da precaridade? Falta de bens essenciais nos supermercados? No entanto até ao momento não temos sentido esse aperto e ainda bem!
Mas o reverso bom da medalha é que o governo de Angola tomou medidas de prevenção muito cedo e isso é de elogiar. Estive em Portugal no final do mês de fevereiro quando regressei no início de março, no aeroporto os funcionários já estavam devidamente preparados para medir a febre, higienização das mãos com álcool gel, entre outros – o que fez com que os casos ainda não se multiplicassem muito. Penso que à data de hoje temos cerca de 80 casos, muitos deles importados. O contágio local ainda tem proporções muito pequenas.
Por outro lado, a título pessoal, estou a aproveitar ao máximo esta oportunidade “covid” para fazer imensas coisas que não consigo fazer habitualmente na “vida de consultoria” – a qual é sempre a correr.
Se pensarmos bem, os profissionais que têm a opção de ficar em casa podem fazer imensas coisas através do mundo digital e não só. Vejo como excelente altura para nos conectarmos ao mundo inteiro através do mundo digital (por exemplo através de webinars gratuitos e outros pagos, aulas online, novas formas de trabalhar, novas ferramentas); aprender coisas novas e a título de exemplo partilho uma coisa engraçada que só aconteceu porque o Covid-19 chegou. Tinha decidido há poucos meses fazer certificação e acreditação em Coaching, uma área que nutro grande interesse e que serve ainda de complemento ao meu trabalho enquanto diretora estratégica, em especial como manter os funcionários motivados face a tantos desafios. A International Coach Federation (ICF) tinha agendado formação presencial aqui em Luanda, com início em março; o que não aconteceu devido à pandemia. Confesso que fiquei frustrada porque era uma oportunidade única de fazer o curso em Angola numa das escolas de coaching mais conceituadas; então comecei a procurar cursos online, empresas, pessoas, e encontrei imensas coisas interessantes, inclusive já fiz certificação online, e outras tantas formações complementares, e tem sido ótimo o que tenho encontrado e participado – que de outra forma não conheceria (e nada destas ferramentas e cursos estariam disponíveis online caso não existisse Covid-19). Houve uma grande libertação de recursos online em todo o mundo e isso facilita bastante processos de formação, comunicação, partilha de ideias, entre outros. Também acredito que é uma boa altura para reflexão, olhar para dentro, valorizar o que temos, aproveitar e dar tempo de qualidade aos entes mais próximos.

De que forma tem o país, as empresas e a sociedade em geral lidado com esta nova realidade? Que impacto é que todo este «novo normal» tem tido a nível económico e social?
Ora bem, o país parou como o Covid-19 sugere – Angola não é diferente dos restantes. O Governo tem medidas muitos restritivas e punições severas para quem infringir a lei. E se a lei diz que não podemos sair de casa, salvo justificado, então não o devemos fazer de todo.
Os mercados essencialmente informais pararam durante cerca de um mês, e isso tem um grande impacto na vida dos cidadãos de baixa renda (que são a maioria). Portanto questões como fome, infelizmente, aumentam a cada dia. Mas também há coisas positivas a retirar desta paragem, por exemplo os costureiros (e cá existe muito o conceito de alfaiate) começaram todo um novo negócio de produção de máscaras de pano africano, e os vendedores de rua (na gíria: zungueiras) também têm um nicho de mercado muito interessante.
Em relação à minha realidade, na empresa tivemos de mudar um pouco na componente de consultoria, estratégia e marketing, e passamos a trabalhar mais remotamente, como tantas outras empresas, sendo que já o fazíamos antes porque temos equipas na China, ou, quando há deslocações a Portugal também o fazemos. Na componente operacional, temos uma boa percentagem de funcionários no setor público, e os serviços nos quais estamos a operar, pararam a 100% durante um mês e nesse aspeto não houve muito a fazer senão parar. Como os nossos projetos são fechados com budget bem definido, conseguimos agilizar dentro das normais dificuldades, ainda assim tivemos de congelar alguns contratos com fornecedores. Entretanto já voltamos ao ativo a 50% com rotatividade de funcionários e estamos a recuperar o tempo de paragem de uma forma relativamente serena. O trabalho remoto continua, que é o meu caso.
Por outro lado, o facto de termos poucos casos em Angola faz com que haja mais confiança em regressar ao ativo e isso também é positivo e afasta aquele dramatismo referente aos contágios locais e aumento exponencialmente de casos que se vive na Europa. Os média também não têm tantas notícias “dramáticas” para mostrar, portanto acho que estamos no bom caminho.
No geral existe um impacto económico tremendo; e não pretendendo estar a ser demasiado superficial no raciocínio, muitas pequenas/ médias empresas pararam de todo, pois os seus quadros estrangeiros voltaram para o seu país e, estando ausente, fisicamente, é sempre mais difícil acompanhar o trabalho principalmente quando o percentual de absentismo (em dias ditos normais) já é significativo.
Outras tantas empresas estão a procurar outras formas de se reinventar (por exemplo o setor da restauração está na sua maioria a fazer entregas ao domicílio e sem custo de transporte para o cliente). Passámos a ter aulas de yoga ou crossfit online e de forma gratuita – o que promove de alguma forma os instrutores.
Em suma, penso que em Angola o contexto não é muito diferente do resto do mundo, com a vantagem de que não temos tantos casos como no resto do mundo.

A desigualdade do género assume-se como um obstáculo à evolução. Durante a sua carreira, alguma vez sentiu ou enfrentou obstáculos pelo simples facto de ser mulher? Se sim, como os ultrapassou?
A desigualdade existe e afeta algumas mulheres; pessoalmente não considero que tenha sido um obstáculo à minha evolução de carreira. Sempre pensei que podia ser presidente ou CEO de uma empresa e continuo com a mesma convicção. No entanto, é também importante distinguir o contexto Português do Angolano.
Em Portugal não me recordo de alguma vez o ter sentido, até porque passei por empresas que fomentam muito a igualdade de género, como a Capgemini e a PwC. Se é um obstáculo? Penso que não, de todo, porque nós, seres humanos, temos uma essência, valores, e no fundo somos todos iguais – foi assim que cresci e é assim que vejo o mundo (sem rótulos, sem cargos, de igual para igual) – isto nem sempre é bom, mas no geral permite-nos não ir com medo de falar ou olhar de frente para uma chefia, permite-nos perguntar se temos dúvidas, de errar para a seguir aprender. O facto de ser uma pessoa lutadora (sou “empreendedora” desde pequena quando vendia tapetes na mercearia dos meus avós na aldeia), com opinião fundamentada, com espírito de “estamos cá para arranjar soluções” e nesse sentido penso que mesmo que existam obstáculos ou crenças sobre a desigualdade de género são totalmente ultrapassáveis.
Já no contexto de Angola, este é um país ainda com uma mentalidade conservadora, em que não há muitas mulheres em posição de chefia/liderança, no entanto já se vão vendo algumas, o que é ótimo. Habitualmente o homem trabalha e a mulher toma conta dos filhos e da casa. Já tive algumas peripécias engraçadas, de por exemplo em reuniões com clientes, os meus colegas homens eram todos chamados de engenheiros e eu não era chamada de engenheira (porque uma mulher normalmente não é engenheira, é de gestão, ou vista como secretária). Situações caricatas com pouca relevância, dado que sei o lugar que ocupo na empresa para a qual trabalho e tenho a confiança e apoio dos meus colegas e chefia. E no fundo se pensarmos que independentemente de sermos mulheres ou homens, somos seres humanos que pensam e que erram, as coisas ficam sempre mais fáceis!

O que podemos continuar a esperar da sua parte para o futuro?
Continuar a minha caminhada de vida, onde se inclui o trabalho com muita dedicação, devoção, brio profissional, servir deixando sempre algo melhor do que o que estava, fazendo sempre mais e melhor do que o fiz hoje. Viver o presente, agradecendo por cada dia!
E no fundo retirar do Covid-19 a aprendizagem de tomarmos consciência da nossa pequenez (um vírus invisível faz parar o mundo). Gostaria de deixar uma mensagem de reflexão que é: o Covid-19 está a dar-nos a oportunidade de simplesmente parar, olhar à nossa volta, ver que podemos ter muito ou pouco dinheiro no bolso mas isso não faz com que o vírus diminua a sua intensidade, que somos todos iguais e frágeis perante as adversidades; oportunidade de olhar para dentro por exemplo através da meditação, de perceber a turbulência e correria que vivíamos nos dias normais, que não tínhamos tempo, que só nos focávamos no trabalho. Deixar de olhar para o Covid-19 com um problema e ver lado positivo e o leque de oportunidades a vários níveis.

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