Quando foi edificada a Ana Honrado – Traduções & Explicações e como é que a marca tem assumido um crescimento e contributo para o mercado através de pilares como a qualidade, excelência e rigor?

Comecei a trabalhar em 2007 como tradutora freelancer a partir de casa e apenas em 2015 resolvi abrir o meu próprio espaço, isto porque me apercebi que as pessoas sentem mais confiança num profissional que tenha um espaço aberto, onde possam dirigir-se, ver a pessoa, tirar dúvidas e saber que no caso de precisarem de um acompanhamento têm o profissional disponível num determinado horário e local. Nestes cinco anos de trabalho, tenho vindo a criar parcerias com notários, advogados, solicitadores, entre outros, que acabam por ser uma mais-valia não só pelo facto de atualmente os profissionais da área da tradução ainda não poderem certificar as suas próprias traduções como por a grande maioria da população achar que são estes os profissionais que realizam as traduções e desta forma acabamos por conseguir fornecer com mais facilidade e confiabilidade um serviço ao cliente final, e claro, a um preço mais competitivo, dado a parceria. O escritório foi edificado no Seixal por não existir um espaço similar e por ser um local com procura.

Quem é Ana Honrado enquanto profissional e o que nos pode contar sobre o seu percurso profissional?

Licenciei-me em Tradução na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa em 2007. Efetuei uma especialização em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa, uma Pós-graduação em Gestão Hoteleira no ISLA, vários Workshops em Formação de E-Learning e Project Management, e ainda na área da tradução e do turismo e terminei em 2019 o meu doutoramento em Tradução e Interpretação na BIU em Madrid, sendo que sou uma “insatisfeita” por natureza e acredito que tenho sempre mais qualquer coisa a aprender, acabo por estar sempre “à procura” do próximo curso ou workshop, formação, palestra, etc.

Atualmente sou membro da APTRAD – Associação de Profissionais de Tradução e de Interpretação desde 2015 e da APT – Associação Portuguesa de Tradutores desde 2019.

Há quanto tempo é tradutora? Também trabalha como intérprete?

Comecei a trabalhar como tradutora assim que terminei o curso em 2007, como intérprete comecei a trabalhar em janeiro deste ano, visto que terminei o Doutoramento na área em 2019. Sou neste momento intérprete remota (telefónica) para uma empresa nos EUA, sendo que em Portugal este ainda é um conceito um pouco desconhecido, estamos habituados a ter o intérprete presente nas mediações/notários/conferências, noutros países, principalmente os das Américas, os interpretes já são na sua grande maioria remotos, uma vez que acaba por ser mais fácil e menos dispendioso para o cliente, seja ele empresarial ou particular. Ter um intérprete presente num local obriga à marcação do mesmo e discussão de valores, com um intérprete remoto basta ligar um número (da empresa de interpretação) escolher os idiomas e tem-se um intérprete disponível “no momento”.

Fale-nos um pouco do conceito da marca e das mais-valias que a mesma aporta ao mercado.

Como tenho formação em gestão e sou residente na área do Seixal, efetuei uma análise SWOT, por minha autoria e verifiquei quais os pontos positivos/negativos, procuras e ameaças à abertura de um escritório nesta área e acabei por descobrir que existia procura e pouca ou nenhuma oferta, assim vim suprir esta necessidade, e acredito que tenha vindo enriquecer a zona, que como se sabe tem vindo a passar por várias mudanças, sendo alvo de investimento por parte da câmara, sendo agora um local muito turístico e em evolução.

Ser uma Mulher empreendedora em Portugal é difícil? Sente que o facto de ser mulher lhe criou mais obstáculos ou nunca sentiu ao longo da carreira essa realidade?

Penso que a minha geração é extremamente empreendedora, e sem parecer puxar a brasa à minha sardinha penso que nós mulheres temos mais facilidade em dar o salto para o desconhecido e tornar a nossa ideia em forma do que os homens que são mais agarrados ao certo. Claro que não podemos generalizar, cada pessoa é uma pessoa. Não sinto, nem senti quaisquer obstáculos ao tornar o meu sonho realidade, a única coisa com que me deparo por vezes é incredulidade por parte de alguns clientes, principalmente pessoas mais velhas, que não conseguem acreditar que sou eu a pessoa por trás da “empresa”. Alguns clientes acham-me demasiado nova para ter já alcançado tanto. E eu, por outro lado, acho que ainda não alcancei o suficiente.

Sendo que a globalização tornou o mundo cada vez mais pequeno e que a maioria das pessoas fala inglês acredita que a tradução vai eventualmente deixar de ser necessária ou que é cada vez mais importante?

Acredito que a tradução é uma arte, e digo arte, porque acredito que é preciso um dom para se fazer o que nós tradutores fazemos todos os dias, porque traduzir não é apenas pegar num texto e transportá-lo para outra língua, é sim ter a preocupação de pensar no texto original e no texto a produzir, na ou nas pessoas que o vão ler, no país que o vai receber, entre tantas outras problemáticas. E por essa razão, acredito que a tradução e/ou interpretação nunca vão deixar de ser necessárias, vemos hoje um aumento das tecnologias de Tradução Automática, que estão, tem de ser dito, cada vez mais capazes, mas ainda existe a necessidade de existir sempre um olho humano como último leitor e revisor, então não acredito que o desaparecimento desta profissão esteja para breve. Existimos desde os tempos em que a bíblia foi traduzida pela primeira vez e, cruzemos os dedos, haveremos de cá estar durante muito mais tempo.