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“A Certificação de Excelência foi uma excelente medida”

Desta forma, fomos conhecer uma marca que faz desses três pilares: transparência, rigor e excelência a sua forma de estar e atuar no mercado, isto há mais de 22 anos, mais concretamente desde 1995. Falamos, portanto, da Totalplan Porto, um transitário independente que perpetua um legado vasto de experiência no universo da logística global, oferecendo uma gama ampla de serviços de importação, exportação e crosstrade, desalfandegamento aduaneiro em toda a Europa, armazenagem e distribuição, logística militar, time critical service, mercadorias perigosas, peças auto, project cargo e heavy plant logistic, entre outros. A Revista Pontos de Vista foi conversar com Álvaro Barbosa, CEO da Totalplan Porto, que nos deu a conhecer um pouco mais das vicissitudes deste mercado, das dificuldades e lacunas do mesmo, sendo que o ponto central assentou no denominado Certificado de Excelência, criado pela APAT – Associação dos Transitários de Portugal, em 2013, e que tem como principal desiderato reconhecer a qualidade, credibilidade, fiabilidade e segurança dos serviços prestados pelas empresas transitárias associadas que reúnam os requisitos estabelecidos pela Associação, caraterísticas reunidas pela Totalplan Porto que é uma das associadas da APAT que conseguiu este reconhecimento.

Com uma vasta ligação a este setor, Álvaro Barbosa está no mesmo há cerca de 36 anos, reunindo, portanto, um vasto know-how sobre o mesmo e uma visão abrangente sobre aquilo que é hoje o mercado e o que era em 1995, “até porque nessa altura era mais simples realizar negócios”, algo que, com a globalização, “foi alterado e à qual nos tivemos que adaptar rapidamente sob pena de sermos ultrapassados”, esclarece o nosso entrevistado, lembrando que o terminar das fronteiras na Europa, anterior à formação da Totalplan Porto, veio balizar a operacionalidade dos operadores, “em que alguns continuaram a dedicar-se às três áreas que estavam estabelecidas: rodoviário, marítimo e aéreo, sendo que nós, Totalplan Porto, decidimos promover as áreas que eram a nossa especialidade, a vertente aérea e a marítima, em que tentamos desenvolver o melhor serviço em prol do cliente”, revela Álvaro Barbosa.

Marca multifacetada e especializada

Uma das áreas em que a Totalplan Porto tem apostado, passa pelo Transporte de Projeto, que atualmente tem uma influência no
volume de negócios da empresa de cerca de 8 a 10%, sendo que este é um setor importante para a marca, embora o nosso entrevistado reconheça que esta é uma área que vai surgindo de vez em quando. “Os projetos e as cotações para os mesmos vão sendo solicitadas, mas não em tao elevado número quando comparadas com serviços standard. Estas cotações obrigam a grande dedicação do Departamento de Projetos, pois as transformações entre o período inicial do projeto e o seu término, são muitas. Por isso, um projeto pode ter um custo no início (ainda em papel) e no final, aquando da conclusão das peças, o valor ser diferente do anteriormente apresentado, devido às alterações nas medidas e pesos. Naturalmente que podemos tentar controlar os mesmos, fruto da nossa experiência, e por isso fazemos sempre uma proposta ao cliente o mais próxima possível do que será o resultado final”, esclarece o nosso interlocutor.

O primeiro projeto «made in» Totalplan Porto passou por um Junkers Ju 52, avião alemão da Segunda Guerra Mundial, que estava inicialmente no atoleiro em Alverca e que foi mudado para o Brasil, mais concretamente para Santos, sendo que posteriormente foi transportado para São Paulo, onde foi reconstruído, estando colocado no antigo Museu da TAM, o Museu de S. Carlos, ou seja, o Museu da Aviação do Brasil. “Tive a oportunidade de seguir todo este processo e de assistir aos trabalhos de limpeza e desmontagem do avião e respetivo transporte e posso afirmar que foi das coisas mais incríveis que já vi pela capacidade que foi demonstrada ao longo deste processo e que, naturalmente, nos advoga um sentido de credibilidade nesta área perante o mercado”, assume satisfeito Álvaro Barbosa.

Complicar o que é simples

A competitividade no setor é evidente e clara, sendo que alguma da mesma é bastante desleal e basicamente portuguesa. “Sim, este mercado ainda sofre um pouco com alguma complexidade que provoca dificuldades a quem, como nós, cumpre todos os requisitos para estar no mercado de uma forma transparente”, realça o nosso entrevistado, lembrando que essa concorrência assenta em empresas que estão no mercado e não cumprem as suas obrigações. “Não pagam segurança social, IRC e dão prejuízo todos os anos. Isso prejudica-nos e o Estado é que deve estar atento a essas situações para não causar transtornos a marcas, como a nossa, que são cumpridoras, mas que têm de viver neste cenário que não é positivo”, assume Álvaro Barbosa.

Mas as dificuldades não cessam por aqui, até porque, segundo o nosso entrevistado, “a maior parte das dificuldades não surgem pela atuação da concorrência, mas com a falta de discernimento que existe a nível estrutural e que de alguma forma nos permite a saída e a entrada das mercadorias, que é a Autoridade Tributária e Aduaneira, que, infelizmente, ainda utiliza o velho ditado «cada cabeça, sua sentença» e isso não pode funcionar assim”, assegura o nosso entrevistado, explicando um pouco mais sobre a atual realidade. Pegando num exemplo prático, a mesma mercadoria da entrada pela Alfandega de Leixões, Lisboa ou Sines, e “as três alfândegas perante a mesma situação atuam de forma distinta. Provocando discrepâncias, num mercado que já tem tantas pedras no caminho. Nós só queremos que o mercado seja mais célere e pragmático porque esta é uma atividade muito exigente”, salienta, assegurando que este não é um mercado desregulado, “mas cansado, porque algumas pessoas não se adaptaram ou não estavam preparadas para as mudanças do mercado. Mudanças provocadas pela digitalização, pela introdução de novas tecnologias e assim tentam complicar aquilo que aparentemente é simples”.

Certificação de Excelência

A relevância do conhecimento do mercado por quem possa prestar um serviço de valor acrescentado com Excelência e as exigências cada vez maiores de elevados parâmetros para o correto funcionamento da cadeia de abastecimento, levaram a APAT à criação da Certificação de Excelência que tem dado um enorme contributo para a credibilização do setor e dos players que compõem o mesmo. Para Álvaro Barbosa esta foi “uma excelente medida por parte da APAT”, realça, assumindo, contudo, algum espanto quando soube que este reconhecimento, em 2018, apenas foi solicitado por 21 empresas do setor, num universo que conta com mais três centenas de Associados. “Fiquei naturalmente surpreendido, mas confesso que a minha única preocupação é saber que a Totalplan Porto faz parte das empresas reconhecidas com a Certificação de Excelência. Isso é um motivo de enorme orgulho e fico extramente satisfeito por termos dado esse passo”, assume.

Mas será que possuir o certificado de Excelência tem impacto no mercado? O nosso interlocutor assume que deveria ter, “mas tem de ser mais divulgada”, afirma, lembrando que esse papel não é da responsabilidade da APAT, mas das empresas certificadas. “Quem tem essa certificação deve utilizar as ferramentas que tem ao seu dispor para divulgar este reconhecimento a nível nacional e internacional. Essa divulgação aliada a uma forma transparente de estar no mercado terá, sem dúvida, impacto no mesmo”, refere, salientando a diferença entre as empresas mais tradicionais e familiares como a Totalplan Porto e as grandes multinacionais, que, segundo o nosso interlocutor, lidam com números e resultados “e nós lidamos com
pessoas, promovendo a proximidade e a confiança com cliente nacionais e internacionais e isso, para nós, tem sido uma enorme vantagem. Nós não fazemos somente o transporte, nós cuidamos da carga e queremos que quem exportou ou importou receba aquilo que comprou. No fundo, vendemos soluções e não compramos problemas pois na nossa área de atividade os problemas, e as dificuldades nem precisam de ser comprados, eles surgem facilmente porque dependemos de inúmeros fatores. As pessoas ainda não entendem que o transitário é uma peça fundamental na cadeia da atividade importadora e exportadora e que se reflete na economia do país. Temos de dar mais relevância a este setor”.

Sendo a Certificação de Excelência um excelente «cartão de visita» das entidades e players que operam neste setor, não deveria a mesma de ser obrigatória? Álvaro Barbosa assume que isso não faria sentido, colocando essa possibilidade como “uma prepotência, pois uma coisa é a certificação, outra é a legislação existente e se esta é permissiva então a certificação nunca pode ser um produto obrigatório. A legislação atual permite, infelizmente, que qualquer pessoa possa enviar um contentor para qualquer ponto do mundo e não fomos nós que liberalizamos o setor a esse ponto. Ninguém vai aferir se essa empresa pode atuar neste mercado tendo a capacidade e o know-how para o fazer, assegurando fiabilidade e credibilidade a todos os parceiros intervenientes neste processo?! Se calhar a legislação é que tem de mudar e de ser mais rigorosa, não tendo de estar a colocar a Certificação de Excelência como obrigatória, porque isso seria falsear a própria. Ao generalizarmos a mesma, estaríamos a banalizar a Certificação de Excelência”.

Mas qual tem sido o papel da APAT na promoção, credibilização e defesa do setor? Segundo o nosso entrevistado o papel da associação tem sido “bastante positivo”, afirma, salientando que a APAT tem vindo a crescer e “não a engordar”, esclarece, lembrando que a APAT “sempre foi um grande apoio a todos os níveis, tanto com a atual direção como com as anteriores. Sempre fomos muito acarinhados, ajudados, sustentados e até amparados em vários pontos, mas principalmente no âmbito de aspetos legais porque não existem muitos advogados em Portugal com conhecimentos nesta área”, assegura Álvaro Barbosa, afirmando que as portas da associação estiveram sempre abertas, elogiando o trabalho feito pela mesma no âmbito da formação, que, segundo o nosso entrevistado, é essencial para se singrar neste mercado. “A formação sempre existiu, mas hoje tem melhor qualidade e acima de tudo é mais diversificada e tem sido muito bem acolhida pelos associados”.

Selo de Excelência APAT

O que significa conquistar o Selo de Excelência da APAT?

Conquistar o Selo de Excelência da APAT é o mesmo que obter um atestado de qualidade, credibilidade, fiabilidade e segurança dos serviços prestados, por ter conseguido preencher determinados requisitos estabelecidos pela APAT (previstos nos seus estatutos e regulamento interno).

Que requisitos têm de cumprir as empresas para fazerem parte da associação?

Uma empresa que exerça a atividade transitária, para se tornar nossa associada, terá, antes do mais, de submeter a sua candidatura junto dos serviços da APAT, através do preenchimento do boletim de inscrição disponível no nosso site, fazendo prova de que se encontra legalmente constituída e habilitada a exercer a atividade ou as atividades a que se pretende dedicar, sendo que as empresas que exerçam a atividade transitária têm de estar devidamente licenciadas pelo IMT. A estes requisitos, acresce a obrigação de subscrever e cumprir o código de conduta em vigor.

Após a apresentação da documentação probatória necessária do preenchimento dos requisitos supra enunciados, a candidata ficará ainda sujeita ao crivo da Direção que poderá exigir dos interessados e/ou solicitar a terceiros, elementos de informação havidos por necessários à comprovação dos requisitos invocados.

A título excecional, admitimos pré-adesões a associados, de empresas ainda não licenciadas, desde que preencham o boletim de inscrição e nos requeiram auxílio nos processos junto do IMT com vista ao licenciamento.

Os transitários começam a ganhar cada vez mais relevância no mercado global, tendo em conta fatores como a economia e o ambiente. Que papel assume a APAT NESTE paradigma cada vez mais evidente?

A APAT, enquanto defensora legítima dos interesses das empresas suas associadas, tem procurado ser um marco na representação nacional sustentando e defendendo os seus associados e a atividade que prosseguem como elementos fundamentais da cadeia de abastecimento. Para tanto, tem procurado estreitar a cooperação com todos os associados de forma a ajudar e a promover serviços de Excelência que conduzam à permanente melhoria e inovação da Cadeia de Distribuição e Logística das mercadorias transacionadas, acrescentando-lhes as
mais-valias daí decorrentes. Estamos, portanto, focados na divulgação e dignificação da atividade transitaria, da atividade de transportes rápidos ou de carga expresso, do transporte multimodal, da atividade operadores logísticos e/ou de armazenagem e distribuição e, bem assim, de outros operadores de transporte de algum modo relacionados com a organização do transporte de mercadorias, e na inerente defesa dos interesses dos associados junto da Tutela e demais Entidades Públicas e Privadas.

Que importância considera que o Selo Excelência tem junto do consumidor?

O perfil dos consumidores está em franca mudança, conforme tem sido profusamente debatido a par da Revolução 4.0, daí que para um consumidor cada vez mais exigente, seja relevante obter informação acrescida sobre quem possa prestar um serviço de valor acrescentado com Excelência. O Selo de Excelência é, precisamente, uma ferramenta/certificado que atesta uma maior aptidão para acompanhar as exigências cada vez maiores de elevados parâmetros para o correto funcionamento da cadeia de abastecimento. Por este motivo, acreditamos que esta distinção representa um enorme contributo e um fator de grande utilidade para o consumidor (empresa exportadora/importadora), na escolha do seu parceiro Transitário.

Atualmente quais são os maiores desafios do setor?

Este setor enfrenta vários e diversos desafios. Na carga área, por exemplo, há já demasiado tempo que as infraestruturas aeroportuárias estão desadequadas, meios de rastreio desajustados e falta de estratégia de investimento no setor influenciam negativamente a competitividade das empresas portuguesas transitárias. De igual modo, no transporte marítimo, as greves constantes de estivadores nos portos têm ditado o desvio de carga para outros portos/países europeus em detrimento.

Os novos desafios prendem-se agora também com a indústria 4.0, onde a digitalização é a palavra de ordem.

Ano após ano, a APAT tem demonstrado o seu compromisso e disponibilidade para contribuir, com determinação e empenho, para a implementação de soluções eficazes, e manter uma voz ativa em prol das empresas transitárias, nossas associadas.

No entanto, é com profunda desilusão que assistimos a uma certa relutância à implementação das mudanças necessárias no setor. Acreditamos que esse impasse não será, certamente, por falta de diagnóstico, mas por nítida falta de interesse e ação por parte das entidades competentes.

O sistema de transporte de mercadorias, em geral, encontra-se em processo de adequação ao século XXI, enfrentando, por isso, inúmeros desafios, nomeadamente do foro ecológico, digital e de interoperabilidade.

Estes desafios, se bem encaminhados, poderão resultar em oportunidades inovadoras, mais amigas do ambiente, eficientes e seguras.

Na prossecução destas megatendências, tal como temos amplamente divulgado, a Comissão Europeia decretou o ano de 2018 como o “Ano da Multimodalidade”, que será o mesmo que dizer o “Ano do Transitário”, pois este é quem apresenta as soluções de transporte mais adequadas aos diferentes tipos de mercadoria, articulando todos os modos de transporte de modo a obter maior eficiência.

Ora, o aumento de eficiência do transporte de mercadorias e das cadeias logísticas através da digitalização e simplificação administrativa é, e será, naturalmente, potenciado pela digitalização que, por sua vez, não se limita a novas tecnologias, mas também ao intercâmbio de dados e que, de “mãos dadas” com a automação e i.A, irá transformar não apenas este setor, mas o mundo em geral.

Sem prejuízo, a digitalização dos documentos, a devida regulamentação, bem como os incentivos/apoios que vierem a ser concedidos, assumirão um papel preponderante no cumprimento das metas estabelecidas e na almejada mudança na cadeia logística e, bem assim, no assegurar do não comprometimento da (necessária) competitividade e sustentabilidade.

O “cliente” será a maior força motriz das inovações que se farão sentir e o “Transitário” o seu parceiro ideal.

Assim, será de esperar que a Tutela e demais Autoridades, no seu todo, não se alheem desta realidade, se mostrem mais cooperantes e eficazes, acompanhando as tendências que, de uma forma ou de outra, mais tarde ou mais cedo, serão os ditames do futuro.

Quais são, neste momento, as prioridades da associação?

Nos termos do programa de ação apresentado pelos renovados Corpos Sociais, eleitos no passado dia 21 de março, destacam-se como pontos essenciais da nossa ação futura, as seguintes:

– Uma representatividade proativa junto da Tutela, das Autoridades, de outras Associações e Entidades de relevância para o setor.

– A elevação dos serviços prestados pela Associação, apostando, nomeadamente, na implementação de um sistema de gestão de qualidade, na criação e dinamização de ações de formação e consultoria conjunta e de implementação de processos no âmbito do RGPD (proteção de dados) e, ainda, num programa de consultoria para certificação AEO.

– A promoção da comunicação interna e externa, estendendo a distribuição física da Revista APAT ao plano digital procurando assim abranger os PALOP, e criando um blogue APAT.

Posto isto, na prossecução dos seus desígnios estatutários e estratégias delineadas, perante as inúmeras mudanças com impacto na atividade logística que se antecipam, a APAT vai continuar a desenvolver esforços na ajuda e suporte a todos os associados para que encarem os constrangimentos que se sucedem, como desafios a vencer.

O nosso objetivo é muito simplesmente ajudar ao sucesso dos nossos associados. Sem receio de termos de trabalhar para atingir esse objetivo maior. E sobretudo mantendo um elevado patamar de exigência sobre quem tem poder de decisão no panorama logístico nacional.

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