CENTRO DE CONTACTOS ENTRE PORTUGAL E SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

A Câmara de Comércio e Indústria Portugal – São Tomé e Príncipe é fruto de uma necessidade sentida por um grupo numeroso de empresários, cujo objetivo é promover a ligação económica entre os dois países. Quem nos contou mais sobre a associação foi Maria João Mortágua, Vice-Presidente da mesma, dando-nos ainda a conhecer o seu percurso pessoal e profissional.

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Quem é a Maria João Mortágua enquanto pessoa e profissional? Como nos pode descrever o seu percurso?
O gosto, o fascínio e a curiosidade sobre o outro, necessariamente diferente de mim, fazem parte da minha essência. A vontade de contribuir para um mundo melhor também. Inevitável e felizmente, o meu percurso académico espelha isso mesmo. A escolha por estudos superiores em Relações Internacionais, uma formação em Gestão de Projectos de Ajuda Humanitária e depois mais tarde um doutoramento versando fluxos migratórios deram-me conhecimentos importantes. Depois, dediquei uma dúzia de anos à Investigação, sobretudo como investigadora e membro do Conselho Diretivo da Unidade de Investigação em Economia Internacional onde tive a oportunidade de participar em diversos projetos, eventos científicos e redes de investigação internacionais, de elaborar um conjunto de produção científica, e onde estive sempre ligada a países africanos de língua portuguesa.
Sem razão lógica, a minha preferência (paixão) por São Tomé e Príncipe sempre existiu. No final de 2007, eu e o Jorge Batista de Sousa, com conhecimento do descontentamento que empresários portugueses sentiam em relação à falta de uma Câmara de Comércio e Indústria e sabendo do potencial de investimento de STP, constituimo-nos sócios fundadores da CCIPSTP.

Assumindo-se como centro de contactos, a Câmara de Comércio e Indústria Portugal – São Tomé e Príncipe tem como objetivo fomentar as relações económicas de Portugal e São Tomé e Príncipe. O que fizeram para diligenciar este objetivo?
Logo após a criação da Câmara, no final de 2017, STP começou a viver um período de crise política que nos obrigou a adiar muitas das atividades que estavam programadas. Praticamente dois anos depois, esta situação foi ultrapassada com a entrada em funções do atual Governo. Não obstante, apesar disso e agora com a pandemia COVID- 19, a Câmara tem vindo a dar apoio a empresários, portugueses e de outras origens, interessados em investir em STP ou em estabelecer relações económicas com empresas são-tomenses, nomeadamente através do estabelecimento de contactos empresariais e de assessoria jurídica e fiscal. Também tem estado presente em eventos empresariais e tem colaborado com instituições, como o AICEP e a União Europeia, no desenho de ações e políticas impactantes na atividade económica e comercial dos empresários portugueses em STP (e no espaço CPLP) e contribuindo para o desenho da nova estratégia UE-África e das prioridades estratégias da UE e dos Estados Membros para STP.

Considera que esta associação é um reforço fulcral para os empresários portugueses e são-tomenses? Quais são as eventuais oportunidades de negócio para ambos?
As câmaras de comércio permitem a aproximação dos empresários, o que contribui para o reforço das relações económicas e comerciais entre os países, contribuindo de modo positivo para a eficiência empresarial, o aumento do bem-estar das famílias e dos indivíduos.
Existe um conjunto de oportunidades de negócio na área das infraestruturas, construção civil, agricultura, indústria e turismo. Esperemos que a pandemia não prejudique muito esta realidade.

As opiniões distinguem-se, porém ainda há relatos de mulheres cujo percurso profissional foi alvo de preconceito por ocuparem cargos de liderança. Sente que o facto de ser mulher lhe criou mais obstáculos?
De toda a experiência profissional que tenho até ao presente, e tendo sempre trabalhado maioritariamente com homens, posso dizer que nunca fui alvo nem senti qualquer tipo de preconceito pelo facto de ser mulher.

Acredita que as características para ser líder de um projeto são inatas ou são traços que se desenvolvem em determinados desafios? Quais são a características que destaca como fundamentais?
Acredito que são sobretudo inatas. O investimento pessoal em formação em liderança pode ser importante, mas é preciso ter-se um determinado perfil e características marcantes, como ter visão, paixão, pensamento estratégico, motivação, disciplina, saber ouvir, ter a habilidade de gerir e unir pessoas, ser criativo, confiante, inspirador, empático, coerente, justo, responsável e íntegro.

Que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres que lutam pelo seu direito à igualdade, para começar uma carreira empreendedora?
Que não desistam, que acreditem em si próprias, que sejam resilientes, que saibam contornar obstáculos quando tem de ser e nunca abdiquem de ser íntegras.