“A Portaria 255/2023 é um marco importante no caminho da adoção do BIM no nosso país”

Ricardo Carvalho, arquiteto de formação e entusiasta da revolucionária metodologia Building Information Modeling (BIM), trilhou um percurso profissional que o levou a mergulhar profundamente no mundo do BIM. Hoje, é um perito nesta metodologia, atuando principalmente como formador e consultor. A sua jornada profissional já inclui contribuições significativas para projetos tanto a nível nacional como internacional. Dá vida à PBIMIS, uma empresa que reflete a sua visão e dedicação, focando-se incessantemente nas mais recentes tecnologias e processos que estão a transformar a face do mercado AEC (arquitetura, engenharia e construção).

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Pode começar por nos explicar o que é o BIM e como é que tem vindo a ser implementado no contexto nacional?
O BIM, ou Modelo de Informação do Edifício, é uma metodologia que permite criar um modelo digital tridimensional de um projeto de construção, envolvendo todos os intervenientes, desde os arquitetos e engenheiros até aos construtores, fornecedores e clientes. Colocar todos estes profissionais a comunicar através uma ferramenta comum, uma linguagem única, ou seja, através do BIM, faz com que passe a ser possível antecipar problemas antes da construção efetiva, o que traz inúmeros benefícios em termos de eficiência e qualidade.
No contexto nacional, temos assistido a um aumento gradual da adoção do BIM, especialmente no setor privado da construção. Muitos promotores privados já desenvolvem os seus projetos utilizando esta metodologia, reconhecendo os benefícios que ela oferece. No entanto, no licenciamento municipal, a utilização do BIM ainda é uma transição por fazer, e é importante que as Câmaras Municipais comecem a receber os projetos nesta metodologia.

Recentemente, foi publicada a Portaria 255/2023 que introduz o BIM no quadro legislativo português. Como é que esta Portaria está a influenciar a adoção do BIM em Portugal?
A Portaria 255/2023 é um marco importante no caminho da adoção do BIM no nosso país. Ela reconhece a importância e a implementação do BIM e estabelece a obrigatoriedade de utilização desta metodologia na elaboração de projetos de obras públicas. Isso significa que o BIM passa a estar presente no CCP – Código dos Contratos Públicos, promovendo a contratação pública em BIM. No entanto, é importante notar que a Portaria não torna o BIM obrigatório em todos os casos, deixando a decisão aos órgãos contratantes.

Qual é a perspetiva da sua empresa, a PBIMIS, em relação a esta mudança legislativa?
Na PBIMIS, vemos esta mudança legislativa como um passo muito positivo em direção à adoção generalizada do BIM em Portugal. Acreditamos que, com uma futura obrigatoriedade do uso do BIM em projetos de obras públicas, a breve trecho teremos um aumento na procura por serviços BIM certificados e consultoria especializada que é um dos focos de ação da PBIMIS. Estamos preparados para responder a essa procura e continuar a oferecer formação certificada e especializada.

Falando em formação, pode explicar brevemente o que é o IFC e como ele se relaciona com o BIM?
O IFC, ou “Industry Foundation Classes,” é um padrão internacional que permite representar informações de construção em formato digital. Ele desempenha um papel fundamental no BIM, pois permite a interoperabilidade entre diferentes softwares BIM.
As potencialidades do IFC são notáveis. Imagine o IFC como a linguagem comum que diferentes programas BIM utilizam para comunicar. Isso é crucial para a colaboração eficaz em projetos de construção, pois garante que as informações possam ser partilhadas de maneira consistente, independentemente do software utilizado. Isso significa que os profissionais da construção podem usar diversas ferramentas de modelagem 3D, como o Revit, ArchiCAD e Tekla, e ainda assim colaborar de forma eficiente. O IFC elimina as barreiras de comunicação entre esses sistemas, facilitando a troca de dados e a colaboração entre equipas multidisciplinares.
Além disso, o IFC possibilita a representação detalhada de elementos construtivos em um modelo BIM. Ele abrange uma ampla variedade de informações, desde geometria e propriedades físicas até dados específicos do objeto, como materiais, custos e desempenho. Isso torna o IFC uma ferramenta valiosa para o planeamento, projeto, construção e gestão de instalações ao longo de todo o ciclo de vida do edificado.
O IFC também desempenha um papel fundamental na análise e simulação de edifícios. Com as informações detalhadas contidas nos modelos IFC, os engenheiros podem realizar análises de desempenho energético, estrutural e térmico. Isto ajuda a otimizar o projeto, mas também a reduzir o consumo de recursos e os custos operacionais durante a vida útil da construção.
Além disso, o IFC é uma ferramenta importante para a gestão de ativos. Com as informações integradas nos modelos IFC, é possível criar um registo digital completo de todos os componentes e sistemas de um edifício, simplificando a manutenção e a gestão das instalações.
Em resumo, o formato IFC é uma peça fundamental no mundo do BIM, tornando possível a colaboração eficiente, a representação detalhada de informações, as análises precisas e uma gestão eficaz de ativos ao longo do ciclo de vida de um projeto de construção. As suas potencialidades são vastas e continuam a crescer à medida que a indústria da construção avança em direção a um futuro mais digital e eficiente.
É com esta base da utilização do formado IFC no BIM que a PBIMIS tem vindo a trabalhar e a apostar na melhoria contínua dos seus processos quer internos, quer dos seus parceiros e clientes, no âmbito da consultoria e formação certificada.

Quais são as vantagens de receber formação certificada em BIM na utilização de IFC?
Na PBIMIS a formação é certificada pela DGERT, o que garante uma qualidade e conformidade com padrões reconhecidos, com o complemento da experiência dos profissionais e formadores da PBIMIS. Para os formandos que desejam destacar-se no campo do BIM, a PBIMIS no quadro formativo disponibiliza uma formação personalizada e essencial que oferece conhecimentos sólidos sobre os princípios e práticas do BIM e do uso do IFC, capacitando os profissionais a trabalhar eficazmente com esta metodologia.

Como perspetiva o futuro do setor da construção em Portugal, à medida que a transformação digital, impulsionada pelo BIM, se torna mais predominante?
A transformação digital está a revolucionar a indústria da construção em Portugal e em todo o mundo. Ela está a tornar o setor mais eficiente, colaborativo, sustentável e inovador. A longo prazo, esperamos ver uma indústria da construção em Portugal que utilize o BIM como padrão, não apenas em projetos públicos, mas também em projetos privados. Isso resultará em construções de maior qualidade, redução de custos e prazos, e maior sustentabilidade.
Esta eficiência é alcançada através da criação de modelos digitais detalhados que abrangem todos os aspetos do projeto, permitindo a identificação precoce de problemas e a melhoria do planeamento e respetiva execução. A colaboração é promovida pela capacidade de várias equipas trabalharem de forma conjunta num ambiente digital unificado.
A sustentabilidade é também beneficiada, uma vez que o BIM possibilita a otimização do desempenho energético dos edifícios desde a fase de projeto, resultando em construções mais ecológicas e eficientes em termos energéticos.
Além disso, a inovação é estimulada com tecnologias como a realidade aumentada e virtual a transformar a forma como os projetos são concebidos e apresentados.
Num futuro próximo, esperamos ver o BIM acessível a todos pois esta transformação é essencial para a evolução contínua do setor da construção em Portugal, seguindo as passadas do que acontece já noutros países.

Por fim, como é que a PBIMIS pretende continuar a destacar-se como uma empresa líder em BIM em Portugal e internacionalmente?
Na PBIMIS, estamos comprometidos em acompanhar as últimas tendências e inovações em BIM. Continuaremos a desenvolver e apoiar os nossos parceiros e clientes em projetos, formação, consultoria e mentoria BIM. Também marcamos presença ativa em comissões técnicas, grupos de trabalho e associações relacionadas com o BIM para estar sempre alerta na vanguarda deste setor. A nossa missão é continuar a oferecer serviços de excelência aos nossos clientes e parceiros, contribuindo para o avanço e a amplificação do BIM.