Marta Casimiro, é Diretora Técnica da Panidor. Como é trabalhar nesta empresa familiar com décadas de experiência?

É um orgulho, claro, mas é acima de tudo um grande desafio. Trabalhar numa empresa com mais de 25 anos e reconhecida no mercado é muito exigente. Os clientes são cada vez mais exigentes e o consumidor está em constante mudança. O que ontem fazia sentido, hoje já não faz e temos de nos adaptar diariamente, criando produtos e processos novos.

A inovação tecnológica nos processos, conjugando a experiência e domínio dos métodos artesanais de fabrico, adquirida ao longo de mais de 30 anos, tornaram a Panidor como uma das empresas pioneiras em Portugal na produção de produtos de padaria e pastelaria ultracongelados. Considera que o vosso sucesso da liderança está nestes fatores?

A resposta é não. Claro que esses fatores nos ajudam a manter a liderança, mas penso que o que faz a diferença é a paixão com que trabalhamos os nossos produtos e o respeito que temos pelos mesmos.

Somos uma empresa inovadora sim, mas inovamos sempre respeitando as características do produto e das matérias primas, evitando ao máximo recorrer a fake ingredients e fabricando produtos que queremos ter nas nossas próprias mesas!

Além disso, somos de natureza curiosa e adoramos provar e descobrir especiarias pelo mundo fora, trazendo as inspirações para dentro das nossas cozinhas. É essa paixão que faz a diferença, é aliar a experiência e o know-how ao entusiasmo. Não criamos produtos com cifrões nos olhos, mas sim a imaginar os sorrisos dos nossos familiares e amigos a deliciarem-se com eles, aqui está o valor acrescentado!

Neste domínio, que balanço faz da atuação da marca no mercado e quais as vossas principais potencialidades?

A Panidor é hoje um dos principais players no mercado da padaria e pastelaria ultracongelados. Temos orgulho em ser reconhecidos como uma empresa que, acima de tudo, investe na qualidade e segurança alimentar dos produtos que coloca no mercado. A nossa taxa de reclamações ligadas à qualidade em 2019 foi de 0,0014, extremamente baixa para uma empresa do ramo alimentar, e os nossos clientes confiam em nós também por isso.

Por outro lado, temos uma adaptabilidade e uma reatividade excecional. Isto é, conseguimos desenvolver produtos à velocidade da luz e reagir a eventuais problemas ou solicitações dos nossos clientes num espaço de tempo muito reduzido.

Outra potencialidade importante da Panidor é o seu know-how. Não nos podemos esquecer que o nosso fundador é padeiro e filho de padeiros. Quem melhor para gerir uma padaria gigante do que alguém que nasceu na farinha? E prova disso é a qualidade dos nossos produtos, que surpreende os maiores conhecedores e até Chef’s de cozinha, habituados a trabalhar produtos frescos e com uma certa resistência quanto à utilização de produtos ultracongelados.

O pão de cerveja artesanal e o pastel de nata da Panidor foram considerados os sabores do ano 2019. Qual a importância desta distinção para a empresa?

Todos os anos somos premiados “sabor do ano”, entre outros prémios, em Portugal, mas também em França e em Espanha. Estes prémios atestam o investimento que fazemos em inovação e desenvolvimento.

Receber este tipo de prémios dá-nos ainda mais legitimidade no mercado. Em Portugal, somos já conhecidos como parceiros importantes para as maiores cadeias da grande distribuição, do setor da hotelaria ou da restauração centralizada, mas quando falamos na exportação, ter produtos vencedores de prémios reconhecidos no mundo, ajuda-nos a ganhar a atenção dos compradores de grandes insígnias, para quem Portugal é apenas um pequeno país onde se come pastel de nata e se apanha banhos de sol.

Quando falamos de cargos de topo em grandes empresas, gostamos de saber como é a relação entre a progressão de carreira e a questão do género. Como é ser líder de grandes projetos enquanto mulher?

No meu caso não é difícil porque existe um grande respeito por mim e pelo que conquistei durante todos estes anos. dedico-me a esta empresa desde que saí da universidade e a progressão tem sido natural acompanhando a evolução também da empresa.

Enquanto mulher sinto que consegui humanizar as minhas equipas, sinto que os projetos nunca são grandes demais para mim exatamente porque tenho boas equipas.

Que reflexão faz sobre o seu percurso até aos dias de hoje?

O meu percurso foi desafiador, primeiro aprendendo tudo sobre o negócio, tudo mesmo, desde a matéria-prima, passando pelo fabrico até à logística. Depois formando a primeira equipa de controlo de qualidade (visto a minha formação ser em Qualidade Alimentar), e a partir daí desenvolvendo competências noutras áreas que me permitiram ter um alinhamento geral de como liderar não só pessoas, mas uma empresa no seu todo.

Quais as suas responsabilidades enquanto diretora técnica da Panidor?

As minhas responsabilidades enquanto diretora técnica passam por principalmente supervisionar o trabalho de vários departamentos técnicos como sendo o departamento de Gestão da Qualidade, Controlo da Qualidade, IDI (Investigação, desenvolvimento e inovação) e Engenharia de projetos.

O que mais gosta no seu trabalho?

Que dizer quando me levanto todos os dias e vou trabalhar com a mesma vontade desde o primeiro dia?  O importante aqui é conseguirmos ter um grande equilíbrio entre a vida profissional e a familiar.