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“Na Hilti confiamos nas pessoas”

António Raab, Diretor-Geral da Hilti Portugal está no comando da filial lusa desde 2002. Qual era a sua ideologia quando começou na Hilti? O que pretendia?

Tinha 23 anos quando comecei na Hilti. Com 23 anos a ideologia passa um pouco pelo que vem pela frente. Formei-me no Brasil, em Economia, e com 23 anos fui para a Suíça para uma entrevista na Hilti, ao mesmo tempo que ia iniciar um Doutoramento em Economia. A 3 de agosto de 1982 iniciei o meu percurso na Hilti como estagiário na área de finanças. Não sabia ainda o que pretendia, onde queria chegar ou como imaginava o meu percurso profissional. Passados apenas seis meses percebi que podia crescer nesta empresa, que a mesma tinha condições para me dar um futuro ótimo. Percebi imediatamente que a Hilti seria uma empresa boa para as pessoas trabalharem. Já há 35 anos atrás era assim.

Passou pela liderança da operação brasileira e antes disso passou por mais de meia dúzia de países ao serviço Hilti. Está há 35 anos no grupo. O que representam estes 35 anos para si? São 35 anos de…?

São 35 anos de aprendizagem, de respeito mútuo, promessas cumpridas, amigos e de pessoas que me ajudaram a crescer e desenvolver o meu aprendizado sobre liderança. 35 Anos também de barreiras que encontrei durante o percurso, mas que foram ultrapassadas.

E hoje, passados 35 anos, alcançou o que queria? Mudaria alguma coisa no seu percurso?

Se mudaria alguma coisa? Talvez a velocidade no desenvolvimento das pessoas. Quando assumi a direção da Hilti no Brasil gostaria de ter tido mais capacidade para contribuir mais positivamente para o desenvolvimento das pessoas. Queria ter a maturidade que tenho hoje em desenvolver o talento das pessoas como tenho feito nos últimos anos. Talvez pela falta de experiência ou por ser um diretor-geral novo ainda não tinha essa perspicácia. Tinha apenas 36 anos quando assumi a direção da Hilti no Brasil. Passados sete anos assumi as mesmas funções em Portugal e entretanto já se passaram 15 anos. Foi tudo muito rápido.

Fazendo uma introspeção, quem era António Raab no início do seu percurso na Hilti e quem é António Raab hoje?

Com 23 anos ainda somos muito novos. Pensava na minha carreira, mas ao mesmo tempo queria divertir-me, viajar, conhecer pessoas e lugares novos. Hoje, penso na minha família, penso em como vai ser a minha vida daqui para a frente e planear o que vou fazer quando terminar a minha carreira. Penso mais no futuro. Amadurecemos muito com o passar dos anos. No entanto, penso que continuo a ser a mesma pessoa que era quando entrei na Hilti. Continuo a ter a mesma visão sobre a empresa e as pessoas.

Como quer que as pessoas se recordem de si?

É normal que daqui a uns anos alguém venha substituir-me, uma pessoa mais nova, tal como eu substitui o diretor-geral da Hilti no Brasil ou da Hilti Portugal. Mas sei que quando isso acontecer quero continuar, se possível, ligado à Hilti noutros projetos, desejando ter uma ligação com a Fundação Hilti, uma organização de beneficência fundada pelo fundo da família Martin Hilti, criada com o propósito de projetar um futuro melhor, apoiando projetos e organizações sem fins lucrativos, que ajudam a melhorar a coexistência social e cultural mundialmente.

Quero deixar uma organização estável e com pessoas bem preparadas. Sei que vão lembrar-se de mim pelas modificações que introduzi na empresa. Temos hoje mais de 50 pessoas a trabalhar fora do país que tiveram a oportunidade de ascender profissionalmente. Pessoas que foram desenvolvidas, não por mim, mas pela equipa da Hilti Portugal. Vão lembrar-se de mim como uma pessoa que sempre quis implementar na Hilti Portugal a estratégia da empresa e ao mesmo tempo sempre teve como prioridade desenvolver os seus colaboradores.

Não tem medo que essa ideologia se perca?

De maneira nenhuma. Essa ideologia está bem enraizada tanto na minha pessoa como na direção da empresa. Sei que 99% dos funcionários conhecem tão bem ou melhor do que eu a missão e a visão da empresa. É uma empresa que trabalha para as pessoas e sei que irá continuar a ser assim quando sair daqui. Daqui a muitos anos a Hilti irá ser a mesma empresa ou até melhor para as pessoas trabalharem.

Do que mais se orgulha na sua vida pessoal até aos dias de hoje?

Tenho um orgulho enorme nos meus filhos e na família que constituí. Orgulho-me da família de onde venho, orgulho-me dos meus pais e principalmente da minha mãe porque perdi o meu pai muito cedo, com apenas dez anos. E fui criado até aos 23 anos de idade apenas pela minha mãe. Foi uma mulher que me ensinou muito e foi uma das pessoas que mais insistiu para eu lutar pelo meu futuro e sair do Brasil para abraçar uma nova aventura. Tive também um grande apoio do meu cunhado, que nesta fase sempre esteve do meu lado.

E no seu percurso profissional?

Orgulha-me o facto de ter começado na Hilti como estagiário, passar para o departamento comercial como vendedor, mais tarde para gerente de produto, chefe de vendas, diretor de marketing na América Latina, e depois os passos seguintes como diretor-geral da Hilti Brasil e, por fim, na Hilti Portugal. Durante este percurso tive pessoas que me mostraram o caminho e me deram um grande apoio. Tenho muito bem na minha memória o Pius Baschera que me disse que a única constante na empresa Hilti são as mudanças, e ele tinha 100% de razão.

Orgulha-me o reconhecimento que tenho de muitas pessoas dentro desta empresa e mesmo fora dela. Sei que há pessoas que gostavam de continuar a trabalhar comigo e isso deixa-me profundamente orgulhoso.

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O que o faz feliz?

O que me faz feliz? Diversas coisas. Faz-me feliz ter a família que tenho, faz-me feliz trabalhar numa empresa há 35 anos que continua a me fazer feliz, jogar golfe, conduzir carros de corrida, desenvolver pessoas, ver pessoas felizes, ver o Benfica sempre ganhar, pensar no que foi feito e ver o resultado positivo. Poucas coisas me fazem infeliz.

E o que o irrita mais ou o que não tolera?

A insatisfação. Tentar fazer uma coisa bem-feita e as pessoas não reconhecerem o nosso empenho. O trânsito irrita-me. Sou uma pessoa paciente, mas no trânsito não. Principalmente se as pessoas não tiverem educação. Isso tira-me do sério.

Voltemos à sua infância. Qual é a primeira memória que lhe vem à cabeça?

A fazenda onde morava com a minha família. Dos três aos dez anos morei numa fazenda no Brasil, na cidade de Rolândia, distrito de São Martinho. Sou o mais novo dos meus quatro irmãos e lembro-me de como éramos felizes e unidos lá. Adorava andar de cavalo, da minha bicicleta e da escola primária onde estudei. Foi uma fase feliz.

Algo já fazia prever que iria ser um bom gestor de pessoas e que era este o percurso profissional que iria seguir?

A minha família ensinou-me muito e uma das primeiras coisas que me ensinaram foi escutar e respeitar as pessoas. Tivemos a educação certa. Aprendi com os meus irmãos que devemos ser unidos e respeitar-nos mutuamente. E é isso que hoje faço aqui nesta empresa. O respeito, a amizade e a comunicação que tenho com os colaboradores é muito semelhante ao que tinha com a minha família naquela época.

O que pensa ter contribuído para a formação destas características ligadas à liderança e gestão de pessoas? Ou ser líder é algo inato?

As etapas pelas quais passei, as funções que desempenhei e os cargos que ocupei em diferentes países foram fundamentais. Conhecemos pessoas diferentes, com ideologias, crenças, valores e culturas diferentes. Percebemos que temos que nos adaptar às pessoas, ao país e à sua cultura. E é assim que aprendemos a lidar e a saber gerir pessoas diferentes. Temos de aceitar que somos todos diferentes. Depois de ter saído do Brasil e quando regressei para visitar a minha família eles me escutavam e aceitavam melhor o que era dito por mim. Com o passar do tempo a minha família começou a prestar mais atenção no pequeno irmão. Depois de a minha mãe falecer assumi, em várias situações, o papel de interlocutor da “família” apesar de ser o mais novo. Mas isto não significa que liderava a minha família, mas sim que a ajudava e a apoiava. Foi assim que a minha própria família me ensinou, ajudar e apoiar as pessoas.

Já integrou o ranking Melhor Gestor de Pessoas e a Hilti tem alcançado a 1ª posição no ranking das Empresas Mais Felizes para trabalhar em Portugal. Sente que a missão está cumprida ou ainda há mais que pode ser feito?

Missão cumprida a 100%. Sinto-me extremamente feliz pelo que já foi feito aqui dentro. Mas nunca fiz nada sozinho. Fui sempre bem assessorado e muito bem acompanhado pelos diretores e colaboradores desta empresa. Todas estas pessoas me ensinaram a trabalhar, a crescer e a contribuir para o desenvolvimento da empresa.

Estes prémios e reconhecimentos devem-se à equipa da Hilti. São as pessoas que fazem a empresa. Elas é que escolheram a Hilti como melhor empresa para se trabalhar. Existe um questionário que é respondido por todos os funcionários, onde refletem um pouco sobre o ambiente que aqui se vive. Um ambiente tranquilo e feliz. Este ano fomos consideramos novamente, pela segunda vez pela revista Exame, como a empresa mais feliz para se trabalhar em Portugal. Isso não significa que aqui dentro trabalhamos todos a sorrir, mas sim que existe uma comunicação aberta e transparente com as pessoas. E aqui trabalhamos com as pessoas. Ajudamo-las a desenvolver e a crescer profissionalmente. Damos-lhe liberdade para errar e liberdade para trazerem novas ideias. Aqui todos assumem a sua responsabilidade e é assim que se vive um ambiente feliz. Estamos a falar de uma equipa de cem pessoas que gostam de trabalhar aqui. 2017 está a ser um ano bom. Estamos a contratar mais pessoas e a desenvolver pessoas para abraçarem novos projetos na Hilti, internacionalmente.

Não é fácil gerir uma equipa com tantas pessoas, mas dá-me um prazer enorme. Liderar para mim é apoiar e incentivá-las a fazer coisas fora da caixa. E, sobretudo, na Hilti confiamos nas pessoas.

Onde se imagina a terminar a sua carreira? Quer voltar ao Brasil?

Não. Hei-de voltar, eventualmente de férias e para visitar a minha família, mas o Porto é a minha casa agora. Estou há 15 anos na Hilti Portugal, já tive oportunidades para sair daqui, mas não o fiz porque encontrei o lugar onde quero ficar a viver. O Porto é uma cidade especial, com pessoas especiais e lugares especiais. Para não falar da comida portuguesa que é sensacional. As pessoas daqui são calorosas e mais acolhedoras. Aqui o sistema funciona, a segurança é ótima.

Então as palavras casa e lar para remetem-no para o Porto?

A 100%.

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Quem é António Raab

Qual é a sua qualidade?

A minha maior qualidade? Sou paciente. Mesmo as pessoas dizendo o contrário, sei que sou um bom ouvinte e sou paciente com as pessoas. Penso duas vezes antes de falar. Sou uma pessoa ponderada. Gosto de ouvir as pessoas, gosto de conversar com elas. E os colaboradores desta empresa sentem-se à vontade para falar comigo sobre qualquer coisa. Gosto de ajudar as pessoas ou de, pelo menos, amenizar os seus problemas. Isso deixa-me bem comigo próprio. Sei motivar as pessoas e mantenho sempre a mesma postura com elas.

E defeito?

Sem ser benfiquista como os meus amigos me dizem? (Risos) Sou um pouco caótico na organização. Guardo muitas coisas, não consigo desfazer-me delas. Mesmo com o meu e-mail ou com o agendamento de compromissos sou um pouco desorganizado. A desorganização é o meu ponto fraco.

Qual é a sua primeira lembrança de Portugal?

Lembro-me da minha primeira viagem a Portugal, da qual resultou uma história caricata e o porquê de ser benfiquista. Em 1987 viajava no mesmo avião que a equipa do Futebol Clube do Porto. A equipa estava a festejar a vitória e a conquista da Taça Intercontinental. Tudo bem até aqui. “As pessoas devem festejar. Sou adepto das comemorações”, diz-nos António Raab. O senão aconteceu aquando da chegada do avião no aeroporto. António Raab trazia consigo uma mala de viagem para ficar alguns meses, não conhecia nada da cidade e precisava de um táxi, mas por causa dos festejos foi uma missão impossível conseguir um. Começou andar a pé, durante 3h30, até um táxi parar. Enquanto isso passavam carros com adeptos a celebrar e a festejar a vitória do Porto. Quando entrou no táxi perguntou ao taxista se existia algum clube em Portugal que fosse o maior rival do FCP. O taxista respondeu: “claro que sim. O Benfica”. António Raab ripostou: “A partir de hoje sou benfiquista”. Hoje, António Raab tem grandes amigos portistas e ligados ao clube. Apenas se lembra do dia em que teve de caminhar durante 3h30 com uma mala com cerca de 25kg para conseguir apanhar um táxi (risos).

“Tenho só lembranças boas de Portugal, até a situação dos festejos do FCP é uma lembrança boa. Conhecer a cidade, conhecer as pessoas daqui, a praia, a ribeira são as primeiras boas recordações que tenho da minha chegada a Portugal. E, sem dúvida, os meus filhos, Bárbara e Rafael que nasceram no Porto. O Rafael estudou hotelaria na Faculdade do Estoril, mas seguiu o seu percurso profissional por outra área. Adora o que faz e escolheu o que o faz feliz. Devemos apoiar o que faz as pessoas felizes porque pessoas felizes são mais produtivas. A Bárbara estudou economia na Universidade Católica do Porto e está a seguir as minhas pisadas na Hilti Internacional vivendo e trabalhando atualmente em Chicago”, afirma António Raab.

Sendo a família a base de tudo, o nosso entrevistado foca ainda a sua esposa Regina Raab que sempre o apoiou. “Tem sido o meu pilar no desenvolvimento da minha carreira. E acima de tudo é o pilar da minha tranquilidade e harmonia na minha vida. Sem um bom ambiente na família não consigo desenvolver um bom trabalho. A família é um pilar extremamente importante para qualquer pessoa”, reforça António Raab.

Do que mais sente falta do Brasil?

Tenho muitas mais coisas das quais não sinto falta no Brasil do que sinto falta. Mas sinto falta das praias que são fantásticas. Durante muitos anos tive uma casa no nordeste do Brasil e todos os anos ia para lá de férias com a minha família. Também sinto falta disso. Sinto falta da minha família. Grande parte da minha família está no Brasil.

A LIDERANÇA TEM ROSTO

3 de agosto de 1982 foi o seu primeiro dia na Hilti. O que recorda desse dia?

Foi um dia que começou com um frio enorme na barriga. Com 23 anos, tinha acabado de sair da teoria (universidade) e estava prestes a entrar na prática (trabalho), num país novo, a sair da minha zona de conforto, o Brasil. Fui recebido muito bem por todos os novos companheiros de trabalho e em especial pelo diretor financeiro a quem iria reportar o meu trabalho enquanto estagiário do departamento financeiro. A minha formação de base foi, no Brasil, Gestão e Economia. Aquele dia foi inesquecível… as pessoas foram extremamente simpáticas e receberam-me realmente de braços abertos, como se eu estivesse a entrar na nova família Hilti, que até aquele momento não conhecia. Fui almoçar com toda a equipa (12 pessoas) e posso dizer que foi uma adaptação rápida e sólida.

Hoje, que balanço faz da sua gestão? Faria algo de modo diferente?   Rui Bandeira Fotografia_09-08-16__MG_6726_1

Passei por diversas funções na Hilti, em Liechtenstein como estagiário no departamento financeiro, na Alemanha como vendedor, gestor de produtos e vendedor numa loja Hilti, depois, cheguei a Portugal para começar a representação Hilti no Porto. Passado um ano voltei à Suíça e trabalhei como chefe de vendas. Em 1992 voltei a Portugal para abrir oficialmente a Hilti e após todos estes desafios, assumi a minha primeira grande função como diretor de marketing da América Latina e da América Central, o que me trouxe uma enorme experiência e aculturação. Em 1996 foi o meu primeiro grande desafio quando me atribuíram a responsabilidade de ser diretor geral da Hilti Brasil. Voltei a casa, com muitas saudades, mais experiente… Quando lá cheguei éramos 16 pessoas para construir tudo de raiz, e conseguimos. Formámos uma Hilti. Em 2002, quando deixei o Brasil em direção ao meu querido Portugal já contávamos 230 pessoas na Hilti Brasil. A Hilti tornou-se conhecida o que me deu imenso orgulho. O Brasil e a Hilti do Brasil significam muito para mim…

Em 34 anos….Fazer um balanço da minha gestão é extremamente complicado, pois com o passar do tempo fui aprendendo com os meus superiores diversas maneiras de liderar e de exercer coaching com as pessoas. Talvez mudaria alguns estilos de liderança e de comunicação que usei no começo da minha carreira, porque rapidamente descobri que todos somos diferentes e temos que ter diferentes modos de liderar e de direcionar os colaboradores da nossa empresa.

Em 34 anos, que momentos podem ser destacados como aqueles que contribuíram mais para o líder que é hoje?

Foram os líderes da Hilti que me ensinaram imenso. Tive a sorte de ter conhecido o Prof. Dr. Pius Baschera, que foi diretor geral da Hilti Alemanha quando lá trabalhava, com quem aprendi muito. Ensinou-me que na Hilti a única constante é a mudança. Ao longo do tempo verifiquei que essa frase faz todo o sentido.

Aprendi também com o fundador da empresa Prof. Martin Hilti o valor que as pessoas exercem dentro da empresa.

Ouvi muitas pessoas da direção da Hilti Internacional, como também colegas da direção da empresa, situações onde foram explicitamente mostrados os métodos diversos de liderança.

 

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Ser líder é um bem intrínseco ou também se aprende?       

Não descurando o facto de poder haver apetência intrínseca para liderar, claramente muitas das competências de liderança são fruto de um processo de aprendizagem. O processo de liderança pode iniciar-se no seio familiar do indivíduo e deve ser desenvolvido dentro das organizações. Na Hilti, esta é uma questão embutida na nossa estratégia 2020. Reconhecemos e valorizamos a importância dos nossos colaboradores serem empreendedores, dando a possibilidade a cada um de desenvolver as suas capacidades de liderança. Por isso acredito que sim, que os líderes são feitos e não nascidos. As pessoas ensinam-nos como nos devemos comportar.

O seu percurso na Hilti também se fez pelo Brasil, o seu país, e pelos Estados Unidos da América. Que diferenças óbvias existem entre os anteriormente referidos e Portugal?

Só as pessoas que não conhecem outros países é que menosprezam Portugal. Este país é dos sítios onde se encontram mais pessoas competentes dentro da Europa. De um nível de aprendizagem megalómano e com vontade de fazer coisas novas. Ao contrário da América, em que o marketing é muito forte, Portugal tem essa dificuldade, a de se “vender” bem. Temos talvez um complexo de pequenez e eu não concordo em nada com isso. A Hilti Portugal chegou a ter 180 pessoas que hoje estão espalhadas pela Europa em cargos de relevância. Os engenheiros civis portugueses são procurados pela Hilti por todo o mundo. Em Itália, em França, em Inglaterra, os portugueses fazem furor. O meu maior legado é exatamente esse: o de ter contribuído para a formação dessas pessoas tão competentes.

Em 2012 foi nomeado um dos 20 melhores gestores de pessoas em Portugal. Que sentimentos podem descrever este reconhecimento?

Alegria, orgulho e principalmente o reconhecimento das pessoas com quem trabalho e que me elegeram. Fiquei mais motivado para continuar o trabalho que tenho perpetuado.

Este reconhecimento significa muito, mas implica, também, muita responsabilidade. Quando as coisas correm bem há um reconhecimento do nosso trabalho, porém esse trabalho, de anos, não é só de uma pessoa, mas de uma estrutura inteira. A responsabilidade aumenta, os holofotes recaem sobre nós e é-nos exigido um desempenho tão bom ou melhor que o anterior. Essa é uma boa pressão, com a qual temos de aprender a lidar, se pretendemos continuar a ter sucesso.

O maior bem de uma empresa são as pessoas? Este deveria ser o ponto de partida para quem se inicia como gestor?

Muito mais do que fazer parte do ponto de partida, as pessoas têm de ser uma constante ao longo de todo o percurso de um gestor. Um bom gestor tem obrigatoriamente de ter uma paixão pela gestão das suas pessoas, sendo que, este interesse tem de ser genuíno.

É errado pensar que ter boas competências técnicas é condição suficiente para se ser um bom profissional. É impossível ter uma boa carreira como gestor alheando-se da dimensão que as pessoas representam. Sozinhos podemos alcançar alguns objetivos mais rapidamente, mas só em equipa conseguimos ir longe. As crescentes preocupações ligadas ao tema da felicidade e bem-estar dos colaboradores é ainda mais importante se pensarmos na geração millennial, que são uma forte evidência de que estas são questões que nenhuma empresa deve ignorar.

Qualquer pessoa que não veja o capital humano como o maior bem da empresa está condenada ao fracasso. Sempre tive consciência disso. É com as pessoas que crescemos e ultrapassamos os obstáculos. A estratégia Hilti define exatamente isso: construir um futuro melhor para todos, tendo como pilar as pessoas e o seu bem-estar.

Tem presente a noção de que influenciou a vida de imensas pessoas que fazem ou fizeram parte da Hilti?

Tenho a certeza absoluta. Influenciei gestores da Hilti internacional. Assim como fui inspirado também inspirei. Hoje temos entre 30 a 40 pessoas fora de Portugal em posições de destaque.

Que questões coloca numa entrevista de emprego?

A primeira coisa é apresentar-me. Considero uma falta de educação começar a fazer perguntas sem nos apresentarmos. Explico qual é a minha função, apresento o diretor de recursos humanos, que está sempre presente, e a primeira pergunta que coloco é “se eu perguntar à sua família ou amigos quais os seus pontos fortes e que quais os pontos a melhorar, o que responderiam eles?” e peço sempre exemplos de acordo com as respostas. Não posso dizer que faço entrevistas formais porque a minha intenção é deixar a pessoa completamente à vontade e assim tentar conhecê-la um pouco melhor. Não quero que as pessoas se preocupem com o que têm de responder. Tento deixar os candidatos descontraídos e fluir uma conversa fácil e direta para que eles se sintam à vontade. Pergunto o que eles se veem a fazer dentro de cinco anos, dentro ou fora da empresa. Na maioria das vezes consigo perceber o que as pessoas querem no futuro e isso é muito importante para nós, na Hilti.

O que é mais difícil para um líder?

A responsabilidade. Ter cem pessoas a trabalhar e o facto de essas cem pessoas terem familiares que possam depender deles. Comunicar a estratégia de forma clara e que todos entendam, na minha opinião é por vezes uma dificuldade. Um bom líder tem de comunicar bem, informar as pessoas da estratégia e da direção da empresa. A partir daí a minha responsabilidade fica mais fácil. Com clareza de objetivos e foco nos mesmos as pessoas trabalham melhor e principalmente mais motivadas.

E o que não pode esquecer todos os dias…?

Os valores da empresa. Integridade, coragem, trabalho em equipa e compromisso. A coragem é dos pontos mais importantes numa empresa. O ter a coragem de dar a sua opinião. Penso que todos devemos dá-la. Internamente temos um questionário onde as pessoas partilham ideias que gostariam de ver em prática.

Se perguntássemos à sua equipa o que pensam de si, o que responderiam?

Penso que diriam que sou uma pessoa extremamente exigente mas ao mesmo tempo sem um mínimo tom de arrogância. Tenho uma ótima relação com os meus diretores. Julgo que eles olham para mim e veem uma pessoa experiente e que os respeita, os ouve e que ambiciona obter feedback da parte deles. Eles também diriam que eu delego muito as responsabilidades de toda a empresa.

A Hilti é reconhecida como uma das empresas mais felizes em Portugal. Que fatores mais influenciam a felicidade em contexto laboral?

Sermos uma empresa feliz não deve nem pode ser um objetivo por si só. Deve sim ser resultado de uma genuína paixão por aquilo que fazemos. Na Hilti acreditamos que todos temos uma excelente ferramenta que nos desenvolve: a nossa função. Se a encararmos como um veículo para atingir este fim, pensando não apenas no que a função nos pode dar, mas no nosso máximo contributo possível para elevar o patamar de excelência da nossa equipa, desta forma, seremos seguramente pessoas felizes. Temos a felicidade de trabalhar numa empresa que promove este espírito empreendedor. Temos admiráveis exemplos internos para provar que esta é uma realidade na Hilti.

Existem outros exemplos que promovem na sua plenitude aquilo que entendemos por “tratar bem as nossas pessoas”. O evento que realizamos anualmente com todos os colaboradores e respetivas famílias, a oferta de um cabaz de Natal, o horário de verão para os colaboradores internos, o pequeno-almoço disponível todos os dias na empresa, as duas pontes e até três dias de antiguidade que oferecemos como dias de férias adicionais, o seguro de saúde extensível ao cônjuge e descendentes…tudo isto porque pessoas felizes são mais produtivas.

“Em primeiro lugar as pessoas”, e em segundo?

As pessoas, sempre. Acho importante colocar tudo em primeiro lugar, que nada fique para segundo. Nivelar tudo como prioridade. Trato todas as pessoas de igual forma, sejam, ou não, da empresa. Gosto de conversar e conhecer as pessoas e assim aprender com elas.

Algum conselho que gostaria de deixar a atuais e futuros gestores?

Aprendi que para crescer como pessoa e como líder é necessário nos cercarmos e reunirmos na nossa equipa de direção gente mais inteligente e empreendedora. Mais do que eu. Pessoas que possam trazer ótimas ideias. Adoro pessoas de poucas palavras… aquelas que vão diretas e ao ponto fulcral da questão. Um conselho: aos líderes, que vejam as pessoas como o maior bem e que invistam nelas, em formações em intercâmbios (no caso das multinacionais), no fundo… que saibam trabalhar em equipa.

Se não fosse um gestor de pessoas, o que seria?

Eu acho que quando somos pequeninos somos muito grandes na imaginação. Em criança perguntam-nos o que queremos ser e nessa fase da vida somos muito puros. Em criança queria ser piloto de aviação ou diplomata. Tudo relacionado com liderança…

 

 

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Pedro Silva, Diretor de Market Reach

“É consensual aquilo que a equipa pensa sobre o António. Por isso posso descrevê-lo como uma pessoa agregadora, que consegue unir as pessoas e fazê-las percorrer um caminho com ele. Ouve bem, está sempre disponível e é uma pessoa muito próxima de todas.

Gosta da vida. E sobretudo quando promete cumpre sempre e é desta forma que tem construído uma base de confiança na Hilti”.

 

Prova de que a mudança é uma constante…

 

Que novos produtos lançou a Hilti em 2016 e quais as inovações que gostaria de destacar?

Será complicado listar todos os produtos que lançamos este ano, pois no seguimento da nossa estratégia 2020 duplicamos o investimento em investigação e desenvolvimento e lançámos em 2016 mais de 60 produtos. Temos investido fortemente em sistemas a bateria de modo a aumentar a produtividade e a segurança no dia-a-dia dos nossos clientes, tendo lançado novas baterias de 22V e 36 V com a maior autonomia e performance do mercado. Lançámos a primeira rebarbadora a bateria de 36 V, que é única, pois é a primeira vez que uma ferramenta deste tipo a bateria tem um desempenho equivalente à sua equivalente a fio. Mas sem dúvida a maior inovação é a BX3 que é a primeira ferramenta de fixação direta a bateria do mundo. Um desenvolvimento que é sinónimo de inovação Hilti, que tem recebido excelentes críticas e comentários não só por parte dos nossos clientes, mas também por painéis profissionais. Foram atribuídos vários prémios internacionais à BX3 e recebemos em Portugal o Prémio Inovação na Construção, organizado pelo Jornal Construir. A BX3 é um dos maiores sucessos de 2016 para a Hilti.

A Hilti não comercializa somente produtos. Que serviços a Hilti lançou em Portugal?

Os serviços têm sido outra área de grande destaque na Hilti. Somos cada vez mais solicitados pelos nossos clientes para os ajudar na gestão do seu parque de equipamentos, de ferramentas elétricas e gestão de stocks. As empresas de construção estão cada vez mais conscientes que o custo de aquisição de uma ferramenta elétrica ou de um equipamento representa uma pequena parte do custo real dessa ferramenta para a sua empresa. Existem muitos custos escondidos tais como custos de manutenção e reparação, custos administrativos e de transporte sobre os quais é bastante difícil ter visibilidade adequada. Para responder a essa necessidade e alavancar sobre a nossa experiência nesta área lançámos dois serviços este ano: a Gestão de Frota Consulting e ON!Track. Em ambos estes serviços a Hilti efetua uma análise aprofundada dos custos que um cliente tem com o seu parque de equipamentos e propomos uma solução completa que permite poupanças entre 40% a 60%.  A solução de Gestão de Equipamentos ON!Track proporciona uma maior rastreabilidade dos equipamentos, inventários rápidos e otimização de stocks. Todos os equipamentos são etiquetados e o cliente pode geri-los através de uma plataforma web. Este serviço é uma verdadeira inovação para a Hilti pois passamos a analisar não só as ferramentas elétricas (pelas quais a Hilti é conhecida), mas todo o parque de equipamentos e mercadorias (geradores, equipamentos de soldar, andaimes, etc…).  Tem sido bastante desafiante e enriquecedor para nós, pois formamos verdadeiras parcerias com os nossos clientes. Prova disso é que existe uma grande aceitação por parte do mercado e em poucos meses já auxiliamos os nossos clientes a gerir acima de 1000 equipamentos e mercadorias.

 

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