“Acredito em Igualdade de Oportunidades e em mérito por Competência”

Mestre em Medicina Dentária, Ana Fernandes é Gerente e Diretora Clínica da marca Ana Fernandes – Medicina Dentária, sendo uma conhecedora nata deste setor da saúde, ou seja, a Medicina Dentária. Dos vários temas abordados, decidimos enveredar mais profundamente do papel das Mulheres no universo da Medicina Dentária, até porque a nossa interlocutora “tem muito orgulho de ver cada vez mais mulheres a assumirem esse destaque”.

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Sabemos que a Ana Fernandes é Mestre em Medicina Dentária e que, dentro desta área vasta, conta com diversas formações adicionais. Além disso, também é autora de trabalhos científicos e colaboradora na organização de eventos e congressos de caráter formativo. De forma a conhecê-la um pouco melhor, porquê esta área? O que é que mais a fascina?
O porquê, é sempre como gosto particularmente de começar qualquer projeto.
Acredito que quando temos um porquê bem definido, torna-se mais clara a definição do caminho. Então, no meu caso, o porquê sempre foi o de criar um impacto positivo na vida das pessoas. Uma autovalorização, de tal forma que, a pessoa se sentisse inspirada a ser também ela um impacto positivo na vida de outra. Nesse propósito, a pessoa percebe que esse potencial positivo sempre esteve dentro de si e nunca dependente do meio. Durante o meu percurso académico e também pessoal, sempre tive esse papel nos grupos que integrava.
Sempre gostei de me envolver em vários campos e trazer profundidade e propósito às causas e felicidade e vontade às concretizações individuais e de grupo. Cedo percebi que gostaria de viver servindo esse propósito, trazer alegria, autoconfiança, valor. Daqui para trabalhar a fazer sorrir, a construir sorrisos, o passo foi fácil. Uma das coisas que me fascina na Medicina Dentária é que não haja dias e casos iguais, porque na individualidade de cada paciente descobrimos sempre novas formas de reabilitar. Para mim isso é combustível, sentir sempre que há um desafio, que preciso sempre de evoluir para estar à altura, procurar soluções que se encaixem nas expetativas de quem me procura. É também uma área muito detalhista, o nosso trabalho é um conjunto de pormenores muito pequenos. Claro que tem também a sua contrapartida, é muito difícil ficarmos, eu pelo menos sinto isso, totalmente satisfeitos. Parece que há sempre ali um detalhe que posso melhorar.

Atualmente é Gerente e Diretora Clínica da marca Ana Fernandes – Medicina Dentária. Tendo esta clínica seis anos de existência, podia partilhar connosco a sua experiência e perspetiva sobre como é liderar e gerir a marca, destacando os desafios e as conquistas que enfrentou até hoje?
Gerir a clínica tem sido uma profunda viagem de autoconhecimento e uma constante gestão de expetativas. Todo o empresário que se lance em Portugal tem o meu maior respeito e solidariedade, porque os desafios diários são imensos e começar do zero requer uma resiliência que precisamos construir no caminho. Mas o caminho nem sempre nos dá esse tempo de preparação, vamos literalmente errando e aprendendo. Por isso, e fazendo aqui a ponte à questão anterior, o mais importante será sempre definir um porquê e acreditar muito. Eu queria construir um local onde o foco fosse servir o outro, priorizando as suas necessidades e não as necessidades individuais ou da empresa, um local onde se trabalhasse com propósito para fora e para dentro. Onde eu tivesse liberdade de planear os casos com base nas fundações funcionais e de saúde que eu acreditava. Onde pudesse oferecer um serviço multidisciplinar, especializado. Ao mesmo tempo que para mim e para a minha equipa, trabalhar fosse um prazer. Onde houvesse respeito pela pessoa humana, cortesia, empatia pelas suas dores. Então, o maior desafio que enfrentei acaba por ser também a minha maior conquista, conseguir manter-me fiel a estes valores, independentemente das circunstâncias.
Não sei definir a maior conquista, porque na minha visão vamos conquistando objetivos sucessivamente, mas orgulho-me muito da excelência do serviço que prestamos e da alegria com que trabalhamos na clínica. Apesar de nunca ter sido algo pensado, somos uma equipa de mulheres, gerida por uma mulher e orgulho-me da relação de respeito e cordialidade entre todas.

Direcionando a conversa para a atividade que a Ana Fernandes – Medicina Dentária pratica, o que é que a inovação que aplica nesta clínica tem feito pelos pacientes e pelos tratamentos? Em termos práticos, diria que a inovação e o sucesso dos casos clínicos andam de «braço dado»?
A inovação é uma arma poderosíssima, mas como todas as armas poderosas, tem os seus perigos. Há que saber usá-la a nosso favor, mas não depender cegamente dela. Muitas vezes tendemos a confiar mais na máquina do que no Homem. Embora existam cada vez mais soluções inovadoras no mercado, não podemos perder o foco daquilo que nos caracteriza como bons médicos, clínicos e cirurgiões, o nosso instinto clínico.
Na clínica, apostamos em tecnologia que está suportada por evidência. Assim como pondero os nossos investimentos, também devo ponderar o investimento dos nossos pacientes e trazer um filtro ao marketing que tanto nos pressiona hoje em dia.
Claro que, hoje em dia, fazer uma cirurgia oral de implantes, por exemplo, sem um exame tridimensional é estar aquém do desejável, porque podemos planear digitalmente uma cirurgia sendo minimamente invasivos clinicamente. Isso é um investimento que traz mais valia na qualidade do serviço e, principalmente, na recuperação e bem-estar geral do paciente.

Enquanto Mulher que singrou nesta que já foi uma área predominantemente dominada por Homens, como analisa a evolução da presença feminina na Medicina Dentária ao longo dos anos? Quais são os avanços que observa no aumento da representatividade feminina no setor?
A presença da mulher no mundo dos negócios, no geral, tem vindo a ser exponencial e penso que estamos apenas no início. Na Medicina Dentária, em particular, temos visto cada vez mais rostos femininos em painéis de congressos de forma nacional e internacional e nesse aspeto Portugal tem dado muitos frutos internacionalmente. Os nossos dentistas estão cada vez mais reconhecidos além-fronteiras e claro que muito me orgulho de ver cada vez mais mulheres a assumirem esse destaque.

Considera que as Mulheres têm vindo a contribuir para a evolução e qualidade da Medicina Dentária? O que é que, na sua perspetiva, as Mulheres trazem de novo, diferente e único ao setor?
Exatamente o mesmo que as mulheres trazem de único e diferente a qualquer outro setor, serem fiéis à sua feminilidade. Durante muito tempo, uma mulher que quisesse singrar no mundo dos negócios, tendia a recrutar mais do seu lado masculino, porque seria associada mais rapidamente a força. A grande mudança nos dias de hoje, na minha visão, é vermos mulheres serem exatamente o que são e tornarem-se excelentes líderes. O feminino deixou de ser associado a fragilidade. O perfil do líder tem evoluído cada vez mais nesse sentido, no sentido da autenticidade. Felizmente, vivemos nessa liberdade de ser. A mulher traz consigo valores sociais que são necessários nas empresas. Na Medicina Dentária, este potencial pode ser canalizado nesse sentido, cuidando da parte emocional, dos medos de quem nos procura.

Com que visão observa o futuro, em termos de igualdade de género nesta profissão? Que desafios ainda persistem para as Mulheres na Medicina Dentária de hoje?
Acredito em igualdade de oportunidades e em mérito por competência. Não acredito em igualdade de coisas que são, na sua génese, diferentes. É na nossa diferença que obtemos esse valor. Quando analisamos um determinado problema num caso clínico, eu conto com a disparidade de opiniões e de análises para concluir a melhor solução para o meu paciente. Enquanto sociedade temos que nos concentrar em criar condições de equidade social, onde seja permitido retirar o melhor de cada um, seja qual for o género, nascido ou adquirido. No meu entender, despendemos demasiada energia em equiparar e tentar igualar algo que é rico por ser diferente.
Agora, claro que nessa diferença, mulheres e homens terão desafios naturalmente distintos. A Medicina Dentária, à semelhança de outras profissões liberais, não protege a mulher que é mãe. Não lhe permite usufruir de uma licença para exercer o seu papel social, que é tão importante. Somos uma sociedade com foco exclusivo em produtividade e penso que deveríamos canalizar as nossas energias no sentido de mudar mentalidades. Temos que aprender a valorizar menos aquilo que determinada personalidade conquistou em termos quantitativos, mas mais a forma como o conquistou, que bandeiras levantou no caminho, que riquezas sociais deixou durante o seu percurso.

Como uma profissional (bem) estabelecida e uma grande inspiração para jovens Mulheres que estão agora a iniciar as suas carreiras neste universo, que mensagem gostaria de lhes deixar?
Não me revejo como profissional estabelecida, porque me remete para um estado estático, aborrecido. Identifico-me com movimento, evolução. Gosto da sensação de estar constantemente a aprender, gosto da dúvida. E sei que preciso desse estímulo constante para me sentir realizada.
Vivemos tempos em que os processos deixaram de ter valor, e vejo muitos colegas mais jovens muito focados nos resultados, desconhecendo que o verdadeiro sucesso é estarem em paz com esse mesmo processo. Para os profissionais mais jovens, gostaria de dizer que se esforcem por entregar valor, que tenham a coragem de arriscar, e a humildade de saber pedir ajuda. Diria que procurassem a sua verdade, e que acreditassem que o seu maior diferencial estará na sua visão própria, então, que se dediquem a criar uma. Sejam resilientes, na busca por conhecimento e treinem as vossas habilidades manuais. Sejam também irreverentes, criativos. Haverá sempre lugar para a excelência, não tenham medo. Não se foquem nas dificuldades, mas sim na riqueza de cada experiência.
Aprendam a usar o estado emocional para calibrar se estão ou não nos sítios certos ou com as pessoas certas. Onde não estiverem felizes, não fiquem. No fim do dia, a vida e nós próprios, somos mais do que aquilo que fazemos. Não esquecer que bonito é ser-se feliz.