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“Fazemos o melhor que podemos, mas falhamos sempre em algum lado”

Formada pela Universidade Católica Portuguesa, Sofia Campos começou o seu percurso profissional numa empresa pioneira no desenvolvimento de projetos de energias renováveis em Portugal, juntando-se à equipa como responsável pela estruturação do financiamento a parques eólicos.

Pouco depois, Sofia Campos faz uma pausa na carreira. Atualmente mãe de três filhos, Sofia foi mãe muito cedo. “Parei dois anos para me dedicar aos meus filhos e estar mais disponível para ser mãe. Foi uma opção que tive de tomar”, começa por referir a nossa entrevistada.

Durante esse período, Sofia frequentou dois cursos, a nível nacional e internacional, e, passados dois anos, depois de ter o terceiro filho, começa a trabalhar numa empresa developer de energias renováveis como gestora de projetos. É nesta altura que começa a viajar bastante, passando muito tempo fora de casa e de Portugal. Quando a organização sofre uma reestruturação sai da empresa e começa a trabalhar na Banca no departamento de análise de crédito e de financiamentos estruturados. Contudo, um ano depois, percebe que trabalhar na Banca não era o que a realizava. “Sentia que precisava de mais, de algo “palpável”. Por isso quis regressar para as empresas de engenharia, um mundo muito mais fascinante para mim”, afirma Sofia Campos.

É nesta altura que integra a equipa do departamento de energias renováveis de uma empresa do setor da engenharia de forte componente tecnológica. Passados alguns anos é promovida para a área de desenvolvimento do negócio internacional do grupo e é quando se muda para a África do Sul para arrancar com a operação do grupo. “A minha vida sofre uma mudança radical. Numa fase inicial fui para a África do Sul sozinha e só mais tarde é que a minha família se junta a mim”, relembra Sofia Campos.

Entretanto, o grupo faz a aquisição de uma empresa na África do Sul e Sofia assume a posição de CFO, ficando responsável por quase todos os departamentos administrativos. Quando essa organização começa a fechar as suas sucursais internacionais, Sofia tem de tomar uma decisão. É quando projeta, com o seu atual sócio, uma empresa direcionada para projetos na Etiópia: a Live Wire.

No mercado há dois anos, a Live Wire é uma empresa que se dedica a projetos na área das linhas de transmissão, com o objetivo de trabalhar em países africanos. “Tem sido uma experiência rica, com momentos de muita alegria, mas também de dor. É aliciante a experiência de vida que se ganha, o contacto com culturas diferentes, mas também é desafiante a tomada de decisões diárias, a qual é sempre um momento de dúvida e de incertezas por não sabermos o verdadeiro impacto das mesmas. No entanto, é bom poder implementar na empresa a forma como vejo o mundo, os meus valores e a forma como idealizo como uma empresa deve funcionar”, refere Sofia Campos para quem Portugal está agora incluído na estratégia da empresa, sendo o próximo passo encontrar parceiros portugueses para trabalhar o mercado da Etiópia.

“EM MUITOS MOMENTOS SENTI QUE NÃO TINHA VOZ”

“Definitivamente tenho um tratamento diferente pelo facto de ser mulher. Quer pela negativa, quer pela positiva. Não há meio-termo”, afirma Sofia Campos.

Desde que ingressou no mercado de trabalho, Sofia esteve sempre ligada ao desenvolvimento de negócios em empresas de infraestruturas, uma área que ainda é vista como sendo uma área masculina, um mundo para homens. “São dois fatores muito fortes: ser mulher no mundo dos negócios e ser mulher num setor que ainda é vincadamente marcado pela presença masculina. Sou um peixe fora de água”, explica a nossa entrevistada.

Acrescenta ainda que, neste “mundo de homens”, existem homens que consideram que Sofia não pertence ali, pelo facto de ser mulher, menosprezando as suas capacidades. Contudo, também existem homens que a vêm como uma mais-valia e uma “lufada de ar fresco” por ter uma visão diferente para a solução de problemas. “Senti muitas vezes que não interessava o que se dizia, mas sim quem o dizia. Em muitos momentos senti que não tinha voz”, elucida-nos Sofia Campos.

Sofia Campos explica ainda que África do Sul é um país bastante progressista no que diz respeito à igualdade de género, no entanto, na Etiópia, um país ainda bastante dominado pelos homens, sente que ainda existe uma falta de confiança nas capacidades das mulheres. “Preciso de algum tempo para ganhar a sua confiança e para ter credibilidade. Preciso de me esforçar mais do que um homem para conseguir “conquistar” este mercado. Mas é possível. É uma questão de resiliência, persistência e profissionalismo. Demora algum tempo, mas sinto que tenho conseguido ser bem-sucedida e conseguido ganhar o respeito por parte do homem durante o meu percurso profissional”, acrescenta a nossa interlocutora.

Durante o seu percurso muitas pessoas perguntaram-lhe como é que conseguia conciliar a vida profissional com a família. A sua resposta era: não consigo. “Fazemos o melhor que podemos, mas falhamos sempre nalgum lado. Tentamos que seja o melhor possível, mas nunca é uma situação perfeita. Há sempre sacrificados numa altura ou noutra. E a razão pela qual quero realçar isto é porque há outras mulheres na mesma situação que eu e que vivem cheias de sentimento de culpa quando têm que fazer esta gestão entre a carreira e a família. Acho que acaba por ser uma utopia dizer-se que se consegue fazer perfeitamente a gestão entre a carreira e a família”, conclui Sofia Campos.

“É o meu trabalho que fala por mim”

Mãe de uma rapariga e de um rapaz, gosta de relaxar ao som de musica e afirma-se como uma apaixonada por tudo o que faz. De forma a proteger-se, aprendeu a distinguir a vida pessoal da profissional mas diz que não existe nada que se faça de um lado que não se reflita no outro.

Estudou Direito, no Porto, casada, esteve nos Açores a dar aulas e há mais de 20 anos que mora em Lisboa. “Fiz todo o meu percurso em empresas do ramo de software até entrar no mundo da consultoria. A Startover foi mais um desafio que abracei”.

Enquanto consultora, Helena conhece inúmeras empresas e revela o que a maioria não gosta: reestruturação. Algo natural, segundo a consultora, uma vez que a humanidade repele a mudança e tudo o que é desconhecido.

Além das mudanças sugeridas pelo serviço de consultoria um dos maiores desafios atuais é o RGPD – Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados – que tem levantado muitas dúvidas por parte dos empresários e que, de acordo com a nossa entrevistada, num primeiro momento, não entendem a importância da sua aplicabilidade, porém “depois de tudo explicado, concordam”.

A par da mudança, “o mais difícil para o empresário português é a capacidade de delegar e de fazer parcerias. Os pequenos vingam quando se associam a parceiros que os complementem”. Outro problema apontado pela especialista é o “olharmos apenas para nós”, problema que com o turismo “talvez” possa ser atenuado se soubermos aproveitar bem a força com que estamos neste momento. “O empresário português tem de querer ir mais longe, tem de querer ir vender pela Europa”.

Cada um de nós tem sempre algo a dar e foi com essa perspetiva que cresci na minha vida pessoal e profissional

“Cada vez menos as empresas olham para as pessoas como sendo números. Sempre tive a sorte de estar em situações de trabalho com equipas, o que me fez estar rodeada de pessoas diferentes e me fez entender que o que é diferente é bom e é possível conjugar”.

Considera-se muito curiosa e diz que isso foi extremamente importante para aprender muito daquilo que hoje sabe. “Ainda hoje continuo a pedir que me ensinem, gosto de ensinar mas também gosto muito de aprender”.

O ser mulher foi em tempos complicado, mas nunca deu importância a tal. Quando entrou no mundo da consultoria era das poucas mulheres em Lisboa que trabalhava na área, diz que combateu o preconceito ao ignorar juízos de valor errados. “Aos poucos as pessoas começavam a lidar comigo de forma profissional”.

“Independentemente do género, todos são necessários nas empresas”, garante. “À minha filha ensinei-a a lutar pela competência e não a pensar na questão de género, ao meu filho ensinei-o a respeitar a diferença. Ambos percebem a importância da celebração do dia Internacional da Mulher”.

“Além de tudo, os portugueses são pouco orgulhosos”

Para se ser bem-sucedido a receita é simples para Helena Amaral: “Não pode ser um desistente, tem de riscar do seu caderno de notas a frase «não consigo», conseguimos sempre! De forma direta ou indireta. Outra coisa importante é a importância da noção de partilha, de conhecimento e de sucesso. Se tivermos isto tornamo-nos empreendedores. A juntar ainda a tudo isto: a responsabilidade social. Qualquer empresário tem de entender que não tem apenas o colaborador como responsabilidade mas também a família daquela pessoa”.

 

Gateway City Comics o sítio onde todos os super heróis se encontram

 

Como surgiu a ideia de criar um espaço dedicado à BD, aos heróis e vilões?

Desde que me lembro, que sou fã de BD, as minhas primeiras memórias são do tempo em que lia os Mickey que a minha mãe me comprava na papelaria da esquina. Nesse tempo lia tudo: Disney, a Mónica, Mafalda. Nos meus teens passei para o Asterix, Tintim, Lucky Luke e depois para a Marvel e a DC.

Das minhas pesquisas em lojas de comics em Portugal nunca consegui encontrar nenhuma que me oferecesse tudo o que queria e foi dai que nasceu a ideia de ser eu a criá-la.

Para além dos livros também têm outros produtos para os amantes de BD?

A ideia quando formei a Gateway foi a de disponibilizar um espaço com todos os produtos relacionados com a BD. Neste momento temos as figuras, o merchandising ligado às histórias, filmes e livros, os colecionáveis que todos adoramos e que fingimos ser para os nossos filhos (mas na realidade são mesmo é para nós) e uma seleção de trabalhos realizados por autores portugueses no nosso portuguese corner.

Estes produtos incluem os Universos Marvel e DC Comics bem como Anime, Mangá e temas alternativos como Adventure Time, Asterix ou Game of Thrones.

Para construir o negócio quanto tempo levou e como foi?

A ideia surgiu na minha cabeça há vários anos evoluindo com a maturidade e com o tempo. No início era apenas um sonho que se foi materializando com a experiência em gestão de negócios, os estudos de empreendedorismo realizados durante o MBA e com análises ao mercado.

No início de 2017, decidi que era o momento de avançar, começando por formar a equipa da Gateway em conjunto com a minha irmã, Rute Serra, sócia no negócio e nessa altura desafiámos a Soraia Pinto que nos trouxe a sua larga experiência em marketing e produção

Desde a escolha do local onde seria a loja, ao fornecedor do nosso website, passando pelo valor de investimento para o stock inicial, tudo fez parte de um grande desafio divertido de superar. Como em todos os inícios de negócio passámos muitas noites em frente a uma folha de excell e muitos dias a bater “perna na rua” tudo regado, ocasionalmente, com umas boas risadas.

No nosso curto tempo de vida, efetuámos, ainda, parcerias que consideramos terem sido vitais para o nosso crescimento tais como as que realizámos com a Feel, que nos dá apoio na gestão de redes sociais e marketing, com a Jumping Clay, que faz produtos exclusivos para nós e a Comic Hearts.

De que forma trabalham a visibilidade da loja e da marca Gateway?

A nossa marca é o nosso maior bem passando a estratégia para a sua visibilidade por várias ações que desenvolvemos no dia-a-dia.

A principal prende-se com o espaço da loja que nunca quisemos que fosse apenas isso, mas sim um espaço agradável para os fãs, onde pudessem desfrutar de um ponto de encontro não só de conversas como de amigos com pontos de interesse comuns ou colocarem-se a par das últimas novidades.

Este ponto de encontro materializou-se com o facto de sermos anfitriões de sessões de autógrafos de autores portugueses e estrangeiros, de termos realizado em Maio o evento do Free Comic Book Day associando um Artist Alley de quase 30 artistas e com a realização do Flea Market onde qualquer pessoa que tenha produtos relacionados com BD possa vir trocá-los ou vendê-los.

Como complemento temos ainda a participação em eventos nacionais dos quais se destacam o IberAnime e a Comic Con onde levamos não só um espaço de venda, mas um espaço de demonstrações e atuações dos nossos parceiros num ambiente descontraído que é no fundo, aquilo que nos destaca.

Qual é o público-alvo da Gateway?

Somos um ponto de encontro para todos os fãs. Desde o pequenino que acabou de descobrir os filmes de super heróis até aos que ainda sentem saudades dos livros do Tintim ou do Mickey.

Todos precisamos de heróis?

Costumo dizer que há milhares de anos, as tribos rodeavam uma fogueira ao final do dia o que proporcionou a atividade de contar histórias. Gosto de pensar que estas primeiras histórias eram contos sobre heróis e sobre feitos inéditos que eram na altura um remédio para as feridas psicológicas das pessoas dessa época e promoviam, a força e resiliência dos membros da tribo.

Não tenho dúvida de que os humanos de hoje têm muitas semelhanças com estas tribos. Numa altura em que a crise económica é um fator que pesa sobre os nossos ombros e em que a sociedade tem desafios que parecem impossíveis de superar como são exemplo as alterações climáticas, somos com certeza atraídos por histórias de heróis porque nos consolam e nos curam.

“A vida é uma constante aprendizagem e o impossível não existe”

Com um percurso profissional predominantemente na banca, no Grupo CGD (Caixa Geral de Depósitos), marcado previamente por duas empresas com funções em controlo de gestão e com o estatuto de trabalhador estudante, quando terminou o curso de gestão de empresas, ingressou na banca comercial e lá permaneceu durante quatro anos. Posteriormente mudou para a banca de investimento (aonde ficou 18 anos), apostando na diversificação de experiências institucionais e na acumulação de conhecimentos técnicos. No período inicial na banca, decidiu tirar duas pós-graduações, uma em gestão de instituições financeiras e outra em “corporate finance”, para mais uma vez sustentar a experiência que ia tendo com uma parte teórica. Conta que foi dessa forma que conseguia entender o porquê de fazer as coisas de determinado modo.

“Estas várias passagens profissionais culminaram num ainda maior desafio quando decidi sair da banca de investimento aos 50 anos, para implementar um projeto que aí tinha iniciado, mas agora poderia lançá-lo com a dose de criatividade ajustada às necessidades de mercado e sem os constrangimentos próprios de uma grande instituição.

Não podemos esquecer que o take-off é violento pois a exigência aumenta de um modo exponencial, na medida em que temos de ser estrategas, correr os nossos próprios riscos e ter a noção de que não podemos contar com ninguém além de quem está absolutamente envolvido no projeto.

Diria que eu como várias pessoas que estão na sua zona de conforto, uma mudança destas é um “choque térmico “ repleto de emoções fortes.

Aconselho-o a quem não tem problemas cardíacos, sobretudo aos 50 anos que já começa a ser uma idade crítica”, lembra a nossa interlocutora.

Ana acredita que apenas deve fazer algo do género quem tiver “características de personalidade que revelem uma dose de irreverência QB, muita persistência, iniciativa, coragem, espirito flexível e revolucionário. Sendo que a chave de tudo é acreditar em si mesmo, em Deus e nunca desistir”.

Afirma que para si o impossível não existe, desde que “a pessoa sinta que tem o background e a força que se requer para o desafio que se pretende”.

IHNCAM Advisory

A génese do projeto passa por uma empresa de Assessoria Financeira que é um híbrido entre a banca de investimento e uma consultora. Oferecem serviços completos de A a Z e atuam em quatro grandes áreas de negócio:

Angariação de funding;

Compra e Venda de Empresas;

Consultoria de Gestão;

Apoio a investidores nacionais e internacionais.

O nome “IHNCAM Advisory” resulta da conjugação das iniciais do nome da sua fundadora e dos dois sócios, professores no ISEG.

De forma a implementar um projeto com a filosofia pretendida, Ana Rocha Homem certificou-se de “fazer a fusão entre pessoas com valências de banca de investimento e de uma instituição que tem como propósito ensinar a técnica que todos os que por lá passaram aprenderam. A promoção do ensino, (além do rigor técnico inquestionável) permite estarmos na crista da onda nas metodologias utilizadas que sustentam os Planos de Negócio e as Avaliações que elaboramos para os nossos clientes”.

A DIFERENÇA QUE É SER MULHER

 “A sociedade quer muito que não haja nenhuma discriminação e tem havido grandes esforços para o efeito.

Há que registar que o papel da Mulher na sociedade é tanto mais exigente quanto maior for a amplitude da sua responsabilidade.

Há claramente um desajustamento entre a tolerância que se tem com os homens face ás mulheres em vários contextos e isso é um julgamento social que resulta de uma cultura enraizada ao longo de várias gerações.

Não me querendo alargar em mais nenhuma consideração, apenas quero exprimir que adoro ser mulher”, conclui a nossa entrevistada.

“A mulher foi feita para liderar”

Quem é Anabela Teixeira e de que forma é que nos pode caraterizar o seu percurso profissional, tendo sempre em linha de conta as principais vitórias e os momentos menos bons?

Anabela Teixeira é uma profissional da Banca angolana, comecei o meu percurso profissional no BCI- Banco de Comercio e Indústria. Foi uma grande escola, visto que era integrado por uma equipa de Bancários com bastante experiência, profissional e pessoal, fiz parte da equipa fundadora do Banco BAI, depois integrei o BESA- actual Banco Económico, onde me encontro até hoje com a função de Diretora Coordenadora. Principais vitórias: ter sido gerente da melhor Agência BESA, ter atingido o objetivo de abertura de trinta Agências em um ano, enquanto Directora da Rede Comercial garantindo cobertura nacional, ser convidada a gerir uma área de controlo do Banco Económico, após uma longa trajetória em áreas de negócios, e, tem sido uma experiência gratificante. Momentos menos bons, processo de saneamento do BESA.

Num mercado de trabalho onde as questões ligadas à liderança e à gestão de talentos são cada vez mais fulcrais, que características indicaria como sendo fundamentais para um líder e gestor de pessoas?

O líder deve ser uma referência a seguir, trabalhando lado a lado, buscando motivar e apoiar a equipa no desenvolvimento pessoal de cada um.

Um líder deve saber ouvir, enxergar as pessoas para além do técnico/profissional, saber que cada um tem as suas ambições e frustrações pessoais, e que vivemos em uma sociedade globalizada. portanto, não estamos imunes aos seus problemas.

Como a Anabela Teixeira como líder? Que aspetos considera reunir que lhe perpetuam uma dinâmica de líder inovador e democrático?

Considero-me uma líder muito próxima da equipa. gosto de interagir, aceito opiniões/sugestões, e partilho o meu conhecimento e experiências. À parte disso, sou bastante exigente e perfecionista.

A desigualdade do género assume-se como um obstáculo à evolução. Durante a sua carreira, alguma vez sentiu ou enfrentou obstáculos pelo simples facto de ser mulher?

O setor financeiro em Angola é composto maioritariamente pelo género feminino. Ainda assim, os lugares de topo são ocupados maioritariamente pelo género masculino, penso que esta questão merece reflexão. Este é um processo que temos estado a acompanhar. No entanto, já estivemos pior, se tivermos em conta os fatores culturais, que no passado posicionaram a mulher para os trabalhos domésticos, a maternidade e a educação dos filhos.

Existe uma pressão política para a proteção e ascensão do género feminino, mas ainda temos um caminho a percorrer. Ainda assim, existe a necessidade de mudança de mentalidade de ambos os géneros.

Graças a Deus, encontrei sempre espaço para pensar, opinar e trabalhar, isto é, sem dúvida, o grande catalisador para a minha motivação e crescimento, tanto pessoal como profissional.

Liderança no Feminino ou Masculino ou ambas? Acredita que existe alguma diferença no estilo de liderança única e exclusivamente baseada no género?

Pessoalmente defendo a liderança no feminino, sem desvalorizar os grandes líderes que tive a oportunidade de conhecer/trabalhar e outros que leio e sigo as suas diretrizes. A mulher tem o instinto materno, lidera com amor, com emoção, transmite segurança, empatia, enfim, características muito particulares do género feminino, e que as pessoas nos dias de hoje sentem falta. A mulher foi feita para liderar, desde o lar e a sociedade em geral, muitas vezes defendo sob pretexto dos amigos, que o “mundo deveria ser governado pelas mulheres”, a todos os níveis, com certeza não teríamos os problemas de desigualdade social que hoje vivemos.

Mais uma citação:  “A mão que embala o berço, é a mão que embala o Mundo”. Mulheres…

O que falta, na sua opinião, para que a igualdade de oportunidades seja cada vez mais uma realidade?

Claramente é a mudança de mentalidades de ambos (feminino e masculino). a mulher já provou que pode realizar todo o tipo de tarefas com brio e profissionalismo. Volto a realçar que é um processo gradual, o seu resultado depende das sociedades, fatores culturais, etc., umas já estão mais evoluídas do que outras, vamos chegar lá.

Sendo a Diretora Coordenadora de um Banco angolano, que análise perpetua desta dinâmica do poder feminino no país? O que ainda falta para dar o passo seguinte?

É um desafio, os homens muitas vezes querem mostrar o seu lado “macho”, entretanto na minha instituição já somos algumas mulheres em lugar de liderança. pessoalmente, em trabalho, não olho para o género, defendo as minhas ideias sem olhar para este fator, naquele momento sou a profissional que tem opinião própria.

Na sua opinião, o que ainda falta para que as mulheres tenham ainda mais voz?

Na minha opinião o que falta é percebermos que temos voz e somos livres de usá-la. Ninguém tem o poder de retirar-nos o conhecimento uma vez adquirido.

De futuro, o que podemos esperar de si e quais serão os seus grandes desafios?

Uma profissional melhor a cada dia, buscando sempre a energia divina, para continuar a trabalhar com zelo e dedicação, poder ser um exemplo de determinação, superação e humildade.

“O erro é o que nos torna humanas”

A Gilead Sciences é uma das marcas mais prestigiadas no domínio da biofarmacêutica que investiga, desenvolve e comercializa terapêuticas inovadoras em áreas da medicina com maior necessidade. Como carateriza e avalia o percurso da marca que está oficialmente presente em Portugal desde 1996? 

Fundada em Foster City na Califórnia, em 1987, a Gilead Sciences tornou­-se, em menos de 30 anos, numa das biofarmacêuticas de maior relevância e mais rápido crescimento a nível global, graças ao seu portfólio de medicamentos em expansão e ao impacto que os mesmos têm proporcionado na vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal desde 1996, iniciou a sua atividade como Nexstar Farmacêutica e, mais tarde, em 2001, tornou-se oficialmente Gilead Sciences.

De forma sucinta, diria que somos uma biofarmacêutica que disponibiliza medicamentos para o tratamento da infeção pelo VIH/SIDA, das hepatites virais crónicas B e C, das infeções fúngicas invasivas, da fibrose quística e, mais recentemente, da leucemia linfocítica crónica e do linfoma folicular. Mas o nosso papel não se esgota aqui. Implementámos o Programa Gilead GÉNESE que, desde 2013, incentiva a investigação translacional e clínica, a geração de dados e a implementação de boas práticas no acompanhamento dos doentes, apoiando também iniciativas de educação e intervenção cívica para a saúde. Este programa de apoio financeiro reflete a nossa política global de Responsabilidade Social, que se tem pautado por um trabalho conjunto com as entidades governamentais e a sociedade civil, com o objetivo de ampliar o conhecimento e a consciencialização sobre as doenças e sua prevenção, melhorar as estratégias de diagnóstico e tratamento, e apoiar a educação dos profissionais de saúde nas áreas terapêuticas onde atua.

Como é que a Gilead Sciences tem vindo a marcar a diferença perante o tratamento de doentes com patologias potencialmente fatais?

A Gilead como millennial que é (fez 30 anos o ano passado) trabalha por propósito: responder a necessidades médicas não satisfeitas e significativamente impactantes na vida dos doentes, daí a sua própria história se confundir com a evolução da terapêutica para o tratamento do VIH.

Nos anos 80 o VIH lançava uma sombra sobre o “amor livre” e desencadeava uma doença fatal. Hoje quem vive com este vírus pode fazer uma vida com qualidade, desde que tome a medicação diária, até a esperança média de vida é apenas dez anos inferior ao de uma pessoa não infetada. A cura para o VIH continua a ser um propósito para a Gilead, como o foi a cura da Hepatite C e como há-de ser a procura e desenvolvimento de terapêuticas nas áreas da Hepatite B, oncologia, entre outras.

O que nos pode contar do seu percurso profissional e quais foram as suas principais conquistas e vitórias até chegar a esta posição?

Não sei se foram vitórias e conquistas, ou se foram erros e aprendizagens.

Foi um erro de vocação que me levou a estudar psicologia. Foi o saber bem o que não queria fazer, que me fez escolher um estágio em recrutamento e selecção, foi o decidir que a evolução de carreira, numa perspetiva mais comercial na consultoria não me satisfaria, que me levou a experimentar o lado do cliente, até hoje. Assumi sempre que os projetos que abracei e a que me candidatei eram nutrientes para uma curva de aprendizagem que, espero, não pare nunca.

Se tiver que descrever o que me trouxe a este momento, começo por um projeto de recrutamento na Nestlé, enquanto era consultora. Mais tarde, quando já trabalhava na área de desenvolvimento organizacional da Vodafone, e atendendo ao trabalho que desenvolvi para a Nestlé, fui convidada a construir a Direcção de Recursos Humanos na Longa Vida (joint-venture Lactalis Nestlé).

Daí surgiu a possibilidade de trabalhar na sede do Grupo Lactalis, em França como Talent Manager para a área do Marketing. Posteriormente, tive a oportunidade de implementar um shared-services de Recursos Humanos para as empresas do grupo Lactalis em Portugal.

A necessidade de fazer algo novo, sem sair do mercado português, conduziu-me àquela que foi a primeira posição permanente de RH na Gilead em Portugal, já num contexto de inovação de uma bio-farmacêutica multinacional, num setor altamente regulado.

Desta forma, como tem sido estar numa posição de relevo e como é que definiria o seu género de liderança?

Os RH são uma posição de bastidores, de “puxar cordelinhos”, de ver como se consegue que as pessoas se sintam motivadas a dar o seu melhor para trabalharem em equipa e alinhadas com os objetivos da empresa.

Temos que fazer uma gestão transversal, temos que ser parceiros e temos que tentar orientar, mais do que pensar em liderar. Claro que quando é necessário liderar, eu lidero pelo exemplo, sou a primeira a pôr “a mão na massa”, avalio o que se passa, falando com as pessoas. Costumo dizer que faço “managing by walking around” e tomo decisões, corro riscos calculados, diria mesmo que me “atravesso”.

Durante a sua carreira, alguma vez sentiu ou enfrentou obstáculos pelo simples facto de ser mulher?

No mundo empresarial esperam que sejamos muito bons a fazer o que fazemos, é assim que surgem as oportunidades.

Não sinto que ser mulher ou homem tenha aí algum efeito. Podemos é não competir nas mesmas condições. Na vida pessoal, a expectativa é que ser mulher e mãe implica a responsabilidade de ajudar com os trabalhos de casa, pensar o que fazer para o jantar e acompanhar as atividades extra-curriculares.

Mesmo que ninguém exija, por vezes sentes-te em débito em relação à expectativa que a sociedade tem do teu papel e isso cria frustração, culpa e até sensação de incompetência. Tudo isso porque, muitas de nós sofremos “delírios de autoeficácia” e temos que ser boas em tudo.

“As mulheres conseguem fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo”, mito que corre há muito e, na verdade, fazemos. Está comprovado que o processamento paralelo não é necessariamente tão focado e preciso, há dispersão de energia e portanto se fazes mais do que uma coisa ao mesmo tempo não estás a fazer tão bem como poderias, seja um homem ou uma mulher. Às vezes penso que a própria mente feminina, assente nestas crenças, pode ser o nosso pior obstáculo.

No universo do trabalho, as questões relacionadas com a Liderança e a Gestão são absolutamente essenciais. Que características indicaria como sendo fundamentais para um/uma líder e gestor/a de pessoas?

Empatia e experiência de vida! Tem que se ter vivido/observado/sentido muita coisa a nível pessoal e profissional, para se poder reconhecer nos outros, sentimentos, frustrações, medos e não se esquecer como é passar pelos mesmos e a forma como os ultrapassámos.

Fazer as perguntas certas, que dão que pensar e que vão fazer quem trabalha contigo encontrar o próprio caminho, para chegar mais longe.

É importante reconhecer e valorizar a diferença, e também o potencial maior que o teu, para crescer e assumir que a melhor forma de liderar e gerir pessoas é ajudá-las a encontrarem a chave do seu potencial, e o que melhor podem fazer com ele.

Se a tua equipa cresce e aprende, tu cresces e aprendes com eles.

É importante ainda, a humildade para perceberes que o miúdo mais novo da equipa olhou para um problema que te assombrava, com a clareza que já não tens, pelos filtros que adquiriste ao longo da vida para seres mais eficaz e ficares grata por isso.

Acredita que existe alguma diferença no estilo de liderança única e exclusivamente baseada no género? Liderança no Feminino ou Masculino ou ambas?

Acredito que equipas de gestão, com pouca representatividade de qualquer dos géneros, perdem em diversidade e complementaridade de pontos vista. É sabido que, embora possam chegar à mesma decisão, os caminhos percorridos, de um ponto de vista de cérebro, não são os mesmos nos homens e mulheres.

Significa isto, que a perspetiva com que olhamos para os problemas é diferente, e assim, na resolução conjunta de um problema complexo podemos acrescentar variáveis importantes, que de outro modo não seriam consideradas.

Quanto ao estilo de liderança há diferenças com certeza, mas não acho que nos permitam dizer que há características exclusivas de um e de outro género a esse nível. Acredito sim, que há bons líderes e maus líderes, em ambos os géneros.

Como referi a questão anterior, o panorama começa a mudar. Na sua opinião, quais foram os pontos de ordem que levaram a esta mudança? Uma questão de mentalidade?

Não descurando as mulheres que foram vingando num mundo de homens desde cedo na história, entre as quais a Rainha Isabel II de Inglaterra; desde as duas grandes guerras, em que a ausência dos homens conduziu a uma maior utilização de mão-de-obra feminina nas fábricas e no tecido empresarial; o direito ao voto, à greve; o maio de 1968 e, como em tudo, o facto de nada ser um dado adquirido (como o era para o género masculino) desencadeou um sentido de resiliência, resistência à frustração, e procura de alternativas, que conduziu a que as protagonistas destes movimentos fossem excecionais, outliers que ganharam espaço para nós, hoje.

Embora atualmente algumas das dificuldades estejam mais esbatidas, continua a ser uma responsabilidade nossa, mulheres no ativo, abrir caminho para outras protagonistas e diluir as assimetrias salariais, de tratamento e de colocação, ainda tão sentidas em setores como a política, a administração pública, as empresas do psi20 e outras.

Devemos acautelar que, pela qualidade que os recursos femininos têm que ter para chegar a lugares de destaque, não criemos assimetrias em sentido contrário, no futuro. Se há sinónimo de feminino é equilíbrio, por enquanto equilibrismo mesmo, por isso não podemos deixar de ser defensoras do equilíbrio, da diversidade e da inclusão.

O que podemos continuar a esperar de si no futuro e da Gilead Sciences?

De mim podem esperar a convicção de que ainda tenho muito que aprender. Quero continuar atenta ao que as novas gerações de profissionais procuram e oferecem, enquanto competências e saberes, e trabalhar para conseguir alinhar esses propósitos individuais com os da empresa onde trabalho, para assim atingirmos os resultados esperados.

Da Gilead, devemos esperar o que nos habituou até agora: a procura de soluções terapêuticas para necessidades médicas não satisfeitas, a entrada no mundo da medicina personalizada a cada doente, a contribuição para o acesso a estes tratamentos, também nos países em vias de desenvolvimento.

Que mensagem gostaria de deixar a todas as Mulheres que irão ler a sua entrevista e quais são os desafios que se colocam, atualmente, à liderança feminina?

Continuem o bom trabalho. Larguem as amarras do papel feminino tradicional, assumam que o erro é o que nos torna humanas, que a culpa só desculpa, e que, seremos sempre capazes de fazer mais e melhor.

O desafio da liderança feminina é um desafio de liderança independente do género, é ser capaz de integrar e criar pontes entre diferentes gerações, aproveitar a sabedoria do talento sénior e acompanhar os desafios da era digital.

“Queremos que o nosso paciente se sinta em casa na Clínica Liberty”

Desta forma, a Revista Pontos de Vista decidiu conhecer a Clínica Liberty e conversou com Rosália Pedrosa, Country Manager em Portugal da marca, onde ficamos a conhecer as mais-valias da mesma e a forma como perpetua a diferença no tratamento dos seus pacientes. Ao longo desta entrevista, a nossa interlocutora abordou a dinâmica que a Clínica Liberty tem tido e a forma como se dedicam a todos aqueles que buscam os serviços «made in» Liberty, passando ainda pela vertente dos diferentes tipos de liderança, dando voz a uma mulher que subiu a pulso e que tudo o que conquistou, fê-lo pela sua dedicação, resiliência e capacidade de querer saber sempre mais. Venha connosco nesta «viagem» e fique a conhecer uma personalidade distinta e uma marca cujo desígnio maior é a excelência em prol dos seus pacientes e que está presente em território luso há cerca de dois anos, com resultados extremamente positivos.

Antes de tudo, é necessário salientar que a Clínica Liberty é a primeira clínica em Portugal especializada em tratamentos para a transpiração, numa dinâmica que alia inovação tecnológica, conhecimento e serviço ímpares. Segundo a nossa entrevistada, a transpiração é um tema do “qual ainda não se fala muito e reduz o conforto e qualidade de vida das pessoas que têm esse problema”, salienta a responsável pelas Clínicas Liberty em Portugal, lembrando que, adicionalmente a este panorama, são criados rótulos às pessoas que transpiram acentuadamente. “Uma pessoa que tem problemas de transpiração tem receio que se note no local de trabalho, nos círculos de socialização e até mesmo no seio familiar, por poder ser etiquetada como alguém que tem poucos cuidados de higiene. Isto está frequentemente muito longe da verdade, pois inúmeras vezes são estas pessoas que habitualmente tomam três banhos por dia e reféns de todos os produtos de «higiene imediata» como toalhitas, absorventes e anti-transpirantes”, assevera convicta Rosália Pedrosa, assegurando que foram estes casos mais graves que levaram a marca a apostar em Portugal com soluções dedicadas ao tratamento para a transpiração, um problema que afeta mais de um milhão de portugueses.

Expansão revela sucesso

Inaugurada há cerca de dois anos em Lisboa, o sucesso da marca tem sido tão evidente e reconhecido que em 2017 foi dado um novo passo neste percurso de expansão e de chegar a mais portugueses que foi aberto um novo espaço, desta feita na cidade do Porto e que tem tido, igualmente, resultados de excelência. Basta ver que a taxa de sucesso da marca ronda os 90%, sendo que a taxa de satisfação aporta os 98%. “Estamos extremamente satisfeitos com o crescimento da marca e com a forma como temos vindo a proporcionar uma melhor qualidade de vida aos nossos pacientes”. Mas não se pense que a marca ficará por aqui, pois existem perspetivas de continuar a crescer no mercado português e assim está a ser delineada a possibilidade de abrir uma Clínica Liberty na zona centro do país e outra na região do Algarve.

A simbiose existente entre a Clínica Liberty e a inovação é por demais evidente, pois as dinâmicas apresentadas assumem-se como tratamentos de médicos, seguros e de última geração, aliados a tecnologia de vanguarda. exemplos disso mesmo são as duas soluções exclusivas apresentadas pela Liberty: o miraDry®, orientado para a transpiração e odor nas axilas e o PalmaDry, um dispositivo para tratar as mãos e pés. A nossa entrevistada revela que o caminho não cessa aqui, mesmo na aposta no domínio da inovação. “Queremos estar sempre na linha da frente e isso, naturalmente, obriga-nos a ser cada vez melhores e diferenciadores para oferecer o melhor tratamento e as melhores soluções a quem nos procura. Recentemente introduzimos em Portugal a Liberty Estética – Medicina Estética inovadora e de vanguarda. Não queremos que o nosso paciente venha aqui só uma vez. Sabemos que se sente em casa e por isso o passo de aumentar o leque de tratamentos para o servir era simplesmente natural. E está, como esperávamos, a ser um enorme sucesso!”

“Hoje o equilíbrio entre homens e mulheres no mundo dos negócios é maior”

Profissional e com um trajeto ímpar, Rosália Pedrosa nasceu na região centro de Portugal, numa pequena aldeia com cerca de 400 habitantes, tendo sido a primeira pessoa da sua família a aceder ao ensino superior, começando a trabalhar quando entrou na universidade. “Como vim de uma aldeia pequena, não havia o apoio de uma rede familiar ou de contactos. Assim, o meu crescimento e a orientação da minha carreira profissional foram sendo realizados à medida que fui evoluindo como pessoa e profissional”, assume a nossa entrevistada, que ao longo do seu trajeto no mundo do trabalho exerceu diversas funções de direção e vendas, com resultados bastante positivos e que foram servindo como rampa para outros e novos voos.

Mas será que a nossa entrevistada alguma vez sentiu maiores dificuldades na evolução da sua carreira por ser mulher? “Sem dúvida. Naturalmente que senti. Principalmente no início do meu percurso”, assume, dando um exemplo disso mesmo quando decidiu regressar à faculdade depois de já estar inserida no mundo do trabalho. “Regressei à universidade para fazer uma pós-graduação. Alguns colegas eram homens e contaram-me que as suas companhias lhes tinham comparticipado o valor dos estudos. Eu tive de o fazer sozinha e sem esse apoio. Se calhar porque a minha empresa dessa altura não viu grande interesse”, assevera, assegurando, contudo, que o panorama está a mudar e “hoje o equilíbrio entre homens e mulheres no mundo dos negócios é maior”,  embora ainda haja um longo caminho a percorrer.

O meu papel nos negócios é o de inspirar as pessoas a ir mais além

A nossa interlocutora não acredita que a liderança esteja associada ao género, embora reconheça que a forma como se partilham as vitórias seja mais feminina, “mas como se lidera não está relacionado com o género”. E qual o estilo de liderança adotado por Rosália Pedrosa? “Quero acreditar que o meu papel nos negócios é o de inspirar as pessoas a ir mais além, a ultrapassar as adversidades e obstáctulos com uma atitude vencedora e é isso que tento transmitir diariamente nas Clínicas Liberty. Naturalmente que essa atitude vem de mim enquanto pessoa, mas também tem sido consolidada pela dinâmica que impomos na marca e pelo nosso presidente, que é homem, e que é um líder emocional e inspirador. O que queremos é isso mesmo: ter pessoas que se consigam superar e realizar profissionalmente, tendo como desiderato aportar algo mais à comunidade, aos pacientes e aos fornecedores, pois a nossa missão é melhorar a vida das pessoas”, afirma a Country Manager da Clínica Liberty.

Melhorar em prol de um projeto

A terminar, a nossa entrevistada assumiu que é uma pessoa extremamente exigente consigo e com aqueles que a rodeiam, mas assegura que essa filosofia, essa forma de estar passa toda por uma “melhoria contínua em prol de algo… de um projeto como a Clínica Liberty”, salientando que diariamente se dedica a contribuir com o seu papel de liderança em prol de mais e melhor. “Quando estamos numa organização como a minha as pessoas compreendem que o líder é aquele que vai à frente e que puxa por todos, para assegurar que ninguém fica para trás. O líder não é o que chega primeiro, ser líder é ajudar os seus a andar sozinhos e carregá-los sempre que precisarem”.

E o que podemos esperar de Rosália Pedrosa no futuro? “Melhorar como pessoa, porque o crescimento das pessoas faz os projetos crescerem. Continuar a contribuir para o crescimento da marca Clínica Liberty, porque tem tido um sucesso evidente e tem tudo para poder continuar a crescer em torno de todos aqueles que nos rodeiam e fazem parte da mesma, tendo sempre como ponto fulcral melhorar a vida das pessoas”, esclarece, assegurando que irá continuar a representar o género feminino e a sua condição na capacidade de promover mudanças em prol da igualdade de género, juntando a sua à voz das mulheres em Portugal.

“É tão bom ser mulher!”

A M. Ramos colabora com empresas dos países de Língua oficial Portuguesa e em Espanha com empresas de avaliação que atuam em todo o país. Que importância assumem as parcerias para as organizações nos dias de hoje?

São fundamentais. Hoje temos de estar abertos ao mundo. A globalização não é algo só dos telejornais, é um novo paradigma. Preparamo-nos para isso e temos tido bons resultados.

Garantem serviços independentes e rigorosos, sendo que as avaliações imobiliárias são realizadas de acordo com as normas internacionais de avaliação. Que outros fatores têm contribuído para a solidificação e diferenciação da M. Ramos?

A formação, a ligação à Universidade e a prática do dia a dia. Estudamos todos os dias e temos dado cursos um pouco por todo o mundo. Por curiosidade, acabamos de receber cinco alunos da Universidade Autónoma da Baja Califórnia, que vieram, com uma bolsa de estudo do Ministério da Educação, fazer a sua Tese sobre avaliação de bens singulares – cada um com um caso diferente, desde imóveis históricos a zonas com águas termais e locais de interesse ambiental. Foi muito bom para todos. Aprendo sempre muito com os alunos. Não foram os primeiros e, se Deus quiser, não vão ser os últimos.

Maria Ramos é engenheira e desde muito nova que está no mercado de trabalho. O facto de ser uma profissão que até há bem pouco tempo era dominada pela presença masculina representou um obstáculo para si?

Não. E o facto de ser mulher não foi fundamental no meu desenvolvimento profissional. Em 1983 concorri a um lugar de Especialista Internacional em Desenvolvimento Urbano para um Banco e um professor – nessa altura frequentava um curso de Economia Europeia, na Católica – a quem disse que ia faltar a um exame porque ia Washington por causa das entrevistas, avisou-me: “não pense em ficar com o lugar, porque é muito nova, é mulher e é portuguesa”. Fui, não tinha aplication form, nem “proteção” de ninguém e fiquei em primeiro lugar.

Ah! Não vale a pena dizer: a primeira pessoa a quem telefonei foi a esse professor.

Tenho sido preterida, mas por outras razões. Não por ser mulher. Os meus melhores amigos são os meus colegas, as minhas melhores amigas são as mulheres dos meus colegas e o meu marido é meu colega e sócio, há 40 anos.

É cada vez maior o número de mulheres que ocupam lugares de liderança e de chefia nas empresas. Mas ainda falta um longo caminho a percorrer para chegarmos à igualdade de género?

Sabe? Sempre achei que éramos iguais. Iguais em dignidade, direitos e deveres. Quando tenho dificuldade em “acompanhar” alguém vou fazer mais um curso. Evidente que nunca serei um Einstein ou uma Marie Curie – e um foi homem e o outro, mulher -. É tão bom ser mulher!

Que desafios acarreta um cargo com funções de topo? Esses desafios são maiores pelo facto de ser mulher?

Os desafios são sobretudo porque estão repletos de responsabilidades. Alguém que tem funções de topo tem a seu cargo a “comida” da sua casa e a “comida” da casa das pessoas com quem trabalha. Tem a seu cargo o “serviço” para os clientes, para a sociedade em geral. A gestão de uma empresa é uma grande responsabilidade. Seja ela pequena ou grande. Claro que numa grande empresa muita coisa funciona por arrastamento e torna-se mais fácil.

Quanto aos desafios serem maiores pelo facto de se ser mulher, não me parece. O que a mulher tem são outras atividades paralelas que também são de grande responsabilidade: casa, filhos, pais, marido, amigos, etc.

A mulher tem de mostrar sempre que vale o que vale independentemente da profissão

Hoje é CEO da Peça 21, até fundar a empresa que história pode ser contada sobre o seu percurso?

Após terminar a minha licenciatura comecei a trabalhar na área da Engenharia Civil numa empresa hoje nossa concorrente. Desde cedo senti a vontade de criar o meu próprio negócio, e assim, em conjunto com o meu sócio, que também trabalhava no mesmo gabinete e sentia a mesma necessidade e vontade, criámos a Peça21 em 2010.

A empresa nasce desta vontade de termos uma marca nossa, com a qual nos identificássemos.

O que a levou a escolheu engenharia para construir uma carreira?

Desde cedo tive queda para os números e para a resolução de problemas, assim quando chegou a altura de optar por um curso superior, as ciências foram a opção natural. Tornei-me Engenharia Civil, pois sempre gostei de ver os números tornados em algo palpável, ou seja, ver o projeto tornado em algo concreto, criar soluções para os problemas que vão surgindo quer em projeto quer em obra, sempre foi uma ambição e hoje é uma paixão.

E o mais importante que é no final da execução de um projeto ou obra ver que o nosso cliente ficou satisfeito com as soluções apresentadas e com o trabalho realizado.

Com que fatores surge a Peça 21 no mercado que marcam a diferença?

O nosso fator diferenciador em relação ao mercado é, por um lado, o foco que colocamos no nosso cliente e na satisfação das suas necessidades e, por outro lado, o atendimento personalizado que lhe é dispensado.

O cliente é acompanhado desde a primeira reunião pelo elemento da equipa que irá coordenar o seu projeto até ao momento da entrega do mesmo. Neste momento estamos a desenvolver uma plataforma informática, através da qual o cliente pode, em qualquer momento, saber em que fase está o seu processo.

A engenharia civil foi durante muito tempo tida como uma profissão masculina, alguma vez sentiu esse tipo de preconceito?

Algumas vezes sim. Sobretudo no início do projeto senti que a minha opinião não era tão valorizada, mas no decorrer do mesmo sentia que o cliente passava a valorizar-me e a confiar no meu trabalho. Na Peça21 somos três engenheiras e um engenheiro e sentimos que nos tratamos da mesma forma e com mesmo respeito.

Que fatores considera imprescindíveis para que se alcance o sucesso?

Os fatores imprescindíveis como a honestidade, o rigor e a transparência.

A honestidade na forma como aconselhamos o nosso cliente. Rigor na forma como executamos os nossos projetos e transparência no trato com o cliente.

Ser mulher e engenheira é…?

É como em qualquer outra profissão, termos de demonstrar aquilo que valemos…É ser dona de casa, mãe, mulher…coordenar e organizar uma série de tarefas!

“É preciso ousadia de mostrar ao mundo que em Angola há angolanos que fazem bem”

A DEFENDIDEIAS surge em 2009 em Luanda, Angola, como empresa de design. Estamos a falar de quase dez anos de existência. Para si são dez anos de…?

De completos desafios, em que todos os dias te “reinventas” para conseguir ultrapassar as situações anómalas que surgem… São dez anos de realização total porque o dia-a-dia vai muito para além do aspeto meramente profissional… acabas por ser a chefe, a mãe, a amiga…

A DEFENDIDEIAS é mais do que uma empresa, é um projeto de vida. Pode falar-nos um pouco mais sobre como surge este desafio?

Sim, é o projeto da minha vida que mais não é que a continuidade do projeto de vida dos meus pais, numa outra dimensão e em ‘parâmetros’ diferentes. Prometi ao meu pai que voltaria à terra que ele amou como sua, honraria o trabalho deles com o meu trabalho conferindo-lhe a mesma dignidade e respeito pelos outros, a mesma garra e o mesmo amor!

Pretende elevar o nome de Angola e promover a valorização da identidade angolana. Trata-se mesmo de uma missão? Sente que tem sido bem-sucedida nesse propósito?

Sim, é uma missão, sinto-o quase como a missão da minha vida… Sabe? Durante muitos anos senti-me ser inferiorizada por ser angolana, como se a terra onde nasci fosse “menor”, fiz-me mulher num sítio onde havia pessoas que me faziam sentir isso todos os dias…

É preciso ousadia de mostrar ao mundo que em Angola há angolanos dignos, sérios, capazes de bem-fazer…

Acho que tenho conseguido esse propósito através das nossas peças que ”gritam” a alma angolana, que provam ao mundo que os angolanos têm muito mais para dar, que vai para além da imagem que uma pequena elite criou.

Um dos projetos mais recentes e marcantes diz respeito aos Mussulus. Pode dar-nos a conhecer os Mussulus?

Os MUSSULUS, são fruto de todos os sonhos que fui tendo do colorido da minha terra enquanto geri, por um lado, as saudades e, por outro, a angústia de ver os meus pais “definharem” pela distância da terra que tanto amaram…

Os MUSSULUS são os chinelos orgulhosamente angolanos, pintados com a cor da nossa alma e da nossa esperança.

No auge deste projeto deu-se o início da exportação dos Mussulus para Portugal. Era algo que já ambicionava ou surgiu naturalmente?

O projeto “MUSSULUS” que, para além dos chinelos, engloba uma linha de praia mais alargada, (sacos de praia, saídas de praia, óculos de sol, bolsas, etc.) é um projeto ambicioso, que nasceu com a pretensão de calçar os pés de todos os africanos, e depois, os pés do mundo…

Curiosamente, a primeira oportunidade que surgiu, foi para exportarmos para Portugal, o que a mim me enche de duplo orgulho: é algo criado por mim na terra que me viu nascer, algo feito por angolanos que chega à terra onde me fiz mulher! Esperamos que no verão do próximo ano os MUSSULUS possam estar já por Portugal inteiro.

Isso pode significar que existem mais facilidades de trabalhar em Angola e que há maior abertura no apoio ao investidor nacional?

Significa que a Defendideias tem à frente alguém que tem tanto de empreendedor como de louco (risos), ou seja: trabalhar em Angola não é fácil, todos os dias temos desafios novos para serem ultrapassados, todos os dias surgem situações anómalas que noutros sítios seriam impensáveis, todos os dias há “barreiras” que surgem sem sabermos como… Então o segredo é, em 1º lugar ter a audácia de contornarmos as situações sem ferir suscetibilidades e em 2º lugar ter a capacidade de “denunciar “ e de ir junto das competentes entidades e fazermo-nos ouvir… eu faço isso quase todos os dias pois considero que só a boa vontade do Executivo em mudar as “regras do jogo” não será suficiente se não puder contar com o apoio de todos os empresários que têm vontade de trabalhar e de dar o seu contributo.

Compete a nós empresários ir chamando a atenção para o que não está bem, é necessário que haja mais e melhor fiscalização para que os projetos que se criam para apoio às empresas nacionais possam vingar. Digo isso em todas as reuniões para as quais sou convidada a participar: “sem fiscalização competente continuarão a ‘morrer’ empresas todos os dias”.

Estamos perante uma empreendedora revolucionária?

Não, de forma alguma. Recuso esse rótulo assim como recuso o rótulo de “destemida” como alguém já me chamou…

Sou só uma empresária angolana que respeita os seus colaboradores, o seu país, pagando os salários e os impostos sempre atempadamente e, por isso se acha no direito de reclamar as situações com as quais não concorda tentando assim dar o seu contributo para que o ‘slogan’ de companha eleitoral: «Corrigir o que está mal e melhorar o que está bem» se cumpra!

A única coisa que pretendo é conseguir exercer o meu trabalho cumprindo, através dele, a minha missão de vida que é a de mostrar ao mundo que ANGOLA FAZ E FAZ BEM!!!

Tem tido apoio do poder executivo no desenvolvimento do seu projeto?

Não sei bem ao que se refere quando fala em apoio, é assim: tudo o que fiz até aqui tem sido com capitais próprios e assim continuará.

Apoio moral vou tendo de algumas entidades que fazem parte do nosso executivo e que acreditam no meu trabalho.

Falemos da atribuição do Prémio IAE Frankfurt, atribuído pela instituição BID na categoria de liderança, qualidade, excelência e inovação. O prémio BID à qualidade é um indicador de excelência conquistado por uma empresa que procura a qualidade total nas suas atividades. E para si o que representa este reconhecimento?

É motivo de enorme orgulho pois sentimos todos que é a “coroação” de uma caminhada feita com resiliência, determinação e sempre com o  foco no trabalho, fazendo bem e com  qualidade! Tenho um grupo de trabalho que todos os dias se esforça por fazer melhor, que todos têm um orgulho enorme por fazerem parte desta equipa fantástica, a equipa do “VAMU LÁ” como gostamos de nos auto apelidar.

A empresa continua a crescer e a dar cartas no mercado. Prova disso é o início de relação comercial com a Shoprite, o maior retalhista do continente Africano. Que passos ainda faltam ser dados para consolidar a presença da empresa no mercado africano?

Ainda temos muito para fazer…A shoprite concretizou-se agora depois de muitos meses de negociações… isto é só o início… Estabelecemos o prazo máximo de dois anos para estarmos em todo o continente africano.

Tivemos contactos e reuniões com uma grande cadeia espanhola mas que houve necessidade imperiosa, da nossa parte, de não prosseguirmos as negociações pois não teríamos capacidade de resposta de acordo com os nossos parâmetros de qualidade, pela falta de espaço físico para trabalharmos… Infelizmente e, apesar das necessidades que o nosso país tem de dinamizar a sua economia, tivemos de abortar essas negociações.

Brevemente irá ser lançada uma loja online. É mais um passo conquistado para elevar e levar o nome de Angola aos quatro cantos do mundo?

A necessidade da loja online surge na sequência dos contactos que vamos tendo de pessoas de todo o mundo que, de alguma forma, vão conhecendo os nossos produtos e perguntam como podem adquirir. A loja no centro comercial Colombo em Lisboa onde se podem encontrar os MUSSLUS também tem sido uma “montra” para nós.

Têm projetado a construção de uma unidade fabril, é verdade? Para quando?

Sim, é verdade, estamos há dois anos a construí-la, a lutar com capitais próprios para conseguir concretizar aquilo que considero ser uma das maiores façanhas da minha vida. Teremos 2000 metros quadrados de área de produção, 500 metros quadrados para área administrativa e mais 500 metros quadrados destinados a balneários e refeitório. Não sei quando conseguirei concluir a obra e, finalmente, podermos trabalhar num espaço condigno e com capacidade de maior produção para não perdermos oportunidades como já aconteceu. Infelizmente os bancos não acreditam no nosso projeto… resta-me, pois, respeitar isso e continuar a trabalhar no sentido de concretizar os objetivos que são meus mas que acompanham os objetivos que o país precisa de alcançar para dinamizar a sua economia.

A DEFENDIDEIAS é descrita como uma empresa que nos transporta aos sons, cores e formas de Angola. Essas características continuarão bem presentes na nova coleção? Quando será o seu lançamento?

A nova coleção que, garantidamente, será apresentada este ano continuará a ter bem patente a identidade angolana.

Cilene Correia, natural do Seles – Kwanza Sul, é a mentora deste projeto. Quem é Cilene Correia enquanto mulher?

Uma sonhadora, uma amante da sua terra, uma ‘sentimentalona’ e… uma mulher furacão (risos)

E quem é Cilene Correia enquanto empresária, empreendedora e líder?

Sabe? Tenho um defeito: não consigo ser só empresária e “despir-me” da mulher que sou… às vezes poderá ser menos bom mas eu acho que é isso que faz de mim uma verdadeira líder.

É fácil ser mulher no mundo empresarial? Ainda existem entraves à ascensão das mulheres a cargos de topo?

Eu não sinto nem nunca senti entraves pelo facto de ser mulher… reconheço que não é fácil mas, por isso, temos de saber impor-nos pelo respeito e pela auto valorização do que sentimos ser e podemos fazer!!!

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