Quinta-feira, 25 Fevereiro, 2021
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Administração da Caixa Geral de Depósitos demitiu-se

A administração da Caixa Geral de Depósitos demitiu-se. Numa carta enviada ao ministro das Finanças, Mário Centeno, com data de 21 de Junho, a equipa que terminou o seu mandato em Dezembro último faz saber que as condições para se manter no exercício de funções se tinham esgotado. E, numa linguagem dura, remetem para o Governo a responsabilidade pela resposta à indefinição que paira há meses sobre o maior banco do sistema. O Governo corre agora contra o tempo para garantir que António Domingues, ex-vice presidente do BPI, vai assumir rapidamente o cargo e clarificar a estratégia que o grupo estatal vai seguir nos próximos três anos.

Os termos da missiva que marca a ruptura entre a administração da Caixa e o accionista Estado permanecem desconhecidos. A notícia da demissão foi mantida num círculo restrito. Mas, esta segunda-feira, os presidentes Álvaro Nascimento (não executivo) e José Matos (executivo), em representação da restante equipa de gestão, escreveram aos trabalhadores a esclarecer que “chegou ao fim a jornada em que convosco servimos a CGD”.

A carta foi remetida durante a manhã, por correio electrónico, e é o culminar de um percurso de mais de seis meses marcado pelo impasse em torno do futuro do maior banco português, que desde Janeiro está sem rumo e sem estratégia. Uma situação que tem minado a imagem da CGD e gerado um braço-de-ferro surdo entre os actuais gestores e o Governo. A falta de clarificação ao nível da governação está a levar à suspensão de muitas decisões, em especial, na área do crédito.

A 31 de Dezembro de 2015, os mandatos de Álvaro Nascimento e de José Matos terminaram. Menos de três meses depois, a meio de Março deste ano, o Expresso veio revelar que António Costa tinha convidado o então vice-presidente de um banco concorrente, o BPI, para liderar a CGD no próximo mandato: António Domingues. O que se confirmaria, mas não era do conhecimento dos gestores em funções.

Esperava-se assim que Domingues fosse nomeado durante a última assembleia-geral (AG), de 25 de Maio, como constava, aliás, do quarto ponto da agenda de trabalhos. Mas a reunião foi interrompida, sem que dali tivesse saída uma linha de comando. E como foi divulgado pelo PÚBLICO, a 6 de Junho, o encontro acabou por servir para o presidente não executivo da Caixa se dirigir ao Governo em tons duros. Nascimento criticou os atrasos sucessivos na nomeação dos novos órgãos sociais, dadas as “implicações muito negativas” para a instituição. E aproveitou para lembrar que a “ausência de resposta formalmente adequada, por silêncio da tutela, agrava o já de si difícil quadro geral de exigências regulatórias e o relacionamento” da Caixa com os reguladores.

O pedido para as Finanças acelerarem a substituição da administração não teve resposta, o que acabou por acentuar o quadro de desconforto existente entre a tutela e a gestão. E, a 21 de Junho, Matos e Nascimento acabaram a renunciar às suas funções de presidentes, com efeitos a partir de 30 de Julho. Isto, ainda apesar de não estarem no exercício pleno dos seus mandatos e de o seu campo de acção estar restringido.

A renúncia dos dois presidentes da CGD pode ter levado o Ministro das Finanças, Mário Centeno, a convocar no dia 22 de Junho, uma hora e meia antes do jogo da selecção de futebol com a Hungria, uma conferência de imprensa onde nada acrescentou de relevante ao que já se sabia. O ministro apenas informou que Domingues entraria em funções durante Julho. E que o grupo iria sofrer um redimensionamento, tanto no número de efectivos como na presença internacional do banco, sem afectar o desenvolvimento das operações nos países de língua portuguesa. A iniciativa foi interpretada como uma medida de contenção de danos.

O vazio actualmente existente no topo da governação da Caixa pode estar à beira de ser resolvido. Até porque na qualidade de accionista único, o Estado tem poder para emitir quando entender uma deliberação unânime por escrito a nomear os novos órgãos sociais da CGD, sem a submeter previamente a uma assembleia-geral. Terá sempre de consultar a comissão encarregue de avaliar a nova administração do banco.

Governo nomeia nova administração para o Metro de Lisboa

A nova administração conta ainda com os vogais Luís Barroso, António Pires, José Realinho de Matos e Maria Helena Campos.

A alteração deve-se à «mudança na orientação política» que prevê o reforço das competências nas autarquias locais na área dos transportes e a anulação das concessões e privatizações em curso dos transportes coletivos de Lisboa e Porto, adianta o comunicado do Conselho de Ministros.

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