“O Fabrico Aditivo é o Futuro”

Que não subsistam dúvidas, o Fabrico Aditivo é hoje considerado um dos elementos fundamentais para a denominada indústria do futuro, sendo uma solução industrial que permite a produção de peças complexas de metal, plástico e outros e com a qual é possível obter um elevado nível de precisão, rigor e qualidade.

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A verdade é que o Fabrico Aditivo começa a ser uma tendência, sendo um dos pilares da denominada Indústria 4.0 e que está a promover uma mudança na fase dos processos industriais, transformando o formato e o modo como os produtos são fabricados, com ganhos evidentes a nível económico, de eficiência e sustentabilidade. Genericamente conhecido como impressão 3D, o Fabrico Aditivo (FA) assume uma relevância praticamente indiscutível e em diversos setores, como: automóvel, energia, saúde, arquitetura, aeronáutica, tecnologias de informação e comunicação, arte e muitos outros, sendo portanto cada vez mais comum a utilização de impressoras 3D na produção de diversos produtos, com os mais diversos materiais que vão desde o plástico, à resina, à cerâmica, aos compósitos e ao metal e que revela vantagens enorme e um potencial ainda mais superior quando falamos de gestão de resíduos, eficiência de custos, qualidade e excelência e produtividade.

Mas está Portugal preparado para dar resposta ao universo do Fabrico Aditivo? Teremos players em Portugal munidos de tecnologia de vanguarda e know-how qualificado e capacitado para alavancar a aposta no Fabrico Aditivo?

Para nos dar uma resposta concreta a estas e a outras questões, a Revista Pontos de Vista foi conhecer a CODI, Empresa líder em Portugal no Fabrico Aditivo especializado, tendo conversado com uma das Personalidades que mais acredita no potencial do FA, Moisés Domingues, e que é o CEO da CODI, que numa conversa franca e direta, não deixou de avisar que é preciso fazer mais por parte de todos para que o Fabrico Aditivo possa singrar e ter sucesso.

Edificada no longínquo ano de 1995, a CODI foi erigida pelo desejo do nosso interlocutor, que sempre viu esta área como uma vertente repleta de potencial e como dizia o escritor Fernando Pessoa, “O Homem sonha, a obra nasce” e foi deste desígnio que a CODI nasceu, percorrendo um périplo que a levou ao patamar cimeiro em que está hoje, ou seja, é hoje cada vez mais líder no que concerne ao Fabrico Aditivo e soluções industriais. “Não temos as denominadas soluções caseiras ou low-cost, pois pretendemos apresentar aos nossos clientes/parceiros as melhores e mais inovadoras soluções, mantendo um serviço pós-venda que é também uma das nossas grandes valias, ou seja, mantemo-nos fiéis com o suporte que damos diariamente aos nossos clientes e parceiros, para que eles possam continuar a utilizar as ferramentas que lhes fornecemos sem problemas, tendo sempre como desiderato o compromisso com o rigor e a qualidade”.

De entre vários pontos de valia, a CODI assenta também a sua estratégia na promoção e valias das parcerias e isso tem sido, na opinião de Moisés Domingues, um ponto a favor do crescimento da marca. Uma das parcerias mais importante da CODI passa pela ligação que mantém com a Stratasys, um gigante pioneiro na impressão 3D, há mais de três décadas e um líder na manufatura aditiva, mantendo sempre um compromisso irrepreensível com a inovação contínua e que é refletido no portfólio abrangente que possui, com tecnologias revolucionárias e prontas para oferecer valias a toda a cadeia de valor do seu produto. E que belo parceiro tem aqui a CODI, sendo este um sentimento recíproco e mútuo. Moisés Domingues não tem dúvidas, e afirma estar muito satisfeito com esta parceria. “Fomos a primeira empresa lusa a firmar uma parceria com a Stratasys e isso obrigou-nos também a ter um nível de exigência muito superior ao que já tínhamos”, revela, assegurando que a CODI que lidera tem ligação com outras marcas, mas esta com a Stratasys é a mais emblemática.

Importância da Diretiva Fabrico Aditivo 

Dividindo a sua atuação em duas áreas distintas: CODI 3D LAB e CODI 3D FACTORY STORE, para o nosso entrevistado, Portugal tem de continuar a fazer mais por este setor e olhando para os anos 90, “onde estávamos na vanguarda desta tecnologia”, a verdade é que acredito que “estamos a ficar para trás, embora ainda haja uma oportunidade para seguirmos na linha da frente, tem é de haver vontade de todos os quadrantes: empresas, associações, escolas, Estado, entre outros”.

As Escolas tecnológicas e mais recentemente os CTE – Centros Tecnológicos Especializados começam “a fazer alguma coisa neste setor do Fabrico Aditivo, mas mesmo assim não é através de uma diretiva específica para o Fabrico Aditivo e acredito que isso deveria ser imposto para promovermos este setor a nível tecnológico e de recursos humanos capacitados e qualificados”, salienta, dando o exemplo do Reino Unido e de França, que, em anos distintos, o fizeram. Em 1995, no Reino Unido, e em 2005, em França, foi lançada uma diretiva em todas as escolas para que colocassem nos seus currículos o Fabrico Aditivo, isto há quase duas décadas. Apesar de tarde, foi um passo importante.

Mas em Portugal temos já vários exemplos de instituições de ensino que começam a dar foco a este setor do Fabrico Aditivo. Para citar algumas, a Universidade do Minho, a Universidade de Aveiro, a Universidade de Bragança, IPL e outras, “já são nossos parceiros nestas tecnologias e continuam a apostar, mas é preciso mais”, salienta o nosso entrevistado, lembrando que em 2014/15 houve um pico em que “parecia que iriamos arrancar, também muito por força do ex Presidente dos EUA, Barack Obama, que em 2013 perpetuou uma espécie de campanha em prol do Fabrico Aditivo, mas depois acabou por ficar um pouco parado”, e mais recentemente o presidente Joe Biden, e após a Covid-19 anunciou um plano resiliência com um fundo de apoio no valor centenas de milhões de dólares para o desenvolvimento da indústria dos EUA com base em FA.

Projetos reveladores da importância do FA 

Mas o nosso interlocutor e a CODI não esmorecem, e neste momento encontra-se envolvida  num projeto de enorme relevância e interesse no que concerne ao Fabrico Aditivo, denominado por Projeto PRR – INOV.AM – Inovação em Fabricação Aditiva, onde se encontram inseridas 72 entidades privadas e mais de 12 entidades académicas e institutos não privados, onde se desenvolvem projetos que tem como base o Fabrico Aditivo para diversos setores como barcos, habitações, cerâmicas, moldes e outros. “Existe uma outra work-package, onde estamos inseridos, que tem como principal desiderato uma Plataforma de Formação e Prática, basicamente uma academia a nível nacional, para se promover o Fabrico Aditivo, onde vamos ter cinco polos de formação na Universidade do Minho, na Universidade de Coimbra, Instituto Politécnico de Leiria, ISQ e CODI. Estas cinco entidades têm como desiderato criar cursos, até 2025, de FA”, assegura o nosso interlocutor, lembrando que já no próximo ano, 2024, irá ser dado início a projetos piloto e em 2025 “teremos de ter esse trabalho concluído para começar a fase de formações. No caso da CODI, estamos a apetrechar-nos com mais tecnologias para estarmos preparados para, por exemplo, prestamos formação o mais profissionalizante possível, desde o CEO ao colaborador das empresas”, salienta. Tudo isto, seguindo uma lógica de elevar e levar a indústria nacional a vingar e a crescer para tirar partido da Tecnologia FA, que tem um enorme potencial para crescer e evoluir.

Além disso, a CODI, que também é associada da AED Cluster Portugal – Aeronáutica, Espaço e Defesa, encontra-se neste momento a terminar um projeto 2020 demonstrador, FLY.PT, “para termos, possivelmente, o primeiro transporte elétrico urbano autónomo Nacional, composto por um Skate, Cabine e Drone. Este é apenas um exemplo do que tenho vindo a falar, ou seja, isto é a prova que temos de continuar a perpetuar esses desafios e projetos para que tenhamos uma indústria capacitada para produzir e para exportar, pois se não o fizermos, não iremos ter capital ou dívidas externas reduzidas para levar este país a bom porto”.

EMAF – Um Sucesso 

A CODI esteve presente na edição de 2023 da EMAF – Feira Internacional de Máquinas, Equipamentos e Serviços para a Indústria, ou seja, o maior evento português do setor industrial, que se realizou na Exponor, de 31 de maio a 3 de junho e Moisés Domingues não podia estar mais satisfeito com a presença neste certame de prestígio. “Conseguimos ter os olhos em nós, com muitas pessoas interessadas na impressão 3D e tivemos bancada com centenas de produtos que demonstraram o potencial do Fabrico Aditivo, além de que temos boas perspetivas que bons negócios possam advir desta participação que considero um sucesso”, esclarece o nosso entrevistado.

A terminar, Moisés Domingues, assegurou que a CODI está preparada e apetrechada com as técnicas mais recentes de fabrico aditivo: plásticos, compósitos, resinas, metais, e outros, “e temos todas essas tecnologias de ponta que estão neste momento já prontas a instalar e a produzir , pois pretendemos estar sempre na vanguarda”, salienta, assegurando que desde que começou e mesmo contra vozes críticas, acreditou sempre nas potencialidades do Fabrico Aditivo e “apesar de saber que vai demorar o seu tempo, hoje é quase uma missão pessoal demonstrar e provar que o Fabrico Aditivo é o futuro. Poderá não ser 100% para tudo, mas uma grande parte sim e temos de continuar a apoiar esta indústria e este setor, que é cada vez mais uma oportunidade que Portugal não pode desperdiçar. A CODI está completamente preparada para dar essa resposta e estaremos aqui para continuar a trabalhar com conjunto com os nossos parceiros e clientes”, conclui, Moisés Domingues, CEO da CODI.