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Dizer «eu não quero isto para mim» é um ato de coragem

O que faço? Como o faço? E porque o faço? Estas são algumas das questões às quais Ligia Ramos nos responde. Mas tudo se resume a uma maneira de ser e de estar: Ligia Ramos treina pessoas e equipas para serem a melhor versão delas mesmas.

A trabalhar entre Portugal e Holanda durante algum tempo, Ligia Ramos fixou-se em Amesterdão há cinco anos, o lugar onde encontrou o seu verdadeiro “eu” e onde se sente completamente realizada. Mãe de três filhos e quando chegou a altura de escolher onde é que os seus filhos iriam crescer, a decisão da família foi que seria na Holanda que queriam viver.

A In2motivation já existia na sua vida, mais precisamente há 12 anos quando o seu marido, Peter Koijen, decide fundar a empresa com a intenção de “criar momentos que deem às empresas e aos indivíduos mais liberdade e formas de criar mudanças, escolhas e motivações positivas, num mundo em mudança”.

Na In2motivation, coragem é a palavra de ordem e o foco é o desenvolvimento pessoal e profissional.

Desde 2006 que a In2motivation trabalha em contexto internacional tendo como princípios básicos a experiência, a liberdade e a simplicidade. O foco é criar experiências que promovam em cada pessoa ou equipa a oportunidade de escolher. A In2motivation tem a ambição de que as pessoas sejam autónomas e independentes, e que usem todas as ferramentas entregues e experimentadas durante as sessões de formação para aumentar a escolha individual. “Queremos que sejam elas a escolherem por onde e como querem fazer o seu caminho. Queremos criar autonomia. Este é, para nós, o ponto principal do desenvolvimento pessoal. Queremos que tomem consciência das suas próprias decisões e do que é melhor para si, sem estarem dependentes de algo ou alguém”, afirma Ligia Ramos, salientando que tudo aquilo que fazem, bem como todo o conteúdo que entregam, é sempre transformado numa ferramenta que pode ser utilizada no dia a dia de adultos, jovens ou crianças.

“UM BOM COACH SERÁ BOM EM QUALQUER SITUAÇÃO”

Até há bem pouco tempo o coaching era um conceito pouco falado em Portugal. O que é, para que serve, que transformação provoca nas pessoas, eram as questões mais colocadas. Só agora é que se tem verificado um aumento na procura de sessões individuais e/ou formações em coaching em Portugal.

Contudo, e talvez devido ao seu crescimento significativo, ainda existe alguma confusão ou desconhecimento sobre o que é, efetivamente, coaching. “Às vezes tenho a sensação que ainda se confunde muito o coach com o mentor, ou o psicólogo ou mesmo com o amigo com quem vamos desabafar. O Coaching é a facilitação de um processo, coaching é autonomia”, explica Ligia Ramos.

No entanto, na Holanda esta realidade é um pouco diferente. O coaching é algo ao qual as pessoas recorrem, não só quando têm um problema, mas, muitas vezes, quando querem criar para si próprias uma outra perspetiva, em geral.

Um bom coach não tem uma área onde esteja mais apto para auxiliar do que outras. Um bom coach pode ser eficaz em qualquer área, seja ela profissional, familiar ou pessoal. O coach está focado em reconhecer padrões e em promover alterações de padrões que possam facilitar o coachee a ir do ponto A para o ponto B, levar a pessoa de onde ela está para onde ela quer ir. “Um bom coach será bom em qualquer área na vida de um individuo ou equipa”, afirma a nossa entrevistada.

O “BICHINHO” PELAS PESSOAS

Esta forma de estar e de ser, esta vontade de ajudar os outros é algo que tomou o seu rumo naturalmente. Sendo licenciada em Filosofia e tendo exercido a carreira de docente, Ligia Ramos desde cedo que conseguia ver para além da pessoa que estava à sua frente, conseguia ver o seu potencial. “O «bichinho» pelas pessoas e a vontade de as querer conhecer e perceber já cá está há muito tempo. As áreas de psicologia e de filosofia sempre despertaram o interesse em mim e, mais tarde, quando trabalhei na área dos recursos humanos, a motivação pelos processos de desenvolvimento aumentou”, explica a nossa entrevistada.

Ligia queria saber qual era o talento de cada uma das pessoas com quem trabalhava e desenvolver o seu potencial. “Quero acreditar que posso contribuir para melhorar e auxiliar o percurso das pessoas. Isso é o que me faz feliz”, diz-nos. “Toda a gente tem um talento, muitas vezes temos que facilitar a descoberta desse talento e como ele pode ser vivido todos os dias. Existe duas perguntas essenciais e que exigem muita coragem: Estou a fazer o que quero estar a fazer? E, o que quero estar a fazer? Não deixando, claro, de também ser capaz de dizer, com a mesma firmeza e sem culpas: “isto eu não quero”, conclui Ligia Ramos.

“Perdem alguma coisa se tentarem?”

Em que momento soube e decidiu que queria trabalhar com mulheres, ajudando-as na sua vida profissional e pessoal? 

Desde sempre que a causa feminina me diz muito, por várias razões.

Tive a sorte de começar a trabalhar logo depois de terminar a minha licenciatura e não parei desde então. Foi-me sempre exigido um aprofundado conhecimento do mercado e dos interlocutores-chave das empresas, muito devido à vertente comercial que as minhas funções integravam.

Sempre me deparei com uma questão, que me deixava confusa: porque é que a grande maioria dos cargos de gestão nas empresas (sejam eles superiores ou médios) são ocupados por homens? Não era nem é de todo uma posição feminista, apenas um facto. E eu não entendia a razão.

Paralelamente a esta questão, outra rapidamente surgiu também: porque é que as mulheres (em contexto empresarial ou não) optam por descredibilizar as suas potencialidades e sublinhar constantemente os seus defeitos? O diálogo interno é destrutivo, negativo. Isso prejudica-nos muito! Temos noção disso mas dificilmente conseguimos mudar. Lutámos pela igualdade, conseguimos alargar as nossas opções e conquistámos os nossos direitos. Mas isso também nos trouxe dúvidas, ansiedades, pressões.

Conseguiríamos melhorar bastante as nossas condições de vida (tanto pessoais como profissionais) ao mudar o teor do nosso diálogo interno, ao ganharmos confiança nas nossas estruturas.

As minhas clientes de Life ou de Executive Coaching são pessoas lindas, interessantes, cheia de qualidades que muitas vezes desconhecem, ou teimam em não reconhecer e celebrar. São pessoas que ambicionam melhor mas não sabem o quê ou como, porque não possuem recursos e linhas orientadoras nesse sentido. Assim, muitas vezes desistem. E é aqui que o coaching atua. 

Que desafios enfrenta como Coach? 

O coaching ainda está a ser descoberto em Portugal e muitas pessoas ainda não reconhecem o potencial de recorrer a um coach. Embora estejamos a evoluir bastante, ainda estamos longe do que podemos reconhecer.

Nos EUA e Brasil, por exemplo, o coaching já é assumido como uma ferramenta indispensável em contexto empresarial e pessoal.

Qual é o seu verdadeiro objetivo com o coaching? 

Depois de vários anos a trabalhar num contexto empresarial, onde (e sem mal nenhum!) simplesmente a faturação e os números imperam, percebi que precisava de mais na minha vida.

O que me move são as pessoas, e consegui construir uma oferta que reúne o melhor dos dois mundos: consigo ganhar a vida com o coaching, e consigo potenciar e ajudar pessoas a atingirem resultados, a serem mais felizes.

Essas pessoas são mulheres, esse é o meu target, e sempre foi o meu sonho. Quero mostrar às mulheres que somos capazes de chegar longe, quero ajudá-las a “afinar” as vozes interiores, e a serem capazes de lidar com os desafios das suas vidas pessoais e profissionais de uma forma mais benéfica. Quero que as mulheres pensem nelas próprias em primeiro lugar, e que acreditem que conseguem chegar longe. Não há nada melhor do que ver uma cliente a dar pequenos passos, a ter pequenas conquistas, a celebrar esse caminho e a constatar que consegue criar um contexto mais feliz na sua vida. Basta para isso ter foco, dedicação. E um coach ajuda!

O que me motiva é ver resultados, e o melhor disto tudo é conseguir fazer disto profissão e sustento. 

O que é que as mulheres procuram mais quando recorrem aos seus serviços?

Ultrapassar medos, incertezas, saber lidar com as vozes interiores, e ganhar confiança nas suas capacidades. Muitas das minhas clientes não reconhecem as suas capacidades até as ouvirem das vozes de terceiras pessoas. Precisam do reconhecimento e do aval das outras pessoas para se potenciarem.

Especializou-se, igualmente, em Life e Executive Coaching, para potenciar os resultados tanto de pessoas como das empresas e dos seus colaboradores. As empresas começam a perceber a verdadeira importância do potencial humano? 

Sim, começam, mas como indiquei anteriormente, ainda existem muitas pessoas e empresas que não reconhecem no coaching o seu devido valor. Vamos lá chegar, já estamos no bom caminho.

É uma líder e quer ser uma inspiração para outras mulheres. Poderia finalizar esta entrevista com uma nota de motivação para as nossas leitoras? 

Sei que parece uma frase feita, mas é realmente uma verdade: potenciem os vossos pontos fortes! Acreditem que são capazes. Mudem o vosso mindset para algo que vos seja benéfico. Digam para vocês vezes sem conta “eu quero, eu posso, eu consigo”. Substituam o diálogo interno destrutivo por esta frase, e verifiquem se funciona! Perdem alguma coisa se tentarem?

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