“Compartilho do sentimento de que devemos conquistar o nosso lugar por mérito”

Jeniffer Viegas, Serviço de Geologia e Geotecnia.

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A Jeniffer Viegas tem mestrado Integrado em Engenharia Civil. Face à sua experiência, quão legítimo é afirmar que a presença de mais Mulheres na Engenharia pode beneficiar a profissão e, de que forma, a TPF Consultores tem aberto portas a esta possibilidade e contribuído, assim, para uma mudança de paradigma deste setor?
O meu percurso começou exatamente por inspiração de um contacto próximo, uma mulher que, além de engenheira, é também empreendedora e visionária, que criou uma empresa de Engenharia Civil na década de 70, e que prospera nos dias de hoje. O meu percurso, não sendo totalmente original, é bastante típico do que nós, mulheres, conseguimos alcançar. Comecei com um mestrado em Engenharia Civil seguido de um doutoramento na área de Geofísica.  Atualmente curso um segundo mestrado em Ciência dos Dados Geoespaciais. Apesar de adorar estudar e valorizar fortemente a minha carreira profissional, a minha vida pessoal é o meu suporte e a minha prioridade. Casei muito cedo, aos 23 anos, e fui mãe durante o doutoramento. Conseguir gerir e conciliar ambos é já uma habilidade a salientar. A presença de mais mulheres na Engenharia traz um olhar distintivo, carregado de emoções e hormonas que muitas vezes são o apogeu de um projeto, o que apenas nós podemos proporcionar. Como engenheiras, trazemos toda a bagagem para os projetos, as nossas experiências, perspetivas e formas de pensar. Isso enriquece as equipas, tornando-as mais criativas e cooperativas. Atualmente, trabalho como Engenheira Geotécnica na TPF. Acredito que a empresa onde trabalho tem cooperado para a inclusão de mulheres na Engenharia, ao realizar processos de seleção imparciais, isto é, ao avaliar os candidatos pelo seu currículo e experiência, e não pelo seu género. Não acredito que uma política de quotas seja interessante em nenhuma empresa, pois assim, nós, mulheres, sentir-nos-íamos inferiores e que apenas conseguimos um cargo devido a quotas. Compartilho do sentimento de que devemos conquistar o nosso lugar por mérito, não pelo género ou aparência. Mais do que a quantidade de homens e mulheres numa empresa, deve-se avaliar se as oportunidades e remuneração são oferecidas de modo igualitário para ambos os géneros. Gosto de pensar que onde trabalho funciona assim, que todos somos avaliados pelas nossas competências.