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Ricardo Andrade

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GRUPOCONCEPT – “CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO”

Primeiramente gostaríamos de conhecer melhor a Sandra Castanheira. Quem é enquanto mulher e profissional?
Desde muito jovem, sempre senti que existiam lugares e comportamentos aceites quando frequentados ou tidos por homens e limitados ao sexo feminino. Isso foi algo que sempre me causou bastante incómodo e desencadeou da minha parte ações que visassem a alteração desta visão social.
Hoje em dia, como mulher, sinto fazer parte do início de uma sociedade igualitária entre géneros, ainda com um grande caminho por percorrer, na qual sinto que tenho a responsabilidade de participar. A minha contribuição é diária, tanto como profissional e gestora de uma equipa maioritariamente feminina em cargos de direção, como pessoal, na educação da minha filha a quem faço questão de passar estes valores de igualdade entre os géneros.
É difícil falar de mim como profissional individual, pois considero que pertenço a uma equipa extremamente competente, com foco no crescimento, na elevada qualidade dos serviços prestados e na satisfação dos clientes. Gosto de pensar que possuo também as mesmas características do grupo com o qual trabalho e que tanto admiro.
Dou primazia à criatividade e à inovação, tendo sempre em conta que as estruturas base sejam sólidas e que permitam a inclusão de novos conceitos sem deterioramento dos anteriores.

A título pessoal, que características diria serem fulcrais para se singrar no mundo da liderança?
Acredito que um líder deve ter, em primeiro lugar, uma visão bem definida de quais os objetivos que pretende conquistar e tem que possuir a capacidade de partilhar essa visão com os restantes elementos do grupo, a ponto que esta se torne um objetivo comum. É fundamental que tanto as competências profissionais como pessoais sejam compreendidas e utilizadas da melhor forma. Cabe também ao líder a tarefa de permitir uma eficiente articulação interpessoal através de uma clara definição do papel de cada colaborador na organização, para que se possam obter os resultados pretendidos, enquanto se estimula a motivação, a satisfação profissional de cada um e consequentemente a sensação de pertença à organização. No GrupoConcept sempre tivemos este conceito em mente e talvez seja este, um dos fatores do nosso sucesso.

Atualmente é Administradora do GrupoConcept que visa, sobretudo, democratizar a beleza ao permitir que todas as mulheres tratem de si, recorrendo a tecnologia de ponta e profissionais especializados. Como é pertencer a um Grupo com uma estrutura de sucesso e reconhecimento?
Apenas pontualmente me apercebo da dimensão da nossa estrutura e do reconhecimento que o grupo apresenta no exterior. Como elemento atuante e bastante integrado nos processos diários da operação acabo normalmente por ter uma visão de “dentro para fora”, focada no que pode ser melhor, como podemos chegar mais longe e no que podemos trazer de novo. Recebo com uma grande satisfação a tomada de consciência deste reconhecimento, que surge como uma sensação de trabalho cumprido e como uma recompensa do esforço empreendido não só por mim, mas também pelos mais de 700 colaboradores que diariamente se empenham em representar as nossas marcas com a máxima qualidade. Na realidade este sempre foi o nosso objetivo, a criação de uma marca forte presente em vários países e que pudesse oferecer serviços de estética, aos melhores preços com a melhor qualidade.

Tendo em conta que a sociedade se encontra em constante mudança, de que forma têm conseguido reinventar-se e adaptar-se, sem nunca esquecer as necessidades dos mais de 1 milhão de clientes que já passaram pelas clinicas Bodyconcept e DepilConcept?
Felizmente para o grupo, a preocupação geral com o bem-estar físico e psicológico tem tido um crescimento bastante significativo nos últimos 15 anos. Quando iniciámos a marca, acreditávamos que esta preocupação já existia, mesmo que de uma forma mais latente.
Apesar desse aumento favorável na procura da área de serviços que são prestados nas nossas clínicas, nos últimos anos o consumidor tornou-se mais informado e mais exigente e por esse motivo a nossas adaptações têm sido, por um lado focadas na aposta constante na formação dos nossos profissionais tanto ao nível do atendimento geral como na aplicação dos serviços, e por outro no aumento da oferta de novos serviços apoiados em novas tecnologias, tais como a cavitação, a radiofrequência, e recentemente o laser e a Criolipólise.
A manutenção dos valores iniciais da marca, que passam por um atendimento personalizado e uma adequação dos nossos serviços e produtos às necessidades individuais de cada cliente, é também, por si só, uma das características que tem permitido a continuidade e a expansão da marca.

Os valores que são assumidos, enquanto elementos definidores do GrupoConcept, são transversais a todos os profissionais e às várias áreas em que atua, mostrando-se decisivos para a sua evolução e o seu contínuo sucesso. Assim, o que podemos esperar da marca para o futuro promissor?
Tal como referi anteriormente, a inovação é algo que considero fundamental para que a BodyConcept e a DepilConcept possam continuar a ser consideradas as marcas de referência na área da estética e do bem-estar. Temos neste momento, várias equipas focadas principalmente no crescimento de quatro áreas. Estas são o aumento do número de unidades, tanto em território nacional como internacional, a inclusão de novas ferramentas de trabalho nas clínicas, que permitam aumentar a eficiências das equipas no atendimento ao cliente, o aumento da comunicação dos nossos produtos e serviços através de novos canais que permitam chegar a mais clientes e o desenvolvimento através do aumento da variedade, da linha de cosmética exclusiva Concept +.

MERCK PORTUGAL – UM OLHAR REPLETO DE ESPERANÇA

Pedro Moura conta com percurso vasto e consolidado de 32 anos na indústria farmacêutica. Há oito anos, quando iniciou a sua viagem na Merck, começou nesta empresa global enquanto Líder Regional da Europa na área da oncologia, contudo é desde 2017 que representa Portugal no cargo de Diretor Geral.
“Se há de facto organização onde nos podemos orgulhar de trabalhar e onde nos sentimos absolutamente motivados e energizados todas as manhãs é a Merck”, começa por afirmar o nosso entrevistado. Consciente da responsabilidade que é representar uma marca tão poderosa, é com total certeza de que vale a pena abraçar o risco da falha – um lugar comum – e a traduzir em importantes melhorias na vida de milhões de pessoas.
Espalhados por todos os continentes (com presença em 66 países), a missão da Merck assenta em três pilares distintos: a Healthcare – uma área que ajuda a criar e a melhorar vidas através de tratamentos líderes e eficazes, nomeadamente de infertilidade, no combate à Esclerose Múltipla, na Imuno-Oncologia, mas também em áreas como a Diabetes que afeta cerca de um milhão de portugueses, entre outras; a Life Science – uma área que opera intimamente com as principais comunidades científicas, dando-lhes ferramentas laboratoriais que permitem aos investigadores concretizar descobertas revolucionárias, como é, por exemplo, o caso do diagnóstico in vitro; e a Electronics – um setor que está por detrás de empresas na área digital e que assenta em quatro subpilares: os Semi-condutores, as Display Solutions, as Soluções de revestimento e os Delivery Sistems.
Estes três setores, Healthcare, LifeScience e Electronics têm a ciência como denominador comum sendo a alavanca para as descobertas que fazem e as tecnologias que criam, acabando por se refletir no serviço do bem individual e/ou coletivo e fazendo a diferença na vida diária de milhões de pessoas de uma forma sustentada.
Entre aproximadamente 58000 colaboradores, estão as «mentes curiosas» que permitem a concretização das ideias chamadas brilhantes. “Nós acreditamos que a curiosidade é, de facto, a nossa força motriz. A força motriz do progresso e do desenvolvimento humano. O futuro está cada vez mais repleto de desafios e incertezas e a curiosidade permite-nos navegar nesses terrenos desconhecidos com maior confiança e otimismo e ter uma voz ativa na modificação dessa realidade. Nós impulsionamos, também em Portugal, a criação de soluções inovadoras e não o fazemos sozinhos. Procuramos, desde há muitos anos, desenvolver parcerias e sinergias com várias instituições relevantes como o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (iBET), o Instituto Gulbenkian de Ciência ou o Instituto de Medicina Molecular (IMM)”, assegura Pedro Moura.
É de extrema importância referir ainda que hoje, e cada vez mais, o futuro na Merck passa crescentemente por desenvolver fármacos potenciados através do desenvolvimento de Biomarcadores – e dessa forma alavancar o benefício terapêutico mitigando em paralelo as reações adversas com impacto positivo também do lado do custo.

DIA MUNDIAL DA SAÚDE
Esta efeméride é celebrada anualmente a 7 de abril e, como outras datas importantes, foi criada com a finalidade principal de consciencializar a população a respeito da importância de manter o corpo e a mente saudáveis, abordando alguns problemas de saúde que atingem a população mundial, alertando sobre os riscos e para a prevenção, sendo que num ano em que se vive uma pandemia global é de extrema relevância que diariamente se faça uma reflexão profunda sobre a magnitude desta problemática. “É necessário que essas datas se mantenham vivas. Na Merck realizamos inúmeras atividades com o objetivo de melhorar a vida dos doentes e a vida dos cuidadores – não nos esqueçamos que são muitos os portugueses que dedicam grande parte do seu tempo a cuidar dos que mais precisam. Potenciamos por isso diversas ações de comunicação e sensibilização, podendo destacar a campanha Make Sense que incide na importância de reconhecer à priori os sinais de cancro da cabeça e pescoço, que é uma patologia desconhecida para a maioria da comunidade”, afirma o nosso entrevistado.
Apesar das graves consequências e do impacto negativo da pandemia que vivemos, Pedro Moura reconhece ser um «otimista por natureza». Assim, termina deixando uma mensagem de esperança para continuarmos a enfrentar a luta que hoje conhecemos como COVID-19: “Primeiramente, e porque hoje faz mais sentido do que nunca, não hesitem nem por um segundo, em seguir as recomendações dos médicos de família ou outros no que diz respeito à vacinação. Estamos a falar da vacina contra a COVID-19 mas podemos falar de todas as outras também. Os benefícios compensam imensamente os riscos. Gostava de dizer também para não terem medo de se dirigirem até às instituições de saúde, de ir ao médico. Pró-ativamente, contactem os médicos de família, os especialistas, quem os seguiu no passado e que pode seguir no presente. Voltem rapidamente aos rastreios, às consultas de diagnóstico e de despistagem de potenciais patologias. Por fim, quero deixar uma palavra de esperança. A indústria farmacêutica mostrou mais uma vez que soube dar resposta a mais este grande desafio. Com toda a certeza que mais desafios virão e só uma sociedade organizada, consciente e orientada para o mesmo propósito poderá resultar num cenário vitorioso”.

“COLOCAR PORTUGAL NO MERCADO INTERNACIONAL DE LOCALIZAÇÕES PARA INVESTIMENTOS”

A aicep Global Parques é uma empresa do Setor Empresarial do Estado especialista em gestão de parques empresariais e na prestação de serviços de localização para investimento nos setores da indústria, energia, logística e serviços em Portugal. Como tem sido a evolução da empresa?
Muito positiva, de 2019 para 2020 cresceu a taxa de ocupação em todos os parques empresariais sob gestão, em Sintra, Setúbal e Sines. O volume de negócios cresceu 3,7%. O aumento das taxas de ocupação na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) e no BlueBiz – Parque Empresarial da Península de Setúbal significam crescimento económico, da produção industrial e do emprego nas respetivas regiões.

Afirmam que os Parques industriais e logísticos são muito mais do que edifícios industriais, armazéns logísticos, pipelines e estradas de acessos. Assumem, no âmbito desta atividade, a necessidade de garantir um desenvolvimento sustentável, tendo como prioridade as questões ambientais e de sustentabilidade económica e social das regiões onde se inserem estes Parques. Este foco tem sido um fator crucial de diferenciação? Neste sentido, que elementos são tidos em conta no processo de disponibilização dos espaços?
A aicep Global Parques é ciosa da sua política de Responsabilidade Social Corporativa. Procura fazer a sua parte para garantir um desenvolvimento sustentável, tendo como prioridades o Ambiente e a Eficiência Energética; a Segurança e a Proteção; e também a Qualificação dos Recursos Humanos, o Empreendedorismo e a Cultura.
Nomeadamente, as nossas preocupações e investimentos em sustentabilidade e eficiência energética, na gestão florestal e manutenção de espaços verdes e nos planos de monitorização e mitigação ambiental, são fatores decisivos na escolha das localizações sob gestão da aicep Global Parques por parte dos investidores, mas também na nossa alocação da localização e na definição das condições para o acolhimento de cada projeto.
Em 2020 a área da segurança e da proteção mereceu especial envolvimento com as comunidades locais, nas ações de resposta à crise sanitária. Com apoios a aquisições de equipamentos pelo Hospital do Litoral Alentejo e a Santa Casa da Misericórdia de Sines; e pelas corporações de bombeiros dos municípios onde os nossos ativos se localizam, Sintra, Setúbal, Santiago do Cacém e Sines.

No portefólio de Parques Empresariais, está incluído o maior Parque Industrial e Logístico em Portugal, a ZILS em Sines. Quais são as suas vantagens competitivas?
A Zona Industrial e Logística de Sines é a maior área de localização empresarial de Portugal, com 2.375 hectares, estrategicamente localizados junto ao Porto de Sines, destinado a atividades industriais, logísticas e de serviços, tendo várias das maiores empresas nacionais e estrangeiras instaladas, tais como a maior refinaria do país, da GALP, ou as fábricas petroquímicas, da Repsol e Indorama.
A ZILS está integrada com o Porto de Sines, com o qual compõe o Complexo Portuário, Logístico e Industrial de Sines, estando assim cada vez mais conectada a todo o globo; tem acessos rodoferroviários ao hinterland nacional e ibérico em franco desenvolvimento, no âmbito do “Corredor Atlântico” da RTE-T Rede Trans-Europeia de Transportes. Para além disso a ZILS tem um Plano de Urbanização próprio, que facilita o licenciamento e instalação das empresas podendo acolher toda a classe de produção de energia e indústria. Outra das vantagens é a oferta de lotes tailor-made e infraestruturados; e a grande disponibilidade de utilidades, tando de eletricidade desde 30kV a 400kV, incluindo de fontes renováveis como de água industrial e tratamento de esgotos. Tem ainda um Centro de Negócios para empresas de serviços de apoio à atividade industrial; e disponibilidade de mão-de-obra especializada e centros de formação adequados. Muito importante hoje em dia o facto de a ZILS ter um Plano de Monitorização Ambiental para controlo do ar e das águas superficiais e subterrâneas, sendo realizados relatórios periódicos e implementadas medidas de mitigação.

Em que medida a gestão do mesmo promove e reforça o investimento na infraestrutura elétrica para uma maior eficiência energética, na produção de energia de fontes renováveis e na monitorização e recuperação ambiental? Neste domínio, qual tem sido a vossa dinâmica no que concerne ao Hidrogénio?
A nossa aposta na ZILS é consubstanciada num esforço permanente de melhoria das suas condições para manter e expandir as atuais indústrias instaladas e captar novos investimentos. Isto passa em muito pelo reforço da capacidade das infraestruturas em geral e das de eletricidade em particular.
Para compatibilizar os desígnios nacionais, e europeus, de por um lado reindustrializar e por outro descarbonizar, temos que eletrificar a economia. Por isso, investimos nas interligações elétricas e trabalhamos na criação de uma CER – Comunidade de Energias Renováveis, que é desde logo útil para a produção de hidrogénio “verde”.
Nesse sentido, temos acompanhado a evolução da Estratégia Nacional para o Hidrogénio, em particular os projetos apontados para Sines, procurando antecipar os vários impactos positivos que podem potenciar. Desde logo os contributos para a nossa balança comercial; para a descarbonização das grandes indústrias ‘energívoras’ que temos em Sines, da refinação e da petroquímica; e a atração de outras empresas químicas que se venham a instalar por termos um cluster de hidrogénio “verde”.

O Sines Tech é um Hub Atlântico, tecnológico que oferece ligações seguras, de alta velocidade e baixa latência, ideal para projetos de TI&T e Data Centers. Que outras mais-valias apresenta e de que forma promove os fatores de atração para a tecnologia – alvo de foco pela aicep?
O produto Sines Tech – Innovation & Data Center Hub é dirigido às empresas globais de telecomunicações e internet, para a amarração de cabos submarinos de telecomunicações, instalação de estações de amarração de cabos e centros de dados.
Sines é um local excecional para a amarração de cabos submarinos. Pela sua localização geográfica como porta atlântica da Europa, a reduzida atividade humana e os seus fundos profundos marinhos, que garantem uma grande segurança na amarração de cabos.
Complementamos essas vantagens para a amarração de cabos com as vantagens que já oferecemos para a instalação de centos de dados, nomeadamente a disponibilidade de áreas de grande dimensão devidamente infraestruturadas, essenciais para estes equipamentos escalarem rapidamente e sem constrangimentos. Bem como a possibilidade de fornecimento elétrico dedicado em Alta Tensão e Muito Alta Tensão e de acederem a fluxos de alto débito de água de uso industrial ou mesmo do mar. Estamos a criar novas vantagens competitivas, como a já referida constituição de uma Comunidade de Energia Renovável, a certificação dos 210 hectares por nós pré-alocados para data centres e o desenvolvimento de um mecanismo articulado de licenciamento da amarração de cabos submarinos de telecomunicações.
O Sines Tech está alinhado com a estratégia europeia que permitirá aumentar a conectividade global, a importação de mais dados, a expansão do mercado de armazenamento e processamento de dados e o desenvolvimento de tecnologias estratégicas e serviços digitais. O Sines Tech quer desempenhar um papel nas EU Data-Gateway Platforms, nomeadamente na EU Atlantic Data-Gateway Platform, infraestrutura fundamental da política digital da União Europeia e para o desenvolvimento socioeconómico do nosso país.

Ainda incluído no vasto portefólio da aicep está o Parque Empresarial da Península de Setúbal – BlueBiz. Quais são as suas ofertas, infraestruturas e pontos de interesse?
O BlueBiz é uma área privilegiada para a localização empresarial, tanto pelas condições infraestruturais proporcionadas como pela sua inserção em Setúbal e excelentes acessos. Localizado na grande área metropolitana de Lisboa, a 40 km da capital, o BlueBiz disponibiliza naves industriais, escritórios e amplas áreas descobertas ideais para setores como a indústria, logística e serviços num contexto de parque fechado com serviços de condomínio associados numa envolvente agradável dotado de espaços verdes. Por estes motivos é um espaço muito acolhedor para se trabalhar e que proporciona aos investidores uma oferta competitiva.
O BlueBiz tem capacidade para receber todo o tipo de empresas de um amplo universo de setores, como é exemplo a aeronáutica com a presença da Lauak e Mecachrome; na metalomecânica de precisão com a Mectop; a agroindústria como é o caso da Vitas Portugal, filial do Grupo Roullier em Portugal e a Clever Leaves que é uma referência na transformação da planta de Canábis; da logística automóvel, com a Gefco e CAT; da reparação e manutenção de máquinas, Grupo Entreposto; a TUV Áustria, grupo internacional que é uma referência na consultoria e gestão de processos de qualidade industrial ou, a Euronavy Engineering, uma empresa industrial e de serviços cross market que desenvolve, produz e comercializa tintas e revestimentos de alto desempenho, assim como serviços de engenharia.
O BlueBiz disponibiliza ainda um centro de escritórios para empresas de serviços, em condições competitivas, posicionando-se como uma vantajosa alternativa na grande área metropolitana de Lisboa.

A Aeronáutica é um cluster em ascensão em Portugal. De que forma a aicep tem vindo a apoiar este importante setor de atividade económico nacional (integrado no projeto BlueBiz)?
A aicep Global Parques associou-se em 2020 ao AED – Cluster Português para as Indústrias da Aeronáutica, Espaço e Defesa, colocando no radar a sua oferta no BlueBiz, que tão bem respondem às elevadas exigências deste setor.
No entanto inescamoteável que a aviação comercial é provavelmente a atividade económica proporcionalmente mais afetada pela COVID-19. O tráfego aéreo civil e o fabrico de aviões quase pararam. Temos de apoiar a indústria aeronáutica presente em Portugal para que ela não se deslocalize neste momento crítico e para que possamos, pelo contrário, ser um país recetor da inevitável consolidação que o fabrico de aeronaves e componentes aeronáuticos terá nos próximos anos, na Europa e no mundo. É, sem dúvida, um setor muito importante para o Sul do país e em concreto para o BlueBiz – Parque Empresarial da Península de Setúbal, sob nossa gestão.

A plataforma Portugal Site Selection desenvolveu novas funcionalidades recentemente. Qual o objetivo desta plataforma?
O Portugal Site Selection é uma plataforma de atração e apoio à instalação de investimento em Portugal.
Recentemente alargou o seu âmbito de logística e indústria em parques empresariais, para abranger também edifícios de escritórios para serviços e um cadastro de ativos para passar a incluir a oferta de áreas greenfield e brownfield fora de parques empresariais, por vezes devolutas que possam proporcionar oportunidades para investimentos. A sua abrangência foi expandida do território continental para incluir o todo nacional, ou seja, também a Madeira e os Açores.
O Portugal Site Selection destina-se em primeiro lugar aos investidores que procuram o melhor local para instalar o seu projeto, e a quem lhes presta serviços de site selection, como a AICEP e as suas congéneres estrangeiras e os multiplicadores de negócio como consultoras, banca de investimento, advocacia de negócios. É uma forma de colocar Portugal no mercado internacional de localizações para investimentos. Do lado da oferta, também os gestores de áreas de localização empresarial nacionais utilizam a ferramenta para apresentar e promover os parques sob sua gestão.

A terminar, que outros projetos estão planeados para o futuro da aicep Global Parques?
São vários os desafios que se colocam à aicep Global Parques num futuro próximo, onde destacaria:
Na transição energética temos a emergência do cluster de hidrogénio, que tem potencial para impulsionar reforços de investimento das indústrias refinadora e petroquímica já em presença e, sinergeticamente, atrair nova indústria química.
Na transição digital estamos a promover este nosso novo produto Sines Tech – Innovation & Data Center Hub junto de empresas de telecomunicações, com vista à instalação de estações de amarração de cabos transoceânicos; e das tecnologias de informação, procurando atrair centros de dados.
Na criação de uma Associação Portuguesa de Parques Empresariais em que o principal objetivo é estimular a cooperação entre as entidades gestoras das áreas de localização empresarial e dos parques empresariais situados em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, beneficiando de ações e vetores de atuação comuns, de sinergias e recursos conjuntos, promovendo a eficiência do investimento público e privado. Como empresa queremos continuar a crescer em 2021, superando o volume de negócios de 2020.

“O BEI É UM LÍDER CLARO E DESTACADO NO CAMINHO A PERCORRER NESTA DÉCADA CRÍTICA PARA O NOSSO PLANETA”

O Banco Europeu de Investimento (BEI) tem sido um parceiro para Portugal e, consequentemente, para as suas empresas. Como a instituição tem vindo a apoiar o país e o parque empresarial português?
O BEI atua em Portugal desde 1976. Desde então, investimos mais de 52 mil milhões de euros em mais de 470 projetos. Temos desempenhado um papel importante no financiamento de projetos de infraestruturas produtivas e sociais, assim como no financiamento ao setor produtivo.
Em 2020, assinámos 27 operações em Portugal no valor de 2 330 milhões de euros, um aumento de mais de 40% face a 2019. Foi o maior volume de atividade anual desde a crise financeira, reforçando a natureza contra cíclica do BEI. A nossa atividade torna-se mais relevante quando a economia necessita de apoio. Em 2020, Portugal foi o quarto país que mais beneficiou de financiamento, cerca de 1,2% do PIB.

O BEI tem sido um parceiro relevante em termos de financiamento de projetos de hidrogénio. Porquê essa aposta do BEI e como tem sido esse caminho positivo?
O hidrogénio verde tem potencial para desempenhar um papel muito relevante para que se atinja a neutralidade carbónica até 2050, reduzindo emissões de gases com efeito de estufa, principalmente as provenientes de transportes e do setor industrial, que são as mais difíceis de eliminar.
Ao longo da última década, apoiámos cerca de 2 000 milhões de euros de projetos relacionados com o desenvolvimento da cadeia de valor do hidrogénio. De células de combustível a transportes movidos a hidrogénio, mas também a sua utilização na indústria.
O sucesso dos projetos que apoiamos deve-se, em grande parte, aos nossos economistas, engenheiros, analistas financeiros e especialistas ambientais que asseguram as melhores práticas internacionais. Os nossos projetos são reconhecidos pela sua qualidade técnica. Essa reputação permite atrair investidores privados para tomar risco nos projetos que financiamos.
Mas há muito por fazer. É preciso desenvolver o mercado do hidrogénio na UE, para que se torne mais profundo e permita ao hidrogénio afirmar-se como alternativa competitiva aos combustíveis fósseis. O BEI terá um papel importante neste quadro. Em particular, na mobilização de investimento.
A capacidade do BEI em enfrentar desafios tecnológicos e, ao mesmo tempo, financiar projetos inovadores com risco e retorno a longo prazo é fundamental para os promotores, permitindo mobilizar fundos privados e implementar estratégias públicas mais impactantes.

O BEI diz ser o banco climático da UE, o maior financiador de projetos ambientais e sustentáveis. É legítimo dizer que o BEI é uma instituição totalmente comprometida na luta contra as alterações climáticas?
O BEI é o banco climático da EU. Que não haja dúvidas! Nenhum banco está tão comprometido com a sustentabilidade ambiental e a descarbonização da economia com o BEI. Financiámos mais de 25 000 milhões de euros de projetos com impacto na ação climática e na sustentabilidade ambiental em 2020 e aumentaremos esse valor para cerca de 35 000 milhões de euros até 2025.
Nenhum banco pôs tanto do seu dinheiro onde está a sua missão, no que respeita à sustentabilidade ambiental, como nós o fizemos.
O BEI é o maior financiador multilateral no combate às alterações climáticas. O Roteiro do Banco do Clima estabelece bem o nosso compromisso e deixa claro que todas as novas operações estão alinhadas com o Acordo de Paris.
O BEI é um líder claro e destacado no caminho a percorrer nesta década crítica para o nosso planeta.

Como tem o BEI financiado a inovação e a investigação na área da produção de hidrogénio verde? Quais são as potencialidades do hidrogénio e porque é que Portugal não pode perder esta oportunidade?
O hidrogénio verde desempenhará um papel importante na transição energética. Para tal, é necessário desenvolver a tecnologia e torná-la tecnicamente viável para a produção numa escala economicamente competitiva. São necessários mais e melhores investimentos. Um financiador paciente e disposto a partilhar o risco no desenvolvimento de novas tecnologias é essencial para dinamizar a inovação e a investigação, mas também a produção em larga escala.
O BEI oferece soluções abrangentes, que se estendem de serviços de apoio técnico e consultoria financeira até ao financiamento de projetos públicos e privados. Oferecemos financiamento tradicional, mas também soluções de project finance, garantias, quase-capital e capital de risco.
Ao nível dos projetos recentes destacaria o apoio técnico aos promotores de projetos com associação francesa de hidrogénio, mas também a assessoria ao Hydrogen Council, onde identificamos estruturas de financiamento adequadas aos projetos de hidrogénio. Estamos a desenvolver projetos de financiamento para estações de reabastecimento de hidrogénio na Dinamarca e o Corredor H2 na Região da Occitanie em França.
Portugal encontra-se numa posição privilegiada face a outros países. Portugal já apresentou uma estratégia nacional com prazos definidos e projetos-chave bem identificados. O BEI começou a trabalhar com o Governo português na implementação dessa estratégia. No passado dia 7 de abril, assinámos um memorando de entendimento com a República Portuguesa para apoiar e acelerar os investimentos no sector.

De que forma o BEI tem estado atento às questões de financiamento para as empresas portuguesas em questões mais relacionadas com a digitalização e o investimento em inovação durante a pandemia?
O processo de transformação digital é incontornável. Em conjunto com a descarbonização, é um dos pilares centrais do projeto europeu. A Europa aposta na digitalização para aumentar a competitividade das empresas e criar emprego de qualidade nessa área. Neste contexto, o acesso a financiamento à inovação desempenhará um papel muito importante na recuperação.
O processo de transformação digital e inovação tem um papel primordial e o BEI oferece instrumentos financeiros adequados para apoiar a inovação e a criação de emprego qualificado.

Quais são os principais objetivos do BEI para o futuro, e como continuará a ser um player fundamental na economia europeia enquanto um importante financiador de investimentos relacionados com as energias limpas e a ação climática?
O cenário atual exige do BEI a manutenção de uma forte aposta no financiamento da recuperação sustentável no período pós-pandémico.
A recuperação tem que assentar em investimento produtivo e reprodutivo que promova a descarbonização da economia e a transição digital. Mas é também essencial manter financiamento para conter os impactos da pandemia.
É necessário assegurar que as empresas economicamente viáveis, em particular PMEs, têm financiamento e a capital para manterem a sua solvabilidade e a sua atividade. Para preservar valor e emprego e, ao mesmo tempo, investir na transformação digital e na transição climática.
Só empresas viáveis, dinâmicas e inovadoras podem ser competitivas e promover o crescimento inclusivo e sustentável. Só assim podemos assegurar a coesão social e melhorar a vida de todos os cidadãos. Não deixando ninguém para trás. O futuro começa agora. Nunca nos esqueçamos disso.

SOBRIEDADE E HARMONIA

Começamos por questionar Filipa Borges Nascimento o que a levou a escolher Arquitetura como profissão e, se aquilo que ambicionava antes de o ser, se reflete no presente. Desde cedo que a nossa entrevistada demonstrou ter um especial interesse pelas artes, nomeadamente pela Arquitetura, mas não só. A organização do espaço e tudo o que isso envolve, como a escala e a proporção, é algo que lhe diz bastante. “Sempre tive grande foco na casa – os espaços onde vivemos são muito importantes para o nosso bem-estar. A casa é uma extensão de nós, o nosso porto de abrigo. Por isso, espaços cativantes, nos quais apetece estar foram, desde sempre, algo que me atraiu, assim como a parte da estética, as peças que neles habitam, a luz que entra, a história de quem lá vive. Ter o poder de aliar todos estes fatores e criar espaços para serem vivenciados diariamente é extraordinário”, afirma.
Com o componente de estética e o seu gosto geral em Arquitetura, a Arquiteta assume-se apaixonada por viajar, conhecer novos espaços, visitar feiras internacionais, no fundo, de consumir o máximo de informação relevante para o seu papel enquanto profissional. “No meu trabalho consigo colocar em prática a minha fascinação por espaços bonitos, coerentes e harmoniosos”, acrescenta.
Com um desvio claro da Arquitetura «pura e dura», é o Design de Interiores que faz, atualmente, brilhar os olhos da nossa interlocutora. No percurso da sua empresa Filipa Borges Nascimento – Arquitectura e Interiores, conta com uma vasta concretização de projetos residenciais, de alojamentos locais e até alguns comerciais, mas é sobretudo nos residenciais que a mesma acaba por entrar no íntimo das pessoas, na sua casa, nos seus desejos e receios. É, nestes projetos, que se concretizam sonhos. Haverá algo mais gratificante do que isso?
“Se pudesse escolher um tipo de projeto escolhia sem dúvida os residenciais, por tudo o que isso envolve. A ligação com o cliente e o resultado final extremamente personalizado, agrada-me muito”, reconhece a nossa entrevistada.
Certo é, em todos eles existem características em comum: a sobriedade e a harmonia. Ao olharmos para estes espaços recriados, percebemos que são sobretudo coerentes e tranquilos. Um apontamento de cor ou uma peça especial transformam-nos na imagem de cada cliente, num resultado com estilo e elegância.
Todos sabemos que o processo criativo pode ser complexo ou, pelo contrário, acessível e simples. Para a Arquiteta a sua inspiração não tem uma rotina. “Há espaços em que, o layout, ou seja, a distribuição das peças é intuitiva. Outros nem tanto, e dão luta. Para a proposta criativa há inúmeros fatores em jogo: o gosto do cliente, o budget disponível, e um sem fim de opções por onde se pode começar. Aí entra a experiência, um intenso trabalho de pesquisa, bem como o conhecimento de marcas e fornecedores. Além disso, consumo milhares de imagens diariamente. É importante estar a par das tendências e novidades. Depois é misturar tudo isto com outras referências e começar a criar. Muitas vezes, é ao fim de semana, ou mesmo no final do dia que me surgem ideias que os clientes possam gostar. Outras estou a trabalhar num projeto e surge-me a solução para outro. A experiência é um grande aliado mas pode também tornar-se num inimigo. Envolvo-me intensamente em todos os projetos, que começam a ser bastantes em simultâneo, o que chega a ser desgastante”, confessa a nossa entrevistada.
Nesta profissão e especialmente neste caso, podemos afirmar que é difícil “desligar” do trabalho, quando existem sempre, à distância de um «click», novas ideias disponíveis.

OS DESAFIOS DA PROFISSÃO
Afinal, onde começa e termina o trabalho de Filipa Borges Nascimento? Com as duas vertentes (Arquitetura e Design de Interiores), muitas vezes a mesma entra num projeto numa fase ainda embrionária – quando o cliente está a pensar numa construção de raiz ou ainda à procura do terreno. “É super importante o acompanhamento do Arquiteto durante a obra e a confirmação de que tudo está a ser construído de acordo com os desenhos técnicos. No meu caso, como também faço Design de Interiores, consigo chegar ao detalhe do vivo da almofada, ou ao padrão da colcha. Levo o projeto de A a Z, desde a fase da construção/remodelação até à parte mais decorativa: mobiliário, papéis de parede, tecidos, tapetes, iluminação”, explica a nossa interlocutora.
Durante este processo, o mais importante a ser tido em conta, é a leitura do cliente – perceber o que deseja para a sua casa. Aqui, a Arquiteta garante que embora sinta que concretiza sonhos e coloca em prática a expetativa do cliente, esta expetativa nem sempre é fácil de garantir.
Um dos grandes desafios da profissão vai ao encontro de, ainda nos dias de hoje, as pessoas questionarem os honorários cobrados para desenvolver o trabalho, o que cria alguma deceção na nossa entrevistada. “É um trabalho que envolve imensa pesquisa e ainda é muito desvalorizado. Na verdade, qualquer pessoa pode executá-lo (falando do design de interiores), desde que tenha bom gosto. Por isso as pessoas ainda me abordam muitas vezes para “dar uma ajuda” ou “dar ideias”. Costumo brincar: eu não dou ideias, eu vendo ideias!”.
Assim sendo, interessa compreender o que difere então realmente um profissional da área dos restantes. “Tantos detalhes”, começa por explicar, acrescentando que “a nossa formação permite-nos pensar o projeto como um todo, criar soluções personalizadas, propor peças com a dimensão adequada ao espaço, respeitar proporções, coordenar cores e materiais para que o resultado faça sentido. E toda a parte técnica envolvida. Além disso, o know-how e a experiência fazem com que o cliente ganhe tempo e perca preocupações ao atribuir este trabalho a um profissional. Quando inicio um projeto pela Arquitetura, na fase inicial já estou a pensar no design do interior. Os pormenores começam a ser pensados de raiz: os materiais a utilizar, onde devem ser as tomadas e os pontos de luz de acordo com a localização do mobiliário. Há, de facto, uma série de detalhes que fazem toda a diferença”.
Ainda assim, sabemos que a sociedade está em constante mudança e que todas estas adversidades acabarão por se tornar indiferentes. Prova de que tudo começa a mudar é que, mesmo em plena pandemia e com os atrasos normais em todos os serviços, Filipa Borges Nascimento não parou o seu trabalho. “Muitas pessoas, pelo facto de estarem a passar mais tempo em casa, têm também mais vontade de tornar o espaço mais confortável e mais bonito. Tenho tido muitos contactos nesse sentido”, afirma.
Certo é, estes projetos, maioritariamente na sua cidade natal, levaram a nossa entrevistada a deixar o atelier do Porto e abri-lo em Coimbra. “Apesar de continuar a realizar projetos em todo país, a mudança faz sentido nesta fase. É gratificante saber que estou a trabalhar na minha região e, voltar a casa”.
Assim, é a partir de abril que pode encontrar a marca Filipa Borges Nascimento – Arquictetura e Interiores, na Quinta de São Jerónimo, em Coimbra.

O tom vem do topo: lições do Imperador Qin Shi Huang

Opinião de Natália Campos Rocha, Secretária-Geral da Direção da JALP – Associação Internacional de Jovens Advogados de Língua Portuguesa

A International Compliance Association (ICA) define compliance como a capacidade de agir de acordo com um conjunto de regras. O termo tem origem no verbo inglês “to comply”, sendo que estar em “compliance” é basicamente estar em conformidade com leis e regulamentos externos e internos.

Além da adequação ao funcionamento e estrutura de uma organização ao ordenamento jurídico e aos preceitos internos de uma empresa, compliance é gerenciar riscos, é interpretar leis, formular e monitorar processos e controlos internos, mapear e identificar pontos de melhoria, criar canais de comunicação.

Estabelecer um compliance framework para uma organização pequena pode parecer simples. Entretanto, a criação e implementação de um modelo numa grande organização, ou num país, pode ser bastante desafiadora.

O primeiro imperador da China, Qin Shi Huang, criou, em 246 a.C., uma coleção de esculturas de terracota com mais de 8 mil guerreiros para o proteger na vida após a morte.

Para garantir consistência e qualidade, ele estabeleceu um modelo complexo para a construção do exército, utilizando o mesmo método de administração e supervisão que usava no seu exército e com seus guerreiros na vida real.

A nação na época tinha 40 milhões de habitantes. Parte significativa da população trabalhou na construção dessas incríveis peças de arte. Acredita-se que mais de 700.000 artesãos levaram cerca de quatro décadas para completar o projeto. Todos os envolvidos eram responsáveis por denunciar discrepâncias e violações. As acusações eram feitas a membros da família e amigos próximos, que, por sua vez, encaminhavam os fatos à administração local e regional e, por fim, até ao governo imperial. Além disso, o imperador Qin Shi Huang visitou as oficinas e monitorou diretamente as atividades dos trabalhadores. Estas viagens aumentaram a sua visibilidade e sinalizaram o seu poder, reforçando a importância e seriedade do trabalho em desenvolvimento.

É possível reconhecer aqui alguns conceitos atuais e concluir que haviam regras e padrões pré-estabelecidos para a execução do projeto, bem como consciência da sua importância e de estratégias necessárias para assegurar o seu sucesso.

Ao invés de uma linha de atendimento – ‘reporting hotline’ – para denúncias acerca de discrepâncias relativas ao projeto original, na China antiga, as acusações eram feitas diretamente a pessoas próximas e líderes da comunidade local, sendo assim possível perceber que preceitos relacionados a compliance existiam desde então.

O grandioso acervo esculpido com riqueza de cores e detalhes é composto majoritariamente por estátuas de guerreiros, carruagens e cavalos. Músicos, acrobatas e concubinas também foram encontrados. Os soldados variam em altura de acordo com as suas funções e importância, sendo os generais os mais altos. Um total de oito mil soldados, 130 carruagens com 670 cavalos de terracota foram enterrados nas proximidades do Mausoléu de Qin Shi Huang‎. Apesar do rigoroso sistema de monitoramento, muitas dessas obras de arte contêm marcas que possibilitam identificar o artista e a sua história. Para tentar evitar isso, haviam fiscalizações constantes inclusive pelo próprio imperador.

Repare que todas as ferramentas usadas pelo império chinês são atuais e essenciais para os profissionais de compliance.

O mais fascinante no exemplo apresentado, é notar a aplicação do conceito o “tom vem do topo” e perceber como a atuação do(s) gestor(es) pode contribuir para a disseminação de uma cultura organizacional eficiente, por meio do estabelecimento de padrões a serem seguidos e da criação de mecanismos de fiscalização e que demonstrem comprometimento que vem “do topo”.

Hoje, mais do que nunca, com os recorrentes escândalos de corrupção noticiados pela mídia envolvendo governos e grandes grupos empresariais em países emergentes e desenvolvidos, o profissional de compliance é um indicativo para qualquer organização que realmente queira comprometer-se e aderir a padrões pré-definidos. Além disso, é fundamental que as lideranças envolvidas reconheçam: “Isso é importante para mim. Isso é importante para o conselho. Este é o tipo de coisa que estamos observando e queremos que seja feito da maneira correta, incentivamos qualquer pessoa que visualize uma situação de risco para a empresa ou preocupações relevantes levante a sua voz e nos procure. Ela terá o nosso apoio”.

Certamente o tom da cúpula foi valorizado pelo imperador na construção de seu grandioso exército de terracota, não sabemos o quanto isso foi favorável ou intimidador aos envolvidos, mas serve como uma interessante referência histórica para o estabelecimento de padrões e regras de forma eficiente pelos “gestores” responsáveis na China antiga. O sucesso da obra artística é evidente.

“A ESTÉTICA É E SERÁ CADA VEZ MAIS UM NEGÓCIO DE SUCESSO”

É no ano de 2005 que nasceu a BodyConcept e em 2007 a DepilConcept com o objetivo de se criar em Portugal uma nova forma de olhar para os cuidados de saúde e beleza. Afirma-se que esta área de mercado é pouco acessível e que o novo conceito destas duas marcas veio colmatar esse facto. De que forma?
As marcas BodyConcept e DepilConcept são atualmente líderes de mercado nas suas áreas de atuação, nomeadamente os tratamentos de estética corporal e facial, e na DepilConcept a prestação de serviços de fototerapias a luz pulsada e serviços de depilação a laser.
O conceito BodyConcept veio colmatar uma necessidade do mercado de serviços de estética acessíveis, uma vez que o mesmo possui um pacote mensal de 24 tratamentos de estética de corpo e rosto por apenas 55€. Esta oferta é acessível a toda a população portuguesa e está aliada a um método próprio de prestação dos serviços e acompanhamento personalizado focado na obtenção de resultados por parte da cliente. Na BodyConcept encontra também a maior oferta de pacotes de tratamentos de estética do mercado, além do recurso a tecnologia de ponta, o que é também a razão de sucesso da marca.
Na DepilConcept o diferencial dos serviços que presta baseia-se no seu método exclusivo de prestação do serviço, com qualidade e preço acessível, aliado ao fato de ser a única clínica de fotodepilação que garante os resultados dos clientes por escrito.

Esta nova forma de encarar a beleza foi uma aposta ganha, como tem sido demonstrado pelo crescimento da rede de clínicas, em sistema de franchising, com mais de 100 clínicas de norte a sul do país. Quais diria que têm sido os fatores-chave no reconhecimento das marcas da qual é Administradora?
As razões do sucesso de ambas as marcas são, efetivamente, a qualidade dos serviços prestados aos clientes quer a nível de tratamentos, quer por franchisados, e o seu conceito único e exclusivo. Os serviços que prestamos, onde sempre primámos pela qualidade e por termos as melhores práticas do mercado, proporcionam a todas as clínicas o acesso a uma constante inovação tecnológica, apoio presencial na abertura, na gestão diária, na gestão de marketing e operacional, bem como acesso a frequentes formações proporcionadas a toda a rede de colaboradores e franchisados.

Interessa conhecer melhor a Susana Martins Nunes e a sua história. O que nos pode contar sobre o seu percurso até chegar à atual posição?
Sou licenciada em Gestão de Empresas pelo ISCTE, e sempre dediquei a minha vida à área comercial, de marketing e de gestão de franquias. Trabalhei em algumas redes de franchising quer em Portugal, quer no estrangeiro, nomeadamente nos EUA e no Brasil. Tendo um pai empresário, sempre tive por objetivo ter um negócio próprio, após ganhar experiência em várias multinacionais que me proporcionassem o complemento da formação académica. Aos 30 anos achei que estava no momento certo para o fazer e, juntamente com dois colegas, fundámos a BodyConcept. Desde o seu lançamento foi formatada para a expansão de franchising: logótipo, manuais de expansão, escolha da localização, criação da sua missão, valores, etc. As primeiras 2 franquias foram entregues 3 meses após a abertura clínica piloto e o sonho tornou-se realidade. Mais tarde, criámos a DepilConcept e mais recentemente a marca de produtos ConceptPlus, que além se serem utilizados nas nossas clínicas e vendidos nas clínicas BodyConceopt e DepilConcept, podem também, desde março, ser adquiridos no novo site www.careconceptstore.com. Além destas 3 empresas (BodyConcept, DepilConcept e ConceptPlus) e da gestão de 7 clínicas próprias, estamos atualmente com clínicas no Brasil, Polónia, Cabo Verde, Sérvia, e foram fechados contratos de Master franchisado em 2020 para abertura de clínicas também na Irlanda, República Checa e Eslováquia.

Todos nós somos movidos diariamente por algo que nos fascina, por querer fazer mais e melhor ou por um objetivo concreto que desejamos alcançar. Qual tem vindo a ser o seu estímulo diário ao longo dos anos?
Fascina-me o crescimento, e esse fascínio é partilhado quer pelos meus sócios, quer pelas nossas diretoras e equipas. Mesmo em pandemia o ano passado foi o ano em que a média de faturação da rede Depilconcept mais cresceu, entregámos mais 3 master internacionais, a BodyConcept teve vários meses em que se bateu o histórico de vendas de 15 anos. Lançámos o site da Concept+, abrimos várias clínicas em Portugal e alcançámos as 100 clínicas no país. Este Março, mês em que abrimos as clínicas ao dia 15, batemos os objetivos em todas as 7 clínicas próprias e as 2 redes só na primeira semana já tinham batido os valores de faturação do ano passado onde tivemos que encerrar no dia 22, devido ao Covid-19. Paralelamente a este estímulo de ver a empresa crescer, motiva-me o adorar o que faço e a independência pessoal e familiar que ser empresária me proporciona.

Acredita que atualmente, os desafios continuam a ser maiores quando é uma mulher a enveredar pelo mundo dos negócios bem como em cargos de liderança, como no caso da Susana Martins Nunes?
Num mundo de negócios maioritariamente masculino, no geral para as mulheres o desafio continua a ser efetivamente maior, quer dentro das organizações, pela forma como são encaradas as suas capacidades e disponibilidade, quer pela necessidade de terem que conciliar a sua profissão com uma exigente gestão familiar. A maioria das nossas colaboradoras são mulheres, a maioria das nossas franchisadas também, embora também tenhamos casais franchisados e homens à frente das nossas clínicas. Acredito na capacidade das mulheres, na sua força, polivalência e inteligência e a prova do seu sucesso é o facto de termos várias franchisadas a gerir as clínicas com os maridos, sendo este um negócio de família.

A terminar, qual continuará a ser o seu papel no GrupoConcept, dando seguimento à cronologia de sucesso?
A estética é e será cada vez mais um negócio de sucesso. Os nossos objetivos futuros além da expansão internacional, e consolidação no mercado nacional, passarão pela diversidade de oferta quer de produtos, quer de serviços dentro desta área. Continuarei a trabalhar em prol da rede, das minhas equipas e do crescimento do grupo.

“O SUCESSO NÃO SE MEDE PELO DINHEIRO QUE SE GANHA MAS SIM PELO NÚMERO DE VIDAS QUE CONSEGUIMOS TRANSFORMAR”

Sofia Lobo Cera vem da área da Engenharia Química – Ramo Ambiente e Qualidade mas foi o Feng Shui que despertou o verdadeiro significado da sua vida. Começou a estudar o tema de forma autodidata mas cedo percebeu que toda a sua envolvente continha mais do que aquilo que vinha em livros. Atualmente dedica-se à Consultoria de Feng Shui através da sua marca e há 12 anos que dá aulas em várias escolas do país sobre aquilo que melhor sabe. Mas não fiquemos por aqui: já escreveu o livro “Mude a sua casa, enriqueça a sua vida” e podemos confidenciar que a terceira edição do mesmo está para breve – mais organizada, com algumas dicas adicionais e ainda uma parte que refere tudo aquilo que deveríamos, enquanto sociedade, saber sobre o Feng Shui.
Com um percurso vasto e consolidado, a nossa entrevistada assume que realiza ainda com frequência lives nas suas redes sociais e workshops em empresas, onde partilha eficazmente muito do seu conhecimento referente ao conceito de mais de quatro mil anos de descobertas.
A sua atividade diária – aquela a que mais dá de si mesma e da qual nutre especial atenção – é a Consultoria de Feng Shui. Estas consultas permitem harmonizar, equilibrar e potenciar as energias das casas e dos espaços empresariais, ajudando os ocupantes a atingir determinados objetivos como a saúde, os relacionamentos, o reconhecimento social, entre muitos outros, uma vez que a casa/espaço é o reflexo das pessoas que nela habitam/coabitam. “Sou uma pessoa que gosta de fazer tudo pelo melhor, sou muito perfecionista e muito dedicada aos meus clientes. Tenho perfeita noção de que lido com as vidas das pessoas de uma forma íntima e profunda. Quando estamos a trabalhar num projeto, é como se fossemos os «médicos» da casa ou da empresa. Algo que seja mal sugerido, pode colocar em risco o equilíbrio da família ou dos colaboradores. Assim, zelo pelo profissionalismo e considero-me muito cuidadora de todos os que acompanho”, começa por explicar Sofia Lobo Cera.
Ver o antes e o depois da dita transformação sobre os elementos do Feng Shui tem sido até então o seu estímulo diário, o que a alimenta enquanto profissional dedicada e apaixonada pela sua atividade. “É ajudar os outros a terem uma vida melhor que me satisfaz. Digo muitas vezes que o sucesso não se mede pelo dinheiro que se ganha mas sim pelo número de vidas que conseguimos transformar”, acrescenta.
Idealmente, e segundo a nossa entrevistada, deveria aplicar-se o Feng Shui na fase de planeamento e construção de um espaço de modo a que o mesmo fosse implantado no melhor local e com uma disposição e organização de acordo com os mapas energéticos do mesmo. Contudo, pode aplicar-se também em espaços em fase de remodelação ou até mais em locais já construídos e habitados. Como é então este processo? Começa-se primeiramente com um bom diagnóstico – percebe-se quais são os objetivos dos ocupantes para aquele espaço. “A seguir segue-se a fase do meu trabalho que, na verdade, se baseia em cálculos, e por fim escrevo o projeto que é posteriormente entregue ao cliente. De seguida, faço um acompanhamento da execução daquelas implementações. Quando falamos em projetos de raiz, entram também na equação Arquitetos ou Decoradores sendo que aqui, o trabalho em equipa e a empatia, tem de ser a voz decisiva, a final. É o mais importante em todo o processo”, assegura Sofia Lobo Cera. Já na fase da obra, esta é acompanhada tanto pelo Arquiteto como pelo Consultor de Feng Shui para que nada fuja ao que foi inicialmente projetado.
Certo é, todos estes projetos devem ter a personalidade e a identidade de cada cliente, sendo importante também o papel do Decorador. “Vamos imaginar que, em determinada zona do espaço eu digo que tem de estar o elemento água com alguns apontamentos do elemento árvore – e estes elementos podem ter variadas formas e características associadas no que diz respeito à cor, forma, textura, material, entre outros. Assim, o Decorador, de acordo com a sua criatividade, vai criar a harmonia ideal. Ou seja, esta harmonia acaba por se refletir no bem-estar que cumpre os elementos que se devem utilizar no Feng Shui, e claro, de acordo com o gosto do cliente”. Existe uma panóplia de soluções possíveis e enquadradas sempre e para determinado espaço. Aqui, mais uma vez, o trabalho em equipa é a chave principal.

“HOJE EM DIA O FENG SHUI É UM CONCEITO MUITO MAIS CONHECIDO”
“Em Portugal o Feng Shui tem estado em crescimento porém, como é óbvio nós, os Consultores, gostaríamos que crescesse mais, mas estamos muito felizes com a sensibilização que se tem vindo a sentir em relação ao tema. Hoje em dia o Feng Shui é um conceito muito mais conhecido. Ainda assim, há dois setores que, na minha opinião, ainda têm de expandir mais os horizontes e conhecer melhor esta metodologia: a construção civil, em que, infelizmente, ainda se encontram muitas pessoas que não são sensíveis ao bem-estar dos ocupantes dos seus projetos; e o outro é a nível empresarial, porque sinto que as empresas ainda têm receio de assumir que contactam este serviço para melhorar a qualidade de vida dos seus colaboradores”, explica Sofia Lobo Cera.
É de referir também que, e segundo a própria, a pandemia também trouxe, apesar das adversidades que todos conhecemos, um valor maior ao Feng Shui, devido ao facto de as pessoas estarem mais em casa, de olharem e perceberem se se sentem digna e confortavelmente nos seus espaços. O teletrabalho veio, de facto, «acordar» o sentido de oportunidade de organizar/alterar o meio envolvente. “As pessoas tiveram de encontrar um posto de trabalho em casa, ao mesmo tempo que as fizesse sentirem-se produtivas e equilibradas. Posso garantir que o Feng Shui, para o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, é uma ajuda preciosa”, assegura a nossa interlocutora acrescentando ainda que “tive muita sorte em relação à pandemia. Sempre fiz consultas no estrangeiro, e a questão das deslocações e do tempo que se perdia nelas fazia constantemente parte da minha vida. Agora, a implementação das consultas online (de das quais me sinto extremamente feliz com os frutos que tem dado), permitem-me realizar consultas nos mais variados países como Angola, Brasil, Singapura, França ou Espanha. Se tivesse de me deslocar, como antes fazia, não conseguia ajudar tantas pessoas”.
O futuro? Esse, passa por continuar a concretizar os sonhos das pessoas em todo o mundo, garante Sofia Lobo Cera. A mesma que espera, sobretudo, conseguir tocar o máximo no tecido empresarial português e assim apoiar a felicidade da comunidade tanto a nível pessoal, social e económico.

A RIQUEZA DE DADOS É A GRANDE REVOLUÇÃO TRAZIDA PELO BUILDING INFORMATION MODELING (BIM) AO SETOR DA CONSTRUÇÃO

POR PEDRO FERREIRINHA, VIRTUAL DESIGN AND CONSTRUCTION MANAGER NA HCI – CONSTRUÇÕES, S.A.

Aos requisitos das especialidades acresceram normas de eficiência energética, de segurança, de instalações especiais. A colaboração e a mitigação de erros nunca foram tão preponderantes no setor como hoje. Uma metodologia clássica, em 2D, dificilmente dá resposta a projetos altamente rigorosos e em que não pode haver ausências de informação.
O BIM trouxe maior integração entre todas as partes envolvidas no decurso do ciclo de vida de cada edifício. Trouxe também a possibilidade da articulação com o planeamento e os custos; uma melhor gestão de obra por via desta integração; e, para fechar o ciclo, uma melhor manutenção do ativo – o maior incentivo para um dono-de-obra adotar a metodologia.
Sob a perspetiva da construtora, na HCI – Construções, S.A. vemos claras mais-valias do BIM no que respeita à otimização da construção. A complexidade da coordenação de especialidades envolvidas num projeto de execução num edifício de grande escala carece, inerentemente, de elevadíssimos padrões de colaboração e de comunicação.
As plataformas digitais colaborativas são o suporte de excelência para que estes fluxos de conhecimento e de trabalho se materializem em tempo real. Baseadas nos modelos das equipas de projetistas, a análise e a interpretação de todos os elementos integrantes do projeto são mais rápidas, têm melhor qualidade e ajudam ao processo de gestão da obra, elevando a qualidade da construção.
A coordenação de todas as especialidades e as análises de incompatibilidade são etapas cruciais para a mitigação de erros. Não a resolvendo na sua totalidade, o BIM potencia a compatibilização de especialidades e permite-nos fazê-la com maior antecedência.
Em BIM a preparação de obra é produzida com mais eficiência, precisamente por toda a informação estar centralizada; estas fases, na metodologia tradicional, exigem um trabalho manual e moroso. No que respeita a quantidades e custos, é possível reduzir a quantidade de trabalhos refeitos; também a atualização de todas as quantidades é feita automaticamente. Minimizamos, assim, desvios até à entrega ao dono-de-obra.
Destaco, também, o potencial para pré-fabricação, sobretudo no âmbito das construtoras. Ao aumento de complexidade das especialidades sobrepõe-se a cada vez maior produção em fábrica de elementos que são posteriormente levados para a obra. É a procura deste tipo de soluções que eleva a qualidade dos trabalhos, a qualidade da produção e, por consequência, a redução de tempos e um aumento de qualidade geral dos edifícios; é, por isso, uma das mais-valias da modelação digital que podem advir das plataformas partilhadas e dos modelos.
Na HCI – Construções, S.A. consideramos um modelo como um projeto de Big Data integrado do edifício. Frequentemente, estes dados já existiam – apenas eram de difícil acesso, ou as interligações entre si não eram facilmente acionáveis. Estamos a desenvolver competências e ferramentas de Business Intelligence para os integrar em sintonia, tornando-os mais intuitivos e acessíveis às equipas. Trazemos, assim, mais valor e quantidade a todos os dados produzidos entregando a informação certa, quando é necessária, aos intervenientes que dela precisam.
Ao nível das plataformas digitais, é essencial um bom Plano de Execução BIM (PEB). Com um bom PEB e com regras bem definidas os modelos conseguem evoluir do projeto para a obra; da obra às telas finais; e, por fim, destas para a gestão de ativos.
É este processo contínuo que traz riqueza acrescentada a cada fase dos modelos: o projeto e a obra acrescem sucessivamente dados até à manutenção e gestão do ativo, fase que representa 80% do seu custo total. A riqueza de dados é a grande revolução trazida pelo BIM ao setor da construção, e é o que faz com que a modelação digital seja a grande evolução do setor da construção.
Há, contudo, caminho a percorrer até que atinjamos o pleno potencial do BIM em Portugal. Não há ainda regras nacionais para os modelos – nomeadamente os requisitos de informação – a ditar os parâmetros que cada elemento deve conter.
São precisas regras claras para os requisitos de informação e sobre o tipo de dados que queremos nos modelos. Primeiro, porque os modelos ainda não são elementos oficiais, ao contrário de DWG ou de PDF. Depois, porque a ausência de regras é o maior obstáculo para que em Portugal o setor da construção ganhe maturidade em BIM.
As regras de modelação e de informação deveriam ser pensadas como as bases da construção digital do edifício; mas não há, por agora, um padrão institucional de regras que esteja reconhecido como oficial em Portugal para o BIM.
O primeiro passo já foi dado pelas empresas nacionais: um empreiteiro recebe, hoje, um modelo compatibilizado entre arquitetura e especialidades. Contudo, à falta de normas, a dinâmica de trabalho em que se poderia já continuar da fase de execução para a fase da obra ainda não está madura. É necessária ação estruturante por parte das comissões ou do Estado para mediar, entre todos e à escala nacional, um workflow coerente e assertivo que melhore o processo e a sua engrenagem, desde o estudo prévio à gestão de ativos, passando pela conceção e construção.
O que teria o setor a ganhar com uma base normativa oficial? Com base nestas regras, cada empresa conseguiria ter o seu workflow previamente definido, pois todos os parâmetros seriam os mesmos. Conseguiríamos ter um planeamento integrado, com partilha de insights entre as equipas de projeto e de obra.
A modelação digital pode ajudar a aumentar a eficiência das empresas portuguesas do setor AEC e, por consequência, também a nossa competitividade no mercado europeu. Estou certo de que o BIM está a ganhar tração e de que o setor da construção estará na vanguarda da Indústria 4.0. As vantagens são claras e o potencial de aplicações futuras está já a ser explorado noutros países.
As plataformas digitais colaborativas são a base de trabalho que ajuda a responder a todas as necessidades dos intervenientes, agregando todos os dados em modelos partilhados desde a concepção, sendo enriquecidas ao longo das várias fases e alimentadas ao longo da vida do edifício.

“NÃO DESISTAM. NÓS, OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, TAMBÉM NÃO DESISTIMOS DE VOCÊS”

Foi no serviço de urgência que permaneceu durante 16 anos e descobriu uma paixão imensa pela «correria» que se vive nesta área. Sendo uma experiência sobretudo enriquecedora a nível de novos conhecimentos, de práticas e até de rotinas, angariou várias competências que lhe permitiram ingressar para o desafio seguinte que a vida lhe tinha reservado: o Hospital de dia de Neurologia., de Setúbal. Com horários fixos e com hábitos totalmente diferentes daqueles que já estaria habituada nas urgências, teve de reajustar os seus costumes à nova realidade – e assim foi.
Com uma equipa de apenas dez elementos, sendo a única no papel de Enfermeira, foi-lhe concebida a responsabilidade de, enquanto também responsável de serviço, reorganizar e reestruturar as práticas do Hospital, nunca descurando das expetativas dos doentes já ali acompanhados.
Sendo um Hospital dedicado à Neurologia, a nossa entrevistada decidiu ainda especializar-se em Esclerose Múltipla, podendo assim oferecer o melhor acompanhamento a todos os que mais precisam. Certo é, com o devido (e merecido) reconhecimento, começou a haver maior fluxo de doentes tendo a equipa aumentado.
Ao todo, passaram 12 anos de trabalho e dedicação àquela que é – e onde é – a sua atividade diária.
Na área da saúde a inovação vive, muitas vezes, de braço dado com a eficácia dos mais diversos tratamentos. Assim, interessa compreender qual tem vindo a ser a evolução da Esclerose Múltipla, bem como das suas terapêuticas. “Quando comecei a lidar com a doença, era algo desconhecido. Achávamos que o doente ficava, de facto, com incapacidades não reversíveis. Mas a ciência levou-nos a crer que não – hoje, existe uma panóplia de tratamentos que não existiam quando comecei a trabalhar aqui no hospital. Há cada vez mais estudos e Portugal tem estado na linha da frente no que diz respeito aos ensaios clínicos. O doente hoje sente-se mais acompanhado, tem um leque de escolhas e sabe que, se por ventura surgir um surto, que há opções que o possibilitam a viver com qualidade”, afirma Cristina Rodrigues.
No que concerne ao acompanhamento, o seu local de trabalho tem tido um papel relevante e proativo. “Quando é feito o diagnóstico ao doente e é realizada a consulta multidisciplinar, desde logo é feita uma abordagem do Médico Neurologista e o Enfermeiro. O doente sabe, acima de tudo, que tem uma equipa ao seu dispor”, acrescenta. Uma equipa a dispor que, mesmo em tempos de pandemia, não deixou estar disponível. “Como o nosso serviço não é muito grande, conseguimos facilmente organizar eventuais problemas que possam surgir. Com esta pandemia, conseguimos tratar de tudo com bastante calma, organizar um serviço de forma a conseguir tratar os doentes nas melhores condições de proteção. Foram criados espaços organizados de forma a que houvesse menos pessoas na sala, entre outras medidas pertinentes para o caso”, assegura a nossa entrevistada.
Aqui, não só os tratamentos continuaram de forma natural, como foi tido em conta o estado psicológico dos doentes. “Desde logo quiseram saber a nossa opinião sobre todas as questões que envolvem a pandemia. Tivemos de estar constantemente informados e tentamos sempre que eles se sentissem tranquilos – apesar de alguns tratamentos para a Esclerose Múltipla baixarem as duas defesas. Acabamos por ter um papel de amizade, porque de facto a nossa relação é muito próxima. Mesmo no que diz respeito à vacina contra a COVID-19, o natural receio de todos, não apenas dos doentes com esta patologia, era evidente. No início não sabíamos se podiam ser ou não vacinados, por isso estudámos o assunto, informamo-nos e chegámos à conclusão que não existe qualquer problema”, acrescenta Cristina Rodrigues.

ENQUANTO PROFISSIONAL DE SAÚDE, QUAL É A SENSAÇÃO QUE PERMANECE AO FIM DO DIA?
Esta questão é, obviamente, sempre válida, mas mais ainda nos últimos meses. Historicamente, os Enfermeiros estão na linha da frente de combate a epidemias e pandemias que ameaçam a saúde mundialmente, atuando na prevenção, tratamento e contenção das mesmas. Nesta que atravessamos, o cenário era primeiramente desconhecido e com o múltiplo esforço dos profissionais de saúde e não só, passou a ter, aos poucos, conhecimento de causa.
Para Cristina Rodrigues, houve claramente difíceis desafios de ultrapassar. “O meu maior desafio era proteger-me ao máximo e porquê? Queria proteger-me porque trabalho no hospital com doentes a fazerem tratamentos complexos, logo, se me protegesse a mim, estaria a protegê-los também. Depois – e não menos importante – queria proteger a minha família. No início foi difícil. Chegava a casa com receio. Depois foi difícil também lidar com todas as situações novas que foram surgindo, tínhamos um reajustar de práticas quase diário”.
Nos meses mais complexos foi necessário começarem a tratar, além dos doentes Neurológicos, os doentes com o vírus da COVID-19, conotando um peso ainda maior no dia-a-dia de todos os que lutavam pela «normalidade». “É um cansaço muito grande, físico e psicológico. Gerir as emoções dos doentes que não estão infetados, dos que estão, as dúvidas que surgem… Acabamos por nos deixar um bocado de parte. Deixamos de pensar em nós. Mas tudo isto tem uma parte muito recompensadora: o sorriso do doente, o seu «obrigada» e o seu reconhecimento. Faz-me lembrar o porquê de ter escolhido esta área. É extremamente gratificante”, confessa emocionada a nossa entrevistada.

MENSAGEM DE OTIMISMO A TODOS OS DOENTES QUE VIVEM COM ESCLEROSE MÚLTIPLA
A saúde, a par da liberdade, é aquilo que nos habituámos a prezar mais e a pretender salvaguardar a todo o custo. Num momento em que vimos esse «bem precioso» retirado do nosso alcance, muitas vezes é necessário refletir e tentar, dentro das possibilidades, ter esperança num futuro melhor. Assim, Cristina Rodrigues deixou uma mensagem a todos e recomendações, em particular, para os que vivem com Esclerose Múltipla. “Começo por dizer que todos devem ser vacinados. Temos de acreditar na ciência e no facto de estar cada vez mais centrada em melhor cuidar dos doentes. Depois, gostaria de dizer algo que digo sempre aos doentes na consulta de diagnóstico de Esclerose Múltipla: vão passar a viver com a doença, mas não vão viver para a doença. Recomendo que se mantenha a atividade física e que se criem hábitos de alimentação saudáveis. A doença não é incapacitante como era há 30 anos. A ciência permitiu a todos os que têm esta patologia viver com qualidade, podendo usufruir de todo o bem que se possa ter a nível familiar, profissional e social. Não desistam. Nós, os profissionais de saúde, também não desistimos de vocês”, termina a nossa interlocutora.

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