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Solvente orgânico utilizado no fabrico de plásticos reforçados pode causar cancro

Esta conclusão foi avançada por um grupo de trabalho da Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC), da OMS, composto por 23 cientistas de 12 países, que, em março passa, se reuniram em Lyon (França), para ajudar a identificar substâncias químicas, usadas na indústria, com potencial de aumentar o risco de cancro no ser humano.

Apesar dos benefícios associados à utilização do estireno, o grupo reconhece que o aumento da sua produção e utilização e a disseminação da sua aplicação, “poderão potenciar efeitos adversos na saúde humana, dadas as suas características físico-químicas e toxicológicas”, explicou o investigador do ISPUP João Paulo Teixeira, que integrou a equipa.

De acordo com o próprio, apesar da “limitada evidência científica”, resultados de estudos epidemiológicos em humanos, estudos laboratoriais com animais e outros dados relevantes apontam para a probabilidade de o estireno ser carcinogénico para os humanos, pertencendo, assim, ao grupo 2A da classificação da IARC (classificação que divide os agentes em diferentes grupos, desde carcinogénicos a não carcinogénicos).

João Paulo Teixeira, referido na nota informativa, indicou que se deve evitar ou reduzir a utilização desses agentes a nível laboral, substituindo-os por produtos, misturas ou processos que “não sejam perigosos” ou que “impliquem menor risco para a segurança e a saúde dos trabalhadores”.

De acordo com o investigador, a organização do trabalho, técnicas de conceção, utilização e controlo, bem como sistemas e equipamentos de proteção são outras das medidas preventivas (ou corretivas) que podem ser aplicadas.

Neste contexto, continuou, a monitorização biológica, que consiste na quantificação e avaliação do agente químico ou do seu metabolito em meios biológicos, tais como o sangue, a urina ou o ar expirado, “assume particular relevância”.

“A monitorização ambiental pode e deve ser complementada com a monitorização biológica para alguns dos agentes químicos”, frisou.

O investigador disse ainda que esta informação poderá ser utilizada pelas agências nacionais de saúde como suporte científico ou referencial de orientação das suas ações, no sentido de prevenir a exposição a agentes nocivos para a saúde.

Periodicamente, são analisados e discutidos novos dados acerca da exposição ao estireno e outras substâncias, os seus efeitos na saúde humana e animal, bem como os mecanismos que estão na base destes efeitos, sendo essa reavaliação “essencial para uma análise e gestão do risco em matéria de saúde”, acrescenta o comunicado no ISPUP.

Os resultados deste estudo, que deu origem a um artigo recentemente publicado na revista científica The Lancet Oncology, integrarão o volume 121 da Monografia da IARC.

As monografias da IARC identificam fatores ambientais que podem aumentar o risco de cancro nos humanos, como compostos químicos, agentes físicos e biológicos ou misturas complexas, lê-se ainda na nota.

Desde 1971, a IARC avaliou acima de mil agentes, dos quais mais de 400 foram identificados como carcinogénicos, provavelmente carcinogénicos ou possivelmente carcinogénicos para humanos.

Crianças portuguesas entre as que pior comem e menos exercício fazem na União Europeia

Legumes e exercício físico quase não fazem parte da rotina das crianças portuguesas. Mas Portugal não é o único país que não se aproxima das recomendações da Organização Mundial da Sa

O 10º lugar é de Portugal no que concerne aquelas que comem mais fruta nos 28 Estados-membros da União Europeia.

Os vegetais são aqueles que menos são consumidos e atiram, assim,as crianças portuguesesas para o 26.º lugar.

Tais dados fazem parte de um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), publicado nesta quarta-feira, e são utilizados para perceber os hábitos de alimentação saudável nos vários países.

Zika não deixa OMS descansar à medida que atinge mais países

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não desceu o estado de alerta associado à epidemia do vírus Zika na última grande reunião sobre a doença, no início de Setembro. “Devido à contínua expansão geográfica e às falhas consideráveis na compreensão do vírus e das suas consequências, a infecção pelo vírus Zika (…) continua a ser uma Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional”, lê-se num documento da OMS.

Não é de estranhar, por isso, que as notícias sobre a epidemia continuem a surgir diariamente. Parte delas são sobre a sua expansão. Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde do Governo da Tailândia anunciou, pela primeira vez, que foram detectados 200 casos de pessoas infectadas com o Zika desde o início do ano. “Nas últimas três semanas confirmámos uma média de 20 casos por semana”, disse Suwannachai Wattanayingcharoenchai, porta-voz do Ministério da Saúde, à agência Reuters.

Estes novos casos num país do Sudeste da Ásia podem ser um reflexo do actual esforço mundial para se detectar e conhecer melhor esta doença que, há pouco mais de um ano, fazia parte do vocabulário de um reduzido número de pessoas.

A principal forma de se ser infectado pelo vírus Zika é com uma picada de um mosquito infectado do género Aedes. Entre os mosquitos deste género, o mais famoso é o Aedes aegypti, que transmite a febre da dengue, outra doença viral. O Aedes aegypti vive nas regiões tropicais de todos os continentes.

No Outono do ano passado, o Zika, até então desconhecido no Brasil, começou a ser uma fonte crescente de preocupação devido a uma quantidade anormal de bebés que nasceram com microcefalia naquele país. Desde então, a ligação entre a infecção do vírus em mulheres grávidas e casos de bebés em que o cérebro não crescia normalmente foi sendo apoiada com provas científicas. Até 27 de Agosto, já se contabilizaram 1857 casos de microcefalia associados ao Zika no Brasil, segundo a OMS.

O vírus chegou ao Brasil vindo das ilhas do oceano Pacífico e acabou por se espalhar pela América do Sul, a América Central e já saltou para a Florida, nos Estados Unidos. Desde 2015, há 55 países que anunciaram ter um surto do vírus. Há outros 17 que já se tinham deparado com a mesma situação deste 2007. Muitos deles no Sudeste Asiático. Mas tal como a Tailândia, que agora divulgou os 200 casos, também Singapura só recentemente é que anunciou casos de Zika. O primeiro foi a 27 de Agosto. Desde então, o número aumentou para 300.

“Este vírus pertence à linhagem asiática e provavelmente evoluiu da estirpe que estava a circular no Sudeste Asiático”, lê-se no último relatório da OMS, da semana passada, depois de se ter obtido a sequência do genoma do vírus. “Estes casos recentes em Singapura não parecem resultar de uma importação da estirpe do vírus da América do Sul.”

Tudo indica que o vírus Zika seja originário da África, onde foi isolado pela primeira vez em 1947, de um macaco rhesus (Macaca mulatta). No ano seguinte, foi isolado num mosquito do género Aedes e em 1952 numa pessoa, tudo em África. Desde então, o vírus surgiu na Índia e depois no Sudeste Asiático. Mas até 2007 só foram documentados 14 casos de Zika em humanos e nunca se tinha associado a doença a problemas tão graves como a microcefalia.

Efeito no turismo

O anúncio feito nesta terça-feira pela Tailândia surgiu depois de especialistas na área da saúde terem pressionado o Governo tailandês para ser mais transparente e divulgar o risco do país em relação ao vírus. Segundo a Reuters, os especialistas temiam que o Governo não revelasse a situação real do Zika pelo potencial efeito negativo da notícia no turismo. “As pessoas não devem temer visitar as províncias afectadas pelo vírus Zika”, referiu Suwannachai Wattanayingcharoenchai. Para já, a Tailândia não reportou nenhum caso de microcefalia. Mas estão a monitorizar cerca de 25 mulheres grávidas.

Muita da apreensão sobre o vírus deve-se ao desconhecimento sobre a doença. Há uma panóplia de sintomas quando se é infectado pelo Zika. A doença pode ser assintomática, mas pode causar pequenas borbulhas, febre e dores no corpo. Em casos mais extremos, as pessoas sofrem da síndrome de Guillain-Barré — onde os nervos periféricos são atacados pelo sistema imunitário, deixando temporariamente as pessoas com dificuldades de se mexerem. Nos fetos, a microcefalia parece ser o efeito mais grave de uma paleta de problemas no desenvolvimento do sistema nervoso causados pelo vírus.

O medo das redes sem fios

Tapetes com ligação à terra, cortinas enriquecidas com fios de prata, cabos eléctricos blindados e disjuntores que reduzem a tensão quando não há consumos são exemplos da considerável oferta de produtos para proteger das radiações electromagnéticas (e que se podem encontrar facilmente usando redes que funcionam através de radiações electromagnéticas). Nos Estados Unidos há quem se tenha refugiado na Zona Nacional de Silêncio Radiofónico, uma extensa área em que o uso de telemóveis e redes wi-fi está fortemente limitado. A francesa Marine Richard também vive longe dessas radiações e recebe uma pensão de incapacidade do Estado, na sequência de uma batalha judicial em que alegou ser alérgica às redes wi-fi, que em França foram proibidas nas creches desde o ano passado.

A hipersensibilidade à radiação electromagnética é uma doença que algumas pessoas acreditam ter e estar na origem de sintomas como dores de cabeça, fadiga, stress, distúrbios do sono, erupções cutâneas, dores musculares, náuseas, sangramento nasal, tonturas ou palpitações cardíacas. Mas na literatura médica é habitualmente considerada uma doença idiopática, ou seja, que surge espontaneamente e sem causa conhecida.

“Liga a rede a ver se eu noto”

Há tipos de radiação capazes de arrancar electrões dos átomos e das moléculas, transformando-os em iões, e que por isso são radiação ionizante. É o caso dos raios gama, raios X e raios ultravioleta. A radiação ionizante, apesar de poder ser usada para fins médicos, é capaz de causar graves problemas graves, incluindo cancro. A radiação das redes wi-fi e de telemóvel não é ionizante e por isso, em princípio, é bastante segura. Mas, nunca fiando, ao longo das últimas décadas têm sido feitos muitos estudos para avaliar os seus efeitos.

Em duas revisões sistemáticas da literatura científica publicadas em 2011 (esta e esta) nenhuma associação foi encontrada entre os sintomas e a proximidade de fontes de radiação electromagnética. Noutra investigação de 2012 foi pedido a pacientes diagnosticados com hipersensibilidade à radiação electromagnética que dissessem quando sentiam que uma fonte de radiação de telemóvel estava ligada ou desligada. Não foram capazes de acertar. Um trabalho publicado em 2015, que agregava dois grandes relatórios, mostrou que os doentes apenas sentiam um aumento significativo de sintomas quando eram informados que uma fonte de radiação tinha sido ligada. Se não soubessem, os sintomas não aumentavam.

ENRIC VIVES-RUBIO

“Na área dos efeitos biológicos e aplicações médicas da radiação não ionizante, foram publicados nos últimos 30 anos aproximadamente 25 mil estudos”, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Apesar da convicção de algumas pessoas de que é necessária mais investigação, o conhecimento científico nesta área é agora mais extenso do que para a maioria dos químicos. Tendo como base uma recente e profunda revisão da literatura científica, a OMS conclui que as provas existentes não confirmam a existência de qualquer consequência para a saúde resultante da exposição a campos electromagnéticos de baixo nível. No entanto, existem algumas lacunas no conhecimento sobre os efeitos biológicos e é necessária mais investigação.”

É nesta última frase, comum na literatura científica, que pode assentar a argumentação em prol dos efeitos biológicos negativos das redes sem fios. No entanto, a investigação feita até hoje aponta no sentido contrário. Claro que a falta de uma relação de causalidade não significa que os sintomas das pessoas que sofrem de hipersensibilidade à radiação electromagnética não sejam reais. Apenas que não é plausível que sejam causados pelas redes wi-fi ou de telemóvel.

Quando o problema eram os fios

Há um conjunto considerável de casos em que riscos inicialmente não conhecidos tiveram consequências graves, para a saúde ou para o ambiente, como aconteceu com o amianto e o DDT. Mas nem sempre é o caso. Por vezes há mesmo fumo sem fogo. É curioso que hoje as redes com fios são apontadas como alternativa segura, mas até há bem pouco tempo foi o contrário. Eram os cabos de alta tensão e os campos magnéticos a eles associados que causavam preocupação. Um estudo feito nos Estados Unidos e publicado em 1979, da autoria da epidemiologista Nancy Wertheimer e do físico Ed Leeper, concluía que as crianças residentes perto de cabos de alta tensão tinham o triplo da probabilidade de desenvolver leucemia. Apesar das muitas falhas, essa investigação lançou um clima de alarme que persistiu durante décadas, alimentado por meios de comunicação como a revista New Yorker. À medida que novos trabalhos de investigação desmontavam a ideia pouco fundamentada, nascia uma teoria da conspiração.

Charles Stevens, neurobiólogo que liderou um grande estudo realizado pela Academia Nacional das Ciências norte-americana disse em 1996: “A proximidade de cabos de alta tensão e incidência de leucemia infantil são ambas maiores em áreas de baixos rendimentos; a coisa mais prudente será evitar a pobreza.”

Em Portugal, o medo das linhas de alta tensão chegou com algum atraso. Em 2007, na sequência de protestos e de uma sentença do Tribunal Constitucional, a Rede Eléctrica Nacional fez um acordo com a Câmara Municipal de Sintra para enterrar uma linha de alta tensão, sendo os custos suportados pela autarquia (embora, o enterramento não elimine o campo magnético). Nos anos 70, quando os fornos microondas começaram a ser vendidos nos Estados Unidos, também surgiram preocupações acerca aos seus efeitos para a saúde, que não tinham qualquer fundamento, mas que geraram alarme. Tanto no caso dos cabos de alta tensão como no caso dos microondas (contados no livro Ciência ou Vodu, do físico Robert Park) a preocupação social não assentava em ciência consistente. Faz lembrar o wi-fi, não faz?

Mães reúnem-se em 18 cidades pelo direito à amamentação em público

Em defesa do direito à amamentação em público e contra as barreiras sociais que as mulheres ainda enfrentam, mães e pais portugueses vão reunir-se no próximo domingo para um Encontro Nacional de Amamentação. Há 18 concentrações marcadas, por todo o país, a partir das 17h30. Pedem a normalização deste acto, numa posição contra a polémica sobre a amamentação em espaços públicos.

“Se já são muitas as dificuldades sociais que as mães enfrentam, por terem de começar a trabalhar cedo e deixarem os filhos, não nos podemos agora fechar em casa sempre que temos que amamentar”, diz ao PÚBLICO Rita Oliver, da organização do encontro. A iniciativa insere-se na Semana Mundial de Aleitamento Materno e “nada tem de político”. Querem “criar empatia” e derrubar as barreiras sociais que ainda existem à volta da amamentação em público. Primeiro, com entreajuda e a partilha de experiências: “Queremos mostrar que não estamos a fazer nada de errado. Se o bebé chora no supermercado, não podemos pedir ao nosso filho para esperar até chegarmos a casa. Este pudor não faz sentido”, explica Rita Oliver.

O evento, que “começou como uma brincadeira” em 2013, vai na quarta edição e toma agora proporções nacionais. Há concentrações nos Açores (na Horta, Terceira e Santa Cruz das Flores), Almada, Aveiro, Braga, Figueira da Foz, Fundão, Leiria, Lisboa, Loulé, Madeira, Portimão, Santarém, Setúbal, Vila Real, Viana do Castelo e no Porto, onde começou o encontro.

“Queremos desmistificar este tabu, porque existem muitas pessoas que nos querem fechar sempre numa sala. É possível andar com um decote enorme, mas não é possível amamentar?”, questiona a organizadora, a quem já pediram para tapar a filha ou deslocar-se para um local não público.

Isto não é só para mães

Quando Rita teve dificuldades em amamentar após o nascimento da filha, em Janeiro de 2013, a solução dos amigos era sempre a mesma: leite em pó. Não quis desistir e procurou “perceber por que é que toda a gente conseguia” e ela não. Acabou por encontrar uma conselheira de aleitamento materno: “Ela deu-me imensa ajuda e eu mantive a amamentação até aos três anos e três meses da minha filha. Percebi que era possível amamentar desde que se tenha os conselhos adequados.”

“Queremos ajudar mães que passaram pelo mesmo problema que eu, que não têm certezas quanto às capacidades do nosso corpo”, explica esta mãe de 31 anos. Como a própria destaca, o aleitamento materno em exclusivo é uma prática recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

Apesar de a organização estar a cabo de mulheres, este está longe de ser um encontro de um só género. “Cerca de 90% das mulheres que estiveram no ano passado no encontro do Porto levaram os maridos. É uma questão de protecção dos interesses das crianças e contra as dificuldades que as mães enfrentam.”

E desde Abril que as perguntas não param de chegar: “A procura é cada vez maior, porque as mães têm sempre muitas dúvidas e há muita informação errada a circular.” Foi com o propósito de informar que criaram a comunidade “Amamentação com desmame natural” que, no Facebook, conta já com mais de 4700 membros.

O encontro surge numa altura em que em vários países, como o Reino Unido, Brasil ou Estados Unidos, a discussão está acesa. Na Argentina, a 23 de Julho, centenas de mulheres amamentaram em locais públicos num protesto após a polícia ter proibido uma mãe de o fazer numa praça.

 

Estamos cada vez mais altos na Europa

Foi um século de prosperidade económica acompanhada de boa nutrição – mas os seus efeitos sobre a espécie humana não foram irmãmente distribuídos pelo mundo. Os dados foram agora comprovados por um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), conhecido no Fórum Europeu de Ciência, a decorrer na cidade inglesa de Manchester.

Nos países mais altos do mundo no início do século XX – EUA, Canadá e países nórdicos -, não se verificaram grandes mudanças: homens e mulheres cresceram ao mesmo ritmo até aos anos 1970, momento a partir do qual se deterioraram os hábitos alimentares.

PORTUGAL É UM EXEMPLO: A ESTATURA MÉDIA DOS HOMENS AUMENTOU 14 CENTÍMETROS, SITUANDO-SE NO 1,72 METROS; JÁ AS MULHERES MEDEM MAIS 12,5 CM, PASSANDO DO 1,5 M PARA 1,63 METROS

As grandes alterações encontram-se antes nos países da Europa continental – Portugal é um exemplo: a estatura média dos homens aumentou 14 centímetros, situando-se no 1,72 metros; já as mulheres medem mais 12,5 cm, passando do 1,5 m para 1,63 metros. E a expetativa é que, como nos outros países do sul, o aumento se mantenha. O mesmo se passou no Médio Oriente e algumas zonas da Ásia. Os homens iranianos, por exemplo, cresceram 16,5 cm em cem anos; as mulheres sul-coreanas medem mais 20 centímetros.

“O nosso estudo mostra que os norte-americanos estão mesmo a ficar para trás”, comentou Majid Ezzati, do Imperial College London, o investigador responsável pelos dados agora conhecidos. O estudo envolveu medições a 18,6 mil pessoas com 18 anos em 179 países, num consórcio com 800 cientistas em colaboração com a OMS – e publicado no jornal online eLife, citado pelo Financial Times.

Os homens mais altos são os holandeses: mediam 1,69 m, hoje chegam aos 1,82. Os mais baixos são os timorenses: em cem anos passaram dos 1,53 para os 1,59 m, um diferencial de apenas seis centímetros. Já as mulheres, cresceram mais na Letónia: passaram do 1,55 m para o 1,698 m, quase, quase no metro e setenta. As mais baixas são as guatemaltecas: do 1,40 m chegaram apenas ao 1,49 m.

Mary de Silva, outra das cientistas envolvidas na investigação, comentou ainda: “O mais estranho são as imensas diferenças que encontramos entre os países.” Mas aí os números falam por si, sobretudo se olharmos para algumas regiões da África Subsaariana, a mais pobre do planeta: na Serra Leoa, Uganda e Ruanda as pessoas são até 5 centímetros mais baixas do que há 40 anos, embora tenham crescido alguma coisa em cem anos.

OMS lança parceria para eliminar doenças tropicais

O Projeto Especial Alargado para a Eliminação das Doenças Tropicais Negligenciadas (ESPEN, na sigla em inglês) foi anunciado pelo escritório da Organização Mundial de Saúde para a região africana na segunda-feira, numa cerimónia à margem da Assembleia Mundial de Saúde, que decorre em Genebra.

O projeto visa ajudar os países do continente a combater as doenças tropicais negligenciadas (DTN), que afetam mil milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria das quais na região africana.

“O ESPEN garantirá que os programas nacionais de combate às DTN tenham a informação, o conhecimento e os recursos financeiros necessários para acelerar o combate a essas doenças”, disse o diretor da OMS para África, Matshidiso Moeti.

Segundo a OMS, as DTN constituem um obstáculo pesado e constante, principalmente para as comunidades mais pobres, marginalizadas e isoladas do mundo.

A África Subsaariana concentra 40% da incidência global de DTN e, embora possam ser evitadas e tratadas, estas doenças continuam a desfigurar e a incapacitar, destruindo vidas, impedindo as crianças de frequentarem a escola e mantendo as comunidades na pobreza, lamenta a OMS.

O ESPEN irá vigorar até 2020 e deverá prestar apoio técnico e de angariação de fundos aos países endémicos, na perspetiva de que estas doenças são facilmente controláveis, através da administração preventiva de medicamentos nas comunidades afetadas.

Um estudo da Universidade Erasmus, de Roterdão, estima que cumprir os objetivos definidos para 2020 no controlo das DTN permitiria poupar 52 mil milhões de dólares e evitar o equivalente a 100 milhões de anos potenciais de vida perdidos devido à doença, deficiência ou morte prematura na África Subsaariana.

Só em Angola, onde se estima que 12 milhões de pessoas estejam afetadas por pelo menos uma das doenças tropicais negligenciadas, cumprir as metas da OMS até 2020 permitiria poupar 2,8 mil milhões de dólares e 1,9 milhões de anos de vida até 2030.

Em Moçambique, o número de pessoas afetadas sobe para 18,2 milhões e o estudo estima que o cumprimento das metas permitiria evitar prejuízos económicos de 900 milhões de dólares e 3,6 milhões de anos de vida perdidos.

Embora não tenha dados para Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, o estudo estima em 1,7 milhões o número de guineenses afetados e prevê poupanças de 89 milhões de dólares e 162 mil anos de vida se as metas fossem cumpridas na Guiné-Bissau.

Em comunicado, a OMS adianta que o projeto conta já com investimentos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), assim como do Kuwait Fund, do Departamento de Desenvolvimento Internacional (DFID) do Reino Unido, da Fundação Bill & Melinda Gates, do END Fund, do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África, e outras instituições.

Juntas, estas instituições contribuíram com um valor total de 7,4 milhões de euros em financiamento, mas a OMS alerta que serão necessários maiores compromissos financeiros e políticos por parte dos governos africanos para garantir que essas cinco doenças sejam controladas e eliminadas.

OMS dá diretrizes para tratar as sequelas da mutilação genital feminina

Pela primeira vez foram elaboradas indicações dirigidas às mulheres afetadas por esta mutilação, à qual são expostas anualmente cerca de três milhões de mulheres e crianças.

A mutilação genital feminina ou ablação implica a eliminação parcial ou total dos órgãos genitais externos das mulheres, que provocar dor, perda de sangue, e que pode provocar a morte.

No caso da mutilação conhecida por infibulação, são secionadas diversas partes dos órgãos genitais e também se cosem os lábios vaginais, pelo que se deixa apenas uma abertura para urina e o sangue menstrual, o que pode provocar a morte durante o parto, incluindo para os bebés, que podem ficar bloqueados.

A longo prazo as mulheres podem sofrer disfunção sexual, infeções urinárias ou problemas psicológicos como depressão, ansiedade ou síndroma pós-traumático.

A OMS refere-se a um problema de saúde global, com especial incidência em 30 países de África e alguns da Ásia, mas com casos cada vez mais frequente em países da Europa e América do Norte devido à imigração.

Doris Chou, perita do departamento de Saúde reprodutiva e investigação da OMS reiterou em declarações à agência noticiosa Efe a importância do pessoal médico para a erradicação desta prática, sobretudo após os casos cada vez mais comuns de envolvimento médico na ablação.

“As próprias famílias apercebem-se das complicações que podem ocorrer no decurso da mutilação, e recorrem ao pessoal médico mais próximo pedindo-lhes que a efetuem”, assinalou.

 

Europa é a primeira região a interromper transmissão da malária

Nas vésperas do Dia Mundial da Malária, que se assinala no dia 25 de abril, a agência das Nações Unidas para a Saúde diz, em comunicado, que os 53 países da região da Europa alcançaram a meta de erradicar a malária até 2015, contribuindo para o objetivo de “acabar com a malária de uma vez por todas”.

“É um grande marco para a história da saúde pública da Europa e para os esforços de eliminação da malária globalmente. Aplaudo esta conquista como o resultado de um compromisso político forte dos líderes europeus com o apoio da OMS”, disse a diretora regional da organização para a Europa, Zsuzsanna Jakab, citada no comunicado.

De 90.712 casos autóctones em 1995, a Europa passou para zero casos em 2015.

Segundo o Relatório Mundial da Malária 2015, divulgado em setembro, oito países da região europeia da OMS (Arménia, Azerbaijão, Georgia, Quirguistão, Tajiquistão, Turquia, Turquemenistão e Uzbequistão) ainda tinham transmissão autóctone em 2000, mas em 2014 esta estava confinada ao Tajiquistão.

A Turquia e o Tajiquistão estão na fase de eliminação e os restantes seis países estão já na fase de prevenção da reintrodução.

Apesar do êxito, a OMS lembra que até ser globalmente eliminada, a malária, ou paludismo, pode ser importada para a Europa por viajantes de e para países onde a doença é endémica.

“Não é apenas tempo de celebrar o nosso sucesso, mas também é a oportunidade de manter firme o estatuto de livre de malária que laboriosamente alcançámos. Até a malária ser erradicada mundialmente, as pessoas que viajam de e para países onde a malária é endémica podem importar a doença para a Europa e temos de manter o bom trabalho para prevenir a reintrodução”, afirmou a diretora regional da OMS.

Segundo a OMS, a meta de interromper a transmissão local de malária foi alcançada através de uma combinação de compromisso político forte, intensificação da deteção e vigilância dos casos de malária, estratégias integradas de controlo do mosquito que transmite a doença, com o envolvimento da comunidade, colaboração entre países e comunicação com as populações de risco.

A certificação oficial da eliminação da malária é dada pela OMS quando um país regista zero casos de malária adquirida localmente durante pelo menos três anos consecutivos.

“A região europeia foi declarada livre de malária na base da situação atual e da probabilidade de a eliminação poder ser mantida. Isto significa que não podemos baixar a guarda nesta doença”, disse o diretor de doenças comunicáveis e segurança da saúde da OMS Europa, Nedret Emiroglu.

O responsável lembrou que a experiência mostra que a malária se espalha rapidamente, pelo que, se os países não ficarem vigilantes e não responderem rapidamente, “um único caso importado pode resultar no ressurgimento da malária” na Europa.

Com efeito, a região europeia já tinha sido declarada livre de malária em 1975, depois de um programa de erradicação lançado pela OMS, mas no final dos anos 80 e início dos 90, a transmissão local da doença tinha recomeçado no Cáucaso, nas repúblicas centro-asiáticas e, com menos gravidade, na Rússia.

Na Turquia, o grande aumento do número de casos registado nos anos 90 foi associado à entrada de numerosos refugiados iraquianos que fugiam da primeira guerra do golfo.

Entre 21 e 22 de julho, a OMS vai organizar a primeira reunião de alto nível para a prevenção da reintrodução da malária, em Ashgabat, Turquemenistão.

A nível global, 3,2 mil milhões de pessoas, quase metade da população mundial, vivem em zonas onde a malária é endémica.

Em 2015, registaram-se 214 milhões de casos e 438.000 mortes por malária, a grande maioria (90%) na África Subsaariana, números que representam uma redução de 37% (na incidência) e 60% (na mortalidade) face a 2000.

A malária é provocada por um parasita que é transmitido aos humanos pela picada de um mosquito. Os primeiros sintomas são febre, dores de cabeça, arrepios e vómitos, e sem tratamento a doença pode tornar-se grave e provocar a morte.

 

Ao ritmo atual a Europa só conseguirá erradicar tuberculose em 2100

O número de casos de tuberculose está a baixar, mas muito lentamente, e a este ritmo a Europa só conseguiria eliminar totalmente casos novos da doença no ano de 2100, ou seja, daqui a 84 anos. No grupo de países da Europa e da Ásia Central, o número de novos casos está a cair em média 5,2% por ano.

Desde 2005 que o número de novos casos de tuberculose tem caído em média 5,2% por ano – um decréscimo menor entre 2010 e 2014, apenas 4,3% -, constituindo um dos decréscimos mais acentuados em todo o mundo. Em Portugal, verifica-se a mesma tendência decrescente, com um declínio equivalente à da União Europeia/Espaço Económico Europeu – 4,5%. Os resultados foram apresentados esta quinta-feira no oitavo relatório conjunto entre o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) e Gabinete Regional da Europa da Organização Mundial de Saúde (OMS/Europa) – que compreende 53 países.

A diminuição do número de casos em Portugal tem sido, ao longo dos últimos 10 anos, mais acentuada no grupo etário entre os 15 e os 44 anos. Já a partir dos 45 anos o ritmo de redução de número de casos ao longo dos anos tem sido menor. Ainda assim, Portugal, com 21,3 casos por 100 mil habitantes, está próximo do grupo com menor incidência – aqueles que têm menos de 20 casos por 100 mil habitantes, como a Alemanha, o Reino Unido ou a Grécia.

A tuberculose continua a ser uma das principais preocupações de saúde para a OMS/Europa. Estima-se que em 2014 existissem entre 320 mil e 350 mil casos de tuberculose na região europeia da OMS, o que equivale a uma média de 37 casos por 100 mil habitantes. A doença será considerada eliminada quando se registarem anualmente menos de um caso de tuberculose por milhão de habitantes. Mas a este ritmo a Europa não conseguirá eliminar a doença antes de 2100, disse ao Observador o ECDC.

Os países desta região que não pertencem à União Europeia (UE) ou ao Espaço Económico Europeu (EEA, na sigla em inglês) têm taxas altas de tuberculose e de resistência da bactéria a várias dos medicamentos usados. Por outro lado, os países da UE e EEA apresentam um número significativo de casos tuberculose entre as populações mais vulneráveis, como imigrantes e prisioneiros.
Os grupos mais vulneráveis, como as populações mais pobres e marginalizadas ou os imigrantes e refugiados, são também os grupos onde é mais provável o aparecimento de bactérias multirresistentes (com resistência a vários antibióticos). “Por causa das condições em que vivem, a tuberculose é, muitas vezes, diagnosticada muito tarde e é mais difícil para estes grupos completar o tratamento. Se queremos eliminar a tuberculose da Europa, ninguém deve ser deixamos para trás”, disse a diretora da OMS/Europa, Zsuzsanna Jakab.

A tuberculose e os migrantes
Há um consenso geral de que os migrantes e refugiados devem ter acesso a cuidados de saúde, quer tenham documentos ou não, quer se tenham conseguido registar ao não. A probabilidade de adoecerem com tuberculose aumenta com a falta de condições de salubridade onde vivem, mas está sobretudo dependente da incidência da doença no país de origem.

Em comunicado de imprensa, o ECDC e OMS/Europa referem que a probabilidade de os migrantes poderem transmitir a doença aos residentes europeus é mínima porque os contactos são limitados e a tuberculose não é facilmente transmissível. Mais, a Síria tem menos casos de tuberculose por ano do que a União Europeia – 17 casos em 100 mil habitantes, contra 37 casos em 100 mil habitantes.

É certo que o aumento do número de refugiados impõe uma pressão maior nos serviços de saúde dos países que os recebem. E, ainda que os refugiados constituam um grupo prioritário para a prevenção e controlo de algumas doenças, porque são um grupo vulnerável, isso não significa que representem uma ameaça à saúde pública na Europa, esclareceu o ECDC ao Observador.

O risco de os refugiados de adoecerem quando chegam à Europa tem aumentado devido à sobrelotação dos centros de acolhimento, onde as condições de higiene e salubridade estão comprometidas, acrescentou o ECDC. “Garantir níveis apropriados de acesso ao diagnóstico médico e aos serviços de tratamento e a implementação de rastreio apropriado ligado a esses serviços são importantes.”

A Organização Mundial de Saúde apresentou recomendações sobre o rastreio de tuberculose, especialmente em migrantes e refugiados de países com elevada taxa de incidência da doença e que viajaram e vivem em condições precárias. Esta é uma forma de evitar que os contactos mais próximos sejam contaminados, mas não deve de forma nenhuma ser usada para negar a entrada de migrantes ou refugiados.

As dificuldades de vencer a tuberculose
A tuberculose pulmonar é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também chamado de bacilo de Koch, e é a forma mais comum da infeção com esta bactéria. A vacina da BCG, constante do Plano Nacional de Vacinação, não previne a infeção, mas diminui a gravidade de algumas formas de tuberculose, como a meningocócica.

Tirando esta vacina dada às crianças, não existe nenhuma vacina contra a tuberculose e os doentes têm de ser tratados durante seis meses com um conjunto diferente de medicamentos. O tratamento prolongado é uma das dificuldades no combate à doença, porque alguns doentes não cumprem a medicação integralmente. A interrupção do tratamento ou a medicação intermitente podem potenciar o aparecimento de formas resistentes.

A resistência das bactérias a vários antibióticos (multirresistência) pode aparecer quando o tratamento não é adequado e aumentar por transmissão entre pessoas. “Se os doentes com tuberculose multirresistente não forem diagnosticados precocemente e tratados com sucesso, isso põe não só a vida deles em risco, mas aumentam o risco de transmissão da doença”, esclareceu o ECDC ao Observador.

A incidência de tuberculose na Europa aumentou rapidamente desde 1990 e atingiu o pico em 1999-2000, começando a diminuir a partir de 2005. Um dos problemas adicionais da tuberculose é que aparece como doença oportunista em doentes imunodeprimidos, com os seropositivos. Na região europeia da OMS, entre 18 mil a 21 mil casos de tuberculose são de doentes com VIH (vírus da imunodeficiência humana).

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