“É essencial a mobilização de Recursos altamente Especializados na Ferrovia”

Tiago Santos, Diretor Adjunto do Serviço de Fiscalização da TPF Consultores, não tem dúvidas que o grande desafio atual, que não está circunscrito às obras de ferrovias, é a falta de recursos especializados, lembrando que esta realidade existe pela ausência de investimentos na área da ferrovia e por não ter ocorrido uma renovação/formação de novos recursos ao ritmo que o mercado exige.

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A LBA é um dos projetos mais recentes do Departamento de Gestão e Fiscalização da TPF Consultores. Sendo Diretor Adjunto do Serviço de Fiscalização, que fatores contribuíram para que projetos como este sejam sempre bem-sucedidos e um modelo para projetos futuros?
As empreitadas de Modernização da Linha da Beira Alta nos troços entre Pampilhosa e Santa Comba Dão, e entre Santa Comba Dão e Mangualde, dos quais a TPF Consultores é a empresa responsável pela fiscalização, inserem-se no programa de investimentos Ferrovia 2020 apresentado em fevereiro de 2016, e tem como principal objetivo melhorar a ligação internacional, nomeadamente no corredor Leixões/Aveiro – Vilar Formoso, potenciando assim a utilização da ferrovia nos percursos de e para os portos nacionais. Esta melhoria consubstancia-se nomeadamente num aumento da fiabilidade da exploração ferroviária, da capacidade, e da segurança, com a possibilidade de circulação de comboios de mercadorias até 750 m, resultando, assim, numa maior competitividade do transporte de mercadorias face a outros meios de transporte. Como será fácil prever, esta intervenção terá um potencial económico significativo, quer na região, quer a nível nacional.

Quais diria que são os desafios inerentes à prestação de serviços de fiscalização de grandes projetos ferroviários e, em que medida, a TPF Consultores está a abordar e a gerir eficazmente os riscos associados?
O grande desafio que enfrentamos atualmente, que não está circunscrito às obras ferroviárias, mas que é especialmente grave neste setor, é a falta de recursos especializados. Com efeito, para se alcançar uma prestação de serviços de elevada qualidade e para acrescentar valor, é absolutamente essencial a mobilização de recursos altamente especializados, nomeadamente nas áreas de via, catenária e sinalização ferroviária. O que as empresas do setor têm vindo a constatar, é que no mercado português esses recursos são escassos e insuficientes para a quantidade de projetos em curso e para os que se preveem num futuro próximo.
Isso deve-se, por um lado, à quase ausência de investimentos na área da ferrovia nos anos de crise durante um longo período. Por outro lado, não tem ocorrido uma renovação/formação de novos recursos ao ritmo que o mercado exige, sendo que essa capacidade de formação está praticamente concentrada na Infraestruturas de Portugal.

Com a evolução das tecnologias de fiscalização, qual é a abordagem do Departamento de Gestão e Fiscalização para adotar inovações tecnológicas que possam otimizar e aprimorar os processos de supervisão?
A área das novas tecnologias assume um papel determinante na estratégia da TPF Consultores, estando esta área a cargo do Centro de Inovação e Tecnologias de Informação e Comunicação (CITIC), que começou a ganhar forma em 2015 quando a TPF Consultores decidiu dar os primeiros passos na implementação do BIM. Atualmente a atividade da empresa na áreas das novas tecnologias é extremamente ampla, passando pela consolidação das metodologias BIM, pelo desenvolvimento de software de apoio à produção, pela utilização de drones para a realização de levantamentos, utilização de câmaras 360 e time-lapse, impressão 3D, realidade virtual, bem como o desenvolvimento de aplicações com inteligência artificial.
No que se refere à atividade de Fiscalização, têm sido desenvolvidas ferramentas para gestão documental, fluxos de aprovação, geração automática de relatórios fotográficos ou de elaboração de atas. Tem ainda vindo a ser implementada a utilização de tablets nas atividades de fiscalização e controlo em diversos empreendimentos. Num futuro próximo prevemos uma utilização mais abrangente de ferramentas de gestão documental integrada, as quais aumentam consideravelmente a organização da documentação e, consequentemente, contribuem para um aumento da eficiência da nossa atividade. Prevemos ainda o recurso mais frequente a drones e câmaras 360, os quais otimizam o registo dos trabalhos num determinado momento, podendo ser um apoio fundamental na atividade da fiscalização, com especial destaque nas áreas de controlo de custos e planeamento. A TPF Consultores já definiu inclusivamente metodologias que permitem o levantamento de quantidades associadas a movimentos de terra com recurso a drones, quase de forma automática, em obras de desenvolvimento linear. Estamos também a desenvolver uma aplicação para telemóveis que permite que o cliente visualize o estado da obra e interaja rapidamente com a nossa equipa no terreno.

Considera que tem sido crucial investir na formação e desenvolvimento da equipa para garantir que a mesma esteja atualizada com as últimas normas e práticas na fiscalização de infraestruturas ferroviárias?
Recentemente, as alterações introduzidas às regras de qualificação de trabalhadores, no que se refere a segurança ferroviária, levou à realização de diversas formações de segurança ferroviária a mais de 50 dos nossos colaboradores.
A TPF Consultores tem uma política de formação contínua, promovendo de forma recorrente a formação dos seus colaboradores, quer com ações de formação internas, quer externas. A formação abrange diferentes áreas consoante as carreiras em que os colaboradores se integram, o seu nível de formação, de experiência, bem como os projetos em que estão envolvidos. De uma forma transversal, são frequentes as formações nas áreas das novas tecnologias e da segurança. De forma mais direcionada, a TPF Consultores tem promovido a formação em áreas específicas como gestão, qualidade, ambiente, gestão contratual e gestão de projeto.

Qual é a estratégia da TPF Consultores para garantir uma colaboração estreita e eficaz com os clientes, promovendo a transparência e a satisfação durante todo o ciclo de vida de um projeto, como por exemplo, dos já mencionados?
A gestão contratual de grandes projetos ferroviários enfrenta atualmente grandes desafios devido a vários fatores externos de pressão. Por um lado, a escassez de recursos já mencionada anteriormente, que condiciona significativamente a capacidade de mobilização dos recursos necessários e sobrecarrega as equipas que estão em obra, por outro, a existência de alguns contratos com duração de vários anos, sendo executados durante um longo período com taxa de inflação anormalmente elevada, e que não previam, na sua redação original, qualquer mecanismo de revisão de preços e para os quais o cliente recusou aplicar o regime extraordinário de revisão de preços criado para o efeito.
Apesar destes fatores de pressão, a TPF Consultores faz questão de cultivar uma relação de proximidade com os clientes, sempre com o compromisso de ir ao encontro dos seus objetivos e expetativas, prestando sempre um serviço de elevada qualidade.