LISPOLIS-Cíntia Costa

A preocupação ambiental é crescente nas empresas. O LISPOLIS, enquanto gestor da comunidade, tem vindo a recolher sugestões e integrar cada vez mais medidas que melhorem a vida dos colaboradores das 129 empresas que acolhe e simultaneamente possam contribuir para uma pegada mais ecológica.

Em 2019 foi lançado o Plano Nacional Integrado Energia-Clima, que tem como objetivo definir linhas de atuação para o Horizonte 2030. A sua visão estratégica passa por “promover a descarbonização da economia e a transição energética visando a neutralidade carbónica em 2050, enquanto oportunidade para o país, assente num modelo democrático e justo de coesão territorial que potencie a geração de riqueza e uso eficiente de recursos”, de acordo com o documento.

As empresas têm aqui um papel fundamental a desempenhar, através da aposta na eficiência energética, na mobilidade sustentável, na redução do consumo de recursos fósseis e na reciclagem de materiais reutilizáveis.

O LISPOLIS assinou o documento de Compromisso de Lisboa Capital Verde Europeia 2020, criado pela Câmara Municipal de Lisboa com o objetivo de envolver as diferentes entidades da cidade na transformação em curso no setor ecológico. Este compromisso inclui um conjunto de medidas que devem ser integradas no dia a dia de pessoas e empresas locais até 2030.

Capital Verde Europeia 2020

Em 2018, Lisboa foi escolhida como Capital Verde Europeia 2020, uma iniciativa que reconhece o trabalho desenvolvido na cidade durante a última década, mas que serve igualmente como mote para um maior compromisso no que toca à adoção de medidas com um impacto positivo para o ambiente urbano. O objetivo será melhorar vários aspetos da vida urbana de moradores e trabalhadores na cidade de Lisboa até 2030.

Lisboa assinou o Pacto dos Autarcas para o Clima e Energia, o Acordo de Paris e a Rede C40 Cities, e desenvolveu autonomamente o Plano de Ação para as Energias Sustentáveis e o Clima (PAESC), aprovado em Câmara e na Assembleia Municipal, por unanimidade. A 11 de janeiro foi lançado oficialmente o programa de atividades planeado para este ano, que conta com medidas como a plantação de árvores em vários pontos do município ou a inauguração do Museu da Reciclagem (ReMuseu) em Alcântara.

Eficiência Energética nos Edifícios

O LISPOLIS tem acompanhado a preocupação energética e concebido alterações na gestão e utilização dos edifícios. As lâmpadas das salas e espaços comuns dos edifícios que nasceram em 1994 foram substituídas gradualmente por leds, que permitem economizar energia e manter a qualidade da iluminação. Paralelamente, têm sido instalados sensores de presença nas instalações sanitárias, de modo a evitar que as luzes estejam ligadas sem necessidade.

As janelas serão também gradualmente substituídas por forma a acumular mais energia dentro das várias salas através do isolamento térmico, criando assim menor desperdício energético.

Um dos edifícios LISPOLIS, o Edifício Empresarial 3, conta ainda com um SGT (Sistema de Gestão Técnica), que permite controlar por zonas a temperatura das salas, consoante a exposição solar diária. Este dispositivo permite assim a gestão mais inteligente da iluminação e dos equipamentos de ar condicionado, através da medição da temperatura no exterior e interior do edifício, evitando o gasto supérfluo de energia.

Estas requalificações dos edifícios integram o plano de sustentabilidade do LISPOLIS que vem dar resposta às novas exigências ambientais da comunidade, uma adaptação que vem em linha com a inovação das empresas aqui instaladas, que requerem um espaço cada vez mais modernizado e ecológico.

Em 2020, o LISPOLIS fará uma campanha ativa de consciencialização de todos os utilizadores dos espaços para uma poupança energética a nível dos consumos: apagar luzes e desligar equipamentos de ar condicionado quando não se encontra ninguém nas salas, evitar o uso do elevador e desligar os equipamentos que não estão a ser utilizados (como carregadores de telemóvel) das tomadas elétricas.

Aposta na Mobilidade Sustentável

A Mobilidade Sustentável tem sido um tema de debate desde que se iniciou o conceito de Cidades Inteligentes. O sonho de uma cidade conectada e com mobilidade multimodal e partilhada tem vindo a ganhar expressão através das muitas startups desenvolvidas para o efeito, bem como a adoção crescente de veículos elétricos.

O LISPOLIS questionou as empresas sobre a utilização de veículos elétricos através de um inquérito e 31% indica que pretende integrar uma ou mais viaturas na sua frota em 2020.

A promoção de condições para o carregamento destes veículos ecológicos é uma preocupação do LISPOLIS, que tem vindo a realizar estudos sobre a viabilidade da instalação de pontos exteriores para utilização comum junto de vários parceiros. Em 2020, espera-se um avanço neste sentido, com a criação de lugares específicos no parque de estacionamento comum para o carregamento destas viaturas.

No sentido de fomentar a utilização de meios mais ecológicos e evitar o uso do automóvel particular, o LISPOLIS disponibiliza à entrada de cada edifício um espaço exclusivo para motos e bicicletas.

Em complemento a estas medidas, o LISPOLIS tem vindo a apostar na criação de parcerias com plataformas de mobilidade partilhada: o Drive Now tornou-se parceiro LISPOLIS, com a oferta de condições especiais para que as empresas instaladas no Polo Tecnológico de Lisboa possam utilizar este serviço como preferencial nas deslocações dentro da cidade de Lisboa, para reuniões ou eventos fora do seu local de trabalho.

Além desta parceria, foi recentemente criada uma relação com a Lime para instalação de três hotspots no Polo Tecnológico de Lisboa que vêm dar resposta ao last mile de estudantes da Universidade Europeia e a colaboradores das restantes empresas instaladas entre as estações de metro (de Carnide, Pontinha ou Telheiras) e o LISPOLIS.

Antes disso, o LISPOLIS havia também apostado na criação de um projeto piloto com trotinetes elétricas da Z-Floating, projeto vencedor do programa de aceleração Smart Open Lisboa que contou com o patrocínio da Ferrovial. Esta iniciativa permitia fazer a ligação metro-LISPOLIS de uma forma gratuita para colaboradores das empresas e estudantes.

Economia Circular

A redução do desperdício de recursos é uma das grandes prioridades do LISPOLIS. Têm sido instalados equipamentos redutores em torneiras e autoclismos dos edifícios geridos pelo LISPOLIS. Tem também vindo a ser adotada a medida de zero desperdício de plástico, por exemplo através da utilização de chávenas de loiça para o café ao invés de copos de café de plástico de utilização única.

Em 2019, o LISPOLIS instalou, em parceria com a European Recycling Platform, ecopontos de pilhas, toners, lâmpadas e equipamentos eletrónicos, para que as empresas e colaboradores possam reciclar de forma apropriada os dispositivos que já não têm utilidade.

A implementação de ferramentas cada vez mais digitais vem também apoiar a medida de redução do desperdício do papel. A adoção da fatura eletrónica foi um grande passo no sentido da digitalização de processos.

Está a ser igualmente estudado um processo de reciclagem dentro das próprias empresas, que possa ser integrado num serviço de limpeza geral.

Planear o Futuro

A consciencialização para a transformação ecológica é um trabalho da maior importância junto de colaboradores e responsáveis das empresas. O LISPOLIS, como gestor de espaços e da comunidade, tem aqui um papel fulcral na criação de documentos de fácil acesso para diagnóstico e implementação de medidas mais “verdes” nos comportamentos.

Ainda há muito trabalho para fazer, mas 2020 marca o ano em que a transformação ecológica ganha uma maior dimensão nas empresas e é preparado o trabalho a realizar nos próximos anos.