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Saiba quais os cenários possíveis para crise política e acordo de saída

Quando anunciou a aprovação do rascunho, May avisou: “A escolha é entre este acordo, que concretiza o voto do referendo, que traz de volta o controlo do dinheiro, leis e fronteiras, põe fim à livre circulação, protege empregos, segurança e a nossa união, ou sair sem acordo, ou nenhum ‘Brexit’ de todo”.

A contestação ao texto que existe dentro do Governo, do partido Conservador e da oposição pode dar origem a vários cenários:

Moção de censura no partido Conservador a Theresa May

Deputados conservadores consideram que não têm mais confiança na primeira-ministra e líder do partido e pedem uma moção de censura. Para isto acontecer, Graham Brady, o presidente da Comissão 1922, responsável pela gestão das eleições internas no partido Conservador, tem de receber cartas de 48 deputados, equivalente a 15% do grupo parlamentar de 315 deputados.

Na quinta-feira, vários deputados, incluindo o influente eurocético Jacob Rees-Mogg, anunciaram ter subscrito a moção. “Lamentavelmente, o projeto de acordo de saída apresentado hoje no parlamento revelou-se pior do que o previsto e não cumpre as promessas feitas ao país pela primeira-ministra, seja por conta própria ou em nome de todos nós no programa do Partido Conservador”, justificou Rees-Mogg.

Porém, para ser bem-sucedida e dar origem à demissão de May e a uma eleição de um novo líder do partido, 159 dos 315 deputados conservadores terão de votar a favor da moção.

O deputado Ken Clarke, pró-europeu e antigo ministro da Saúde e da Justiça, considerou o exercício irrelevante porque uma eleição iria demorar várias semanas. “Eu acho que ela vai sobreviver e eu também diria que ela está condenada a continuar a liderar-nos ao longo desta confusão porque não há mais ninguém”, disse à BBC.

O acordo é chumbado no Parlamento britânico 

Após ser validado pelo Conselho Europeu a 25 de novembro, o acordo terá um “voto significativo” na Câmara dos Comuns, eventualmente no início de dezembro. A reação dos deputados dos diferentes partidos na Câmara dos Comuns na quinta-feira, quando Theresa May anunciou que o rascunho do acordo tinha sido aprovado pelo governo, deu a entender que será difícil o texto passar.

O Partido Trabalhista, o Partido Nacionalista Escocês, os Liberais Democratas, todos da oposição, disseram que vão votar contra. O eurocético Mark François garantiu que pelo menos 84 deputados conservadores vão votar contra. E o Partido Democrata Unionista, que tem um acordo parlamentar de apoio ao governo, também se manifestou contra o documento. Restam deputados do Partido Conservador leais à primeira-ministra ou pressionados pelo risco de falta de acordo.

Se o governo perder a votação, tem 21 dias para fazer uma declaração sobre o que pretende fazer.

Falta de acordo 

Se a primeira-ministra concluir que não é possível alcançar um acordo, ou se as negociações continuarem, mas não for alcançado um entendimento até 21 de janeiro, o governo tem de fazer uma declaração no parlamento e apresentar uma moção com um plano para o futuro. Nessa altura, a primeira-ministra pode entender que não tem condições para continuar em funções e demitir-se ou convocar eleições antecipadas.

Estender o artigo 50.º

O governo pode pedir ao Conselho Europeu para estender o artigo 50.º para além de 29 de março de 2019 para ter mais tempo para chegar a um acordo que possa ser aprovado pelo parlamento. Mas não é certo que os 27 países-membros da UE aceitassem e a primeira-ministra tem repetido categoricamente que não pretende fazê-lo e que a data do ‘Brexit’ está gravada na lei de saída da UE.

Eleições legislativas

Se Theresa May não conseguir apoio para o acordo, ela poderá convocar eleições antecipadas, mas precisa do apoio de dois terços do parlamento. Ou o processo pode ser provocado por uma moção de censura no parlamento com o apoio do próprio partido Conservador. O Partido Trabalhista, principal partido da oposição, tem argumentado que a primeira-ministra deve dar lugar para que outros possam negociar um acordo melhor.

Mas as últimas legislativas, em 2017, tiveram um resultado desfavorável ao partido Conservador ao retirar a maioria na Câmara dos Comuns, o que poderá desencorajar os ‘tories’ a enveredar por este caminho.

Segundo referendo

A falta de apoio a um acordo de saída no parlamento britânico e a perspetiva de um ‘brexit’ sem acordo pode provocar um impasse político. O governo pode decidir que a única solução é pedir aos eleitores que decidam através de um novo referendo, que pode ou não incluir uma opção para permanecer na UE.

O chamado “People’s Vote” tem ganho tração, tendo uma manifestação mobilizado cerca de 700.000 pessoas em Londres. Dirigentes de diferentes partidos, incluindo o Mayor de Londres, Sadiq Khan, o ex-secretário de Estado dos Transportes Jo Johnson ou a ex-ministra da Educação são favoráveis. Mas uma nova consulta popular teria de ser aprovada por uma maioria de deputados e muitos receiam a reação sobretudo dos eleitores eurocéticos.

Theresa May tem reiterado que o veredicto dos eleitores foi dado no referendo de 2016. E o partido Trabalhista só admite o referendo como uma opção se não conseguir eleições legislativas antecipadas.

Governo britânico delibera hoje rascunho sobre acordo para o Brexit

O conselho de ministros vai reunir-se às 14h00 desta quarta-feira para considerar o rascunho do acordo que as equipas negociadoras alcançaram em Bruxelas e decidir os próximos passos.

Os ministros foram convidados a visitar a residência oficial da primeira-ministra, Theresa May, durante a tarde e noite de terça-feira para consultar o documento final.

O conteúdo não foi tornado público, mas diz respeito à questão da fronteira entre o território britânico da Irlanda do Norte e a República da Irlanda, Estado membro da UE.

Tanto Londres como Bruxelas concordam na necessidade de manter a livre circulação de pessoas, bens e serviços para respeitar o acordo de paz para a Irlanda do Norte.

Porém, divergiam sobre o mecanismo para garantir uma solução de recurso na eventualidade de a relação futura entre o Reino Unido e o bloco não estar definida até ao final do período de transição, no final de 2020.

O rumo das negociações já levou à demissão de vários ministros eurocéticos, como David Davis, Boris Johnson e, mais recentemente, do secretário de Estado dos Transportes e irmão de Boris, Jo Johnson, este um pró-europeu favorável a um segundo referendo.

O resultado do conselho de ministros de hoje poderá ser decisivo para o futuro do texto, já que uma nova onda de demissões significará que o acordo dificilmente poderá passar no parlamento britânico.

Brexit: Bruxelas e Londres continuam sem se entenderem

Bruxelas e Londres continuam a não se entenderem quanto a acordo para o Brexit, com a data limite para um acordo a aproximar-se a passos largos. A 29 de março do próximo ano, o Reino Unido deveria deixar o bloco europeu mas a divergência quanto à fronteira irlandesa continua a prolongar o impasse.

Boris Johnson, que se demitiu do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros em julho, voltou a carregar nas críticas à primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May.

Depois do seu irmão, Jo Johnson, ter anunciado a sua demissão de ministro dos Transportes, na passada sexta-feira e ter pedido um segundo referendo para o Brexit, Boris Johnson aproveitou a ‘boleia’ para escrever um artigo no Telegraph no qual afirma que May “está à beira da rendição total” a Bruxelas.

O antigo responsável pela diplomacia britânica considera o plano de Theresa May “é uma receita para uma contenda continuada”.

“Estamos à beira de comprometer-nos com algo ainda pior do que a nossa atual posição constitucional. Estes são termos que poderiam ser impostos a uma colónia”, escreve Boris Johnson, que apela a um motim dos seus antigos colegas de gabinete face ao plano da primeira-ministra para o Brexit.

A Sky News antecipa uma semana complicada no número 10 de Downing Street com a possibilidade de mais demissões no governo britânico.

Em declarações à BBC Radio, Justine Greening, ex-ministra da Educação do governo de May prevê que a proposta para o Brexit da líder britânica seja rejeitada no parlamento. “É o pior de todos os mundos”, realçou Justine Greening. A antiga responsável pela pasta da Educação também pede um novo referendo.

Conselho Europeu reúne-se para a “hora da verdade” sobre o Brexit

© Lusa

Durante o jantar agendado para a noite de quarta-feira, os líderes dos 27 países da União Europeia (UE) vão sentar-se com uma ementa difícil no seu colo, apesar de terem ouvido Michel Barnier, o principal negociador da UE dizer várias vezes que a parte substancial do acordo para a saída do Reino Unido já está fechada.

Nenhum desses chefes de Governo e de Estado acredita que seja possível colocar facilmente uma assinatura num documento sobre o Brexit, um dos temas que dominarão o Conselho Europeu de quarta e quinta-feira, a par das igualmente difíceis questões das migrações, da segurança interna e da reforma da zona euro.

O objetivo de Donald Tusk é conseguir que os líderes europeus se conciliem sobre um documento com uma versão tão próxima da final que possa ser levado em breve a uma cimeira extraordinária do Conselho Europeu, apontado para 17 e 18 de novembro.

O problema maior, neste momento, nas negociações do Brexit e a questão que dominará grande parte da discussão do jantar de quarta-feira é o que se relaciona com a ilha da Irlanda.

Numa primeira análise, o problema até parece não existir: quer o Reino Unido, quer a União Europeia defendem que não exista uma fronteira “dura” entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte (parte integrante do Reino Unido).

Mas as divergências surgem logo a seguir e, até agora, ainda não foram ultrapassadas: a União Europeia pretende que o ‘backstop’ (uma espécie de rede de segurança, que permite a manutenção das atuais condições de relacionamento dentro da UE) se confine à Irlanda do Norte, enquanto o governo britânico considera que abrir exceções para a Irlanda do Norte deixando o resto do Reino Unido de fora dessas condições é colocar em causa a consistência do próprio Reino Unido.

Com Theresa May presente no jantar de quarta-feira, os líderes europeus poderão esclarecer melhor a alternativa do Reino Unido para esta dificuldade, mas a primeiro-ministro britânica vai sentar-se à mesa com limitações de negociação política, já que no Parlamento inglês há severas divergências sobre o tema do ‘backstop’, que a têm impedido de pormenorizar o seu plano de forma inequívoca.

Para a editora de Política da BBC, Laura Kuenssberg, esta questão traz mais dificuldades ao governo britânico do que ao Conselho Europeu, tendo em conta as inúmeras tensões com que Theresa May se defronta semanalmente, mesmo dentro do seu gabinete.

Para Eugénia da Conceição, professora catedrática de Relações Internacionais na Universidade de Dresden e autora do livro ‘O futuro da União Europeia’, as dificuldades nas negociações deste “divórcio” radicam no facto de o Brexit ser, desde logo, o resultado de “um processo de crescente euroceticismo”, que não tem sido resolvido pelos líderes europeus, que continuam a falar a várias vozes, esquecendo as reais preocupações dos cidadãos.

Para esta estudiosa de política internacional, todo este processo é ainda mais difícil porque, relativamente ao projeto europeu, se está “perante a escolha entre três caminhos: supranacionalismo, ou seja a transferência de mais poderes para o nível europeu; intergovernamentalismo que corresponde a uma maior preponderância de decisões tomadas pelos Estados-membros; e diferenciação integrada, com uma geometria variável em que os Estados-membros avançam a velocidades diferentes”.

“Só existe uma certeza, as tendências centrífugas dentro da UE estão para ficar e os partidos populistas reagiram euforicamente à vitória do ‘Brexit’ e já se fazem mesmo ouvir pedidos para novos referendos”, explica Eugénia da Conceição.

A preocupação com a tendência populista estará igualmente em pano de fundo quando, na quinta-feira, no Conselho Europeu, se debaterem dois outros temas “quentes”: as migrações e as questões de segurança interna.

Nestas matérias, Donald Tusk irá insistir na ideia que já defendeu na reunião informal de Salzburgo: “Precisamos de encontrar soluções reais para os problemas reais dos cidadãos, que estão preocupados com a segurança, a migração ou o desemprego”.

O tema dos incêndios na Europa e a existência de mecanismos de apoio e solidariedade nesta área será um dos tópicos na agenda, com o natural interesse do Governo português sobre esta matéria.

Nas últimas horas do Conselho, os líderes europeus discutirão o aprofundamento da União Económica e Monetária, tendo em vista uma cimeira da zona Euro em dezembro.

LUSA

Sociedade Anglo-Portuguesa: 80 anos de amizade e difusão cultural

Sandra Carito, Embaixador Manuel Lobo Antunes, Karim M. A. Sacoor

Podemos afirmar que tem sido uma missão bem-sucedida?

Sem dúvida alguma. A nossa constituição estabelece que os seus objetivos passam pela transmissão da história, costumes e cultura de Portugal no Reino Unido, bem como contribuir para a redução do sofrimento das pessoas de Portugal e do Reino Unido.

A Sociedade Anglo-Portuguesa (APS, sigla em inglês) foi concebida num jantar, em honra da chegada do Embaixador Português Dr. Armindo Monteiro, por um grupo de empresários sedeados em Londres e com interesses em Portugal. A sociedade é gerida por um comité de voluntários que tem a responsabilidade de desenvolver projetos para que a APS possa continuar a desempenhar a sua missão.

O que é importante reter ou enaltecer da história da Sociedade Anglo-Portuguesa?

São 80 anos de história da sociedade. São 80 anos de amizade e difusão cultural.

De que forma estão a celebrar ou que projetos fazem parte das celebrações do 80º aniversário?

Iniciámos as celebrações com um jantar organizado num espaço simbólico – um antigo cofre de um banco convertido na City of London – e que teve como convidado de honra o Sr. Embaixador Português Manuel Lobo Antunes. O objetivo foi, através do convite para um jantar formal, introduzir novos conceitos para atrair novos membros e divulgar a história da APS. O jantar deu lugar a enigmas, desvendados pelos convidados, fazendo uso da história da APS e da aliança anglo-portuguesa.

No passado dia 11 de Outubro realizámos, ainda, uma palestra em colaboração com o Royal Hospital Chelsea, que teve como oradora, Isabel Stilwell.

No dia 22 de novembro realizar-se-á um concerto com músicos portugueses na igreja St Pauls Chruch Covent Garden, no coração do centro de Londres.

Por fim, teremos uma receção em conjunto com a sociedade Franco-British Society em Dezembro.

Estamos, ainda, na fase de planeamento de um jantar de gala em 2019 em colaboração com a Universidade de Oxford que, em 2019, comemora 50 anos a lecionar a língua portuguesa na universidade. A nossa missão este ano passa por uma maior aproximação com a comunidade universitária, pois são estes os membros do futuro que darão continuidade ao trabalho iniciado há 80 anos.

Temos conseguido aproximar-nos de organizações que têm interesses comuns para, assim, conseguirmos oferecer eventos impactantes aos nossos membros. Em conjunto com Canning House, este ano, o nosso prémio anual oferecido a um estudante no Reino Unido foi aumentado de £500 para £1,000.

É importante realçar que a APS só poderá continuar a sua missão se continuarmos a crescer em número de membros, pois a APS existe graças ao subscription fee, pago anualmente pelos seus membros. Eis a nossa missão este ano, aumentar o número de membros. No evento realizado no passado mês de setembro, que contou com a presença de 35 convidados, conseguimos cinco novos membros em função dos eventos. Esperamos repetir o modelo.

Portugal e o Reino Unido têm uma relação histórica de longa data, a mais antiga aliança internacional do mundo e que ainda se encontra em vigor. Devido ao “Brexit” haverá a necessidade de garantir a estabilidade da relação histórica entre Portugal e o Reino Unido?

Não podendo falar numa perspetiva comercial ou politica, independentemente da situação do Reino Unido na Europa. A APS apenas sobreviverá se souber continuar a celebrar e divulgar a aliança entre os dois países. Continuará a fazer parte da nossa missão contribuir para a estabilidade desta relação histórica. Temos uma posição privilegiada para poderemos continuar a oferecer eventos com convidados distintos. Em 2017, durante a palestra sobre os jesuítas no Japão no século XVI, tivemos a honra de poder contar com um representante da missão diplomática do Japão no Reino Unido. É através destes eventos, em colaboração com outras organizações, que tencionamos continuar a poder contar com convidados distintos que demonstram o quanto a amizade entre Portugal e Reino Unido consegue unificar outros povos.

O efeito “Brexit” já se fez sentir em Portugal? Quais poderão ser os custos e implicações do “Brexit” para Portugal em questões como como a emigração e as exportações?

A APS não poderá entrar no debate a nível económico. Até hoje, não temos promovidos eventos ou iniciativas em que o Brexit esteja em foco, pois não faz parte da nossa missão. Temos que continuar a educar o povo, mediante palestras, exibições de arte, concertos de música e jantares, através dos quais o impacto da cultura fica evidente, bem como o talento do povo e qualidade de bens e serviços produzidos. Temos a agradecer a um dos nossos patrocinadores, Fells, que nos doa anualmente o vinho oferecido aos nossos convidados durante os eventos. Esperamos que, caso o Brexit venha a acontecer, patrocinadores como estes possam continuar a importar os vinhos de Portugal que os nossos convidados, quer sejam eles Britânicos ou não, sabem apreciar.

Não tendo afiliações políticas, a APS tem a vantagem de poder desenvolver os seus objetivos independentemente da realidade política.

O possível efeito “Brexit” é agora uma das preocupações da Sociedade Anglo-Portuguesa?

Portugal e o Reino Unido sempre beneficiaram de uma relação privilegiada, fundada em respeito e amizade. Enquanto instituição de caridade, a APS tem um objetivo puramente social e cultural, por isso não poderemos entrar no debate comercial ou politico. Temos apenas que continuar a cumprir a nossa missão. A APS e o seu trabalho terão sempre lugar, quer o Reino Unido faça ou não parte da União Europeia, pois a cultura transcende o debate político-económico. Temos que nos adaptar às realidades e saber identificar os elementos culturais com os quais devemos preocupar-nos em divulgar. As nossas palestras têm-se focado, ao longo do curso da história, na Guerra Peninsular, na I Guerra Mundial, e na divulgação da história de Catarina de Bragança, através de palestras dadas por Isabel Stilwell e concertos com músicos portugueses.

Entre 2017 e 2018, a APS aumentou o número de membros em cem membros. Podemos acrescentar ainda que os nossos novos membros, nos últimos tempos, são, não só britânicos, como também pessoas de outras nacionalidades que residem no Reino Unido e com interesse na cultura portuguesa. Isto demonstra a necessidade de continuarmos a desenvolver formas inovadoras de apresentar a cultura e história portuguesa.

Temos a acrescentar a nossa gratidão ao apoio do Sr. Embaixador Manuel Lobo Antunes, nosso atual Presidente, e a todos os Presidentes anteriores.

“Onde o histórico e o moderno são igualmente valorizados”

A Bonhams, uma empresa inglesa e uma das maiores leiloeiras do mundo, trabalha com o mercado português há várias décadas. Em 2015, na sequência do crescimento exponencial do negócio com Portugal, a Bonhams abriu escritório em Lisboa para estabelecer uma maior proximidade e atendimento personalizado aos  seus clientes, uma vez que, como Filipa Rebelo de Andrade refere, “cada cliente é um cliente e impõe-se, portanto, um contacto sensível e permanente”.

“Portugal é um país com leiloeiras nacionais, peças e colecionadores ímpares, no entanto, este não é um setor enraizado na cultura como acontece na Inglaterra”, começa por referir  Filipa Rebelo de Andrade, realçando a necessidade de salientar que leiloar arte não se trata apenas de vender ou comprar. “É um processo complexo e exigente, onde atuam vários profissionais altamente especializados, que fazem a ponte entre a peritagem da obra, a sua inserção histórica e a vertente comercial”. Com 60 departamentos de colecionáveis diferentes, desde relógios, passando pelos carros, até à arte contemporânea, a Bonhams é a leiloeira com mais áreas especializadas.

Diamante Rosa Vendido por € 2,504,973 incluindo prémio 26 de Setembro de 2018, New Bond Street, Londres

 

QUEM É FILIPA REBELO DE ANDRADE

Formada em História da Arte,  Filipa Rebelo de Andrade  “sente-se uma privilegiada por ter trabalhado sempre na sua área”. Após a licenciatura foi para Inglaterra onde, na Universidade de Londres, fez vários estudos de pós-graduação na Faculdade de Estudos Orientais e Asiáticos (SOAS), bem como na Universidade de Manchester, trabalhando ainda numa das principais leiloeiras inglesas. Esse era o seu foco: a arte chinesa, mas com intuito comercial.

Mais tarde,  Filipa Rebelo de Andrade  abraçou a oportunidade de trabalhar na constituição de coleções, fazendo a ponte com o mundo comercial enquanto curadora de arte na Fundação Oriente, em Lisboa. Aqui levou a cabo a gestão da relação entre a Fundação e o mundo da arte comercial.

Em 2010 é convidada para representante da Bonhams em Portugal. E que desafios se enfrentam num cargo desta dimensão? Questionámos a nossa entrevistada. “O maior desafio passou por lançar uma casa fundada no século XVIII num país onde o grande público tinha pouco conhecimento sobre a sua presença. Por outro lado, estar à altura da confiança que a Bonhams depositou em mim para levar a cabo esta tarefa, bem como da confiança que cada cliente deposita em nós, para transacionar as suas obras”, afirma  Filipa Rebelo de Andrade.

PORTUGAL E REINO UNIDO: UMA LONGA ALIANÇA HISTÓRICA

Devido ao ‘Brexit’ muito se tem falado na necessidade de garantir a estabilidade da relação histórica entre Portugal e o Reino Unido. No entanto, o efeito “Brexit” não se faz sentir na Bonhams. “Não houve nenhum indício negativo. Nos últimos dois anos, após o referendo, a Bonhams continuou a ser «business as usual»”. Londres continua a assumir-se como o grande centro do comércio da arte a nível mundial. Há sempre um reverso da moeda e comprar arte em Londres tornou-se mais apelativo, por exemplo, para clientes dos EUA. Acima de tudo, é importante referir que a Bonhams, sendo uma empresa inglesa, é uma miltinacional habituada a transacionar nos vários pontos do mundo, como Nova Iorque ou Hong Kong, para além do Reino Unido. “Somos uma opção muito importante para colocar uma peça na plataforma internacional.  somos uma porta de entrada para a plataforma global da arte. O nosso trabalho passa por criar oportunidades para os clientes, sejam eles compradores ou vendedores, de terem acesso a esta plataforma global da arte. é também importante no nosso trabalho a ligação entre o mundo museológico, o académico e o comercial. Esta ligação é fundamental”, diz-nos  Filipa Rebelo de Andrade.  

BONHAMS

A Bonhams tem o privilégio de apresentar para venda uma seleção do conteúdo particular da família Churchill, entre os quais se encontram a magnífica tiara Art Deco, da autoria de Hennell e o Coronation Robe e Coronet, estes especialmente desenhados para a cerimónia de coroação do rei Jorge VI, pelo costureiro da casa real Norman Hartnell (1901- 1979), que remetem para a importante parte da História de Inglaterra.

 

Bonhams bate vários recordes no 51º leilão da empresa no Goodwood Festival of Speed.

No passado dia 8 de Setembro, os clássicos foram top performers no quinquagésimo primeiro leilão que a Bonhams organizou no Goodwood Festival of Speed, destacando-se o Shelby Cobra 289ci Roadster de 1964, que foi ferozmente disputado com lances do público, do telefone e online, tendo sido vendido por € 1,520,134 (incluindo prémio).

Shelby Cobra 289ci Roadster de 1964

Anote esta data:

Avaliações de Espingardas (sujeitas a marcação prévia) – dia 15 de Novembro em Lisboa

15 de Novembro, em Lisboa, a Bonhams estará a realizar avaliações gratuitas de Espingardas de Desporto, sujeitas a marcação prévia.

Boss & Co., No. 4181 Vendida por € 30,942 (inc. prémio)

 

Arte Contemporânea da Bonhams, em New Bond Street, no dia 27 de Junho.

Oferecido em leilão pela primeira vez, esta obra tinha uma estimativa de £800.000 -1.200.000.

Figure on a Bed II, uma obra-prima da fase inicial da carreira de Frank Auerbach, datada de 1967, foi vendida por € 1,620,525 (incluindo prémio) no leilão de Arte.

Portugal pode ser “segunda casa” para investidores dos EUA após ‘Brexit’

António Costa falava na sessão de abertura de uma conferência denominada “Estados Unidos e Portugal uma parceria para a prosperidade”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e que será esta tarde encerrada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O primeiro-ministro, que vai visitar os Estados Unidos entre 10 e 16 deste mês, introduziu o tema do ‘Brexit’ já no final do seu discurso, observando que, na sequência da saída do Reino Unido da União Europeia, Portugal e os Estados Unidos passarão a ser os países mais próximos geograficamente.

“Temos todas as condições para desempenhar esse papel de estreitamento de relações no mundo transatlântico – e essa cooperação vai seguramente reforçar-se com o ‘Brexit'”, sustentou o líder do executivo português.

Numa plateia maioritariamente constituída por diplomatas e empresários, António Costa assumiu depois que “muitas empresas norte-americanas, a exemplo de muitas outras exteriores à União Europeia, desejam continuar no Reino Unido” mesmo após ao ‘Brexit’.

“Mas, não desejando sair da União Europeia, essas empresas necessitam de encontrar uma segunda casa que lhe permita manter a sua presença na União Europeia. A todos esses [empresários] quero dizer que Portugal oferece dois em um: A possibilidade de continuarem no Reino Unido; e a possibilidade não saírem da União Europeia ao investirem em Portugal”, defendeu.

No seu discurso, o primeiro-ministro fez apenas uma referência indireta à recente decisão da administração norte-americana de impor tarifas alfandegárias nas importações de aço e alumínio da União Europeia, México e Canadá.

“Neste momento em que nem tudo corre da melhor forma entre uns e outros, é também importante que a longa amizade [Portugal e Estados Unidos] seja animada por boas notícias de cooperação e de estreitamento de relações”, disse.

Momentos antes, António Costa tinha voltado a defender que o porto de Sines pode ser uma porta de entrada para o gás natural liquefeito (GNL) norte-americano na União Europeia.

António Costa advertiu, neste ponto, uma vez mais, que esse abastecimento de gás natural proveniente dos Estados Unidos é um importante fator de segurança energética para a Europa.

Nesta conferência, o primeiro-ministro referiu-se também aos principais objetivos da sua visita de cerca de uma semana aos Estados Unidos, destacando, em primeiro lugar, a cooperação científica entre universidades dos dois países.

Além do aprofundamento da cooperação já existente desde 2006 entre o Massachusetts Institute of Technology (MIT), António Costa mencionou também, agora, como nova aposta, a Universidade de Standford, em São Francisco, na Califórnia.

“Queremos alargar a nossa cooperação com as universidades norte-americanas também à costa ocidental”, declarou, antes de falar sobre a organização pela Câmara do Comércio Luso Americana de uma conferência económica em Nova Iorque.

“Além desta conferência económica, vou também manter em Silicon Valley (Califórnia) um conjunto de contactos com algumas das grandes empresas norte-americanas”.

Ainda segundo o primeiro-ministro, “serão dinamizados os contactos com o vibrante ecossistema de inovação existente nos Estados Unidos”.

“A inovação é seguramente o motor de desenvolvimento das nossas economias. É uma vasta área de cooperação que devemos aprofundar, quer nas relações ao nível universitário, quer do ponto de vista das relações entre empresas”, acrescentou.

LUSA

Tarifas podem custar à UE 35 mil milhões de euros após o Brexit

De acordo com a empresa, o custo para as exportadoras britânicas após a saída do Reino Unido da UE, o chamado ‘Brexit’, pode atingir 27 mil milhões de libras (30 mil milhões de euros), o que representaria 1,5% do valor acrescentado bruto do país.

O estudo calcula o custo das barreiras comerciais que serão introduzidas na Europa depois do ‘Brexit’ em cada setor, segundo as taxas estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Foi ainda feita uma estimativa de outro tipo de custos, como atrasos nas fronteiras ou pagamento de certificações.

Devido à tendência para as indústrias se agruparem geograficamente, algumas regiões sofreriam mais o impacto do que outras, como Londres, no Reino Unido, e a Baviera, na Alemanha.

Foi também salientado o caso da Irlanda, onde o setor agrário está muito exposto ao mercado do Reino Unido.

Acordo Brexit pode arrastar-se por mais um ano

negociador do governo de Londres, Michael Bernier, afirmou recentemente que o acordo pode ser alcançado no próximo mês de outubro, concedendo ao Parlamento Europeu e ao Parlamento britânico tempo suficiente para a respetiva aprovação antes de março de 2019.

Por outro lado, David Davis, responsável do governo britânico para o Brexit, já admitiu em público que o prazo pode “resvalar um pouco”, mas fontes oficiais da agência Bloomberg referiram “em privado” que o acordo vai atrasar-se até janeiro do próximo ano.

Na quinta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que o Reino Unido deve apresentar “soluções reais” referindo-se objetivamente às posições de Londres sobre a questão da fronteira na Irlanda.

Para Tusk, o governo britânico deve “evitar o estabelecimento de uma fronteira na Irlanda” e o afastamento da província do mercado único após a saída da União Europeia.

Donald Tusk reuniu-se em Dublin com o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, a quem disse que todos os líderes da União Europeia, sem exceção, “estão contra a existência de uma ‘fronteira física'” que pode vir a prejudicar o processo de paz e as economias da República da Irlanda e da província britânica da Irlanda do Norte.

“O Brexit é uma questão que diz respeito aos 27 países, incluindo a Irlanda e o Reino Unido, e não afeta apenas a Irlanda e o Reino Unido”, sublinhou Tusk criticando todos os que pensam que a posição de Dublin pode impedir o avanço das negociações.

O governo de Theresa May insiste que “todo o país, incluindo da Irlanda do Norte, deve abandonar a união alfandegária e o mercado único após o Brexit” apesar de manter aberta e inalterada a atual fronteira entre a província e a República da Irlanda.

Se Londres não apresenta “soluções reais” para ultrapassar este objetivo, Bruxelas propõe que a província britânica se mantenha dentro dos espaços económicos para manter a livre circulação entre os dois territórios, uma questão que é encarada como vital para o processo de paz.

Na semana passada, May rejeitou a opção proposta por Bruxelas o que levou Tusk a recordar que a falta de clareza por parte de Londres pode impedir que se venham a conseguir “progressos substanciais” na segunda fase das conversações sobre o Brexit.

Varadkar agradeceu o apoio aos líderes da União Europeia e assinalou que a opção de Dublin é a adequada para evitar o estabelecimento de uma fronteira.

“Tudo isto obriga o governo do Reino Unido a fornecer mais detalhes. Mesmo assim, temos de ter a certeza de que se a melhor opção não é realizável tem de ser aplicada a opção que prevê manter a Irlanda do Norte alinhada totalmente com as regras do mercado único”, acrescentou o dirigente democrata cristão irlandês.

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