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“Sustentabilidade é Competitividade”

A sessão decorre no âmbito do projeto PME Sustentável, promovido pela APEE, que visa capacitar as PME portuguesas para responder aos novos desafios do mercado, designadamente os decorrentes da Diretiva 2014/95/EU, que obrigará as empresas de interesse público a reportar informação sobre direitos humanos, mecanismos anticorrupção, ambiente, entre outros. As PME, ao pertencerem à cadeia de abastecimento destas grandes organizações, estarão, cada vez mais, pressionadas a, também elas, reportar este tipo de informação. Urge prepará-las para responder aos novos desafios, aumentando o seu potencial competitivo num mercado global.

A sessão “Sustentabilidade é Competitividade” irá, assim, levar ao tecido empresarial do Porto cinco grandes temáticas, complementadas pela partilha de boas práticas por parte das empresas J.A.M. Fernandes & Filhos, Lda e Catari Indústria S.A

PROGRAMA

Agenda 2030 da ONU e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Sustentabilidade – Motor de Competitividade para as PME

Oportunidades emergentes na Economia Verde para as Empresas

Diretiva 2014/95/UE  – Relato da Informação não-financeira – Como cumprir

Ferramentas e instrumentos de implementação

Práticas de Sucesso

Casos Práticos e Debate

A sessão de sensibilização, conduzida por Mário Parra da Silva, Network Representative da iniciativa da ONU United Nations Global Compact – Network Portugal e reconhecido especialista em Ética, Responsabilidade Social e Sustentabilidade, contará também com a intervenção de (nome – a preencher), (cargo – a preencher) do IAPMEI, para uma mensagem de boas-vindas aos empresários locais.

Sobre a APEE – Associação Portuguesa de Ética Empresarial

Fundada em 2002, a Associação Portuguesa de Ética Empresarial tem assumido a liderança nos processos de normalização nas áreas da Ética e da Responsabilidade Social em Portugal, sendo reconhecida pelo IPQ como Organismo de Normalização Setorial. Paralelamente, é a entidade host da United Nations Global Compact, membro da Post Publication Organization da ISO 26000 e promove, anualmente, o Reconhecimento de Práticas em Responsabilidade Social junto das organizações portuguesas. Do reconhecimento das autoridades nacionais (IPQ) e internacionais (ISO e ONU) advém o empenho na organização de eventos de referência, como a Semana da Responsabilidade Social®. (http://www.apee.pt/ | http://srs.apee.pt/)

Sobre o IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, I.P. 

Instituto público de regime especial, integrado na administração indireta do Estado, dotado de autonomia administrativa e

financeira e património próprio.

Tem como missão promover a competitividade e o crescimento empresarial, assegurar o apoio à conceção, execução e avaliação de políticas dirigidas à atividade industrial, visando o reforço da inovação, do empreendedorismo e do investimento empresarial nas empresas que exerçam a sua atividade nas áreas sob tutela do Ministério da Economia, designadamente das empresas de pequena e média dimensão, com exceção do setor do turismo e das competências de acompanhamento neste âmbito atribuídas à Direção-Geral das Atividades Económicas.

Mais informação em: https://www.iapmei.pt/

Sobre o Projeto PME Sustentável

PME Sustentável é um projeto promovido pela Associação Portuguesa de Ética Empresarial, destinada ao desenvolvimento dos fatores críticos de competitividade das PME exportadoras e com potencial exportador das regiões Centro e Norte.

A finalidade do PME Sustentável é apoiar as PME portuguesas através da comunicação internacional das suas boas práticas de como estas ajudam as grandes empresas a cumprir com os requisitos da Diretiva 2014/95/EU sobre o relato de informação não financeira. Da mesma forma, o projeto visa a capacitação das PME para a economia verde e a utilização mais eficiente dos recursos naturais.

O Projeto PME Sustentável, da Medida Sistema de Apoio a Ações Coletivas – Qualificação, é cofinanciado pelo Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020), Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Sobre Mário Parra da Silva

Consultor em Processos de Mudança, Estratégia Comercial, Bem-Estar Organizacional e Desenvolvimento Sustentável.

Fundador da APEE – Associação Portuguesa de Ética Empresarial, da qual foi Presidente da Direção entre 2002 e 2016.

Chefe da Delegação Portuguesa no Grupo de Trabalho ISO 26000 Responsabilidade Social.

Chairman da rede europeia Prepare (Desenvolvimento Sustentável) em 2006/2009.

Fundador e Presidente da Direção do Corporate Wellness International Institute – Associação para o Bem-Estar Organizacional, Saúde Ocupacional e Responsabilidade Social Interna.

Membro do Conselho de Ética e dos Corpos Gerentes da CCP – Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.

Membro do Conselho de Ética da CERTIF.

Membro da Comissão de Responsabilidade Corporativa & Anticorrupção da ICC Portugal.

Network Representative do United Nations Global Compact em Portugal.

Presidente da Aliança ODS Portugal

Sobre a J.A.M. Fernandes & Filhos:

PME criada em 1991 e sediada em Guimarães, dedica-se à fabricação de calçado e emprega cerca de 100 trabalhadores(as).

Com um volume de negócio de perto de 4.000.000 €, exporta para: Alemanha, Holanda, Escandinávia, Dinamarca, Grécia, Reino Unido, França, Bélgica, Nova Zelândia, Japão.

Distinguida consecutivamente, desde 2012, com o galardão PME Líder e em 2015 com o prémio PME Excelência.

Certificada pela ISO 9001 e 14001

Mais informação em: www.jamfernandes.com

Sobre a CATARI INDÚSTRIA S.A

PME criada em 1987 e sediada em Arouca, dedica-se à fabricação de máquinas para a construção e emprega cerca de 82 trabalhadores(as).

Com um volume de negócio, consolidado, em cerca de 13.700.000€, exporta cerca de 78% da produção e está presença na Europa  (Be; Es; Fr; Fi + “Balcãs) América do Sul (Br; Pe; Ci) e Africa (Ma; Mz).

Distinguida em diversos anos com o galardão PME Líder: 2010, 2013, 2016, 2017.

Certificada pela ISO 9001

Mais informação em: www.catari.pt

Portugal e Espanha devem coordenar esforços para uso sustentável da água

A recomendação consta no relatório, hoje divulgado, “Áreas-chave da biodiversidade de água doce na sub-região do noroeste do Mediterrâneo” e tem como um dos enfoques os recursos ribeirinhos transfronteiriços de Portugal e Espanha, como os rios Douro e Tejo.

A organização (IUCN, na sigla em inglês) recomenda que Portugal e Espanha apliquem na íntegra os princípios da Diretiva-Quadro da Água da União Europeia e a Convenção das Nações Unidas para a Utilização dos Cursos de Água Internacionais.

De acordo com o relatório, Portugal tem mais de 30 espécies em áreas consideradas chave em termos de biodiversidade de água doce, e que incluem peixes, plantas, insetos e moluscos, a maioria ameaçados.

Estas áreas, que não são transfronteiriças, estendem-se, nomeadamente, pelos rios Arade, Mira, Sado, Vouga, Alcabrichel, Sizandro e Safarujo.

Uma das espécies, endémica de Portugal, é o ruivaco-do-oeste, que vive nos rios Alcabrichel, Sizandro e Safarujo e a evoluir para o estado de “em perigo” ou “criticamente em perigo”, devido à poluição doméstica e agrícola, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.

Outra espécie nesta condição é o molusco com o nome científico “Belgrandia alcoaensis”, do rio Alcoa, que nasce no concelho de Alcobaça.

Portugal e Espanha juntos têm mais de 80 espécies ameaçadas de peixes, moluscos, insetos e plantas em “áreas-chave de biodiversidade de água doce”, banhadas pelos rios transfronteiriços do Douro, Tejo, Guadiana e Minho.

“Áreas-chave de biodiversidade de água doce” são, por definição, locais importantes para a manutenção global da biodiversidade de espécies e ecossistemas, neste caso na sub-região do noroeste do Mediterrâneo.

O relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza apresenta ainda resultados para França, Itália e Malta.

A lista das principais ameaças às espécies de água doce na sub-região analisada inclui barragens e captações de água para irrigação e consumo humano, espécies exóticas e poluição doméstica e agrícola.

A União Internacional para a Conservação da Natureza avisa que o aumento da seca no sul da Europa, causado pelas alterações climáticas, levará nos próximos dez anos a uma diminuição da população de uma espécie de libelinha nativa de Portugal, Espanha e França, a “Macromia splendens”.

Portugal faz parte da União Internacional para a Conservação da Natureza através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, da Associação de Defesa do Património de Mértola, do Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens, da Quercus e da Liga para a Proteção da Natureza.

A IUCN integra organizações governamentais e não-governamentais de mais de 170 países em defesa da conservação da natureza.

LUSA

Jardins do Palácio de Cristal recebem Encontro Nacional de Veículos Elétricos

É já no próximo fim de semana, 8 e 9 de julho, que se realiza o V Encontro Nacional de Veículos Elétricos – ENVE 2017,  nos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto. 

O recorde ibérico de participações será certamente batido, não estivessem já confirmadas pela Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos mais de 200 inscrições confirmadas, entre as quais utilizadores da Madeira e dos Açores, bem como uma representação da Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (ABRAVEI), inscrições de Espanha e uma inscrição de Marrocos. 

Pela primeira vez a Tesla estará representada oficialmente num evento em Portugal, com os seus dois modelos emblemáticos, o Model S e o Model X. O evento contará, ainda, com estreias nacionais como o Mini Plug-in (PHEV), os novos Smart elétricos, ForTwo, ForTwo cabrio e ForFour e outras recentes novidades como o Hyundai IONIQ 100% elétrico e híbrido Plug-in. 

ENVE 2017_Cartaz A2_v2O programa surpreenderá os visitantes com as atividades e animações que decorrerão ao longo do dia. Um barco eletro-solar da Sun Concept, concebido e produzido em Portugal, no Agarve, em Olhão, o comboio turístico elétrico da Deltrain, os quadriciclos da Birò, o primeiro veículo elétrico português homologado, o Veeco, a Smart Flower, um girassol fotovoltaico, a Omniflow, com o seu candeeiro com iluminação LED, produzida por pequenos painéis fotovoltaicos e uma mini eólica. 

Será a maior concentração e exposição de veículos elétricos e de produtos associados à mobilidade elétrica, como carregadores rápidos, semi-rápidos, portáteis e domésticos, comercializadores e operadores de energia para a mobilidade elétrica. 

O Encontro Nacional será inaugurado pelo Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, que se deslocará de Lisboa ao Porto, num veículo elétrico, no sábado, dia 8 de julho, pelas 10h, nos Jardins do Palácio de Cristal.

Calçado adaptado ao seu estilo

Como surgiu a marca ASHA| All Shoes Adaptable e em que é que se inspirou para a criar?

A marca ASHA| All Shoes Adaptable é o resultado de um estudo iniciado em 2011 na minha dissertação de mestrado em Design e Desenvolvimento do Produto no IPCA “ Melhoria do Design de Calçado numa Perspetiva Inclusiva”.

Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de questionar a relação entre a parte estética do calçado especializado e as emoções que esta provoca nos utilizadores.

A parte estética é demasiado importante para a autoestima das pessoas e depois de realizar vários questionários e entrevistas com pessoas que necessitam de utilizar palmilhas ortopédicas (ortóteses plantares) percebi que as pessoas não as conseguiam inserir em qualquer calçado e que o calçado que o permitia fazer não lhes agradava esteticamente. Não refletia portanto os gostos e não permitia adaptar consoante o estilo e esta foi a inspiração. A ideia de desenvolver um calçado que fosse “transformável” e que permitisse ser adaptável a vários estilos e necessidades, este conceito surgiu literalmente de um sonho.

A marca questiona a relação de dois aspetos, a estética e a necessidade de um calçado especializado. Na sua opinião, a questão da saúde é muitas vezes esquecida em prol daquilo que é tendência de moda?

Por vezes a questão nem se prende com o calçado especializado, o problema é que quando as pessoas procuram um calçado mais confortável raramente a parte estética lhes agrada. Normalmente referem que o calçado “parece de velhinha”.

As que têm que utilizar as palmilhas ortopédicas ainda têm mais dificuldades em encontrar calçado que gostem.

Sim, infelizmente a grande maioria das pessoas opta por utilizar calçado que lhes agrada do ponto de vista estético, mas que lhes magoa. Isto porque preferem estar na “moda” e seguir as tendências do momento, ou porque se sentem mais confiantes com determinado calçado.

Então as tendências de moda devem ter uma direção saudável, nós como designers temos o dever de desenvolver produtos conscientes, produtos que sejam esteticamente apelativos mas que cumpram a sua função, que é proteger os pés. Acreditamos que a moda tem um forte valor na sociedade e se os seus padrões forem numa direção saudável e universal poderemos abranger mais cidadãos.

Quem apresenta mais problemas nos pés, o sexo feminino ou masculino?

Sabemos que 80% da população tem problemas ao nível dos pés, no entanto, algumas pessoas ainda não o sabem, talvez porque ainda não apresentam dores.

Ainda assim o público feminino é o que apresenta mais alterações fisiológicas, na maioria das vezes, devido à utilização de calçado inadequado, mas também por problemas congénitos  (ex.: pé cavo; pé raso). Os pés devem estar bem protegidos para evitar deformações e traumatismos que possam trazer graves consequências, e por vezes torna-se necessário a utilização de palmilhas ortopédicas ou de calçado especializado.

O vosso calçado é só para pessoas com problemas nos pés? O que podemos entender por design inclusivo?

O nosso calçado é fisiologicamente adequado, o que significa que respeita a volumetria do pé e a altura do salto/tacão é estudada de forma a não ser prejudicial à saúde de quem o utiliza.

Tem ainda a particularidade de ter uma palmilha anatómica amovível, esta palmilha confere alto nível de conforto ao pé e pode ser substituída por uma palmilha ortopédica. O design inclusivo é isto mesmo, qualquer pessoa pode utilizar este calçado e quem tem que utilizar as palmilhas ortopédicas também pode, tanto no calçado fechado, como no calçado aberto. Este calçado permite colocar uma palmilha ortopédica utilizada para patologias como: pé cavo; pé plano; faíscite plantar, metatarsalgias e esporão de calcâneo.

Mas na realidade quase todos nós deveríamos utilizar uma palmilha desenvolvida por medida para cada pé (palmilha ortopédica/ ortóse plantar), pois todos temos pés diferentes, que necessitam de diferente apoio.

Quantos sapatos já criaram?

Esta é uma questão curiosa, até agora desenvolvemos cinco modelos de calçado para venda ao público, mas com os acessórios temos imensas conjugações diferentes. Podemos dizer que temos quase 100 pares diferentes do ponto de vista estético através dos acessórios decorativos. O calçado pode ser alterado sempre que a pessoa quiser e em qualquer lugar de forma rápida e simples.

Inicialmente criámos alguns modelos por encomenda e por vezes criamos modelos especiais, como é o caso dos sapatos que estamos a desenvolver para o Alvim (apresentador tv) e para o José Pinheiro (designer/instagramer).

A questão do ambiente também é importante para a ASHA e por isso está envolvida num movimento global chamado “Fashion Revolution”. De que forma mantêm o projeto sustentável a nível ambiental?

A ASHA preocupa-se com a questão do ambiental e o sector do calçado causa um grande impacto. Nós não queremos de forma alguma contribuir para isso, acreditamos que a natureza é o segundo maior bem e temos que a proteger. Por isso a maioria dos materiais que utilizamos são orgânicos, recicláveis e reaproveitados. Para desenvolver os acessórios reaproveitamos algumas matérias-primas oriundas do sector do calçado e do têxtil e desta forma conseguimos ter edições limitadas.

Neste momento o objetivo é reduzirem a quantidade de sapatos. Porquê?

Enquanto não conseguirmos ter um produto totalmente biodegradável e/ou reciclável e reaproveitado, ou que prejudique o mínimo possível o meio ambiente pretendemos desenvolver mais acessórios com materiais reaproveitados e não tantos sapatos. Porque com o nosso conceito uma pessoa pode ter só alguns pares de sapatos, mas criar muitos modelos diferentes através dos acessórios.

De que forma podem ser adquiridos os produtos ASHA?

O calçado ASHA neste momento pode ser adquirido na nossa loja onlie www.asha-shoes.pt e na campanha de crowdfunding https://www.amarkt.com/index.php?p=project&id=9&mc_cid=050ec3c416&mc_eid=dfe3ccf461.

O Crowdfunding é uma forma simples e recente de angariação de financiamento para um projeto através de uma comunidade que partilha os mesmos interesses.

 Esta campanha está a decorrer até ao final deste mês, aqui é o único local onde podem encontrar os modelos de meia estação e um modelo aberto. Em breve teremos mais novidades que ainda não podem ser desvendadas.

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Bluemater – soluções eco-eficientes

A filosofia da Bluemater é muito objetiva: apresentar soluções eco-eficientes. “A Bluemater nasceu com a missão de desenvolver tecnologias inovadoras de tratamento de águas”, começa por referir Nuno Gomes. Esse é o mote do negócio e desde o início houve sempre a preocupação de que fosse direcionado para a sustentabilidade. “Começámos no tratamento de águas com o desenvolvimento de diversas soluções e hoje temos já dois sistemas patenteados. Recentemente o projeto Algamater da Bluemater, feito em parceria com a Universidade do Algarve e a Algar, entidade que gere os resíduos sólidos urbanos do Algarve, foi aprovado pelo programa horizonte 2020 da comissão europeia. Trata-se de um projeto congregador de toda a tecnologia desenvolvida pela Bluemater ao longo dos últimos dez anos”.

Com este projeto Portugal registou o melhor desempenho de sempre. Este fundo da comissão europeia para PME’s com elevado potencial de inovação tem uma taxa de aprovação de 2% e só foram atribuídos até hoje, em Portugal, a seis projetos, sendo o projeto Algamater o que obteve maior valor. Segundo esclarece a comissão europeia, desde 2008 que a empresa “tem vindo a desenvolver este conceito desafiador para o tornar num sistema comercial viável para o tratamento de águas residuais em aterros sanitários e na própria indústria”.

No que respeita as águas potáveis, a Bluemater privilegia os sistemas de tratamento de última geração por membrana, tanto de ultrafiltração, quando se pretende remover sólidos em suspensão e carga orgânica, como de osmose inversa, quando as águas se encontram salinizadas e é necessário remover sais. Ambos os métodos são eficazes na remoção de bactérias, vírus e protozoários causadores de doenças e são aplicados de modo selecionado consoante as características da água.

Quanto às águas residuais, a Bluemater desenvolve soluções próprias de tratamento biológico e aplica os sistemas mais avançados de remoção de sólidos suspensos, tendo em vista a ecoeficiência. Os sistemas de tratamento da Bluemater podem ser instalados à superfície e são cerca de dez vezes mais pequenos e poupam oito vezes a energia dos sistemas de lamas ativadas tradicionais.

A par dos dois sistemas já patenteados, a empresa tem já mais quatro patentes em preparação relacionadas com o tratamento de águas residuais e potáveis. “Patenteamos um substrato, o leito percolador natantia (que será vendido como Biocubo Natantia), que pode ser incorporado nas Etar existentes ou na nossa torre biológica, igualmente patenteada, para o tratamento biológico das águas. Este tratamento é direcionado para novas Etar como a nossa que é um modelo completo, mas pode ser incorporado noutros sistemas de outras empresas ou ainda para fazer o upgrade das Etar existentes a nível nacional”, explica o nosso entrevistado.

As Etar projetadas e operadas pela Bluemater incluem diversas tecnologias únicas e patenteadas. Esta Etar pode ser aplicada a diferentes efluentes, desde os lixiviados de aterros sanitários a efluentes industriais ou domésticos. É mais eficiente e estável e poupa até dez vezes a energia gasta pelas Etar convencionais.

Já a Torre Biológica Syconair da Bluemater é um novo método de tratamento biológico de gases industriais, que apresenta inúmeras vantagens em relação aos sistemas tradicionais de lavagem química: menores custos operacionais: maior rendimento, ausência de produtos químicos perigosos, sistema natural e amigo do ambiente. O sistema baseia-se na filtração biológica dos gases circulantes, através de um meio de enchimento orgânico e de irrigação com água, que promovem a fixação de um biofilme bacteriano com elevada capacidade de remoção dos poluentes gasosos.

“A par destes dois produtos, desenvolvemos outro produto inovador com microalgas para a etapa final do tratamento dás águas. O tratamento passa por diversas etapas e no fim afinamos tudo com microalgas para a reutilização da água e a melhor gestão de lamas resultantes do processo, que se apresentam como um problema. Este reator pode ser, igualmente, utilizado na aquacultura e temos já várias universidades e empresas interessadas no nosso produto”, elucida-nos Nuno Gomes. Porém, o nosso entrevistado lamenta que em Portugal não se dê a devida atenção à reutilização das águas residuais porque, felizmente, temos água em abundância, mas noutros países este tratamento, que é um processo simples, é relevante.

Parcerias e o Mercado Internacional

A Bluemater já está presente em Angola através de um representante com os seus sistemas de tratamento de águas. No entanto, o objetivo passa por explorar o mercado europeu, com foco no mercado espanhol. “É uma prioridade, pois como as tecnologias da Bluemater são avançadas, o mercado europeu tem apetência para absorver os seus produtos. Posteriormente, pretendemos voltar a focar-nos no mercado africano quando a sua situação económica estabilizar”, avança Nuno Gomes. Para a exploração do mercado da Europa central a Bluemater pretende abrir uma filial na Holanda, mas a fabricação dos produtos será sempre feita em território nacional, não fosse a Bluemater uma empresa que olha para a sustentabilidade e rentabilidade do país.

A Bluemater vai estar presente, em outubro, na maior feira mundial de águas na Holanda, a Aquatech, que é uma mostra líder em tecnologia de processamento e consumo de água e esgoto, em Amesterdão. O programa da Aquatech abrange uma ampla análise sobre os últimos desenvolvimentos no campo de tratamento da água, do seu transporte e armazenamento, processos de controlo e automatização.

Entretanto a Bluemater tem já outro projeto a decorrer em parceria com a Corticeira Amorim para desenvolver uma nova tecnologia de tratamento de águas, as ilhas flutuantes em cortiça. Estas ilhas permitem cultivar plantas ou legumes à superfície da água. “O nosso foco com estas ilhas flutuantes são as barragens para se recriar as margens, pois como o nível das albufeiras é flutuante, têm uma cinta à sua volta sem vegetação. Os primeiros ensaios irão ser feitos na barragem de Crestuma”, refere o nosso entrevistado para quem esta parceria é uma porta aberta para o mercado americano devido à filial que a Corticeira Amorim tem nos estados unidos. Note-se que a Corticeira Amorim é a maior empresa mundial de produtos de cortiça e a mais internacional das empresas portuguesas. Outra aplicação destas ilhas prende-se, uma vez mais, com o tratamento de águas. “Temos mais de 600 Fito-Etar em Portugal, que são lagoas de tratamento de águas residuais à base de plantas palustres como o caniço e a tábua e que são sistemas seminaturais. O problema é que essas plantas estão presas no fundo e as lamas acabam por as «sufocar». Portanto, o objetivo é muito simples. Colocar as plataformas flutuantes com as plantas à superfície para absorver os poluentes da água através das suas raízes”, avança Nuno Gomes.

A Bluemater está, ainda, a avançar com uma candidatura em parceria com duas das maiores indústrias agroalimentares, para aplicar a Torre Biológica Sycon no tratamento de águas residuais e gases industriais. 

10 Anos de bluemater

O maior desafio para a empresa prende-se com a dificuldade em implementar os projetos. “Foram necessários dez anos para as pessoas acreditarem em nós e nas nossas ideias inovadoras. Fizemos imensos ensaios pilotos e experiências em diferentes entidades. Algumas empresas apoiaram-nos e foram acreditando em nós, mas, de facto, até agora o nosso trabalho baseou-se em experimentação e colocar a nossa tecnologia à prova. O projeto Algamater e o financiamento do programa europeu são um ponto de viragem para a empresa. Prevemos um rutura completa com o passado recente e agora os desafios já não são nacionais e passam pela internacionalização. Neste momento ainda somos uma equipa pequena constituída por quatro pessoas, mas estamos já a recrutar novos colaboradores e queremos incorporar mais cinco pessoas pelo menos”, afirma Nuno Gomes.

Regresso dos Resineiros aos pinhais

Portugal já foi o segundo produtor mundial de resina, no entanto, das mais de 100 fábricas existentes nos anos 80 só restam seis nos dias de hoje. Isso deveu-se ao desinvestimento na floresta nos últimos 30 anos, desencadeando o abandono das zonas rurais, emigração, destruição do património florestal e incêndios.

A Bluemater irá, portanto,  promover a reabilitação da fábrica de resinas de Figueiredo de Alva, São Pedro do Sul, fundada em 1951 e que fechou em 1994 quando o preço da matéria-prima caiu a pique. Hoje as condições do mercado melhoraram e o negócio voltou a ser rentável, o que levou Nuno Gomes a querer reabrir a fábrica que se encaixa na filosofia geral da empresa: apresentar soluções eco-eficientes. Nuno Gomes é natural de São Pedro do Sul onde o seu pai chegou a vender resina, nos anos 80, para a fábrica adquirida. Por isso mesmo, juntou-se o útil ao agradável. O projeto irá permitir o regresso dos resineiros aos pinhais, uma atividade que praticamente deixou de existir e que hoje começa a ser de novo rentável. A resina que será tratada nesta região terá como destino o mercado externo para áreas tão diversas como os cosméticos ou a indústria alimentar. A matéria-prima pode ser utilizada para fazer diluentes, tintas, colas, pastilhas elásticas e até para dar a fragância de pinho nos ambientadores. O objetivo é que a fábrica comece a laborar em 2018 e criar, em cinco anos, 500 postos de trabalho, diretos e indiretos. Mas, para além do impacto económico, este investimento terá, igualmente, um impacto ecológico muito importante. Isto porque verifica-se um abandono significativo das florestas que se traduz em incêndios ou a ocupação por eucaliptos, que já são hoje a maior mancha florestal de Portugal, não havendo paralelo na Europa. Metade da área florestal ardida na Europa diz respeito a Portugal e isso deve-se principalmente ao abandono florestal. Assim, a atividade dos Resineiros não só permitirá a vigilância das florestas e prevenção de incêndios como contribuirá para a biodiversidade. Neste sentido, e como é preciso falar e divulgar esta atividade, outrora geradora de riqueza, está a decorrer um congresso, nos dias 2 e 3 de junho, intitulado de “Resinagem, Ambiente e Indústria”, organizado pela Bluemater, em conjunto com o município de São Pedro do Sul e a AIMMP – Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal. O congresso “Resinagem, Ambiente e Indústria” teve lugar no Cine Teatro Jaime Gralheiro, em São Pedro do Sul, e termina hoje, sábado, na fábrica de resinas de Figueiredo de Alva.

Editora Exclamação: A arte da palavra

A Editora Exclamação é uma editora nova, “mas que vai continuar a preservar todos os títulos antigos, comprometendo-se a trazer publicações que para muitos podem ser surpreendentes”.

Com propostas de reedições como Planeta Darwin, propostas de novas publicações ou coleções já publicadas como l Miu Purmeiro Libro em Mirandés, Diário da Natureza ou o Sentimento do Porto, Nuno Gomes afirma que sempre teve interesse pela edição. “Era uma área que me fascinava e verificava que havia muitos livros que gostaria de ver publicados e que não estavam. Quando iniciei este projeto estava mais direcionado para livros relacionados com a natureza, mas percebi que não era sustentável e nem havia títulos suficientes pelo que alargamos o nosso portefólio”, afirma o CEO da Bluemater. Apesar do mercado estar em decadência, Nuno Gomes realça que vai manter a editora por prazer e por gostar do que faz.

É o seguimento do projeto planeta vivo, uma empresa que tinha como foco a natureza, observando e intervindo, testando métodos e descobrindo soluções mais saudáveis para o planeta. Este centro de investigação ambiental procurava conciliar o esforço da investigação científica e a sustentabilidade ambiental, de modo a promover a biodiversidade, no conhecimento e na conservação. Outro serviço prestado era o de consultadoria ambiental, sobretudo sobre ecologia e temas relacionados com a conservação da natureza.

Taxa dos sacos de plástico incentivou reutilização para 70% dos portugueses

Sete em cada 10 portugueses defendem que a taxa sobre os sacos de plástico incentivou a sua reutilização para as compras, enquanto mais de metade dizem que fez diminuir os resíduos de plástico, sem influenciar a separação de lixo.

Segundo as conclusões do “Primeiro Grande Inquérito Sustentabilidade em Portugal”, realizado Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, e que será divulgado esta terça-feira, para 69% dos 1.500 inquiridos a decisão de aplicar uma taxa aos sacos de plástico leves, mais poluentes, incentivou a sua reutilização para transportar as compras.

À pergunta sobre se a medida obrigou a comprar sacos específicos para o lixo, 64% responderam que sim e 14% que não, os restantes estão indecisos.

A diminuição do volume de lixo foi uma consequência da taxa para 56% dos inquiridos, mas 18% têm uma opinião contrária, segundo o inquérito do Observador de Ambiente e Sociedade, do ICS.

Para 58% dos 1.500 inquiridos, a decisão de taxar os sacos de plástico não teve influência já que continuaram a fazer a separação do lixo como habitualmente.

Já 18% das respostas apontam para um aumento da separação, passando a usar outros sacos de lixo, mas 11% reconhecem que diminuiu a separação de resíduos, já que habitualmente utilizava os sacos distribuídos gratuitamente no comércio, principalmente nos hiper e supermercados.

A nova taxa de dez cêntimos sobre os sacos de plástico, que entrou em vigor a 15 de fevereiro do ano passado, pretendia reduzir a utilização dos 466 para os 50 sacos por habitante e por ano, uma das mais elevadas da Europa.

A medida, avançada pelo anterior ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, tem como objetivo contribuir para o decréscimo da quantidade plásticos que estão a poluir o ambiente, com especial incidência nos oceanos.

O inquérito presencial foi realizado de 07 de abril a 07 de maio, a 1.500 residentes em Portugal, com mais de 18 anos, numa amostragem aleatória atendendo a região, género, idade e escolaridade, com um intervalo de confiança de 95%.

Trás-os-Montes Biológico

David Barbas

Quem já não ouviu dos seus pais ou avós que os alimentos já não têm o sabor de antigamente?
Quem já não ouviu falar que pela boca morre o peixe?

Pois a verdade é que os alimentos consumidos atualmente são diferentes dos alimentos consumidos no passado.
Os modos intensivos de produção agrícola e pecuária levaram os produtores a adotarem métodos ambientalmente insustentáveis e colocando a saúde dos consumidores em risco.
A utilização intensiva de herbicidas, inseticidas e fungicidas, tal como adubos para crescimento rápido, etc., põem seriamente em causa a qualidade dos alimentos, nomeadamente quanto à presença de resíduos de substâncias nocivas para a saúde humana.
Além disso, a velocidade de crescimento e a forma da adubação retiram sabor e genuinidade aos alimentos.
Em termos ambientais, estes processos de produção são negativos, porque existe a contaminação dos solos, das águas e o choque com o ecossistema envolvente, tanto na flora como na fauna. Por estes motivos, a agricultura e pecuária intensivas põem em causa a sustentabilidade ambiental para as gerações vindouras.

Assim sendo, e por estarmos situados num local privilegiado do nosso país, nasceu em julho de 2014 a JOMAVIL – Produtos Biológicos, uma empresa certificada para produzir e transformar produtos biológicos. A certificação exige um conjunto de regras e medidas que os operadores terão de cumprir.

A empresa nasceu inicialmente com a perspetiva de transformar essencialmente frutos secos, nomeadamente amêndoa, alguma de produção própria e outra comprada a agricultores locais devidamente certificados como biológicos pelos organismos competentes, estimulando desta forma a economia local baseada na agricultura biológica e a exploração dos recursos endógenos da região, que por ter um clima singular origina produtos de extrema qualidade.

Logo nos primeiros contactos com o mercado consumidor fomos desafiados e transformar mais produtos, produtos esses da nossa tão rica região transmontana. Por esse motivo logo no ano seguinte introduzimos novos produtos, nomeadamente mel (urze, rosmaninho e castanheiro) e azeite.
Já no final do ano de 2015 introduzimos nozes e cera de abelha.
Fomos também inovando a nível de embalagem e ao nível da transformação dos produtos, nomeadamente na amêndoa, que comercializamos, crua com pele, crua sem pele, torrada, torrada salgada e ralada.
Neste momento, os nossos produtos estão colocados em muitas lojas de produtos biológicos em todo o país, incluindo Açores e Madeira, e temos uma página na internet com uma loja online, em www.jomavil.com, permitindo desta forma que qualquer pessoa possa comprar diretamente os nossos produtos.
No futuro, a JOMAVIL espera poder chegar a mais pessoas, em Portugal e além-fronteiras, e com mais produtos, apostando sempre nos produtos biológicos, na sua qualidade, no sabor, na ausência de substâncias prejudiciais à saúde e garantindo uma sustentabilidade ambiental dos pontos de produção dos seus produtos.

Alimentos biológicos vs. Alimentos Convencionais
A verdade é que a maioria das pessoas pensa que os produtos biológicos são muito mais caros que os convencionais, o que nem sempre é verdade. Do ponto de vista da produção, é mais caro produzir em modo biológico, porque os fertilizantes e métodos utilizados são mais dispendiosos e a produtividade é inferior, por causa dos insetos, infestantes, etc., ou seja, o risco é maior.
No entanto, os preços tendem a descer com cada vez mais produtores a apostar neste tipo de agricultura.
Se em vez de perguntarmos o porquê dos alimentos biológicos serem tão caros, perguntemos o porquê de os alimentos convencionais serem tão baratos.
Os alimentos biológicos em termos nutricionais são mais ricos, têm mais vitaminas, minerais, enzimas e micronutrientes do que os alimentos cultivados de forma convencional.
Se a saúde é a nossa maior riqueza, então todos deveríamos consumir apenas produtos biológicos.
A JOMAVIL espera que no futuro a grande maioria dos consumidores opte pelos produtos biológicos e é nesse sentido que estamos a inovar todos os dias, com produtos novos e novas formas de os apresentar, estando permanentemente em contacto com os nossos clientes, ouvindo as suas críticas e necessidades, para que não falte opções a quem quer mudar para um estilo de vida mais saudável.

Biodetergentes, gestão de água em jardins e valorização de peixe recebem prémios ambientais

A 8.ª edição do Green Project Awards (GPA), prémios que destacam iniciativas promotoras da partilha de boas práticas, de empreendedorismo, inovação, desenvolvimento sustentável e da economia verde, distinguiu várias entidades, distribuídas por sete categorias, entre vencedores e menções honrosas.

Os prémios, iniciativa da GCI, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Quercus, são hoje anunciados em Lisboa num evento que integra a conferência «COP21 — conclusões e desafios» para analisar conclusões e próximos passos da Cimeira da ONU sobre Alterações Climáticas realizada em Paris de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2015.

Transforme a sua casa num ambiente de paz

Anabela Macieira

Em todos os projetos idealizados e concretizados pela Zen Arquitectura existe sempre originalidade e natureza, mesmo que em zonas mais citadinas. São estes os conceitos que definem a marca e que promovem os espaços zen que procuram desenvolver?
A minha inspiração vem muitas das vezes da natureza. Adoro viajar, conhecer novas culturas, descobrir o que têm de novo, materiais, hábitos, combinação de cores, tradições, etc. Adoro tradições, especialmente as portuguesas.
Em Portugal temos 1860 horas de sol por ano, é o país com mais sol da Europa, porque não aproveitar o que temos sem custos e desenhar casas de baixo consumo com piscinas biológicas, sem químicos, uma construção  que respeita a natureza, utilizando materiais adequados por forma a criar um modo de vida sustentável e saudável? A escolha de materiais recai sobre os materiais naturais, provenientes da natureza, tais como o barro para o reboco, a madeira para a estrutura do telhado, cobertura ajardinada, aquecimento solar, alto desempenho a nível do isolamento. Combinados estes materiais, cria-se um ambiente equilibrado, com baixos custos de manutenção e de despesas correntes.

As filosofias orientais estão bem presentes na vossa forma de ser e de estar enquanto empresa de arquitetura. O que significa este modus vivendi para os projetos?
Nos meus projetos, uma das grandes preocupações é a preservação do meio ambiente e a utilização de energias renováveis. Fascinada pelas outras culturas, encontrei no feng shui uma ferramenta adicional que permite compreender o segredo da influência dos materiais sobre os humanos. Esta fusão entre a ciência e o conhecimento antigo sobre o fluxo de energia ajudou a criar a Zen Arquitectura, Lda.

A construção ecológica e sustentável é um dos vossos objetivos quando integram um projeto. Neste contexto, aliam o referido anteriormente feng shui à arquitetura baseada na ecologia. Qual é a importância destes fatores para a empresa e clientes?
O Feng Shui é uma ancestral, milenar, filosofia oriental que estuda a interação humana com o ambiente. O objetivo é criar nos edifícios uma atmosfera motivante e rejuvenescedora.
O gabinete Zen Arquitectura aplica princípios de Feng Shui do mesmo modo que a acupunctura é usada na medicina. Pela ativação de canais energéticos bloqueados, libertamos energias dinamizadoras, maximizando o potencial do espaço.
Esta influência é feita pelo desenvolvimento do conceito de: cores (quentes, claras, suaves…); materiais (texturas/tecidos, mobiliário, objetos decorativos…); formas (padrões, modelações…); iluminação (indireta, sombreamentos, luz solar…); aromas (refrescantes, relaxantes…); temperatura (adequada ao uso…); sons (relaxantes, motivantes…).
Criamos pontos focais e encaminhamos a energia revitalizada através destes. Para que os clientes encontrem em cada divisão da sua casa a energia correta a interagir com eles.

Prova deste “pensar fora da caixa” é o prémio atribuído pelo programa EU Wilder pelo projeto de uma “casa extensível”. O que significa este reconhecimento para a Zen Arquitectura? Neste contexto, em que consiste exatamente este projeto galardoado?
A casa gaveta surge com a necessidade de criar uma casa flexível, com princípios tanto a nível físico, como a nível de eficiência energética.
O seu design foi criado para tentar incorporar as alterações climatéricas, com eficiência energética elevada, pois tem a capacidade de reduzir os consumos de aquecimento no inverno e de arrefecimento no verão, respeitando uma relação ideal entre área e volume do edifício. Pretendia-se tambem servir as rápidas alterações da nossa sociedade, isto é, adaptação do espaço ao crescimento ou diminuição dos membros da família na habitação. Estas transformações são fáceis de manusear, através de um sistema hidráulico e elétrico, podendo a mesma ser usada até por pessoas idosas. Assim, permite ao proprietário da casa a liberdade de ajustar o espaço consoante as suas necessidades. Em suma, a casa gaveta tem como objetivo oferecer uma proposta alternativa de viver.
Como arquiteta é sempre bom ver as nossas ideias ganharem forma. Ganhar o prémio Wider da inovação foi muito importante, este projeto estava na “gaveta” já há algum tempo, pelo facto de a casa vir de encontro às necessidades de muitas pessoas e Portugal é o país ideal para este tipo de construção. A casa necessita de muito pouco espaço, basta um terreno de 50 m2, tornando-se um produto acessível a todos.

Pela vossa postura perante a arquitetura, e como é possível verificar, são reconhecidos não apenas em Portugal, mas também a nível internacional. De que modo está a Zen Arquitectura presente nesses países?
Os nossos clientes são maioritariamente estrangeiros, temos projetos em vários países, inclusive na Índia. Estudei e iniciei a empresa em Berlim, ainda mantenho muitos contatos nesse país e desenvolvo projetos de consultoria para clientes que pretendem o meu tipo de arquitetura.

Que futuro tem idealizado para a Zen Arquitetura e para si, Anabela Macieira, a mulher por trás deste sucesso?
O futuro, de momento, não é o meu foco principal. Importante para mim é criar uma cultura de construção sustentável não como opção, mas sim como um sistema standard. Eu acredito que todos os arquitetos deveriam projetar de forma sustentável e utilizar os recursos disponíveis que temos no nosso país, que é fantástico para este tipo de construção. Se na Alemanha, que é um país tão frio, este tipo de construção já é standard, aqui então deveria ser muito mais.

Em algum momento sentiu o seu trabalho posto em causa pelo facto de ser mulher? A arquitetura ainda vive esse preconceito de uma forma relevante?
Não, pelo contrário. Muitas vezes as esposas dos clientes preferem uma arquiteta feminina porque consideram que estas desenvolvem o projeto mais prático em função da melhor utilização da casa. Relativamente às empresas de construção, quando é o primeiro contacto, sinto a necessidade de provar que sei sobre o que falo, mas depois de os convencer com o minha competência tudo corre naturalmente.

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