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Dedique-se ao seu negócio. O Faro Avenida Business Center ocupa-se do resto

O Faro Avenida Business Center é um projeto diferenciador que assenta num modelo híbrido, dispondo de escritórios físicos, coworking e escritórios virtuais, dispondo ainda de várias salas de reunião e formação. É um conceito que se destina a qualquer empresa de qualquer setor de atividade, independentemente do seu core business.

Os espaços deste centro de negócios podem ser reservados, inclusive, por clientes sem vínculo ao Faro Avenida Business Center, para a realização de reuniões ou formações, por curtos períodos de tempo. A par da comodidade e redução de custos, este é um dos fatores diferenciadores do centro, a flexibilidade e a oferta de diferentes pacotes de serviços para que o cliente possa escolher o melhor serviço de acordo com as suas necessidades.

Aqui o cliente só se preocupa com o seu negócio. É um serviço chave na mão. “Tratamos de todos os serviços inerentes à reserva do espaço. Quando o cliente nos contacta a solicitar um escritório físico, providenciamos todo o mobiliário necessário. Garantimos os encargos de receção, alarme, internet, limpeza diária, água e luz. Os serviços estão todos incluídos para que o cliente possa dedicar-se inteiramente ao seu negócio”, afirma Maria Inês Barra.

Este conceito foi pensado em 2013 e nasceu da necessidade que Maria Inês Barra sentiu neste tipo de negócio, ou seja, a existência de um business center que reunisse várias valências como escritórios físicos, coworking e escritórios virtuais, salas de reunião, salas de formação e espaços para eventos. “Tentamos agregar o máximo de serviços possível para irem ao encontro das necessidades dos clientes, desde empresariais a freelancers.

A recetividade, essa, tem vindo a ser bastante positiva. “Este projeto foi pensado e iniciado em plena crise, mas foi uma boa aposta. Felizmente, temos evoluído de ano para ano e tivemos de expandir rapidamente, procedendo a obras para aumentar o espaço para conseguirmos corresponder ao aumento da procura. Começamos no rés-do-chão e hoje ocupamos já o primeiro piso”, explica a nossa entrevistada.

Agora o objetivo passa por consolidar, em termos de espaços físicos, o que já foi construído, bem como o investimento que já foi feito. A médio prazo, Maria Inês Barra idealiza expandir o espaço para outras zonas do Algarve ou até mesmo abrir uma sucursal. “Quero continuar a fazer mais e melhor e ajudar a região a afirmar-se”, acrescenta a nossa interlocutora.

O Faro Avenida Business Center tem vindo a afirmar-se e é cada vez mais uma marca reconhecida.

QUEM É MARIA INÊS BARRA

Maria Inês Barra vem de áreas distintas e ganhou experiência a fazer um pouco de tudo. O empreendedorismo já lhe está no sangue e o jeito para o negócio já vem de família. Numa determinada altura da sua vida decidiu que queria iniciar um projeto diferente e depois de fazer a sua pesquisa sabia exatamente o projeto que queria criar: o Faro Avenida Business Center.

Começou com um espaço com 500 m2 e hoje este centro de negócios tem já um espaço constituído por cerca de 1000 m2.

“Gosto de novos desafios e esta é a minha maneira de estar. Procuro criar projetos impactantes, fazê-los crescer e dar-lhes rentabilidade”, afirma Maria Inês Barra.

Proactiva, com atitude e garra, desde cedo que Maria Inês Barra revelou ser uma mulher empreendedora. “Com 22 anos criei a minha primeira empresa, uma perfumaria, tendo ao fim de três anos já cinco e um cabeleireiro. Era muito nova, o que me obrigou a esforçar mais para conseguir impor a minha opinião e fazer-me ouvir. Essa foi a minha maior dificuldade no meu percurso profissional”, relembra a nossa entrevistada.

Já liderou diversas equipas e a gestão de pessoas é, para Maria Inês Barra, o maior desafio que se enfrenta. Por isso mesmo um bom líder tem de saber dar o exemplo. Sempre. “Devemos ter a noção e consciência do trabalho que é feito em cada departamento e fazer um pouco de tudo para dar o exemplo. Todos têm de vestir a camisola, incluindo os líderes”, conclui Maria Inês Barra.

“Desde que me conheço que quis ser advogada”

A vida profissional da nossa entrevistada tem sido uma «roda viva», num percurso muito positivo e que muito tem dado do ponto de vista pessoal e profissional à nossa interlocutora. Licenciou-se em Direito na Universidade Nova de Lisboa em 2004, mas foi no ano de 2016 que decidiu estabelecer-se de forma independente e apostar num escritório em nome pessoal na cidade de Leiria. “Naturalmente que é um desafio enorme, mas decidi que esse era o momento e penso que até o poderia ter feito mais cedo”, refere Patrícia Pascoal, assegurando que o balanço deste ano e meio de atividade tem sido “muito positivo. Claro que o primeiro ano é sempre o mais complicado em qualquer projeto, mas com o tempo as dificuldades vão sendo ultrapassadas e hoje posso afirmar que estou muito satisfeita com o que tenho vindo a alcançar”, revela a nossa interlocutora.

A este sentido positivo, não é alheio o facto de em Portugal, atualmente, se viver uma fase boa, ou seja, “há trabalho na área do direito para os advogados e isso também se tem refletido na orgânica do escritório”.

As mulheres na advocacia e na liderança

Nas últimas décadas, uma significativa transformação das profissões jurídicas tem sido a sua crescente feminização, algo que não acontecia num passado não muito longínquo, em que a área da justiça era composta, maioritariamente, por homens. Hoje isso mudou? Paulatinamente, esse trilho vai sendo traçado e o cenário tem vindo a mudar. Basta ver em Leiria, em que atualmente existem 327 advogados, e as mulheres estão em maioria. “Neste momento existem 191 advogadas e 136 advogados e isso é um sinal de mudança, que me parece positivo”, salienta a nossa entrevistada.

Apesar de nunca ter sentido qualquer entrave à evolução da sua carreira pelo facto de ser mulher, Patrícia Pascoal reconhece que, “principalmente em meios mais pequenos, existia menos recetividade por parte das pessoas relativamente a uma advogada. Mentalidades que vêm sendo mudadas, o que muito se deve, desde logo à democratização da educação, que nos chegou com a Constituição de 76.”

Relativamente à ocupação dos lugares de liderança pelas mulheres, “e sem querer enveredar pelos lugares comuns habituais neste âmbito, penso que há características tidas como apanágio do género feminino – como a capacidade de comunicação e de gerar empatia – que fazem falta nas chefias. Por isso, parece-me importante assegurar a existência de igualdade no acesso a esses cargos. No entanto, considero que, mais importante que o sexo de quem lidera, são as características do líder, no sentido de se criar na organização um ambiente sadio e motivador”, conclui.

RGPD «à boa maneira portuguesa»

A partir do dia 25 de Maio de 2018 todas as organizações têm de cumprir o Novo Regulamento Europeu sobre Proteção de Dados (RGPD). Esta é uma mudança significativa na regulação da privacidade dos dados nas últimas duas décadas, tendo como principal objetivo assegurar a privacidade e a integridade dos dados pessoais. Assumidamente, o RGPD aporta consigo uma maior proteção do indivíduo – “assegura-se o «direito a ser esquecido», podendo o particular dar e retirar o consentimento ao tratamento dos seus dados a todo o tempo; estabelece-se uma maior exigência em termos de formalismo a cumprir na angariação do consentimento da pessoa, o qual é obrigatório, e terá de ser manifestado de uma forma clara, livre, inequívoca e espontânea, não podendo, designadamente, existir pré-seleções em quadrículas, como assistíamos nos contratos de adesão, ou nas newsletters que recebíamos, em que esse consentimento já estava muitas vezes pré-selecionado. Isso acabou”, afirma categoricamente a nossa entrevistada, relembrando que a grande preocupação passa pelas coimas. “Toda a gente está muito preocupada porque as coimas são muito avultadas e infelizmente estamos a fazer jus ao velho ditado «à boa maneira portuguesa», porque tivemos dois anos para preparar a entrada em vigor do novo RGPD e só agora nos preocupam as soluções”.

O RERE, o PER e as mudanças positivas

Nesta senda de mudanças, o novo Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas (RERE) entrou em vigor em Março passado e regula os termos e os efeitos das negociações e do acordo de reestruturação empresarial que seja alcançado entre um devedor e um ou mais dos seus credores fora dos tribunais. O RERE é uma das medidas integradas no programa Capitalizar, na área de Reestruturação Empresarial, sucedendo ao SIREVE – Sistema de Recuperação de Empresas por Via Extrajudicial – e surgindo como alternativa ao PER – Processo Especial de Revitalização. Mas existirão vantagens? “Sem dúvida. A empresa pode escolher determinados credores e o plano/acordo, que é confidencial, só vincula os intervenientes. O RERE é mais flexível, mais rápido e tendencialmente menos dispendioso, além de que, em termos fiscais o legislador o equiparou ao PER”. Sublinha ainda a importante alteração ao regime do PER, que entrou em vigor recentemente e que veio, por um lado, esclarecer que os particulares não podem recorrer ao PER, e por outro, credibilizá-lo, estabelecendo-se a possibilidade de recurso a novo PER, mas só em determinadas circunstâncias, nomeadamente se a empresa devedora demonstrar que cumpriu o plano homologado e que a alteração superveniente é alheia à própria empresa, impedindo-se a sucessão fraudulenta deste mecanismo em prejuízo dos credores.

A terminar, a nossa entrevistada assegurou que o Direito faz parte da sua vida e que irá continuar a fazer, até porque “o direito e a justiça são valores que sempre me acompanharam e a advocacia é para mim, mais que uma profissão: é a minha missão de vida”, conclui Patrícia Pascoal.

Alcance os seus objetivos de forma consistente e sustentada

Natural de Coimbra e dona de uma energia contagiante, Paula Rocha fala, na primeira pessoa, sobre o impacto que a força do querer tem nas nossas vidas.

É uma mulher de ação que gosta de fazer acontecer: confecionar doces, compor trechos musicais, desenvolver projetos e negócios, tudo acontece no seu dia a dia de forma natural. “Gosto de criar. Gosto de fazer muitas coisas e coisas diferentes e isso acaba por se refletir no meu percurso profissional e ser uma característica da minha personalidade”, começa por referir Paula Rocha

Desde pequena que se lembra de gostar de fazer várias coisas e recorda a dificuldade em dedicar-se em exclusivo a algo em concreto. Contudo, confraternizar e comunicar com pessoas era algo que a apaixonava.

Lembra-se, perfeitamente, a 25 de abril de 1974, quando regressava da escola, a mãe lhe ter dito que acontecera uma coisa que iria gostar muito. A sua resposta foi imediata: já posso falar à vontade?

Com muitos interesses e sem uma paixão, acabou por seguir as pisadas do pai e formou-se em engenharia. Mas rapidamente percebeu que a área comportamental e a psicologia despertavam em si um fascínio. A curiosidade por estas matérias nasce no seio da engenharia. Lembra-se de ir a uma obra e de ficar atrapalhada com os comentários vindos dos profissionais da construção. Na altura pensou: Porque é que a forma de comunicar influencia o comportamento?

Entretanto, é convidada para dar formações. Em sala tudo corre bem e as avaliações até foram boas, mas na prática, quando foi possivel observar os participantes no seu contexto de trabalho, estes não tinham alterado os seu comportamentos. Lembra-se da frustração que sentiu e, mais uma vez, questiona o comportamento humano e os mistérios dos agentes influenciadores. É nesse momento que vai à procura de respostas. Faz a licenciatura em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho. Esta área era o que realmente a apaixonava. Gostava de perceber as pessoas no contexto de trabalho, o que influenciava o seu desempenho, que aspetos, psicológicos e sociológicos, interferiam no seu desempenho e que impacto exerciam nos seus resultados. Paula Rocha era casada desde os 18 anos, e nesta altura já tinha dois filhos, trabalhava e estudava. Ainda assim, foi a melhor aluna da licenciatura. “Isto leva-nos a pensar sobre o que somos ou não capazes de fazer. Sobre o quanto desconhecemos o potencial que temos. Somos forçados a equacionar a hipótese de que, se calhar, não conseguimos atingir os resultados que pretendemos porque não acreditamos em nós próprios”, afirma a nossa entrevistada.

Mais tarde, passa pela consultoria e a formação em diversas empresas e é nessa altura que integra o doutoramento em Economia e Gestão de Empresas. “Num determinado momento desconfiei que, estando demasiado focada nas pessoas poderia não conseguir ter uma visão global da empresa”, explica Paula Rocha.

Contudo, é importante para Paula Rocha realçar que tudo isto foi possível porque teve uma peça fundamental e um forte background durante todo este processo: o marido e a família. “Os melhores resultados conseguem-se em equipa, seja numa empresa ou na família. Cada um tem de perceber bem o seu papel e qual o seu contributo. É preciso construir laços fortes que suportem a coesão do grupo. Trabalhar para a equipa/familia sem perder a individualidade”, acrescenta a nossa entrevistada.

Nesta fase, a sua vida dá uma reviravolta. É detetado um tumor cerebral no seu filho mais novo, de 13 anos, e é-lhe dado apenas 3% de hipótese de sobreviver. A partir daqui tudo se torna difícil e o seu único foco passa a ser o seu filho. Mas como o seu filho Bernardo dizia, 3% é melhor do que zero. Entre as idas ao IPO, a procura pelos melhores médicos e hospitais, as viagens, a crença nos 3% e a operação nos EUA para dar qualidade de vida ao seu filho, Paula Rocha atravessa um período de dois anos bastante atribulado.

Quando regressa, precisa de acreditar no poder da força interior. Torna-se imprescindível aplicar uma máxima tantas vezes repetida: temos todos os recursos necessários para ser excelentes. Seguem-se anos de muito trabalho. Findo este período controverso e a um ano de completar 50 anos de vida, Paula Rocha sente que chegou a hora de fazer o que realmente gosta, à sua maneira e com as pessoas que gosta. E assim nasce a KEEP Corporate. Uma Paixão.

Da engenharia à psicologia, passando pela economia, Paula Rocha é hoje CEO da KEEP Corporate.

SUPERE OS SEUS DESAFIOS E ATINJA OS SEUS OBJETIVOS

Paula Rocha explica que este projeto foi pensado numa lógica de ver o indivíduo como um todo. Corpo e mente fazem parte do mesmo sistema, por isso a questão que Paula Rocha colocou foi “como vou desenvolver um projeto que aborde as duas matérias?”.

Para isso, a KEEP Corporate concentra na empresa consultoria, formação, coaching, consultas de nutricoaching e treino mental. Ao nível individual apoia as pessoas a atingirem os seus objetivos tendo em consideração todas as suas dimensões. A KEEP Corporate disponibiliza, ainda, ferramentas de assessement que permitem analisar o perfil comportamental do indivíduo, de forma a melhorar o seu autoconhecimento e traçar planos de ação mais adequados.

O cliente tem ainda ao seu dispor um serviço de avaliação física com profissionais do desporto e nutricionistas para que não seja a falta de capacidade física o motivo para o não atingimento dos objetivos. Para aqueles que procuram a alta performance, seja no desporto, no estudo, ou em qualquer outra área, a KEEP Corporate dispõe da mais avançada tecnologia da neurociência que permite a interface cerebro-computador.

Esta técnica usa estratégias testadas em variados ambientes de alta performance para a autoregulação do sistema nervoso autónomo e central, munindo-o de competências criticas à execução de decisões em ambiente de stress para quem precisa de estar no seu melhor.

Os cenários de treino são individualizados, após avaliação de acordo com os objetivos pessoais, e permitem que, progressivamente, o indivíduo consiga ter um domínio elevado de auto-regulação do corpo e mente que lhe permitirá transferir esta competência para o contexto de trabalho.

Paula Rocha foi assessorando a sua equipa de especialistas com várias valências que acrescentam valor às soluções que a empresa oferece aos seus clientes.

Na formação ministrada nas instalações da KEEP Corporate os participantes têm acesso a várias valências, como biblioteca e coffe-breaks saudáveis.

Desenvolve soluções à medida para as empresas, tendo em consideração as suas necessidades.

No que concerne às soluções empresariais a KEEP Corporate oferece soluções customizadas e diferenciadoras. “Não temos formação em catálogo. Todas as nossas propostas resultam de um diagnóstico realizado por nós  ou do diagnóstico realizado pelo cliente.

No decurso das ações alinhamos as estratégias de ensino por aquilo que as pessoas valorizam usando exemplos reais da própria empresa, na medida das necessidades e dos objetivos que a própria quer alcançar”, afirma a nossa entrevistada.

São combinadas diferentes metodologias desenvolvidas pela KEEP Corporate e todos os formandos são constantemente desafiados. por exemplo, a KEEP dispõe de um sistema de gamification para utilizar no período a seguir ao término da formação de forma a garantir períodos de motivação mais extensos e aumentar o impacto da formação. O objetivo é garantir o alcance dos resultados pretendidos.

“Não quero chegar a uma empresa e ser uma simples prestadora de serviços. Quero ser a parceira que está sempre por perto disposta a apoiar os projetos em curso, as mudanças e que ajuda a fazer acontecer” afirma.

Paula Rocha é ainda voluntária em vários projetos e vive num processo de melhoria contínua acreditando que pessoas felizes atingem resultados de excelência.

A liderança de uma mulher numa das melhores empresas em portugal

A Grünenthal já está presente em Portugal há inúmeros anos, no entanto, a Grünenthal Financial Services é uma empresa recente. Como é que teve início este projeto?

O Grupo Grünenthal é uma empresa com espírito empreendedor, comprometida com a inovação, através de um investimento sustentado em R&D. A ambição do grupo é lançar quatro a cinco novos produtos para doentes com necessidades médicas não satisfeitas até 2022.

Presente em 32 países, com filiais na Europa, América Latina e Estados Unidos da América, bem como presença comercial em mais de 155 países, o Grupo emprega neste momento aproximadamente 5.500 pessoas a nível global.

Em 2016, o grupo Grünenthal decidiu centralizar as suas operações contabilísticas e financeiras. Tendo em conta o peso relativo do negócio do grupo tanto, na Europa como na América Latina, para além da Alemanha, Portugal foi o destino escolhido, visto que cumpria na perfeição o papel de ponte, ligando as operações na Europa ao outro lado do Atlântico, tanto em termos culturais como linguísticos – assim nasceu a Grünenthal Financial Services.

Juntei-me a este projeto no início. Neste momento tenho uma equipa de especialistas financeiros que trabalha e pensa diariamente de uma forma global. A grande maioria vem das áreas de economia, contabilidade, gestão, e fala pelos menos três línguas estrangeiras.

Falemos da gestão de equipas. O que é que mais a inspira na gestão diária das suas equipas?

A diversidade. Acredito no sucesso de equipas diversificadas, onde o conhecimento dos mais velhos e a energia dos mais novos se complementam.  Onde as opiniões de homens e mulheres são ouvidas. E onde as minorias e as maiorias convivem em harmonia.

Na Grünenthal  Financial Services tenho uma equipa totalmente diversificada, não só na vertente operacional, como também na equipa de gestão. 50% da minha equipa de gestão é constituída por mulheres fortes, dinâmicas e com muita experiência acumulada.

E isto não é exceção. A outra empresa do grupo presente em Portugal, responsável pela parte comercial, também é liderada por uma mulher.

A construção de equipas de trabalho tem que ter em conta inúmeros aspetos. Sem querer simplificar em demasia, qual é que considera o elemento fulcral na construção de uma equipa?

Acho que a cultura da empresa tem um papel fundamental. A meu ver, a cultura da empresa tem um valor intangível semelhante ao de uma marca. E constitui uma espécie de  “remuneração emotiva” que tem  um peso cada vez maior na atração de talento.

Culturas empresariais que promovem o  reconhecimento, a aprendizagem constante, o sentido de pertença, o espírito de equipa e o sentimento de que está a contribuir para algo relevante, são mais procuradas pelo talento.

Na Grünenthal acreditamos que esta cultura de empresa facilita o desenvolvimento do potencial de cada colaborador, e ao mesmo tempo permite-lhe sentir-se feliz no seu ambiente de trabalho, ou como nós gostamos de dizer conseguimos a  “workiness”.

A Grünenthal Financial Services tem menos de 2 anos, no entanto, foi recentemente distinguida, em conjunto com a sua empresa irmã, como uma das Best Workplaces 2018. Qual o impacto deste reconhecimento para si?

Adoramos ver o nosso trabalho reconhecido. No entanto, tenho bem presente a responsabilidade acrescida que este reconhecimento significa. Por um lado, tenho uma responsabilidade para com a minha equipa, de garantir que este ambiente de trabalho se mantém num contexto em que a mudança é cada vez mais rápida.

Por outro lado, sinto que tenho uma responsabilidade para com a sociedade. Como mulher à frente de uma empresa, que é reconhecida como uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal, tenha a responsabilidade e a honra de servir de farol a outras mulheres que irão ver reconhecida a sua capacidade de liderança.

Bee Ineditus: A colmeia está a crescer

Cátia Almeida é um dos rostos da Bee Ineditus, uma empresa que oferece, atualmente, um serviço totalmente integrado e focado nas necessidades do cliente ao nível da criação, gestão e implementação de estratégias personalizadas. “Queremos diversificar as atividades de forma a responder as necessidades dos clientes”, começa por referir Cátia Almeida.

E como é que surge a Bee Ineditus? Recém-licenciada, Cátia Almeida começa a trabalhar na área da publicidade na função de account. “É uma área tradicionalmente de mulheres pelo que não senti diferenças ou obstáculos durante o meu percurso. Era vista como a mais nova, mas trataram-me muito bem e ajudaram-me a crescer profissionalmente”, explica a nossa entrevistada.

Porém, passados dois anos, decide criar a sua própria empresa, surgindo, assim, a Bee Ineditus. “Trata-se de um projeto descontraído e flexível, direcionado para organização de eventos que me permitia conciliar a minha carreira com o meu papel de mãe que ambicionava vir a ter. Sempre quis ter esse equilíbrio na vida”, adianta Cátia Almeida.

No entanto, de ano para ano, o projeto começou a ganhar dimensão e hoje, passados dez anos, a Bee Ineditus é uma empresa de comunicação integrada, constituída por 20 pessoas, que aposta na inovação para apresentar propostas originais e personalizadas aos seus clientes. “Foi algo que não foi pensado e que foi crescendo naturalmente”, reforça a nossa interlocutora.

Hoje, a Bee Ineditus disponibiliza serviços de eventos, ativação de marca, design gráfico, web design, produção de vídeo, advocacy relations, public affairs, marketing digital e gestão de social media, criação e desenvolvimento de plataformas digitais, sendo esta última a que está com maior desenvolvimento dentro da estrutura. “Os pedidos de serviços foram crescendo e nós fomos crescendo com eles, começando a integrar na empresa departamentos para corresponder prontamente aos pedidos dos nossos clientes. Temos um serviço chave na mão e uma equipa multidisciplinar. Prestamos um serviço personalizado e crescemos com os pedidos dos nossos clientes que nos desafiam a fazer mais e melhor”, afirma Cátia Almeida.

“MOVEMO-NOS PELAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS”

Desde 2008 que a Bee Ineditus estabelece relações dedicadas e duradouras com os seus clientes. São já dez anos de um modo de estar no mercado que prima pela proximidade com o cliente. “Somos muito familiares no trato, o que nos aproxima e ajuda a criar empatia com os clientes. Não temos uma visão do negócio puramente comercial, movemo-nos pelas relações interpessoais”, diz-nos Cátia Almeida.

A transformação digital tem sido o maior desafio para a Bee Ineditus que tem acompanhado as exigências da inovação, da forma de pensar e da forma de estar das empresas no mercado.

A transformação digital é hoje um tema incontornável em todas as organizações e que vai muito além da mera utilização das ferramentas tecnológicas, implicando uma verdadeira reinvenção, transformando mentalidades. Com a transformação digital a mudança vai permanecer como a única constante nas empresas. É necessário abraçar o digital nos modelos de negócio e, por isso mesmo, a Bee Ineditus está a apostar fortemente na área digital. “É o nosso foco, bem como a área da programação. Temos de estar em cima do acontecimento, saber o que está a acontecer no mercado e oferecer serviços cada vez mais inovadores. Para isso, a formação é algo que a empresa disponibiliza para investir nos seus colaboradores”, acrescenta a nossa entrevistada.

Num mercado cada vez mais exigente, as organizações enfrentam desafios complexos que exigem uma liderança flexível e inovadora. Para Cátia Almeida, uma líder com uma grande orientação para o cliente e para a pessoas, o seu maior desafio é exatamente gerir pessoas. “É bastante complexo liderar uma equipa constituída por pessoas diferentes, com necessidades e ambições diferentes, ao mesmo tempo que procuramos proporcionar-lhes facilidades para conciliarem a vida profissional com a vida pessoal”, clarifica a nossa entrevistada.

“Queremos que, na Bee Ineditus, as pessoas consigam ter um bom equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. Sabemos que nem sempre é fácil, devido às exigências do mercado, mas tentamos ser flexíveis sobretudo para quem tem filhos.”

SALVEM AS ABELHAS, PLANTEM FLORES

E se todas as abelhas morressem? Sabe o que aconteceria? Qual é o papel da abelha na dinâmica dos ecossistemas? A verdade é que a maioria das pessoas desconhece que as abelhas cumprem um papel infinitamente mais relevante que apenas produzir mel. Elas são responsáveis pela polinização e contribuem diretamente para a agricultura e a produção de alimentos – cerca de 70% das plantas de importância para a alimentação humana dependem de polinização das abelhas.

A Bee Ineditus pretende alertar e consciencializar a população para a importância que as abelhas assumem nos ecossistemas e, em parceria com a BeeRural, levará a cabo algumas iniciativas neste âmbito.

Sabia que pode salvar abelhas plantando flores? A Bee Ineditus alerta que com a chegada da Primavera é importante destacar o trabalho que as abelhas fazem diariamente pelo ecossistema, mas infelizmente, o uso de adubos e químicos no cultivo de plantas e vegetais estão a fazer adoecer as abelhas. A gravidade da situação é muito maior do que pode parecer e a Bee Ineditus quer ajudar as abelhas a ficarem saudáveis.

“Só somos verdadeiramente felizes se gostarmos do que fazemos”

A Cognipharma surge no mercado com uma proposta de valor altamente competitiva, no sentido em que traz um conjunto de soluções no âmbito do digital e tecnologia, consultadoria e recolha de dados, que são uma mais-valia para laboratórios, pacientes e profissionais de saúde, olhando para este setor como um todo.

Atualmente já trabalham com grande parte das maiores empresas da Indústria Farmacêutica, com soluções integradas do ponto de vista digital e com uma performance que se mede em resultados.

A empresa, ainda recente, é o resultado daquilo que Flôr e Ana observam no setor e cuja missão também passa por tentar mudar a visão de como as coisas são encaradas no universo farmacêutico.

Descreve-se como alguém que é apaixonada por tudo o que faz, “em todos os projetos por onde tive o prazer de passar, procurei sempre dar o meu melhor e tudo o que faço, faço-o com empenho, dedicação e prazer, porque só assim somos verdadeiramente felizes e conseguimos chegar aos resultados pretendidos”.

Formada em marketing, com um curso em restauro e pintura, ingressou no setor farmacêutico com a Jaba Farmacêutica e foi aí que começou a perceber que esta era, de facto, uma área apaixonante. E nunca mais parou.

Flôr sempre teve um bichinho de empreendedora e um desejo de mudar o mundo. Com uma carreia de sucesso e uma vida pessoal muito preenchida, com familia, amigos, marido e três filhos, começou a sentir que “gostava de fazer algo diferente, algo que fizesse a diferença”. Este era um sonho antigo. E quando decidiu sair da Bial foi trabalhar para uma empresa onde contactou com diversos laboratórios. começou a perceber que “quando estamos muito focados em resultados não temos muito tempo para refletir no que de facto tem impacto e no que traz valor acrescentado para os vários stakeholders”. Foi aqui que viu um potencial negócio: “procurar soluções diferenciadoras para os vários stakeholders que tragam resultados para os nossos clientes”.

“A sorte é dos audazes”

Em 2016 decidiu aceitar o desafio de fundar a Cognipharma e, com a paixão e determinação que a caracterizam, abraçou este desafio com a missão de contribuir para o desenvolvimento e crescimento dos clientes da Cognipharma. “Quando conheci a Ana Oliveira, tivemos muitas conversas sobre lacunas que víamos no mercado, e decidimos fundar uma empresa para a corrigir essas mesmas lacunas”.

Cognipharma e o crescimento exponencial

De forma a trazerem uma proposta de valor arrebatadora para o mercado, a Cognipharma aliou-se a uma empresa de renome na área do digital e da tecnologia, a Performance Sales, que faz parte do Wygroup. “Foi o casamento perfeito entre empresas. temos uma enorme experiência na área farmacêutica e a Performance Sales na área digital. A primeira coisa que nos falaram quando nos reunimos pela primeira vez foi em resultados, e de imediato percebemos que também eram pessoas muito apaixonadas pelo que faziam. nesse momento descobrimos que tínhamos encontrado os parceiros certos para trazer esta mudança de paradigma para a Indústria Farmacêutica.

A Cognipharma em conjunto com a Performance Sales trazem para o mercado um conjunto de soluções no âmbito da consultadoria, digital e tecnologia, que são uma mais-valia para laboratórios, pacientes e profissionais de saúde, olhando para este setor como um todo. Por isso mesmo a empresa foi fundada por duas mulheres com uma enorme experiência no setor farmacêutico.

“Trabalho há mais de quinze anos na indústria farmacêutica, como gestora de produto e de marketing. Tive a oportunidade de trabalhar em algumas das maiores empresas do setor, Pfizer, Sanofi e Bial. Tais experiências foram muito enriquecedoras, deram-me uma visão muito completa da Indústria Farmacêutica”.

A empresa, apesar de recente, já provou merecer a atenção do mercado. Inclusivé tiveram no ano passado a 1ª edição de um evento Farma, em parceria  com a Performance Sales, a convite da Google, de modo a promover a digitalização do setor farmacêutico. E o primeiro correu tão bem que estão previstos outros eventos com parceiros de renome.

A indústria farmacêutica é encarada muitas vezes como um setor que apenas tem como objetivo vender medicamentos. “A minha experiência diz-me que não é bem assim. A indústria tem sim uma preocupação constante com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Exemplo disso é um projeto sobre pessoas com uma determinada doença, em que o objetivo é sensibilizar para o facto de que quem tem esta condição tem grandes desafios no seu dia a dia e tem um ritmo diferente, que tem que ser respeitado. há aqui um grande sentimento de missão junto dos doentes, dos médicos e de todos os envolvidos”, explica a fundadora da Cognipharma. E destaca um outro projeto de que muito se orgulha e que passa pela integração de uma plataforma em hospitais que vai acelerar  um processo de um diagnóstico. Entre muito outros projetos.

Conta-nos que o segredo do sucesso é ser resiliente e que, de facto, a sorte dá muito trabalho. “É preciso acreditar muito no projeto, ter a capacidade de ultrapassar todas as dificuldades e ir sempre à luta com muita garra”, afirma com um sorriso constante, que a caracteriza. E a prova de que a “fórmula” é eficaz é que, atualmente, já trabalham com os maiores laboratórios a nível mundial, com vários projetos em Portugal e na Europa.

A capacidade de envolver os colaboradores como uma vantagem competitiva

A Cerealto é uma empresa global de alimentos que fabrica produtos com a marca de seus clientes, desde o retalho a empresas alimentares de referência. Como define a estratégia e os fatores que contribuíram para a diferenciação da empresa no mercado?

Alcançamos a diferenciação devido à nossa experiência na fabricação de mais de 10 categorias de produtos à base de cereais, bem como à nossa eficiência e inovação contínua. Para além disso, somos apoiados pelos mais rigorosos sistemas internacionais de controlo de qualidade e segurança alimentar, e temos equipas com um forte conhecimento das tendências mundiais no setor alimentar.

Estes fatores permite-nos construir relações duradouras e de confiança com os nossos clientes, oferecendo-lhes flexibilidade e diferenciação, através da nossa capacidade de inovar e de nos adaptarmos às suas necessidades, com produtos de valor agregado. O nosso principal objetivo é promover relações win-win com todos os nossos clientes, o que significa oferecer produtos da mais alta qualidade ao melhor preço possível.

Atualmente, temos clientes em mais de 40 países, de nossas oito fábricas localizadas na Espanha, Portugal, Itália, Reino Unido e México.

Esforçamo-nos constantemente para criar uma relação de confiança com os nossos clientes.

Que balanço é possível fazer do desempenho da empresa em 2017? E o que é esperado para este ano?

2017 foi um ano positivo para a Cerealto e um ano de crescimento substancial, com algumas das iniciativas do ano passado a começaram a dar frutos. Como resultado disso, encerramos o ano com vendas líquidas de 160 milhões de euros, um aumento de 72% em relação ao alcançado no final de 2016, e com a produção a atingir as 111 mil toneladas, um aumento de 50% em relação ao ano anterior.

Os investimentos brutos superaram os 45 milhões de euros, o que nos permitiu ampliar a nossa capacidade de produção e proceder a melhorias tecnológicas, baseadas na eficiência.

Entre os principais marcos do ano passado, destaca-se a incorporação das fábricas de Antequera e Briviesca (Espanha), pois facilitaram a nossa entrada no mercado espanhol com a nossa própria produção de doces e pão fatiado. Na Itália, após quatro anos de atividade operacional, concluímos a aquisição da fábrica da Pastificio Mediterranea, onde produzimos a nossa gama de massas “Made in Italy” de alta qualidade. Por outro lado, estamos orgulhosos de ter concluído a construção da fábrica de Worksop (no Reino Unido), começando com a produção de biscoitos, barras de cereais e produtos sem glúten.

Como resultado de tudo isso, a nossa força de trabalho cresceu para um total de 1.800, com a incorporação de mais de 900 novos colegas, que incluem os colegas nas novas fábricas e os 365 novos postos criados em 2017.

Finalmente, no ano passado, reforçamos a nossa aposta na inovação. Dobrámos o nosso investimento em I&D, atingindo um valor de 7,5 milhões de euros, o que nos permitiu lançar 175 novos produtos no mercado que cobrem a demanda do consumidor por um estilo de vida saudável, bem como atender às necessidades nutricionais específicas de uma variedade de grupos.

2018 está à frente como um ano cheio de novos desafios, incluindo a consolidação de nossa presença na arena internacional, cumprindo os compromissos previamente adquiridos com os clientes e, claro, continuando a integrar as nossas equipas multiculturais, bem como padronizar a nossas forma de trabalhar.

Este ano vamos criar cerca de 200 novos postos de trabalho, a maioria deles em Sintra (Portugal). Assim, estimamos atingir uma força de trabalho de 2.000 colegas até o final de 2018.

Estou convencida de que, se continuarmos a trabalhar juntos e com a mesma paixão e determinação, sairemos mais fortes do que nunca.

 

 

Rut Aranda é CEO da Cerealto desde 2016, uma empresa com operações em mais de 40 países e com centros de produção próprios em Portugal, Espanha, Itália, Reino Unido, México e Estados Unidos, com um total de 1.800 funcionários. Quais são os principais desafios de uma posição com essa dimensão?

Acredito que os desafios variam de acordo com a natureza da empresa. No caso específico da Cerealto, ser uma empresa emergente implica que, à medida que crescemos, enfrentamos desafios múltiplos e diversos, que são completamente diferentes de um ano para o outro. Em 2017, um dos nossos maiores desafios foi continuar a expandir, garantindo todas as capacidades de produção e as equipas necessárias para cumprir os compromissos que assumimos com os nossos clientes. Além disso, uma vez que a maioria das nossas fábricas foram adquiridas de outras empresas, tivemos que trabalhar arduamente para garantir a integração das equipas multiculturais, com uma cultura corporativa herdada e iniciar a padronização de todos os processos e formas de trabalhar de acordo com as políticas da Cerealto.

Rut Aranda destacou-se em promover a integração de equipes multiculturais e por iniciar a padronização do modo de trabalhar na empresa. É urgente que líderes e gestores de pessoas repensem a gestão do capital humano?

Acredito que a gestão do capital humano deve ser orientada de forma a garantir o alinhamento dos negócios e de forma a promover o envolvimento dos funcionários.

A capacidade de envolver as pessoas está a tornar-se uma das maiores vantagens competitivas nas organizações de hoje, por isso é preciso reconsiderar a estratégia de negócios. Não é segredo que colaboradores envolvidos estão mais inclinados à inovação e são muito mais produtivos no caminho de alcançar as metas de negócios.

No entanto, qualquer pessoa que tenha ou tenha ocupado uma posição de gestão ou de liderança sabe que chegar lá não é tão fácil quanto parece. É um processo muito lento e que, às vezes, pode até ser frustrante. Exige um exercício constante de transparência e conceber a gestão como um serviço que prestamos aos outros.

Na Cerealto, o envolvimento dos funcionários tem sido um desafio real e estamos a trabalhar arduamente para conseguir o conseguir. Em 2017 reforçamos a comunicação por meio da digitalização, fornecemos formação para as novas fábricas e promovemos espaços para a imersão cultural dos novos colegas. Promovemos, ainda, diversas atividades para beneficiar as famílias dos nossos colegas, pois sabemos que isso é relevante para o nosso pessoal.

43% da sua equipa é constituída por mulheres. Além disso, 60% dos diretores também são mulheres. É uma estratégia ou um sinal de mudança de paradigma?

Diria que é uma forte evidência de que acreditamos verdadeiramente na geração de oportunidades iguais para todos. Na Cerealto, concentramo-nos no talento, conhecimento e habilidades dos nossos colegas, independentemente do sexo, raça, idade, orientação sexual, ideologia política ou religiosa. Saber que a pessoa será boa para o trabalho é o único fator crítico que levamos em consideração ao contratar e atribuir responsabilidades.

Além disso, na Cerealto estamos comprometidos com a integração de pessoas condicionadas para trabalhar. Até o momento, 6,5% de toda a nossa força de trabalho vem desses grupos.

“O conhecimento foi sempre o principal elemento diferenciador dos indivíduos na sociedade”

Que história pode ser contada sobre o seu percurso marcado pela participação em vários cargos públicos (que até agora variou entre cargos relacionados com a política e de ação social)?

A minha primeira ligação ao setor social aconteceu em 2006 quando integrei os corpos sociais de uma IPSS no cargo de Vice-Presidente da Direção, lugar que ainda hoje ocupo nesta Instituição. À política local cheguei um pouco mais tarde, precisamente, nas eleições autárquicas de 2013, onde fui eleita para a Assembleia Municipal. No ato eleitoral de 2017 continuei ligada à politica autárquica, agora como Presidente de Assembleia de Freguesia. Ao nível da política partidária, sou vogal na Comissão Política Concelhia de um partido político, já tendo integrado os gabinetes autárquico e de estudos desta secção concelhia. Sou também catequista e, pela segunda vez, presidente da direção da organização de um evento lúdico cultural de grande visibilidade na minha região.

Na sua opinião, o mundo do trabalho ainda é discriminatório face às mulheres? Pessoalmente, lidou com algum tipo de preconceito?

Creio que o mundo do trabalho é hoje menos discriminatório em relação às mulheres, notando-se que a condição das mulheres no mundo tem vindo a mudar e a registar avanços significativos nas últimas décadas, como é o caso dos níveis qualificacionais e de educação e, igualmente, de uma participação mais ativa na sociedade e no mercado de trabalho. No entanto, continua a existir alguma discrepância na distribuição uniforme de papéis e de poderes entre o homem e a mulher. Sinto que na política, por exemplo, ainda que esteja a crescer o número de mulheres a ocupar cargos políticos, a sua representação neste setor continua longe do homem, além de que, os lugares de topo no poder político continuam a pertencer ao domínio masculino.

A sua formação académica é também diversificada uma vez que é licenciada em Engenharia Zootécnica, mestre em Sociologia (variante Recursos Humanos e Desenvolvimento Sustentável) e tem uma pós-graduação em Gestão de Instituições Sociais e outra em Comunicação e Marketing Politico. Atualmente, continua em formação?

Comecei a minha formação académica superior pelas ciências agrárias, no entanto, a integração na ação social e na política autárquica fez crescer em mim a vontade de adquirir novos conhecimentos nas áreas das ciências sociais e políticas a fim de reunir mais competências e maior capacidade de intervenção enquanto autarca e dirigente no setor social. Atualmente, continuo em formação, frequentando um doutoramento na área das ciências sociais e uma pós-graduação em gestão autárquica.

Que papel considera que a formação desempenha numa carreira de sucesso?

O conhecimento foi sempre o principal elemento diferenciador dos indivíduos na sociedade. É através do saber que o homem se destaca, quer no exercício da sua atividade profissional, quer na participação cívica enquanto cidadão ativo com intervenção na comunidade envolvente. Uma carreira de sucesso depende, indiscutivelmente, das competências adquiridas pela formação.

Além de toda uma vida profissional bem-sucedida, casou e teve dois filhos. Como foi conciliar a maternidade com a carreira?

Para conciliar a vida profissional com a atividade pública, os estudos e a família é imperativo ter uma grande força de vontade, um enorme espírito de sacrifício e trabalhar muito. Naturalmente que tudo isto só começou a ser possível quando os filhos se tornaram mais autónomos.

Atualmente trabalha na empresa Rações Galrão, S.A. Quais são as suas principais funções?

Nas empresas familiares todos temos de ser mais ou menos polivalentes, no entanto, as minhas principais funções são o apoio técnico à produção e o setor financeiro. 

Que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres que vão ler a sua entrevista?

Digo-lhes que a afirmação da mulher no mundo empresarial, na política ou no dirigismo associativo passa pela demonstração da sua competência, capacidade de trabalho, espírito de liderança e de empreendedorismo e inovação. Não são movimentos de rua que resolvem as questões de género, mas sim ações concretas que evidenciem as capacidades das mulheres para integrarem um mundo que outrora pertencia aos homens.

Mais do que uma mulher de negócios… uma empreendedora

Quem é Cidália Ferreira, licenciada em Física Aplicada no Ramo Ótica pela Universidade do Minho e Mestre em Optometria, e de que forma começa a história da Opticália – Esonor?

A integração da Esonor, Lda. na Opticália ocorreu de uma forma natural e aquando de um convite feito pela marca quando esta se decidiu a expandir para Portugal. Na altura, o Dr. António Alves, Presidente da Opticália em Portugal, e o Dr. Paulo Pereira estavam na vanguarda do projeto e eram pessoas que conhecia há largos anos, de uma outra marca, com a qual já tínhamos trabalhado e que decidimos abandonar quando esta mudou de estratégia.

Foram presenteados com o Prémio Cinco Estrelas, o que representa esta nomeação?

O Prémio 5 Estrelas é um prémio que no setor dos serviços é muito importante, tendo em conta que premeia as melhores empresas a operar em Portugal nas várias áreas de negócio. É atribuído com base em inquéritos realizados aos consumidores, de uma forma totalmente alheia às empresas,  sendo por isso, credível e sem qualquer possibilidade de manipulação. A Opticália recebeu-o durante quatro anos consecutivos desde que foi criado e é com grande satisfação e confiança que o recebemos. Isto mostra-nos que estamos no caminho certo dia após dia, sempre numa perspetiva de que os nossos clientes têm sempre uma experiência encantadora quando se dirigem a qualquer uma das nossas lojas.

Este mês comemora-se o Dia Internacional da Mulher, em memória das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, na sua opinião, nos dias de hoje esta ainda é uma luta que faz sentido?

Para mim as lutas sejam de homens ou de mulheres fazem sentido quando existe um objetivo bem definido. No caso referido, considero que lutar por uma igualdade de género, de forma a adquirir direitos, é um deles.

Porém é de extrema importância ter em conta que com os direitos também vêm as responsabilidades.

Há 21 anos que a Opticália – Esonor está no mercado de forma consolidada, olhando para trás, quais são as melhores memórias que recorda?

Recordo muitas vitórias conquistadas, inaugurações de lojas, clientes satisfeitos e agradecidos pela minha disponibilidade total para dar o meu melhor sempre na perspetiva de lhes tornar a vida facilitada e mais feliz com quem se cruza comigo ou no meu “caminho” (risos).

No próximo ano completa 50 anos, sabemos que é uma data que vai querer comemorar, pode contar-nos o que está a preparar?

No dia 1 de Maio de 2019 tenho como objetivo definido a inauguração de um novo projeto, uma quinta de turismo rural para criar experiências únicas a quem decidir deixar-se levar num envolvimento de paz e de emoção no contacto com a natureza. Este é um projeto pensado, principalmente, para as crianças, para que possam, assim como eu tive, ter a liberdade de poder explorar e descobrir aquilo que o campo nos dá e assim perceberem de onde vêm os alimentos que todos os dias lhes são colocados no prato… Este será um projeto a ser aprovado no âmbito do Portugal 2020.

Neste momento a rede conta com 11 lojas, está para breve a abertura de mais alguma?

Possivelmente… nunca direi não a um novo projeto pelo qual me sinta atraída.

“Somos nós que criamos a nossa própria realidade”

O primeiro contacto que teve nesta área foi na Intergraph, uma multinacional americana, no âmbito da gestão documental e desenho gráfico para computadores. Teve o privilégio de trabalhar com um chefe que considera ser até hoje o seu melhor mentor. “Ajudou-me a direcionar a minha vida profissional para onde me sentia verdadeiramente mais feliz, na área da pré-venda, vendas e da relação com as pessoas. Foi, para mim, uma total fonte de inspiração e aprendizagem”, afirma.

Mais tarde agarra a oportunidade de trabalhar na Recognition onde, uma vez mais, teve um líder que a ajudou a crescer. Com esta experiência teve o primeiro contacto com o mercado português. “É um mercado com o qual tenho uma grande ligação e que me fez crescer muito do ponto de vista cultural”, realça Raquel Serradilla Juan.

Posteriormente, no ano de 2000, aventura-se naquele que foi e tem sido o seu maior projeto até ao momento: a Altitude. Durante estes 18 anos teve a oportunidade de desempenhar quatro cargos diferentes que a fizeram crescer não só num contexto profissional, como pessoal.

Atualmente, como Vice-Presidente para o Sul da Europa desde há cinco anos, voltou a contactar diretamente com o mercado português e, em conjunto com a sua equipa, segue na constante procura da excelência.

“Durante o meu percurso profissional as coisas aconteceram sempre de forma natural, sem que as tenhas planeado, e acredito que isso tenha sido resultado da entrega e da paixão que coloco em tudo aquilo a que me proponho”, diz-nos a nossa entrevistada.

A Altitude Software é uma empresa com escritórios internacionais espalhados no mundo. É uma vitória conquistada, mas também um desafio?

Foi uma evolução natural, resultado de fazer bem as coisas. Foi, também, um desafio sair da minha zona de conforto, entrar num país que não era o meu, mas é muito gratificante. A mim, pessoalmente, que gosto muito de tudo o que envolve o contexto cultural, bem como a gestão da diversidade cultural. Com esta função que desempenho há cinco anos tive a oportunidade de trabalhar com diferentes pessoas dos mais diversos países e esse fator tem-me ajudado a ser uma pessoa com mais conhecimento.

Sente que ainda existem muitos obstáculos para a ascensão das mulheres a cargos de topo ou tipicamente masculinos?

Creio que a sociedade é consciente que, de facto, ainda são muito poucas as mulheres a trabalhar no setor da tecnologia. Pela minha experiência, e do contacto direto que tenho tido, as raparigas com as idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos já têm uma noção do que querem fazer e quase todas elas querem seguir áreas ligadas às letras, medicina ou enfermagem.

E é verdade que esta é uma preocupação social geral, embora, comecem a surgir alguns movimentos de incentivo para que estas jovens escolham carreiras ligadas às ciências. É o caso do STEM Talent ou do Technovation que têm como objetivo dar a conhecer pessoas reconhecidas ligadas à área da ciência, por forma a consagrarem-se um exemplo para estas jovens e que, com isso, o número de mulheres no setor da tecnologia aumente.

Não creio que existam obstáculos, no passado a mulher esteve durante muito tempo vinculada ao papel de “dona de casa”, mas essa realidade está cada vez a perder mais força. Não obstante, ainda existe um longo caminho a percorrer para que tenhamos mais mulheres em cargos de topo.

Na Altitude, temos vindo a incorporar, de forma crescente, as mulheres nos mais variados cargos. Somos, atualmente, 70. Além disso, temos apostado em programas de formação como a PWN Lisbon.

Acredito, firmemente, que só podemos atingir a excelência naquilo que fazemos quando nos focamos apenas no talento, independentemente do género.

A própria Raquel sentiu dificuldades durante o seu percurso profissional pelo facto de ser mulher?

Não, nunca senti dificuldades durante o meu percurso profissional por ser mulher. Somos nós que criamos a nossa própria realidade.

Às vezes, inconscientemente, somos também nós próprios que construímos falsos obstáculos. Mas com ambição, luta e preserverança tudo se consegue.

O meu percurso profissional no setor da tecnologia desenvolveu-se sempre de forma muito natural, o facto de ser mulher não representou entrave nenhum. Aliás, desde bem cedo que estou habituada a lidar com homens porque sempre pratiquei desporto e era bastante competitiva.

A 8 de março celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Faz sentido assinalar este dia?

Acho que sim, é importante mencionar este dia, é uma oportunidade de romper com as falsas realidades e focar-nos no mais importante: o talento sem género.

Assim como existem mulheres boas, existem homens bons, o mesmo com mulheres e homens maus, temos bons e maus exemplos em todo o lado, não há que estabelecer radicalismos.

Considera que esforço, perseverança, ordem e humildade são aspetos fundamentais para avançar. Que conselho ou mensagem gostaria de deixar às nossas leitoras?

Na minha opinião, o esforço, a preserverança, o trabalho e humildade são ingredientes imprescindíveis para se ter sucesso.

É, igualmente, importante que não nos deixemos levar pelas histórias negativas. Devemos procurar sempre por olhar para as coisas de forma positiva. Desta forma, gostaria de dizer às leitoras que: o mais importante é saber aproveitar cada oportunidade que nos dão e crescer, nas mais variadas formas, com ela.

Mas, sobretudo, que possamos trabalhar para ser um – bom – exemplo para as gerações futuras, sublinhando a importância de se continuar a trabalhar na construção do talento sem género.

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