“O maior desafio é a falta de políticas habitacionais eficazes”

Face à crise habitacional que se vive, hoje, em Portugal, o Governo tem vindo a implementar medidas que colmatem algumas das lacunas existentes. Contudo, serão estas suficientes? Sérgio Vieira Barbosa, CEO da marca Sérgio Vieira Barbosa – Gestão de Projetos & Consultadoria Técnica, deu a conhecer a sua visão sobre os desafios atuais do mercado. Saiba tudo.

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A marca Sérgio Vieira Barbosa existe há 13 anos e oferece, no mercado, serviços de arquitetura, engenharia, gestão de empreendimentos, fiscalização e consultadoria técnica. Enquanto CEO da empresa, como define a evolução da mesma até ao momento?
Como CEO da empresa Sérgio Vieira Barbosa, a minha principal responsabilidade foi definir a estratégia de negócios e liderar a empresa em direção aos seus objetivos.
Nos primeiros anos, a empresa foi fundada e estabelecida no mercado de arquitetura, engenharia e serviços afins. Isso envolveu a construção de uma carteira de clientes, a contratação de profissionais qualificados e o desenvolvimento de competências técnicas.
Após consolidar a presença no mercado, a empresa não cresceu de imediato por isso tivemos que diversificar os nossos serviços para incluir gestão de empreendimentos, fiscalização e consultadoria técnica. Isso ampliou a base de clientes e criou oportunidades para projetos mais abrangentes.
Implementamos uma boa base tecnológica, na adoção de tecnologias avançadas no setor de arquitetura e engenharia. Isso incluiu o uso de software de modelagem 3D, realidade virtual, inteligência artificial e sustentabilidade ambiental em projetos.
Sempre fomos uma empresa com horizontes largos e a expansão geográfica envolveu a abertura de escritórios em outras regiões nomeadamente Lisboa e Algarve através de parceiros nossos.
Embora sejamos ainda uma empresa pequena, acumulamos uma sólida reputação no setor e pela nossa excelência técnica e compromisso com a qualidade. Isso permitiu termos uma base solida de clientes fiéis e sermos reconhecidos no mercado.

O mercado está, como todos sabemos, cada vez mais competitivo. Assim, quais são os fatores que determinam a posição diferenciada da marca Sérgio Vieira Barbosa no mercado?
Tentamos fornecer um serviço diferenciador com a máxima qualidade.
Utilizando uma metáfora, somos uma empresa que cuida do cliente, como um alfaiate que faz um trabalho único, “por medida”, que atende às necessidades do cliente. Esta maneira de estar, é que nos pode distinguir no mercado.
Para além disso, tentamos inovar e oferecer produtos ou serviços únicos, melhorados para nos destacarmos da concorrência.

Fazendo uma análise ao mercado atual português, um dos maiores desafios é a crise da habitação. Esta é uma realidade cada vez mais urgente e preocupante. Na sua visão, que «diagnóstico» é possível fazer deste tema?
A crise da habitação é um problema que afeta não apenas Portugal, mas também muitos outros países.  Uma das questões mais prementes é a falta de habitação acessível. Em muitas áreas urbanas de Portugal, os preços dos imóveis têm aumentado rapidamente, tornando-se inacessíveis para grande parte da população. Isso resulta em uma pressão crescente sobre os orçamentos das famílias e em uma situação de exclusão para muitos que não conseguem encontrar moradia a preços acessíveis.
A crise da habitação não afeta todos da mesma maneira. As pessoas de baixa renda e as famílias jovens enfrentam desafios significativos para encontrar moradia adequada. A desigualdade habitacional tem crescido à medida que a diferença entre os que têm acesso a habitação de qualidade e os que não têm se amplia.
Outra questão significativa, e sei por trabalhar intimamente com o mercado, que existe uma especulação imobiliária, alimentada pelo interesse de investidores e estrangeiros, tem contribuído para o aumento dos preços dos imóveis, tornando a habitação ainda menos acessível. Isso cria uma bolha no mercado imobiliário que pode ser insustentável a longo prazo.
A meu ver, o maior desafio é a falta de políticas habitacionais eficazes. Embora o governo português tenha adotado algumas medidas para enfrentar a crise, muitas vezes essas políticas não são suficientes para abordar as necessidades da população de forma abrangente. Não existe uma abordagem real e concreta por parte deste governo à problemática. Isso reflete-se no aumento no número de pessoas sem-teto em Portugal. À medida que as pessoas enfrentam dificuldades em encontrar moradia acessível, muitas delas acabam vivendo em condições precárias ou nas ruas. Falta coragem deste governo em ser proativo, e pragmático e estabelecer políticas que regulem a especulação imobiliária, o apoio a programas de habitação social e a promoção de soluções habitacionais inovadoras. Infelizmente isso implica muito trabalho e sacrifícios que não dão VOTOS.

Considera que todas as entidades diretamente ligadas ao mercado da habitação têm estimulado a reflexão sobre os desafios deste tema e que, consequentemente, todos os portugueses estão a par do que fazer? O que é que, na sua perspetiva, urge melhorar?
É importante reconhecer que as entidades diretamente ligadas ao mercado da habitação em Portugal têm feito esforços para estimular a reflexão sobre os desafios relacionados com este tema. No entanto, não se pode afirmar que todos os portugueses estejam plenamente conscientes do que fazer em relação à habitação, uma vez que a informação pode não chegar de forma equitativa a todos os estratos da sociedade. Na minha perspetiva, existem várias áreas que necessitam de melhorias no mercado da habitação em Portugal, muitos portugueses enfrentam dificuldades em comprar ou arrendar uma habitação devido aos preços elevados. É importante continuar a explorar políticas de habitação acessível, como a construção de habitação social e a promoção de programas de apoio à habitação para famílias de baixo rendimento.
É fundamental garantir que o mercado imobiliário seja regulado de forma a evitar bolhas especulativas e a proteger os consumidores. Isso inclui a monitorização e a regulação de preços de arrendamento e a implementação de medidas para evitar a especulação imobiliária.
O planeamento urbano deve ser orientado para o desenvolvimento sustentável, promovendo o acesso a serviços públicos, transporte adequado e espaços verdes, contribuindo assim para a qualidade de vida dos habitantes.
É crucial aumentar a consciência da população sobre os seus direitos e opções no mercado da habitação. Isso pode ser feito através de campanhas de informação e educação sobre questões habitacionais.
A implementação de incentivos fiscais que promovam a aquisição de habitação para fins de habitação própria e permanente pode ajudar a reduzir os encargos financeiros das famílias.
O envolvimento do setor privado na resolução dos desafios habitacionais, através de parcerias com o setor público, pode ser benéfico para aumentar a oferta de habitações a preços acessíveis.

O Governo tem implementado medidas para tentar enfrentar esta crise, como programas de apoio ao arrendamento e construção de habitação social. Contudo, serão medidas suficientes? Que caminho se poderia traçar por forma a colmatar as lacunas existentes?
Se a crise habitacional é extensa e afeta uma grande parte da população, as medidas existentes podem não ser suficientes para resolver o problema completamente. É importante avaliar a dimensão do problema para determinar se são necessárias ações adicionais. A eficácia das medidas depende da alocação de recursos adequados. Se o governo não disponibilizar financiamento suficiente para programas de apoio ao arrendamento e construção de habitação social, as medidas podem não ser capazes de atender à demanda.
Também é importante avaliar se os programas existentes estão atendendo às necessidades da população afetada. Se houver uma lista de espera longa para habitação social ou se os subsídios ao arrendamento não estiverem chegando às pessoas que mais precisam, as medidas podem precisar ser ajustadas. A crise habitacional é complexa e requer uma abordagem multifacetada. Além do apoio ao arrendamento e à construção de habitação social, pode ser necessário considerar políticas relacionadas ao mercado imobiliário, regulação de alugueres, promoção da propriedade sustentável e outras iniciativas.
Parcerias público-privadas: Em alguns casos, parcerias com o setor privado podem ser uma maneira eficaz de aumentar a oferta de habitação acessível. Isso pode envolver incentivos fiscais para desenvolvedores que construam habitação acessível ou colaborações para revitalizar áreas urbanas. As PPP’s fazem sentido se o governo oferecer incentivos fiscais, subsídios ou financiamento favorável para incentivar o setor privado a desenvolver moradias acessíveis. Isso pode incluir isenções de impostos, créditos fiscais ou empréstimos de baixo custo para projetos de habitação acessível. O setor público e o setor privado podem colaborar em projetos específicos de habitação acessível. Isso pode envolver a identificação de terrenos públicos para desenvolvimento, onde o setor privado assume a responsabilidade pela construção e gerenciamento das unidades acessíveis.
A grande vantagem das PPPs é que podem ser usadas para revitalizar áreas urbanas com falta de habitação acessível. Isso pode incluir a reabilitação de edifícios antigos ou a conversão de instalações públicas subutilizadas em unidades acessíveis. Saber delegar é uma máxima de um bom emprenhadoríssimo, mas nosso governo, não estimula isso, porque quer perde o controle. O setor privado traz experiência em construção, gestão de projetos e financiamento, enquanto o setor público pode fornecer terrenos, regulamentações e políticas favoráveis. A combinação dessas habilidades seria eficaz na criação de moradias acessíveis.
As PPPs devem ser transparentes em relação aos termos do acordo, aos custos envolvidos e aos resultados esperados. Isso ajuda a garantir a responsabilidade e o uso eficaz dos recursos públicos. É fundamental realizar avaliações regulares do impacto das PPPs em relação à oferta de habitação acessível. Isso permite ajustar os acordos conforme necessário e garantir que os objetivos de acessibilidade sejam alcançados.
Em resumo, as parcerias público-privadas podem ser uma ferramenta eficaz para aumentar a oferta de habitação acessível, desde que sejam cuidadosamente planejadas, regulamentadas e monitoradas para garantir que atendam às necessidades da comunidade e mantenham o acesso adequado à moradia acessível.

Muitos afirmam que é necessária a promoção do acesso à habitação a preços justos e o incentivo à construção de habitação a preços acessíveis. Enquanto CEO de uma empresa que trabalha nestes setores, como é que se poderá concretizar este quadro de iniciativas? Diria que é possível, atualmente, face aos desafios existentes?
A promoção do acesso à habitação a preços justos e o incentivo à construção de habitação a preços acessíveis são objetivos socialmente importantes e podem ser alcançados com ações estratégicas, mesmo enfrentando desafios significativos. Na minha ótica identifico alguns pontos que podem alicerçar uma solução:
1ª. Trabalhar em estreita colaboração com as autarquias e agentes locais, e stakeholders para identificar oportunidades de cooperação e obter apoio financeiro e regulatório para projetos de habitação acessível;
2º. Investir em métodos de construção mais eficientes e sustentáveis que possam reduzir os custos de construção e, consequentemente, o preço final das habitações. Além disso, a tecnologia pode ser usada para melhorar a eficiência energética e a qualidade das habitações;
3º. Procurar fontes de financiamento alternativas, como investidores sociais, fundos de investimento em impacto social e programas de incentivo fiscal para projetos de habitação acessível.
Sendo uma empresa que faz gestão de projetos/empreendimentos somos obrigados a fazer uma eficiente gestão dos custos de construção, otimizando o uso de recursos, minimizando desperdícios e buscando economias de escala sempre que possível. Uma ideia por exemplo que foi adotada no pós 25 de abril, chamada programa SAAL, seria com as devidas adaptações podia criar e estimular soluções para habitação, como cooperativas habitacionais, habitação multifamiliar, microapartamentos, entre outros, que sejam acessíveis para diferentes grupos demográficos e rendimentos.
Acho que também seria bom combater a literacia da nossa sociedade sobre a importância da habitação acessível e seu impacto na comunidade. Isso pode ajudar a criar apoio público e político para iniciativas nesse sentido, como por exemplo desenvolver programas que ajudem as pessoas a entender e gerir melhor suas finanças pessoais, tornando-as mais capazes de comprar ou alugar habitações acessíveis.
Apesar dos desafios, a promoção da habitação acessível é uma meta alcançável com um compromisso sólido e ação coordenada. É importante reconhecer que cada região e mercado pode ter desafios e oportunidades diferentes, então adaptar as estratégias às condições locais é fundamental. Além disso, a colaboração com outras partes interessadas e uma abordagem de longo prazo são essenciais para o sucesso.

A acessibilidade da habitação é, por todas as razões mencionadas, um dos maiores desafios que Portugal tem pela frente para os próximos anos. Face à sua experiência, com que visão encara o setor a médio e longo prazo?
A tendência geral deve ser a de melhorar a acessibilidade da habitação para todos os cidadãos, independentemente da sua situação económica, idade ou mobilidade. Isso pode envolver a criação de mais habitações acessíveis e a implementação de políticas que tornem as casas mais acessíveis financeiramente. A habitação a médio e longo prazo deve ser cada vez mais sustentável e eficiente em termos energéticos. Isso implica a construção de edifícios mais eficientes em termos de energia, bem como a renovação de edifícios existentes para torná-los mais amigos do ambiente.
A tecnologia desempenhará um papel crescente na habitação. Isso pode incluir o uso de soluções inteligentes para melhorar a qualidade de vida das pessoas em suas casas, bem como a adoção de tecnologias de construção mais avançadas.
Para enfrentar a escassez de habitação acessível, pode ser necessário diversificar os tipos de habitação disponíveis. Isso inclui a promoção de habitação coletiva, habitação partilhada, micro-habitação e outros modelos alternativos.
O governo desempenha um papel fundamental na criação de políticas que promovam a acessibilidade da habitação. O investimento público em habitação acessível e infraestruturas relacionadas é essencial para atingir metas a médio e longo prazo. A participação da comunidade e a colaboração entre setores são cruciais. Isso envolve a consulta das partes interessadas, incluindo grupos de habitação, organizações sem fins lucrativos e associações de moradores, para garantir que as políticas e projetos sejam adequados às necessidades das comunidades locais.
É importante monitorizar e avaliar continuamente as políticas e medidas de habitação para garantir que estão a ter o impacto desejado e fazer ajustes conforme necessário.
Resumindo, a visão para o setor da habitação em Portugal a médio e longo prazo deve ser a de tornar a habitação acessível, sustentável e adequada às necessidades das comunidades. Isso requer um esforço conjunto do governo, do setor privado e das organizações da sociedade civil para enfrentar esse desafio significativo.

Que papel a marca Sérgio Vieira Barbosa terá no mercado e que novidades a mesma trará no futuro?
Estamos atentos e conscientes do futuro, sempre a tentar nos enquadrarmos às necessidades e ao ouvirmos nossos clientes e nossos parceiros é uma mais-valia fundamental, pois avaliam o valor do que recebem e assim podemos estabelecer uma relação com o mercado podendo responder melhor às variações cada vez mais frequentes.
Acho que a reputação duma marca/serviço é construída ao longo do tempo por meio de experiências positivas dos clientes e ações éticas, e ao oferecermos excelência cria lealdade e faz que tenhamos muitos clientes que continuam a nos procurar. Ao sermos uma empresa que tem nichos de mercado bem identificados faz de nós uma empresa que outros não estão capacitados e dá-nos um conforto muito grande. É importante lembrar que a posição de uma marca no mercado pode evoluir ao longo do tempo e pode variar de acordo com a indústria, o público-alvo e as condições económicas.