14º Congresso Nacional das Misericórdias

O 14º Congresso Nacional das Misericórdias aconteceu nos dias 1, 2 e 3 de junho, no auditório da Ordem dos Contabilistas Certificados, em Lisboa. “Valorizar o passado, viver o presente e projetar o futuro”, foi o mote do programa que contou as palavras de Manuel de Lemos, Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, Pedro Adão e Silva, Ministro da Cultura, entre muitas outras personalidades.

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Créditos: Gabinete de Comunicação e Imagem/UMP
Créditos: Gabinete de Comunicação e Imagem/UMP

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) é uma instituição de âmbito nacional que representa as Misericórdias em Portugal. Fundada em 1976, a UMP tem como objetivo primordial a defesa e promoção dos interesses das Misericórdias, bem como a coordenação das suas atividades e a representação institucional perante o Estado e outras entidades.

Já as Misericórdias, no seu conjunto, são instituições de solidariedade social, que se regem pela missão de prestar apoio aos mais desfavorecidos. Atualmente, as mesmas, têm um papel fundamental no sistema de proteção social em Portugal, sendo responsáveis pela gestão de um vasto conjunto de equipamentos e serviços sociais, como lares de idosos, creches, centros de dia, hospitais, entre outros.

É através da UMP, que as Misericórdias assumem a sua voz unificada e fortalecida, permitindo uma maior influência nas políticas sociais e uma melhor defesa dos direitos e interesses das comunidades que beneficiam das suas iniciativas.

Além disso, a UMP desenvolve, há 47 anos, projetos e programas de apoio às Misericórdias contribuindo, ainda, para o seu desenvolvimento e sustentabilidade. Através de parcerias com entidades públicas e privadas, a União das Misericórdias Portuguesas promove a inovação social, a investigação e o desenvolvimento de boas práticas, com o objetivo de melhorar continuamente a qualidade dos serviços prestados pelas Misericórdias.

Enquanto população portuguesa, podemos afirmar que a UMP é, por isso, não só uma entidade importante na representação, coordenação e desenvolvimento das Misericórdias em Portugal, mas também uma promotora do bem-estar e da solidariedade social do país.

De forma a celebrar a sua espiritualidade, valorizar o passado identitário, reforçar a sua intervenção no presente e projetar o futuro enquanto agentes decisivos na execução de políticas sociais e de saúde em Portugal, a União das Misericórdias Portuguesas realizou, no passado dia 1, 2 e 3 de junho, o 14º Congresso Nacional das Misericórdias, que teve lugar no auditório da Ordem dos Contabilistas Certificados, em Lisboa.

Subiram a palco testemunhos importantes do caminho que se tem vindo a traçar, nomeadamente o do Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, mas também de Provedores das Misericórdias do país ou de Investigadores sociais.

Presentes neste espaço de partilha esteve ainda Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa; António Costa, Primeiro-Ministro; Pedro Adão e Silva, Ministro da Cultura; Manuel Pizarro, Ministro da Saúde, entre outros.

Este 14º Congresso Nacional das Misericórdias foi um sucesso vivo daquilo que, diariamente, se faz em Portugal, tendo sido uma oportunidade de refletir e reafirmar a presença das Misericórdias no país e reforçar os laços com todos os presentes no evento que ficará marcado na história da UMP, das Misericórdias e de todos os Congressistas.

Manuel de Lemos,
Presidente da União das Misericórdias Portuguesas

“Quero neste primeiro congresso que se segue à pandemia, prestar homenagem a todos os colaboradores que cuidaram dos doentes e dos não doentes. Sobretudo aos Provedores e Membros dos Órgãos Sociais que tudo fizeram para que os danos fossem os mais controlados possíveis. E também a todos os trabalhadores, desde os mais qualificados aos menos qualificados, que vencendo ou não o medo, se ataram ao leme e quotidianamente cuidaram de quem tinham de cuidar (…) o mundo está a mudar apressadamente e os desafios do futuro exigem atores responsáveis, competentes, exigentes, flexíveis e abertos à mudança, tudo o que as Misericórdias têm cumprido nos seus 525 anos da sua história”.

Manuel Pizarro,
Ministro da Saúde

“Em primeiro lugar quero saudar a realização deste importante Congresso das Misericórdias Portuguesas. É com um enorme gosto que aqui me encontro para reconhecer, em nome do Ministério da Saúde, o papel determinante que as Misericórdias desempenham na prestação de cuidados aos portugueses. Cuidados na mais vasta aceção da palavra, que uma parte deles são aquilo que tecnicamente nós chamamos de cuidados de saúde, mas há muito mais que interfere na saúde das pessoas e que as Misericórdias realizam todos os dias, que o fazem com grande dedicação, por vezes com enorme anonimato, mas que tem um peso muito grande na promoção da coesão social, na promoção do espírito comunitário, na promoção da felicidade, e tudo isso tem um contributo inestimável para os resultados em saúde do nosso país”.

Marcelo Rebelo de Sousa,
Presidente da República Portuguesa

“Está aqui perante vós o Presidente da República Portuguesa que é, antes de o ser, irmão de várias Misericórdias pelo país fora. Nelas, iniciou-se o conhecimento na prática e depois nas funções dirigentes de instituições que mereceram unanimidade quando foi votada a Lei da Economia Social. Uma Lei unânime, infelizmente muito esquecida, parcialmente regulamentada, de forma muito assimétrica, nuns casos melhor, noutros casos pior, ao longo dos tempos. Também quero aqui recordar as vezes em que estive convosco, ainda não era Presidente da República Portuguesa, por exemplo no Funchal (…) que as Misericórdias aqui reunidas percebam que este é um Congresso histórico, porque vão ter de fazer duas transições ao mesmo tempo: uma transição de princípios, que é manter os mesmos, mas assumir uma concertação com o Estado, que é financeira, mas também é mais do que isso, é de cooperação prolongada e efetiva; a outra transição é associar a experiência dos que viveram muito, a pandemia e a pós-pandemia, ao rejuvenescimento que é necessário (…) gratidão pela vossa coragem, pela vossa devoção, pela vossa sensibilidade aos portugueses”.

Pedro Adão e Silva,
Ministro da Cultura

“É uma enorme satisfação estar aqui porque na verdade este painel tem como tema a salvaguarda do património como instrumento do desenvolvimento. A este respeito eu queria começar por sublinhar que a cultura tem pelo menos um triplo objetivo ou até função, a primeira das quais é a própria fluição cultural, o prazer que temos perante a arte, que tem sempre um lado transformador e é um fator de prazer individual, mas a cultura é também do ponto de vista do seu efeito agregado um fator de desenvolvimento económico, de coesão social e territorial, e também, não menos importante, uma questão de cidadania. Mas, acima de tudo, é pela cultura que formamos uma ideia do país de que fazemos parte (…) as Misericórdias têm um papel crucial na relação com a cultura e com o património em particular. Neste Congresso Nacional queria aproveitar para, por um lado, agradecer o legado, mas também o papel que as Misericórdias desempenham na proteção e promoção do nosso património comum”.