Quais foram as etapas mais marcantes da vossa história?

A EDP Distribuição nasceu em 2000, resultado da fusão de empresas regionais do Grupo EDP que geriam a rede elétrica em Portugal. A sua missão sempre se pautou pela melhoria da qualidade de serviço e pela redução das assimetrias no território. A empresa, regulada pela ERSE, gere as concessões de alta e média tensão (AT/MT), cujo concedente é o Estado, e as concessões municipais de baixa tensão (BT). Nos últimos 16 anos investiu 6,2 mil milhões de euros, reduzindo, 88% o tempo médio de interrupção de energia. O investimento em tecnologia de ponta permitiu apostar na modernização dos sistemas de comando de proteção e controlo das subestações e na automatização e telecomando das redes de AT e MT.

Em 2010, a EDP Distribuição lançou o InovGrid, dotando a rede elétrica de equipamentos inteligentes capazes de automatizar a gestão da energia. Este projeto, alinhado com os desafios da transição energética, sustenta a mudança do paradigma do papel do cliente e da gestão do fluxo de energia na rede elétrica, respondendo às necessidades relacionadas com um maior envolvimento dos clientes na gestão dos consumos, a mobilidade elétrica e a capacidade de receber energia gerada pelos microprodutores. Estes são desafios que levam a um reforço na digitalização e tratamento de dados, gestão remota da rede e procura de soluções inovadoras que envolvam os diferentes intervenientes do ecossistema. Hoje assistimos a uma gestão da rede elétrica, em tempo real, de forma totalmente digital, recorrendo a modernas técnicas de inteligência artificial.

E porque os seis milhões de clientes (residenciais e empresariais) são o principal stakeholder da nossa atividade, criámos uma área para a sua gestão e melhoria do serviço. Um vetor importante de atuação nos últimos anos tem sido a digitalização desta relação para maior facilidade e conforto no acesso à informação e na execução das atividades, como os pedidos de ligação à rede, reporte de consultos, registo de avarias, deteção de situações de proximidade de vegetação ou furtos. O self-service digital é uma realidade conseguida e em crescimento, através da App, site ou do portal criado para as autarquias. Adicionalmente, já em 2019, criámos uma rede com 23 pontos de atendimento, de norte a sul do país.

Hoje, mantêm ligados mais de seis milhões de clientes. Como é que “distribuem” esta ligação de confiança para com quem vos escolhe?

O nosso trabalho e empenho não são de hoje, são de sempre. Contamos com o envolvimento e colaboração de 7500 trabalhadores (3000 da EDP Distribuição e 4500 de Prestadores de Serviço) para o cumprimento da nossa missão.

A confiança com os nossos clientes é sustentada numa visão integrada, em articulação com as diversas áreas operacionais da empresa, para maior eficiência e satisfação dos clientes. Este é um processo de melhoria contínua. Para os próximos dois anos prevê-se a redução do tempo de execução dos pedidos de ligação à rede em baixa tensão em 45%, o aumento da relação digital em 29%, a identificação e implementação de iniciativas inovadoras (e.g. chatbot) e o reforço da proximidade aos clientes empresariais, cujas reuniões anuais ultrapassam as tês mil.

De que forma é que a vossa rede de distribuição de energia tem sido reforçada e modernizada, de forma a dar resposta a novas exigências, como o crescimento demográfico e a consequente evolução dos consumos?

Somos um agente ativo no apoio à transição energética e à descarbonização do consumo de energia. Lançámos em dezembro de 2019 o programa InovGrid 2030, num investimento de 500 milhões de euros para incrementar os níveis de sensorização, supervisão e automatização da rede. Hoje um operador de rede é mais do que um distribuidor de energia e isso requer uma forte aposta no desenvolvimento de redes inteligentes, onde se incluem as energy boxes (EB’s). Em Portugal já instalámos 2,5 milhões destes equipamentos dotados de tecnologia avançada para apoio ao fornecimento de serviços de eletricidade e realização de operações remotas tais como: alterações de potência, configurações tarifárias, ligação, desligação à rede. Estes equipamentos promovem também a participação ativa do consumidor na gestão dos seus consumos, disponibilizando-lhe informação que se traduz em eficiência energética e menor custo.

Atualmente, todos estamos a sofrer alterações no nosso quotidiano, com uma paragem quase total do mundo em tantos setores, devido à pandemia do covid-19. Contudo, a energia é algo, que tem de ser sempre assegurado. Como é assegurar a distribuição de energia mesmo em tempos difíceis?

Vivemos tempos desafiantes, em todos os setores, não sendo o energético, exceção. Resiliência, segurança e motivação são as palavras-chave para gerir todas as atividades neste tempo de pandemia. Num momento único, como este, foi essencial acionarmos o nosso plano de contingência, permitindo adotar, de forma muito célere, medidas para assegurar o normal funcionamento da nossa atividade. Tomámos precauções extraordinárias para os cerca de 900 colaboradores que se encontram no terreno, reajustámos equipas e continuámos com a nossa missão diária: fazer chegar a eletricidade a todos os consumidores.

A EDP Distribuição reforçou as suas medidas de prevenção, de acordo com o Plano de Contingência da Direção Geral de Saúde (DGS)?

A seis de março, a EDP Distribuição acionou o seu Plano de Contingência para a Situação de Pandemia e, na segunda semana desse mês, reforçou as medidas, para garantir a continuidade da distribuição de eletricidade, de forma segura e em plena concordância com as recomendações das entidades oficiais. Ajustámos as atividades, colocando em teletrabalho cerca de 2000 colaboradores, e os restantes em atividades operacionais nos centros de comando de rede e instalações técnicas dispersas no país.

Consciente da sua responsabilidade em prestar um serviço público à população, fomos ainda mais longe na adoção de medidas excecionais, nomeadamente nos Centros de Despacho, através dos quais são operacionalizadas as redes de AT, MT e BT em todo o território continental. Os acessos, que já eram restritos, tornaram-se mais limitados e alvo de um maior controlo. As equipas foram redimensionadas e os postos de trabalho reconfigurados para garantir o distanciamento social.

Também o abastecimento de materiais e equipamentos para trabalhos na rede durante os próximos meses foi garantido, sem prejuízo do normal fornecimento de energia elétrica.

A EDP Distribuição, tem assegurado os serviços essenciais e a distribuição de energia elétrica em todo o país durante esta “quarentena geral”? Quais?

A empresa empenhou todos os esforços na reorganização das equipas para assegurar um serviço essencial como a distribuição de eletricidade, de forma eficiente e segura. No terreno dá prioridade à resolução das avarias nas redes de AT, MT e BT e à execução de atividades que não requeiram a proximidade dos trabalhadores, como a limpeza das zonas de proteção e faixas gestão de combustível.

Por questões  de segurança, reduziu-se ao máximo o contato presencial: as ligações ou religações à rede estão a ser realizadas sem contacto com o cliente, salvo razões excecionais; a campanha de substituição de contadores por equipamentos de medição inteligente foi reorientada por forma a focar-se exclusivamente na substituição de contadores localizados no exterior de casa dos clientes, e também as leituras dos contadores estão a ser asseguradas apenas aos equipamentos que se encontrem no exterior das habitações (80 por cento dos equipamentos de medição inteligente instalados já permitem a leitura remota).

Na mesma linha, encerrámos os pontos de atendimento e reforçámos a comunicação institucional ao dispor do cidadão através do site e da App.

Qual o caminho da energia que a EDP Distribuição pretende continuar a firmar no mercado para um futuro próximo?

A empresa tem adotado estratégias que quer prosseguir: da digitalização, do investimento na modernização dos ativos suportado na transição energética, para uma maior descarbonização da sociedade. Continuamos a investir nos ativos da rede elétrica, confiantes que asseguraremos níveis de qualidade de serviço que nos posicionam como referência na Europa.

Defendemos uma gestão integrada das 278 concessões de BT e da concessão nacional de MT e AT, capaz de garantir fiabilidade, segurança e modernidade do sistema elétrico nacional. Acreditamos num modelo de gestão de concessões que tem de ser sustentável, ter em conta os interesses de todos os consumidores, dos municípios e de todo o país e que é essencial que assegure a articulação com a estratégia nacional para a transição energética. É fundamental continuarmos a construir um caminho com base numa análise criteriosa e abrangente do setor, alinhadas com as melhores práticas europeias.