Inicio Autores Posts por Ricardo Andrade

Ricardo Andrade

493 POSTS 0 COMENTÁRIOS

“OS RECURSOS HUMANOS DA UNITEL SÃO UM PILAR FUNDAMENTAL DA MARCA”

Interessa compreender que os recursos Humanos nas empresas, nos dias que correm, vão muito mais além do que somente entrevistar, selecionar, contratar e demitir colaboradores, até porque este setor, dos RH, engloba todo um conjunto de práticas, políticas e filosofias relacionadas com a administração de comportamentos no seio de uma entidade/organização. E o que são as empresas? Rostos e Pessoas que «vestem a camisola» e se dedicam diáriamente a atingir os objetivos da empresa.
Quisemos saber mais e fomos conversar com Maria João Escrevente, a Diretora de Recursos Humanos da UNITEL, desde 2012, e que nos deu a conhecer um pouco mais sobre esta aventura que tem quase uma década de existência. Nesta conversa, ficamos a perceber como os RH são hoje, cada vez mais, um dos principais valores das marcas e que sem eles podemos fazer perigar qualquer estratégia de crescimento e presença no mercado. Abordamos ainda o impacto da pandemia da COVID-19 e de como isso levou a novas adaptações e à procura de novos caminhos no sentido de defender as pessoas e a empresa.
Interessa dar um contexto a esta viagem protagonizada pela nossa entrevistada, uma especialista no domínio dos recursos humanos e que tem já um vasto percurso na «arte» de lidar com pessoas e de as fazer perpetuar um legado fundamental para o êxito.
Depois de um longo período em Portugal, mais concretamente na Sonae, entre 1997 e 2001, e posteriormente na Portugal Telecom, entre 2001 e 2011, Maria João Escrevente conseguiu concretizar um dos seus fitos, ou seja, abraçar o sonho de trabalhar a nível internacional e foi assim que se deu o processo de chegada à UNITEL, uma empresa em Angola prestadora de serviços na área de telecomunicações móveis e que se assume atualmente como uma referência no país. Assume-se como uma mulher inquieta e que não gosta de estar estagnada ou do conforto de uma posição, “porque preciso de estar sempre em movimento em busca de novos desafios e projetos”, revela, assegurando que hoje é uma mulher feliz e concretizada por tudo o que foi alcançado pela marca ao longo destes anos.
Um dos principais momentos que marcam o início da viagem da nossa interlocutora para Angola e, consequentemente, para a UNITEL, passou por uma das entrevistas que realizou umas das acionistas da empresa e o CEO de então. “Foi-me relembrado que Angola é um país de imensos desafios, mas que isso, jamais poderia ser um impedimento ou uma desculpa. O objetivo era exatamente ajudar a construir uma empresa de referência no sector. Foi precisamente esse desafio que me fez decidir aceitar a Unitel como a minha melhor viagem pessoal e profissional”, revela Maria João Escrevente, assegurando que esse repto também foi um “desafio a mim própria, ou seja, um país novo, num outro continente em que eu teria que reaprender quase tudo. Eu a minha família. Mas os desafios de Angola foram também o que fez acreditar na qualidade da empresa e nas razões que levaram esta marca a ter chegado onde chegou. Isso permitiu-me abrir novos mundos, porque estava confortável na minha carreira, e esse click da pessoa inconformada e inquieta que sou, levou-me a tomar essa decisão de ir a Angola pela primeira vez”, revela a nossa interlocutora.

“SAÍ DA MINHA PRIMEIRA VISITA A ANGOLA E À UNITEL COM A CERTEZA DE QUE ESTA SERIA UMA LONGA JORNADA”
Foram três os pontos essenciais que levaram a nossa entrevistada a tomar a decisão de «vestir a camisola» da UNITEL. Além de um ambiente comum a uma empresa europeia, a UNITEL tinha uma equipa pluridisciplinar, ou seja, feita por angolanos, num registo de uma empresa de Angola para Angola. Esta realidade levou a nossa entrevistada a questionar como poderia ela aportar valor a um projeto de referência. “Mantendo-me fiel a mim própria, aceitei que tinha de compreender as diferenças e semelhanças culturais e, acima de tudo, de ter capacidade de integração e isso foi um desafio que me despertou ainda mais para a enormidade deste projeto”, afirma, lembrando que sentiu uma grande responsabilidade de devolver à empresa a confiança “que estava a ser depositada em mim. A opção «falhar» não estava em cima da mesa e eu tinha de dar o meu melhor para estar integrada nos valores e princípios que regem a UNITEL”, confirma Maria João Escrevente, assumindo que na UNITEL existe uma capacidade de nunca se cruzar os braços, “e isso é algo que faz da empresa uma marca especial e única. Tinha a perfeita noção que, desde minha primeira visita a Angola e à UNITEL (2011) que saí de lá com a certeza que esta seria uma longa jornada”.
E que balanço faz a nossa entrevistada destes oito anos no universo da UNITEL? Diz que é uma Mulher de equipa e de desafios comuns e é por isso que assume que esta viagem é conjunta, ou seja, na companhia da UNITEL. Basta dar o exemplo da pandemia da COVID-19 que, naturalmente, não veio ajudar na prossecução dos objetivos da marca para 2020, mas, mesmo perante as dificuldades evidentes, foi uma prova de que a marca e as suas pessoas jamais baixam os braços. “Continuamos a lutar e, mesmo nas dificuldades do atual contexto, vamos abrir duas novas áreas de negócio na UNITEL, ainda este ano. Mesmo em teletrabalho e à distância, nada parou e isso diz muito do rigor, excelência e qualidade existentes na empresa”.
Os RH da Unitel, nos dias que correm, assumem um papel preponderante na dinâmica da marca, acima de tudo, entre outras razões, porque neste momento os recursos humanos da UNITEL trabalham com e para o negócio e, hoje, este segmento do negócio, quando pretende alguma coisa, começa por consultar os RH, realidade que leva Maria João Escrevente a assegurar que atualmente, “os recursos humanos da UNITEL, são de facto um pilar, associados a outros, fundamental na marca. Foi dado um espaço e uma credibilidade ao papel dos RH em projetos da UNITEL, que faz de nós uma unidade que não é somente de suporte, mas de uma unidade de desenvolvimento de negócio e que consegue catapultar o mesmo. Acredito que essa tenha sido a minha grande missão que em equipa conseguimos atingir e alcançar”, salienta a diretora de recursos humanos da UNITEL.
Inúmeras vezes que as marcas perpetuam na sua orgânica a uniformização de uma linguagem e comunicação somente para o exterior. E se essa dinâmica é correta, é fundamental que essa comunicação positiva seja também transportada no seu seio interno. A UNITEL é hoje, segundo a nossa entrevistada, uma empresa mais humanizada e isso também se deve a um projeto criado e catapultado em 2014, denominado por uma iniciativa de cultura organizacional em que foi desenvolvida uma marca interna. Interessa compreender que a marca tem e sempre teve um papel importante na sociedade angolana, mas para os colaboradores da UNITEL sentiam o poder da Marca enquanto empresa para fora, mas não internamente. Faltava algo que os unisse e nos caracterizasse, uma marca própria. Assim, foi decidido desenvolver uma cultura com que as pessoas se identificavam, fomentando o mesmo mindset, permitindo assim uma nova cultura e uma unificação e humanização que faltava. “Promovemos uma cultura assente em comportamentos, ou seja, respondendo a uma questão: O que é que eu, enquanto colaborador, tenho de fazer? Desmontamos esta ideia e criamos uma cultura distinta, dando um «empowerment» a que um colaborador possa, por exemplo, dizer a uma chefia que ele não está a cumprir aquilo que são os padrões de comportamento da UNITEL. Isso foi e é fundamental. Tornou-se numa forte comunicação interna para catapultar a marca e assim eliminamos barreiras entre as áreas de negócio e hierarquias, permitindo comunicarmos melhor, para termos mais diálogo e abertura”, assume a nossa entrevistada, asseverando que foram assim criados um conjunto de chavões, “coisas simples, mas fundamentais”, para traduzir o que é a cultura UNITEL e o que representa. “Essa cultura trouxe-nos unificação e, obviamente, que é algo moroso e que provoca dores de crescimento, mas foi algo extraordinário de ver acontecer, pois percebemos o esforço de todos em fazer a sua parte em prol de um objetivo e isso foi das coisas mais relevantes nestes oito anos”.
E de que forma é que essa edificação de uma identidade comunicacional teve impacto fora de portas? Maria João Escrevente não tem dúvidas. “Mudou completamente”, dando o exemplo de um dos slogans da UNITEL, ou seja, «Uma grande Família». “É preciso compreender que Angola e as suas pessoas são muito orientadas para o conceito de família e existem muitas coisas que fazemos internamente que levamos para casa todos os dias. Não tenho qualquer dúvida que esta cultura foi além da Unitel e chegou às suas famílias e passamos todos a falar a mesma linguagem. A nossa marca interna, assenta no «Somos UNITEL» e a partir desse momento conseguimos criar uma identidade, um ADN e um conteúdo que dá muita força à nossa empresa e de alguma forma a todos os angolanos”.

COLABORAÇÃO, CONFIANÇA E COMPROMISSO
O mundo tem sido afetado pela pandemia da COVID-19, com todos os estragos e impactos negativos que isso tem tido nas pessoas, nas empresas, nos sistemas de saúde, nas dinâmicas económicas e nos países. Assim, o que conhecíamos como um quotidiano normal, mudou e hoje vivemos num novo mundo, quase num conceito de «novo normal», realidade que também se fez e faz sentir na orgânica da UNITEL, que viu a sua realidade mudar 180 graus, tal como explica Maria João Escrevente. “Somos uma empresa de telecomunicações, mas nunca tínhamos implementado o teletrabalho e isto, neste caso, foi uma necessidade emergente”, assegura, lembrando que mal as notícias começaram a surgir em outros pontos do globo, a empresa de telecomunicações angolana, decidiu promover a proteção e segurança dos colaboradores, mandando para casa, ainda nessa fase, todos os colaboradores com doenças crónicas e todas as gestantes. “A segurança dos nossos colaboradores/pessoas era o mais importante. Ainda antes do estado de emergência declarado pelo Governo angolano, começamos a criar condições para que as pessoas pudessem estar em teletrabalho, com todas as dificuldades que isso criou”, revela.
Assim, o universo da UNITEL começou a mobilizar-se no sentido de dar resposta a este novo desafio e a 23 de março, momento em que “toda a empresa entrou em regime de teletrabalho e foi muito importante ter visto como as pessoas quiseram contribuir. Como? A empresa não tinha 1300 portáteis para atribuir aos colaboradores identificados para o teletrabalho e assim, foi extremamente gratificante ver as pessoas a mobilizarem-se para suas casas com os seus computadores portáteis no sentido de continuarem a levar a empresa para a frente”, afirma, satisfeita e orgulhosa a nossa entrevistada, relembrando que estas atitudes fizeram parte de uma mobilização espontânea e voluntária e isso “diz muito sobre a vontade de fazer acontecer e de não deixar cair nada”, advoga. “A Unitel é o mais importante”.
E, se numa fase inicial ainda existia algum ceticismo relativamente aos resultados do teletrabalho, estes foram rapidamente escamoteados pelas conclusões retiradas, em que segundo Maria João Escrevente, “somos muito mais eficazes neste registo e o slogan «Somos UNITEL», nunca fez tanto sentido e foi tão importante, porque este lema compõe-se por três comportamentos: Colaboração, Confiança e Compromisso, realidade que nunca foi tão sentida e visível do que nesta fase do trabalho à distância”, afirma, convicta.

LIBERDADE COM RESPONSABILIDADE
A capacidade de retirar coisas positivas em momentos complicados e difíceis não é para todos, mas a diretora de recursos humanos da UNITEL e a sua equipa sempre tiveram essa visão. Assim, para a nossa entrevistada é importante retirar lições deste novo mundo. “Percebi que o sentimento esteve e está presente e isso foi o que tornou possível continuar a laborar e a concretizar projetos que estavam agendados para o final do ano. Assim, tudo o que foi transportável para uma versão virtual está a ser movimentado e tivemos, inclusive, situações que não estavam a ser pensadas, mas que foram rapidamente reposicionadas. A COVID-19 «disse-nos» que o que temos de fazer agora tem de ser realizado de uma forma mais célere e melhor, porque a empresa e as pessoas não podem esperar e por isso é que digo orgulhosamente que fiquei extremamente contente com a dedicação que vi na família da UNITEL”, revela, assegurando que este cenário não a surpreendeu, mas “vê-lo concretizado tem um sabor e uma força diferente”.
Mas será o teletrabalho algo viável para o futuro? Maria João Escrevente assume que é algo que pode ser pensado para o vindouro, “e acredito que vamos ter de encarar como um regime de trabalho permanente”, relembrando que este novo conceito de trabalho é mais democratizado. “Sou apologista do chavão «liberdade com responsabilidade»”, revela, assegurando que o RH “não é polícia. Temos de acabar com a ideia do controlo puro e duro, onde tudo se baseia na vertente da assiduidade e na presença ou ausência. Naturalmente que são importantes, mas não as formas mais justas de avaliação e, acima de tudo, de fazer com que as pessoas se entreguem mais a um projeto e/ou desafio. Até aqui iremos sentir mudanças no futuro, até porque as novas gerações não se compadecem com sistemas de controlo tão efetivos”.

“ESTA JORNADA TEM SIDO DE REINVENÇÃO”
Mas fez a nossa entrevistada uma espécie de milagre na UNITEL? Rápida e concisa a responder, Maria João Escrevente assume que a única coisa que fez foi impor o ritmo e dando o exemplo. “Sou a favor do liderar pelo exemplo e isso implica fazer também e não dizer somente para fazer. Em 2011 saí da empresa onde estava porque senti que precisava de um novo desafio para respirar e para crescer, porque se nos sentimos demasiado confortáveis, então não vamos dar tudo de nós a um projeto. E foi isso que tentei passar na UNITEL e é por isso que somos uma grande empresa, porque conseguimos responder a todas as solicitações e a dar resposta às necessidades da empresa, caminhando sempre juntos, porque aqui as pessoas nunca desistem”.
Poderá o adeus estar próximo? Mulher e Líder muito prática, a nossa entrevistada gosta de acreditar no hoje, ou seja, viver um dia de cada vez. “Impossível fazer futurismo! Movo-me por projetos estruturantes e duradouros. A minha marca é de entrega total e dar sempre o meu melhor. Sou exigente, acima de tudo comigo própria. A minha missão na UNITEL não está concluída. Contudo, tenho uma sensação de tranquilidade, pois sei que hoje tenho na minha equipa quem levaria essa missão a bom porto”.
A palavra com a que nossa entrevistada mais se identifica é “reinventar”. Porquê? Porque segundo Maria João Escrevente, desde que saiu de Portugal, há quase nove anos, teve de se reinventar muitas vezes e “isso devo-o às pessoas com quem trabalho. Não estou a pensar sair da UNITEL, mas no dia que isso acontecer sei que deixo uma família e será para sempre a minha família. A eles devo-lhes um mega obrigada pela forma como sempre me fizerem sentir em casa. Esta jornada tem sido de transformação constante, de conhecimento e de recomeços, tudo para encontrarmos o melhor resultado para a empresa. Confesso que toda a minha dedicação e trabalho teve retorno. É muito gratificante sentir o apoio e a confiança da minha equipa e dos meus colegas, pois é essa energia permanente de fazer algo pela UNITEL que me leva a querer sempre mais, porque não tenho dúvidas nenhumas que, a UNITEL e a minha equipa, são de facto muito especiais para mim”, conclui a diretora de recursos humanos da UNITEL, Maria João Escrevente.

“O NOSSO PRINCIPAL FOCO FOI AJUDAR OS NOSSOS CLIENTES A MANTER A SUA ATIVIDADE”

Atualmente assistimos a uma das maiores transformações mundiais provocadas pela pandemia da Covid-19. Que estratégias foram necessárias adotar de modo a dar continuidade ao trabalho da Microsoft Portugal?
Na Microsoft Portugal foi tudo feito sem esforço e com naturalidade. A nossa forma de trabalhar já era híbrida antes do Covid-19: as nossas ferramentas de trabalho permitem-nos trabalhar de qualquer local e a nossa cultura já formentava o trabalho tanto do nosso escritório, como do escritório de clientes ou de casa, promovendo uma melhor integração da vida profissional com a pessoal. O grande desafio foi ajudar milhares de pessoas dos nossos clientes a fazê-lo num brevíssimo espaço de tempo, muitos deles sem estarem ainda preparados tecnológica ou cultaralmente para o fazer.

Que recursos disponibilizaram às organizações para responder às dificuldades que surgiram?
Num primeiro momento preocupámo-nos em ajudar os nossos clientes a usar o Microsoft Teams: é a nossa plataforma de colaboração por excelência, onde podemos fazer video/conferências, chat, guardar documentos, co-editá-los em simultâneo e aceder a todas as aplicações relevantes para a atividade profissional. Um verdadeiro local de trabalho digital. Muitos dos nossos clientes já tinham Teams, foi uma questão de ajudá-los a adoptar ou a alargar a um maior número de pessoas dentro da organização. Para os que não tinham, disponibilizámos o Teams durante seis meses de forma gratuita, o que ajudou muitos clientes a manterem a sua atividade, sem investimento imediato, durante uma altura tão crítica. Posteriormente e com o problema base de capacidade de trabalhar de casa resolvido, começámos a endereçar outras questões, também urgentes, como a cibersegurança ou a digitalização e otimização de processos.
Outra das nossas grandes prioridades foi a educação: como ajudar as escolas, os professores e os alunos a terem, não só capacidades de audio-conferência, mas sobretudo uma experiência digital de aprendizagem positiva e integrada.

O teletrabalho foi um dos temas mais debatidos sob diferentes pontos de vista. Quais são as vantagens que, na vossa orgânica, esta vertente poderá ter na vida dos colaboradores? Considera que se trata do começo de uma era mais digital e sustentável?
Acreditamos numa abordagem híbrida: há situações onde o contacto humano é essencial. Mas as vantagens de poder também trabalhar de casa são muitas. Do ponto de vista do colaborador, as vantagens vão da otimização da gestão do tempo, dado que o tempo de transporte na maioria dos casos ainda é substancial, à melhor integração entre a vida profissional e pessoal. Para as empresas a redução de custos nos escritórios ou dos próprios escritórios é sem dúvida uma vantagem. Para todos e para o planeta, a redução de ter diariamente, em todo o mundo, alguns milhões de pessoas a menos a viajar diariamente é um ganho enorme.

Uma das missões da Microsoft Portugal é capacitar cada pessoa e organização para ser mais produtiva de forma a atingirem o seu potencial. Qual é o grau de importância que hoje, mais do que nunca, tal missão tem na vida das mesmas?
É nestes momentos que sentimos que a nossa missão e o nosso propósito nos fazem tanto sentido. Nestes últimos meses temos posto o foco em ajudar os nossos clientes a manter a sua atividade neste novo e desafiante contexto. Queremos ainda ajudá-los a repensar nos seus negócios e a acelerar a transformação digital, o que em muitos casos vai ser chave para a sobrevivência dos seus negócios.
Mas infelizmente neste momento é preciso mais. A crise económica retirou o trabalho a milhões de pessoas e a Microsoft quer ajudá-las. Assumimos agora o compromisso de requalificar 25 milhões de pessoas em todo o mundo: novas capacidades digitais podem ser a chave para um emprego e um futuro melhor.

Apelidada como uma das empresas mais dinâmicas do mundo, que desafios podemos esperar no futuro?
O futuro do trabalho, e também da educação, estão a ser desenhados neste momento. Na Microsoft estamos numa posição única para observar, aprender e imaginar como esse futuro será.
O papel da Microsoft será de evoluir as suas ferramentas de forma a ir de encontro às necessidades e desafios atuais, mas também ler tendências, algumas menos óbvias, e inovar e encontrar soluções disuptivas para o futuro.

“A AP2H2 TEM SIDO DETERMINANTE NA DIVULGAÇÃO E PROMOÇÃO DO HIDROGÉNIO”

Edificada em 2003, a Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio (AP2H2), assume-se atualmente como um importante player e promotor da utilização do hidrogénio como vetor estratégico em Portugal. De que forma é que a entidade tem vindo a promover essa facilitação do hidrogénio?
A AP2H2 tem sido determinante na divulgação e promoção do Hidrogénio como solução energética sustentável, através das múltiplas iniciativas que realiza/ participa:
• Newsletter mensais com informação actualizada sobre o que vai acontecendo no Mundo do Hidrogénio;
• Seminários e Conferências que organiza, ou para que é convidada;
• Workshops de formação em temáticas relacionadas com a cadeia de valor do Hidrogénio;
• Estudos de suporte a um Road Map do Hidrogénio;
• Divulgação de informação de interesse para a Comunidade do Hidrogénio: site e redes sociais (Facebook);
• Interação com o poder na defesa do Hidrogénio na Agenda política (em especial na sustentabilidade energética e ambiental).

Analisando o panorama nacional, de que forma é que temos vindo a criar medidas e iniciativas que nos levem a olhar para o desenvolvimento do hidrogénio como algo essencial para o país?
O PNEC 2030 e a EN-H2- Estratégia Nacional para o Hidrogénio são as principais referências da Agenda do Hidrogénio. A descarbonização da sociedade implica a electrificação da economia e o abandono dos combustíveis fósseis, É um novo paradigma energético: energias renováveis dominantes, com o hidrogénio a assegurar a resiliência da rede e as aplicações de mobilidade e industriais.

Quais são afinal as principais vantagens na utilização do hidrogénio e como se encontra Portugal nesse sentido, comparativamente a outros congéneres europeus?
Solucionar os disfuncionamentos da rede resultantes das especificidades das fontes renováveis: sazonalidade, aleatoriedade e intermitência.
A liderança Europeia é assumida pela Alemanha, a que se tem associado alguns países do Norte Europeu. O Hidrogénio tem nestes países maior visibilidade (projectos piloto e de demonstração que não têm acontecido em Portugal). O atraso face a estes Países, é recuperável, face à assertividade do Governo na gestão deste dossier.

Ao nível de legislação e de regulamentação do quadro do hidrogénio, ainda existem lacunas? De que forma é que a AP2H2 tem vindo a tentar contribuir neste quadro?
Estamos no início do processo de regulamentação e normalização a nível europeu. O contributo da AP2H2 é o de identificar barreiras que condicionem a utilização do hidrogénio na economia, e de, em representação dos seus associados, acompanhar e dar parecer sobre o edifício regulamentar em construção.

Quais são os principais desafios das soluções de mobilidade a hidrogénio e qual o compromisso existente com este tipo de tecnologia em Portugal?
No curto prazo o principal desafio relaciona-se com a disponibilidade de uma rede de estações de abastecimento (HRS) que viabilize a utilização de frotas piloto nas suas várias formas (transportes de passageiros e de mercadorias e veículos ligeiros). Esperamos que em breve seja definido o quadro de financiamento que permita viabilizar o investimento nos primeiros nós desta rede.

O que podemos continuar a esperar por parte AP2H2, na contínua promoção da utilização do hidrogénio?
O objetivo é o da descarbonização da sociedade no cumprimento do Acordo de Paris. Não conhecemos alternativas ao Hidrogénio para se atingir esse objetivo. A nossa missão ainda não terminou. Deu-se um primeiro passo colocando o Hidrogénio na Agenda. O passo seguinte é o de trazer o Hidrogénio para a nossa vida diária, nas suas diferentes aplicações. A missão da AP2H2 ainda não se esgotou, mas ganha novas formas e torna-se mais relevante como a dinâmica de novas adesões, as consultas ao site e as adesões à mailing list têm demonstrado. A AP2H2 está hoje mais robusta, a sua representatividade alargada e a relevância do seu contributo reconhecida pelos players e stakeholders.

COMO RECUPERAR UMA EMPRESA NA ERA COVID-19

Com o PEES e o seu Processo de Insolvência e Recuperação de Empresas PIRE ainda faz sentido falar do mediador de recuperação de empresas do RERE?
A recuperação começa na descrição dos gabinetes. Quem sabe da existência da dívida além do devedor? O credor. Quanto muito, mais alguns dos credores, do mesmo devedor. Se alguns credores se reunirem com esse devedor, sem que isso provoque alarme geral, a mais-valia é a renegociação com o auxílio de um profissional na mediação. Podem fazer-se vários REREs mas um só PIRE e neste tem que se demonstrar que os problemas surgiram com o Covid-19, o que não é necessário no RERE.

Mas que vantagens tem o uso desse mediador?
Quando, nas nossas famílias, alguém se zanga, se houver um mediador, o reentendimento será mais fácil, principalmente se expert na matéria e até pode ultrapassar tabus. O mediador do RERE ajuda o nevoeiro a dissipar, corta as silvas entre os vizinhos e são eles que apanham as amoras e redigem o acordo e não um juiz. Têm dois meses para redigir um acordo que, depois, registam na conservatória comercial, sem necessidade de um juiz.

Mas um acordo, sem sentença, dá garantias aos credores?
É um acordo registado na conservatória comercial. Garante ao credor que o devedor reconhece a dívida. Que não vai contestar a dívida, que a aceita como legítima e caso o devedor não cumpra, pode ser usado o documento para pedir a penhora dos bens deste. É próximo de uma sentença, com a vantagem da confidencialidade. E ao credor assegura que a dívida não pode ser cobrada, antes do prazo agora acordado. E passando a ser uma dívida, com maior prazo de vencimento, o passivo corrente, do devedor, reduz contabilisticamente, aumentando a viabilidade do devedor. Por outro lado, um juiz impõe uma decisão, mesmo contra a vontade de algum, ao passo que o mediador é um facilitador do alcançar um acordo com o qual todos concordam. Cumprimos melhor o que se combinou, do que o que nos foi imposto.

Quem escolhe o mediador para a recuperação?
Os mediadores são pessoas com cursos universitários, que depois de dez anos de administração de empresas, fazem um curso de mediação e submetem-se a um exame, para se poderem inscrever nas listas do IAPMEI. São escolhidos pela ordem de inscrição, mas podem ser substituídos.

Quem pode recorrer a um mediador, para recuperar de uma situação em que já não consegue pagar, todas as suas dívidas, nos prazos iniciais?
Todos os empresários individuais, EIRLs, sociedades civis e comerciais, associações, cooperativas, mas não as pessoas singulares que não sejam titulares de empresa. Para o individuo comum, não empresário, o PEES vai agora criar um procedimento de resolução alternativa de litígios (SISPACSE), criando um conciliador, para reduzir o recurso aos tribunais. Não faz sentido não usar os mediadores de recuperação de empresa, já existentes e subaproveitados, nem intitulá-los de conciliadores. Criar a figura do conciliador para o indivíduo comum, quando já tínhamos os mediadores de recuperação de empresas, devidamente formados e preparados, é semelhante a dizer que não se gosta de pastéis de nata, sem nunca se ter saboreado. Não vai haver tempo para os formar ou corre-se o perigo de ser um cunhado da prima de alguém.

Como funciona o RERE?
Quem esteja em situação económica difícil ou em situação de insolvência iminente, por exemplo, porque esteve três meses sem faturar, mas manteve as despesas fixas e agora o negócio ainda está fraco, não vai conseguir manter os prazos inicialmente contratados, vai ter que renegociar prazos…

Mas isso são praticamente todos os negócios.
Aí está. Estamos perante uma alteração anormal das circunstâncias, ora diferentes daquelas em que contratámos. Há o projeto de um RERE simplex não exigir que se demonstre que a empresa não está insolvente. Apenas não conseguem cumprir, tal como contrataram. Há que renegociar. E todos nós temos credores. Se todos recorrerem a PERs ou PEVEs os Tribunais vão congestionar: não há juízes suficientes, urge e os mediadores estão disponíveis.

Mas a lista de mediadores do IAPMEI é finita.
O acordo tem 90 dias para ser celebrado. Os mediadores estão preparados para isso. Dar solução ao problema é urgente e, depois, se o RERE falhar, então passemos ao PEVE.

Como prevê que seja o futuro?
Deixei de conseguir prever o presente.

“Ata promove campanha para a retoma turística”

Qual o objetivo desta campanha?
O grande objetivo é mostrar que os Açores continuam de portas abertas para receber quem procura viver momentos inesquecíveis, de forma segura, em cenários naturais diversificados, mas sempre deslumbrantes. Os tempos são difíceis e especiais, percebemos que há muita coisa que está a mudar, mas as nossas ilhas continuam a preservar o lado orgânico e puro que tanto sucesso faz e que tanto impressiona quer estrangeiros, quer portugueses.

Porque é que os Açores são o destino a escolher este Verão?
Porque precisamos todos de uma pausa (especialmente em tempos tão agitados e incertos) e aqui é possível fazê-la com a tranquilidade que merecemos. Há nove ilhas diferentes, nove universos que podemos descobrir e pelos quais nos podemos apaixonar. Boa comida, carne das nossas pastagens, peixe dos nossos mares, gente que sabe receber como ninguém, atividades ao livre — que é tudo o que precisamos neste momento —, espaço para estarmos em segurança e privacidade com aqueles de que mais gostamos… O que é que podemos pedir mais?

E há espaço para todos.
Sim, isso é garantido. Ao contrário do que acontece em muitos outros destinos por esse mundo fora, nos Açores espaço é algo que não falta, com paisagens amplas, opções de alojamento que permitem individualidade e muitas atividades. Aqui a expressão “ar livre” faz mais sentido do que em qualquer outro lugar. Para além de que é muito fácil deslocarmo-nos entre os vários pontos turísticos, dentro ou fora da mesma ilha, sem termos que passar por muitas confusões ou de lidar com multidões.

Os próprios açorianos têm muito para descobrir.
Esta campanha é também um convite aos açorianos. Como as nove ilhas são tão diferentes, há sempre coisas novas que iremos encontrar, e já estando por cá torna-se muito mais fácil. Para além disso, sendo este ano mais complicado apostar-se em destinos mais longínquos, é perfeitamente possível vivermos ótimos momentos na nossa terra, e ainda por cima ajudarmos os negócios locais que neste momento tanto precisam do nosso incentivo.

Esta chamada de atenção para o “É tempo de Açores” como dizem na campanha, é também uma forma de tentarem ajudar os comerciantes locais e quem tem projetos abertos ao público nas ilhas?
Sim, é um momento difícil para todos, em especial para os que têm negócios, que se veem com uma quebra inimaginável nas suas receitas, devido à diminuição nas chegadas e no fluxo de turistas. Estamos conscientes disso, e queremos muito promover o destino para ajudar todas essas pessoas, e fazer com que possa haver alguma agitação financeira. Sabemos todos que vai ser um ano muito diferente dos anteriores a todos os níveis, mas acreditamos que é possível, aos poucos, irmos sentindo alguma retoma.

Como é que se concilia essa necessidade de ativação económica com a proteção dos açorianos e residentes nas ilhas?
A segurança de todos os açorianos e de quem cá vive é sempre a nossa prioridade. Temos sido um exemplo no controlo do vírus, na manutenção da segurança e no cumprimento de todas as normas e assim queremos continuar. No entanto percebemos a necessidade económico-financeira, e o desejo de se recuperar alguma normalidade. É a vida de muitas pessoas que está em jogo, no que toca à segurança, mas também no que toca aos negócios. Por isso temos que conciliar os dois campos, sempre com bom senso e justiça. O controlo através dos testes de despiste SARS-CoV-2 negativo na chegada ao arquipélago ou efetuado na origem nas 72 horas antes da chegada, é uma das formas encontradas e deverá continuar. E depois é cumprir com todas as normas, uso de máscaras, distância de segurança, extra higienização dos espaços, evitar aglomerados…uma nova normalidade.

Chegou à Associação de Turismo dos Açores recentemente. Qual o seu propósito?
Mais do que um propósito, costumo dizer porque o sinto, que tenho uma missão. Quero que os Açores sejam conhecidos em todo o mundo, pela sua autenticidade, por serem um destino de natureza exuberante, exclusivo, seguro, com muita variedade e qualidade de atividades ao ar livre (terra e mar), onde há espaço para todos, desde os amantes de desportos de natureza, aos apreciadores de arte, a quem procura restaurantes gastronómicos, novos hotéis mais sofisticados, história e património.

O que acha que ainda não se sabe sobre os Açores lá fora?
Há coisas que podemos explorar melhor, especialmente a variedade, os roteiros mais alternativos, a gastronomia e o vinho, o lado mais sofisticado e contemporâneo, sempre aliado às nossas gentes maravilhosas. A cultura e as artes têm vindo a ganhar um grande relevo nas nossas comunidades e é algo a que queremos dar mais destaque também. Temos muitos projetos de restauração e hotelaria recentes, com uma linguagem consonante com aquilo que é feito em muitas outras partes do mundo que só nos valoriza e que queremos continuar a dar a conhecer. Sempre aliado ao nosso lado mais tradicional, que está sempre lá. E acima de tudo, é importante que saibam que os Açores são o ano todo, que não precisam de esperar pela época de Verão para conhecer e explorar os Açores.

“O DESAFIO PASSA POR REFORÇAR O PAPEL DO ADVOGADO ENQUANTO PARCEIRO DO CLIENTE”

A CVSP Advogados conta com oito anos de existência, sendo que uma das chaves para o sucesso vai de encontro com a satisfação do cliente e as relações profissionais a longo prazo. O que fazem para assegurar essas características num meio tão competitivo?
O escritório tem uma clientela internacional diversificada o que torna ainda mais desafiante compreender os interesses e a satisfação dos clientes. Desde o primeiro momento que tentamos perceber quais as suas necessidades e o seu enquadramento sociocultural para que possamos estar alinhados com as suas expetativas. Por outro lado, o acompanhamento personalizado é uma das características que marca o escritório, o que é também reconhecido e valorizado pelos mesmos.

Atualmente atravessamos um momento atípico provocado pela Covid- 19. Como se adaptaram a esta nova realidade?
No início não foi fácil, dado que cada membro da equipa teve que passar necessariamente por um processo individual de adaptação. Trabalhar a partir de casa e conciliar a parte pessoal num contexto de confinamento necessário. Em todo o caso, as novas tecnologias acabaram por facilitar todo este processo, o que permitiu que se continuasse a dar resposta às mais diversas solicitações dos clientes.

Considera que, entre as muitas medidas tomadas pelo Governo, o setor imobiliário foi uma classe abrangida ou esquecida? Acredita que a avaliação imobiliária irá continuar em alta?
Depende. Ao nível do arrendamento, embora ainda seja prematuro avaliar o impacto das medidas, o Governo criou algumas soluções para tentar reduzir o impacto provocado pelo Covid-19 e a consequente perda de rendimento. Ainda assim, poderia ter ido mais além. Mais do que impor aos senhorios sacrifícios no cumprimento da função social do Estado, deveria claramente alargar os benefícios fiscais a este sector. Já quanto ao programa Renda Segura o próprio Governo já admitiu que ficou aquém das expectativas.
Embora esta crise não seja específica do sector imobiliário, poderá vir a afetar de forma transversal todos os sectores da economia, embora neste momento não tenha tido repercussões significativas neste sector. No que concerne em específico à avaliação imobiliária, acredito que irá continuar em alta, dado que a procura se mantém estável e o preço da de mão-obra continua em crescendo.

Perante todas as adversidades que Portugal enfrentou, foi enaltecido como um dos países com resposta mais eficaz, ganhando pela segurança sanitária rapidamente posta em prática. Tal competência irá permitir continuar em alta na venda e transação de imóveis nos próximos anos?
O imobiliário será sempre visto como um investimento seguro. Ao nível dos preços, ainda que possa ocorrer algum ajustamento, em termos práticos não se verificou uma quebra significativa. Assim, neste contexto, os preços manter-se-ão estáveis, o que fará com que a procura subsista. Ao nível do mercado de luxo tudo indica que os preços se manterão em alta e não ficaria surpreendido se até se mantivessem essa tendência.

Portugal foi identificado como um país com maior segurança, acabando por ser um dos muitos motivos para se considerar o destino perfeito para viver após a Pandemia, nomeadamente para os cidadãos estrangeiros. Prevê que continuem a obter os Golden Visa para atividade de investimento? Quais são os benefícios que analisa?
Os Golden Visa foram um instrumento muito importante na captação de receita na crise financeira 2007-2008. Nesta atual crise também podem ter um papel relevante na recuperação económica. A autorização legislativa aprovada no âmbito do Orçamento do Estado para 2020 que permitiria a abolição do Golden Visa na área metropolitana de Lisboa e Porto veio criar alguma insegurança junto dos investidores. Contudo, face ao contexto atual espero sinceramente que o Governo volte atrás nessa intenção.
Os benefícios são diversos. A captação de investimento permite injetar dinheiro na economia, na arrecadação de receita fiscal e em muitos casos na própria reabilitação urbana.

Que desafios futuros podemos esperar da CVSP Advogados para garantir o compromisso com o cliente?
Ao invés de ser um mero prestador de serviços externo, o principal desafio futuro será reforçar o papel do advogado enquanto parceiro do cliente e entender o seu negócio e as suas necessidades.

ALBUFEIRA “É O PARAÍSO”

Albufeira preparou-se devidamente para este verão, marcado pela pandemia?
O Algarve não tem um número tão expressivo de infetados como o resto do país. Exigiu trabalho e despesa. Em Albufeira já investimos cerca de 5M€ no combate à Covid-19, desde o passado mês de março e estamos preparados desde o início da época balnear para receber os turistas. Os profissionais do setor estão preparados, há segurança máxima, quer social, quer sanitária e todos serão bem recebidos.

E para além desse investimento, foi também criado um Fundo de Apoio Empresarial e Associativo para o concelho, com uma dotação de um milhão de euros…
Sim, essa medida foi criada para salvaguardar o setor económico e social do concelho. Aberto a todos, dentro das condições previstas, nomeadamente, é dirigido a microempresas de restauração e similares, comércio de bens a retalho, prestação de serviços e indústria e agricultura. Não podemos parar, sob pena de não conseguirmos reerguer-nos com facilidade.

Sendo o Turismo uma área fundamental da economia do país e sendo Albufeira um concelho de importância maior nesta matéria, teve algum contacto por parte do Governo para apoiar e salvaguardar esta época?
Não, especificamente para o Turismo, não. E como se não bastasse, assistimos ao fecho do corredor aéreo vindo do Reino Unido.

Mesmo assim, Albufeira continua a ser “destino de emoções”?
Continua, sim. Destino das melhores emoções possíveis. Atrevo-me a dizer que nunca as águas foram tão límpidas, os areais tão limpos, os hotéis e os restaurantes reforçaram cuidados e atenções para com os clientes. Temos um conjunto de “emoções” para partilhar, ao nível das nossas tradições, da cultura, da gastronomia e das paisagens deslumbrantes. Como destino de férias, estamos no caminho da qualidade e da excelência.

A autarquia desenvolveu uma campanha de sensibilização intitulada “Albufeira Praias Seguras”.
Sim, é uma medida que vigorará até ao final da presente época balnear e que procura garantir a máxima segurança a quem nos vista. Resultou de um longo trabalho de preparação e coordenação com os concessionários e demais entidades com responsabilidades na orla costeira para que os banhistas possam usufruir da beleza das nossas praias em condições de segurança. Nomeadamente, visa garantir a disponibilização de informação em todas as praias, em português e inglês, sobre a utilização das zonas balneares e dos deveres dos banhistas, colocação de mastros para instalação de bandeiras “semafóricas”, com a indicação da ocupação de cada praia, dispensadores de álcool gel, marcação de circuitos de circulação única, limpeza diária do areal e reforço da sinalética.

Com reforço da vigilância, segundo apurámos.
Naturalmente que neste contexto tínhamos que reforçar esta área. Assim, acionámos um mecanismo de vigilância e sensibilização dos banhistas, em parceria com a ANSA – Associação de Nadadores Salvadores de Albufeira que será feita com a participação de nadadores salvadores e de uma viatura todo o terreno que irá circular pelas várias praias do concelho (medida extraordinária), a par dos elementos do ISN – Instituto de Socorro a Náufragos, e ainda reforçámos a fiscalização das praias em colaboração com as autoridades competentes.

Houve uma grande quebra na procura. Espera que ainda venham mais turistas?
Este é um verão diferente, com menos pessoas. Importa favorecer esta vinda de turistas. Todas as 26 bandeiras azuis (25 praias e a Marina de Albufeira) e as 18 Bandeiras de ouro revelam a nossa aposta na política ambiental. É o paraíso! E precisamos que venham experimentar este paraíso.

Qual a recomendação que faz para este verão?
Que se respeitem as regras com civismo. A situação exige uma atitude racional, mas sem esquecer o lado emocional das pessoas, são as suas férias e é uma altura de tranquilidade e relaxamento, e tudo isso pode ser feito desde que se sigam as regras emanadas da DGS.

Quer deixar uma mensagem para os nossos leitores?
Claro! Este ano façam férias em Albufeira. É um verdadeiro “destino de emoções”.

“UM LÍDER NÃO DEVE TER, MAS SIM SER AQUILO QUE ACREDITA”

Quem é Irene Graça e de que forma é que o seu percurso se uniu ao BAI – Banco Angolano de Investimentos? Que balanço é possível realizar desta ligação e o que acredita que ganhou por este vínculo?
A Irene Graça, é antes de tudo uma sonhadora, alguém que sempre acreditou em fazer a sua jornada profissional com empenho e paixão. Formada em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia, com Mestrado em Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Fiz a minha formação superior toda nos Estados Unidos, onde estudei e trabalhei. Vou estudar para os Estados Unidos, numa altura em que já trabalhava para Chevron em Angola e ganho uma bolsa de estudo. Posso dizer que tive uma oportunidade de carreira fantástica e motivadora num setor relevante e de grande impacto para Angola. A minha experiência nacional e internacional permitiu-me crescer a nível pessoal e profissional.
Após o meu percurso de menos de cerca de doze meses na Empresa Nacional de Petróleos (Sonangol), juntei-me à Banca, a um dos maiores Bancos em Angola: o Banco BAI onde exerço há dois anos a função de Diretora do Capital e onde me considero a aprender muito sobre o setor financeiro, sobre a cultura e contextos de uma organização de cariz mais angolano.

Como responsável pelos recursos humanos da instituição, quais são as características que acredita que um verdadeiro líder deve ter no sentido de promover um ambiente positivo e saudável no seio da organização?
Um líder não deve ter, mas sim ser aquilo que acredita. Eu acredito em ser, porque o melhor líder é aquele que sente, para poder ter. A auto motivação para melhor motivar, a inspiração que vem de genuinamente acreditar nos outros (liderados), a paixão por pessoas – para poder acreditar nas suas vulnerabilidades, e no fim, o que é preciso, é incluir e escutar com coração. Tudo o que chamamos “soft-skills” tornam as “hard-skills” mais leves de conquistar como equipa e com um objetivo comum. O líder deve tomar decisões e influenciar avaliando o risco.

O diálogo e a capacidade de escutar são dois dos principais pilares para uma gestão positiva no domínio dos recursos humanos?
Eu diria que além do diálogo e escuta, deverá existir a empatia. Somente estaremos num nível de liderança elevado quando tivermos a capacidade de nos colocarmos no diálogo do outro e escutar com eles o que emitimos. Sentir e perceber juntos.

Acha que existe alguma diferença entre uma liderança feminina e uma masculina? Ou acredita que a liderança positiva não tem género?
Desde que assumi a responsabilidade de liderar não tive tempo para me questionar como agiria se fosse homem, nem nunca me permitir que qualquer tipo de julgamento me condicionasse na minha forma de ser ou atuar. Não acredito que a liderança positiva ou qualquer tipo de liderança tenha género, mas sim “génio”. A liderança deverá sempre ser associada às competências de comunicação, empatia, respeito, valorização, espírito de equipa e tomada de decisão, seja ela exercida por homens ou mulheres.

Abordando outra temática, como tem vindo o BAI a lidar e a ultrapassar as dificuldades provocadas pela pandemia COVID-19? De que forma se mantiveram ao lado do vosso cliente e, consequentemente, do povo angolano?
Muito bem. Aprendemos muito rápido com um cenário sem precedentes para usar como referência, adaptamo-nos e ajustamos medidas para resolver o binómio -proteção das nossas pessoas e manter a sustentabilidade do negócio. Estamos constantemente em alerta para nos reinventarmos.
Muito rapidamente acionámos e ajustámos o nosso plano de contingência para fazer face às várias fases da pandemia de COVID-19. O nosso foco foi adequar as medidas que asseguram a prestação de serviços bancários e a proteção de colaboradores, clientes e parceiros.
A atividade laboral, nas instalações do Banco, foi suspensa a quem pertence a grupos de risco e foram reforçados os procedimentos de higiene e segurança nas instalações do BAI.
Reduzimos a força de trabalho presencialmente, criando um regime de rotatividade de forma a reforçar a prevenção do contágio e maximizar o distanciamento social. Adicionalmente foram criadas condições para implementação do regime de teletrabalho abrangendo para mais de 50% dos nossos colaboradores com funções específicas e criticas para a continuidade do negócio.
Os desafios são constantes, mas a matriz de inovação que temos na organização de adaptação e resiliência é posta à prova diariamente e torna-nos mais sólidos. Felizmente temos uma liderança próxima e aberta às mudanças, criando nos desafios grandes oportunidades. Estamos de facto a aprender a fazer muito mais com menos.

Foram uma das instituições que doaram ao Ministério da Saúde de Angola, testes de diagnóstico, num sinal de excelência e que revela e bem a vossa missão ao nível da responsabilidade social. Porquê esta aposta e de que forma é essencial que exista uma dinâmica de união entre todos para apoiar o país?
O nosso foco na parceria com o contexto atual foi imediato e necessário num cenário em que o país necessitava. Fruto da nossa missão de responsabilidade social e corporativa.

A terminar, o que podemos continuar a esperar de si para o futuro e do BAI -Banco Angolano de Investimentos?
Termino como começo: sou uma sonhadora apaixonada e que ama o que faz. Tenho imenso orgulho na organização em que estou, nos meus pares, equipa e líderes. Aprendo todos os dias e cada vez mais sobre uma indústria que me fascina e desafia. O que pretendo, é ser parte de um projeto com bases sólidas, que continua a fazer o seu caminho seguindo padrões de excelência, e de elevado desempenho. Pensamos em criar cada vez mais oportunidades para oferecer a melhor experiência bancaria.

“OS LAÇOS DE CONFIANÇA CRIADOS AO LONGO DO TEMPO SÃO OS VERDADEIROS ALICERCES QUE PERMANECEM”

A Macias y Associados conta com quatro anos de existência. Que características é que a sociedade de advogados continua a realçar, para se destacar num meio tão competitivo?
A Macias Y Associados tem apenas quatro anos de existência enquanto sociedade de advogados, mas tem nos seus quadros advogados com 25 anos de experiência, que além da antiguidade na profissão, trabalham há muitos anos com outras jurisdições e culturas que lhes permite ter uma visão global e não se circunscrever apenas ao mercado de Portugal.
A MyA surge no mercado em 2016 com o conceito de Law Boutique, no sentido de não querer trabalhar de forma massificada, outrossim com total dedicação aos desafios que se deparam a cada momento. Atualmente, congratulamo-nos por termos optado e mantido este modelo de negócio, pois só as fortes ligações de confiança entre advogados e clientes é que permitem viver estes últimos tempos não de forma competitiva, mas com a convicção que estamos no mercado com empenho, confiança e credibilidade.
Os laços de confiança e credibilidades construídos são os verdadeiros alicerces que verdadeiramente importam nestes tempos conturbados.

Continuam a salvaguardar os interesses dos seus clientes, reinventando-se diariamente às alterações da sociedade. De que forma se adaptaram à atual pandemia Covid- 19?
Caso esta situação pandémica, quer de estado de emergência quer de calamidade, não tenha obrigado a uma forte introspeção por parte de todos nós, seja a nível pessoal seja a nível profissional, então não valeu a pena viver estas restrições sociais.
Na MyA porque tínhamos o nosso único centro de produção de trabalho em pleno coração de Lisboa – Avenida da Liberdade – e vimo-nos impedidos de plena circulação, lançámos o repto aos nossos clientes e promovemos a abertura de um segundo escritório, desta vez em plena Comporta, de forma a fugir do ambiente desertificado da nossa cidade, e assegurarmos um espaço calmo, tranquilo e com todas as condições para reunir com os nossos clientes.
O que de início era um segundo escritório de forma a assegurarmos a paz e a tranquilidade dos nossos clientes em tempos conturbados, tornou-se um verdadeiro ponto de encontro, reuniões e discussões de temas muito interessantes e que resultou em pleno.
Enfim, tivémos de nos reinventar para assegurar espaços tranquilos, aptos e discretos e o nosso mercado abraçou este projeto e agora estamos a laboral em dois escritórios, agora com maior enfase no da Comporta em direito imobiliário, registos, contratos e corporate e mantemos o de Lisboa para a nossa prática forense e a nossa área vocacional de Direito da Família a todos que queiram em nós confiar.

De todas as áreas de prática da Macias y Associados, quais foram as mais afetadas?
Se pudéssemos dividir os ramos de Direito de uma forma muito espartilhada, diríamos que a nossa área de contencioso viu logradas algumas expectativas de resolução de processos de forma mais célere, e todas as situações que envolviam registos obrigatórios pela morosidade a que assistimos.

Considera que, entre as muitas medidas tomadas pelo Governo, o setor imobiliário foi uma classe abrangida ou esquecida? Qual foi o impacto no setor?
Se se refere às medidas anunciadas antes da pandemia sobre a descentralização dos processos de golden visa para outras zonas que não as grandes áreas metropolitanas, confesso que admirei a audácia mas esperava mais demonstrações de atribuição de incentivos fiscais concretos à construção e ampliação em algumas zonas do interior, como temos assistido na legislação espanhola com as províncias menos favorecidas economicamente. Pelo que apenas o anúncio da descentralização destas medidas de per si, não constituiu grande incentivo ao mercado da construção.
Se se refere a medidas especificas durante a pandemia para o setor imobiliário, acredito que estando o mesmo sob a égide do setor privado e dado que este tem demonstrado uma brilhante capacidade de se reinventar, pois temos players fantásticos no mercado, acredito que ainda que haja um ligeiro abrandamento temos os melhores assets da Europa para continuar a atrair investimento estrangeiro e a dar confiança aos mesmo para não recuarem nos seus business plans.

Pela sua experiência na área de direito imobiliário, considera que se vai manter em alta a avaliação imobiliária em Portugal?
O mercado do imobiliário não tem regras diferentes de qualquer outro sector de atividade, pois para todos o preço é efetuado pela conjugação da oferta e da procura. O que para uns pode parecer que os nossos asking prices estão sobrevalorizados, para mim o importante é mudar os nossos azimutes de captação de investidores para outros mercados onde as nossas qualidades enquanto país europeu são fabulosas, nomeadamente segurança, qualidade de construção, paisagens naturais exuberantes, existência de história e cultura em cada uma das nossas cidades ( e não só as principais) e valorizar os nossos lugares icónicos.
Logo, não acredito que os preços estejam sobrevalorizados pois o importante é mudar o nosso alvo de investidores e reforçar as qualidades que Portugal pode oferecer a outros mercados.

Portugal foi identificado como um país com maior segurança, acabando por ser um dos muitos motivos para se considerar o destino perfeito para viver após a Pandemia, nomeadamente para os cidadãos estrangeiros. Prevê que continuem a obter os Golden Visa para atividade de investimento? Quais são os benefícios que analisa?
Na MyA somos um escritório que sempre assessorou clientes estrangeiros, seja em processos de golden visa, seja de nacionalidade, seja de ajuda na relocation, pois acreditamos que temos as condições ideais para acolher pessoas singulares que procurem um sociedade tranquila com baixos níveis de criminalidade, excelente parque imobiliário para investimento e uma qualidade de construção que não se assiste na maior parte de outros mercados e ainda a preços muito acessíveis.
Portugal ocupa o terceiro lugar no Global Peace Index (GPI) dos países mais seguros do mundo!!

“PORTUGAL GANHOU O MEU AFETO E CONQUISTOU O MEU CORAÇÃO”

Mais conhecida a nível profissional como Alessandra Mourão, a nossa interlocutora é brasileira de gema que conheceu as terras lusitanas e se apaixonou imediatamente por este cantinho à beira mar plantado, transformando-se numa relação íntima, de carinho, reconhecimento, paixão e amor e que ainda sobrevive até hoje. Lutadora nata e líder incontestável, a nossa entrevistada é mãe de duas crianças, Ana Luiza com 15 anos e de Pedro Paulo com 10 anos, sendo casada com Carlos Figueiredo Mourão, Procurador do Município de São Paulo. Este é apenas um lado mais pessoal e privado de Alessandra, uma Mulher que assume diversas pastas a nível profissional, uma mulher de armas, como se costuma dizer em terras de Luís de Camões, pois além de ter fundado a Nascimento e Mourão – Sociedade de Advogados, que este ano perpetua 25 anos de vida, é ainda professora universitária, coordenadora do curso de negociação para advogados na Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Presidente do Comité de Ética Profissional da organização denominada por International Bar Association, IBA, considerada a maior entidade de profissionais da área jurídica, sendo ainda investidora na educação infantil no Brasil, numa escola denominada por «Pequenos Granjeiros». Cansados? Ainda não viram nada, pois Alessandra Mourão apresenta ainda uma veia de empreendedora em Portugal, pois possui um empreendimento chamado Quinta Pedras de Rio, um projeto encantador e que ainda se encontra numa fase embrionária, mas que será, quando estiver em pleno funcionamento, um local completamente inesquecível.

“VONTADE DE CONHECER MAIS E DE VIVER EM PORTUGAL”
Não é incomum que alguém de uma qualquer nacionalidade estrangeira conheça Portugal e se apaixone por ele. Incomum é que essa ligação fique marcada por um sentimento de paixão e amor, perpetuando aquele velho chavão de ser uma segunda casa. Qual seta de cupido, Alessandra Mourão ficou encantada com as maravilhas lusas, numa relação afetiva que se iniciou corria o longínquo ano de 1998, a primeira vez que a nossa interlocutora pisou Portugal. “Foi uma viagem de enorme regozijo, talvez pelos ancestrais lusitanos que carrego dentro de mim, pois senti uma energia e alegria tão grandes que criou em mim um sentimento enorme de felicidade. Além disso, esta viagem é ainda mais especial, pois foi a primeira aventura para o exterior que tive com o meu marido, algo que marca a mesma no meu coração também por essa razão”, afirma a nossa entrevistada, que recorda com saudade que nessa viagem conheceu locais maravilhosos em Portugal.
Oito anos depois, em 2006, Portugal voltaria a cruzar-se com a nossa entrevistada, fruto do relacionamento mais próximo da universidade em que Alessandra Mourão trabalhava, com Portugal, “onde comecei a dar formação para juristas lusitanos na vertente de negociação para advogados. Comecei a ir a Portugal de uma forma mais recorrente, mais concretamente para a capital, Lisboa e ficava sempre num hotel diferente e isso foi criando em mim a necessidade e a vontade de conhecer mais e de viver em Portugal”, revela a nossa entrevistada, lembrando que nesses tempos teve oportunidade de conhecer Portugal em momentos positivos e em períodos menos bons, e adquiriu um apartamento em Lisboa, tendo sido este o primeiro passo para que Portugal se tornasse a sua segunda casa.
Mas não se pense que esta ligação tenha ficado por aqui, pois nesse período um amigo próximo da nossa entrevistada herdou um conjunto de terras do seu pai, onde possui um projeto pessoal, algo que aguçou a curiosidade de Alessandra Mourão, que avançou para a aquisição de algumas terras na zona central de Portugal, realidade que dissipou qualquer dúvida na relação entre a nossa interlocutora e o nosso país, “cada vez mais próxima e de familiaridade”, revela, assumindo em contexto de boa disposição que essa relação tornou-se de tal forma forte, que hoje “não consigo assistir a um jogo de futebol entre Portugal e o Brasil”.

QUINTA PEDRAS DE RIO – UM PROJETO BONITO
“Fiquei encantada”. É desta forma que Alessandra Mourão revela o seu sentimento da primeira vez que visitou esse local, nos arredores de Abrantes, Vale do Tejo, região que a nossa entrevistada desconhecia. “Percebi que era uma região pouco explorada e vi uma possibilidade de desenvolver ideias inovadoras não só na área da agricultura, mas também na vertente do turismo rural e, mais do que isso, e porque sou uma amante das artes, na área da cultura, pois acredito que projetos culturais podem atrair um público interessado neste universo das artes. Foi assim que surgiu a ideia da Quinta Pedras de Rio, que será um projeto que acomodará interesses múltiplos”, assume.
Assim, a nossa interlocutora irá apostar na vertente agrícola, até porque possui uma pequena floresta de sobreiros, onde já é realizada a exploração de cortiça, entre outros desafios ao nível de atividades agrícolas. “Não tenho dúvidas que será um projeto único a conjugar agriturismo e o mundo das artes, em que pretendo que exista uma curadoria de artistas, inicialmente de origem brasileira e portuguesa, mas que será englobado, no futuro, por personalidades das artes de outras nacionalidades”.

CONHECER O QUE ESTÁ MAIS ESCONDIDO
Interessa ainda perceber que a motivação e o desiderato de Alessandra Mourão em apostar neste projeto, passa também por contribuir para algo maior que o seu amor pelo nosso país, ou seja, o fito passa também por criar um movimento produtivo na região, atrair pessoas nacionais e estrangeiras que estejam interessadas num turismo mais voltado para a natureza e menos de massas e aglomeração, sem esquecer que o mesmo também servirá para chamar pessoas para outros cantos de Portugal, ou seja, que saiam do roteiro óbvio das grandes regiões como Lisboa, Porto e Algarve “e passem a conhecer outros locais tão ou mais interessantes que essas, que têm, naturalmente, o seu valor, mas quero que as pessoas vejam mais e conheçam o que está escondido, sem esquecer que esta será uma possibilidade de gerar emprego e de ajudar a região e o povo a ter trabalho”, assegura a nossa entrevistada.
Alessandra Mourão acredita que temos de ver o lado positivo de todas as crises, e se o mundo atualmente vive um momento complicado, fruto da pandemia da COVID-19, esse momento aportou uma visão diferente às pessoas, relativamente à ocupação dos territórios, a nossa interlocutora incluída. “A minha atividade central está centrada numa grande cidade, São Paulo, e sinto que a pandemia criou nas pessoas uma vontade imensa de sair das grandes metrópoles, sensação que também tenho e que me leva a procurar estes espaços mais tranquilos. Isso também se reflete nessa busca no domínio do turismo por espaços e lugares de densidade populacional mais reduzida, realidade que pode criar, no pós pandemia, um nicho interessante de turistas que procurem essa serenidade, esses locais mais tranquilos e desprovidos de aglomerados gigantes de pessoas”, revela.
Como foi salientado, o mundo mudou e vivemos atualmente numa fase complicada, com diversas restrições de toda a ordem, facto que colocou inúmeros projetos em stand by, algo que também se refletiu no projeto da Quinta Pedras de Rio, que poderá ser atrasado em 9 a 12 meses. “A consecução do projeto exige uma pessoa de confiança na sua liderança e essa pessoa será o meu irmão e só não está em Portugal hoje devido ao encerramento das fronteiras. Contudo, acredito que ainda este ano começará a ser movimentado para darmos início a um verdadeiro sonho que tenho”.
Se compreendemos que toda esta relação começou sob a égide do amor, da paixão e do carinho da nossa entrevistada por Portugal, interessa também compreender que esta vertente mais negocial do projeto puro e duro, passa também pela capacidade empreendedora da nossa entrevistada, pois não basta ser criativo ou ter ideias para criar algo. Se assim fosse, todos nós seríamos empreendedores. Então o que marca a diferença? O verdadeiro empreendedor é o que tem a ideia e a consegue colocar em prática, concretizando-a, tal como Alessandra Mourão. “É importante ter ideias que possam ser colocadas em execução e acredito que uma pessoa empreendedora e líder tenha de ser realmente inovadora, com capacidade de execução e adaptação, com um olhar atento para os movimentos do mundo, das preferências das pessoas e, sem dúvida alguma, tenha de ser um excelente ouvinte. Nenhum líder vence se não tiver consigo uma equipa que acredite nas suas ideias. Sou completamente a favor do liderar pelo exemplo, porque um dos principais erros que os líderes cometem, passa por falar muito e depois são incoerentes entre a fala e a ação”.

MOMENTOS QUE MARCAM A CARREIRA
Já compreendemos que a nossa interlocutora assume sem medos qualquer desafio. Enfrentando cada um deles com uma dinâmica muito própria e com coração, embora sem nunca deixar de lado a vertente mais racional para assim ter uma visão mais realista de cada um deles. Mas quais foram aqueles momentos mais marcantes no percurso de Alessandra Mourão? São inúmeros, mas a nossa entrevistada decidiu colocar neste leque dois momentos que considera terem sido essenciais para chegar onde está hoje, tal como explica. “Na minha carreira, esses momentos surgiram de decisões que me levassem a fazer algo inovador e único e isso aconteceu quando resolvi, por exemplo, apostar, na vida acadêmica, na especialização da área da negociação de advogados, uma disciplina quem nem existia na universidade e para a qual me dispus a criá-la, algo que está no seio do escritório como sendo um foco essencial. É um diferenciador importante e que levou a nossa banca a ser notada como um escritório diferenciado e atuante nas mais diversas especialidades jurídicas para as empresas nacionais e estrangeiras. Isso e o ter-me envolvido com a International Bar Association, permitiu-nos passar de um escritório de base local para uma panorâmica internacional, criando um sentimento de confiança das empresas brasileiras com interesse no estrangeiro e empresas estrangeiras com interesse no imenso mercado brasileiro e latino-americano”, assume a nossa entrevistada.
Mas não ficam por aqui esses momentos, pois não podia faltar Portugal na aventura de Alessandra Mourão. “Acredito piamente que essa ligação pessoal e profissional com Portugal foi e tem sido essencial para mim e para a transformação, não só do negócio (inclusive com extensão dos negócios jurídicos), mas também ao nível das aspirações pessoais que tenho. Tenho muita vontade de usar a minha última terça parte de vida num país que ganhou o meu afeto, que conquistou o meu coração e obteve a minha determinação em colocar os meus esforços, os meus investimentos, projetos e energia em prol e benefício do país e das suas pessoas”, assume, claramente feliz com esta decisão na sua carreira e na sua vida.

“PODÍAMOS DE FACTO TER MAIS MULHERES EM POSIÇÕES DE LIDERANÇA”
Muitas coisas têm sido ditas no que concerne a questões relacionadas com a igualdade do género, com o equilíbrio de oportunidades entre mulheres e homens, entre ser líder masculino ou feminino. Mas será que a nossa entrevistada, uma mulher e líder de sucesso, alguma vez sentiu esse estigma? Alessandra Mourão assume que essas questões nunca a afetaram, até porque nunca se sentiu menos do que alguém, tendo sempre dado mais atenção à vertente da competência, pois é essa, na sua opinião, que aporta mais oportunidades, tendo admirado pessoas de qualquer género. “Nunca enfrentei uma situação em que o «clube dos homens» me pudesse impedir de procurar o que queria e sempre procurei alternativas por cada porta que se fechava”, assegura convicta.
Apesar de nunca ter sentido essa realidade, a nossa entrevistada confessa, contudo, que nos últimos tempos os seus olhos foram mais abertos para esta situação, que, infelizmente, ainda vigora. Como? “Por colegas mulheres. Por vezes estou numa reunião e olho e vejo que a componente feminina podia estar mais representada naquela reunião, naquela conferência, naquela faculdade, naquela empresa e a partir daí comecei a ter mais atenção a essa realidade e a conclusão a que chego é que podíamos de facto ter mais mulheres em posições de liderança e de tomada de decisões”, assume, assegurando que esse caminho terá de ser feito por cada uma das mulheres que tem um objetivo. “Cabe a cada uma de nós continuar nessa luta, até porque é essencial basear essa dinâmica na competência e nunca nos acharmos diminuídas por ser mulheres, isto mesmo em ambientes em que o cromossoma Y é maioritário. Sejamos únicos, autênticos e façamos a diferença. Não se intimidem em ambientes em que não são a maioria e acreditem nas vossas ideias e no valor das mesmas. Num mundo de redes sociais, em que a informação é tão democrática, o que mais sinto falta é do autêntico e do verdadeiro e é isso que temos de continuar a fomentar para criarmos uma sociedade mais respeitadora das diferenças, dando oportunidades pela competência e valor”.

“Quero destinar a minha energia para Portugal
E sobre Alessandra Mourão? O que podemos esperar da nossa interlocutora? “Muita coisa. Os meus projetos e desafios em terras lusitanas são imensamente inovadores em relação ao que já fiz no Brasil. Tenho muita energia, vontade e disposição de colaborar para o bem-estar da região e para o seu desenvolvimento. Tenho inúmeras ideias e a Quinta Pedras de Rio é apenas o início para que estes projetos se possam desenvolver, porque adoro criar coisas novas em terrenos inexplorados e amo Portugal, um país com o qual tenho uma relação afetiva e para onde pretendo destinar muita energia ainda remanescente”, conclui, Alessandra Mourão.

EMPRESAS