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“Timor-Leste tem com Portugal uma relação que vai para além da amizade entre os povos”

Enquanto Ministro de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e ministro do Petróleo e Minerais de Timor-Leste, qual diria que é a sua missão primordial?

Como é do conhecimento de todos o VIII Governo Constitucional é um Governo de coligação de três partidos que representam a maioria parlamentar, nesse sentido e enquanto Ministro de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e número dois na hierarquia do Governo, o meu papel principal é o de coadjuvar o Senhor Primeiro-Ministro na coordenação do Governo e assumir a função de porta-voz do Governo e do Conselho de Ministros.

Como Ministro do Petróleo e Minerais interino e também enquanto Ministro Coordenador dos Assuntos Económicos interino, nesta fase de viragem da nossa economia estou concentrado, em fomentar a recolha de dados científicos sobre os recursos geológicos do meu país, para que possamos planear o desenvolvimento económico de uma maneira estratégica, racional e esclarecida. No projeto do Greater Sunrise, a aquisição da participação da ConocoPhillips e da Shell na joint venture do Greater Sunrise coloca Timor-Leste numa posição mais vantajosa junto dos nossos parceiros e alavanca os nossos esforços para garantir uma unidade de liquefação de gás natural na nossa costa sul. Foi lançado no final do ano passado um programa inaugural de exploração de petróleo e gás para costa sul, um marco muito importante para a exploração onshore dos nossos recursos petrolíferos. O petróleo e o gás continuarão a ser um importante pilar económico para Timor-Leste mas daremos prioridade à diversificação económica.

O futuro da coligação que apoia o Governo timorense e do próprio executivo vai ser debatido já em abril, num encontro alargado dos principais dirigentes das três forças políticas que o integram. Como define o ponto da atual situação governativa?

O nosso país é jovem e depara-se com muitos desafios e oportunidades próprias de tenra idade. Porém, é considerado o mais democrático da região e, apesar de alguns conflitos no passado, tem vingado como um país pacífico com muito potencial para o franco desenvolvimento. Temos um processo político complexo, resultado de 24 anos de luta pela libertação nacional, no entanto, essas experiências não impediram a implementação de um sistema democrático que caminha a passos certos e que está em vias de consolidação.

Existe uma certa polarização dos partidos políticos, normal em contextos democráticos, mas essencialmente existe uma visão coletiva para o desenvolvimento do país apoiada por uma relação dinamica e construtiva entre os principais órgãos do país. As nossas instituições estão fortalecidas.

Estamos numa fase de novas oportunidades que surjem do histórico Tratado entre Timor-Leste e a Austrália sobre as fronteiras marítimas permanentes no Mar de Timor, fez recentemente um ano da sua assinatura em Nova Iorque. No passado mês de fevereiro chegamos a acordo com a nossa vizinha indonésia para delimitarmos as nossas fronteiras de acordo com a Convenção das Nações.

Há uns meses, Timor-Leste fazia saber da sua pretensão de fechar acordo de cooperação com Portugal rapidamente. Qual é a sua opinião sobre este assunto?

O Conselho de Ministros deliberou favoravelmente, no passado dia 20 de março, a proposta de Programa Estratégico de Cooperação, conhecido como PEC, entre Portugal e Timor-Leste. Este acordo vigorará até 2022 e define como setores de intervenção prioritária: a consolidação do Estado de direito e a boa governação; a educação, formação e cultura e o desenvolvimento socioeconómico inclusivo. Este acordo deverá se assinado pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países em junho deste ano.

A cooperação portuguesa com Timor-Leste deverá rondar os 70 milhões de euros até 2022, com programas em setores como a consolidação do Estado, a educação e o desenvolvimento socioeconômico, segundo o acordo entre os dois países. No domínio CPLP, como avalia as relações entre Portugal e Timor-Leste até à data?

Timor-Leste é um Estado Membro de pleno direito da CPLP, tem com Portugal uma relação que vai para além da amizade entre os povos, somos países-irmãos temos os nossos arrufos mas caminhamos paralelamente e fraternamente em direção ao futuro.

Temos uma história que se cruza e do encontro de culturas e civilizações, nasce Timor-Leste, um país asiático com uma identidade única no mundo e que por ser lusófono partilha a sua identidade cultural e linguística com outras oito nações do mundo que têm como dominador comum o português.

O Banco Mundial fez saber, recentemente, que vai reforçar financiamento nos países africanos da CPLP. O que pensa desta medida?

Apesar de distantes dos restantes países da CPLP mantemos uma próxima relação de amizade e apoio mútuo, nomeadamente com os países africanos da CPLP.

Por exemplo, assistimos, recentemente, com muita angústica à catástrofe provocada pela passagem do Idai, em Moçambique. O Conselho de Ministros prontamente e tendo em conta os laços históricos e de amizade que nos unem, no passado dia 27 de março, aprovou um donativo de um milhão de dólares para apoiar na resposta à destruição que se faz sentir na Beira.

O que considera que falta para que haja uma maior aproximação e cooperação entre os países lusófonos?

A CPLP, enquanto plataforma de união dos países de língua oficial portuguesa, tem o seu papel consolidado. Importa agora, pensar na concretização prática da vontade comum de dinamizar as nossas economias, impulsionar a união de esforços e o contato direto entre as empresas, aproveitando principalmente as carateristicas geográficas dos Estados membros.

Timor-Leste assume um papel preponderante na ligação entre os parceiros da CPLP e os mercados sul-asiáticos.

Pelcor: a marca amiga do ambiente

Em 2016 Rui Tati assumiu o cargo CEO da portuguesa Pelcor e adquiriu a Mol – My Own Label, detentora da marca Pelcor e de todas as suas submarcas (Corky By Pelcor e Home By Pelcor). Como encarou este desafio?

Sou uma pessoa que gosta de desafios e retirar a Pelcor da situação em que esta se encontrava tem-se revelado ser um desafio, contudo, é também ele um desafio bastante interessante.

Alargar a presença a nível mundial é um dos seus objetivos, enquanto responsável da marca, bem como promover a expansão para novos mercados na Europa, África e Ásia. Fale-nos um pouco da nova estratégia da Pelcor.

A estratégia da Pelcor passa, essencialmente, por ser uma marca de Portugal para o mundo. Queremos chegar a todo o lado e permitir que toda a gente tenha acesso a um produto de boa qualidade, com um ótimo design e, sobretudo, um produto sustentável, eco friendly e que permita o bem-estar comum.

“Fascinado com a capacidade regenerativa do sobreiro e as qualidades inerentes à cortiça”, está entregue às preocupações ambientais e sustentáveis através da cortiça. A que objetivos se propõe agora alcançar?

O nosso principal objetivo é oferecer ao mercado um produto de qualidade, que permita um bem-estar comum, tal como mencionado, e que esteja disponível para qualquer um. Daí o nosso propósito futuro é ser uma marca com produtos inspirados na sustentabilidade da cortiça.

Atualmente a portuguesa PELCOR assenta numa dinâmica que une o design, a inovação e a sustentabilidade, através de uma linguagem percetível a nível global. Quais são os verdadeiros desafios, tendo em atenção que o mercado está cada vez mais global e exigente?

O desafio é, sobretudo, atender às exigências de todos os mercados onde estamos presentes. Necessitamos de ser uma marca homogénea, contudo, cada mercado tem as suas especificações e o verdadeiro desafio é adaptar-nos a cada um, mantendo sempre uma entidade única.

Pretende apostar em novidades exclusivas e numa maior diversidade de produtos. Que projetos estão, atualmente, em cima da mesa?

Pretendemos para o futuro da Pelcor alargar a sua oferta de produtos. Este é um ano que conta com novidades, essencialmente, novas apostas no que toca à gama de produtos que a nossa marca oferece. A nossa Nova Coleção APPAREL, uma nova e imprescindível linha de vestuário unissexo, para usar todo o dia, todos os dias!

É, ainda, administrador da Obras Publicas Lda, Angola, que detém a marca Café Náutico, e da UX Angola (emprego.co.ao). Enquanto empresário e líder, que papel pretende assumir no mercado africano?

A crise em Angola obrigou à redução da minha presença e do desenvolvimento da empresa Obras Publicas Lda, Angola, (entidade criada para manutenção de estradas). Mais tarde, foi desenvolvido o Café Náutico que, por diversos motivos ligados ao complexo em que está instalado, se encontra atualmente encerrado. No que concerne à UX Angola, empresa ligada à vertente social de procura de emprego, esta deverá tornar-se mais visível tendo em conta o novo período que o mercado angolano atravessa.

Uma maior interação entre os povos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a livre circulação são os objetivos a que novo secretário executivo da CPLP, o embaixador português Francisco Ribeiro Telles, se propõe alcançar. Estes são os fatores fulcrais para se fomentar as relações comerciais entre os países-membros? Existem outros?

Acho pertinente, temos soluções nos países-membros da CPLP que servem perfeitamente a nossa realidade. A minha ligação, através da UX Angola, é um perfeito exemplo destas oportunidades, no meu caso, vindas de Moçambique.

A cooperação económica entre os países-membros da CPLP é outro aspeto que tem vindo a ser bastante debatido. Considerada um dos maiores desafios da CPLP, esta cooperação é fulcral para fomentar o tecido empresarial dos seus países-membros?

Conforme mencionado na questão anterior, temos muitas soluções que podem e, sobretudo, devem ser aproveitadas. Na minha opinião já perdemos muito tempo.

A Pelcor continua a surpreender!

De Portugal para o mundo, o leque de produtos da portuguesa Pelcor continua a crescer. Depois de carteiras, guarda-chuvas, chapéus, acessórios de escritório e uma linha de calçado, a nova aposta é agora a Coleção APPAREL, uma nova e imprescindível linha de vestuário unissexo, “para usar todo o dia, todos os dias!”.

Pode encontrar todos estes produtos na Flagship Store no Príncipe Real, em Lisboa ou em pelcor.pt.

“O conhecimento é sempre uma vantagem competitiva”

Para contextualizar o nosso leitor, o que é Market Research & Business Intelligence?

Estamos na era em que a Informação é o novo petróleo. Market Research é o processo de recolha e tratamento de informação que seja útil aos nossos clientes e auxilie a delinear a estratégia de actuação. Hoje em dia, existe ainda um conjunto de informação disponível, produzida diariamente pelos vários departamentos das empresas, e a nível das plataformas online, que pode ser trabalhada e organizada de forma a ajudar os gestores a terem uma visão mais objectiva sobre o negócio. O desafio passa sempre por transformar informação em conhecimento. O conhecimento é sempre uma vantagem competitiva, qualquer que seja o contexto. Conhecer o mercado, conhecer a concorrência, conhecer os hábitos e escolhas dos consumidor é sempre uma mais valia para qualquer negócio.

A MIRA pretende ser o parceiro na recolha, tratamento, organização, e integração de informação útil para o negócio dos nossos clientes.

Num mercado cada vez mais globalizado e competitivo, que importância assumem estas ferramentas no tecido empresarial?

Mercado global, sim, mas não esquecendo as especificidades locais. O comportamento e os hábitos dos consumidores são diferentes de região para região. As empresas que estiverem atentas a estas diferenças e melhor ajustarem a sua oferta às necessidades e gosto do consumidor, mais hipóteses de sucesso terão.

As empresas conscientes dessas diferenças investem em pesquisa para identificar necessidades não satisfeitas, espaço para o lançamento de novos produtos mais ajustados às características dos consumidores locais e oportunidades de melhoria na sua oferta.

A MIRA desenvolve estudos regulares transversais que dão a conhecer estas particularidades do consumidor angolano. Realizamos também estudos específicos a pedido dos nossos clientes, como por exemplo, testes de produto que permitam avaliar a aceitação de um determinado sabor no mercado angolano. Temos feito vários estudos específicos, quer na área da alimentação, quer na área das bebidas. Realizamos todo o tipo de pesquisa, quer quantitativa, quer qualitativa. A pesquisa deve ser vista como um investimento. Investir em pesquisa e informação é sempre vantajoso. Tomar decisões com base em informação fidedigna é muito menos arriscado.

De região para região os hábitos são diferentes, sofrem a influência cultural, climática, religiosa, etc., e é esse conhecimento que permite às empresas actuarem da forma mais ajustada às necessidades do mercado.

Para melhor atender um mercado-alvo, as organizações devem dispor de informações relevantes sobre o seu campo de atuação. E este é exatamente o papel que a MIRA assume junto das empresas. Mas que verdadeiros desafios acarreta, atualmente, um papel com esta complexidade?

Temos como missão apoiar os nossos clientes na tomada de decisões estratégicas.

O nosso maior desafio é fornecer informação fidedigna e útil para que os nossos clientes possam tomar decisões mais acertadas e correndo menos riscos.

Para garantirmos a qualidade dos nossos estudos, contamos com uma equipa de profissionais experientes e com bastante know-how em pesquisa e tratamento de informação, nomeadamente no mercado angolano, conseguindo assim responder às solicitações dos nossos clientes.

Além disso consideramos essencial produzir um conjunto de estudos regulares que forneçam informação detalhada sobre temas que são transversais e por isso procurados por um conjunto mais alargado de empresas.

Em 2017 lançámos o estudo MIRA TV, que é um estudo semestral com 4500 entrevistas, e que contém informação detalhada sobre audiências de televisão em Luanda, Benguela, Huambo e Huíla. Foi o nosso primeiro estudo regular e já vai na 4ª edição. É algo pioneiro em Angola pois integra dados sobre Luanda e mais três províncias angolanas. Conhecer os hábitos de consumo de televisão quer a nível da capital, quer das províncias, é essencial para todos os que pretendem comunicar neste mercado. Este estudo é muito interessante tanto para Agências de Publicidade, como para os grandes anunciantes, que investem verbas avultadas em anúncios de Televisão. Para estes players é essencial conhecerem as audiências dos vários canais e programas para melhor rentabilizarem o investimento.

Em 2018 lançámos um estudo anual sobre a Banca, o MIRA ISB (Indicador de Satisfação Bancária), que é um estudo de referência para o  setor bancário, que permite conhecer a avaliação dos indivíduos bancarizados sobre os bancos com quem se relacionam. O MIRA ISB dá uma visão muito detalhada sobre a forma como os angolanos utilizam o sistema bancário, o que valorizam, e o que ainda está por explorar.

Temos ainda o survey MIRA Internet e o MIRA Rádio, que são estudos sobre os hábitos dos angolanos de relacionamento com a Internet e de consumo de Rádio.

Por último, vamos disponibilizar ainda este mês, um estudo de caracterização e segmentação do consumidor: o MIRA PCA (Perfil do Consumidor Angolano). O MIRA PCA é um estudo com 7.750 inquéritos realizados em sete províncias angolanas, que dá a conhecer a composição dos lares angolanos e hábitos e comportamentos de consumo. Neste estudo integramos informação de Províncias sobre as quais até agora se sabia muito pouco, como o Bié, Cuanza Sul e Cabinda. É muito interessante para quem pretende conhecer este mercado, ter informação com este detalhe.

Com dois anos de presença no mercado angolano, que percurso está delineado para a MIRA?

Apesar de ser uma empresa recente, a MIRA é constituída por uma equipa sénior com vasta experiência no mercado angolano. Estes dois anos foram anos de muito trabalho, em que procuramos apoiar de perto os nossos clientes, mas também lançar estudos robustos e inovadores, que possam ser úteis para os decisores de várias áreas. Adequar esses estudos regulares às necessidades do mercado, foi um dos nossos desafios.

O contexto alterou-se nos últimos quatro anos, e nesta fase o mercado angolano está mais retraído. Encaramos esta nova fase como uma oportunidade, pois os nossos clientes precisam de informação para tomar decisões e melhor se adaptarem às mudanças na economia angolana. A nossa opção foi lançar estudos interessantes para o negócio dos nossos clientes a preços competitivos, para ir de encontro à realidade atual. Outro desafio foi termos apostado na recolha de informação via mobile o que nos permitiu apresentar estudos com preços mais competitivos e maior controlo de qualidade, o que resulta em informação mais fiável.

Quais são os pontos fortes e qual será a estratégia da empresa para construir o seu futuro?

Os nossos pontos fortes são o profundo domínio das técnicas de pesquisa e tratamento da informação e o conhecimento do mercado angolano e das suas especificidades. É essencial em pesquisa, ter a abordagem adequada, colocar a questão da forma correta, e para isso não basta dominar as técnicas de pesquisa, é necessário conhecer as características locais e escolher e adaptar as metodologias ao mercado que se quer pesquisar. Acreditamos que com a nossa experiência e conhecimento, conseguimos fornecer insights fiáveis que identifiquem soluções e oportunidades, e possibilitem o crescimento do negócio dos nossos clientes.

Portugal ou outro País-Membro “da grande ponte que se estende do Brasil até Timor” – a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) –, fazem parte da estratégia da MIRA?

Nestes dois anos o nosso foco foi no mercado angolano, mas temos também uma equipa em Portugal, que responde a solicitações específicas que surgem no mercado português.

Portugal e Brasil são mercados interessantes e há interesses cruzados, pois temos clientes portugueses e brasileiros que procuram informação sobre Angola, informação que lhes permita conhecer as especificidades do mercado angolano de forma a realizarem investimentos de forma mais assertiva.

A MIRA posiciona-se como o parceiro, com presença no mercado angolano, capacitado para disponibilizar informação essencial para aqueles que pretendem investir em Angola.

No âmbito CPLP, em termos de cooperação económica e empresarial, considera que a mesma representa mais oportunidades ou desafios para Angola?

Sem dúvida que a cooperação empresarial é nesta fase muito importante para Angola. Angola precisa de captar novos investidores. O contexto angolano alterou-se significativamente nos últimos quatro anos. A queda do preço do petróleo resultou na escassez de divisas e Angola deixou de ter capacidade de importar com a mesma facilidade. Até 2014, em Angola tudo se importava, desde a água de mesa até aos legumes. O novo contexto económico impulsionou a aposta na agricultura e na produção local.

De notar que até 2014 o país vivia do petróleo e apenas virado para o petróleo: o petróleo empregava, o petróleo arrendava, o petróleo comprava, tudo girava à volta do petróleo.

Atualmente o país procura outros caminhos, outras soluções, diversificação e investimento.

A CPLP pode fomentar a parceira entre empresas dos vários países de Língua Portuguesa, apoiar a troca de conhecimentos e a formação. Novas oportunidades surgem, e as empresas da CPLP podem desempenhar um papel importante que seja vantajoso para ambas as partes.

“À advocacia cabe o papel de facilitar a relação entre os povos”

Divide o seu trabalho entre o escritório do SRC em Luanda e o da GCS em Lisboa. Que sinergias resultam desta ponte?

Integro dois escritórios, em Luanda o SRC|Advogados (Rodrigues Coelho & Pinto de Sousa – Advogados Associados) e em Lisboa a GCS|Advogados (Gavinhos, Rodrigues Coelho, Pinto de sousa & Associados, Sociedade de Advogados, SP, RL) que são duas entidades que funcionam e se relacionam entre si no âmbito de um Acordo de Cooperação Internacional e que são o resultado mais visível das sinergias entre Angola e Portugal. O nosso projeto profissional é, em si mesmo, para nós, a expressão máxima desta ligação umbilical entre os povos de Angola e Portugal e que está muito para além de qualquer fronteira geográfica ou política. Ao nível da advocacia lidamos diariamente com vidas (quer de sociedades, quer de pessoas singulares) que se entrecruzam pelas duas geografias, em processos sobretudo de investimento num e noutro país, que nos levam a ter de lidar quotidianamente com os dois ordenamentos jurídicos de forma indiscriminada, explorando este espaço de vida comum que, muito embora se faça de muita diversidade, consubstancia um mundo que existe para além, ou independentemente, de qualquer fronteira jurídico-administrativa. Apesar dos escritórios terem existência e atividade absolutamente autónomas e independentes, quer um, quer outro, interligam-se diariamente num universo único que é este património materializado na proximidade efetiva entre os povos que partilham, mais do que a língua, a sua própria vida quotidiana.

O SRC|advogados integra uma rede internacional que lhe permite operar em alguns dos mercados dos países de língua oficial portuguesa. Qual diria que é o principal papel da advocacia no domínio CPLP?

O exercício da advocacia nos países da CPLP tem fundamentalmente um papel de dar corpo, dar expressão formal ao desenvolvimento da vida dos povos que, fruto de uma proximidade natural e evidente (e que assenta em razões que são de todos conhecidas), agem, na maior parte das vezes, como se não houvesse qualquer fronteira administrativa. De facto, a advocacia no âmbito da CPLP permite integrar no ordenamento jurídico de cada País as relações materiais que se estabelecem entre os mais diversos interesses, independentemente da respectiva origem geográfica e que são, na maior parte das vezes, transnacionais. À advocacia cabe o papel fundamental de facilitar a relação entre os povos, encontrando forma jurídica para os interesses dos cidadãos da CPLP nas mais diversas relações que entre si decidam estabelecer.

Que desafios acarreta a Advocacia dentro da comunidade dos países lusófonos? E que vantagens?

Creio que o maior desafio que se coloca aos advogados é o de promover uma aproximação entre as pessoas e os povos, conseguindo unir vontades e interesses comuns, com respeito pelos ordenamentos jurídicos de cada país. Em relação a vantagens, para além da proximidade histórica entre os povos, a existência de uma língua comum entre os países da CPLP traduz-se em uma enorme vantagem no sentido de corporizar e simplificar a formalização das relações e interesses transversais a esses países, minimizando as barreiras geográficas e formais inerentes à existência de vários ordenamentos jurídicos e jurisdições.

De que forma avalia o Direito em países com democracias mais frágeis, como é o caso da maioria dos que integram a CPLP?

Não creio que o termo “frágeis” seja o mais adequado. Estamos perante democracias jovens e integradas num processo histórico e num contexto regional com especificidades diferentes que devem ser olhadas pelo mundo sem qualquer tipo de sobranceria, devendo enquadrar-se qualquer análise num concreto contexto social, político e económico. Relativamente à questão que me formula, é evidente que o direito é um pilar essencial na construção de qualquer democracia, na medida em que garante a constituição e o funcionamento do estado de direito democrático, sobretudo garantindo a separação dos poderes legislativo, executivo e judicial e o acesso à justiça a qualquer cidadão. Julgo que em muitos países da CPLP, fruto de um processo de construção de uma independência recente e no rescaldo, em alguns casos, de uma guerra civil que limitou e condicionou o respectivo crescimento, estamos perante a afirmação do estado de direito democrático, através de uma preocupação consciente em dotar as instituições do Estado com meios para a respectiva construção, quer ao nível das instituições político-administrativas, quer ao nível dos tribunais (funcionamento da justiça). Naturalmente haverá muito a melhorar, no entanto sou optimista, na medida em que reconheço genericamente uma forte consciência política nos Países da CPLP de que o caminho é o fortalecimento do Estado através do fortalecimento do Direito e, assim, da Democracia.

Poderá ser através do Direito que tais democracias “cresçam” e se consolidem? Porquê?

Certamente que o Direito terá um papel fundamental na consolidação de qualquer sociedade democrática. No entanto, eu não diria que é através do Direito que as democracias crescem, mas sim que é também através do Direito (por força do seu papel fundamental) que as democracias crescem. A democracia faz-se com garantias de cidadania que só se consolidam com um Estado exigente do ponto de vista do Direito, quer, como dizia na resposta à questão anterior, na construção das instituições político-administrativas, quer na garantia de acesso à justiça, com uma produção legislativa estável e com os tribunais a funcionarem de forma equilibrada do ponto de vista do processo e da concreta aplicação da lei. A advocacia é essencial para essa construção, pois constitui a garantia de que todos os cidadãos têm acesso à Justiça ou seja, à defesa dos seus direitos, das suas liberdades e das suas garantias. Ora, garantir o respeito dos direitos individuais e combater possíveis entraves ao exercício das liberdades fundamentais é hoje, na minha opinião, um dos principais desafios que se coloca à Democracia e ao Estado de Direito. A consciência crítica de uma sociedade democrática reside em muito na advocacia que desempenha um papel fundamental neste domínio.

“Estamos no mercado para ficar”

Desde 1935 que a IQV trabalha no sentido de maximizar as colheitas e proteger as culturas para rentabilizar as terras. Quem é hoje a IQV no mercado?

Em 1935 foi criada a empresa mãe “Indústrias Químicas dos Vallés”, em Barcelona, Espanha, surgindo a “IQV Agro Portugal S.A” em Dezembro de 2002, onde iniciei funções em Janeiro de 2003.

Neste trajeto a política da empresa sempre foi a de assegurar o respeito pelo meio ambiente e pelos nossos recursos naturais, minimizando o impacto da aplicação de produtos fitofarmacêuticos no nosso ecossistema. E a prova disso é que a grande maioria dos produtos produzidos ou comercializados por nós estão hoje registados e homologados para serem aplicados em produção biológica.

Diria que a empresa está hoje bem posicionada no setor, pois apesar de se tratar de uma empresa (a nível nacional) de pequena dimensão, com um quadro limitado de recursos humanos, tem conseguido afirmar-se ante as multinacionais que operam no setor.

A IQV posiciona-se como um dos principais produtores de fungicidas de Espanha. Que fatores ou que estratégia têm contribuído para a diferenciação e solidez da empresa?

O nosso catálogo abrange fungicidas, herbicidas, inseticidas e outros. Porém, somos fortes nos fungicidas como o cobre.

Apesar das crescentes preocupações com a contaminação dos solos, o uso de cobre é aceite pela agricultura orgânica ou biológica, como produto alternativo, quando utilizado dentro dos teores adequados de cobre na planta.

A nossa empresa respeita todas as normas e procedimentos da UE e nacionais, pelo que os nossos produtos estão devidamente homologados e registados no mercado, tendo sido alvo de prévios e rigorosos testes e avaliações de risco.

Em 2018 lançámos um produto totalmente biológico denominado “T34 Biocontrol”, para controlo de fungos no solo, que demonstra que estamos no mercado para ficar.

É em 2002 que a IQV abre uma filial em Portugal. Que posição assume atualmente a IQV no mercado português?

Tendo em conta que estamos no mercado português há apenas 16 anos, com um quadro de recursos humanos muito reduzido, e considerando que aqui operam grandes empresas multinacionais com anos e anos de experiência e implantação no mercado, penso que o projeto é, sem dúvida, vencedor.

A nossa quota de mercado é hoje de 5% no total nacional, e continuamos a crescer todos os anos, para o que foi decisiva a ajuda dos nossos distribuidores e dos parceiros comerciais, a par do empenho e dedicação que toda a equipa portuguesa coloca diariamente no terreno.

Com presença em mais de 60 países dos cinco continentes, e a crescer ano após ano, que principais desafios se enfrentam num mercado cada vez mais global e competitivo?

Penso que o principal desafio é convencer a população, em geral, de que apesar de a empresa visar o lucro, que não está alheia à necessidade de promover uma agricultura sustentável baseada no reconhecimento da importância da defesa do ambiente e da biodiversidade para o setor.

Temos de conseguir fazer compreender que nem todos os produtos fitofarmacêuticos são nocivos ao ambiente ou à saúde humana ou que podemos continuar a assegurar níveis de quantidade e de qualidade de produção sem a sua aplicação. Há que conseguir chegar a um equilíbrio. Para o que é também fundamental a aposta na investigação para progredir na produção sustentável de novos produtos e na sua aplicação com o menor impacto possível no meio ambiente.

Com um departamento de Investigação e Desenvolvimento, comercializam produtos que respeitem o ambiente, eficientes e de alta qualidade. Fale-nos um pouco sobre o departamento de Investigação e Desenvolvimento.

A nossa equipa de I&D está sedeada no laboratório das instalações industriais de Cheste, em Valência, bem como noutro laboratório na unidade industrial em Barcelona que em 2018 foi completamente renovado e equipado com tecnologias inovadoras, e é ali que a empresa assegura o aperfeiçoamento contínuo dos nossos produtos fitofarmacêuticos e uma melhor proteção das culturas, com reduzido potencial de impacto ambiental.

A pesquisa de novas substâncias ativas implica anos de investigação e custos elevados, normalmente com baixa taxa de sucesso. Daí que só um número muito limitado de empresas tenha recursos para realizar a I&D necessária para colocar um novo produto no mercado, como é o caso da IQV.

A Secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) afirma que é necessário que os Estados-membros da CPLP criem condições para que os empresários do bloco consigam realizar os seus negócios, bem como promover a cooperação económica e empresarial. Esta cooperação com os países membros da CPLP é o ponto forte da IQV ou a sua principal estratégia?

A IQV já está a comercializar produtos para os Estados-Membros da CPLP, nomeadamente para Cabo Verde e para São Tomé e Príncipe, através de dois distribuidores.

Porém, a empresa quer apostar mais neste mercado em crescimento, nomeadamente em Angola e na Guiné, para o qual será necessário um acompanhamento técnico mais estreito e a formação de parcerias com empresas locais, que ajudem a dinamizar o negócio, a divulgar os produtos e a possibilitar a sua comercialização.

A IQV está ciente de que a aposta neste mercado é mais um desafio a abraçar para o futuro, que não descarta, com o objetivo de continuar a crescer e a afirmar a sua presença no mercado.

A internacionalização como um caminho natural para as empresas nesta era global

Há mais de dez anos no ramo da Engenharia e Consultoria, a PROCIFISC contém um vasto portfólio em várias vertentes da construção civil. Que principais marcos pautaram o percurso da empresa ao longo destes dez anos?

Ao longo destes anos as apostas fundamentais e estratégicas da empresa centraram-se na internacionalização e na inovação, dois vetores de alavancagem da empresa assentes num pilar da qualificação dos recursos da empresa, por isso os marcos que a empresa foi conquistando, entre outras coisas, foram os da Certificação e o Reconhecimento Empresarial a nível nacional e internacional. Destacamos o ano em que nos tornámos uma empresa certificada, em 2010, e o ano em que nos internacionalizamos, em 2011.

Filipe Lourenço, CEO da PROCIFISC, afirma que “inovar e criar são duas matrizes que estão no ADN” da PROCIFISC. Que outros fatores fazem parte da estratégia da empresa?

Internacionalizar é obviamente um vetor estratégico da empresa para assumir uma marca do mercado global. Este vetor tem sido prioritário a nível de investimento da empresa.

É, ainda, Presidente da União de Jovens Empresários da CE-CPLP. Quando é que surge este projeto na sua vida? E porquê?

O projeto da União de Jovens Empresários da CE-CPLP é criado em agosto de 2017 e surge como um chamamento para ajudar outros empresários a ir além-fronteiras e vice-versa. Relações e ligações que mantenho desde 2014 são inevitavelmente pontos de sinergias que levaram a este processo e conduziram a uma vontade coletiva de criar este projeto da União de Jovens Empresários e Empreendedores da CPLP.

A UJE CE-CPLP integra jovens de atividades empresariais e empreendedoras, bem como todas as associações de âmbito setorial ou multissetorial empresarial dos Países Membros e Observadores da CPLP. Que importância assume este organismo no âmbito da CPLP?

A UJE CE-CPLP assume-se efetivamente como um braço económico da Confederação Empresarial CPLP tendo em vista a dinamização de negócios de relações de culturas de sinergias entre os nossos Estados-Membros e os países observadores. De destacar que nos consideramos um organismo diferente, inovador e disponível para os nossos associados.

A UJE CE-CPLP surge no contexto e na era da globalização para se constituir como um veículo de excelência para as empresas se sentirem apoiadas no seu processo de internacionalização. Hoje, a internacionalização é uma inevitabilidade para as empresas?

Pergunta pertinente. Inevitabilidade não diria, mas vejo a internacionalização e o processo da internacionalização das empresas como um caminho natural para as empresas nesta era global.

Afirma que internacionalizar deixará de ser um problema, mas sim uma solução com a UJE CE-CPLP. De que forma? A que objetivos se propõe a UJE CE-CPLP futuramente?

Na UJE CE-CPLP estamos e estaremos permanentemente focados em apoiar e ajudar os nossos associados a serem bem-sucedidos além-fronteiras. Não vamos prometer o que não faz sentido, mas estamos e estaremos sempre comprometidos a 500% com o trabalho que temos que desenvolver para atingir os objetivos da organização e dos associados. Apenas será possível termos um organismo de excelência se as empresas associadas tiverem sucesso por via do trabalho que a UJE CE-CPLP possa desenvolver para as mesmas.

“É preciso vivermos a CPLP”

O Fundo do Projecto Coca-Cola (FPCC), foi constituído em 2000, e tem missão apoiar o desenvolvimento estruturado e sustentado da região onde se insere. Desta forma, quais são as principais mais valias deste projeto e que balanço é possível perpetuar destes 18 anos de atividade?

As mais-valias têm sido na complementariedade que o FPCC tem dado ao Estado angolano, no financiamento de novos projetos económicos e sociais que criam empregos, riqueza para o país e ajuda a diminuir as assimetrias entre as localidades de intervenção, melhorando as condições de vida da população. Ao longo dos 18 anos o FPCC teve uma ctuação positiva, dado os resultados alcançados que permitiu ajudar a diminuição das carências socio económicas de vários municipios, distritos e comunas da província de Luanda.

Quais são as regiões e zonas de atuação do FPCC e de que forma têm vindo a alcançar resultados positivos?

Atualmente a zona de atuação resume-se a província de Luanda essencialmente, mas devido a algumas situações de extrema necessidade de financiamento de determinados projctos extruturantes, o FPPC já financiou alguns projetos fora da província de Luanda. Os resultados têm sido positivos mediante o desenvolvimento de uma política de acompanhamento e responsabilização dos promotores e dos projetos.

Quem não conhece o FPCC, de que forma o podemos caraterizar? Quais são ainda as maiores dificuldades que enfrentam diariamente?

O FPCC é um fundo tutelado pelo Ministério da Indústria e das Finanças e que pretende apoiar o Estado na criação de novas unidades produtivas e estratégicas e consequentemente a promoção do emprego. As dificuldades resumem-se essencialmente com o retorno dos empréstimos atempadamente e a falta de preparação dos promotores face aos negócios apresentados.

Ao longo destes 18 anos creio que tiveram inúmeras vitórias. Existe algum projeto/programa/iniciativa que tenha maior simbolismo para vocês? Se sim, qual e porquê?

O FPCC tem alguns projetos relevantes e estruturantes de onde se realça o projeto da eletrificação do município de Icolo e Bengo, com mais de 70 mil habitantes (Fonte: INE, RGPH 2014, Resultados Preliminares), onde cerca de 70% da população vai passar a ter luz elétrica domiciliária no final da execução do projeto.

No domínio da vossa atuação, que análise perpetua sobre Angola? De que forma é que vocês têm contribuído para o crescimento do potencial do país?

O FPCC tem uma equipa jovem, dinâmica e como tal, esperamos um país melhor que aposta seriamente na juventude, na formação do seu capital humano e acima de tudo na inovação e desenvolvimento de novos produtos e serviços. Temos vindo a procurar apoiar projetos que complementam as indústrias existentes contribuindo assim para a diminuição das importações de simi e até mesmo produtos sem perder de vista as linhas mestras definidas pelo executivo nos seus diversos instrumentos de operacionalidade das políticas públicas.

A CPLP tem sido um parceiro importante na vossa dinâmica quotidiana? Se sim, de que forma?

Não. Atualmente o FPCC face ao decreto da sua criação, está muito voltado para a província de Luanda, numa dinâmica restritiva. Como proposta de alteração do mesmo instrumento jurídico pretende-se uma instituição mais cooperante e atuante com base na nova dinâmica económica e financeira dos mercados.

Quais são os principais desafios de futuro do FPCC?

Os desafios são essencialmente alteração do âmbito de atuação para uma instituição de âmbito Nacional; Financiar mais projetos que complementam as indústrias existentes visando a sustentabilidade da cadeia de valor dentro do processo produtivo. O outro grande desafio passa pela procura de novas formas de investir o capital do Fundo, permitindo assim uma maior rotação e consequente rentabilidade do mesmo.

Qual é o seu ponto de vista pessoal sobre a CPLP?

Com a dinâmica das sociedades e com a oportunidade que tive em trabalhar em dois países da CPLP (Portugal e Guiné-Bissau) além de Angola, penso que mais do que falarmos de CPLP é preciso vivermos a CPLP, criando estratégias de mobilidade intensa (pessoas, bens e capital) entre os estados membros mediante a criação de projetos de intercâmbio cientifico, cultural, empreededor que visa esbatermos as distâncias geográfica dos povos e interagirmos cada vez mais no plano comum que é a Língua Portuguesa.

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