“A Átomo continuará a assumir o Compromisso de inovar e [Re] Pensar Energia”

Para Miguel Subtil, Managing Director, na Átomo Capital Partners, hoje um projeto sustentável é um bom investimento e as energias renováveis terão de fazer parte de qualquer projeto imobiliário, construção nova ou remodelação.

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Hoje reconhecida como um player de excelência, a Átomo Capital Partners tem vindo a promover uma dinâmica de excelência na mudança de paradigma energético. Neste sentido, de que forma é que a marca tem vindo a contribuir para esta dinâmica da Sustentabilidade e da Eficiência Energética?

Vivemos um contexto de grandes alterações no setor de energia. O paradigma está realmente a mudar e com ele surgem enormes desafios, dificuldades, mas também inúmeras oportunidades. Na ÁTOMO assumimos o desafio de “[Re] Pensar Energia”. Posicionamo-nos como agregadores de conhecimento e capacidade técnica, congregando ‘know-how’ e serviços, desenhando soluções e materializando-as em projetos concretos.

Hoje, os ambiciosos objetivos de descarbonização, eletrificação da economia, incorporação de energias renováveis ​​e, por outro lado, tecnologias em estágios de maturidade muito diferentes, que não podem ser aplicadas da mesma forma em todos os lugares, fazem deste momento uma época particularmente interessante.

É neste contexto que desenvolvemos a nossa atividade que podemos agrupar em quatro grandes eixos de atuação: i) Project Development, onde as nossas competencias de desenvolvimento de projeto e consultoria são colocadas à disposição de promotores e investidores nomeadamente em projetos de grandes centrais solares ou produção de hidrogénio; ii) Produção descentralizada de energia renovável e projetos de eficiência energética; iii) Mobilidade electrica e iv) Investigação e Desenvolvimento relacionada com os novos desafios de gestão de redes, smart cities, IoT e blockchain.

No domínio do setor Imobiliário, que relação existe entre o mesmo e as vertentes da Energia, da Sustentabilidade e da Descarbonização, sabendo que, por exemplo, os edifícios são responsáveis por 40% do consumo de energia e 36% das emissões de CO2 na União Europeia?

O edificado é parte significativa do problema e, portanto, terá de se assumir como protagonista da solução. Há muito que se pode e deve fazer, quer do lado da produção de energia, quer em medidas de redução dos consumos. Na Átomo estamos inseridos no segmento da produção descentralizada, com foco no autoconsumo e em todas as oportunidades desencadeadas pelo novo enquadramento legal, onde o autoconsumo coletivo terá um papel importante, mas, novamente, onde é necessário pensar ou [Re] Pensar Energia, aplicando novos modelos técnicos e financeiros, superando dificuldades contratuais e jurídicas, adaptando e personalizando a solução ao contexto específico de cada projeto e às especificidades locais. Neste contexto assumimos um modelo de negócio diferente, onde a nossa atuação vai para além da consultoria e projeto, assumindo também a responsabilidade pelo fornecimento e montagem dos equipamentos, operação e manutenção e, em alguns casos, investindo nas centrais e obtendo a nossa remuneração com base na energia produzida e/ou poupança nos consumos dos nossos clientes.

Sente que em Portugal ainda não fazemos uma relação direta entre as Energias Renováveis e o setor Imobiliário? De que forma é que esta realidade tem impedido que existam respostas adequadas aos desafios e, assim, transformar os mesmos em oportunidades?

Está a começar a mudar, mas sim, estas questões eram encaradas apenas como um custo. Deverão ser cada vez mais encaradas como um investimento, que tem retorno e capacidade de valorização dos imóveis.

Mas a situação está a mudar e é impulsionada, a meu ver, por ‘drivers’ como a exigência dos investidores e financiadores dos projetos, que hoje assumem compromissos ESG e que vão querer participar apenas em projetos sustentáveis, as certificações internacionais que garantem as caracteristicas sustentáveis desses projetos, a evolução tecnológia que potencia soluções adequadas e, claro, o retorno financeiro. Hoje um projeto sustentável é um bom investimento! E sim, as energias renováveis terão de fazer parte de qualquer projeto imobiliário, construção nova ou remodelação.

A proposta de primeira Lei Europeia do Clima apresentada pela Comissão tem por objetivo consagrar na lei o objetivo de neutralidade climática até 2050 para a economia e sociedade europeias, estabelecido no Pacto Ecológico Europeu. Qual a importância desta Lei para as políticas vigentes e para a meta da UE de redução das emissões de gases com efeito de estufa?

Dá enquadramento e suporte a um conjunto de metas e objectivos de crescimento associados nomeadamente ao European Green Deal. A Europa quer assumir-se na vanguarda do combate ao problema climático e terá toda a vantagem em fazê-lo. Agora o mais importante será a concretização.

Quais são, na sua opinião, os principais desafios que a concretização dos objetivos previstos para a Lei Europeia do Clima enfrenta?

Desde logo o tempo. A capacidade de resposta das instituições europeias e dos estados-membros não é grande e estamos perante uma situação que exige respostas firmes e rápidas. Quando temos objectivos tão ambiciosos já para 2030 e 2050 é preciso agir já.

É cada vez mais essencial, tanto para cidadãos como para empresas, procurar acompanhar e antecipar a evolução das negociações da Lei do Clima Europeia, assim como as suas implicações para a descarbonização nos diferentes Estados e mercados onde operam. Neste sentido, acredita que Portugal está hoje no caminho ideal e mais próximo da meta? Como nos pode descrever esta evolução?

Eu não diria que está no caminho ideal, mas está mais alinhado com estes objectivos, sem dúvida. Mas há muito caminho a percorrer, sobretudo no que à estabilidade das políticas e transparência das decisões. É preciso envolver todos os agentes económicos nestas mudanças e o alinhamento de todos consegue-se com a implementação de medidas, nomeadamente fiscais, estáveis e duradouras.

O que podemos continuar a esperar por parte da Átomo Capital Partners, no domínio da sustentabilidade e das energias renováveis para o futuro?

A ÁTOMO estabeleceu-se como uma estrutura de agregação de conhecimento, uma plataforma para a operacionalização, transferência e implementação deste know-how em projetos viáveis, reais e concretizáveis.

Com este pressuposto temos vindo a desenvolver mais de 500 MW de projetos solares, com responsabilidades globais desde a identificação das áreas de implementação, adaptação às características do território, concepção e desenvolvimento de todos os projetos, estudos de viabilidade, estudos ambientais e todas as atividades de licenciamento.

Mas há mais do que solar, há muito mais que pode ser feito. Há projetos de reforço de potência e / ou hibridização com energia eólica ‘onshore’, mas também um enorme potencial eólico ‘offshore’, há necessidade de sistemas flexíveis, incorporação de redes inteligentes e possibilidade de “armazenamento”, há geotérmica e biomassa, mobilidade renovável e, claro, gás renovável, como o hidrogénio, para os setores da economia em que a eletrificação não é uma opção. A Átomo continuará, portanto, a assumir o compromisso de inovar e [Re] Pensar Energia.