“ESTOU 100 POR CENTO CONVENCIDO DE QUE O BIM É O FUTURO DA CONSTRUÇÃO”

Com mais de 63 anos no mercado nacional, a estratégia da Leica Geosystems assenta “no estabelecimento de relações de longo prazo com os clientes”, tal como garante José Martins, Country Manager da marca, em Portugal. Com um forte conhecimento no mercado da construção, o nosso entrevistado afirma ainda que, "o BIM será o futuro de um setor cada vez mais digital" – e que a Leica Geosystems irá ajudar nessa transição.

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A Leica Geosystems é um fornecedor líder de soluções de medição cujo mote principal é a qualidade dos produtos e soluções inovadoras. Este é o resultado de 200 anos de tradição e de constantes inovações baseadas em investigação intensiva. De que forma estas soluções marcam a diferença no mercado mundial e em particular no português?
O percurso da nossa empresa é de facto único e sem paralelo na indústria. O início da nossa história tem mais de 200 anos e remonta a 1819, ano de fundação da empresa “Kern” em Aarau (Suíça). Este ano estamos a celebrar o 1º centenário da empresa “WILD”, fundada em Heerbrugg (Suíça) em Abril de 1921. Com a WILD acelera-se o passo do desenvolvimento tecnológico e apenas dois anos mais tarde, esta jovem empresa revolucionou para sempre a indústria da topografia com a invenção do 1º teodolito com 1” de precisão angular, o que acabaria por tornar possível a realização de obras com novos padrões de precisão e segurança. O teodolito T2 foi de tal forma revolucionário que se manteve como equipamento topográfico standard até à década de 80 do século passado. A partir desse momento, a electrónica tomou conta desta indústria e com a massificação da microeletrónica na década de 90, tudo se tornou mais rápido. A Leica Geosystems acabou por se tornar parte de Grupo sueco HEXAGON, no seio do qual mantém intactos os seus valores originais – precisão, qualidade, fiabilidade e sempre com o foco centrado no elemento mais importante, o Cliente.
Em Portugal, a Leica Geosystems foi fundada em 1957 e é uma das filiais mais antigas da Leica Geosystems, AG. Com mais de 63 anos no mercado nacional, a nossa estratégia assenta no estabelecimento de relações de longo prazo com os clientes. Por outro lado, os nossos parceiros de distribuição no mercado nacional constituem outro elo vital da nossa cadeia de valor, já que proporcionam aos nossos clientes uma relação de proximidade, essencial a todas as relações que se pretendam duradouras.

A coragem de ser inovador, a confiança na investigação e desenvolvimento e a experiência dos colaboradores dedicados, tem ajudado a criar valores nos mercados onde a marca atua. Neste setor, porque é que a inovação e a constante evolução tecnológica são fatores imprescindíveis? Que pesquisas e trabalhos estão a ser desenvolvidos atualmente?
A inovação é um factor cada vez mais crítico em todas as indústrias e a nossa não é diferente. Naturalmente que não posso revelar os campos de investigação nos quais estamos focados de momento, mas basta olhar para o ano de 2020 para se perceber que queremos continuar a ser líderes desde mercado nos próximos anos. Apesar da pandemia que nos afectou a todos, em 2020 lançámos muitas novidade no mercado, como por exemplo: o scanner laser portátil BLK2GO que, com menos de 1kg de peso, permite a captura 3D de todos os espaços por onde o operador se desloque; ou o receptor GNSS GS18I que pela primeira vez tornou possível a captura de imagem com um receptor GNSS e medir sobre essas imagens com precisão topográfica. Assim, posso apenas dizer que em matéria de desenvolvimento de novas soluções, estou muito confiante com aquilo que iremos trazer ao mercado já em 2021!

As tecnologias para Captura 3D da Realidade da Leica Geosystems representam precisão, confiança e qualidade – aspetos relevantes para a empresa em todo o mundo. Para melhor entender, no que consistem exatamente estas tecnologias?
O conceito de captura 3D da realidade traduz-se na capacidade de captar a forma e cor de tudo aquilo que nos rodeia. Para realizar esta captura recorre-se cada vez mais à tecnologia laser scanning, complementada por novas tecnologias, nomeadamente a VIS (visual inertial systems) que permitem dotar os equipamentos de uma percepção espacial. As grandes vantagens que o laser scanning aporta são a rapidez na recolha da informação em campo, aliada é massiva quantidade de informação recolhida. Desta forma é possível poupar tempo na recolha de dados e evitar a necessidade de voltar ao local para a recolha de informação em falta, já que, com a captura 3D da realidade, leva-se para o gabinete a realidade integral de todo o objecto de estudo, sejam edifícios, viadutos, pontes ou terrenos onde se pretende implantar uma nova fábrica.

Sempre a par das mais recentes tecnologias, como olha para o Building Information Modeling (BIM) e porque é que esta inovação se tem tornado crucial no setor da construção? A que desafios vem responder?
Por definição, o BIM tem como objectivo primordial a colaboração entre todas as partes envolvidas num projecto, o que se traduz imediatamente numa redução nos erros cometidos que provocam atrasos e custos imprevistos. O BIM recorre a modelos 3D dos projetos o que significa que, antes de se iniciar a fase de construção, podemos ter uma obra “gémea digital”. A modelação 3D presente no BIM trouxe melhorias tremendas à fase de projecto e de construção, já que oferece a liberdade de experimentar digitalmente ideias antes de arriscar uma construção física.
Para além disso, o BIM não se esgota na fase de projecto e de construção, já que qualquer obra após a sua conclusão, entra na fase mais longa do seu ciclo de vida – a gestão do activo, que se estenderá por várias décadas. Ao longo desta fase o BIM continuará a agregar valor a todos aqueles que continuam a interagir com ele. Durante a gestão do activo as nuvens de pontos 3D recolhidas com tecnologia laser scanning, de que a Leica Geosystems é líder de mercado, fornecem informações valiosas para os donos dos activos e para as empresas responsáveis pelas obras de renovação, já que lhes permite preparar os seus novos projectos sobre as nuvens de pontos que reproduzem de forma fiel a realidade de cada activo.

Quais serão as novas tendências para o futuro da indústria da construção?
Eu estou 100 por cento convencido de que o BIM é o futuro da construção. A terminologia e a nomenclatura adoptadas poderão mudar, bem como as respectivas especificações, que irão certamente continuar a evoluir. No entanto, a mudança da realidade que vigorou até agora, baseada em fontes dispersas de informação para uma única fonte de informação centralizada, que seja partilhada por todas as partes envolvidas, aporta tantos benefícios que pessoalmente considero esta transição como inevitável. A Leica Geosystems estará aqui para continuar a ajudar seus clientes no seu percurso de transição para uma construção cada vez mais digital.