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Produtores florestais algarvios esperam há meses por plano de prevenção

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Segundo escreve hoje o jornal Público, o projeto para a Zona de Intervenção Florestal da Perna da Negra, onde na sexta-feira começou o incêndio que hoje de manhã ainda lavra em Monchique prevê a criação de pontos de água, aceiros e caminhos de acesso para combate ao fogo na serra.

A falta destas acessibilidades foi um dos problemas enfrentados pelos bombeiros na luta contra os mais recentes incêndios na região.

“Há mais de um ano que todos sabem que Monchique estava no topo da lista das zonas com maior risco de incêndios florestais. Há mais de um ano que todos sabem que a serra de Monchique era a próxima a arder” disse ao Público Emílio Vidigal, presidente da Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio (Aspaflobal).

O responsável lembra ainda que há cerca de sete meses os produtores enviaram para o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) um plano estruturante para a Zona de Intervenção Florestal de Perna da Negra [gerida pela Aspaflobal] e nada foi feito.

“Está tudo embrulhado na burocracia, só nos fazem perguntas de lana caprina e nada avança”, afirmou o presidente da associação que representa cerca de 500 produtores florestais do Barlavento algarvio.

“Cada vez que ouvia alguém dizer que um dos problemas nestes incêndios era a impossibilidade de acesso a viaturas à zona que ardia na serra, ficava fora de mim. Toda a gente sabe que esse era um dos problemas que era preciso resolver”, acrescentou.

Emílio Vidigal diz não encontrar explicações para o atraso do ICNF para o projeto da ZIF da Perna da Negra: “O ICNF conhece-nos, sabe que há muitos anos fazemos um trabalho sénior de prevenção e combate a incêndios, mas nada faz. Só nos fazem perguntas sobre dados que já têm e que nós vamos repetindo nas respostas”, critica.

O responsável insiste: “Dois dias antes destes incêndios enviaram-nos um conjunto de 30 perguntas, como, por exemplo, sobre os estatutos da associação ou pediam garantias que não temos dívidas à Segurança Social. O comprovativo de que não temos dívidas caduca de três em três meses, mas como o processo não avança no ICNF, de três em três meses este pede novo comprovativo”.

“É um processo burocrático estúpido e sem fim. Parece que fazem de propósito para não avançarem”, sublinha.

O responsável diz-se revoltado com toda a situação e garante que já deu conta “a toda a gente” da necessidade de este projeto avançar: “Até já falei com o secretário de Estado [da Administração Interna], que se manifestou indignado com a não aprovação do projeto, mas a verdade é que está tudo parado no ICNF”.

O incêndio de Monchique, distrito de Faro, deflagrou na passada sexta-feira, já provocou pelo menos 29 feridos e obrigou à evacuação de diversos aglomerados populacionais e uma unidade hoteleira.

LUSA

Portugal é o país europeu mais afetado por incêndios

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“Portugal é o país europeu mais afetado por incêndios. Nos últimos 30 anos, é o país com maior taxa de ocorrências por área e onde os incêndios foram de maior dimensão”, apontou hoje a associação presente em vários países, como Portugal e Espanha.

No relatório ‘O barril de pólvora do noroeste’, apresentado em Lisboa e em Madrid, a WWF refere que os especialistas apontam, “além dos problemas estruturais detetados para todo o noroeste e dos escassos investimentos em prevenção, importantes deficiências na estratégia de extinção”.

Ao contrário de Espanha e de outros países mediterrâneos, salienta, “Portugal não possui uma estrutura profissional e especializada dedicada à prevenção e extinção de incêndios”.

Mas, também “não têm existido programas de prevenção de comportamentos de risco que incluam formação ou procura de alternativas para o uso generalizado do fogo, apesar de a maioria dos incêndios se dever a negligência”, acrescenta a organização de conservação da natureza.

Em média, em Portugal, há mais 35% de ocorrências do que em Espanha e arde mais 20% de superfície, apesar da área agroflorestal ser 80% menor, segundo os dados citados pela WWF.

“De facto, Portugal é o primeiro país da Europa e o quarto do mundo com a maior massa florestal perdida, até ao momento, no século XXI, devido, em grande parte, aos incêndios florestais que assolam o país todos os verões. Em média, por ano, registam-se cerca de 17 mil ocorrências e ardem cerca de 120 mil hectares”, resume.

Os ambientalistas explicam que, o comportamento do fogo mudou, isto é, a maneira como a vegetação arde e como o fogo se propaga, e as alterações climáticas alteraram a distribuição dos incêndios ao longo do ano, com a estação de alto risco de incêndios a não se cingir apenas a julho e agosto, “estendendo-se de maio a novembro”.

O noroeste ibérico, ou seja, o centro e norte de Portugal, Galiza e Astúrias em Espanha, “é de longe a área da Península mais fustigada pelos incêndios florestais”, concretiza a WWF.

Em Portugal, em 2017, dos 16.981 pedidos de auxílio registados até 31 de outubro, 94% ocorreram a norte do Tejo.

“Recorrentemente, distritos como o Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu, bem como a Galiza, Astúrias, Cantábria e Leão ardem em ondas devastadoras, que partem de uma combinação letal de fatores: uma vegetação exuberante, um clima cada vez mais seco e quente durante o verão, o forte abandono rural e da floresta e um uso generalizado do fogo como ferramenta – 56% dos incêndios portugueses têm origem em comportamentos negligentes”, resume a organização.

LUSA

Portugal vai ter meios aéreos de combate aos fogos todo o ano

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“Estão contratados 50 meios aéreos, o que tínhamos [Governo] definido como o dispositivo de meios aéreos. É um processo normal, que permite disponibilizar estes que foram objeto da decisão do Tribunal de Contas, parte dos quais integram algo que acontecerá pela primeira vez em Portugal, disse o ministro Eduardo Cabrita, em Portimão.

Segundo Eduardo Cabrita, parte das 50 aeronaves contratadas “é algo inédito, porque permite ter uma resposta, quer em helicópteros, quer em aviões, ao longo de todo o ano, ou seja, de janeiro a dezembro”.

O ministro falava aos jornalistas à margem da apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para o Algarve que decorreu em Portimão, no distrito de Faro.

Segundo Eduardo Cabrita, a contratação dos meios aéreos “é apenas uma parte visível do esforço de todos, porque o dispositivo ultrapassará este ano, e pela primeira vez, na sua fase máxima, mais de 10 mil elementos”.

“São cerca de mil elementos a mais do que no ano passado”, frisou o governante, recordando que o contingente do GIPS “foi reforçado, estendendo a sua ação a todo o território do continente e da região autónoma da Madeira”.

Segundo Eduardo Cabrita, existem mais de 250 equipas profissionais a nível nacional que cobrem todos os concelhos onde foram identificadas freguesias de risco, assegurando que o Governo “irá mais além até ao final do ano, num projeto em articulação com a Liga dos Bombeiros Portugueses”.

“Teremos até ao final do ano, mais de 1.500 bombeiros com estatuto profissional apoiados pela Autoridade Nacional de Proteção Civil”, indicou.

De acordo com Eduardo Cabrita, neste momento e depois da fase de prevenção com a limpeza do mato, a mobilização está centrada na autoproteção.

“Neste momento, há centenas de freguesias que assumiram já o seu trabalho. Temos aqui um grande esforço em que é necessário estar sempre atento. De certeza que vamos ter incêndios florestais, mas é necessário estar preocupado e preparado e penso que os portugueses estão todos mobilizados para este esforço”, concluiu.

O ministro da Administração Interna participou hoje na apresentação do DECIR para o Algarve que decorreu no pavilhão Arena de Portimão, onde decorre a Algarsafe, a Feira Internacional de Proteção Civil e Socorro.

É a maior feira do género na região, com cerca de uma centena de expositores públicos e privados, na área da proteção civil e segurança.

LUSA

Cinquenta meios aéreos contratados para combate a incêndios

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Os 50 meios aéreos que tínhamos a contratar estão contratados na sua plenitude, estão já em funcionamento aqueles que se revelam necessários e muitos daqueles que, eventualmente, possam ser absolutamente necessários em caso de emergência também estão à disposição”, disse Artur Tavares Neves, sem precisar.

O governante, que falava aos jornalistas em Ponte de Sor (Portalegre), à margem da sessão de abertura da segunda edição do “Portugal Air Summit”, sublinhou que o dispositivo “está já preparado”, tendo sido alvo de “um grande simulacro” que funcionou “a todos os níveis”.

Durante esse exercício, em Cinfães, no distrito de Viseu, durante o exercício Montemuro 18, no sábado, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, tinha garantido que, esta semana, seriam contratados oito meios aéreos, totalizando os 50 que ficarão à disposição.

“O dispositivo está já preparado, foi objeto de um grande simulacro, que funcionou a todos os níveis do sistema de gestão de operações devidamente testado e, portanto, os portugueses podem estar tranquilos”, reforçou hoje Artur Tavares Neves.

Artur Tavares Neves recordou que, este ano, as forças de combate aos incêndios têm uma disposição “flexível”, podendo atuar de uma “forma firme” durante todo o ano.

“Este ano, ao contrário dos outros anos, as forças de combate aos incêndios têm uma disposição flexível, podem atuar todo o ano, aliás, há uma força firme a atuar todo ano. A ideia das fases desapareceu porque os fenómenos severos que temos tido obrigam mesmo a uma outra lógica no combate aos incêndios”, afirmou.

O dispositivo especial de combate a incêndios rurais (DECIR) estabelece para o período mais crítico em fogos, entre julho e setembro, um total de 55 aeronaves, sendo 50 alugadas (uma das quais para a Madeira) e seis da frota do Estado, mas apenas três helicópteros ligeiros estão a voar, faltando os três Kamov que estão inoperacionais.

Para substituir estes Kamov, o ministro da Administração Interna já referiu q1e está a decorrer um processo de consulta para a contratação de três meios pesados sem fabricante pré-definido.

Atualmente a Autoridade Nacional de Proteção Civil tem ao seu dispor 13 meios aéreos, três dos quais da frota do Estado.

LUSA

Quatro alunos do secundário criam dispositivo de alerta para incêndios

Depois dos grandes incêndios a que assistiram em 2017, Francisco Relvão, Rafael Amaral, João Carvalho e André Oliveira decidiram usar como tema de projeto para este ano letivo a temática dos fogos e a forma como a tecnologia poderia ajudar a combater este flagelo.

“Sentíamos que a tecnologia podia ajudar”, contou à agência Lusa Francisco Relvão, de 18 anos.

As primeiras ideias eram complexas e de difícil execução, como a criação de satélites “com câmaras de infravermelhos” ou a instalação de câmaras com sensores em postes para detetar o início das chamas, explicou.

A ideia final, desenvolvida nas aulas de Física e em casa pelos quatro alunos de Ciências e Tecnologia, passou a ser mais modesta, mas aplicável no terreno: um dispositivo que acionasse um alerta aquando da passagem das chamas pelo local.

Surgiu então o Mochu, uma pirâmide triangular camuflada, com 15 centímetros de altura, com um pequeno painel solar na hipotenusa do triângulo e que, por dentro, tem um arduino (um micro computador básico), sensores e tecnologia GSM, explicou Francisco Relvão.

A ideia é espalhar o dispositivo “pelas florestas de Portugal, onde é difícil o acesso”, sendo colocado no chão, próximo de uma árvore, direcionado para sul para otimizar a energia solar.

“Basicamente, tem um programa que está a verificar um cabo e, no caso de o incêndio passar estraga o cabo e inicia o processo de comunicação às autoridades”, referiu Francisco Relvão, sublinhando que a ideia é enviar uma mensagem com as coordenadas do dispositivo para a proteção civil ou bombeiros locais.

Neste momento, ainda tem duas possibilidades de atuação – “num dos códigos, o dispositivo verifica de 20 em 20 segundos se o cabo está lá, noutro, o sistema é acionado assim que o cabo fica danificado”.

“Tanto posso pedir ao carteiro para me tocar à campainha quando trouxer uma carta ou posso ver se a carta está na caixa do correio”, simplificou o estudante.

A armadura do Mochu é feita de lã de rocha – um bom isolador térmico – o que deverá permitir o funcionamento do dispositivo em contexto de fogo, sublinhou.

“Nós já fizemos testes e correu às mil maravilhas”, realçou, considerando que, numa situação de aplicação no terreno, poderiam ser colocados vários em diferentes pontos e ser criada uma intra-rede entre os dispositivos para passarem informação entre eles até conseguirem enviar às autoridades.

O trabalho foi feito todo pelos alunos, que no início foram até à Universidade de Aveiro para esclarecer “algumas dúvidas”.

“O objetivo é comercializar o produto”, frisa Francisco Relvão, referindo que a equipa está também a concorrer com o Mochu em vários concursos destinados a ideias produzidas em âmbito escolar.

LUSA

Mais 24 milhões de euros para combate aos incêndios

Segundo a proposta de lei de Orçamento do Estado para 2018 (OE2018), prevê-se ainda aumentar em quase 10 milhões de euros os projetos previstos no programa orçamental de ‘Agricultura, Florestas, Desenvolvimento Rural e Mar’.

A proposta de OE2018 foi entregue à Assembleia da República na passada sexta-feira, dias antes das centenas de incêndios que deflagraram no domingo, sobretudo nas regiões Norte e Centro do país. Este foi considerado o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, e que provocaram, segundo o balanço mais recente, 43 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Além de provocarem a morte a mais de 100 pessoas, os incêndios deste ano consumiram mais de 550 mil hectares, destruindo habitações, empresas, fábricas e infraestruturas.

Estas situações levaram à intervenção do Presidente da República: numa declaração ao país, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que a margem orçamental para 2018 deveria ser usada para dar prioridade à floresta e à prevenção dos fogos, considerando que essa é a “última oportunidade” para se agir nesta matéria.

No dia seguinte, no parlamento, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que “não será seguramente o empenho na consolidação orçamental que frustrará o que é prioritário, que é a segurança e a proteção da floresta”, deixando a porta aberta a propostas de alteração que possam ser apresentadas pelos grupos parlamentares durante a discussão na especialidade da proposta de OE2018.

De Bruxelas, o Governo já obteve luz verde. O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, defendeu que as despesas públicas resultantes dos incêndios em Portugal sejam consideradas como “circunstâncias excecionais”, sem consequências na avaliação orçamental a fazer pelas regras europeias.

Sobre a inclusão de quaisquer medidas, o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse, na apresentação da proposta orçamental, que elas terão de seguir os princípios de rigor orçamental.

Primeiro-ministro culpa PT pelo colapso do SIRESP

“O colapso do SIRESP resultou do colapso da rede da PT”, declarou ao jornal o primeiro-ministro.

Segundo o Expresso, o Governo responsabiliza a PT “pelas falhas de comunicação na tragédia de Pedrógão Grande e quer forçar a empresa a melhorar a sua rede em áreas potenciais de incêndio, substituindo cabos aéreos (como os que arderam em Pedrógão) por cabos subterrâneos nas estradas que já disponham de calhas técnicas para o efeito — mas que estão vazias”.

“É inadmissível que as redes de comunicações junto as estradas nacionais que já têm calhas técnicas não estejam enterradas e continuem com os cabos aéreos”, disse Costa.

De acordo o jornal, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, está a pressionar a empresa que gere o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, está a negociar com a PT e António Costa já teria falado sobre esta questão com o ‘patrão’ da Altice, Patrick Drahi, que controla a PT.

O primeiro-ministro, segundo o jornal, não comentou as informações sobre as pressões à empresa de telecomunicações.

António Costa remeteu as suas declarações para as conclusões do relatório preliminar do Instituto de Telecomunicações, divulgado esta semana.

“O que falhou foi que grande parte daquela rede (de emergência, do SIRESP) assenta na rede fixa da PT; a rede fixa da PT assenta em cabos aéreos que, obviamente, numa zona florestal que está a arder, ardem. E, portanto, colapsam as comunicações”, disse Costa.

O primeiro-ministro afastou, contudo, intervenções drásticas, como nacionalizar o SIRESP ou “rasgar” o contrato.

“A nacionalização ou qualquer uma dessas medidas não resolveria o problema”, declarou Costa, tendo sido o próprio a assinar o contrato com o SIRESP quando era ministro da Administração Interna, em 2005.

O primeiro-ministro referiu que outras medidas estão a ser tomadas para a resolução do problema.

A ministra da Administração Interna, segundo Costa, “está precisamente neste momento a trabalhar com o SIRESP para que seja dotado das redundâncias necessárias para que este sistema não falhe, além de já ter assegurado o funcionamento pleno de quatro carrinhas que asseguram a ligação a satélite que permita restabelecer as ligações em caso de colapso da rede fixa da PT”.

De acordo com o Expresso, o Governo está a pressionar o próprio SIRESP a exigir melhores serviços da PT.

Ainda segundo o jornal, Pedro Marques está a liderar as conversas com a PT, “mas também a baixar os custos a suportar pela empresa para que os cabos possam ser enterrados nas calhas técnicas”.

“O custo é o principal obstáculo levantado pela PT, que terá de pagar não só pela passagem dos cabos aéreos para subterrâneos como terá de passar a suportar custos pela passagem dos cabos”, de acordo com o jornal.

O Expresso referiu ainda que o “Governo prepara-se para anunciar uma descida dos preços cobrados pelas Infraestruturas de Portugal (IP)” e, na próxima segunda-feira, “os preços cobrados pela IP para a oferta comercial de Canal Técnico Rodoviário terão uma descida de 50%”.

Este novo preçário teve a concordância dos dois reguladores do setor, a ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações e o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

A entrevista na íntegra com António Costa será divulgada pelo Expresso na próxima semana.

Quinze meios aéreos mobilizados para fogos em Vila Real, Santarém e Castelo Branco

De acordo com a adjunta nacional de operações, da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), cerca das 09:00 estavam por dominar três incêndios nos distritos de Vila Real, Santarém e Castelo, mas sem populações ou aldeias em risco.

Patrícia Gaspar adiantou também que devido às previsões de tempo quente para os próximos dias foi elevado de amarelo para laranja o alerta especial do sistema integrado de operações e proteção de socorro para incêndios florestais até sexta-feira à noite.

“Efetuámos uma série de pré-posicionamentos preventivos para conferir maior capacidade de resposta sobretudo na zona norte e centro do país

“Neste momento não há populações em risco em nenhum dos incêndios. No incêndio em Paredes, Vila Real, continuam 434 operacionais, 130 meios e já foram mobilizados quatro meios aéreos. Este incêndio já teve três frentes ativas, neste momento tem uma e está a começar a ceder aos meios”, disse Patrícia Gaspar.

Número de bombeiros em Portugal reduziu significativamente

“A verdade é que o número de bombeiros em Portugal entre 2011 e 2015 caiu 10%. E em 2016 subiu 2,54%”, afirmou hoje Mário Centeno, na última audição regimental na Comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública desta sessão legislativa.

O ministro das Finanças disse ainda que esta diminuição no número de bombeiros foi superior à média de diminuição de trabalhadores no geral do setor público no mesmo período.

“É uma opção política. A mesma coisa aconteceu na defesa: 15% de queda no número de efetivos na defesa durante o período de ajustamento foi uma queda superior à média do setor público. Portanto, é uma opção política”, acusou o governante.

“Não vale agora vir com lágrimas de crocodilo”, disse.

Os temas estão em cima da mesma depois do incêndio em Pedrógão Grande, que causou a morte a 64 pessoas e feriu mais de 200 pessoas, e depois do assalto a material de guerra em Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém.

Além disso, as cativações voltaram hoje ao debate parlamentar, depois de ter sido publicada a Conta Geral do Estado de 2016, que concluiu que a despesa que não foi descativada (ou seja, que não foi autorizada apesar de estar prevista) no ano passado ascendeu a 942,7 milhões de euros, sendo a fatia mais importante a relativa à aquisição de bens e serviços (553,5 milhões de euros), seguindo-se a reserva orçamental, uma verba prevista em todos os orçamentos do Estado para fazer face a imprevistos, (224 milhões de euros).

Nesse sentido, o ministro afirmou, além de não existirem cativações na saúde e na educação, que “ao contrário do que aconteceu em todo o programa de ajustamento orçamental, a lei de programação militar não teve cativações em 2016 e não tem cativações em 2017″.

Citando as contas gerais do Estado passadas, Mário Centeno disse que houve cativações na programação militar de 9,8 milhões de euros em 2012, 12,9 milhões de euros em 2013, 17,3 milhões de euros em 2014, 18,8 milhões de euros em 2015.

Por outro lado, o ministro assegurou que o orçamento da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) foi reforçado em 2016 em 4,8 milhões de euros com saldos de gerência.

Na resposta, o deputado do CDS-PP João Almeida, que no período de ajustamento teve a tutela da ANPC durante dois anos, acusou o ministro de faltar à verdade, pedido que o Governo apresente “prova documental” para a acusação de “opção política” para a redução de bombeiros.

“Entre os anos de 2007 e 2010 houve uma descida acentuada do número de trabalhadores e entre 2012 e 2015 registou-se um aumento significativo do número de efetivos”, afirmou o deputado centrista, citando o balanço social da ANPC de 2015.

De acordo com o documento, há uma “descida acentuada do número de trabalhadores” da Proteção Civil entre 2007 e 2010, “resultante de saídas por aposentação, por procedimento concursal, termo de situações de mobilidade interna e outras situações, tais como a cessação de 22 contratos de avença”.

Entre 2012 e 2015, segundo o documento, “registou-se um aumento significativo do número de efetivos, motivado pela integração, na ANPC, de 18 trabalhadores, resultante da extinção dos Governos Civis, do Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência e da extinta Empresa e Meios Aéreos — EMA, cujos contratos de cedência de interesse público de trabalhadores cessaram no decurso do ano de 2015″.

Meios aéreos sem condições para combater fogo no Soajo, Arcos de Valdevez

Os dois meios aéreos acionados esta quarta-feira para o combate ao incêndio que lavra desde terça-feira na aldeia do Soajo, Arcos de Valdevez, “foram desmobilizados por falta de condições para operar”, revelou à Lusa a Proteção Civil.

Em declarações à agência Lusa, o segundo comandante distrital do Comando de Operações de Socorro (CDOS) de Viana do Castelo, Robalo Simões, disse que os dois aviões “foram desmobilizados por falta de teto”.

“O muito fumo que se faz sentir, sobretudo junto à barragem do Alto Lindoso, onde os meios aéreos abastecem de água, impossibilitou que pudessem dar o seu contributo no combate às chamas, que se faz agora no terreno com os operacionais que estão posicionados”, afirmou Robalo Simões.

De acordo com aquele responsável, o incêndio, que deflagrou na terça-feira cerca das 09:08, “tem uma frente ativa e lavra numa zona sem qualquer tipo de acesso, em que o combate, no terreno, de faz com ferramentas manuais”.

Robalo Simões sublinhou que “não há casas em risco” e escusou-se a apontar uma previsão para dar o incêndio como dominado, apesar da melhoria das condições meteorológicas relativamente a terça-feira.

“A temperatura quebrou bastante, há mais humidade e o vento é moderado. O combate está a decorrer favoravelmente. Vamos ver como é que as coisas correm”, afirmou.

A Câmara de Arcos de Valdevez acionou na terça-feira à tarde o Plano Municipal de Emergência, na sequência dos fogos que lavram na zona do Soajo e obrigou à evacuação do lugar de Paradela, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG).

O incêndio provocou “queimaduras ligeiras” em dois habitantes de Paradela. Um terceiro habitante também teve de ser assistido, por inalação de fumos.

Os três foram conduzidos para o Hospital de Ponte de Lima.

Também “morreram vários animais” na sequência deste incêndio florestal.

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