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Paul Newman já dividiu o salário com Susan Sarandon

Susan Sarandon, Gene Hackman e Paul Newman interpretavam os papéis de protagonistas. O contrato dos atores era com base no termo “favoured nations” que estipula que todos os protagonistas do filme devem receber o mesmo que o ator com o salário mais alto. Mas isso não acontecia.

“Eles falaram no “favoured nations” mas isso só era posto em prática com os rapazes (Gene Hackman e Paul Newman)”, revelou a atriz.

Susan diz que quando Newman soube, decidiu dividir o seu salário para que ambos ganhassem o mesmo. “Ele chegou-se à frente e disse ‘Bem, eu dou-te uma parte do meu salário’. Ele era mesmo uma jóia de pessoa”.

Paul Newman morreu em setembro de 2008 vítima de cancro.

Na entrevista Sarandon falou ainda do assédio em Hollywood. “Eu acho que darmo-nos sexualmente, ou sermos atraídos para fazer sexo com alguém que está no poder também é uma escolha (…) O que não queremos é ser explorados e ter o Harvey Weinsteins a comandar a nossa cabeça e nos nossos projetos”

A atriz de 71 anos está em Londres para divulgar o seu mais recente projeto, o documentário “Bombshell: The Hedy Lamarr Story”.

Dia Internacional da Mulher comemorado hoje com iniciativas em todo o país

Dados do Eurostat revelam que Portugal foi o país da União Europeia em que o fosso salarial entre homens e mulheres mais cresceu entre 2011 e 2016 (4,6%).

Para assinalar a efeméride, a base de dados estatísticos Pordata destacou treze factos sobre homens e mulheres de Portugal no panorama europeu, entre os quais a escolaridade.

“No âmbito da UE-28, tanto os homens como as mulheres portuguesas ficam mal na fotografia da escolaridade”, referem os dados, sublinhando que, em 2016, 43% de homens e 50,5% de mulheres tinham pelo menos o ensino secundário.

No caso das mulheres, com exceção de Portugal e Malta, em todos os outros países, mais de 60% detém pelo menos o ensino secundário, sublinham os dados.

Nos vários países da UE, a taxa de emprego masculina é sempre superior à feminina. Contudo, há países onde essa diferença é menor, como a Suécia e Finlândia (abaixo de 7 pontos percentuais).

Em sentido oposto, as maiores diferenças são assinaladas em Malta, Itália, Roménia e República Checa (acima de 17 p.p), refere a Pordata, observando que Portugal, com uma diferença da taxa de emprego entre sexos na ordem dos 10 p.p, encontra-se mais próximo do primeiro grupo de países.

Os dados apontam também que, em 2016, Portugal, com 14% de mulheres empregadas a tempo parcial, ocupava o 17º lugar entre os países da UE, “muito distante” de países como a Holanda (77%), Áustria (48%) ou Alemanha (47%).

No caso dos homens, com 10% a trabalhar a tempo parcial, Portugal ocupava o 11º lugar, bem mais próximo dos países que lideram esta lista: Holanda (28%), Dinamarca (19%) e Suécia (15%).

As mulheres vão ser homenageadas em várias iniciativas, como lançamento de livros, palestras, conferências, que irão decorrer em todo o país.

No Estabelecimento Prisional de Tires vai ser lançado o livro “Mãos de esperança”, numa cerimónia promovida pela Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, que conta com a presença da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, e a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal.

O livro “Mãos de Esperança” é um projeto fotográfico da mestre Rosa Reis, que congrega 65 fotografias, os anos de vida da cadeia de Tires, que procuram retratar o quotidiano das reclusas através das “suas mãos, de gestos e de ambientes”.

Cinco investigadoras portuguesas e cinco deputados da comissão de Educação e Ciência vão estar à conversa com estudantes do Ensino Secundário dos Liceus Pedro Nunes e Passos Manuel na Academia das Ciências de Lisboa.

Promovida pela Ciência Viva e a Academia das Ciências de Lisboa, a iniciativa pretende homenagear as mulheres cientistas, que representam 45% do total de investigadores em Portugal.

No âmbito das comemorações do 8 de março e dos seus 50 anos, o Movimento Democrático de Mulheres lança o “Vida e Obra de Maria Lamas – atualizar o pensamento, abalar a indiferença”.

Em 1975, as Nações Unidas promoveram o Ano Internacional da Mulher e em 1977 proclamaram o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher

LUSA

E o primeiro país a ilegalizar a diferença salarial é… a Islândia!

Desde 1 de Janeiro que a Islândia se tornou o primeiro país do mundo onde é ilegal pagar mais aos homens que às mulheres. Segundo a legislação que entrou em vigor, as empresas privadas e do governo que tenham mais de 25 funcionários terão de obter certificação oficial em como seguem as políticas de salários iguais entre homens e mulheres. Os organismos que não as seguirem, terão de pagar multas.

“É um mecanismo para assegurar que os homens e mulheres são pagos igualmente”, afirmou à Al Jazeera Dagny Osk Aradottir Pind, da Associação Islandesa pelos Direitos da Mulher. “Já temos legislação que defende que as mulheres devem ser tão bem pagas como os homens mas ainda temos uma grande diferença salarial.”

A lei foi anunciada a 8 de Março de 2016, o Dia da Mulher. Foi votada a favor pela coligação centro-direita e pela oposição. Quase 50% dos membros do parlamento islandês são mulheres.

“As mulheres falam disto há décadas e eu acho mesmo que conseguimos chamar a atenção, e chegar ao ponto em que as pessoas percebem que a legislação que tínhamos em vigor não funcionava e que precisávamos de fazer algo mais”, sublinhou Pind.

Segundo o Fórum Económico Mundial, a Islândia é o país mais bem cotado quanto à igualdade salarial entre géneros. Até 2022, a Islândia comprometeu-se a erradicar a diferença salarial entre homens e mulheres.

Em Portugal, as mulheres ganham em média menos 16,7% do que os homens, de acordo com a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego.

“A mulher é o mecanismo acelerador para o crescimento económico de um país”

“Não sou feminista”, afirma Luìza Palma. “Luto pela paridade, luto pela igualdade de género. É inadmissível que hoje as mulheres ainda tenham de se esforçar mais para verem o seu trabalho reconhecido e que ganhem menos do que os seus pares pelo facto de serem mulheres. Não posso permitir isto”, ressalta.

Luìza Palma é líder em Portugal da All Ladies League (ALL), uma organização internacional criada em 2011 e com presença em 150 países que promove e luta pela igualdade de género. É um movimento que pretende dar voz às mulheres.

COMO TUDO COMEÇOU

Em janeiro, dia 31, dia Mundial do Leproso, Luìza Palma foi convidada como oradora para uma conferência em Londres. “Levei o tema das ciências comigo intitulado de “Forgotten People”, isto porque há um novo surto da lepra, mas poucos sabem. Esta doença continua a ter um estigma enorme na nossa sociedade. Em pleno século XXI não podemos permitir que tenhamos, de novo, sobretudo crianças e mulheres a morrerem por causa da lepra. Neste momento, temos 250 mil casos a surgir, por ano”, lamenta a nossa entrevistada. Foi nesta conferência que começou a sua jornada na All Ladies League (ALL) e a sua missão de divulgar o Women Economic Forum, uma ferramenta regional que a ALL All Ladies League utiliza para prover localmente o debate sobre o tema equidade e paridade do género. Devido ao seu discurso em Londres sobre a lepra, a fundadora da ALL, presente na conferência, convidou Luìza Palma para assumir o cargo de Chairperson da All Ladies League e divulgar o Women Economic Forum em Portugal.

O WOMEN ECONOMIC FORUM EM PORTUGAL

O Women Economic Forum teve lugar no passado mês de outubro, no Hotel Estoril Palace.

Sob o tema “A mulher na Ciência, Inovação e Criatividade Intelectual”, o Women Economic Forum pretendeu ser um encontro global sobre liderança, proporcionando às mulheres capacidades para expandir as suas oportunidades de negócios e aumentar a sua influência global.

O evento trouxe a Portugal a presença de oradores influentes dos quatro cantos do mundo, desde o Médio Oriente passando pela Europa de Leste, Filipinas, Índia e Espanha.

UM MODELO REVOLUCIONÁRIO

Foi num ambiente descontraído e acolhedor, ao qual Luìza Palma apelida de lar, o Grémio Literário em Lisboa, que a nossa entrevistada nos falou sobre o modelo económico que apresentou ao Banco Mundial. Um modelo que, se for aplicado pelas empresas, poderá fazer crescer a economia e travar as disparidades, preenchendo a defesa dos direitos das mulheres.

Sob o ponto de vista social, as empresas só têm a lucrar com a aplicação deste modelo. É como que um “selo de qualidade” que tornará a empresa mais atrativa por cumprir os critérios da igualdade de género. “Apresentarei um cenário do antes e do depois da aplicação deste modelo económico por parte das empresas portuguesas. No fundo, trata-se de aplicar boas práticas de governação e de transparência, sobretudo, no que diz respeito aos direitos das mulheres e à igualdade de género. Tenho três filhas e quero que elas saibam que a mãe delas está a lutar para que tenham as mesmas condições de trabalho, as mesmas oportunidades de trabalho e a mesma oportunidade de ascensão profissional”, conclui a nossa entrevistada.

GPL – GENDER PARITY LABEL

Luìza Palma é mentora e criadora do revolucionário modelo económico Gender Parity Label – Rating Core under Human Rights and Planet Protection Policies.

O GPL permitirá, perante a disponibilização de dados concretos sobre a remuneração e carreira profissional de cada trabalhador, aferir se, de facto, uma dada sociedade apresenta critérios de paridade no tratamento entre homens e mulheres que assegurem um tratamento justo e com igualdade de oportunidades.

REPRESENTAR PORTUGAL E OS PORTUGUESES

Luìza Palma não para de nos surpreender e não vai baixar os braços nesta luta pela igualdade do género, mas também na sua luta pela paz, pela solidariedade e pelas causas.

Hoje já é European Chair for Gender Parity e foi eleita Embaixadora da Paz pela Women Federations for Global Peace (WFGP), uma Organização não-governamental das Nações Unidas.

Um motivo de orgulho é também o facto de ter sido nomeada Embaixadora Global da Boa Vontade pela Global Goodwill Ambassadors, sendo a única portuguesa a representar o país. Parabéns!

Homens ganham mais 17,8% do que as mulheres em Portugal

A disparidade salarial é definida como a diferença entre os vencimentos anuais entre homens e mulheres, mas quando se tem em conta as três desvantagens que estas têm que enfrentar -menor salário por hora, menos horas de trabalho em empregos pagos e taxas de emprego mais baixas — a disparidade de género chegava, em 2014, aos 26,1% em Portugal (UE 39,6%).

No âmbito da promoção da igualdade de géneros, a Comissão Europeia anunciou hoje um plano de ação para acabar com as disparidades salariais entre homens e mulheres, que deverá estar aplicado até ao final do mandato do colégio, em 2019.

O plano de ação prevê o respeito pelo princípio da igualdade salarial, avaliando a possibilidade de alterar a diretiva (lei europeia) sobre a igualdade de género.

Bruxelas quer ainda reduzir o efeito penalizante dos cuidados familiares, apelando ao Parlamento Europeu e aos Estados-membros que adotem rapidamente a proposta de diretiva relativa à conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, de abril de 2017.

“As mulheres continuam a estar sub-representadas nos cargos de chefia, tanto na política como nas empresas”, disse a comissária Justiça, Consumidores e Igualdade de Género, Vera Jourová.

A comissária acrescentou que “as disparidades salariais entre homens e mulheres devem acabar porque a independência económica das mulheres é a sua melhor proteção contra a violência”.

LUSA

A força da mulher no direito

Quem é Paula Neves Ramalho e o que a levou a tornar-se advogada?

Licenciei-me em Direito na Universidade Nova de Lisboa em 2006, e desde então que exerço advocacia, já lá vão cerca de 11 anos. Foi a minha única opção tanto que quando me candidatei à faculdade de Direito, no respetivo ingresso de candidatura, foi a única opção assinalada. Para tal, contei, como não poderia deixar de ser, com o total apoio e incentivo dos meus pais, que sempre me aconselharam muitíssimo bem. Foi uma opção que fiz ainda muito nova, talvez por idealizar uma sociedade justa, onde tivesse espaço para fazer a diferença, nem que fosse a uma pequena escala e isso nós, advogados, conseguimos fazer. É o mérito da profissão, dar voz a quem não tem voz, servir a justiça e trabalhar em prol dela.

Em algum momento teve dúvidas sobre a escolha da advocacia como carreira profissional?

Nunca! Exercer advocacia, tendo já exercido quer em regime de prática isolada, quer numa estrutura de sociedade de advogados, estando atualmente numa estrutura empresarial, nunca foi objeto de análise ou de reflexão no sentido de clarificação relativamente a se foi ou não a melhor opção ou caminho a seguir. Para além da maternidade, esta foi a única matéria na minha vida onde nunca tive qualquer dúvida.

Quais diria que são os maiores desafios desta profissão? Como é que eles são superáveis?

O maior desafio de todos é ter a capacidade de encontrar uma solução para aquele caso concreto dentro, naturalmente, dos limites legais. Pode ser simplesmente mais um caso, mas para quem nos procura poderá ser o caso da sua vida. Outro dos grandes desafios é lidar e ter de explicar muitas vezes a paralisação dos processos em tribunal, durante anos a fio. Tradicionalmente, o advogado era chamado para o litígio, para o processo, e hoje em dia, o objetivo é muitas vezes travar o conflito evitando-se o recurso às vias judiciais. É uma grande alteração de paradigma.

O que é que lhe dá mais prazer no seu trabalho?

No exercício da advocacia não existem dois casos iguais, ainda que se trate do mesmo tipo de ação, seja cível ou penal, de direito da família ou de sucessões, a verdade é que não existem dois casos exatamente iguais. As partes envolvidas e os contextos são sempre diferentes e para cada um deles temos de tentar encontrar a melhor solução possível enquadrada na lei. E isto é colocarmo-nos sempre, a cada caso, fora da nossa zona de conforto.

Na sua opinião, o Direito tem acompanhado de forma idónea a evolução da mulher em sociedade?

Existem obviamente avanços legislativos de relevo, se pensarmos na consagração do direito de voto, o acesso ao exercício de determinados cargos, a igualdade de direitos e deveres no que respeita à educação dos filhos, assegurou-se o direito a uma licença de parentalidade sem perda de remuneração, etc. De um modo teórico, penso que sim. Na prática está longe disso. E prova disso são ainda as decisões dos nossos tribunais a que temos a infelicidade de ainda hoje assistir, veja-se, a título de exemplo, o Acórdão do Tribunal da Relação do Porto, cujo teor é inenarrável e que deve preocupar todos os cidadãos, uma vez que perpetua uma visão machista e repressiva do papel da mulher na sociedade, o que não se pode admitir, para além das alusões bíblicas completamente inconcebíveis num estado laico, como Portugal. Terei certamente vergonha, e esta é a palavra correta, para descrever este Acórdão um dia mais tarde às gerações futuras, como as minhas filhas, pelo que considero que o Conselho Superior de Magistratura deve ter uma mão pesada para o sucedido, uma vez que não se trata de uma pessoa idónea para o exercício do cargo. Note-se que aquele juiz não se limitou a dizer que o adultério é um gravíssimo atentado à honra de qualquer ser humano, tendo dito que o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. E, não contente, ainda acrescentou que sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Não nos esqueçamos que um Tribunal, na pessoa do juiz, fala em nome do povo, do seu e do meu, de todos nós, em nome de todos os nossos leitores e em nome do Estado. Não aceito nem tolero que o exercício da minha liberdade sexual, seja esta exercida da forma que for e como eu bem entender, seja motivo justificativo ou desculpa para eventuais agressões, violências, maus tratos e no limite, um homicídio. Honestamente, desejo que as gerações vindouras não tenham de passar por isto.

Além dos obstáculos inerentes a uma construção de carreira profissional – seja ela qual for – o facto de ser mulher, pesou? 

Ainda pesa. Espero que quando as minhas filhas começarem a pensar na sua carreira profissional, esta seja uma não questão, que não seja sequer suscetível de ponderação. Hoje, com toda a certeza, afirmo que pesa e pesa muito. Na realidade, e na prática, assistimos ainda hoje a situações que são no mínimo caricatas. Por exemplo, se um homem sai mais cedo do trabalho para ir ao colégio buscar o filho que está doente, ouvem-se comentários, tais como, que pai tão dedicado, se fosse outro não ia. Se for uma mulher a sair mais cedo, muito provavelmente é desorganizada e não sabe compatibilizar a vida profissional com a familiar. Há, na minha opinião, um longo trabalho a percorrer, todo um processo. Espero, com a minha fé e convicção, que na altura das minhas filhas, daqui a 15 ou 20 anos a situação se encontre sanada, mas hoje, infelizmente, não está. Muitos dir-me-ão que a lei, mais concretamente o código do trabalho, prevê dispensas de trabalho para a mãe ir acompanhar os menores, entre muitos outros direitos inerentes à maternidade e que se encontram consagrados. Mas o que a lei do trabalho prevê é a parentalidade, que abrange ambos os progenitores, não sendo um direito exclusivo da mãe. Aliás, já há muito que deixou de se diferenciar paternidade ou maternidade. Infelizmente, salvo raras exceções, tal sucedeu apenas no papel e não na prática. A questão é que, não obstante estar previsto na lei, na maior parte das vezes, é a mulher trabalhadora quem sofre consequências a nível profissional e ao nível do seu desempenho e oportunidades. E mais, sofre muito mais a nível familiar com uma culpa – que não tem, de todo – de não estar presente para os seus filhos. A nossa profissão pode não determinar quem nós efetivamente somos, mas em alguns casos, faz parte de nós próprios, da nossa vida e tem um papel fundamental para a nossa realização, quer profissional, quer pessoal e como tal não pode nem deve ser descurada a partir do momento em que é o nosso objetivo, tal como a maternidade ou muitos outros objetivos a que nos propomos na vida. Pelo caminho, fazemos opções, perdem-se vivências, momentos, casamentos, mas no final, enquanto mulheres, na minha ótica, o que conta é ter a certeza que estas opções nos fazem sentir felizes e realizadas para, dessa forma, também feliz e realizada, desempenhar os maiores papéis das nossas vidas, que são aqueles que, em consciência, escolhemos. É sempre necessária alguma gestão, temos muitos dias em que somos malabaristas, e se não balizarmos as nossas duas vidas – pessoal e profissional – corremos o risco de falhar em ambas.

“A mulher é o mecanismo acelerador para o crescimento económico de um país”

“Não sou feminista”, afirma Luìza Palma. Luto pela paridade, luto pela igualdade de género. É inadmissível que hoje as mulheres ainda tenham de se esforçar mais para verem o seu trabalho reconhecido e que ganhem menos do que os seus pares pelo facto de serem mulheres. “Não posso permitir isto”, ressalta.

Luìza Palma é líder em Portugal da All Ladies League (ALL), uma organização internacional criada em 2011 e com presença em 150 países que promove e luta pela igualdade de género. É um movimento que pretende dar voz às mulheres.

COMO TUDO COMEÇOU

Em janeiro, dia 31, dia Mundial do Leproso, Luìza Palma foi convidada como oradora para uma conferência em Londres. “Levei o tema das ciências comigo intitulado de “Forgotten People”, isto porque há um novo surto da lepra, mas poucos sabem. Esta doença continua a ter um estigma enorme na nossa sociedade. Em pleno século XXI não podemos permitir que tenhamos, de novo, sobretudo crianças e mulheres a morrerem por causa da lepra. Neste momento, temos 250 mil casos a surgir, por ano”, lamenta a nossa entrevistada.

Foi nesta conferência que começou a sua jornada na All Ladies League (ALL) e a sua missão de divulgar o Women Economic Forum, uma ferramenta regional que a ALL All Ladies League utiliza para prover localmente o debate sobre o tema equidade e paridade do género.

Devido ao seu discurso em Londres sobre a lepra, a fundadora da ALL, presente na conferência, convidou Luìza Palma para assumir o cargo de Chairperson da All Ladies League e divulgar o Women Economic Forum em Portugal.

O WOMEN ECONOMIC FORUM EM PORTUGAL

Women Economic Forum terá lugar já nos próximos dias 15, 16 e 17 de outubro, Hotel Estoril Palace.

Sob o tema “A mulher na Ciência, Inovação e Criatividade Intelectual”, o Women Economic Forum pretende ser um encontro global sobre liderança, proporcionando às mulheres capacidades para expandir as suas oportunidades de negócios e aumentar a sua influência global.

O evento traz a Portugal a presença de oradores influentes dos quatro cantos do mundo, desde o Médio Oriente passando pela Europa de Leste, Filipinas, Índia e Espanha. 

UM MODELO REVOLUCIONÁRIO

Foi num ambiente descontraídIMG_0217o e acolhedor, ao qual Luìza Palma apelida de lar, o Grémio Literário em Lisboa, que a nossa entrevistada nos falou sobre o modelo económico que irá apresentar ao Banco Mundial, ainda este mês. Um modelo que, se for aplicado pelas empresas, poderá fazer crescer a economia e travar as disparidades, preenchendo a defesa dos direitos das mulheres.

Sob o ponto de vista social, as empresas só têm a lucrar com a aplicação deste modelo. É como que um “selo de qualidade” que tornará a empresa mais atrativa por cumprir os critérios da igualdade de género. “Apresentarei um cenário do antes e do depois da aplicação deste modelo económico por parte das empresas portuguesas. No fundo, trata-se de aplicar boas práticas de governação e de transparência, sobretudo, no que diz respeito aos direitos das mulheres e à igualdade de género. Tenho três filhas e quero que elas saibam que a mãe delas está a lutar para que tenham as mesmas condições de trabalho, as mesmas oportunidades de trabalho e a mesma oportunidade de ascensão profissional”, conclui a nossa entrevistada.

Falar sobre igualdade de género vai ser obrigatório no ensino básico e secundário

Os direitos humanos, a igualdade de género e a interculturalidade, onde se abordarão as questões ligadas ao racismo, estão entre os temas que serão de abordagem obrigatória em todos os ciclos de ensino, no âmbito da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania que foi apresentada nesta sexta-feira pelo Governo.

Na apresentação estiveram presentes os ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, e o da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, bem como a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, e o secretário de Estado da Educação, João Costa.

Neste ano letivo, a nova estratégia irá ser apenas aplicada nas 235 escolas públicas e privadas que integram o projeto-piloto de flexibilidade curricular. No 2.º e 3.º ciclos de escolaridade, os temas a abordar serão desenvolvidos na nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento prevista nas matrizes curriculares que estarão em vigor nas escolas do projeto-piloto, na qual os alunos terão notas à semelhança do que se passa nas outras disciplinas.

Entre os temas de abordagem obrigatória em todos os ciclos de ensino figuram também o desenvolvimento sustentável, a educação ambiental e a saúde. Existem depois outros dois grupos de conteúdos. Um, de abordagem obrigatória em pelo menos dois ciclos de ensino básico, que integra temas relacionados com os media, participação democrática e sexualidade, entre outros. E outro de aplicação opcional em que são propostas abordagens ligadas por exemplo empreendedorismo, bem-estar animal ou voluntariado.

Os conteúdos a desenvolver no âmbito da nova estratégia terão na base os sete referenciais já elaborados pela Direcção-Geral da Educação, sendo que seis deles foram concluídos na anterior legislatura, numa altura em que a disciplina de Formação Cívica desapareceu da matriz curricular proposta pelo Ministério da Educação, embora muitos estabelecimentos de ensino tenham optado por mantê-la no âmbito da oferta de escola.

Ivanka Trump foi mal recebida em Berlim

A reação do público ouviu-se assim que Ivanka se declarou “muito orgulhosa” do ativismo do seu pai “antes de ser Presidente mas também durante a campanha”, considerando-o um “campeão no apoio às famílias”.

Perante as vaias de protesto, a moderadora da palestra, Miriam Meckel, interrompeu a filha do Presidente dos Estados Unidos. “Ouve-se a reação da audiência, portanto tenho de abordar mais um tópico”, disse, referindo algumas das atitudes que Donald Trump demonstrou publicamente em relação às mulheres que “podem tornar dúbio o seu papel de dar poder a mulheres”. Em causa estavam os comentários sexistas feitos por Trump em 2005 e várias acusações de abuso sexual.

A isto, Ivanka Trump respondeu: “Ouvi as críticas por parte dos media que têm sido perpetuadas, mas sei, da minha experiência pessoal, e penso que milhares de mulheres que já trabalharam com e para o meu pai durante décadas no setor privado são um testemunho da sua crença e convicção sólida no potencial das mulheres e na sua capacidade de trabalhar tão bem quanto qualquer homem.” E acrescentou: “Cresci numa casa em que não havia barreiras em relação àquilo que conseguia alcançar… Não havia diferenças entre mim e os meus irmãos.”

Logo no início do debate, a moderadora questionou Ivanka sobre aquilo que vinha representar na conferência. “Gostaria de lhe perguntar, qual é o seu papel e quem está a representar: o seu pai enquanto Presidente dos Estados Unidos, o povo norte-americano ou o seu negócio?”. A filha do Presidente Trump respondeu que, certamente, não estava a representar o seu negócio mas não avançou com mais detalhes.

Na conferência sobre a igualdade de género que decorreu nesta terça-feira em Berlim, participava também a chanceler alemã, Angela Merkel, e a directora do FMI, Christine Lagarde.

Islândia: aprovada lei que prevê igualdade salarial entre homens e mulheres

A partir de 2018 (ou de 2022 no caso de empresas maiores), as empresas da Islândia vão ter de provar que promovem, efectivamente, a igualdade salarial entre géneros. A lei que regula esta situação foi aprovada esta terça-feira, 28 de Março.

É a primeira vez que é implementada uma lei nacional que obriga entidades patronais a demonstrar que não fazem discriminação entre trabalhadores com base no género a que pertencem.

A legislação islandesa já prevê a igualdade de salários há cerca de 50 anos, mas o governo considerou que, desta forma, não será possível escapar à sua implementação. “A história provou que se queremos progresso, temos de forçá-lo”, disse o ministro dos Assuntos Sociais e de Igualdade, Thorsteinn Viglundsson, ao The New York Times.

Todas as empresas islandesas, sejam elas privadas ou públicas, ficarão sujeitas a auditorias. Até 2018, no caso das empresas com menos de 25 trabalhadores, ou 2022, nas restantes, o governo espera que a lei seja cumprida e que se atinja a igualdade plena.
Apesar da Islândia estar entre os primeiros países em termos de equidade, actualmente, segundo dados governamentais, as mulheres islandesas ainda ganham, em média, entre 14 e 20% menos do que os homens e não ocupam cargos de topo.

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