RUI MADUREIRA

Visualizar, detetar, compreender e atuar em relação às tendências imobiliárias fazem parte da missão da ALCH Capital?

Sim. Somos, acima de tudo, uma empresa que deteta oportunidades de investimento imobiliário. Fazendo-nos valor das competências que temos “in house”, realizamos uma análise exaustiva do mercado, identificamos operações subavaliadas e, através de uma estratégia concertada envolvendo os diferentes stakeholders, reposicionamos o empreendimento de acordo com as exigências atuais. Assim que concluímos este ciclo conceptual, devolvemos o projeto ao mercado.

Atingimos o objetivo proposto, articulando de uma forma eficiente as diferentes fases do desenvolvimento de um empreendimento imobiliário, desde a conceção de projetos e subsequentemente licenciamento, passando pela construção e comercialização. Afirmamos com toda a convicção que desenvolvemos os nossos projetos de “fio a pavio”.

São 30 anos de experiência acumulada em finanças e imóveis. Que balanço faz destes anos de atividade no mercado imobiliário?

São 30 anos de experiência acumulada dos nossos sócios. No mercado estamos há três anos. O balanço tem sido bastante positivo, uma vez que definimos de uma forma clara que a nossa estratégia passaria por olhar para projetos imobiliários fora dos centros das cidades.

E isto porquê? Se analisarmos o comportamento do mercado imobiliário nos últimos anos compreendemos que grande parte do investimento foi canalizado para a reabilitação dos centros das cidades impulsionado em parte por investimento estrangeiro, deixando “órfão” um segmento considerável de mercado que desde a crise de 2011 assistiu a um afunilamento do seu normal desenvolvimento. Nesse sentido a ALCH Capital decidiu canalizar os seus esforços para a análise de oportunidades nos concelhos limítrofes das cidades de Lisboa e Porto e daí estarmos a investir no empreendimento Cabanas Golf no Concelho de Oeiras.

“Cabanas Golf”, trata-se de um empreendimento com uma localização privilegiada e que oferece uma nova mistura de arquitetura contemporânea e natureza a 15 quilómetros do centro de Lisboa, certo?

Exatamente. Trata-se de um empreendimento idealizado antes da crise, que se encontra a ser recuperado pela ALCH. É um projeto, nesta primeira fase, composto por 21 moradias em banda, com 300m2 de terreno e uma área bruta de 290m2 distribuída por três pisos. Tem uma localização privilegiada com bons acessos, próximo de comércio e serviços aliando um ambiente de natureza à proximidade a Lisboa.

Através de que linhas estratégicas se tentam diferenciar dos restantes players do setor?

O nosso modelo estratégico assenta basicamente em três pilares. Por um lado, o nosso conhecimento do mercado e o estudo da sua evolução permite-nos identificar quais as oportunidades com maior potencial, face à sua localização relativa, interesse comercial e performance financeira do investimento.

O segundo pilar traduz-se numa equipa de gestão experiente e ágil assente numa estrutura enxuta com rápida capacidade de decisão. Contamos também com um conjunto de parceiros que nos acompanham no desenvolvimento dos projetos, nomeadamente arquitetos, engenheiros, fiscalização e empreiteiros que partilham connosco os níveis de excelência que procuramos manter.

Por fim, a nossa experiência na área financeira garante agilidade no acesso a capital, característica relevante neste tipo de operações. Concretamente no projeto de Oeiras, para além de capitais portugueses, temos uma estrutura de capitais oriundos de França e do centro da Europa. Creio que a ótima combinação destes três pilares nos torna, de alguma forma, diferenciadores no mercado em que estamos inseridos.

Quais considera ser os maiores desafios para os profissionais do ramo imobiliário em Portugal?

Desenvolver projetos no ramo imobiliário é um constante desafio. Em Portugal, as principais dificuldades (que poderia apontar), são os atrasos nos licenciamentos e os custos de construção que estão, neste momento, historicamente altos. A questão que se coloca é a seguinte: o mercado tem desafios? Sim. Qualquer que seja a fase do ciclo, expansão ou recessão, estamos sempre focados em encontrar soluções viáveis.

O que vai acontecer ao mercado imobiliário em 2020? Quais as mudanças que podemos esperar? Os preços vão baixar, estagnar ou continuar a subir?

É necessário analisar, cada segmento e cada caso, porque os players que fazem o mercado são diferentes. Em Lisboa e Porto, assistimos a um investimento massivo de entidades oriundas de várias geografias que potenciaram o mercado residencial, mas também turístico. Creio que este segmento já tem pouca margem para crescimento, pelo que iremos assistir a uma estabilização gradual dos preços nos próximos anos.

Por outro lado, observamos ainda uma falta de oferta de habitação para a classe média e média/alta que com a subida dos preços nas cidades teve de, em parte, alterar a sua intenção de aquisição para os concelhos limítrofes. Este segmento tem ainda margem para crescer quer seja pelo novo tipo de compradores, quer seja pela estagnação que sofreu devido aos anos da crise.

Na minha opinião, vamos assistir a uma ligeira subida dos preços que tenderá para a estabilização à medida que os novos empreendimentos em desenvolvimento satisfaçam a procura latente.

Qual o posicionamento que querem cimentar no mercado nacional este ano 2020?

O nosso objetivo é tornar a ALCH Capital numa entidade relevante no setor e que adquira dimensão e reconhecimento para poder contribuir para o desenvolvimento do investimento imobiliário em Portugal.

Obviamente, ainda existem muitos desafios, um longo caminho a percorrer, e acima de tudo, muito para aprender, visto que este é um mercado em constante evolução, com novas tendências, e que a ALCH está preparada para acompanhar.

Que estratégias e novos projetos têm em mente para este novo ano 2020?

Nos próximos anos, para além do desenvolvimento do projeto Cabanas Golf, queremos continuar a criar mais projetos imobiliários para a classe média/alta portuguesa, a preços competitivos.

Defina a ALCH Capital em três palavras.

Competência, inovação e rigor.