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“A nossa aposta é na inovação”

A Contraven é líder de mercado na aplicação de betão leve. Como é que se alcança um lugar de alto destaque num mercado tão difícil como é o caso do setor da construção?

A Contraven iniciou a sua atividade há 20 anos com a aplicação de betão leve à base de poliestireno. Num mercado onde este tipo de soluções eram praticamente inexistentes, houve um trabalho intensivo no sentido de divulgar as vantagens destas soluções face às convencionais. O facto de termos sido pioneiros foi um fator determinante, no entanto é certo que o nosso foco no desenvolvimento de novas formulações, de forma a satisfazer as várias necessidades do mercado foi igualmente indispensável. No decurso da nossa atividade e quando ainda estavam a iniciar-se os passos na indústria da reciclagem, a Contraven desenvolveu soluções capazes de incorporar esferovite reciclado. Um resíduo extremamente problemático devido ao seu volume e por inexistência de afetação em novos produtos. Aliada ao desenvolvimento das formulações próprias desenvolvemos os nossos próprios equipamentos, como é o caso das máquinas MMBL, capazes de assegurar o cumprimento dos requisitos das atuais cinco soluções em betão leve: Betcel®, Betespuma®, Betnível®, Betforma® e Betfloor®. Passados 20 anos a Contraven é muito mais do que o betão leve, devido à nossa vontade constante de superar as dificuldades de um  tão exigente e competitivo.

Já se encontram em Portugal, Angola, Moçambique e Brasil. É possível estabelecer as principais diferenças que afastam este país na vossa área de atuação?

Apesar do denominador comum destes países, certo é que as questões económicas não poderiam ser mais díspares, o que levou a que a nossa abordagem fosse também ela diferenciada.

Em Angola a abordagem passou pela criação de uma empresa de capital 100% português. Na altura estávamos perante uma economia emergente, mas com inúmeras condicionantes a nível de infraestruturas e capacitação da mão-de-obra. Passados 12 anos a evolução está à vista e, apesar da grave crise que o país atravessou, a indústria angolana é neste momento uma realidade e caminha a passos largos no sentido da diversificação. Ao longo deste 12 anos edificamos em Angola uma unidade industrial de geotêxtil, outra de poliestireno e uma confeção de têxtil-lar, para além dos serviços técnicos de construção.

A economia brasileira na altura encontrava-se em franco crescimento, mas estávamos perante uma economia num estado de desenvolvimento já avançado. Como tal, apostamos no estabelecimento de parceria com uma empresa brasileira capaz de desenvolver a área dos betões leves, implementando todo o know-how da Contraven, desde os equipamentos, à reciclagem e aplicação das nossas formulações. A área das resinas já é uma indústria amadurecida no brasil, pelo que não foi política da empresa reforço das marcas próprias Confloor® e Conwall®. No Brasil o processo passa por fomentar a adoção de novas técnicas construtivas incluindo o betão leve à base de poliestireno, à semelhança do que foi feito em Portugal.

Em Moçambique estamos perante um país com algumas semelhanças culturais a Angola, mas uma economia mais pequena e ritmo de crescimento mais gradual, pelo que a nossa presença no mercado tem uma expressão pouco significativa.

Por outro lado, que semelhanças os aproximam? A língua enquanto fator comum é um facilitador na hora de realizar negócios?

O principal elemento unificador é de facto a língua, fator que consideramos ter um grande impacto no sucesso das empresas portuguesas nesses países. A herança histórica e a presença portuguesa é significativa, o que se reflete numa afinidade intrínseca da população em geral e revela-se um ponto de partida favorável ao desenvolvimento de negócios.

Um dos objetivos traçados pela CPLP é o fortalecimento dos fluxos comerciais entre os países e enfoque nos desafios e oportunidades. Enquanto empresária sente esta realidade?

A Contraven é uma PME de cariz familiar, tendo o seu percurso de internacionalização sido levado acabo por iniciativa e recursos próprios. Reconhecemos no entanto, que as iniciativas desenvolvidas pela CPLP promovem o reforço dos vínculos culturais e preservação da história comum a estes países, o que é um elemento facilitador das relações negociais entre os mesmos.

Ao longo de 18 anos de existência a inovação mostrou-se ser uma palavra latente na vossa existência. Que planos estão neste momento em curso e que merecem destaque?

A nossa aposta sempre foi na inovação, seja pela introdução de novos produtos ou abordagem de novos mercados. Neste momento, as nossas ações estão focadas na área do betão leve no desenvolvimento de técnicas de aplicação mais eficientes e equipamentos tecnologicamente mais avançados, capazes de fazer face à realidade da mão-de-obra disponível nos mercados amadurecidos. No que concerne aos revestimentos resinosos manteremos a nossa aposta no desenvolvimento de formulações capazes de satisfazer os requisitos técnicos cada vez mais exigentes dos acabamentos. A grande aposta passará pela diversificação de mercados, sempre com foco nos países da CPLP.

Brasil: Jair Bolsonaro eleito Presidente com mais de 55% dos votos

© Reuters

informação foi divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral, com o escrutínio provisório (99,99% das urnas apuradas) a apontar para 21% de abstenção do total de eleitores inscritos (mais de 147,3 milhões).

“Somos declarados vencedores desse pleito, seguindo ensinamento de Deus”, disse Jair Bolsonaro, no primeiro discurso depois de ser eleito 38.º Presidente da República Federativa do Brasil na noite de domingo, através de um vídeo partilhado na sua página do Facebook.

O capitão do Exército na reserva, candidato pelo Partido Social Liberal (PSL), afirmou que existem “condições de governabilidade” e agradeceu ao povo brasileiro, a quem apelou “vamos juntos cumprir a nossa missão”.

“Vamos juntos mudar o destino do Brasil”, apelou, na mesma intervenção.

Mais tarde, numa declaração à imprensa à porta da sua casa, no Rio de Janeiro, prometeu que o seu Governo “será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade”.

Defensor da ditadura militar — regime que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985 -, Jair Messias Bolsonaro nasceu a 21 de março de 1955 (63 anos) e iniciou a carreira política como uma figura caricata de posições extremas e discursos agressivos em defesa da autoridade do Estado e dos valores da família cristã.

Chamado de “mito” e “herói” pelos seus apoiantes e de “perigo à democracia” por críticos e adversários, Jair Bolsonaro está na política brasileira há 28 anos e foi eleito deputado (membro da câmara baixa) sete vezes consecutivas, mas sem nunca ter ocupado um cargo importante no Parlamento.

Bolsonaro ganhou notoriedade nos últimos anos e transformou-se num líder capaz de mobilizar milhares de eleitores desiludidos com a mais severa recessão económica da história do Brasil, que eclodiu entre os anos de 2015 e 2016, ao mesmo tempo em que as lideranças políticas tradicionais do país têm sido envolvidas em escândalos de corrupção.

O candidato presidencial do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda), Fernando Haddad, afirmou na noite de domingo, após serem conhecidos os resultados que evidenciavam a sua derrota, que os mais de 45 milhões de eleitores que votaram na sua candidatura presidencial, “têm outro projeto de Brasil na cabeça” e apelou à “coragem” do povo nos próximos quatro anos.

“Talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora. Eu coloco a minha vida à disposição deste país, tenho a certeza que falo por milhões de pessoas”, afirmou Haddad, numa intervenção de cerca de oito minutos, durante a qual nunca se referiu Jair Bolsonaro.

“A soberania nacional e a democracia como nós a entendemos é um valor que está acima de todos nós. Nós temos uma nação, nós temos que defendê-la daqueles que de forma desrespeitosa pretendem usurpar o nosso património, o património do povo brasileiro”, disse ainda Fernando Haddad.

O eurodeputado João Pimenta Lopes, que esteve na sede candidatura de Haddad no Brasil, na noite de domingo, disse que “o ambiente é de não baixar os braços, de afirmar a grande importância deste resultado [do candidato Fernando Haddad], como uma forma também de dizer que estarão presentes e que seguirão num processo de resistência”,

O Presidente brasileiro ainda em funções, Michel Temer, mostrou-se convicto de que o seu sucessor, Jair Bolsonaro, “fará um governo de paz e harmonia” que o Brasil precisa.

“Tenho a convicção de que o Presidente eleito fará um governo de muita paz e harmonia que é o que o nosso país necessita”, disse Temer numa conferência de imprensa no Palácio do Planalto, sede da Presidência da República.

Temer afirmou já ter cumprimentado o Presidente eleito e que percebeu, através do seu entusiasmo e das declarações que Bolsonaro já fez ao país, que “busca a unidade, a pacificação e harmonia do país que seguramente todos desejam”.

Jair Bolsonaro venceu as eleições também com os votos da maioria da comunidade emigrante brasileira.

Em Portugal, o candidato da extrema-direita ganhou com larga maioria em Lisboa e no Porto, faltando ainda contar os resultados do consulado de Faro.

Mal foi anunciada a vitória de Bolsonaro, as reações de líderes da América e de alguns países da Europa não se fizeram esperar.

O chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, telefonou ao recém-eleito Presidente do Brasil para o felicitar pela vitória nas eleições de domingo.

“Recebemos há pouco ligação do Presidente dos EUA, @realDonaldTrump nos parabenizando por esta eleição histórica!”, escreveu Bolsonaro na plataforma de microblogues Twitter.

“Manifestamos o desejo de aproximar ainda mais estas duas grandes nações e avançarmos no caminho da liberdade e prosperidade”, lê-se no mesmo ‘tweet’.

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, também felicitou Jair Bolsonaro pela sua vitória nas eleições presidenciais do Brasil, e apelou à retoma das “relações diplomáticas de respeito e harmonia” entre os dois países vizinhos.

O Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou no domingo uma “mensagem de felicitações” a Jair Bolsonaro, na qual se referiu aos “laços de fraternidade” bilaterais e à “significativa comunidade de portugueses e lusodescendentes residentes no Brasil, bem como à cada vez mais importante comunidade brasileira” em Portugal.

O primeiro-ministro, António Costa, cumprimentou, em nome do Governo português, o Presidente eleito do Brasil, salientando a relação bilateral “intemporal” entre os dois países, assente numa língua comum” e “fortes laços históricos”.

Chile, Argentina, Paraguai e Perú congratularam-se com a vitória de Bolsonaro, bem como Itália e Espanha.

O juiz federal brasileiro Sérgio Moro, responsável pela prisão do ex-Presidente Lula da Silva (PT), também felicitou Jair Bolsonaro pela sua vitória nas eleições presidenciais e defendeu a necessidade de reformas na economia e administração pública.

“Encerradas as eleições, cabe congratular o Presidente eleito e desejar que faça um bom Governo”, disse Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato, citado pelo jornal brasileiro O Estado de São Paulo.

Apesar de a extrema-direita brasileira ter vencido as presidenciais, os partidos de esquerda saíram reforçados nas eleições para os governos regionais, conquistando mandatos em nove dos 27 estados do Brasil.

Fundado pelo ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), atualmente preso e condenado a 12 anos de prisão por corrupção, o PT conseguiu quatro governados, o maior número de mandatos regionais obtidos por uma formação política e o Partido Socialista do Brasil (PSB) ganhou em três estados.

O PT venceu na Bahía, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, estados do nordeste de Brasil, a região mais pobre do país onde está fortemente implantado o “petismo”, mas perdeu o Acre, um dos seus mais antigos redutos eleitorais, bem como o governo de Minas Gerais.

LUSA

Eleições: 40 mil eleitores brasileiros podem votar em Portugal no domingo

© iStock

No total, são mais 10 mil recenseados do que em 2014. Em 2014, últimas eleições presidenciais no Brasil, Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores/PT), que procurava a reeleição, Marina Silva (Partido Socialista Brasileiro/PSB) e Aécio Neves (Partido da Social Democracia Brasileira/PSDB) eram os principais candidatos à Presidência do Brasil.

No próximo dia 7 de outubro, um total de 147,3 milhões de brasileiros são chamados a votar para as eleições gerais no país. Fernando Haddad, do PT, e Jair Bolsonaro, que encabeça o Partido Social Liberal (PSL, extrema-direita) estão na liderança das sondagens e devem passar à segunda volta, segundo as últimas sondagens.

Numa eleição polarizada entre um candidato da esquerda e outro da extrema-direita, os restantes candidatos seguem bem abaixo nas intenções de voto dos brasileiros.

Ciro Gomes, que encabeça o Partido Democrático Trabalhista (PDT), surge em terceiro, tecnicamente empatado com Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Marina Silva (Rede) regista o menor número de intenções de voto.

A primeira volta das eleições Presidenciais está marcada para dia 07 de outubro, a segunda decorrerá a 28 deste mês.

Dos 40 mil brasileiros que podem votar em Portugal, 21.195 votam em Lisboa. Na Faculdade de Direito de Lisboa, na Alameda universitária, vão estar disponíveis 27 secções eleitorais.

Em 2014, na jurisdição eleitoral do Consulado-Geral em Lisboa, estavam recenseados 17.286 eleitores.

No Porto, o número de eleitores registados também aumentou de 12.374, em 2014, para 15.000 aptos a votar nas presidenciais do próximo domingo.

Para estes eleitores, o local para votarem é o Hotel HF Ipanema Porto, na rua do Campo Alegre, 156, onde estão instaladas 19 secções de voto.

O número de eleitores brasileiros que está sob a jurisdição eleitoral do Consulado-Geral em Faro mais do que duplicou dos 1.250 registados em 2014 para 3.623 recenseados para estas eleições.

Para estes últimos, o local de votação é nas instalações do próprio Consulado-geral do Brasil em Faro, na Rua da Misericórdia, 60, onde estarão instaladas as 5 secções de voto.

Em 2017, segundo o relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo, do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, residiam em Portugal 80.426 brasileiros, sendo a comunidade de imigrantes com maior expressão no país.

A primeira volta das eleições presidenciais do Brasil acontece no dia 07 de outubro. Se nenhum candidato atingir a marca de 50% dos votos válidos, haverá uma segunda volta com os dois primeiros colocados, marcada para o dia 28 do mesmo mês.

LUSA

Governo do Brasil anuncia plano de recuperação do Museu Nacional

Em comunicado publicado ‘online’, o Governo anunciou que irá formar um comité executivo para a recuperação do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e aplicar 15 milhões de reais (cerca de três milhões de euros) no projeto.

O incêndio ocorrido no domingo não provocou vítimas, mas destruiu grande parte do acervo do maior museu de História Natural e Antropologia da América Latina, cujo edifício tinha sido residência da família real e imperial brasileira.

Segundo o comunicado, do valor destinado à recuperação, dois terços irão para a segurança do local, reforço das estruturas e da contenção e resgate de parte do acervo, e o restante para a criação de um projeto executivo de restauração da entidade.

De acordo com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o plano divide-se em quatro etapas: a primeira é a proteção da estrutura física do museu e do acervo, onde estão a ser identificadas as obras e peças que ainda podem ser resgatadas.

A segunda etapa será a elaboração do projeto básico, e do projeto executivo para a reconstrução do museu e dos equipamentos necessários para a obra, que poderá ter a participação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês).

Após a conclusão desses projetos, será realizada a obra de recuperação em si, acrescenta a nota oficial.

O Presidente do Brasil, Michel Temer, entrou em contacto com bancos e empresas privadas, que já sinalizaram o interesse em patrocinar a reconstrução.

“Considerando a Lei Rouanet [lei de apoio à cultura no Brasil que incentiva o mecenato] como uma fonte de apoio ao museu, com apoio de outras entidades e parceiros como doadores, estamos procurando aumentar as condições de recuperarmos, com a maior brevidade, o nosso Museu”, indica o comunicado, citando o ministro da Educação, Rossieli Soares.

No Brasil, há mais de 3.700 museus, sendo que destes, 456 são museus federais, descreve o portal do Governo.

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, foi fundado por João VI, de Portugal, e era o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil.

Entre as peças do acervo estavam a coleção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador Pedro I, e o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil, batizado de “Luzia”, com cerca de 11.000 anos.

Entre os milhões de peças que retratavam os 200 anos de história brasileira estavam igualmente um diário da imperatriz Leopoldina, e um trono do Reino de Daomé, dado em 1811 ao príncipe regente João VI.

Por seu turno, o ministro português da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, que se encontra no Rio de Janeiro em visita oficial, afirmou, na segunda-feira que a destruição no museu foi “uma perda irreparável”.

“Estamos consternadíssimos. Nós sentimos também essa perda porque era um acervo importantíssimo da história natural do país, da sociedade brasileira e também da história política, sendo este o palácio onde o rei de Portugal se veio instalar quando levou a corte para o Brasil. É um monumento muito importante para a história dos dois países”, constatou o ministro à chegada ao Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, onde iria abrir o 9.º colóquio do polo de pesquisas luso-brasileiras.

Em janeiro de 2015, este museu chegou a estar fechado ao público devido a “problemas com os serviços de vigilância e limpeza”, relacionados com o atraso de meses no pagamento, e os funcionários de limpeza também fizeram uma paralisação por falta de pagamento dos salários, noticiou a imprensa local, na altura.

A história do museu remonta aos tempos da fundação do Museu Real por João VI, em 1818, cujo principal objetivo era propagar o conhecimento e o estudo das ciências naturais em terras brasileiras. Hoje, era reconhecido como um dos principais centros de pesquisa em história natural e antropológica, na América Latina.

LUSA

Incêndio no Museu Nacional do Rio apaga 200 anos de História

Este incêndio, que não causou vítimas, destruiu o arquivo histórico do museu onde eram guardados 200 anos de história do país.

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, afirmou que um contrato de revitalização do Museu Nacional foi assinado em junho, mas não houve tempo para que o projeto pudesse acontecer e para que a “tragédia” fosse evitada.

As imagens do incêndio de grandes dimensões são agora partilhadas nas redes sociais, onde os internautas lamentam a tragédia.

Brasil: Pesticidas estão a envenenar quem vive no campo

relatório, denominado “Você não quer mais respirar veneno”, destacou danos causados em sete comunidades rurais do Brasil, incluindo comunidades agrícolas, comunidades indígenas, quilombolas (comunidades afro-brasileiras) e escolas rurais em diferentes estados do país.

Segundo a HRW, os casos de exposição de agrotóxicos no Brasil geralmente ocorrem quando o pesticida é despejado fora do alvo ou quando se evapora e atinge as áreas adjacentes nos dias após a pulverização.

“Pesticidas pulverizados em grandes plantações envenenam crianças nas suas salas de aula e aldeões nos seus quintais por todo o Brasil rural”, frisou Richard Pearshouse, autor do estudo e um dos responsáveis do setor de meio ambiente e direitos humanos da HRW.

“As autoridades brasileiras precisam de impedir essa exposição tóxica e garantir a segurança daqueles que falam contra os danos que os pesticidas causam às suas famílias e comunidades”, acrescentou o investigador.

Além dos problemas de saúde, muitos moradores de comunidades rurais têm sido ameaçados e temem represálias de fazendeiros se denunciarem os casos de envenenamento.

Membros de cinco das sete comunidades visitadas pela HRW durante a realização do relatório disseram ter recebido ameaças ou que temiam retaliações se relatassem que acreditavam terem sido vítimas de algum tipo de envenenamento.

Um dos casos citados aconteceu em maio de 2013, quando um avião pulverizou pesticidas sobre a escola São José do Pontal, no assentamento rural Pontal dos Buritis, em Rio Verde, no estado brasileiro Goiás, envenenando cerca de 90 crianças e adultos.

Os estudantes afetados permaneceram no hospital por alguns dias com sintomas que variaram de tontura, diarreia, dores de cabeça severas a problemas de pele, fígado, rins e respiração.

“O professor da escola, no momento da pulverização, que exigiu assistência médica para os afetados e controlos mais rigorosos de pesticidas no município, disse à Human Rights Watch que recebeu inúmeras ameaças”, relatou a ONG.

Além do desconforto sentido pela população ao ter contacto com os agrotóxicos, o estudo lembra que a exposição crónica a este tipo de produto, inclusive com baixas doses, está associada à infertilidade, impactos negativos no desenvolvimento fetal, câncer e outros efeitos graves para a saúde.

Por isso, a HRW frisou que “o Brasil não deve permitir a pulverização de pesticidas de aviões sobre casas de pessoas ou de tratores ao lado de janelas de salas de aula. Por uma questão de urgência, o Brasil deve impor uma moratória na pulverização aérea e criar uma zona de amortecimento para pulverização de solo próximo a locais sensíveis”.

O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. As vendas anuais atingem os 10 mil milhões de dólares (8,5 mil milhões de euros).

Em 2014, cerca de 1,5 milhões de toneladas foram vendidas para compradores brasileiros, dado que indica o uso de cerca de 7,5 quilos de pesticidas por pessoa no Brasil a cada ano.

Nos próximos meses, o Congresso do país votará um projeto de lei que pode enfraquecer ainda mais a regulação do uso de pesticidas.

Uma comissão parlamentar especial aprovou um projeto que reduz substancialmente o papel de fiscalização dos Ministérios da Saúde, Meio Ambiente, e de as agências com experiência em detetar os impactos causados pelo uso de pesticidas.

O projeto também propõe a substituição do termo legal agrotóxicos por produtos fitossanitários.

“Em vez de enfraquecer as leis, o Brasil precisa de controlos mais rígidos e de um plano de ação nacional para reduzir o uso dos pesticidas”, criticou Richard Pearshouse.

“O Congresso deveria votar contra a atual lei e, em vez disso, pedir aos ministérios relevantes que realizem uma revisão nacional dos principais impactos dos pesticidas na saúde humana e no meio ambiente”, concluiu o especialista da HRW.

LUSA

Brasil: Transexual expulsa de casa de banho feminina

Aconteceu na noite da passada terça-feira. Dany Coluty, transsexual, fez o que diz fazer desde criança: usou a casa de banho pública feminina, em Araruama, no Brasil. Nessa noite, porém, tudo foi diferente. Dany alega ter sido retirada da casa de banho e algemada pela guarda civil da cidade. É a própria que denuncia a situação e partilha, nas redes sociais, um vídeo onde é possível ver três guardas (dois homens e uma mulher) a expulsarem-na da casa de banho.

“Fui à casa de banho que sempre usei desde criança. Uma guarda municipal veio falar comigo com um tom arrogante, Pediu para eu me retirar e que o meu lugar era na casa de banho masculina”, conta à imprensa brasileira.

Como Dany se recusou a acatar a ordem, “chegou um guarda com um tom agressivo, tentando agredir-me”, relata, acrescentando: “Disse que aquele não era o meu lugar e que se não saísse a bem, saía a mal”.

Dany diz ter-se sentido “humilhada”. Conta que a praça estava cheia de gente, algumas pessoas tentaram defendê-la. “Levaram-me para a esquadra como se fosse uma criminosa. Nunca me senti tão constrangida e humilhada”, confessa.

Segundo a secretaria de Segurança, Ordem Pública e Defesa Civil de Araruama, foi aberto um processo para apurar os fatos. Dany foi multada por desacatar os guardas civis e, sublinha a mesma secretaria, “cabe esclarecer que a Guarda Civil de Araruama preza pela igualdade de direitos, repudiando qualquer tipo de ato discriminatório”.

Embaixada do Brasil em Lisboa com protesto pela “defesa da democracia brasileira”

Desde o palco de uma carrinha de som da CGTP ecoaram canções de protesto e palavras de ordem, enquanto uma faixa do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), “Solidariedade com o povo brasileiro. Pela democracia no Brasil” encabeçava o protesto.

Esta iniciativa foi organizada no seguimento de uma iniciativa do CPPC na sexta-feira também frente à embaixada brasileira e quando foi confirmada a ordem de prisão do antigo Presidente Lula da Silva dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT).

Nesse protesto, e que mobilizou algumas dezenas de pessoas, foi entregue um manifesto na embaixada que “repudia o golpe institucional”, expressa “viva solidariedade ao povo irmão brasileiro e à sua luta para salvaguardar os direitos e garantias democráticas” e apela à resistência “a um poder crescentemente repressivo e autoritário”.

Hoje, a adesão foi superior, e o manifesto foi lido perante mais de 100 pessoas, enquanto subiam ao palco, para breves intervenções, representantes de alguns dos 44 atuais subscritores: Filipe Ferreira do CPPC, Solange Pereira da Juventude Operária Católica (JOC), Rita Rato, deputada do PCP, Pedro Noronha, da Associação de amizade Portugal-Cuba, Kaoê Rodrigues, de uma associação de estudantes da Universidade Nova, Joaquim Correia do partido Os Verdes, Evones Santos, coordenadora do PT brasileiro em Lisboa, e Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP.

“Queremos manifestar a nossa solidariedade com o povo brasileiro, que neste momento luta contra um golpe imposto pela extrema-direita e com Lula da Silva, que está claramente a ser um preso político no Brasil”, disse em declarações à Lusa o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, antes de subir à tribuna para condenar a prisão de Lula.

O líder da CGTP prometeu prosseguir a cooperação com as centrais sindicais do Brasil, com quem mantém relações próximas.

“O que está aqui em causa é um ataque à liberdade, à democracia, a direitos fundamentais do povo brasileiro, e também à política e os políticos. Mas é também um ataque aos direitos dos trabalhadores e ao movimento sindical”, assinalou.

“Esta ofensiva visa não só impedir que Lula se candidate, mas também procurar atacar direitos dos trabalhadores e a intervenção do movimento sindical enquanto elemento fundamental para a afirmação dos direitos dos trabalhadores, mas também da liberdade e democracia”, prosseguiu Arménio Carlos, para reclamar ainda a possibilidade de Lula se candidatar às próximas eleições presidenciais e “deixar no povo a decisão sobre o que deve ser o futuro do Brasil”.

Os discursos prosseguiam durante a concentração, entrecortados por palavras de ordem: “Fora Temer, Lula Livre”, “Democracia de novo com a força do povo”, Somos muitos, muitos mil, solidários com Brasil”, Fascistas, golpistas, não passarão” foram frases que ecoaram enquanto desfilavam os discursos.

Com uma bandeira do PT na mão e um cartaz de protesto colado ao corpo, Marcos Pinheiro, brasileiro, professor do ensino básico e secundário e em Portugal há 29 anos, também respondeu à chamada.

“O que me traz aqui hoje é defender Lula, o maior Presidente da história do Brasil, as injustiças cometidas pela expulsão de Dilma Rousseff e o erro arbitrário de um julgamento sem provas”, afirmou à Lusa.

Um Presidente que “trouxe a educação e tirou a fome de milhões e milhões e milhões de brasileiros”, afirma com convicção. “Temos de ter gratidão e respeito por esse Presidente”.

E mesmo que admita alguns erros nas “alianças” promovidas pelo PT no poder e que o “prejudicaram”, considera que a eleição de Lula significaria o regresso da “estabilidade” ao Brasil.

“É um homem de reconhecimento mundial, de uma força absoluta, com dignidade, e que pensa no povo do Brasil”, vincou.

Uma opinião em parte partilhada por Miriam Andrade Guimarães, também brasileira, professora universitária da universidade federal do Rio de Janeiro e que completa um doutoramento em Portugal na área da Educação.

“Estou aqui revoltada, desde 2003 com todas as forças populares apoiando o governo do PT, a burguesia brasileira não segurou a onda de perder por quatro vezes as eleições no Brasil”, sustenta, segurando com as duas mãos a bandeira vermelha do partido de Lula e Dilma.

Miriam considera que o “golpe” que afastou Dilma Rousseff do poder, a sucessora do Lula na presidência e “eleita com 54,5 milhões de votos”, também teve como objetivo retirar direitos aos trabalhadores e terminar com diversos programas educativos nas universidades, referindo-se a um “golpe internacional” com a colaboração das corporações mediáticas “que fazem inclusive que as pessoas não saibam que está a haver um golpe”.

A ativista do PT reconhece que o partido terá de fazer uma autocrítica, mas pelo facto de não ter sido eficaz na “formação política” dos cidadãos.

“Esquecemos essa metodologia que faria com que o nosso povo hoje tivesse a mesma força que tem o povo venezuelano, que vai para a rua e se insurge contra o golpe que está existindo lá, e também no Brasil”.

E numa referência à política de alianças que o PT privilegiou, a universitária recordou as características do sistema presidencial brasileiro.

“Se não tivermos a consciência que teremos de fazer essas alianças não chegamos ao poder. E só com a caneta, só com poder, pudemos fazer as transformações que o Brasil conheceu”, referiu, enquanto no palco improvisado Arménio Carlos encerrava as intervenções dos nove oradores convidados pela organização.

Defesa de Lula recorre à ONU para evitar prisão do ex-presidente

O juiz Sérgio Moro, recorde-se, decretou esta quinta-feira a prisão de Lula da Silva na sequência de uma autorização enviada pelo Tribunal Federal da 4 Região (TRF4).

A prisão do ex-chefe de Estado está relacionada com um dos processos da Operação Lava Jato, o maior escândalo de corrupção do Brasil.

Lula da Silva foi condenado por ter recebido um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS em troca de favorecer contratos com a petrolífera estatal Petrobras e condenado a doze anos e um mês de prisão.

Sérgio Moro determina prisão de Lula da Silva

O juiz federal Sérgio Moro ordenou, esta quinta-feira, a prisão do ex-presidente do Brasil Lula da Silva. O juiz pediu que o ex-presidente se entregue, voluntariamente, na Polícia Federal de Curitiba na sexta-feira até às 17h00 locais (21h00 em Portugal Continental).

“Relativamente ao condenado e ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até às 17h00 do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão”, afirmou Sérgio Moro.

O ex-presidente brasileiro foi condenado, em segunda instância, a 12 anos e um mês de prisão pelos crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no passado mês de janeiro por, alegadamente, ter recebido um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS em troca de favorecer contratos com a Petrobras.

De acordo com o despacho de Sérgio Moro, está reservada uma sala para Lula da Silva na Superintendência da Polícia Federal, sendo que, quando for preso, Lula da Silva ficará afastado dos restantes presos. Para além, está descartada “em qualquer hipótese” a possibilidade de serem utilizadas algemas para deter o líder do PT.

“Esclareça-se que, em razão da dignidade do cargo ocupado, foi previamente preparada uma sala reservada, espécie de Sala de Estado Maior, na própria Superintência da Polícia Federal, para o início do cumprimento da pena, e na qual o ex-Presidente ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”, lê-se no despacho de Sérgio Moro, citado pelo G1.

Na quarta-feira, o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa pretendia que o histórico líder do Partido dos Trabalhadores (PT) aguardasse em liberdade enquanto não esgota todos os recursos de defesa que tem à sua disposição. O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com uma votação de seis contra cinco. Rosa Weber, juíza cuja intenção de voto era imprevisível, acabou por ser decisiva.

O PT, que afirmou que a “constituição foi rasgada” , pretende que Lula da Silva seja o candidato do partido às próximas eleições presidenciais, agendadas para outubro. O ex-presidente está, inclusive, em primeiro lugar nas intenções de voto.

A execução provisória da pena não deverá impedir, juridicamente, a candidatura presidencial de Lula da Silva. Porém, segundo a lei da ficha limpa, o ex-presidente será ilegível tendo em conta a sua condenação em segunda instância.

Lula da Silva cumpriu dois mandatos à frente da liderança do Brasil, de 2003 a 2011. Saiu da presidência com uma taxa de aprovação de 80%. O apoio às políticas do PT levaram a que a sua sucessora, Dilma Rousseff, vencesse duas eleições presidenciais, tendo sofrido um processo de impeachement no último mandato devido às chamadas pedaladas fiscais.

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