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Detetive recupera quadro de Dali roubado há sete anos

O quadro “Adolescência”, de Salvador Dalí, foi recuperado, sete anos depois de ter sido roubado de um museu holandês. A pintura foi encontrada por Arthur Brand, um detetive especializado na recuperação de obras de arte. Juntamente com o quadro de Dalí, foi também encontrada outra obra: “La Musicienne”, da pintora polaca Tamara de Lempicka.

Os quadros tinham sido levados do Museu Scheringa do Realismo, em Spanbroek, na Holanda, em pleno dia, a 1 de maio de 2009.

Citado pelo El País, Brand disse que não teve de pagar nada para recuperar o quadro. Apenas perguntou “nos locais adequados, porque há sempre alguém que conhece um tipo e outro, e assim sucessivamente, até que dás com o contacto certo”.

“Contactou-me um indivíduo a fizer que tinha uma informação interessante. Estava em contacto com uma organização criminal que tinha obtido os dois quadros numa troca, prática comum neste meio”, contou Arthur Brand.

“O indivíduo que os recebeu não sabia que eram roubados”, disse Brand a uma televisão holandesa. Por isso, a operação de resgate do quadro custou ao detetive “um par de refeições, porque o grupo de ladrões não se queria meter num aperto”. Por eles, garantiu Brand, “os quadros acabariam destruídos ou vendidos no mercado negro”.

As negociações duraram oito meses, e, para ganhar a confiança dos detentores das obras, Brand encontrou-se com eles “pelo menos uma dúzia de vezes”.

Desde maio de 2009, altura em que o Museu Scheringa do Realismo foi assaltado, a polícia ainda não tinha conseguido encontrar nenhuma pista que levasse ao paradeiro dos quadros.

Os assaltantes entraram no museu ao meio-dia de 1 de maio de 2009, com armas e dirigiram-se diretamente para aqueles dois quadros, pelo que as autoridades consideraram na altura que se tratou de um assalto encomendado. Um porta-voz do dono do museu disse, na altura, que os assaltantes “sabiam o que procuravam, sem dúvida”.

Os quadros foram agora devolvidos ao dono legítimo do quadro, cuja identidade não é conhecida, e que tinha emprestado os quadros ao museu.

Deixe cair o “se”. Estas paredes falam mesmo

Se as paredes falassem, seriam certamente estas, as que o artista francês Patrick Commecy pinta em prédios vazios de cor e com marcas do tempo, em diferentes bairros de França.

O objetivo do projeto “A-Fresco” é renovar cidades, fazendo com que deixem de ser obscuras e a sua imagem de marca seja, desta forma, melhorada.

Para isso, Patrick Commercy parte da vida social, das principais atividades e das pessoas famosas de cada sítio para contar histórias originais através da arte, repletas de movimento e energia.

Moradores à espreita, varandas que são a continuidade da arquitetura do prédio, cafés e padarias e até artistas conhecidos moram nestes murais. No total, o artista e a sua equipa já revitalizaram 250 paredes esquecidas.

Na cidade de Montpellier, por exemplo, há seis figuras famosas e moradores da cidade, entre elas o químico Antoine Jerome Balard que descobriu bromo. (…) Os murais são divertidos, educativos e surpreendentemente fáceis de manter. Há pessoas de todas as idades a serem cativadas pelo projeto, que agora está também a tornar-se uma atração turística. Os moradores das várias cidades onde estão as pinturas admitem até que este trabalho tem melhorado a qualidade das suas vidas, destacando a sua identidade e história”, explica o artista.

Ao olhar para as paredes, o que ali está não parece uma pintura, confunde-se com uma cena real. Quase se ouve o frenesim das ruas, tal é agitação ilustrada pelas pinturas. O melhor é ver o “antes”, para melhor compreender o “depois”, na galeria de imagens inicial.

Criativo da Guarda transforma peças mecânicas e de sucata em obras de arte

Um empregado fabril da Guarda passa algum do tempo livre a reutilizar peças de ferro mecânicas e de sucata diversa, que transforma em obras de arte com vários motivos e tamanhos.

Nuno Maroco, de 41 anos, residente no bairro das Lameirinhas, na cidade da Guarda, iniciou o processo criativo há cerca de um ano, quando esteve desempregado.

“Já tinha visto isto feito por algumas pessoas, assim umas peças pequenitas, com aproveitamento de sucata, e também decidi experimentar. Comecei por fazer umas ‘motitas’, de certa maneira diferentes, porque têm peças amovíveis, e incorporei sempre um bonequinho”, contou hoje à agência Lusa.

No início, o criativo fez umas “cinco ou seis” motas em miniatura “e as pessoas começaram a apreciar e a pedir outro tipo de objetos”. Depois disso, nunca mais parou e já executou cerca de 100 peças, a mais pequena com cerca de 15 centímetros e a maior com 60 centímetros de altura.

Elaborou réplicas de cavalos, motas, águias, dragões, leões, escorpiões, borboletas, bonecos, robôs, entre outras, explicando que também tenta fazer aquilo que as pessoas lhe pedem.

As esculturas são feitas a partir de vários materiais, oferecidos por amigos, como peças de automóveis, de motos, ferros da construção civil, porcas, parafusos, anilhas, correntes, rolamentos, colheres, componentes de computadores e mesmo berbequins e rebarbadoras sem utilidade.

“O que aparece, aproveita-se”, garante o artesão, que executa os trabalhos na garagem da sua habitação.

Nuno Maroco lembra o ditado: “o desperdício de um homem é o ouro de outro”, para dizer que o material que recicla “em vez de ir para o lixo” é reaproveitado e pode ser apreciado durante “anos e anos” pelas pessoas.

O artesão tem participado em feiras de artesanato e algumas das suas peças – inicialmente vendidas a 25 euros e atualmente a 50/60 euros – “já andam a correr mundo”.

O criativo contou ainda à Lusa que os primeiros trabalhos saíram da sua imaginação e, depois disso, começou a fazer artefactos por encomenda, ao gosto do cliente.

Na feitura de cada peça assegura que gasta entre “quatro a cinco dias”, por serem amovíveis e por necessitarem de muitos detalhes.

O processo começa com a idealização do trabalho, seguindo-se a seleção dos materiais a utilizar e a soldagem. Na parte final, o objeto é polido e envernizado.

Nuno Maroco diz que gosta de todas as peças por igual, mas destaca um candeeiro formado por “um astronauta, meio humano e meio robô”, que segura um satélite que é a base da lâmpada.

O empregado fabril lembra ainda que a reação de amigos e de vizinhos ao seu trabalho foi “ótima”, o que o deixou contente.

O seu amigo, José Anselmo, disse à Lusa que ficou “gratamente surpreendido” com o trabalho de Nuno Maroco. “Acho que devia continuar, porque ele tem pinta para fazer isto”, defende.

Neste momento, o criativo também está a apostar, em conjunto com um amigo, na criação de um protótipo de um grelhador doméstico, feito a partir do depósito de uma motorizada, um amortecedor e a jante de uma roda.

Festival TODOS. Vamos almoçar no “Jardim das Delícias” de Bosch?

O ponto de encontro foi a Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, o que indicava à partida que a apresentação do Festival TODOS passaria obrigatoriamente pela comida. Sim, a gastronomia é uma das atividades a ter em atenção na 8ª edição do evento. De 8 a 11 de setembro na Colina de Santana, em Lisboa, as artes performativas, como o teatro e a dança, vão conviver com os sabores e os cheiros de várias partes do mundo.

Tem sido assim desde 2009: a Câmara Municipal de Lisboa em parceria com a Academia de Produtores Culturais procura demonstrar afinal o que é que isto de uma Lisboa intercultural. Os artistas são de várias partes do mundo, da França até Marrocos, e alguns deles já deixaram marcas na cidade. Desde as paredes coloridas da Rua de São Bento até à imersão multicultural no Martim Moniz ou no Intendente, o eixo da programação e das iniciativas mantém-se: “pensar a arte num mundo contemporâneo”, segundo Madalena Vitorino, uma das responsáveis do Festival Todos.

A companhia Laika, da Bélgica, apresenta o espetáculo “Piknik Horrifik”, uma combinação de teatro e gastronomia, que tem como inspiração o quadro “Jardim das Delícias” de Hieronymous Bosch. Durante a apresentação do TODOS estão na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, mas em setembro o local do espetáculo será o antigo Hospital Miguel Bombarda, um sítio que o chef Peter De Bie acredita ser o indicado para a dualidade “paraíso e inferno” que pretende transmitir.

“Disse logo à organização que queria o último sítio imaginável para fazer um piquenique”, refere.

O Hospital Miguel Bombarda, uma unidade vocacionada para a psiquiatria, fechou há alguns anos. Em 1911 era a “casa” do Convento de Rilhafoles. Se muitos estranharam o local escolhido, outros acharam ser apropriado consoante o que foi apresentado: pratos de terra comestível, salgado e doce, e até uma cara feita de mousse de salmão, tudo foi pensado para inquietar e desmitificar o conceito idealizado de piquenique. “A ideia que temos desta atividade é sempre comparável a um paraíso”, explica Peter De Bie.

O aniversário dos 500 anos da morte de Hieronymus Bosch foi um dos pontos de partida para o espetáculo da equipa da companhia Laika. Tal como no quadro “O Jardim das Delícias”, com uma divisão da pintura em três partes, onde o pintor recriou a linha ténue que existe entre o inferno e o paraíso, também Peter De Bief tenta colocar uma tela à frente dos seus olhos. “Estamos todos, neste momento, num quadro do Bosch”, diz, apontando para a sala. No Festival TODOS vai “alimentar” 200 pessoas de cada vez, para isso, conta com a ajuda de nove elementos da companhia e com a participação de dez residentes da Colina de Santana.

jardim das delícias bosch

“Jardim das Delícias”, de Bosch

De recordar ainda que o quadro “Jardim das Delícias” foi emprestado em maio deste ano pelo Museu de Arte Antiga ao Museu do Prado para integrar a exposição dedicada ao pintor.

A programação do evento fica completa com a música, o circo e a dança: um dos destaques vai para uma open-call a todos os guitarristas de Lisboa para participarem num espetáculo de funambulismo, a arte circense em que o artista caminha sobre uma corda suspensa no ar. A música vai acompanhar a proeza e promete ajudar o restante público a exercitar a respiração ao som das cordas elétricas, com os olhos postos no céu.

A 8ª edição do Festival Todos tem como tema “Surpreender o quotidiano” e desde logo leva o público até alguns dos “segredos” da Colina de Santana: desde conventos transformados em antigos hospitais psiquiátricos até palácios e casas particulares, o objetivo passar por resgatar em Lisboa “uma memória que as pessoas sabiam que existia, mas que não conheciam”. A entrada nas atividades do festival é gratuita.

Quando a guerra não mata a arte, dá-lhe força

Na Síria, na Palestina ou no Iraque, são vários os graffitis espalhados pela rua que mostram o que é a guerra, seja ela política ou religiosa.

Os muros partidos nas ruas dão lugar a verdadeiras obras de arte, apesar de as razões pelas quais foram feitas não serem as melhores.

Uma mulher afegã a apelar pelos direitos das mulheres, é um dos exemplos projetados nestas pinturas que podemos encontrar nesta galeria.

Artistas portugueses doam obras pela saúde do povo moçambicano

A Health4MOZ (Health 4 Mozambican Children and Families, O.N.G.D.) dá mais um passo no sentido de prosseguir com a missão de trabalho voluntário na área dos cuidados de saúde que tem vindo a desenvolver desde 2013. Desta vez a ideia passa por fundir a solidariedade científica com a solidariedade artística, juntando vários nomes de peso das artes plásticas em Portugal que, através da doação das suas obras à causa, manifestam o seu apoio e reconhecimento. As peças irão fazer parte da «Art4MOZ», uma exposição aberta ao público, que irá decorrer na Douro Marina, em Vila Nova de Gaia, entre os dias 28 e 31 de Janeiro.

Obras de artistas como Graça Morais, Sobral Centeno, Ana Pais de Oliveira, Agostinho Santos ou Albuquerque Mendes e ainda José Pádua e os pintores moçambicanos Ulisses Oviedo e Chichorro, farão parte do espólio e poderão ser adquiridas nos dias 29, 30 e 31 de Janeiro. Também o nome da curadora da iniciativa, Catarina Machado, irá fazer parte da exposição, para além do seu pleno envolvimento no projeto de um modo geral. O valor angariado através da venda das obras reverterá a favor da associação Health4MOZ que, nas várias missões que fez em Moçambique, deu formação a mais de meio milhar de alunos de medicina, de enfermagem e de medicina dentária bem como a dezenas de médicos de várias áreas, transmitindo-lhes conhecimentos que os dotaram de mais ferramentas para o desempenho da profissão.

A este movimento solidário juntam-se conhecidas personalidades da medicina, da ciência e da arte, que irão marcar presença no evento de inauguração, dia 28 de Janeiro. Estas personalidades surgem como padrinhos do «Art4MOZ» e são eles: Alexandre Quintanilha – investigador e físico português de renome internacional –, Francisco Noa – escritor moçambicano e Reitor da Universidade de Lúrio em Moçambique –, José Manuel Silva – médico, professor universitário e Bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal – e Levi Guerra – médico, investigador, artista e ex-Diretor do Hospital de São João no Porto.

A Health4MOZ é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, que pretende transmitir conhecimentos – teóricos e práticos – em diferentes áreas da saúde, visando a melhoria das competências académicas e profissionais e da prestação de cuidados de saúde. Tem como objectivo último a melhoria da qualidade de vida da população de Moçambique, onde a esperança média de vida está nos 49 anos, a mais baixa de toda a África sub-sahariana e onde mais de 40 em cada 100 crianças com menos de 5 anos sofre de malnutrição crónica. A área de intervenção deste grupo de médicos portugueses tem incidido na zona de Nampula, no norte de Moçambique, onde têm tido o apoio da Universidade de Lúrio (UniLúrio) e do Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU) para além de mecenas portugueses.

Carpet Diem: o tapete é uma obra de arte

Carmo Mexia

“Cada tapete que criamos é uma referência de nós próprios”. Esta é a garantia desde sempre deixada pela Carpet Diem, uma marca 100% nacional que tem procurado levar o nome do país além-fronteiras através da criatividade e da contemporaneidade que imprime nos seus desenhos. AmáliaPorque é a desenhar tapetes que cada um dos sócios se sente feliz, foi com Carmo Mexia que conhecemos este mundo, onde a criatividade e a liberdade ocupam o espaço principal. Mais do que um negócio, a Carpet Diem é uma viagem pela imaginação de cada um. Tudo começou em 2003, depois de uma etapa muito importante na vida dos dois “Tanto eu como o Nuno tínhamos acabado de casar (‘não um com o outro’, brinca) e este era um momento em que a casa requeria uma dedicação especial. Detetámos então, este vazio no mercado. O mobiliário contemporâneo estava no auge e em Portugal não encontrávamos tapetes, sendo que os que existiam eram de marcas estrangeiras e caras”, explicou a responsável. Considerando o tapete um elemento fundamental para o enquadramento de um espaço e capaz de marcar a diferença num ambiente, a ideia de fazer nascer a Carpet Diem não tardou. Começaram a desenhar tapetes e a trabalhar para arquitetos, decoradores, lojas, entre outros, num regime de prestação de serviços.

Hoje, qual é a melhor criação desta equipa? Com tantos desenhos e tantas inspirações, a carpet diemresposta surge difícil. “É sempre agradável quando há alguma obra que fazemos que tenha mais destaque e seja logo identificada como um trabalho nosso”, definiu Carmo Mexia. No campo da inspiração, não há impossíveis. Tudo é motivo de inspiração para a criação de um produto que Carmo descreveu como “original, confortável e de cor vibrante”. Há liberdade para fazerem o que lhes apetece, com ligações estéticas ao revivalismo, retro e vintage.

Ligação à Índia
Com a crescente recetividade, surgiu a ideia de conceber a primeira coleção, num momento em que a produção ainda era feita em Portugal mas, desde há sensivelmente três anos, a estratégia mudou. “Com a produção feita em Portugal, o produto final acabava por ficar dispendioso para o consumidor. Procurámos, então, mão-de-obra especializada e, por pesquisa, chegámos à Índia”, explicou. Esta era a única forma de ter o preço que desejavam, com mão-de-obra mais barata e especializada. Gerir distâncias nem sempre é fácil mas do outro lado a Carpet Diem conta com um fabricante à altura do desafio de materializar ideias e criar produtos únicos e diferenciadores.

Mais do que gerir um negócio, Carmo Mexia e Nuno Benito assumem responsabilidades e não esquecem o facto de a Índia ser considerada a “capital do trabalho infantil”. A Carpet Diem assumiu, por isso, o compromisso de lutar contra este flagelo, associando-se à Care & Fair, uma entidade alemã ligada à indústria europeia de tapetes que se dedica à responsabilidade social na tecelagem na Índia, Nepal e Paquistão, assegurando às famílias dos trabalhadores trabalho, educação e saúde. Na prática, uma percentagem das verbas da Carpet Diem reverte a favor desta associação e em cada um dos tapetes está presente uma etiqueta que é uma garantia de que aquele produto não é fruto de exploração de mão-de-obra infantil.

O segredo está no equilíbrio

Apostar no design, ter um produto com qualidade e a um preço acessível sempre foi o objetivo, fácil de concretizar quando se trabalha com paixão e de uma forma harmoniosa porque, apesar de Nuno Benito não ter estado presente nesta conversa, a descrição feita por Carmo Mexia não poderia deixar uma imagem mais clara sobre o carisma e a harmonia de uma equipa composta acima de tudo por dois amigos. “Somos bastante complementares, partilhamos os mesmos gostos e tendências artísticas. Eu trato mais da organização e o Nuno está mais ligado à vertente artística. Decidimos em conjunto e temos sempre o mesmo olhar sobre tudo”, descreveu.

Com mais de uma década de existência, a marca, continuando a focar-se no negócio online, decidiu abrir há cerca de um ano uma loja física, localizada na Rua das Amoreiras, em Lisboa. “Este espaço só existe como uma referência. É uma bandeira e, como marca portuguesa, era fundamental ter uma loja em Portugal”, referiu Carmo. Para janeiro será lançada uma nova coleção descrita como “bastante vibrante e diferente do que está online”. A longo prazo, o objetivo passará por aumentar a notoriedade da marca para que esta se assuma como uma bandeira portuguesa a nível internacional. “Pretendemos elevar o conceito de tapete a uma obra de arte acessível, criando uma maior ligação entre o artista e esta forma de arte menor. Quando se pensar em tapetes, queremos que pensem em Carpet Diem”, concluiu Carmo Mexia.

Concurso Design Tapetes 2015/2016
A Carpet Diem lançou um desafio a todos os alunos de Belas Artes e Escolas de Design do concelho de Lisboa com o objetivo de dinamizar o design têxtil e a cooperação entre as universidades e o universo de empreendedores privados. Com o tema “Maximalismo – Mais é Mais”, os interessados deverão produzir uma peça original, que deverá ser submetida até ao próximo dia 31 de janeiro. Os trabalhos devem estar enquadrados em três categorias, nomeadamente: geométrica, orgânica e mista e as melhores participações serão galardoadas com os seguintes prémios:
1º Prémio – viagem à Índia. Bombaim-Goa/publicação online;
2º Prémio – 300 euros/publicação online;
3º Prémio – 100 euros/publicação online. Podem consultar mais informações no website www.carpetdiem.pt.

Porque Algarve é muito mais do que sol e praias

Raquel Azevedo

Gastronomia, artesanato, cultura e amor por uma região. Como se conjuga tudo isto num só espaço? De que modo esse amor é transmitido nos vossos produtos individualmente?
O projeto foi idealizado para não ser somente um local que oferece produtos regionais/gourmet, mas também um espaço onde os artistas e artesões locais possam expor os seus trabalhos e, desta forma, mostrar a riqueza cultural desta região, que é muito mais do que sol e belas praias. A seleção da gama disponível na loja Algarve Lovers foi fruto de um estudo e de pesquisas muito criteriosas, que tiveram como base e em primeiro lugar a qualidade e a origem, inclusive das matérias-primas, e em segundo lugar algumas lacunas existentes nesta área de negócio.

Refere a presença de artistas e artesãos na Algarve Lovers. Qual tem sido o papel desta vertente artística? Que mais-valias traz à loja?
Esta vertente cumpre um dos objetivos do projeto que é mostrar um pouco da cultura algarvia. Existe ainda a questão do tipo de clientes que este lado artístico traz e pode trazer à loja. Clientes que apreciem cultura e que disfrutem ao adquiri-la, nomeadamente os clientes locais ou residentes na cidade de Faro.
Por outro lado, torna a loja dinâmica, pois o objetivo é ter vários trabalhos expostos, não só na área da pintura, mas em outras áreas, como fotografia, escultura, etc.

O Algarve é claramente o foco deste projeto, contudo não esquecem os produtos tradicionais de outras regiões. O que podemos esperar desta diversidade regional?
Como mencionou, o foco são os produtos regionais algarvios, mas não poderia deixar de ter uma pequena representação de alguns produtos que são ícones do nosso país, como é o caso do vinho do Porto.

A diversidade é também apresentada no tipo de produtos que podemos encontrar na vossa loja, no coração de Faro. Por um lado, mel, compotas, conservas, chás e ervas aromáticas, por outro lado, carteiras e pinturas. O que pode dizer-nos sobre esta variada gama de produtos?
A variedade da gama disponível na loja Algarve Lovers não foi pensada somente para o cliente estrangeiro, mas e também para os visitantes nacionais que procuram conhecer mais desta região e apreciam produtos tanto gastronómicos como culturais.

A Algarve Lovers nasceu no passado dia 7 de novembro. O que motivou a criação deste projeto pelas mãos da própria Raquel Azevedo? Como idealiza o ano de 2016 deste novo espaço?
A minha primeira motivação foi a vontade de “fazer”, de criar algo que pudesse desenvolver, visto que estava desempregada há algum tempo e senti que não podia ficar mais tempo parada, apesar do momento económico não ser o melhor.
Motivou-me o facto de criar um local diferente e que, acredito, pode trazer mais-valias à cidade e ao turismo de Faro.
Não só idealizo como vejo em 2016 a loja Algarve Lovers tornar-se uma referência, não só para os visitantes estrangeiros, mas também para os clientes nacionais e locais.

De que modo este projeto empreendedor mostra à sociedade que é possível ser mulher e estar à frente da sua própria aventura?
É sempre possível ser-se mulher e estar à frente de este ou outro projeto quando se têm algumas valências comercias e de gestão, mas acima de tudo coragem, espírito de iniciativa e de muito trabalho.

A liderança feminina continua, na sua opinião, a ser um percurso com alguns obstáculos? Que conselho deixaria a mulheres que pretendam combater tabus e liderar o próprio destino profissional?
Penso que já houve algumas melhorias a esse nível, mas ainda existe um caminho a percorrer nesse campo.
Como exemplo básico, ainda existem diferenças salariais em alguns setores entre homens e mulheres, como é do conhecimento geral, mas os obstáculos muitas vezes não passam somente pela questão financeira, mas cultural das próprias empresas e de quem as lidera.
Prefiro a palavra sugestão do que propriamente conselho, mas as minhas sugestões são muitos simples: coragem, espirito de iniciativa, organização e muito…muito trabalho.

Para os ‘Algarve Lovers’ que se apaixonem pelos artigos deste espaço, têm sempre a possibilidade de encomendar via Internet, através da página facebook.com/loja.algarvelovers. Quando não vai ao Algarve, o Algarve vem sempre até si!

Atenção! A Opera Buffa vai actuar

Paula Sepúlveda e Bárbara Maia

“O mundo não será feliz a não ser que todos os homens tenham alma de artista. Só assim conseguirão tirar prazer do seu trabalho”. Auguste Rodin, considerado o progenitor da escultura moderna, definiu o artista com a sabedoria que só um vanguardista conseguiria fazer. E é de prazer no trabalho que aqui se fala com Paula Sepúlveda, empresária, bailarina de coração, e uma entusiasta por natureza. É impossível não se deixar envolver nesta paixão pelo mundo das artes. Quem a ouve sente, de imediato uma convicção: não foi Paula Sepúlveda que escolheu a dança, foi a dança que a escolheu.

Desde pequena que sentiu que este seria o seu caminho. Apesar de ser de uma família tradicional, os laços às artes já estavam presentes na mãe (que fez teatro) e em duas tias, uma pintora e outra também bailarina, e foi um pouco atrás desta que a actual Directora Geral e Produtora Executiva foi fazendo o seu percurso. Estudou Dança Clássica, Contemporânea e Flamenco, foi professora durante 30 anos, e a ligação à empresa que “canta, dança, encanta e perdura muito para além dos seus espectáculos” aconteceu também no contexto da dança, quando Paula Sepúlveda se cruzou com António Simões de Almeida. No restaurante Bianca Fiore, um espaço que aliava a gastronomia à ópera com a actuação dos Singing Waiters- “garçons cantores”, uma moda muito presente noutros países, o irmão do empresário e também sócio da empresa, João Inácio Almeida, sugeriu para sócia a que outrora fora professora no Hotel da Lapa (também da propriedade do irmão), onde acabou por produzir alguns eventos. A professora passou a empresária, organizando eventos de tirar o fôlego.

West Side Story
West Side Story

É exactamente a isso que se propõe a Opera Buffa. Optando por profissionais já com muitas “cartas” dadas no mundo das artes e que se cruzaram no seu caminho, não desvalorizando a importância de contar com a colaboração de jovens talentos, esta equipa dinâmica e versátil, acima de tudo, surpreende, criando um espírito de alta cumplicidade e proximidade com os espectadores.

Perante o cliente há sempre uma preocupação, tal como explicou Paula Sepúlveda: “desde o início que tentamos perceber o cliente, a festa que ele quer dar, o que nem sempre é fácil uma vez que trabalhamos muito através de agências. Mas queremos sempre sentir o cliente, entendê-lo”. E é com essa pesquisa que se tenta descortinar que público se terá pela frente e é também aqui que entra a sensibilidade artística que deve fazer parte do ADN dos promotores da Opera Buffa. Por vezes a festa que o cliente imagina jamais terá os resultados por ele expectados e é aí que esta equipa terá de trabalhar, tendo ou não receptividade do outro lado. “Daí a importância dos colaboradores porque eles têm que saber muito e estar convictos do que dizem. Nunca vão conseguir persuadir ninguém se eles próprios não acreditarem”, evidenciou a ex-bailarina. Assim, na Opera Buffa, além de todos terem de vestir a camisola, é exigida, em primeiro lugar, qualidade artística. “Procuramos novos talentos e damos oportunidade aos mais novos mas, a grande maioria são artistas seniores, com experiência, plenamente reconhecidos no mundo do espectáculo”, descreveu Paula Sepúlveda. Além destes critérios, há outra característica que nunca, em momento algum, pode falhar: a palavra dada. “Tenho de confiar plenamente na pessoa. Se assim não for, não há trabalho possível”, evidenciou.opera buffa
Etapa seguinte: surpreender o público. Assumindo uma certa aversão a “coisas muito programadas”, Paula Sepúlveda está muito habituada à liberdade para criar. Já dizia Albert Camus, “sem liberdade não há arte”. “O improviso é a alma do artista e o free jazz, por exemplo, é exactamente isso. São pessoas com química entre elas que vão evoluindo juntas”, descreveu a artista. E é assim que se quereria que o mundo das artes fosse: livre e desprovido de programações. Daí que Paula Sepúlveda seja exímia quando diz que “a arte não deveria ser comercializada, é anti-natura e anti-artístico”. Mas como, à partida, ninguém consegue viver do ar, este tem de ser o caminho. “Eu seria mesmo feliz se não fosse preciso cobrar nada mas, o mundo em que vivemos não permite que os artistas sejam assim tão livres”, concluiu.

Ser mulher no mundo das artes e dos negócios

Paula Sepúlveda sabe assumir posições já desde que os pais lhe diziam que a dança deveria ser apenas um hobby. A paixão corria-lhe no sangue e era na dança que seria feliz. “Não havia nada de que eu gostasse mais e quanto mais me contrariassem mais vontade tinha”, relembrou. Esta perseverança continua até hoje. Daí que, quando lhe perguntamos se nalgum momento da sua carreira sentiu que, pelo facto de ser mulher, algum objectivo ficou por cumprir, a resposta tenha chegado com a mesma determinação que a caracteriza. “É muito difícil sentir-me intimidada. Fazer da dança uma profissão foi complicado mas era só isto que eu queria fazer e no mundo da dança ser mulher é mais fácil do que ser homem”, defendeu, não esquecendo que, a nível sexual, uma bailarina continua a viver momentos com os quais é mais complicado lidar, tendo muitas vezes que experienciar situações de assédio.

Como bailarina, Paula Sepúlveda também sentiu algumas dificuldades em implementar-se no mundo da ópera mas hoje há uma dinâmica que outrora não existia. “Foi sobretudo complicado que os cantores de ópera entendessem a minha noção de trabalho e de espectáculo e aceitassem as minhas directrizes, não por ser homem ou mulher mas por ser bailarina. Nós falamos com o corpo, também estudamos música (não com a mesma profundidade) e, em questões de ritmo, nem discutam. No entanto, já perceberam que os espectáculos e eles próprios ganham muito com esta conjugação”, defendeu.

Enquanto empresária esta distinção entre homem e mulher também se tem tornado evidente, sobretudo perante clientes que nem sempre reconhecem os conhecimentos e o valor da pessoa com quem estão a selar um negócio. “Apesar de o mundo da organização de eventos ser dominado, essencialmente, por mulheres, já ouvi coisas inacreditáveis”, retorquiu a responsável.

Mas nada disso a desanima. Pelo contrário. Orgulhosa do seu percurso, Paula Sepúlveda já passou por imensas circunstâncias a nível artístico que a completaram enquanto profissional. “Penso que o mundo não tem muito mais para me dar. Mas o que é que eu ainda poderei dar ao mundo?”, questionou. Dar uma dimensão maior à Opera Buffa poderia ser um objectivo para o futuro mas, Paula Sepúlveda não segue esse raciocínio. “Da forma como faço a gestão da empresa e de acordo com aquilo que exijo de todos, não era possível que a Opera Buffa fosse uma imensa máquina de fazer eventos porque isso iria completamente contra o nosso espírito”, explicou. Admitindo não ter a mesma energia que outrora a caracterizava, Paula Sepúlveda acredita que a aposta poderá passar pela procura daquilo a que chamou de “sangue novo”, uma aposta que já está a dar os seus frutos. Bárbara Dias surgiu na vida de Paula Sepúlveda por acaso. Se inicialmente pensava que seria mais uma colaboradora, rapidamente essa ideia se desvaneceu. Conhecendo-a há sensivelmente um mês, é nela que a actual Produtora Executiva da Opera Buffa está a depositar total confiança para que a jovem possa seguir as suas passadas e continue a fazer com que esta empresa se eternize por proporcionar momentos que ficam registados na memória.

Cantores Líricos / SingingWaiters
Com cantores, nesta vertente, considerados dos melhores no panorama nacional, a actuação poderá ser feita de forma consecutiva ou durante o evento, com pausas e circulando entre os convidados. Sendo sempre feita uma pequena representação do tema, o repertório pode variar entre árias, duetos, trios ou quartetos de ópera, napolitanas, músicas de filmes, musicais, fado, entre outros.

Fado e Canções Napolitanas
“A actuação consta de algumas canções napolitanas ou outras peças corais em fusão com o fado e de alguns fados canção, fado lírico e fado em fusão com o Bel Canto, tentando transformar os fados em canções algo mais eruditas e dar às napolitanas um toque português. Conta com a participação de uma fadista, cantores líricos, guitarra portuguesa, viola de fado, piano, violino e percussão”.

Musicais da Broadway
O resumo de um musical no final dum evento ou, com pausas entre o serviço de catering e com os cantores a circular entre os convidados devidamente caracterizados, destacando-se entre os musicais escolhidos: Cat’s, West Side Story, Fantasma da Ópera, Música no Coração, Cabaret ou My Fair Lady.

Música clássica
Todo o tipo de instrumentos de orquestra em variadas combinações, como violinos, violoncelos, harpa, flauta, com actuações a solo, duo, trio ou quarteto e com um repertório que pode variar entre música clássica, música tradicional de Leste, música portuguesa, ligeira, etc.

Danças de salão/latinas/afro
Tais como Valsa, Tango, Cha-cha-cha, Polca, Quickstep, Charleston, Foxtrot, Salsa, Bolero, Rumba, Paso-Doble ou Jive.

Fado/Guitarra Portuguesa
Pode ser acompanhado por violino, violoncelo e até por orquestra, mas não dispensa a sonoridade da guitarra portuguesa.

Todas as áreas de atuação:
Cantores Líricos/Singing Waiters; Fado e canções napolitanas; Musicais da Broadway; Coros de música sacra e gregoriana; Música Clássica; Flamenco/Sevilhanas; Danças de Salão/Latinas/Afro; Fado/Guitarra Portuguesa; Música Francesa; Bandas; Disc-Jockey’s; Jazz; Acordeão; Danças do Ventre; Música e Danças Barrocas; Dança Clássica; Dança Contemporânea; Dança Hip-Hop/Break; Gaita de Foles; Mimos; Mágicos; Tunas Académicas; Música e Dança Celta; Espirituais Negros (Gospel); Caricaturistas; Yoga do riso; Decoradores (é possível criar o ambiente que o cliente desejar); Equipamentos e Técnicos de Som, Luz e Audiovisuais (com áudio, luzes, leds, plasmas, projectores ou outros, esta equipa pretende fazer a diferença).

NOTA: Por escolha da entrevistada, este texto não foi escrito segundo as normas do “suposto (des)acordo ortográfico”.

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