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Ricardo Andrade

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Portugueses poupam €161/mês em média a trabalhar de casa

A poupança conseguida acaba por se revelar muito significativa, tendo em conta que o ordenado mínimo em Portugal ronda os €665 e deve-se sobretudo às deslocações para os postos de trabalho e a uma redução geral de custos.

Segundo a análise da maior plataforma nacional de prestação de serviços, apesar de 60% dos inquiridos já não estar em teletrabalho, 40% revelou que a medida é mais vantajosa, explicando que não só poupam financeiramente todos os meses, como também conseguem passar mais tempo com a família, e não perder tanto tempo em deslocações.

No que toca aos prestadores de serviços, Covid-19 e vacinação, 92% dos profissionais não esteve infetado, e os que estiveram apontam o contágio para família (46%), emprego (26%) e amigos (13%).

Os profissionais que não podem trabalhar remotamente exigem ser vacinados o quanto antes, enquanto grupo prioritário, e, dos inquiridos, 75,2% gostavam de o ser no imediato, mas 19% não sabe ainda se quer sê-lo, com apenas 6% a admitir que não quer.

“Do lado da Fixando, o que podemos garantir é que 82% dos nossos 25.000 profissionais inscritos estão aptos a prestar os seus serviços remotamente”, afirma Alice Nunes, diretora de Novos Negócios da plataforma.

Uber lança novo serviço low cost no Porto

Para utilizar o UberX Saver basta abrir a aplicação Uber já instalada no smartphone e verificar as opções disponíveis. Os horários de funcionamento não são fixos, acompanham a dinâmica de movimentos da cidade. Cabe aos motoristas decidir se desejam realizar viagens através do UberX Saver para continuar a conduzir e ter rendimento nos momentos ou locais de menor movimento, podendo optar por entrar e sair deste produto a qualquer momento.

“Queremos oferecer aos utilizadores do Porto um serviço de mobilidade mais acessível e seguro quando precisam de viajar fora dos horários de pico. Ao mesmo tempo, queremos que os motoristas e parceiros continuem a ter rendimentos, mesmo em horas ou locais de menor movimento, e isso é possível graças à tecnologia da nossa aplicação e às várias opções que disponibilizamos”, refere Manuel Pina, Diretor Geral da Uber em Portugal.

Segurança em primeiro lugar
Uma das prioridades da Uber é a segurança de todos os que utilizam a aplicação. A empresa distribuiu centenas de milhares de máscaras e dezenas de milhares de kits de higienização entre os motoristas, contendo máscaras, luvas, gel e sprays higienizantes. Além disso, a Uber tem focado os seus esforços na implementação de processos e soluções tecnológicas em tempo real para garantir o uso responsável e seguro dos seus serviços em todos os momentos. Entre eles, uma ferramenta de tecnologia de reconhecimento que permite à aplicação da Uber identificar se os motoristas estão a utilizar máscara antes de iniciar uma viagem, bem como uma lista de verificação na aplicação através da qual motoristas e utilizadores podem certificar que aderiram a todas as medidas de segurança antes de conectar a plataforma.

A Leaps by Bayer lidera um financiamento de série B de 90 milhões de dólares à empresa digital do setor da saúde Ada Health

O investimento ajudará a Ada a aperfeiçoar a sua famosa tecnologia de avaliação da saúde, permitindo acelerar o percurso desta ferramenta pioneira de saúde digital para a tornar no principal sistema operacional personalizado de saúde a nível mundial, ajudando igualmente a reforçar a posição de liderança da empresa nos Estados Unidos. Além deste anúncio, a Bayer e a Ada Health estão a negociar uma parceria estratégica a mais longo prazo para apoiar as atividades da empresa no setor dos cuidados de saúde.

A Ada Health desenvolveu uma plataforma robusta de avaliação da saúde e navegação nos cuidados de saúde baseada em inteligência artificial (IA), que ajuda os utilizadores a compreender os seus sintomas, a identificar e distinguir problemas de saúde com elevados níveis de exatidão clínica e a navegar de forma segura pelos cuidados médicos mais adequados, no momento mais adequado. A aplicação da Ada tornou-se na aplicação de avaliação de sintomas mais famosa e mais bem classificada pelos consumidores em todo o mundo, contando com mais de 23 milhões de avaliações realizadas desde o seu lançamento global.

A tecnologia de base da Ada também se encontra disponível num conjunto de soluções empresariais assentes em IA. A empresa colabora com diversas entidades líderes nos setores dos sistemas de saúde, seguradoras, empresas de ciências da vida e organizações sem fins lucrativos que operam a nível global, para integrar as suas soluções de avaliação de sintomas e navegação nos cuidados de saúde num conjunto alargado de sistemas digitais de cuidados, a fim de melhorar os resultados para os doentes, consumidores e profissionais de saúde.

“O investimento em tecnologias inovadoras que impulsionam a transição digital é um dos imperativos estratégicos da Leaps by Bayer e de todo o ramo dos cuidados de saúde”, afirmou o Dr. Jürgen Eckhardt, Diretor da Leaps by Bayer. “A tecnologia completamente transformadora da Ada, que combina o poder da inteligência artificial dando ênfase ao rigor médico com níveis elevados de exatidão clínica, assumirá um papel de liderança ajudando mais doentes e consumidores a conseguir melhores resultados de saúde mais cedo, intervindo numa fase mais precoce da sua jornada nos sistemas de saúde”.

A deteção precoce de doenças é um dos maiores desafios quando se pretende direcionar os consumidores e os doentes para os cuidados adequados e, infelizmente, continuam a ser frequentes situações de subdiagnóstico, erros de diagnóstico, e de longas jornadas pelos sistemas de saúde até que os doentes sejam devidamente diagnosticados e tratados. Além disso, globalmente, os sistemas de saúde estão sobrecarregados e as organizações têm de fazer face a pressões como o crescimento e envelhecimento da população, o aumento das comorbilidades com necessidade de tratamento e a pandemia atualmente em curso. A Ada pode ajudar a encurtar o tempo até ao diagnóstico, proporcionando aconselhamento médico relevante, viável e eficaz, e irá impulsionar cada vez mais abordagens baseadas em dados personalizados que ajudem a prever e a prevenir as doenças.

“O investimento que fazemos hoje ajudar-nos-á a ficar mais perto do nosso objetivo de melhorar os resultados de saúde de mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo. Orgulhamo-nos de colaborar com investidores que acreditam verdadeiramente na tecnologia da Ada e na sua visão de transformar a forma como as pessoas acedem aos cuidados de saúde”, comentou Daniel Nathrath, Diretor Executivo e cofundador da Ada Health, sobre o anúncio feito hoje. “Estamos entusiasmados por ter a Leaps by Bayer como investidor principal, principalmente porque os nossos valores estão muito alinhados com colocar a ciência e a tecnologia, bem como o compromisso de assegurar a qualidade médica e o foco no utilizador, no centro de tudo o que fazemos”.

Ouvir Fado numa cisterna subterrânea do jardim do Príncipe Real? Sim, está de volta o Real Fado

Instalado no subsolo do jardim do Príncipe Real, o Reservatório da Patriarcal do Príncipe Real será um dos palcos dos concertos intimistas do Real Fado em junho e terá uma lotação máxima de 40 pessoas, com espectáculos a decorrer entre as 19h e as 20h, todas as sextas-feiras do mês. Também denominada por Reservatório da Praça de D. Pedro V, esta cisterna em pedra foi projectado em 1856, integrado no projecto de abastecimento de água a Lisboa, tendo como função principal a regulação da pressão entre o Reservatório do Arco (na Rua das Amoreiras) e a canalização da zona baixa da cidade. Uma estrutura subterrânea com uma acústica natural que promete redefinir os espetáculos do Real Fado e oferecer uma experiência ainda mais disruptiva, tanto a artistas como aos espectadores. Entre a lista de artistas que vai passar pelo Reservatório da Patriarcal durante o mês de junho encontram-se Cristina Clara e Aixa Figini, Tânia Oleiro, Zé Maria Souto Moura e Nani Medeiros, entre muitos outros.

Já na EmbaiXada – Portuguese Concept Gallery, os concertos irão realizar-se às quartas-feiras, entre as 20h e as 21h, e terão uma capacidade limitada a 50 pessoas. Na EmbaiXada, para além de poder desfrutar destas vozes e sons de guitarra portuguesa, poderá ainda visitar os espaços que já estão abertos ao público, como o Atalho Real, Gin Lovers e Organii Spa, Castelbel, Meamstyle, Latitid, Indústria, HLC, DOT, FV Concept Store, a Ecolã, Boa Safra, Welcome to art, Chumeco, Benedita Formosinho, e a Isto.

Para garantir a segurança de todos os assistentes, aconselha-se a compra prévia dos bilhetes para estes concertos do Real Fado através da Ticketline ou no próprio local. Além dos habituais bilhetes, estão ainda disponíveis 10 Real Tickets – bilhetes reservados aos melhores lugares da sala, uma experiência única que inclui receção personalizada onde é contada a história do concerto e do espaço onde este acontece, assim como o propósito do concerto.

O Real Fado celebra esta canção tradicional lisboeta, listada como Património Cultural Intangível da UNESCO. O nome homenageia a sua casa-mãe, o “Príncipe Real”, o bairro mais cool de Lisboa, que combina vistas esplêndidas, jardins românticos, palacetes aristocráticos e um tecido urbano encantador com as lojas e os restaurantes mais trendy da capital.

Fique a conhecer as várias sonoridades que estão à sua espera no Real Fado:

Fado Tradicional
Neste concerto, o Fado apresenta-se na sua forma mais tradicional. Este é um momento de Fado e de conversas entre amigos. Poucas pessoas, um concerto intimista que, mais do que um concerto, é um momento de partilha de emoções.

Fado & Outras Sonoridades
O Real Fado também celebra a influência do Fado pelo mundo. Desta forma, somos surpreendidos pelas inspirações que, ao longo do tempo, os artistas do Fado foram bebendo de outros géneros musicais, como o Choro, a Ópera ou o Cante Alentejano.

Fado Intemporal
Duas gerações abraçam património e contemporaneidade, cruzando-se assim o passado com o futuro. Três instrumentos acompanham uma voz consagrada e outra jovem e promissora. Venha surpreender-se com a união destes dois universos no presente.

Para mais informações visite: https://www.facebook.com/realfadoconcerts/ ou https://www.instagram.com/realfadoconcerts/

“O BIM encerra em si a formação dos utilizadores, a dimensão dos mercados e a legislação aplicável”

Na qualidade de Professor e Investigador e Responsável pela Pós-Graduação em Construção e Reabilitação Sustentável da NOVA SCHOOL OF SCIENCE AND TECHNOLOGY | FCT NOVA, como nos pode descrever a evolução deste setor em Portugal?|
O setor sofreu um forte impacto resultante da crise financeira e económica de 2008. Porém, principalmente a partir de 2011, sobretudo devido ao aumento da atividade ligada ao setor do turismo que então se começava a observar, a reabilitação urbana sofreu um importante incremento, também impulsionado pelo Decreto-Lei n.º 53/2014, criticado por vários especialistas do setor, por incluir constrangimentos ao nível da reabilitação sísmica. Esta situação foi, entretanto, ultrapassada com a publicação do DL 95/2019, que estabelece o novo regime aplicável à reabilitação de edifícios ou frações autónomas. A par das obras de reabilitação de edifícios, a construção nova tem mantido também um forte dinamismo após a crise de 2008.
Em 2020, com o surgimento da pandemia COVID-19, a economia mundial, e, por conseguinte, a economia portuguesa sofreram uma retração histórica. Porém, o setor da Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) foi um dos poucos que se manteve em atividade, contribuindo desta forma para atenuar as dificuldades sociais e económicas de uma grande parte dos seus intervenientes, e da sociedade portuguesa em geral.

 O BIM (Building Information Modelling) surge na indústria como uma solução de modernização e de reestruturação, estimulando a colaboração entre os seus agentes, incentivando a desmaterialização e elevando a importância de se obterem melhores desempenhos e processos mais eficientes. Trata-se de um novo paradigma na digitalização, tanto na Reabilitação Urbana como na Construção e na Engenharia?
Sim. O BIM está a revolucionar o setor AEC, pelas grandes melhorias que permite obter ao longo do processo construtivo de um empreendimento, e durante a sua exploração. Essas melhorias refletem-se, para além das referidas na formulação da questão, na qualidade global de todo o processo, por exemplo, ao permitir prever e antecipar possíveis incompatibilidades entre projetos de especialidades, simular diferentes soluções para um mesmo objetivo/função (analisando os correspondentes custos e impactos ambientais) e apresentar ao promotor o aspeto final da obra, muito antes do início da sua construção.

A que desafios vem responder esta abordagem e, sobretudo, porque se tornou crucial nos setores anteriormente mencionados?
Como referido, a metodologia BIM, que se materializa na utilização de softwares compatíveis entre si, ainda que de diferentes marcas/fabricantes, permite antecipar e ajudar a resolver todos os “conflitos” entre projetos existentes em obra (ex. cruzamentos entre tubagens e estrutura), frequentes no projeto tradicional. Além disso, permite otimizar o processo de cálculo e de pormenorização (desenho), fornece importantes elementos de gestão e planeamento e facilita a interação entre os intervenientes/responsáveis e a construção em obra.

Desde que o conceito BIM surgiu, que o debate se prende em torno do seu valor e aplicação, mas, além disso, o que se deve saber para ser implementado com sucesso e desbloquear o verdadeiro valor que aporta aos utilizadores?
O BIM encerra em si a formação dos utilizadores, a dimensão dos mercados e a legislação aplicável. De facto, os custos dos softwares, o tempo de formação e aprendizagem na modelação e o dinamismo do mercado são fatores que nesta fase ainda pesam da decisão de alguns Gabinetes de Arquitetura, mas sobretudo de Engenharia, adotarem já, ou mais tarde, este novo procedimento de projeto. Claro que o processo de normalização atualmente em curso em Portugal, e a própria legislação, que surgirá no futuro, ajudarão a ultrapassar todas estas dificuldades. Facto que, aliás, já acontece em muitos Gabinetes de projeto portugueses.

Afirma-se que o BIM foi um ponto de viragem no setor da Construção, tornando-o mais sustentável. Na sua opinião, o que fomenta esta ideia?
Julgo que existem várias razões, das quais destaco: por um lado, as novas gerações de projetistas (Arquitetos e Engenheiros, das diferentes especialidades), e de forma crescente de construtores, têm já uma grande preocupação com as questões ambientais e a preservação dos recursos naturais, e uma elevada competência na utilização das ferramentas digitais. Isto facilita claramente o espírito de curiosidade e a adoção do BIM como metodologia de trabalho. Por outro lado, o BIM permite a desmaterialização do projeto, a minimização de resíduos durante a obra, a minimização dos custos globais, e, talvez o mais importante, a comunicação digital entre os diversos intervenientes, mesmo que sediados em diferentes Continentes (impulsionada de forma exponencial durante a atual pandemia). Todos estes fatores permitem acreditar que esta abordagem do projeto vem proporcionar um novo ponto de viragem no setor AEC, tal como aconteceu há poucas décadas na implementação do desenho assistido por computador (CAD) em substituição dos métodos manuais de desenho dos projetos.

Quais serão as novas tendências para o futuro destas indústrias?
O setor é muito vasto. Mas, claramente, a preocupação com a preservação dos recursos naturais, a reciclagem e a implementação de novos materiais estarão incluídas nessas tendências. Concretizando um pouco: a utilização de produtos de construção multifuncionais (ex. vidros com auto-limpeza ou betões e argamassas auto-regeneráveis, que conseguem colmatar a fendilhação que ocorra), o interesse  pela utilização de produtos de construção que contribuem para a saúde humana (ex. revestimentos de paredes interiores que captam poluentes), a utilização de resíduos de construção de demolição (RCD) no fabrico de produtos de construção em substituição parcial de matérias-primas virgens ou a opção, quando possível, pela reabilitação das construções antigas (minimizando assim o consumo de recursos naturais e mantendo a memória histórica dos locais) em detrimento da sua demolição e construção nova, serão certamente novas tendências e desafios para o futuro do setor AEC.
Talvez por estas razões, muitos técnicos portugueses estão a procurar cursos de formação ao longo da vida, como é o caso da Pós-Graduação em Construção e Reabilitação Sustentável da FCT NOVA, onde muitas destas matérias são abordadas.

“Um SIG não se constrói em dois dias e muitas vezes o seu real valor acrescentado só é visível alguns anos após a sua conceção inicial”

Marco António Campos Lima de Carvalho é Engenheiro Geógrafo, licenciado em Engenharia Geográfica (2001) e mestre em Deteção Remota (2007) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), tendo realizado Estágio na Direção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território na área dos Sistemas de Informação Geográfica. Membro efetivo da Ordem dos Engenheiros desde 2005 e membro sénior desde 2015. Atribuição pela Ordem dos Engenheiros do título de Engenheiro Especialista em Sistemas de Informação Geográfica em Outubro 2018. Vogal do colégio de Engenharia Geográfica da Ordem dos Engenheiros desde 2019.

Iniciou a carreira com a realização de levantamentos GPS e cadastrais da rede elétrica de média tensão. Nos últimos 16 anos tem desempenhado funções no Município de Vila Nova de Gaia. Entre 2002 e 2010 foi responsável pelos serviços técnicos de Topografia da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, realizando a supervisão de todos os trabalhos de topografia e cadastro do município, implementando e criando novas metodologias de gestão e modernização tecnológica dos serviços. Desde 2010, enquanto Diretor do Departamento de Informação Geográfica da Gaiurb, assumiu a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho anterior e implementar novos conceitos de gestão, metodologias e inovação tecnológica, promovendo a implementação de projetos pioneiros a nível nacional. Entre 2013 e 2015 foi consultor e responsável pela coordenação das equipas de SIG no Gabinete Técnico de Reconversão Urbana do Cazenga, Sabizanga e Rangel (Luanda, Angola) na área técnica de Sistemas de Informação Geográfica. Desde 2016 tem promovido na implementação de projetos tecnológicos inovadores ao nível municipal, com a implementação de novas tecnologias de recolha de dados geográficos e a sua integração.

Fundou em 2003 a Limacarvalho Engenharia e colabora em estudos de investigação, consultoria e prestação de serviços especializados nas áreas da topografia, deteção remota, fotogrametria, fotografia aérea e vídeo com aeronave não tripulada (drone), laser scanning, formação e consultoria em SIG no planeamento e produção de soluções tecnológicas de informação geográfica, para universidades, instituições públicas nacionais, empresas de engenharia e arquitetura e clientes particulares.

  1. Como caracteriza o atual estado dos SIG em Portugal?

Globalmente poderemos considerar que Portugal está ao nível de muitos países da União Europeia e do mundo, no entanto existe uma larga consciência dos gestores de SIG em Portugal, que muito há ainda por fazer, inovar, sensibilizar e até mesmo democratizar. De dia para dia os decisores públicos e privados entendem as mais-valias da informação geográfica para gerir os seus territórios e negócios, em diversas áreas da engenharia, arquitetura, construção, produção e manutenção entre outros.

  1. O que acha que pode ser feito, institucionalmente e individualmente para aumentar a visibilidade dos SIG na sociedade?

Diria que primeiro fator será o individualmente, ou seja, que todos os técnicos, gestores, operacionais e produtores de informação SIG não tenham receio de inovar e de arriscar no futuro. Um SIG não se constrói em dois dias e muitas vezes o seu real valor acrescentado só é visível alguns anos após a sua conceção inicial. É um trabalho de resiliência e de constante pensamento evolutivo. Compete a cada um de nós promover os SIG na sua atividade profissional e até mesmo no lazer, pois a informação geográfica tem a vantagem de ter um número infindável de aplicações. Ao nível institucional e dos decisores é necessário reconhecer as mais-valias e apostar forte na implementação dos SIG a nível nacional e local. Por exemplo, a realidade dos municípios nacionais no que se refere aos SIG é muito díspar. As plataformas informáticas são inúmeras, no entanto não é o ato de adquirir uma determinada solução tecnológica que vai automaticamente criar e implementar um SIG. São os recursos humanos associados, os modelos de dados e a interoperabilidade dos mesmos, assim como a facilidade de acesso à informação e a perceção de que é mais vantajoso partilhar a informação, mesmo com reservas e diferentes níveis de acesso, do que a guardar e limitar o acesso apenas ao produtor e detentor único da informação.

  1. O que destacaria como “a vantagem competitiva dos SIG”?

Uma grande vantagem competitiva julgo ser a facilidade de comunicação e de interpretação de conjunto de perguntas que colocamos no âmbito da nossa atividade. A manipulação e conjugação de indicadores que pretendem dar resposta a um objetivo, associando por vezes sua localização espacial, é efetivamente a ferramenta de análise mais poderosa no que se refere ao cálculo de grandes volumes de dados espaciais. Usualmente, dou como exemplo o caso paradigmático da analise do zonamento de um PDM – Plano Diretor Municipal e as Servições e Restrições de Utilizada Pública transpostas para as Cartas de Condicionantes. Previamente ao ano 2000 a análise de um determinado terreno ou projeto e o seu enquadramento no território era morosa e por vez imprecisa, no entanto, atualmente obtém-se o resultado do cruzamento de um determinado cadastro com centenas de níveis de informação em menos de um minuto. Neste sentido, o poder da análise espacial e os seus cálculos analíticos de modo célere são efetivamente uma vantagem competitiva dos SIG.

  1. Fale-nos da sua experiência no âmbito dos SIG e de que forma o ajudou a cumprir com eventuais objetivos?

Trabalho com os SIG desde 2002 e mais ativamente e com funções de gestão desde 2010, tendo ainda realizado projetos em diversas áreas. Nestes últimos 10 anos a evolução tecnológica tem sido exponencial o que nos permitiu inovar a apresentar novos produtos. Acima de tudo o objetivo foi a democratização do acesso à informação. Mais informação permite tomar melhores decisões. O desafio constante é o de manter a informação atualizada, criar mais e melhores automatismos e acima de tudo, um gestor de informação geográfica tem de ser um elemento agregador e facilitador da interoperabilidade de dados. A produção de mapas em poucos minutos, a disponibilização de indicadores geográficos à distancia de um click, acessível a todo o público em geral e ao decisor, têm sido o principal objetivo a cumprir e para o qual trabalhamos diariamente.

  1. OS SIG têm futuro? O que prevê?

Sim, sem dúvida alguma. A recente pandemia Covid 19 que afetou todo o mundo foi um bom exemplo e real, da capacidade dos SIG em gerir e apresentar de um modo simples e objetivo um conjunto de dados por vezes complexos. O futuro passará sempre pela integração de tecnologias e modelos de dados de modo a facilitar o acesso aos dados e produção de novos conteúdos. No futuro, prevejo a criação de mais automatismos de análise de dados, como resultado da contribuição de todos, de modo voluntário ou involuntário. O segredo do sucesso de um SIG é a atualização dos dados de um modo eficiente e que não ocupe demasiado tempo na sua fase de manutenção permanente, privilegiando automatismos e rentabilizando o tempo para a produção de mais indicadores de resposta, aquilo a que podemos chamar de eficiência.

  1. Do seu ponto de vista, de que forma a nossa Associação (APPSIG) pode contribuir para promover a valorização e divulgação dos SIG?

Tendo em consideração os estatutos da APPSIG e os seus fins, sou de opinião que a Associação poderá ser um impulsionador de cooperação institucional, ter um papel ativo na normalização de procedimentos e acima de tudo ser uma voz ativa dos seus associados. À semelhança de outras associações profissionais, muito profissionais a título individual tem dificuldade de representação e de se fazerem ouvir, nomeadamente para o regulador, uma vez que os técnicos que trabalham com SIG têm conhecimento da realidade local e das dificuldades que se colocam no dia-a-dia de cada profissional. O seu papel na formação, na cooperação institucional com outras associações e ordens profissionais, assim como com parceiros tecnológicos, entre outros, será certamente uma mais-valia para o futuro dos SIG e da sua valorização. Um SIG não é uma especialidade de uma única formação técnica ou académica, mas sim um conjunto vasto e alargado de contributos de diferentes áreas de especialidade, que desde a produção das bases cartográficas, dos dados SIG, à produção de indiciadores e resultados deverá ser multidisciplinar e valorativo para todos os profissionais habilitados e dedicados ao SIG e que permitiram a produção de um simples mapa ou indicador de resultados. Neste sentido, a APPSIG poderá ser o elemento agregador, um fórum de discussão e análise e um motor de desenvolvimento e inovação dos SIG em Portugal.

A CodeFQ enquanto impulsionador dos empreendedores do futuro

Com um período de preparação longo e com uma metodologia arrojada e inovadora, a CodeFQ integra o mercado, inicialmente a partir de Espanha, no passado mês de fevereiro. De seguida estabeleceu-se em Portugal e é já em Maio que irá avançar no Brasil, no México e no Reino Unido.
A crescer rapidamente, a empresa nasceu essencialmente de uma necessidade estrutural no mundo do emprego, onde o desenvolvimento de uma carreira tradicional é cada vez mais raro. Assim, para a sua concretização, juntou-se uma entidade especialista em franchising e um Merchant Bank Espanhol, com o objetivo de promover junto do seu targhet as ferramentas necessárias para se tornarem empreendedoras por via do franchising.
E porquê a vertente do franchising? O Partner da CodeFQ, Bruno Costa, explicou-nos que “tem a ver com o facto de nós acreditarmos que em plena crise, é mais seguro para as pessoas apostarem num negócio que o mercado já conheça, que seja sólido e reconhecido. Nós entendemos que, realmente, é o que faz mais sentido numa altura com uma grande instabilidade e incerteza, poderem investir em marcas que já sejam conceituadas e que lhes traga segurança”.
Fundamentalmente, podemos afirmar que a CodeFQ é um programa de emprego, onde se criam ferramentas que tornem o processo de despedimento – um caminho que muitas empresas são obrigadas a tomar neste período de pandemia – menos doloroso e que, ao mesmo tempo, se criem postos de trabalho através do empreendedorismo. Esta é a missão número um: transformar um desempregado em empreendedor.

Como funciona?
Na prática, a CodeFQ oferece ao empreendedor um serviço integral de acompanhamento técnico e humano, até à abertura do seu negócio. Além de um programa de formação, é também considerado um programa de desenvolvimento de talento e de responsabilidade social.
Assim, e segundo o nosso entrevistado, existem dois tipos de abordagem: a primeira surge quando a empresa que está a dispensar colaboradores contrata a CodeFQ para participar nesse processo de saída e identificar aqueles que, efetivamente, podem integrar o programa e dar continuidade à sua carreira enquanto empreendedor; a segunda, é a título individual, ou seja, uma pessoa que já se encontra nesse processo de transição e que não encontrou até ao momento emprego mas que tem, na opinião dela, a vocação para ser empreendedora. Certo é, em ambas as abordagens, existe um acompanhamento do candidato até à abertura do seu próprio negócio.
O programa de formação, que tem uma duração de 120 dias, inicia-se com uma entrevista “one on one”, tal como Bruno Costa esclarece: “é entregue um questionário com 75 perguntas ao candidato e que resultará na matriz do perfil do mesmo. Esta entrevista é feita presencial ou virtualmente e é conduzida por um mentor da CodeFQ que vai perceber quais as suas características e ambições. Depois temos de ter um cuidado adicional que é de percebermos que, a pessoa que temos à nossa frente e que queremos ajudar, encontra-se em processo de despedimento e por isso não está com a sua confiança firme como estaria numa outra altura, por isso o modelo de avaliação tem também em conta a parte psicológica que o candidato vive naquele momento. Não queremos dar apenas ferramentas técnicas e práticas, mas também recuperar um candidato que está a passar uma fase complexa da sua vida”.
No fim, o programa de formação CodeFQ faz jus àquele que é um serviço que permite ao empreendedor obter o suporte profissional necessário à aquisição de um franchising, skills de liderança e capacidades de negociação.

Um apoio inovador ao outplacement
O outplacement é um processo que procura ajudar o funcionário demitido a recolocar-se mais rapidamente no mercado de trabalho, orientando-o durante esse período, tal como é realizado pela CodeFQ. A grande diferença é que, tradicionalmente, coloca-se o colaborador numa função similar à que ele já desempenhava e às vezes até mesmo dentro do próprio setor.
Sabemos que atualmente, devido à pandemia que se instalou mundialmente, consequentemente muitas empresas estão a despedir e o mercado não se encontra capacitado para absorver todos os profissionais que ficaram sem o seu trabalho. A variante inovadora da CodeFQ vem, por isso, colmatar essa lacuna, dando-lhes, tal como foi referido anteriormente, as ferramentas e os meios para criarem o próprio negócio.
As mais-valias para a pessoa que irá integrar e usufruir do programa de formação já foram mencionadas, mas quais são afinal os benefícios para as empresas? Bruno Costa responde que “o processo de despedimento torna-se muito mais humanizado e muito menos difícil. As empresas vão saber que aquele colaborador não vai ficar em situação de desemprego com tudo o que isso implica na sua vida pessoal, familiar e social, mas sim que vai conseguir ter uma nova vida e vai reinventar-se. Em segundo lugar, sendo um programa de formação, existe um componente que acaba por ser fiscal e contabilisticamente muito interessante para as empresas que nos contactam. Por fim, existem apoios a nível de fundos públicos que as empresas podem recorrer para suportar o custo deste programa. Portanto, para quem nos contrata, existem mais-valias significativas, tanto do ponto de vista humano como de ponto de vista financeiro”.

Futuro CodeFQ
Quando se lida diretamente com as pessoas e as suas emoções, é fundamental que se tenha em atenção vários elementos. Para a CodeFQ, um deles, passa por solidificar a sua implementação para melhor responder às pessoas que mais necessitam. O Partner da marca afirma que “infelizmente, acredito que os próximos dois trimestres nos vão trazer um volume significativo de reduções nas empresas por via da resposta à pandemia e do ajuste que a economia terá de fazer e é importante que estejamos lá para apoiar e ajudar a dar-lhes rumo”.
Além disso, a CodeFQ está já a trabalhar na resolução de constituir uma sociedade gestora de investimento que, no fundo – para aqueles projetos empreendedores que são válidos, mas que o candidato não tem capacidade financeira para o concretizar – irá financiar e ajuda-las a avançar com a sua vida.
A marca pretende, numa fase já pós-crise, continuar a apoiar os projetos de empreendedorismo, tendo já números suficientes para que o mercado a reconheça como o apoio essencial para potenciar ideias e projetos em Portugal e no mundo.
Por fim, Bruno Costa deixou uma mensagem de esperança a todos os que, neste momento, se encontram em situação incerta: “primeiramente, às empresas que estão num processo de redução de colaboradores, quero que pensem que podem contar com a CodeFQ para tornar essa ação mais humana e que não resulte em 100 por cento de despedimento, porque nós podemos recuperar alguns desses profissionais. Às pessoas que também estão nesse processo, gostaria de dizer que por vezes, quando se fecha uma janela, abre-se uma porta enorme, por isso, acreditem que esta pode ser uma altura de oportunidade. Não percam a confiança e acreditem que, efetivamente, há sempre um caminho que nos ajuda a dar a volta numa situação complexa”.

“Vive-se um período de estagnação do setor por motivos ideológicos provenientes da estratégia do estado e da desinformação transmitida ao consumidor”

Como analisa a atualidade do setor da água?
Atualmente vive-se um período de estagnação do setor por motivos ideológicos provenientes da estratégia do Estado e da desinformação transmitida ao consumidor. Continua-se a esconder a verdade e a criar uma história do “bicho papão” à volta das concessionárias.

A privatização ou municipalização é uma das várias questões à volta deste setor, concorda?
Exatamente. Em primeiro, não existem privatizações na área da água e do saneamento, existem sim contratos de exploração e construção por um período de tempo definido, logo não são eternos. Trata-se de contratos que foram objeto de escrutínio, a maior parte, por concursos internacionais onde as Câmaras (concedentes) definiram as regras dos mesmos. Estes contratos foram validados pelo Tribunal de Contas e são auditados anualmente pelo regulador. Não sei como pode existir maior transparência.
Nestes concursos eram solicitadas propostas de gestão/exploração e construção de redes para a cobertura de água e saneamento de x% da população, onde os concorrentes apresentavam uma estrutura e evolução do preço, bem como um plano de investimentos estimado para esse objetivo.

O preço da água é muitas vezes alvo de comparações entre municípios, qual a sua análise?
O custo a cobrar pelo fornecimento da água deve incluir o custo da água, o custo da manutenção, o custo do investimento, o custo da remodelação, o custo da renda ou contrapartida paga às câmaras e o rendimento da atividade. Esta é a fórmula que todos os operadores utilizam sejam eles privados, públicos, municipais, agregações ou outros que venham a inventar.
O problema não é o custo da água, mas sim como se cobra esse custo. As concessões só têm uma forma de cobrar, que é através do tarifário aplicado aos utentes/utilizadores do serviço, já as restantes, para além dos tarifários, têm os impostos diretos e indiretos e subsídios para cobrir as diferenças entre o custo e o tarifário. Como vê, é muito fácil dizer que as concessões têm o tarifário ao utente mais alto que as restantes, não explicam é tudo.
Não sou contra a subsidiação direta ou indireta, sou é contra a não informação dessa subsidiação e que a mesma seja incluída aquando da comparação.

Qual seria a solução para clarificar este assunto?
Todos os operadores deveriam ser obrigados a ter um registo contabilístico desta atividade separada das restantes. Assim, ficaria expressa a necessidade de fundos provenientes de outras origens que não o tarifário cobrado diretamente ao utente/utilizador. Tão simples quanto isto, ou seja, transparência.

A questão das perdas de água vai além da questão ambiental, qual o caminho efetuado pelas suas concessionárias e o que pensa que ainda pode ser feito?
Esse é um tema para o qual trabalhamos diariamente. Para um combate às perdas, o primeiro passo é conhecer as redes, setorizar e controlar os seus consumos. Parece fácil, mas demora tempo e é necessário um investimento, que dependendo da dimensão, pode ser elevado. É necessário ter uma equipa dedicada e responsável, como as minhas, para se ter ganho neste combate, mas é crucial ter sempre a consciência que o mesmo nunca acaba.

As questões ambientais e climáticas, nomeadamente os episódios de seca extrema que o nosso país já viveu, estão na ordem do dia. Como vê a evolução nacional e internacional?
Há uns anos, numa entrevista a uma revista da área, alertei para a necessidade de começarmos a analisar a dessalinização como forma de ultrapassarmos a falta de água no Centro e Sul do País, principalmente no Sul, mas de imediato levantaram questões contra a solução, levando-nos a perder vários anos.
A estratégia parte pela definição da localização dos grandes consumidores de água, não podemos permitir processos produtivos de grande consumo de água onde ela já é escassa, temos que incentivar o consumo de água reciclada localizando esses processos produtivos em áreas que possam facilmente aceder às mesmas. Temos ainda muito que investir no tratamento das águas residuais, de forma a manter as nossas massas de água. Tem que se definir uma estratégia nacional para as lamas, quer das ETA’s quer das ETAR’s. Ou seja, ainda há muito por fazer e já estamos atrasados.

“Oferecemos sempre a melhor solução para as necessidades de automatização”

Enquanto empresa familiar de terceira geração, a Festo pensa e age a longo prazo. Desde sempre num ambiente veloz e global, os valores corporativos são a base sobre a qual quer continuar a desenvolver a sua atividade. Como nos pode descrever a evolução da posição da marca no mercado em Portugal?
A Festo é uma empresa familiar, internacionalmente ativa, que está agora na sua terceira geração e satisfaz as suas necessidades financeiras com recursos próprios. Desta forma, estamos comprometidos com os nossos clientes, empregados e parceiros comerciais.
Embora a sede alemã esteja a aproximar-se do seu 100º aniversário, 2021 é um ano muito importante para a Festo Portugal, uma vez que celebramos a nossa primeira década no país. A implementação da marca e produto Festo tem uma longa tradição, com o trabalho anteriormente realizado com a empresa Mota Teixeira. A nossa missão tem sido estar ao lado dos clientes e distribuidores oficiais, oferecendo sempre a melhor solução para as suas necessidades de automatização.
Temos sido uma referência em automação pneumática, e há já alguns anos que também promovemos a inclusão de produtos de automação elétrica no mercado português.

O objetivo da Festo é desenvolver soluções inteligentes e intuitivas. Para isso, olham “out of the box”, conhecendo os desafios atuais e futuros dos clientes e dos mercados, bem como as tendências da concorrência. De que soluções estamos a falar e de que forma destacam a marca naquele que é um meio competitivo e volátil?
Valor acrescentado através da digitalização de produtos e processos. No caso dos produtos, a inteligência e conetividade associada, bem como recolha e interpretação de dados através dos sistemas em cloud e dashboards para respetiva visualização, são atualmente um valor acrescentado muito esperado pelos nossos clientes e parceiros.
Produtos como o módulo de eficiência energética E2M, componentes integrados em IO-Link, a gateway CPX-IOT ou interfaces como OPC-UA contribuem para este valor acrescentado. A conectividade mecânica, elétrica e inteligente, através de soluções de software, é um pré-requisito fundamental para atingirmos um nível de integração transversal que ofereça aos clientes a solução certa de forma rápida e intuitiva.

A inovação e a tecnologia ao serviço da automação industrial e do mercado automóvel são hoje uma realidade cada vez mais visível. Assim, na área da pesquisa e desenvolvimento, a Festo trabalha diariamente nas inovações de amanhã. Desde o componente inteligente até ao sistema integrado, porque é que é tão importante inovar e estar de acordo com as tendências do mercado?
Ainda antes de 2020, a percentagem de veículos elétricos e híbridos estava a crescer de forma constante. Atualmente, os investimentos no setor automóvel vão quase exclusivamente para as novas soluções em veículos elétricos.
A automatização da produção está a aumentar devido à evolutiva eletrificação dos sistemas de acionamento. A montagem tradicional de motores de combustão requer uma montagem de alta precisão em componentes mecânicos, enquanto a produção de módulos de bateria requer a montagem de elementos eletroquímicos, muito dispendiosos e potencialmente perigosos. Além disso, foram introduzidos novos componentes que não são utilizados nos veículos de combustão: o motor elétrico, as baterias e a eletrónica de potência. A sua produção apresenta todo um novo conjunto de desafios: por exemplo, é essencial evitar que as células da bateria caiam e sejam danificadas. A Festo oferece assim soluções coordenadas que permitem que as células da bateria sejam fixas e transportadas de forma segura e precisa, particularmente em termos de tecnologia de manipulação.

Enquanto líderes em inovação, a Festo impulsiona há muito anos a automação de fábricas e processos e a sua pesquisa está a ajudar a moldar os sistemas de produção do futuro. Quais têm sido os principais temas de pesquisa?
Melhorar a produtividade dos nossos clientes, prever falhas do sistema produtivo, melhorar os controlos de qualidade, bem como a eficiência energética que é entendida como um elemento de sustentabilidade. A Inteligência Artificial (IA), a Internet Industrial das Coisas (IIoT) e a Computação Edge são já uma realidade capaz de converter o domínio do conhecimento teórico em novos processos de fabrico e análise de dados para melhorar a produtividade das empresas.
Por exemplo, a nossa plataforma Festo AX – Automation Experience – oferece soluções inteligentes, fáceis de utilizar e personalizadas que vão um passo mais além da digitalização e se baseiam na Inteligência Artificial. A monitorização com IA, por exemplo, permite predizer anomalias nos processos de fabricação ou controlo de qualidade, com a devida antecedência – um benefício a longo prazo que é alcançado através da recolha e análise de dados do processo.

Sabemos que a curiosidade, coragem e capacidade de adaptação não são novidade para a Festo. A vontade de avançar para dominar os requisitos em constante mudança do setor é inquestionável. Assim, e tendo em conta o período incerto de pandemia que vivemos mundialmente, de que forma a empresa continuou as suas iniciativas, ultrapassando simultaneamente as consequências sociais e económicas que se instalaram?
Para além do fornecimento de soluções e componentes para os respiradores de ventilação e máscaras de proteção, a Festo atua nas áreas de relevância sistémica.
Desde o primeiro dia, a Festo levou muito a sério o seu mandato social para aliviar a crise do COVID-19 e colaborou em vários projetos de apoio direcionados – tais como no desenvolvimento de respiradores de emergência, apoio na produção de máscaras de proteção e a instalação de um hospital de emergência. Além disso, a área de negócios LifeTech oferece uma excelente gama de componentes para a automatização laboratorial e dispositivos de cuidados a pacientes. A par do setor médico, é também importante para a Festo manter uma capacidade produtiva estável e harmonizada em termos logísticos, na cadeia de distribuição global, em áreas sistemicamente relevantes.
Organizacionalmente tivemos a capacidade de reagir de forma muito coordenada e ágil, equilibrando o interesse principal de salvaguardar a proteção dos colaboradores, na maioria a trabalhar desde casa, com a garantia de uma capacidade de resposta totalmente inalterada às necessidades dos clientes.

Uma destas consequências passa também pela digitalização que não apresenta sinais de abrandamento. Neste sentido, o que está a mudar na automação industrial e nos componentes para automóvel na Festo?
A Festo entrega uma arquitetura de automação totalmente aberta para uma vasta gama de produtos, que incluem eixos, motores e sistemas de controlo. Desenvolve ferramentas de software normalizadas, tais como programas de configuração para o desenvolvimento conceptual ou operacional inteligente – o Festo Automation Suite permite a colocação em funcionamento de equipamentos elétricos de forma mais simples e o gestor de manutenção digital Smartenance permite uma operação segura da manutenção. A pneumática digitalizada como o Festo Motion Terminal (VTEM) torna a pneumática mais flexível do que nunca. A razão diferenciadora: as diversas aplicações digitais disponíveis (Apps) definem a função operativa, sobre um hardware que permanece sendo o mesmo.
Além disso, a análise de dados, a aprendizagem dos processos produtivos e a inteligência artificial definem o desenvolvimento flexível dos produtos do futuro. Desde 2018, a competição no capítulo da IA expandiu-se enormemente. A plataforma de software AX (Festo Automation Experience) da Festo é uma solução de software baseada em IA para melhorar os processos produtivos, por exemplo na área da manutenção preditiva de bens e máquinas, monitorização da qualidade na produção ou controlo dos consumos energéticos. Com soluções baseadas em IA, para operações e processos de manutenção, a “Eficiência Global do Equipamento” (OEE) dos clientes deve ser melhorada.

Sempre a olhar para o futuro, que tendências considera que surgirão neste setor?
Parece-nos uma tendência clara a evolução para modelos produtivos mais flexíveis, com melhor adaptação a ciclos ou séries mais curtas e mais exigentes em termos de eficiência produtiva – os custos totais de produção devem manter-se controlados de forma a garantir o nível de competitividade exigido por mercados mais maduros e com custos laborais mais baixos. Viveremos um período em que os paradigmas da Indústria 4.0 se vão consolidando de forma objetiva em soluções para a indústria.
Por um lado, o comportamento do consumidor do setor industrial vai aproximando-se cada vez mais dos hábitos típicos de um consumidor final. Neste caso, para permitir uma ótima experiência ao cliente, teremos que reforçar os meios de suporte digitais, onde a predição de necessidades pode fazer toda a diferença para a qualidade percebida.
Por outro lado, a reindustrialização da Europa será um facto a considerar de forma muito séria e a Festo assume uma grande responsabilidade na garantia de apoio continuado aos clientes parceiros em cada setor, apresentando soluções competitivas direcionadas para aumentar a capacidade produtiva.

“O nosso compromisso é com a Mulher de Hoje”

A Procare Health é um laboratório farmacêutico, constituído em 2012, focalizado na saúde e bem-estar da mulher. Com estes (quase) dez anos de existência, como nos pode descrever o concretizar destes objetivos que se propõem diariamente?
O projeto Procare Health nasceu da vontade de um conjunto de executivos oriundos da Procter & Gamble Pharmaceuticals, muito incentivados pelo atual CEO, Yann Gaslain, um francês estabelecido em Barcelona.
Donos de um vasto conhecimento sobre a Saúde da Mulher, sabiam existir um espaço por preencher nas opções terapêuticas para diversas situações da saúde feminina. Deste modo, criaram a empresa em 2012, exclusivamente dedicados à Investigação de soluções terapêuticas inovadoras, altamente eficazes, com características específicas.
Uma data de primordial importância na vida da organização é o ano 2016, quando se iniciou a comercialização dos primeiros produtos oriundos das bancadas dos laboratórios de Investigação da empresa.
Desde então, a empresa tem perseguido os seus objetivos estratégicos, implementando um vasto plano de Investigação Clínica, com ensaios clínicos que estudam não só os novos produtos, mas também os que estão em comercialização, aumentando o rigor da informação sobre a eficácia e segurança dos produtos.
Outro objetivo da organização é a sua globalização. Assim, desde 2016, fomos alargando a nossa presença e temos atualmente operações em cerca de 55 países.
Em 2018, criámos a Procare Health Portugal. Desde então, temos vindo a trabalhar ativamente no crescimento consolidado da empresa. Estrategicamente, desenvolvemos uma estrutura muito otimizada, com processos que procuramos que sejam tão eficazes quanto possível, reduzindo o desperdício, seja de tempo, de recursos ou ainda de esforços.
Enquanto startup, enfrentámos as dificuldades normais de reconhecimento por parte dos decisores, profissionais de saúde e doentes, mas o nosso plano passa por dar a conhecer o que fazemos e como o fazemos, numa abordagem muito clara sobre os nossos objetivos que passam por crescer através do contributo que damos na Saúde da Mulher.
Todavia, não basta dispormos de produtos, ainda que estejamos a falar de verdadeira inovação. É fundamental envolvermo-nos e envolvermos todos os stakeholders que interferem na Saúde da Mulher. Para tal, estendemos o nosso programa de Investigação Clínica a Portugal, desafiando diversos hospitais para estudarem os nossos produtos.
Noutra vertente, estamos ativamente presentes em todas as iniciativas relacionadas com a discussão técnico-científica, através de congressos a nível nacional, mas também nos encontros internacionais de referência para a comunidade científica.
Finalmente, procuramos alcançar os nossos objetivos através de um plano de comunicação assente na diversidade que carateriza cada elemento da nossa organização. Recorremos a estratégias clássicas de comunicação, conjugamo-las com abordagens inovadoras e o produto final resulta numa equipa altamente competente, com condições de abordar com rigor todos os temas relacionados com os nossos produtos e patologias associadas.

Com um modelo de inovação ativo, os produtos da Procare Health são, na sua maioria, constituídos por princípios terapêuticos de origem natural. De que produtos estamos a falar? Quais são as áreas que precisam de ser melhoradas no que diz respeito à oferta?
A criação da Procare Health tinha por objetivo desenvolver soluções terapêuticas inovadoras, com determinadas características. Do profundo estudo da Saúde da Mulher foi possível identificar a oportunidade de desenvolver princípios ativos com componentes naturais ou de síntese não química. Outra condição era a de desenvolver produtos 100% não hormonais. Assim, o desafio foi identificar a sinergia da ação de diversos componentes para determinadas indicações.
Em termos de oferta terapêutica estamos fortemente apostados numa nova abordagem ao vírus papiloma humano, promovendo a prevenção e tratamento de lesões no colo do útero causadas por este agente patogénico. Morrem em Portugal cerca de 300 mulheres por ano com cancro do colo do útero. Muito há por fazer e o nosso objetivo é contribuir para erradicar este vírus do planeta.
Dispomos de soluções para dar resposta em áreas como a atrofia vulvovaginal, tão comum na menopausa, ou a disfunção sexual feminina, um problema que afeta o casal, não apenas a mulher, e que deve ser abordado de forma séria, sem tabus. Dispomos atualmente de uma oferta diversificada, mas a nossa investigação não para e brevemente estaremos envolvidos noutras patologias ou disfunções, promovendo a saúde da mulher.
O nosso mote para futuros projetos passa por preencher lacunas terapêuticas ou melhorar face às opções existentes. Deste modo, temos um plano de investigação elaborado, mas atuaremos em todas as áreas em que sabemos que podemos oferecer melhores soluções.

“Comprometidos com a mulher de hoje”, é um dos motes da Procare Health. Considera que as necessidades na saúde da mulher se alteraram significativamente nos últimos anos? O que mudou?
Mesmo no mundo ocidental, existem ainda alguns tabus relativamente à saúde da mulher. No entanto, é absolutamente notável o quanto se evoluiu nos últimos anos no que diz respeito ao papel da mulher. As necessidades de saúde na mulher de hoje estão intrinsecamente relacionadas com o seu papel atual.
As mulheres estão cada vez mais presentes na sociedade, ocupando cargos de topo nas organizações, nos centros de decisão, revelando marcadas características de liderança. Já não existe a necessidade de “acinzentar” uma mulher que chega ao poder. Hoje a mulher pode exercer qualquer função sem ter de abdicar da sua feminidade.
Naturalmente que as exigências com a saúde e bem-estar do seu corpo são maiores, lidando de modo natural com as especificidades da sua condição de mulher.

O Dia Mundial da Saúde da Mulher, celebrado a 28 de maio, procura alertar, entre outros temas, para a desigualdade entre mulheres e homens no acesso aos cuidados de saúde. Concorda que, de facto, existe discrepância no acesso aos mais variados tratamentos atualmente? Será esta também uma das problemáticas que a Procare Heath pretende colmatar?
Não podemos negar que ainda existem estigmas relativamente à saúde da mulher e preconceitos enraizados em determinados meios, que condicionam o acesso à saúde. Uma mulher após a menopausa não perde a sua condição de mulher, por perder a capacidade de gerar filhos. A essência da mulher não é apenas procriar e as mulheres de 50 anos de hoje são as de 40 anos de ontem, logo com toda uma vida para ser vivida.
A celebração deste dia não terá o mesmo objetivo que tinha nos anos 80 (do século passado). Contudo, deve ser assinalado para chamar a atenção para a necessidade de, definitivamente, quebrar silêncios e estigmas em torno da saúde feminina.
As doenças específicas da mulher não estão relacionadas com falta de cuidados, menos higiene, falta de conhecimentos ou ser silenciada por se tratar da intimidade da mulher.
Enquanto empresa, temos a responsabilidade social de alocar recursos para um maior conhecimento da anatomia da mulher e lutar contra mentalidades que ainda limitam a liberdade ou a vontade das mulheres de falar sobre os seus problemas. Uma área onde esta questão é premente é a disfunção sexual da mulher, que ocorre por múltiplos fatores, como o stress, a pós-gravidez, vestuário desadequado, excesso de exercício físico, tabagismo, entre outros. Ao dar à mulher espaço para que ela partilhe a falta de prazer sexual estamos a contribuir para a reposição da harmonia do casal.
Promover hábitos de saúde e aumentar a literacia em saúde faz parte dos planos de comunicação da Procare Health e qualquer data ou evento que nos dê espaço para o fazer será sempre aproveitada.

A terminar, que investigações/trabalhos ou produtos a Procare Health pretende dedicar-se no futuro, de modo a complementar a oferta dos cuidados da saúde da mulher?
Temos um plano ambicioso para a empresa e o seu papel social. Iremos continuar a estudar as terapêuticas existentes, reforçaremos todo o trabalho de investigação e desenvolvimento, em busca de mais e melhor inovação, e por esses motivos temos uma responsabilidade social cada vez maior: Se sabemos desenvolver novos instrumentos de combate à doença, é nossa obrigação continuar a fazê-lo com total empenho e dedicação.
Por outro lado, ao construirmos a Procare Health, reunimos um grupo de pessoas que partilham dos mesmos valores, pugnam pelos mesmos objetivos e são detentores de parte deste projeto, que resulta da singularidade de cada um de nós. O nosso compromisso é com a Mulher de Hoje, para tal comprometemo-nos a construir uma organização saudável, inclusiva e respeitadora dos valores e da missão que diariamente construímos.

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