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Informantem aposta forte na reestruturação em áreas tecnológicas para continuar a crescer

Criada por António Trincheiras em 1996, o mercado era um universo muito diferente daquilo que é hoje, sendo que a informática era uma realidade muito distante do que conhecemos atualmente e sem metade das opções que hoje existem, nomeadamente a nível empresarial.

“A informática ainda não fazia parte do quotidiano das pessoas e a empresa foi criada para gerir e manter o coração das organizações”, conta Pedro Gil, Presidente do Conselho de Administração, que está desde 2006 na empresa. “em 20 anos tudo mudou e a Informantem adaptou-se de uma forma muito peculiar, mas sustentada, alinhando-se aos seus parceiros de forma a crescer para acompanhar o mercado e as suas tendências”.

De olhos postos fora de Portugal

E cresceu. Tanto que, para além de Portugal, já está de forma sólida em Angola e Moçambique. Ainda este ano, a empresa tecnológica entrará em Cabo Verde e Abu Dhabi. “Vamos replicar o modelo com que abordámos em anos anteriores os projetos de Angola e Moçambique”, afirma o administrador.

Apesar de uma forte aposta em contratar recursos locais e apoiar o desenvolvimento dos países onde opera, as equipas multidisciplinares contam com uma concentração de processos de monitorização e operação a partir de Portugal, operando esta base como uma espécie de centro de excelência. “Portugal funciona como um centro de concentração de competência, onde diariamente se idealizam, desenham, monitorizam e suportam todas as operações de todos os países em que estamos presentes”.

“Foi preciso mudar a estratégia para um crescimento sustentado”

A empresa tem tido uma evolução exponencial, criando competência com um portefólio muito abrangente, que abraça as mais importantes valências das tecnologias. Pedro Gil explica que essa é a mais-valia e ao mesmo tempo o maior desafio da empresa uma vez que “o mercado está muito ativo e por isso torna-se difícil contratar, manter o talento e a maturidade a nível organizacional. Ao longo dos anos temos vindo a trabalhar numa contínua adaptação ao mercado e por isso mesmo temos vindo a reestruturar e a adaptar os nossos processos internos, bem como a nossa oferta”.

 Além da criação de novas áreas, a aposta em alguns segmentos passa por uma estratégia de incorporação. “A nossa estratégia passa por isso, neste momento, pela aquisição de empresas. Queremos agregar na nossa capacidade, áreas que consideramos estratégicas e que para a nossa base de clientes é essencial. Dessa forma sabemos ser possível continuar a corresponder às expectativas do mercado”. Forçosamente a reestruturação também acontece com os fabricantes em que a estratégia desenhada diminuiu a lista outrora mais extensa. Atualmente os parceiros eleitos da Informantem são fabricantes como a HPE, Microsoft e Cisco nas áreas de Valor e HPi, Lexmark e Lenovo na área de Workplace. O pretendido é cada vez mais conquistarem o reconhecimento de todos pelo trabalho que atualmente, diariamente, mais de 200 colaboradores desenvolvem, trabalho esse que se estende pelas mais diversas áreas entre as quais se destacam a aposta na segurança de informação, os serviços geridos e o datacenter. “Ao longo dos 20 anos a evolução da nossa empresa foi centrada nos clientes, com quem temos relação diária num expectro de dispersão nacional e de quem cuidamos e mantemos mais de 120 mil equipamentos de forma permanente, a partir do nosso Centro de Atendimento que atua numa lógica de 24h por dia.”

Os números, todos os anos, revelam o crescimento sustentado que têm alcançado uma vez que têm crescido a dois dígitos desde há anos. “O nosso crescimento é ponderado e como principal prioridade temos sempre os nossos clientes. Esperamos fechar este ano com uma faturação na casa dos 28 milhões de euros”.

Reconhecimento e projetos que falam por si

Aos 20 anos de existência, decidiram mudar a imagem corporativa. Uma imagem forte e simples como se pede à própria empresa. Essa imagem, associada a um período de uma maior exposição da marca Informantem permitiu à empresa ser, hoje, mais reconhecida pelos seus principais parceiros de negócio bem como pelos seus clientes. “Hoje, a Informantem é uma empresa reconhecida a nível nacional e internacional”, conclui o administrador.

Mantendo o lema de sempre “perto de si”, Pedro Gil diz que cada cliente é único e que por isso cada projeto também o é. “Somos alfaiates de soluções”. A filosofia da empresa passa, essencialmente, por manter as coisas fáceis para todos, incluindo os fabricantes e distribuidores que atuam como parceiros, com uma postura de confiança e de olhos postos no futuro. “keep IT simple” é o mote que move a diferença e a dedicação dos colaboradores da Informantem.

Há mais de 20 anos presentes no mercado continuam a mostrar uma competitividade e solidez que nem a crise conseguiu abalar. Assumidamente como integradores de soluções à medida de qualquer necessidade, a Informantem soma e segue num setor que, apesar de volátil, se tem mostrado aliciante e com desafios 100% ao alcance da empresa.

Informantem: A tecnologia perto de si

Sediada em Lisboa, a Informantem é hoje um dos principais fornecedores nacionais de soluções de tecnologias de informação. Com a dedicação e empenho de uma equipa de profissionais, a Informantem fornece soluções e serviços especializados, alinhados com as estratégias dos principais fabricantes de Hardware e Software.

Por sua vez, Daniel Passos, juntamente com a sua equipa, assume um papel preponderante na empresa, reformulando-a ao nível das soluções e das tecnologias de informação.

Designer de processos de segurança e um apaixonado pelas tecnologias, Daniel Passos afirma que é tudo menos contra o desenvolvimento tecnológico. “Sou sim a favor da sua aplicabilidade consciente. A nossa sociedade e as gerações mais novas não entendem o quão vulneráveis estão com todo este desenvolvimento tecnológico”, refere o tecnólogo.

Quanto à reformulação da Informantem, esta processou-se a nível do catálogo de serviços orientados para as soluções e tecnologias que estão a ser introduzidas na empresa. “Temos um leque alargado de serviços em termos de manutenção, por isso mesmo impunha-se fazer um «shift» para fazer face a toda esta dinâmica da transformação digital. Nós próprios transformámos os nossos serviços, acrescentando novas plataformas, novas soluções e novos serviços no nosso catálogo, de forma a modernizá-lo para continuar a garantir a confiança que os nossos clientes depositam em nós e para reforçar a segurança e integridade da informação, bem como o reforço das defesas a ataques cibernéticos”, explica Daniel Passos.

No entanto, reforça que a segurança e a proteção dos seus clientes já é algo intrínseco à empresa, o que se reflete na confiança dos clientes na Informantem como uma entidade segura. De facto, a Informantem tem implementado e certificado um Sistema de Gestão de Segurança da Informação em conformidade com os requisitos da norma de referência ISO/IEC 27001 na prestação de Serviços de Housing, Hosting, Backup e Disater Recovery. Caso de sucesso e orgulho é o facto de o Datacenter ter sido projetado para proporcionar ao cliente vantagens a nível de rapidez e segurança. O total controlo de acessos e monitorização garante uma disponibilidade total.

Assim, passo a passo, a Informantem vai redirecionando a sua atuação no mercado, explorando novas áreas e disponibilizando novas soluções.

Contudo, é importante consolidar áreas de negócios já trabalhadas pontualmente pela Informantem, bem como consolidar as ofertas com base nas ofertas dos fabricantes. A Informantem, com uma estratégia fortemente direcionada para um vasto portefólio de fabricantes, redirecionou-se agora para um grupo mais restrito de fabricantes, de forma a garantir a especialidade dos seus produtos e serviços. Estamos a falar de parceiros como a HP, HPE, Microsoft ou a Cisco. “Trata-se de um modelo de consolidação da oferta e de especialização porque estamos a trabalhar com a tecnologia mais emergente destes fabricantes neste momento”, adianta Daniel Passos.

A visão orientada para o cliente, aliada, à experiência e uso de normas internacionais, tais como ISO 9001, 14001 e 27001, permite à Informantem ser um integrador de referência nos diferentes setores de mercado.

“TUDO, SEM UMA ESTRATÉGIA, PODE CRIAR FRAGILIDADES”

Quando questionado sobre se a transformação digital veio trazer tudo o que há de bom, mas também o que de menos bom há, Daniel Passos explica que tivemos um crescendo galopante no que diz respeito à transformação digital, portanto, “o bom e o mau é relativo”. “Estamos é muito mais vulneráveis por não termos acompanhado de uma forma tão próxima todo este crescendo. O bom e o mau já existe há muito tempo, e o crime informático também. Hoje estamos é mais expostos e vulneráveis ao ciberataque devido ao avanço das tecnologias”, acrescenta.

E mais. A adoção de tecnologias mais recentes, sem que haja uma direção e uma estratégia, pode fragilizar a empresa para eventuais ciberataques. Aliás, “tudo, sem uma estratégia, pode criar fragilidades”, alerta o nosso entrevistado.

É aqui que a Informantem se diferencia, por definir soluções e estratégias adequadas a cada empresa. “Somos alfaiates de soluções. Cada negócio deve ser analisado, estudado e ter um pensamento estratégico, não só no âmbito da cibersegurança. Defendo que esta boa governança deva existir em todos os modelos. Essa sim é uma forma correta de estar no mercado, adequando as soluções às necessidades e capacidades das organizações”, adianta Daniel Passos.

CIBERATAQUE: ERRO HUMANO?

Podemos afirmar que o ciberataque deve-se, na maioria das vezes, a um erro humano? Daniel Passos é reticente a esta questão. Não sabe se o desconhecimento é um erro, mas sim que, nos dias de hoje, com o fácil acesso à informação, a falta de uma consciencialização é um erro humano. “Por outro lado, somos demasiado “preguiçosos” e facilitamos o caminho para o ciberataque quando, por exemplo, colocamos as mesmas passwords em diferentes sites ou quando aceitamos termos e condições sem, verdadeiramente, as ler. O homem, por natureza, cria ferramentas de segurança, mas ele próprio acaba por se colocar numa posição de vulnerabilidade”, diz-nos. Explica, ainda, que hoje a segurança da informação e sua a consciencialização deve ser o mote das organizações, essencialmente para quem está na gestão de topo e “que adquire soluções de cibersegurança, mas que acaba por não estar verdadeiramente consciencializado sobre as vulnerabilidades”.

Por sua vez, relativamente à proteção de dados e com a entrada em vigor do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados, Daniel Passos também tem uma posição bem vincada. “O Regulamento Geral de Proteção de Dados atualiza uma lei que já tem 20 anos pelo que urgia, com esta transformação digital, sofrer uma reformulação”, elucida. Mas, mais uma vez, também este tema está intrinsecamente relacionado com consciencialização. Consciencialização essa que passa por gestos tão simples como “tomar precauções quando andamos com o nosso telemóvel com o wifi ligado ou com as passwords gravadas”.

“Concordo que hoje o RGPD é olhado com mais cuidado, mas porque traz consigo a aplicação de coimas. Não sei se traz algo de novo, mas coloca à luz do dia aquilo que deve ser enaltecido. Os direitos do cidadão, a segurança e tratamento dos dados pessoais ou os direitos da propriedade intelectual é algo que já sabemos há muito tempo. Agora se a consciencialização não muda, o regulamento apenas trará coimas pesadas”, acrescenta Daniel Passos.

Neste domínio, a Informantem está consciente da importância de divulgar mais informação, pelo que está a desenvolver e a ministrar workshops por todo o país para apresentar as vulnerabilidades que o desenvolvimento tecnológico acarreta.

Informantem: Há mais de 20 anos no mercado

A Informantem, Informática e Manutenção, é um distinto fornecedor nacional de soluções e serviços de Tecnologias de Informação (TI). Há mais de 20 anos no mercado, é uma empresa competitiva e sólida, que garante, conjuntamente com os maiores fabricantes de Hardware e Software, soluções e serviços de Tecnologias de Informação adequados a cada cliente.

Falemos do novo RGPD e de transformação digital!

“A gestão dos sistemas de informação é, mais do que nunca, um tema chave nas empresas”. Porquê?

Nas duas últimas décadas, as grandes empresas criaram cargos específicos para pensar, desenvolver e gerir tecnologia e sistemas de informação, e gestão dos sistemas de informação é, mais do que nunca, um tema chave, seja micro, pequena, média ou grande empresa. Esta necessidade não tem diminuído, muito pelo contrário, tem aumentado especialmente no grau de cobertura da influência e intervenção dos sistemas de informação das empresas.

Se há pouco mais de 25 anos despontava em Portugal a utilização da internet, primeiro nas universidades e grandes empresas, hoje em dia não existe praticamente negócio ou atividade que de alguma forma não a utilize, seja para se promover, para interagir com clientes e fornecedores ou mesmo sendo esta a única razão da sua existência.

Ainda que com cada vez com mais particularidades de empresa para empresa, a necessidade de uma consciencialização e visibilidade dos sistemas de informação cresce de dia para dia. Seja por imposição legal (comunicação digital com os diversos organismos estatais) ou pois imposição de clientes e fornecedores, é praticamente uma utopia pensar ou ter a ousadia de pensar que se pode ter um negócio de venda de produtos ou prestação de serviços sem um computador ou um e-mail.

Consideremos o seguinte facto, de acordo com a IDC, mesmo num momento de crise foram em 2015 movimentados perto e 140 biliões de Dólares em sistemas e informação, seja em Cloud computing, mobilidade, internet das coisas, realidade aumentada, Big Data e várias outras tendências.

A constante evolução dos sistemas de informação não para de nos surpreender, sendo esta área profissional a que maior taxa de atualização requer, estando nós a caminhar muito rapidamente para uma cada vez maior especialização, consideremos as seguintes áreas que estão em maior destaque / evolução:

  • Segurança da informação:

Não só está em voga com o RGPD (Regulamento Proteção de Dados) mas também com a consciencialização que a informação é a nova moeda de troca. Recorde-se os recentes escândalos que chegaram ao conhecimento publico como o da Cambridge Analytica e o Facebook, ou ainda o caso Edward Snowden e as fugas de informação e utilização indevida de dados.

Os cada vez mais crescentes casos de Ransomware (nos últimos 3 anos cresceram a um ritmo de vertiginoso de quase 50%) nas quais várias empresas nacionais ficaram praticamente paradas várias horas no dia perdendo milhares de Euros.

Mas podem os pequenos empresários pensar, ok, mas a minha empresa fatura 25k por ano, e os meus clientes estão num raio de 50Km, como é que isso me afeta? Afeta, todos, já não podemos pensar que as nossas empresas são ilhas não são! Parem e pensem um pouco, num dia de trabalho quantas interações fazemos com informação que nos chega no momento? Se por qualquer que seja a causa, ficar sem internet, computador 4 horas num dia o que pode fazer?

Se tiverem a possibilidade de ter um equipamento de segurança ligado à vossa ligação à internet e abrirem a janela de interações em tempo real ficarão surpreendidos com as tentativas de acesso indevido a informação e sistemas.

  • Gestão da informação

O termo é este mesmo, quanto tempo do nosso dia passamos a filtrar e catalogar informação? Quantos e-mail recebemos por dia? Quantos indicadores, números, estatísticas temos acesso em segundos?

Centenas!

Façam o seguinte exercício, tentem executar uma tarefa simples, como responder a esta entrevista por exemplo, com o telefone e o e-mail com motivações ativas e sem!

Extrapolemos então para tomada de decisão na sua empresa, expandir para outra região? Contratar mais pessoas? Abrir uma nova loja? Em que se baseiam estas decisões…. Em informação! Obter a informação necessária e concisa é chave!

  • Cloud computing

Adaptando um termo antigo, “é fácil, é barato… E pode poupar milhões”

Cada vez mais as empresas tendem a virtualizar infraestrutura e sistemas é um grande negócio tanto do ponto de vista económico (redução de custos por não haver necessidade de manter um exército físico de toneladas de “ferro” na empresa), mas também de segurança da informação, entre outros aspetos.

O Cloud computing, tem crescido exponencialmente especialmente por parte das pequenas e médias empresas, que veem na virtualização uma excelente forma de competir de igual para igual com grandes empresas do mercado, do ponto de vista da TI.

Ah e o termo Cloud computing já era… agora é somente Cloud!

  • Automação

Sim, automação, e não estou a falar da indústria! Parem nas vossas empresas e observem a quantidade de pessoas fazem dia a dia, hora a hora as mesmas operações!

Não é um tema de 2018, já há algum tempo, empresas de todas as dimensões e segmentos veem na automação um passo muito importante para agilizar a comunicação nos processos de negócios, minimizar custos devido a erros manuais e ineficiência, melhorar a produtividade, otimizar e realocar recursos entre outras vantagens.

Nos últimos cinco anos, a automação deixou de ser um discurso é uma realidade em todos os segmentos de negócio realmente interessados em melhorar resultados e antecipar os desafios de mercado, sobretudo no que diz respeito à competitividade e eficiência que fazem toda a diferença.

Se estas 4 tendências são suficientes para lhe chamar a atenção, pensem no seguinte:

“Os sistemas de informação são o que lhe permite ligar todos os processos administrativos, operacionais e estratégicos da sua empresa”

O Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados entrou em vigor no passado dia 25 de maio, que desafios trouxe com ele?

A resposta a este tema está em construção, é um tema “novo”, é algo nunca visto e por isso histórico e sem história para nos podermos inspirar.

Até hoje não havia muita preocupação nas PME’s (e algumas grandes empresas também) no fluxo de informação dentro da organização. Sim existam restrições, limitações ao acesso, mas não era difícil obter informação que à partida não devêssemos ter acesso… e o que depois se fazia com esta informação… não sabemos!

O conhecimento? Quando é que começaram verdadeiramente a tomar conhecimento e consciência? Há meses certo? Quantas vezes não foi noticiado ou anunciado que o regulamento entrou em vigor a 25 de maio de 2018! ERRADO! O regulamento foi o resultado de 5 anos de negociações entre os estados membros da EU e que culminou neste regulamento em vigor desde 25 de maio de 2016!

Assim o maior desafio é recuperar o tempo (e não disse perdido) e fazer um choque cultural empresarial nos países do sul da Europa, este regulamento tem como maior desafio para as PME’s uma rotação de 180º na forma como recolhem, tratam, protegem e destroem a informação.

Assisti a várias empresas, nos dias antes ao 25 de maio de 2018 a alocaram recursos a esvaziarem pastas e destruírem papel e ficheiros que mantinham porque…sim!  E a resposta à pergunta que se colocava sobre o motivo de manter a informação era tão portuguesa “Pode dar jeito” …

Só esta abordagem, per si, levanta um conjunto extremamente complexo de desafios e uma enorme disciplina para cumprir.

Há também uma clara falta a de noção da necessidade e importância do DPO (Data Protecion Officer). Este poderá ser nomeado entre os próprios funcionários da empresa ou ser um profissional externo, cujo vínculo será criado por meio de um contrato de prestação de serviços.

Dentre as atividades que deverão ser desempenhadas pelo DPO destaque-se o aconselhamento sobre as normas vigentes relativas à proteção de dados pessoais, o monitoramento do cumprimento do GDPR pela entidade a que está vinculado e a cooperação com as autoridades públicas supervisoras da norma.

Como o DPO deve possuir notório conhecimento acerca da legislação e da prática relativas à proteção de dados, sendo um colaborador interno ou externo, é inegável o poder decisório que tem de ter e é aqui que residem as maiores dificuldades, tem-se assistido à tentação de posicionar o DPO dependendo não diretamente da administração, o que pode ser um erro uma vez que esta função não pode de forma alguma sofrer qualquer tipo de influência ou pressão mesmo da própria administração.

Embora a relevância do papel do DPO ainda não tenha sido testada na prática, este será uma peça-chave no desenvolvimento de atividades empresariais relacionadas à recolha e tratamento de dados pessoais em um futuro muito próximo.

Doravante quais têm de ser as principais prioridades das empresas relativamente a este assunto?

Questionar-se e Organizar-se!

Não nos iludamos não vamos deixar de receber e ter acesso a informações pessoais, contudo a necessidade de categorizar, sistematizar e restringir a informação é a principal premissa.

Seja começando pela revisão (ou escrita) de Políticas de Sistemas de Informação, Acordos de confidencialidade, aquisição de sistemas de segurança (Firewalls) atualização de sistemas de CRM e ERP, revisão de ferramentas e permissões de partilha de ficheiros internos às redes, as empresas têm principalmente de cuidar do que fazem e como fazem com os nossos dados e especialmente como a informação navega. Quem não enviou já ficheiros Excel com dados de colaboradores!

Mas antes mesmo têm de interiorizar a necessidade e a oportunidade que o RGPD apresenta para as empresas se organizarem em termos de processos. A cultura lusa do “logo se vê” ou do “desenrascar” não é compatível com esta necessidade de estruturar processos, dados e no fundo a empresa. Estamos, e vamos continuar a assistir a um processo de mudança que vai encontrar vários pontos de resistência, reclamação e sabotagem.

O desafio principal é fazer embarcar toda a equipa pelo lado positivo que implica esta transformação.

Há meses tomei conhecimento de uma empresa que organizou uma atividade empresarial em 2 dias num hotel, para facilitar a logística de check-ins no hotel dos mais de 200 colaboradores, os recursos humanos enviaram para o hotel a lista de funcionários com a morada pessoal, email e telefone num ficheiro Excel desprotegido! Esta ação não tinha qualquer intuito malicioso, mas sim de simplificar, mas o que está em causa aqui:

  • Ninguém na empresa autorizou o envio dos dados para o Hotel
  • A informação foi enviada sem qualquer proteção, qualquer pessoa na receção do hotel poderia ter acesso a estes dados

Nota: quanta vezes não se envia um ficheiro protegido com password… esse inclui a password no email em que o ficheiro vai anexo!

Os principais conselhos que dou, quando questionado são:

  • Rever/escrever procedimentos internos e “Reeducar-se”;
  • Ter registos de todos os dados pessoais acedidos (log), sejam estes digitais ou físicos;
  • Dar acesso só a quem efetivamente necessita para desempenhar as suas funções;
  • Se não necessita da informação, destrói (Neste ponto atenção à legislação sectorial em vigor que tem prazos de manutenção de dados diversos).

Enquanto consultora na área da tecnologia, que maiores lacunas apontam em questões como cibersegurança nas empresas?

Desconhecimento, e desinvestimento!

Pode parecer ousado “simplificar” desta forma, mas reduzindo aos denominadores comuns, são mesmo estes. As maiores quebras ou negligências de segurança resultam da ideia de que só acontece aos outros e que é caro!

Esta resposta pode ser uma “colagem” de pontos já mencionados em questões anteriores.

Ainda recentemente estava a demonstrar a um colaborador novo a firewall de um cliente e o tráfego em tempo real que monitorizada e este ficou surpreendido com a quantidade de “linhas vermelhas” que apareciam… sim eram bloqueios de tentativas de intrusão!

A proliferação de papeis com impressões com dados pessoais, a proliferação de ficheiros (Excel, Word, etc…) nos computadores pessoais e em pastas de rede sem qualquer proteção é assustadora! E é cultural!

A maioria dos empresários pensa que basta ter o antivírus do computador atualizado e que estão protegidos. Não investem em firewalls, soluções de proteção contra phishing ou ransomware ou ate em soluções de backup!

As maiores resistências que se assistimos residem na necessidade de investir 5.000€ na aquisição de uma firewall, mas não hesitam em despender 25.000€ em atividades sociais de “team building”, não me interpretem mal é importante manter a coesão e o bom ambiente empresarial, mas se toda a empresa ficar refém de ransomware … a empresa pode desaparecer ou ter de desembolsar 5x mais para retomar o controlo.

Não estamos formatados para a privacidade e proteção, é um processo moroso e que deveríamos ter aproveitado a oportunidade que o RGPD traz e ter começado há 2 anos.

Ainda no dia 25 de maio passado estávamos a receber pedidos de proposta para “Tratar do RGPD”, e quais foram sempre as primeiras respostas que obtivemos? “É preciso isso tudo?” ou “é muito caro” ou ainda “Não vou investir, logo se vê”.

Não é só o RGPD, mas toda a gestão de sistemas de informação que é, muito mais que o desejável, vista como um custo nas empresas levando a que não se aloquem os recursos e orçamento necessários para possibilitar uma efetiva gestão e segurança dos sistemas, esta é a oportunidade para se dar a devida relevância e espaço destaque aos sistemas de informação.

Quais são os maiores riscos que podem advir da negligência do tecido empresarial para com temas como estes?

Recordo um professor de economia empresarial na faculdade que dizia “Uns fazem o pó, outros comem o pó”. O que pretendo dizer com esta frase é que se não fazemos um esforço para nos mantermos relevantes, competitivos e seguros rapidamente deixamos de ser relevantes.

O primeiro desafio será, não ficar para trás e arriscar desaparecer. Não nos podemos enganar, estamos perante uma nova realidade em que a segurança é tão importante como um bom produto ou serviço.

Pensem há 10 anos atrás quais eram os maiores problemas com que se lidava, vírus, ficheiros infetados com macros maliciosas. Há quando tempo não ouvimos falar disso? Nos últimos 5 anos o que estava (e ainda está com níveis de perfeição cada vez melhores) é o phishing, mais recentemente é o ransomware. Não é preciso estar na linha da frente em termos de segurança, mas tem obrigatoriamente de haver uma parte do orçamento da empesa para investir na continuidade da empresa.

Outro grande risco é a irrelevância como consequência da estagnação, ficar preso no passado. Há empresas que adotaram como estratégia estar o menos possível “ligados”, é uma estratégia válida, mas arriscada especialmente se olharmos para a geração dos nossos filhos que estão eles próprios “ligados” a tecnologia e internet, eles são os nossos clientes e consumidores de amanhã se a minha empresa está ligada, para eles não existimos. Então tenho de estar ligado, mas de forma segura e objetiva.

Podemos ainda ter de ligar com fuga de informação e capital humano ou incapacidade de atrair recursos válidos. Uma empresa organizada, atenta e dinâmica que se protege tão bem (ou melhor) como se promove tem maior controlo (e o controlo total é a utopia, enquanto humanos forem parte dos sistemas) sobre a sua informação e sistemas esta, mas apta para ser competitiva e melhorar a sua marca a imagem e consequentemente reter talentos.

Numa altura em que a transformação digital começa a fazer parte do léxico empresarial, na sua opinião, o que é importante saber sobre este tema?

Os novos pregões da transformação digital, a tao falada nova revolução industrial, a indústria 4.0 assustam muita gente. Muitos empresários e gestores tentam não abordar o tema por puro desconhecimento, contudo há que desmistificar o tema.

Não e um “bicho papão”, o que é então a transformação digital, não é mais que olhar para dentro da empresa, ser crítico sobre todos os processos e ações quotidianas e perguntar-se, “Isto tem de ser feito assim?” é tomar consciência do que é o meu negócio e partindo daqui recorrer à tecnologia para melhorar o negócio. Parece simples, e na primeira camada é!

Daqui advém um sem número de desafios, sendo o principal, ter uma visão clara e objetiva para onde quero ir. Para onde quero levar a empresa e como vou lá chegar.

A transformação digital não é só um termo moderno para dizer que vale a pena investir em Facebook ou Google Ads ou algo do tipo.

A transformação digital a última etapa de um processo muito maior, que é chamado de progresso tecnológico que é constituído por três fases principais:

Digitização – processo de transição de informação analógica para uma forma digital.

Digitalização – Bem mais abrangente, consiste nas mudanças reais realizadas nas organizações por meio da tecnologia.

Transformação digital – que é descrita no progresso tecnológico como “o efeito total e geral da digitalização na sociedade”.

Seja num simples processo de compras em que logo na encomenda ao fornecedor se identifica digitalmente no ERP qual o departamento que está a fazer a compra, evitando mais a frente no processo a navegação física ou por email de faturas do fornecedor internamente para identificação do departamento para alocação de gastos. Na possibilidade de emitir faturas do ERP e enviar as mesas digitalmente para os clientes (reduzindo custos com correio e desculpas de não receção das mesmas), a transformação digital pode começar por aqui.

Para além desta visão interna, também a existência da empresa digital, a empresa no mundo digital, é outro grande tema. As novas gerações, os nossos clientes e consumidores de amanhã, cresce rodeada de dispositivos digitais. Portanto, eles serão quem mais vai exigir esta existência.

Mitos a desmistificar

  1. É tema apenas para empresas tecnológicas

É muito fácil ficar atrás do pensamento de que a transformação digital só deve acontecer para empresas que já nasceram em um contexto digital, como e-commerce, SaaS e outros negócios “nativos digitais”.

Não é por acaso que existem tantas ferramentas, pagas ou gratuitas, disponíveis para praticamente qualquer tipo de iniciativa digital que se consiga imaginar.

Quem é utilizador do Office 365 recue 18 meses atras e reveja a evolução nas ferramentas que têm vindo a ser incluídas para ajudar a digitalizar os processos empresariais? Foram bastantes, têm vindo a ser disponibilizadas muitas ferramentas de produtividade que permitem digitalizar processos na empresa, fomentar a colaboração online e aumentar a eficiência.

  1. Tudo se resume a experiência do cliente

A transformação digital não se resume em criar a melhor experiência do cliente possível. É, mas não só.

A transformação digital é um processo que precisa estar disseminado e enraizado na empresa, então naturalmente não se resume à experiência do cliente.

  1. A transformação vem de iniciativas pequenas

Uma mudança tão grande precisa de liberdade e exemplos vindos de cima, promovendo a mudança e patrocinando a sua implementação.

Assim, a empresa poderá mudar de forma organizada e eficiente e os colaboradores entenderão o que se espera deles nessa transição.

  1. Quem vai realizar a transformação são os sistemas de informação

Os sistemas de informação têm de estar muito bem estruturados para garantir o nível de atuação que uma empresa digital precisa. Mas isto está a anos luz de fazer recair esta responsabilidade nos sistemas de informação

Tem de haver uma mensagem clara por parte de gestão sobre o que se pretende, e aí se tomar a decisão de fazer acontecer internamente ou recorrer a parceiros externos.

A única afirmação possível é, sim têm de fazer parte do processo!

  1. É possível esperar para ver?

A necessidade de inovação, em todos os sectores é premente, quem optar por esperar pode reagir tarde demais.

Vejamos o exemplo da agricultura, é um dos setores que mais rapidamente tem adotado tecnologia para prever possíveis dificuldades, otimizar processos, e assim, obter melhores resultados.

Isso mostra que não importa o setor de atividade, arriscado mesmo é adiar essa mudança.

  1. Basta desenvolver várias iniciativas digitais

Este pode ser o maior engodo que a gestão pode perseguir, sem integração estratégica das mesmas, não estamos a fazer transformação digital, estamos a ficar pelo segundo passo a Digitalização Empresarial.

Para que embarquemos verdadeiramente na transformação digital temos de visualizar o futuro digital do negócio, detetando as possibilidades há para desmaterializar o negócio e partir para o investimento em iniciativas digitais e novas capacidades, tornando este ciclo com uma rotina quotidiana e cultural da empresa pois a transformação digital é uma jornada contínua. É mais um vértice do planeamento estratégico da empresa que tem de ser liderado por si Sr. Gestor!

Mobilidade reimaginada: A orquestração dos novos sistemas e serviços de transporte

A promessa de digitalização faz-nos acreditar ser possível.

Na interseção do big data com a inteligência artificial, com a estatística e o machine deep learning, podem aplicar-se diferentes métodos de análise de dados para definir algoritmos que recriam padrões comportamentais e preditivos. São ferramentas poderosas para melhorar o design e a modelação dos nossos sistemas de transporte, para otimizar a sua performance, para racionalizar recursos e gerir ativos. A conetividade, o business intelligence, o desenvolvimento de plataformas tecnológicas e aplicações móveis, trazem o serviço feito à medida, em tempo real e o dom da ubiquidade. Veículos autónomos, veículos conetados, Mobilidade as a service, sistemas cooperativos, multimodalidade, mobilidade partilhada e on demand, são apenas algumas das novas expressões do transporte.

E tudo começa no Data que, tal como a mobilidade, não conhece fronteiras. Essa camada digital que se sobrepõe a tudo o que nos rodeia, como um véu invisível, interconecta todos os elementos e acrescenta novas dimensões à realidade do transporte.

Mas a digitalização não deve ser um objetivo em si mesma se quisermos reimaginar a Mobilidade.

Um sistema digital de transporte requer pensar de forma horizontal, em camadas que atravessem os diferentes modos de transporte e, também de forma integrada, tendo em conta os vetores da energia e das telecomunicações.  Para além disso, requer parar de pensar de forma separada no veículo, no seu percurso e na infraestrutura que o suporta. Uma visão de transporte inteligente e sustentável deve conseguir integrar estes três componentes e permitir que estes sejam permeáveis aos fluxos de dados, considerados relevantes para uma politica de mobilidade mais limpa, segura e eficiente. Esta visão interconectada é frequentemente comparada a uma abordagem IoT (Internet of Things) aplicada aos sistemas de transporte. De uma forma muito simplificada pretende-se construir uma camada de informação suportada numa camada base de dados. A partir dessa informação pode produzir-se conhecimento. E o conhecimento apoia a decisão e permite estabelecer as ações necessárias para implementar uma determinada visão. Mas para se poder passar dos dados à ação, é necessário criar primeiro uma visão clara do que se pretende implementar.

Reimaginar a mobilidade passa por criar essa ‘visão’ e definir os passos para a alcançar.

Se nos centrarmos no contexto rodoviário, em muitos aspetos, os veículos de hoje já são dispositivos conectados. Num futuro próximo, espera-se que possam interagir diretamente uns com os outros (vehichle to vehichle communications – V2V) e com a infraestrutura (Vehichle to Infrastructure communications – V2I). Essa interação é o domínio dos Sistemas Cooperativos de Transporte Inteligente (C-ITS). Este elemento cooperativo pode contribuir significativamente para a segurança rodoviária, para a eficiência do tráfego e para o conforto de condução, ao auxiliar o condutor a tomar melhores decisões e a adaptar-se a diferentes condições do tráfego de forma mais informada e dinâmica. Pode parecer-nos longínquo este futuro mas depois do anúncio da Volkswagen[1], no verão do ano passado, é expectável que já a partir do próximo ano 2019, os veículos sejam produzidos com crescente graus de conetividade e automação e que estes estejam cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Depois deste primeiro passo, outras grandes marcas farão o mesmo, tal como a Toyota[2] o veio confirmar recentemente.

Os sistemas C-ITS são hoje uma realidade. Mas, para que a mobilidade possa colher os benefícios da digitalização, é importante compreender que o período de coexistência, destes com outros tipos de veículos nas nossas estradas, será longo. É também importante compreender que estes veículos equipados com tecnologia C-ITS serão, em certa medida, ‘computadores conectados sobre rodas’. Enquanto tal, as regras de trânsito (sejam elas estáticas ou dinâmicas, obrigações ou recomendações), os esquemas de circulação e os sinais de trânsito, terão de ser digitalizadas e traduzidos em ‘linhas de código’ para poderem ser convenientemente interpretadas pelos veículos. Estas ‘regulamentações eletrónicas’, serão essenciais para o suporte e desenvolvimento de funções avançadas de condução autónoma. Mas não só. Serão também essenciais para assegurar que a política de mobilidade das cidades se possa traduzir numa gestão mais cooperativa e integrada dos diversos tráfegos provenientes de sistemas (eventualmente concorrentes) de transporte. A interação do domínio dos Sistemas Cooperativos de Transporte Inteligente não deve assim ficar circunscrita aos veículos e à infraestrutura.  Deve refletir-se na orquestração dos diversos sistemas e serviços de mobilidade. Isto significa por em prática de forma colaborativa, quando necessário, as medidas adequadas de gestão de tráfego, procurando conciliar as necessidades de mobilidade individual com a salvaguarda do interesse coletivo.

Se imaginarmos a mobilidade do futuro como uma ‘orquestra’ de diferentes sistemas de transporte, cada um capaz de tocar o seu próprio instrumento, será necessário seguir uma ‘pauta’ para se conseguir ouvir musica. De outra forma a mobilidade transformar-se-á num ruído ensurdecedor. A combinação dos diversos sistemas deve, quando necessário, poder contribuir de forma sincronizada, precisa e harmoniosa para reproduzir uma determinada melodia. A chamada ‘instrumentalização’ dos sistemas de mobilidade. Combinações de diferentes sistemas para diferentes situações. A musica é o resultado da coordenação e colaboração e a ‘pauta’, o elemento que interliga os diferentes sistemas: algoritmos de negociação, colaboração e integração que tornam possível passar dos dados à ação.

A visão de um mundo onde tudo está conetado (everything, everyone, everywhere) não tem de ser incompatível com a diversidade de opções, a liberdade de escolha e a governação descentralizada dos sistemas, mas a ‘orquestração dos serviços de mobilidade’ vai exigir um ‘maestro’. O elemento neutro que não toca nenhum instrumento, mas é essencial à música. Um papel que indiscutivelmente ficará sob a alçada do setor público.

Esta é uma oportunidade sem precedentes para as cidades se reinventarem.

Torna-se assim evidente que na reinvenção das cidades, o foco do investimento deverá deixar de estar apenas concentrado na camada da infraestrutura física (na estrada ou o veículo) e ser orientado para a criação da infraestrutura digital que contém dados estáticos (e.g. mapas digitais ou regulamentos de tráfego) e dados dinâmicos (e.g. informações de tráfego em tempo real). Esses dados devem ser usados para desenvolver uma camada de serviços e aplicativos inovadores que são disponibilizados, através de tecnologias digitais, às diversas redes e sistemas de transporte. É por isso necessário acelerar a disponibilização e facilitar o acesso dos dados de transporte e garantir que a troca e reutilização de dados se faz a favor dos princípios de uma mobilidade mais segura, limpa e integrada. Ao estabelecer-se a arquitetura digital devem considerar-se os standards referenciados no enquadramento legal da Diretiva Europeia de ITS e subsequentes Atos Delegados[3] (DATEX, SIRI, NeTEX, TAP-TSI, IATA, INSPIRE, TN-ITS), para se garantirem interfaces adequados, interoperabilidade e continuidade de serviços num ecossistema de dados, que se pretende eficiente e seguro.

É esta a lógica subjacente à criação da rede Europeia dos Pontos de Acesso Nacionais[4]. A porta de entrada para digitalização do transporte.

O setor público deve assumir a liderança na condução destes novos serviços digitais e abraçar os diferentes desafios. Ao envolver-se, irá adquirir competências e clarificar visões. Ao estabelecer um plano deve procurar desenvolver uma abordagem faseada. A implementação passará por desenvolver abordagens modulares, escaláveis, replicáveis para se assegurar a interoperabilidade. Desenvolver pilotos e provas de conceito, estabelecer parcerias com outras entidades publicas, nacionais ou europeias, é fundamental para obter apoio e orientação. E é importante compreender que os ciclos de vida e o ritmo da inovação tecnológica no setor das telecomunicações não se compadecem com os do setor da mobilidade e do transporte. As tecnologias de telecomunicações fazem-no em ciclos de dois a três anos, enquanto os sistemas de transporte tendem para um horizonte temporal que pode variar de cinco a 15 anos tendo em conta, por exemplo, a taxa de renovação de frotas, a vida útil dos pavimentos ou a dos dispositivos de segurança e equipamentos de sinalização.

Em vez de soluções devem procurar-se caminhos. Dada prioridade à definição dos objetivos que se pretendem alcançar. É importante desmistificar a glorificação da tecnologia.  Sem uma visão, estaremos perdidos na vastidão incomensurável do big data e sujeitos às soluções de outros. Devem equacionar-se novos modelos de governação e contratação, mais orientados à avaliação do desempenho dos serviços, numa lógica de performance contracts, smart contracts e definição de SLA’s (service level agreements). As métricas, as disponibilidades, capacidades e os KPI’s (key performance indicators) dos diversos sistemas, devem ser desenvolvidos em parceria com os respetivos providers, para se poder assegurar um adequado acompanhamento e monitorização.

A tecnologia é apenas um meio para atingir um fim: para reimaginar a mobilidade.

Numa cidade ‘inteligente’, os diversos sistemas de transporte estão interligados numa camada digital, e podem esperar-se maiores graus de interação entre os diversos tipos de veículo e os sistemas de gestão de tráfego. Os veículos estabelecem comunicação entre si e com a infraestrutura e desta forma pode dar-se prioridade a determinados tipos de transporte, em determinados períodos do dia e em determinados percursos, considerados prioritários; por exemplo a serviços de emergência, em rota para um hospital; ou a um veículo de combate de incêndios na resposta a um incidente.

Salvam-se vidas.

Numa cidade ‘inteligente’ pode-se repensar o conceito de transporte público. Tendo acesso à procura de transporte, em tempo real, podem definir-se rotas variáveis ao longo do dia e garantir melhores índices de ocupação e contribuir para uma gestão mais eficaz e diversificada das frotas. Pode dar-se prioridade ao transporte publico em hora de ponta e sugerir rotas alternativas aos restantes veículos na estrada. Pode ainda, segmentar-se a procura por destino e distribuí-la pelos diversos sistemas complementares (bus, metro, tram, shared, on demand, modos activos…), tendo em conta as capacidades disponíveis, naquele momento. A segmentação da procura pode ser espacial ou temporal. A alocação de slots temporais conjugada com atribuição de determinados percursos, para os diversos tipos de veículos na estrada (públicos ou privados) pode contribuir para a modelação da procura de transporte e para a diminuição do congestionamento. A combinação de conceitos de transporte partilhado, on demand e com subscrição mensal pode constituir-se uma solução potencialmente interessante, não só nas cidades, como nos pequenos aglomerados urbanos e áreas rurais, porque torna a mobilidade mais acessível, personalizada e inclusiva. E é uma das mais promissoras áreas de aplicação para os sistemas conectados e autónomos.

A mobilidade é acessível, inclusiva e sustentável.

Nas cidades ‘inteligentes’, veículos pesados de mercadorias podem ser encorajados a seguir determinados percursos por via da atribuição de incentivos diretos que se fazem sentir na poupança de combustível ou do tempo de percurso. A implementação do Green light optimized speed advisory (GLOSA), permite-lhes percorrer a uma velocidade recomendada, um determinado percurso com diversas interseções semafóricas, cujo ciclo de verde vai abrindo à sua frente, de forma sequencial e coordenada. E ao reduzir o número de paragens, reduzem-se também de forma significativa, as emissões poluentes.

Numa cidade ‘inteligente’ sabe-se, em tempo real, a disponibilidade do estacionamento e se a oferta for menor do que a procura, a cidade sabe direcionar-nos para os seus interfaces modais ou para estacionamentos periféricos. Poupa-se tempo, energia e ganha a qualidade do ar. A interligação dos diversos sistemas de transporte e a multimodalidade resolvem as questões do first e do last mile. Percursos (routing) as a service; Mobilidade as a service; Gestão de tráfego as a service;  Infraestrutura as a service passam a ser a norma.

A mobilidade é orientada ao serviço, é integrada, eficiente e limpa.

Obviamente que reimaginar a mobilidade pode muitas vezes levar-nos a falar do que não se sabe. Algum ceticismo, bom senso e um espírito crítico podem ser bons aliados para distinguir os visionários dos videntes.

Uma certeza, porém, no centro de tudo isto deve estar o interesse do utilizador final do sistema: Nós.

[1] https://www.volkswagenag.com/en/news/2017/06/pwlan.html

[2]http://pressroom.toyota.com/releases/toyota+and+lexus+to+launch+technology+connect+vehicles+infrastructure+in+u+s+2021.html

[3] https://ec.europa.eu/transport/themes/its/road/action_plan_en

[4] https://ec.europa.eu/transport/themes/its/road/action_plan/nap_en

OPINIÃO DE PEDRO BARRADAS

PEDRO BARRADAS

(linkedin.com/in/pedro-barradas-82a03930)

O Autor exerce funções de perito nacional destacado na Unidade B4 – Sustainable & Intelligent Transport da DG MOVE-Mobility and Transport da Comissão Europeia. Sem prejuízo do princípio da transparência e sublinhando, para os devidos efeitos, o disclaimer da Comissão Europeia, em nenhum caso o perito nacional destacado poderá representar a Comissão para assumir compromissos financeiros, ou de qualquer outra natureza, nem para negociar em nome da Comissão. O perito nacional destacado não pode representar nem comprometer a Comissão face ao mundo exterior.

Contisystems: O seu Gestor de Comunicação com os clientes

Duarte Conceição, CEO da Contisystems há cerca de três meses, já exerce funções na empresa há mais de uma década. Por isso mesmo, as mudanças introduzidas no rumo deste projeto empresarial passaram por reforçar a visão e a missão recentes da Contisystems. “Queremos alcançar a excelência, a qual se consegue continuando a inovar, enquanto gestores da comunicação dos nossos clientes, com a garantia de que cumprimos o que nos comprometemos a fazer”, começa por realçar o nosso entrevistado. Os desafios são constantes e acarretam a necessidade de inovar continuamente. A equipa sabe que cada cliente tem uma ecossistema próprio e que isso  ajuda a crescer, aprender e inovar. “São cenários diferentes que nos fazem pensar diferente e fazer diferente. É com orgulho que partilhamos o sucesso das inovações com os nossos clientes”, refere.

Foi a pensar nesta necessidade de constante inovação que foi criada uma equipa de gestão intermédia. Constituída por cerca de dez pessoas de diferentes áreas, esta equipa de gestão permite à Contisystems dar uma resposta eficiente nos diferentes domínios. “A par da criação de divisões especializadas para cada uma das áreas de negócio, a constituição desta equipa de gestão é a mudança mais significativa que implementámos. Os resultados têm sido animadores, quer do ponto de vista de garantia de serviço aos nossos clientes, quer no domínio de processos internos e de criação de valor”, afirma Duarte Conceição.

DESAFIOS DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

Os processos de transformação digital são transversais a todas as empresas dos diferentes setores.

Na Contisystems as mudanças que estão a ser introduzidas procuram ir ao encontro dos desafios da transformação digital, mas não só. Estas mudanças visam essencialmente corresponder às necessidades dos clientes, à missão e visão da empresa, bem como às novas práticas de gestão. “A transformação digital é, de facto, um driver que nos obriga a inovar e a desenvolver novos produtos e a repensar os modelos de negócio”, refere Duarte Conceição.

A Contisystems é mais do que uma empresa business-to-business, onde decorrem transações comerciais entre empresas. É, se assim se pode dizer, uma empresa “business-to-business-to-consumer” porque engloba as transações entre empresas e consumidor final. “Temos, por isso, a responsabilidade de comunicar com o consumidor final dos nossos clientes, atendendo aos seus canais preferenciais de comunicação”, acrescenta o nosso entrevistado.

O crescimento da empresa assenta quer na exploração de novos mercados no negócio tradicional, quer no desenvolvimento da área digital que já tem um contributo muito significativo no volume de negócios.

A Contisystems já se reinventou na sua história em três momentos: quando evoluiu de impressão gráfica offset de grande volume para a impressão de dados variáveis; no momento em que começou a personalizar cartões bancários; e, por fim, em 2015, com o lançamento de uma plataforma multicanal de gestão de comunicação com Clientes, onde se incluem serviços de desmaterialização de documentação, arquivo digital, criação de documentos dinâmicos, etc.

“A nossa equipa procura, agora, preparar uma empresa para os próximos 50 anos, deixando um conjunto de boas práticas de gestão e de inovação para continuar a crescer. Para isso, temos de nos transformar continuamente e adquirir a capacidade de nos adaptar às diferentes velocidades dos setores de negócio onde atuamos”, adianta Duarte Conceição.

LIDERANÇA E GESTÃO DE PESSOAS

A valorização do capital humano é algo que já faz parte do ADN da Contisystems. Contudo, atualmente, existe “uma maneira diferente de olhar para as pessoas”. A empresa preocupa-se com cada um dos seus colaboradores pelo que o foco da Contisystems tem sido a aposta na sua formação e na gestão de talento. Quando questionado sobre as características fundamentais que um gestor de equipa deve ter, Duarte Conceição não hesita: “o mais difícil não é gerir um processo ou garantir a execução do mesmo, mas sim garantir que a equipa funciona em sintonia. Temos de olhar para a equipa como um todo e garantir que há capacidade e vontade para fazer acontecer de forma articulada”.

CONNOSCO, A INFORMAÇÃO ESTÁ SEGURA

A proteção de dados, bem como o cumprimento das mais rigorosas práticas de segurança, é algo “natural” e que esteve sempre presente no percurso da Contisystems.

A Contisystems oferece flexibilidade e agilidade aos seus clientes na logística de entrega de comunicações com segurança ao consumidor final, através de canais físicos e digitais, e com a garantia de que o consumidor final encontrará sempre a mesma informação, apresentada de forma coerente e dirigida de forma personalizada. Isto porque a Contisystems sabe que cada mercado e cada empresa tem o seu cenário tecnológico e a sua estratégia de comunicação. “Temos soluções flexíveis que nos permitem ajustar a diferentes cenários tecnológicos, mercados e estratégias de comunicação”.

Para cumprir com as necessidades de suporte, bem como requisitos legais de armazenamento, os documentos gerados são guardados no data centre da Contisystems.

Quando questionado sobre o impacto do RGPD na Contisystems, Duarte Conceição mostra-se tranquilo “Naturalmente que estamos a ajustar alguns processos mas a proteção de dados sempre foi nossa preocupação, estamos preparados para suportar os nossos Clientes no cumprimento do regulamento”.

www.contisystems.pt

Transforme o seu modelo de negócio

Neste artigo vamos tentar descrever o impacto da transformação digital. E dizemos “tentar” porque muito há para dizer sobre este tema.

Cláudio Fernandes, que há dez anos viu (e muito bem) no mercado digital uma grande oportunidade, diz-nos que hoje não podemos falar de online e de offline. Tudo o que existe, de uma forma ou outra, já é digital. “Quando falamos de transformação digital estamos a falar já de uma segunda fase do processo de digitalização das empresas. No início as empresas construíram websites e começaram a implementar software interno para facilitar os processos. O processo de digitalização já começou, portanto, há bastante tempo”, começa por explicar o nosso entrevistado.

Por isso, porque é que hoje falamos de transformação digital? Para Cláudio Fernandes fala-se de transformação digital colocando o peso na palavra “transformação”. “Muitas empresas adotaram técnicas digitais, mas não se transformaram verdadeiramente. Essa verdadeira transformação tem de assentar em dois pilares: o foco no cliente e o foco no modelo de negócio”, refere o nosso interlocutor.

Nos exemplos que hoje são dados de disrupção digital de negócios digitais que acabaram com os negócios tradicionais – como é o exemplo do publishing onde o papel deixou de fazer sentido –, o processo de transformação passou não só pela mudança dos suportes, mas pela mudança do negócio em si. “A transformação digital passa, obrigatoriamente, por transformação. Transformação do modelo de negócio, transformação dos processos internos e externos. As organizações têm de se transformar e têm de ter líderes com visão para transformar o seu modelo de negócio”, afirma Cláudio Fernandes para quem hoje é impossível não se ser 100% digital e para quem os pilares básicos da transformação digital assentam na otimização dos processos internos das empresas, dos seus modelos de negócio e na gestão da relação com o cliente.

Transformam ideias em projetos e projetos em empresas

Cláudio Fernandes, juntamente com os seus dois sócios, viu no mercado digital grandes oportunidades e estava certo. Começaram com uma empresa e hoje são detentores do Grupo Impacting com 150 colaboradores, presentes em 17 geografias e constituído por sete empresas:

> Adclick, a primeira empresa do grupo e com dez anos de existência, que se apresenta como sendo um Publisher digital, disso exemplos o E-Konomista e Vida Ativa em Portugal, criador de audiências, procurando oferecer as mais variadas soluções de marketing digital;

> Emailbidding, uma ferramenta de optimização para email marketing que permite a Anunciantes e Publishers criar campanhas segmentadas para múltiplas bases de dados, criando um impacto positivo nos subscritores;

> Beeleads, foca-se no marketing online no Brasil;

> Smarkio, uma empresa tecnológica que detém uma poderosa ferramenta de Marketing Automation multi-canal e Chatbots que revoluciona a comunicação entre as marcas e seus consumidores;

> Impacting Digital, uma consultora que dá a cara pelos clientes de transformação digital promovendo soluções de negócio inovadoras;

> We Mystic, um Publisher digital;

> Pushnews, traz o poder das notificações de envio para os editores de conteúdo.

A verdade é que as oportunidades no mercado digital são imensas, “há sempre ideias que podem ser convertidas em projetos e projetos em negócios. Portanto, desde o início sabíamos que não poderíamos ter um modelo de negócio e uma estrutura organizacional comum. Isto porque, um dos principais desafios que qualquer empresa enfrenta é conseguir manter as pessoas motivadas”, refere Cláudio Fernandes.

Decidiram, assim, que a melhor forma de crescer seria com empresas independentes, com modelos de negócio claros e bem definidos e com um empreendedor a gerir cada uma das empresas.

O Grupo Impacting é visto como uma escola de marketing digital de referência e os seus empreendedores são procurados e requisitados pelas demais empresas do setor. “Ao longo de dez anos conseguimos alcançar um patamar de qualidade elevado. A nossa estratégia, desde o início, passou por contratar empreendedores. Sempre quisemos que as pessoas olhassem para o negócio como se fosse o seu próprio negócio”, adianta o nosso entrevistado. 

Os desafios da transformação digital

Para Cláudio Fernandes, os desafios atuais da transformação digital são idênticos aos desafios de há dez anos: manter os colaboradores motivados, desenvolver e fazer crescer os negócios, bem como ter um papel relevante para os clientes.

Outro dos desafios prende-se com a questão da privacidade de dados e da informação. “O digital só funciona se existir informação. Para haver informação é necessária a recolha de dados. Por sua vez, o cidadão, para obter um melhor serviço, tem de dizer mais sobre si próprio para que a informação vá ao encontro do seu campo de interesses”, explica o nosso entrevistado.

Contudo, é mesmo isto o que as pessoas querem: informação direcionada ao invés de serem bombardeadas com publicidade e conteúdos que não lhes interessa ou que não corresponde aos seus gostos e preferências.

Importa nunca descurar as questões legais relativas à privacidade e proteção de dados, um campo sensível e ao qual o Grupo Impacting dá a devida atenção e relevância.

Os desafios da transformação digital

A denominada Transformação Digital encontra-se na ordem do dia, embora ainda seja um conceito de difícil adaptação para a maioria das empresas portuguesas. Neste domínio, qual é o panorama da Wondercom? Será uma das vossas apostas em termos de soluções TIC?

A migração das soluções dos clientes para a Cloud Pública é uma enabler da transformação digital. As empresas de hoje precisam de acompanhar o ritmo da mudança tecnológica para tirarem o melhor partido da transformação digital. Foi com esta premissa que a Wondercom criou a sua oferta “ICT made easy” a pensar no “mercado empresarial”. A conceção desta oferta foi um processo rigoroso com compromisso de encontrar o melhor equilíbrio entre custo e qualidade, sendo que “ICT made easy” está destinada a qualquer empresa, independentemente da sua dimensão.

Sobre os maiores desafios tecnológicos pelos quais a Wondercom passou, quais foram aqueles que se traduziram num maior impacto a nível do modelo de negócio?

O principal desafio para a Wondercom até agora, passou pela disponibilidade de Fibra Óptica a nível nacional em Portugal que criou a necessidade de mudar as ligações dos clientes às redes dos operadores de Telecomunicações. O projeto “Fiber-to-the-Home”, no qual a Wondercom tem participação ativa na qualidade de instalador, levou a nossa empresa a criar uma estrutura operacional com abrangência nacional, com disponibilidade de serviço 24x7x365 e com capacidade de 200 mil pedidos de intervenções técnicas nas instalações do cliente por ano.

É inevitável que a transformação digital aporte consigo diferenças de atuação das marcas e mesmo nas formas e metodologias dos modelos de negócio e gestão?

A transformação digital altera profundamente a forma como os clientes se relacionam com os seus fornecedores (e vice versa) e a forma como aspessoas desempenham as suas atividades profissionais, o que obriga a uma mudança dos modelos de negócio e da gestão das diversas entidades.

A transformação digital permite novos canais para chegar ao consumidor e consequentemente os modelos de gestão e decisão têm de se adaptar a esta realidade. As decisões de negócio são cada vez mais baseadas em analítica e em dados obtidos dos canais digitais em tempo real.

Da vossa parte poderá significar uma agressividade maior a nível comercial? Como pensam implementar este modelo mais agressivo de abordagem perante as empresas?

Naturalmente. Os clientes irão ter novas necessidades relacionadas com soluções TIC. O processo de venda da Wondercom passa muito pelos operadores de Telecomunicações. Queremos alavancar as soluções TIC sob forma de cross-selling, complementando as soluções já instaladas com outras interessantes para o cliente.

Na sua opinião a transformação digital é uma questão de sobrevivência, pela necessidade de adaptação ao mercado, ou uma estratégia de crescimento?

No caso da Wondercom será uma estratégia de crescimento.

De que forma é que o consumidor/cliente sairá beneficiado com esta aposta na Transformação Digital?

Os principais benefícios para os consumidores/clientes resultam na disponibilidade contínua (em muitos casos 24×7) dos produtos e serviços num ambiente de maior concorrência e disponibilidade da oferta.

A transformação digital reduzirá custos e aumentará performance das empresas. Com a transformação digital, é possível decidir e produzir de forma mais eficiente, e consequentemente conseguem-se criar novos modelos para chegar ao consumidor de forma mais fácil. Prova disto são as App´s e o “mundo online”, por exemplo, em que hoje posso pagar um parquímetro sem ir ao mesmo, basta usar uma App. 

Para 2018, quais são as principais prioridades da Wondercom no mercado português?

Em 2018 já irão ficar disponíveis no mercado os primeiros quatro produtos da nossa oferta “ICT made easy” que são:

WonderGuest – Wi-Fi com cobertura total, possibilitando o registo de visitantes de forma segura;

WonderCloud – Consultoria estratégica sobre a migração de serviços para Cloud;

WonderLink – Solução de Vídeo Conferencia e Colaboração acessível e atrativa a pequenas e médias empresas;

WonderGuard – Solução de Videovigilância e Controlo de Acessos.

Vamos continuar a alargar significativamente o portfólio de produtos ICT que serão comercializados com o “claim” – ICT made easy.

Rumo a uma nova era digital

Vamos começar por conhecer melhor a CBA – Connecting Business Anywhere. O que procuravam colmatar com a criação da CBA?

Procuramos ajudar e apoiar no crescimento e na organização das empresas com soluções empresariais inovadoras. Começa desde a ideia ao desenvolvimento do projeto e da criação da empresa até à implementação do negócio.

Connecting Business Anywhere é uma nova forma de relacionamento com as empresas, pessoas e os seus negócios, e com toda uma comunidade em geral, quer sejam clientes, fornecedores, parceiros e colaboradores em qualquer lugar onde estiverem. E temos feito jus ao nome, desde o início do ano a nossa carteira de clientes tem evoluído, e são oriundos de vários lugares como do Brasil, EUA, China, Reino Unido, Irlanda, Holanda, Espanha, França, Suíça, Croácia, Angola e Moçambique.

Em que é que querem diferenciar-se?

Pela simpatia, capacidade na resposta, pela qualidade do serviço que prestamos ao cliente, e também pela inovação, desta forma cria-se valor, reconhecimento e confiança.

Que posição pretendem assumir no mercado?

Seríamos muito ousados dizermos a 1ª posição!

é o que todos querem, mas sim ambicionamos a liderança de mercado pelo menos na cidade onde estamos, em Almada.

As soluções tecnológicas vêm tornar a gestão de um escritório de contabilidade mais ágil e rentável, bem como melhorar a relação com os clientes. Este é o maior impacto?

Sim, sem dúvida. Existe impacto no aumento da produtividade, na capacidade de organização, maior mobilidade e eleva o espírito de equipa entre os colaboradores. Com as soluções tecnológicas existe uma maior aproximação e interação com os clientes e acesso à informação a qualquer hora e em qualquer local com total segurança. Foi recentemente criado pela CBA uma solução inovadora chamada SendSaft, que possibilita o envio dos ficheiros Saft duma forma rápida e automática, permite à CBA e também aos nossos concorrentes uma maior rentabilidade e eficácia no trabalho.

Estão os escritórios de contabilidade preparados para a transformação digital?

Acho que estão em fase de mudança e de adaptação. Hoje se os escritórios de contabilidade querem fazer a diferença, não podem ter medo da transformação digital, têm que estar atentos e ver as coisas de outra forma, porque este é o momento certo para agir, porque a curto prazo irão ter vantagens em todo este processo.

É possível resistir à mesma e manter-se um escritório tradicional?

Será impossível resistir, tem de partir de nós, Contabilistas Certificados (CC), individualmente a a mudança, porque de futuro não será possível os CC se manterem num escritório tradicional.

A inovação é uma prioridade para qualquer setor e o setor da contabilidade não é exceção. Prova disso é o projeto e-fatura, lançado em 2013 pela Administração Fiscal, que transformou completamente a interação entre os cidadãos e os agentes económicos. Que outras vantagens impactantes podem ser enumeradas?

É deveras excelente e bastante inovador o fato de se poder validar e registar uma fatura eletrónica caso esta não tenha sido emitida pelo comerciante ou prestador de serviço. Para a Contabilidade não será a eliminação dos papéis em cima da secretária, mas com o e-fatura existe a vantagem de se poder obter as faturas eletrónicas (versão digital e é legalmente equivalente à fatura tradicional) através do ficheiro Saft e converter essa informação das vendas das empresas para os registos contabilísticos.

Mas estão a chegar mais transformações ao mundo da contabilidade. Quais?

Começa pelo recurso obrigatório a programas informáticos certificados de contabilidade para todas as empresas e que tenham a capacidade de gerar o ficheiro Saft em caso de haver uma auditoria por parte da AT-Autoridade Tributária. Deste modo as empresas que tenham contabilidade organizada, passam a efetuar o preenchimento automático dos anexos A e I da IES, mediante a submissão do ficheiro Saft gerado a partir do programa de contabilidade.

Qual é a sua visão sobre o impacto da tecnologia neste setor a médio/longo prazo?

Acho que nos próximos anos será essencial que os CC e empresários fiquem atentos ao progresso tecnológico que está perto, a fim de conseguirem dar resposta às atuais necessidades do mercado e dos seus clientes. É crucial que estejamos todos conscientes que o impacto e a transformação na contabilidade e nas organizações em geral é um processo que não termina, mas que evolui à medida que as empresas atingem um nível de maturidade, rumo a uma nova ERA DIGITAL.

NOWO aposta cada vez mais no digital e conquista mercado

Apesar de estar na ordem do dia, a transformação digital não é uma adaptação fácil para a maioria das empresas. Qual é o panorama na NOWO?

A NOWO assume o Digital como um dos pilares fundamentais da sua estratégia. Desde que decidimos lançar a marca, sabíamos que queríamos revolucionar e potenciar o negócio com base na tecnologia. Definimos um roadmap de transformação digital complexo, que exigiu a definição de um ecossistema único, assente em três eixos: construção de uma visão estratégica na área digital, modernização da infraestrutura tecnológica existente e agilização de processos e serviços, assente em tecnologia capaz de responder aos objetivos de negócio de um mercado em constante evolução. Estes princípios traçaram um caminho evidente, que permitiu à NOWO transformar-se numa empresa cada vez mais digital. 

Sobre os maiores    desafios tecnológicos pelos quais a NOWO passou, quais foram aqueles que se traduziram num maior impacto a nível do modelo de negócio?

O grau de exigência e expectativa do consumidor atual relativamente ao consumo e prestação de serviços descreve-se facilmente com uma única palavra: “Já!”. Estamos na era do agora, em que o consumidor espera poder encomendar e consumir em tempo record qualquer produto ou serviço, a partir do seu smartphone ou do seu laptop. Esta é uma mudança fundamental nas expectativas dos clientes que apresenta grandes desafios para a NOWO bem como para todos os operadores de telecomunicações, que enfrentam a complexidade de manter a infraestrutura que novos players como a Uber, o Netflix ou o Facebook, utilizam para prestar os seus serviços. No entanto, apesar de ser o facilitador dos serviços que os consumidores valorizam, o operador geralmente é injustamente comparado com essas empresas quando se trata de avaliar a entrega das experiências digitais que as pessoas desejam. Nesse sentido, esta mudança de expectativas do cliente exigiu que a NOWO transformasse e agilizasse os seus processos e modelos de negócio, para adaptar os seus serviços ao novo paradigma de consumo.

A criação de novas funções também surgiram com a transformação digital, como a de CTO “Chief Technology Officer”, o seu cargo há três anos, na altura como foi a adaptação?

A nível tecnológico, há alguns anos, existia tradicionalmente nos operadores de telecomunicações uma organização de IT totalmente segregada da organização de Engenharia e Operações. O IT era habitualmente uma estrutura de suporte enquanto a Engenharia era responsável pela implementação da estratégia de negócio do operador. Apesar de serem estruturas de carácter tecnológico, tudo era distinto nessas duas estruturas: a estratégia, o âmbito, o cliente, os processos, as tecnologias e o know-how. Com o movimento de “cloudificação” e virtualização das plataformas de telecomunicações, as duas disciplinas aproximaram-se e fundiram-se, tendo o IT passado de ser um centro de custo para uma área que impulsiona sinergias empresariais e diferenciação competitiva, tornando-se um catalisador de inovação tecnológica e de processos. Acompanhando o movimento de convergência tecnológica, A NOWO decidiu criar uma nova função de liderança tecnológica que une sob a mesma responsabilidade a gestão de toda a tecnologia da empresa, por considerar que os verdadeiros benefícios da transformação digital, nomeadamente a agilidade, só são possíveis com a existência de sistemas de IT adequados ao suporte da automação e das experiências do cliente em tempo real. O papel de CTO pressupõe a existência de um conjunto de skills que abrangem competências comportamentais, tecnológicas e de negócio, que permitem que o CTO seja o agente de mudança para a transformação digital da empresa. 

Se houvesse uma escala de 0 a 10, em que nível de transformação digital diria que está a NOWO e porquê?

Na NOWO os objetivos de negócio e a tecnologia estão alinhados de acordo com a estratégia definida para a criação de produtos e experiências digitais. Nesse sentido considero que a NOWO se encontra num nível de transformação digital avançado, sendo um verdadeiro digital player dentro do seu mercado. A transformação digital é um imperativo estratégico na NOWO e existem diversas iniciativas chave a decorrer, com sponsorship da gestão de topo. As iniciativas foram identificadas como as mais relevantes para acelerar o processo de transformação digital a curto prazo da NOWO, sendo a mais relevante o foco na experiência do cliente. 

A NOWO Portugal surgiu no país numa altura em que já havia uma concorrência consolidada. Que estratégias adotaram e que contribuíram não só para a vossa entrada como também para o vosso crescimento no mercado?

A NOWO surgiu no mercado com um posicionamento distinto dos restantes players. A estratégia assenta em serviços não pacotizados, em que o cliente tem liberdade de escolha para subscrever apenas os serviços que efetivamente utiliza, tendo sempre como serviço base a Internet. Há também diferença, e vantagem para o cliente, no período de fidelização que na NOWO é no máximo de 12 meses. E há uma aposta muito forte no digital: a NOWO é o único operador que permite subscrição de serviços num processo 100% digital, através de um simulador que permite ao cliente configurar e subscrever os seus serviços NOWO.  

Na sua opinião a transformação digital é uma questão de sobrevivência, pela necessidade de adaptação ao mercado, ou uma estratégia de crescimento?

A transformação digital é imperativa para garantir que o negócio se mantém relevante para os consumidores e é crítica para garantir o crescimento da empresa. Não é um processo de fácil implementação, mas é necessário para manter a competitividade da empresa e para fornecer o serviço que os clientes atualmente exigem. Atualmente existem start-ups disruptivas em todos os setores que rapidamente se transformam em ameaças e atingem posições relevantes no mercado. Para combater essa ameaça, as empresas devem seguir o exemplo dessas start-ups, aprender e adaptar-se. A transformação digital é importante porque permite acelerar a mudança, competir digitalmente e corresponder às expectativas do cliente que exigem uma boa experiência em todos os pontos de contacto com as empresas. A tecnologia digital impacta todas as áreas de negócio numa empresa. Isso significa que gerir a transição para um modelo de negócios digital não é apenas crítico para vencer a concorrência, é crucial para a sobrevivência da empresa.

Quais as maiores vantagens que esta revolução digital acarreta diretamente na relação com o cliente?

 Nos últimos anos muitas empresas apostaram em melhorar o serviço de atendimento ao cliente para se diferenciar dos concorrentes. A digitalização atua como um acelerador nesta mudança, transformando a melhoria do serviço ao cliente num imperativo urgente. A adoção popular de plataformas sociais e o uso de fóruns online torna as práticas empresariais cada vez mais transparentes. No passado, o mau serviço podia levar um cliente a queixar-se a um pequeno número de familiares ou amigos. Hoje, no entanto, um post ou um tweet pode compartilhar experiências negativas com centenas de potenciais clientes e o seu impacto pode ser ampliado para milhões com o clique de um botão. O efeito também funciona ao contrário – mensagens positivas de clientes satisfeitos melhoram a reputação de uma empresa. A transformação digital exige uma nova estratégia de atendimento ao cliente. As áreas de serviço ao cliente têm um novo papel na relação com os clientes.

Ao interagir com frequência com os clientes, as áreas de serviço ao cliente têm uma posição privilegiada para se envolver com os clientes e criar histórias de sucesso, podendo levar a uma melhor compreensão da marca, aumentar o tráfego para lojas online e, finalmente, melhorar as taxas de conversão de vendas e repetir negócios. Um bom serviço ao cliente não só deixará os clientes com as questões respondidas, mas também impulsionará a aquisição e lealdade do cliente.

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Portugal está ainda nos primeiros passos no que toca a transformação digital, porém, quais são as vantagens do ponto de vista de mercado que considera que a NOWO tem como diferenciadoras?

Na era digital, os clientes esperam novos serviços antes mesmo de saberem que precisam deles. Isso representa um desafio para os operadores onde desde a concepção da ideia até ao Go To Market existem projetos complexos que podem durar entre 12 a 24 meses e que têm múltiplos intervenientes envolvidos, muitas vezes de forma pouco eficiente. A organização da NOWO é ágil e ‘lean’ o que permite a criação de serviços e produtos em modo (velocidade) digital. É claramente uma vantagem da NOWO quando comparada com as empresas do setor. Exemplo dessa agilidade foi o lançamento da NOWO TV em Março de 2017, em que desde o momento do levantamento da necessidade até ao lançamento do novo produto, que inclui uma nova plataforma de TV, com tecnologia inovadora, uma nova Set Top Box e um novo serviço OTT decorreram menos de 11 meses. Os processos de negócio adaptam-se muito rapidamente às exigências do mercado e os projetos são lançados em tempos record. A NOWO tem uma estrutura muito dinâmica, e plana, com cadeias de decisão curtas e eficientes que resultam em processos rápidos e facilidade de adaptação. É uma estrutura muito semelhante à estrutura das startups Digitais. É uma empresa em que não existem silos e em que a colaboração e o trabalho em equipa são key-skill que todos os colaboradores – incluindo o Top Management – possuem no seu Job Description.

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