“Lamentar e ficar parado não conduz ao sucesso”

Num ano em que assistimos a uma verdadeira transformação em todos os setores, a comunicação ganhou maior relevo e destaque no seio de diversas empresas. Terá sido 2020 o ano que mudou o futuro da comunicação organizacional? Nuno Rodrigues Seleiro, Marketing Manager da Asserbiz – empresa de tecnologia para eventos, respondeu-nos a esta e a outras questões. Fique a conhecer ainda de que forma a sua marca fez – e continua a fazer – a diferença em tempos tão complexos.

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“Reinventar” tem sido a palavra de eleição ao longo dos últimos meses. Foi exatamente isso que a Asserbiz decidiu praticar desde o passado mês de maio, em plena pandemia. Sendo uma empresa de tecnologia para eventos, entra também na produção de eventos digitais para empresas e instituições, contornando a inexistência de eventos presenciais. Para melhor entender, qual tem vindo a ser a dinâmica desta solução que encontraram?
Dias antes da declaração de pandemia pela OMS, os eventos presenciais agendados para os meses seguintes foram cancelados. Todas as empresas setor dos eventos corporativos e congressos pararam.
A nossa primeira reinvenção foi partilhar o que íamos aprendendo sobre a organização de eventos digitais para que o mercado começasse a conhecer várias alternativas, promovendo sessões como esta.
Deixamos de ver os nossos clientes, e os tradicionais estavam eles próprios a aprender. Assim absorvemos muitos clientes novos que estavam à procura de manter os seus canais de comunicação através dos eventos.
A segunda reinvenção foi migrar de um papel de fornecedor de tecnologia para um organizador digital de eventos, obviamente com um papel mais simplificado do que um evento tradicional. Obrigou-nos a aprender com cada evento para melhorar o seguinte porque não tínhamos bases de comparação ou exemplos para seguir.

A variedade de opções que a Asserbiz disponibiliza é ampla, assim como as ideias para projetos de sucesso. Assim, que serviços de marketing para eventos oferecem a quem os procura?
Os nossos serviços posicionam-se num segmento que procura uma organização simples, fluída, que quer ter uma equipa técnica mas que tem valências de comunicação, com um investimento controlado e com um grau de customização baixo-médio. Desde a configuração, teste e suporte ao evento, aos sites de inscrição, aos formulários de satisfação, estamos nas várias fases do evento. Existem excelentes soluções no mercado para eventos de grande investimento (dezenas ou centenas de milhares de euros) com recurso a estúdios e plataformas próprias, mas não é o nosso segmento.

Num mundo cada vez mais competitivo é necessário que existam determinados aspetos diferenciadores que tornem as empresas únicas nas suas soluções. No caso da Asserbiz, que qualidades distintas promovem o seu sucesso?
Primeiro, desde 2016 que a Asserbiz trabalha em ambiente remoto. Temos recursos humanos em Matosinhos e em Castelo Branco, e pontualmente em Lisboa. Sempre colaboramos desta forma, com tarefas, projetos, e mesmo com os clientes. A confiança que nos atribuem muitas vezes não tem uma presença física. Por isso para nós, não há pré-covid e pós-covid nas formas de trabalho. Quem souber trabalhar, definir objetivos e processos podendo ter os colaboradores em qualquer parte do mundo, terá mais facilidade daqui para a frente.
O segundo ponto é não ter receio de ter que começar tudo do zero. Nós aprendemos novas soluções, nem sequer gostávamos de aparecer em vídeo e hoje é o nosso ganha-pão. Lamentar e ficar parado não conduz ao sucesso. Quem tiver humildade e estruturas flexíveis vai ultrapassar esta e outras crises.

Acredita que, apesar de complexo, este período de pandemia foi importante para o futuro da comunicação organizacional, dos estudos de mercado e da análise de dados? Além do óbvio, o que potenciou esta mudança, na sua opinião?
As grandes alterações organizacionais e de tecnologia dão-se em momentos disruptivos. Uma guerra, uma pandemia são situações onde tudo se move de forma muito mais rápida. A comunicação será mais focada, mais digital, mais cooperativa. Os colaboradores e consumidores ao se digitalizarem tornaram-se mais exigentes com os seus fornecedores, e ao passarem mais tempo online passaram também a expor mais os seus perfis de consumo. Dificilmente voltará ao que era.

Seja em eventos, aplicações, marketing e outros desafios que englobam os produtos da Asserbiz, todas estas mudanças anteriormente abordadas serão para ficar no futuro da empresa? Que mais-valias trarão?
Os nossos primeiros serviços foram sustentados nas SMS. Depois chegaram serviços que implicavam iPads. Seguiram-se serviços que foram baseados em aplicações em Cloud. Nós nascemos e crescemos com novos serviços a cada ano, que anteriormente nem sequer existiam. Há 12 anos não podíamos fazer nada do que fazemos hoje. Por isso a única constante que temos é a mudança.

Por fim – e para este ano que acaba de começar – que outros projetos têm em mente para que a reinvenção diária continue a ser parte integrante da essência da Asserbiz?
Gostaríamos de continuar a contribuir seja a nível organizacional mas mesmo da economia social, para que a tecnologia seja acessível a todos. Há um ponto que raramente se fala. Hoje em dia, alguém que tenha uma mensagem para transmitir, um bom conteúdo, não precisa de muito para o fazer. Quem há uns tempos poderia ter 300, 400 pessoas a assistir ao que tem para partilhar?
As pessoas não estão fartas do digital. As pessoas estão fartas do mau digital. O que é bom no digital veio para ficar e pode mesmo criar novos produtores de conteúdo, novas empresas, negócios e ajudar mesmo os sistemas de ensino.