Inicio Tags Medicamentos

Tag: Medicamentos

Indústria quer novo acordo sobre despesa com medicamentos

© Getty Images

presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), João Almeida Lopes, reconheceu o esforço que o Ministério da Saúde tem feito na aprovação de novos medicamentos em Portugal, mas entendeu que é preciso “fazer mais” e recusou “raciocínios frios e impessoais que resultam em cortes” na saúde e barram o acesso a cuidados.

“Em Portugal temos até agora conseguido encontrar os diferentes equilíbrios necessários, mesmo durante o período de assistência financeira [‘troika’]”, disse João Almeida Lopes na abertura da conferência “Um Compromisso Com as Pessoas”, que decorre hoje em Lisboa.

O representante da indústria farmacêutica lembrou a importância do acordo assinado com o Estado português para o triénio 2016-2018, sublinhando que “é fundamental que o acordo seja confirmado em 2018”.

Nesse acordo, a indústria farmacêutica compromete-se a colaborar para atingir os objetivos orçamentais para a despesa pública com medicamentos em meio hospitalar e em ambulatório, tendo como objetivo “garantir a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

O acordo fixa para cada ano um referencial de despesa pública com medicamentos.

O presidente da Apifarma rejeita “visões puramente economicistas” que agravem a qualidade dos tratamentos dos doentes portugueses e reconhece que é necessário “evoluir para uma metodologia que permita otimizar os resultados em saúde”, colocando o doente no centro do sistema.

Na conferência de hoje está a participar o presidente da Federação Europeia da Indústria Farmacêutica, Stefan Oschmann, e é também esperada a presença do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.

LUSA

“Portugal pode ajudar a Vezenuela no acesso a alimentos e medicamentos”

Portugal pode contribuir, mesmo nesta circunstância de emergência (…) Há um exemplo muito simples, há hoje muitas dificuldades na garantia de abastecimento das populações em bens alimentares básicos ou de provisão de bens igualmente essenciais como os medicamentos”, disse.

Augusto Santos Silva falava à agência Lusa à margem de um encontro com a comunidade portuguesa, que decorreu no Centro Português de Caracas, e que reuniu centenas de portugueses e lusodescendentes, no âmbito de uma visita do chefe da diplomacia portuguesa à Venezuela.

“Hoje, o principal grupo de produtos que exporta para a Venezuela são produtos agroalimentares, mas pode exportar muito mais e há cinco laboratórios portugueses que exportam medicamentos para a Venezuela e que podem exportar muito mais. Portanto, nós próprios podemos contribuir para superar estas dificuldades, certamente momentâneas, que hoje se vivem aqui”, disse.

Sobre o encontro com a comunidade portuguesa, o ministro considerou ter sido “muito interessante”, pela afluência e pela “franqueza das pessoas que às vezes têm alguma dificuldade, acanham-se um pouco, quando falam com membros do Governo”.

Mas “não foi nada disso” que aconteceu, os portugueses “expuseram os seus problemas com toda a franqueza”, sublinhou.

“Deu também para perceber bem qual é a dimensão das dificuldades que a comunidade portuguesa sente que vive hoje na Venezuela”, disse.

Quanto a essas dificuldades, Augusto Santos Silva indicou que em primeiro lugar está “a questão da segurança” que “é crítica, porque as pessoas conhecem outras pessoas que foram objeto de roubo, algumas de sequestro”.

“Infelizmente nos últimos anos tem havido até casos de assassínio e isso cria um sentimento de insegurança que é preciso contrariar tão rapidamente quanto possível”, defendeu.

A segunda dificuldade que apontou foi “o acesso a bens básicos, alimentares, de medicamentos e de cuidados de saúde”.

“Em terceiro lugar, o clima de aflição que se vive nos últimos dias, por causa da intervenção junto dos supermercados de redes portuguesas, no sentido de impor baixas de preços que as pessoas aqui entendem que não são possíveis, porque colocam esses preços abaixo dos próprios custos de produção”, disse.

Por outro lado, o responsável português precisou que, depois de 30 horas na Venezuela, o MNE tem “uma noção muito clara de quais são os temas principais, e os temas são os relativos às condições económicas e sociais que hoje a comunidade vive aqui”.

“Eu terei a oportunidade de ter uma reunião bilateral com o ministro das Relações Exteriores [venezuelano, Jorge Arreaza], para além da comissão mista. Claro que ele tem temas para me colocar e eu tenho temas para lhe colocar, e estes temas estarão certamente na agenda dessa reunião”, frisou.

LUSA

Infarmed suspende quatro medicamentos

Foram detetadas várias irregularidades nestes medicamentos que são incompatíveis com o seu consumo.

O Infarmed anunciou que suspendeu de imediato a “venda” de quatro medicamentos disponíveis no mercado na sequência de uma inspeção “ao fabricante Granules India Ltd”.

Foram detetadas “não conformidades no sistema de boas práticas de fabrico, relacionadas com a atividade de granulação e embalagem primária de comprimidos”, fez saber o Infarmed numa nota divulgada no site da instituição.

Assim, o Metformina Mylan, o Paracetamol Bluepharma de 1000 mg, o Paracetamol Sandoz de 500 mg e o Supofen em comprimidos de 1000mg passam a estar indisponíveis para venda e consumo.

Apesar da medida, o Infarmed informou também os “doentes que estejam a utilizar os lotes dos medicamentos referidos que não devem interromper o tratamento”, mas, logo que possível, devem “consultar o médico para que lhes seja prescrito um medicamento alternativo”.

Todas as entidades que tenham lotes destes medicamentos “em stock, não os poderão vender, dispensar ou administrar, devendo proceder à sua devolução”.

 

Comissão Europeia autoriza comercialização de medicamento para hepatite C crónica

A partir de sexta-feira vai ser possível comercializar um medicamento da MSD para a hepatite C crónica. A decisão foi tomada pela Comissão Europeia e abrange os 28 países membros e ainda na Islândia, Liechtenstein e Noruega, países que pertencem ao Espaço Económico Europeu.

O Dia Mundial da Hepatite C foi assinalado esta quinta-feira e foi analisada a estratégia de eliminação global do vírus. A Organização Mundial de Saúde pretende neutralizar a ameaça da doença para a saúde pública até 2030. A estratégia passa por prevenir a transmissão da doença infecciosa, investir no diagnóstico e disponibilizar medicamentos inovadores.

Em comunicado, a farmacêutica MSD diz ter “um legado de mais de 30 anos no combate à hepatite C crónica e continua empenhada em proporcionar opções de tratamento ao maior número de doentes e em ajudar a reduzir o impacto da doença em todo o mundo”.

“Apesar dos recentes avanços a nível do tratamento, a hepatite C continua a representar um grave problema de saúde pública, nomeadamente em grupos de risco, como é o caso dos doentes reclusos e dos doentes em terapêutica agonista de opióides”, lê-se no comunicado.

Nove em cada dez utentes em tratamento da toxicodependência que são utilizadores de droga por via endovenosa têm o vírus da hepatite C em Portugal. Nos estabelecimentos prisionais, 72% dos reclusos que têm VIH têm também o vírus.

O comunicado da farmacêutica chama à atenção para um flagelo que esteve esta quinta-feira “na agenda pública de autoridades de saúde e políticos de todo o mundo, numa altura em que ainda afeta de 130 a 150 milhões de pessoas a nível mundial e causa cerca 500 mil mortes por ano”.

Alzheimer. Vem aí a primeira droga que trava a doença?

A LMTX, uma nova droga contra o Alzheimer para a qual já estão a decorrer ensaios clínicos em fase final, foi apresentada esta quarta–feira como “promissora” na conferência internacional da Alzheimer Association, em Toronto. “Os nossos resultados não têm precedentes, comparados com quaisquer outros”, afirmou o investigador Claude Wishik da Universidade de Aberdeen, na Escócia, e cofundador da farmacêutica TauRx, que desenvolveu a LMTX.

Os dados são ainda preliminares, mas de acordo com Claude Wishik os doentes que foram tratados exclusivamente com aquela droga ao longo de 15 meses evidenciaram uma “redução significativa da progressão da doença”, com “retardamento do declínio cognitivo” e com resultados compatíveis nas imagens de ressonância magnética, que mostraram “uma redução entre 33% e 38% da progressão da atrofia cerebral nestes doentes”. As boas notícias, porém, acabam aqui. Tomada em combinação com outras drogas, a LMTX não mostrou qualquer efeito, o que levou muitos a olhar com alguma reserva para os dados.

“Tenho de confessar que os resultados que nos foram apresentados são sobretudo um desapontamento”, afirmou o neurologista David Knopman, da Mayo Clinic, citado no New York Times.
Os dados apresentados em Toronto por Claude Wishik foram tratados de forma oposta na imprensa britânica e americana. No Reino Unido, onde a droga foi desenvolvida nas últimas três décadas, a LMTX foi apresentada como a mais eficaz até hoje contra o Alzheimer. Nos Estados Unidos, a visão dominante foi a do desapontamento. No press realease divulgado pela própria farmacêutica está escrito que “o estudo falha uma das suas metas, uma vez que a LMTX, enquanto coterapia, não mostra quaisquer benefícios”.

Mecanismos misteriosos

O ensaio clínico de fase III cujos resultados foram agora apresentados envolveu um total de 891 doentes com sintomas entre ligeiros e moderados. Durante 15 meses, o grupo maior de doentes fez uma terapia combinada com LMTX e outras drogas, um outro grupo de apenas 15 por cento dos doentes fez uma terapia só com a nova droga e um terceiro grupo tomou um placebo.

A droga só mostrou os efeitos positivos descritos por Claude Wishik no grupo de 15% dos doentes que foram exclusivamente tratados com a nova droga. Em todos os outros a doença progrediu sem retardamento visível dos sintomas.

Doença neurodegenerativa progressiva e sem tratamento, o Alzheimer continua a ser uma doença misteriosa e, apesar das muitas drogas e progressos tantas vezes anunciados para novas terapias, até hoje nunca foi possível desenvolver um medicamento eficaz, capaz de anular as causas e os mecanismos da doença.

“Até agora só tem sido possível agir sobre os sintomas”, explica o neurologista Lopes Lima, da Universidade do Porto, sublinhando que “as drogas que existem neste momento só conseguem atrasar a perda de memória e manter mais tempo os doentes autónomos, porque a evolução da doença continua”. Em média, com esses medicamentos, há um prolongamento em 20% a 30% do período em que os doentes mantêm a qualidade de vida, o que tem que ver com o retardamento dos sintomas.

Na prática, não se conhece exatamente o mecanismo que desencadeia a doença. Os estudos mostram que há dois processos envolvidos: um deles tem que ver com a formação no cérebro de placas de uma proteína chamada beta-amiloide que destroem os neurónios; o outro envolve outra proteína, a tau, que também se acumula no cérebro com um efeito destrutivo similar. Nas últimas décadas, a busca de compostos capazes de evitar as placas da primeira das duas proteínas pareceu muitas vezes ter conseguido resultados promissores, mas eles nunca se cumpriram.

Já a farmacêutica britânica TauRx, como outras, decidiu investir na busca de um composto capaz de contrariar a acumulação das proteínas tau no cérebro. Os resultados mais recentes dessa busca foram agora divulgados. Claude Wishik diz não saber por que motivo a coterapia com a LMTX não funcionou e diz que os ensaios vão prosseguir e que haverá novos resultados no final do ano.

O neurologista Lopes Lima concorda que estes “não são ainda resultados para grandes entusiasmos”. Considera que “é importante”o facto de a ressonância magnética mostrar nos doentes tratados apenas com a LMTX “uma atrofia menos marcada” , mas mostra-se prudente: “Estamos a falar de morfologia, pode não ter um significado direto.”

As doenças não tem marca. Os medicamentos também não têm de ter

As doenças, dores ou uma infeções tem marca? Então os medicamentos também não têm de ter . É este o mote de uma nova campanha do Infarmed para fomentar a escolha de genéricos.

Segundo um comunicado enviado às redações, mais de 700 farmácias já ultrapassaram a quota de 50% de medicamentos genéricos por unidades.

Dez farmácias no país ultrapassaram uma quota de 60%, de acordo com dados de janeiro de 2015 a fevereiro de 2016.

A quota média de mercado deste tipo de medicamentos é de 47,4%, longe da registada noutros países, nomeadamente nos países nórdicos ou na Alemanha.

Os medicamentos genéricos são mais baratos e têm a mesma composição, efeitos, eficácia, qualidade e segurança que os medicamentos de marca.

As farmácias são obrigadas a ter disponíveis os medicamentos de preço mais baixo. No caso de não os poderem fornecer de imediato, têm 12 horas para o fazer.

Os riscos de cinco medicamentos muito tomados

Toda a gente tem alguns medicamentos, aparentemente inofensivos, em casa para o caso de surgir algum contratempo.

Seja para tratar uma gripe, aliviar uma dor de cabeça, costas ou de estômago ou até para uma digestão pesada, é comum que as pessoas se auto-mediquem, mas quando isto se torna num hábito o perigo pode ser bem real.

No seu livro mais recente, ‘Tarja Preta – Os segredos que os médicos não contam sobre os remédios que você toma’, Marcia Kedouk dedica um capítulo inteiro sobre ao perigo real da auto-medicação. A edição brasileira da revista Exame falou com a autora, que listou os efeitos indesejados de alguns medicamentos comuns e muito tomados.

1. Tylenol (com Paracetamol como princípio ativo, serve para tratar dores e febre).

Efeitos indesejados: O paracetamol, depois de metabolizado pelo fígado transforma-se numa substância tóxica chamada de NAPQI – que normalmente é rapidamente eliminada pelo corpo. Mas em adultos, doses a partir de quatro gramas por dia ou um grama de uma vez podem sobrecarregar o fígado, podendo provocar lesões irreversíveis e em alguns casos até falência órgão. As ‘overdoses’ podem acontecer porque outros medicamentos também têm a mesmo princípio ativo. E a mistura do Tylenol com um anti-inflamatório, por exemplo, pode provocar ‘overdose’ acidental.

2. Aspirina (princípio ativo: ácido acetilsalicílico; serve para tratar a dor e estágios leves de febre).

Efeitos indesejados: Oito comprimidos de aspirina são suficientes para causar choque cardiovascular e insuficiência respiratória – pois doses altas aumentam o risco de excesso de acidez no sangue e a queda acentuada da glicose. Em diabéticos, o uso indiscriminado da aspirina pode provocar hipoglicemia – uma vez que essas pessoas já tomam medicamentos para controlar a doença. Combinada com outro anti-inflamatório ou álcool, o uso da aspirina aumenta as probabilidades de úlcera e sangramentos estomacais e intestinais severos.

3. Eno (princípio ativo: bicarbonato de sódio, carbonato de sódio e ácido cítrico; ajuda a facilitar a digestão e alivia a azia).

Efeitos indesejados: Duas saquetas de Eno contêm 1,7 grama de sódio – quase a recomendação máxima diária de consumo que é de dois gramas. Ou seja, este simples medicamento pode ser uma bomba principalmente para quem tem hipertensão e/ou problemas cardiovasculares. O uso indiscriminado de Eno pode alterar o pH do estômago e, assim, sobrecarregar os rins e os pulmões. Além disso, o excesso de anti ácidos, de forma geral, pode reduzir a absorção de nutrientes e diminuir as defesas naturais do suco gástrico, aumentando assim os riscos de contaminação de alimentos.

4. Omeprazol (princípio ativo: Omeprazol; serve para tratar dores de estômago principalmente as provocadas por lesões das mucosas).

Efeitos indesejados: O Omeprazol atua na diminuição do suco gástrico e a sua utilização prolongada pode provocar um efeito boomerang, gerando assim o excesso de produção de gastrina – hormona que estimula a secreção de ácido clorídrico (parte do suco gástrico) e estimula a motilidade do estômago. Além disso, assim como os antiá cidos, o uso frequente e sem acompanhamento médico do Omeprazol pode aumentar o risco de infeções e dificultar a tarefa de o organismo absorver nutrientes. O uso prolongadi pode provocar, por exemplo, a diminuição severa dos níveis de magnésio causando em alguns casos problemas cardíacos.

5. Amoxil (princípio ativo: amoxilina – antibiótico-; serve para tratar infeções, pois combate bactérias).

Efeitos indesejados: O uso indiscriminado de antibióticos pode levar à proliferação de bactérias resistentes, chamadas de superbactérias.

Farmacêutica portuguesa Bial produz novo medicamento para o tratamento de Parkinson

A Comissão Europeia aprovou um novo medicamento para a doença de Parkinson, produzido pela farmacêutica portuguesa Bial. De acordo com um comunicado enviado pela farmacêutica, o novo medicamento, o Ongentys, reduz o chamado período de off-time dos doentes com Parkinson (tempo em que os doentes se encontram em profunda imobilidade).

A molécula estava a ser investigada pela farmacêutica portuguesa há 11 anos, e deverá ser introduzida “já no final do ano em alguns mercados europeus, e durante 2017 nos restantes”, lê-se na nota.

O CEO da Bial, António Portela, sublinha que a aprovação europeia do Ongentys é “uma nova esperança para médicos e pacientes”. Para António Portela, a aprovação europeia do segundo medicamento desenvolvido em Portugal é resultado de “muitos anos de esforço e dedicação de uma equipa muito competente e altamente qualificada”.

O princípio ativo, opicapona, é um inibidor da COMT (catecol-O-metiltransferase), e o novo fármaco deve ser tomado uma vez por dia.

O Ongentys é o segundo medicamento de patente portuguesa a ser comercializado do mercado, após a comercialização de Zebinix, também produzido pela Bial, para o tratamento da epilepsia.

A doença de Parkinson afeta cerca de 1,2 milhões de pessoas na União Europeia, de acordo com a Associação Europeia da Doença de Parkinson. Em Portugal, são cerca de 22 mil os doentes afetados.

Biossimilares tratam com a mesma eficácia e segurança e reduzem despesa entre 50% e 80%

Estes medicamentos são uma alternativa aos biológicos de referência, tendo demonstrado a mesma eficácia, segurança e qualidade. Uma das mais-valias da sua prescrição é o facto serem mais custo-efetivos, ou seja, permitirem uma redução da despesa entre 50% e 70%, segundo estudos recentes.

Em Portugal, por exemplo, o filgrastim, um biossimilar utilizado no tratamento da neutropenia (baixa de glóbulos brancos) tem já uma quota de mercado de 100%. O aumento da sua utilização permitiu reduzir a despesa em 77%, de 7,5 milhões de euros para menos de dois milhões de euros.

Um estudo recente revela que há um elevado potencial de poupança com a introdução destes medicamentos, não só porque têm um preço mais reduzido – em Portugal têm de custar no mínimo menos 20% do que o original – mas porque também introduzem concorrência e ajustes no mercado.

Se Portugal é já uma dos países com maiores quotas de mercado em algumas áreas, há ainda um potencial substancial de poupança que pode ser alcançado noutras áreas, sem que se ponha em causa a qualidade do tratamento e, ao mesmo tempo, traduzindo as poupanças obtidas em investimento em inovação e num maior acesso ao tratamento dos doentes.

A Noruega e a Dinamarca são dois bons exemplos na utilização destes medicamentos, destinados na sua maioria em doenças reumáticas e do foro oncológico. Foram estes casos de sucesso que hoje foram apresentados na conferência sobre biossimilares que hoje decorreu no Infarmed.

Dorthe Bartels, responsável da The Regions Pharmaceutical Organization (AMGROS), e que efetua compras centralizadas para todo o país, exemplificou que com esta aquisição e elaboração de regras de utilização foi possível reduzir em 68% o preço da hormona de crescimento em apenas cinco anos. No filgrastim e também no infliximab – usado para doenças como a artrite reumatoide – a quebra foi de 60%. No etanercept, também para estas doenças, foi possível passar de uma quota de 22% para uma de 95% em três meses.

Na Noruega, um país que decidiu que haveria apenas um medicamento comprado de forma centralizada para todos os hospitais, os concursos têm sido geradores de grandes ganhos para o sistema. Steinar Madsen, diretor médico na Agência Norueguesa do Medicamento, que designa os biossimilares por “biogenéricos”, avançou exemplos de tratamentos anuais como o do infliximab, usado para doenças como a artrite reumatoide. O custo por doente obtido em concurso baixou 69%, e o do filgrastim, já referido, superou 80%.

Para que estas metas sejam atingidas é necessário envolver os profissionais de saúde neste processo, tendo sido emitida recentemente uma orientação para a prescrição destas tecnologias no SNS.

Steinar Madsen deu exemplos de medidas tomadas em torno da adoção dos biossimilares: desde logo incentivos que permitem a troca entre os medicamentos biológicos e os biossimilares, estimulando a concorrência e as compras centralizadas.

Ana Hidalgo-Simon, da Agência Europeia do Medicamento, destacou os “10 anos de uso de biossimilares de forma segura e eficaz” e frisou que a experiência adquirida permite cada vez mais garantir que o perfil de segurança e de eficácia é semelhante entre o medicamento de referências e os seus biossimilares. Nos próximos anos, espera-se a chegada de mais biossimilares, que contribuirão para um maior acesso dos doentes a estes medicamentos, gerando poupanças que poderão ser revertidas no acesso a mais medicamentos inovadores.

 

Estado vai comparticipar medicamentos para doentes insuficientes renais

A conclusão do processo de avaliação da parte do organismo que regula o setor do medicamento foi revelada pelo ministro da Saúde, em declarações aos jornalistas no final da sua intervenção numa conferência em Lisboa sobre “Sustentabilidade na Saúde”.

Em causa estão medicamentos para insuficientes renais, nomeadamente os que se encontram a fazer hemodiálise, e que estão igualmente infetados com a hepatite C, cuja comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem estado a ser avaliada, nomeadamente pelo Infarmed.

Até à conclusão deste processo, mais de 80 doentes receberam os fármacos através de pedidos de autorização de utilização especial (AUE), submetidos pelos hospitais ao Infarmed.

Fonte do Infarmed disse à Lusa que o processo de avaliação com vista à comparticipação do medicamento está concluído.

Segundo o ministro da Saúde, as conclusões das negociações serão anunciadas em breve.

 

EMPRESAS