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Depressão: Cinco dicas para ajudar alguém

Nos casos de depressão, como explicado na publicação Dicas de Mulher, apenas profissionais médicos, como psicólogos e psiquiatras, serão capazes de tratar efetivamente o problema.

No entanto, saber como lidar com alguém deprimido é fundamental. Na verdade, muitas vezes, na ânsia de ajudar, podemos estar a piorar a situação…

Estude a depressão

Ninguém em perfeita consciência diria a um doente com alguma doença grave que o problema está na sua cabeça e que basta ter força de vontade. No entanto, é exatamente isso que acontece muitas vezes quando o assunto é depressão, sendo que um dos principais culpados por esse tipo de atitude é a ignorância.

Ajude com consciência, pesquisando e aprendendo mais sobre esta doença.

Nunca deixe subentendido que se trata de força de vontade

Para grande parte da população a depressão ainda é erradamente vista como um sinal de fraqueza. Coloque-se no lugar do individuo: já imaginou estar doente e ser ainda acusado de fraqueza e de ser responsável pelo problema?

Evite dizer o que a pessoa deveria ou não deveria fazer

Ao sofrerem de depressão, muitos dos pacientes têm dificuldade em fazer simples atividades do dia a dia, como tomar banho, vestir, trabalhar ou sair com os amigos. Para quem está de fora, pode parecer óbvio que, estar mais presente e ativo socialmente pode ajudar a combater o problema. Todavia, é importante ter em mente que se trata de uma doença, e que não vai passar apenas por essa pessoa ir ao cinema ou dar um passeio no parque.

Não faça comparações

‘Mas tens tudo! Casa, saúde, pessoas que te amam, emprego… não tens motivo para estar assim. Há pessoas que nem têm o que comer’.

Comparações deste tipo são extremamente maléficas e prejudiciais para quem sofre de depressão, que se sentirá assim culpado por não conseguir combater aquela doença por si próprio.

Procure ouvir mais e falar menos

Tente não dar tantas sugestões sobre o que acha apropriado e tente ouvir o que o doente tem para dizer – que a principio pode não ser muito. Todavia, só o facto de mostrar que está disponível para ouvir fará com certeza com que o doente se sinta melhor.

Finalmente, incentive sempre a pessoa com depressão a procurar ajuda profissional.

Medicina chinesa diz que há dois tipos de depressão

Esta que é uma das doenças mais comuns da atualidade merece a atenção por parte de vários especialistas e inúmeras abordagens de tratamento, por toda a complexidade que a envolve.

A medicina chinesa, refere o The Chalkboard, segue uma abordagem diferente das mais habituais e parte do pressuposto de que, se somos todos diferentes, devemos ser tratados por uma abordagem única. Assim, para personalizar ao máximo o tratamento, a medicina chinesa faz por ‘ouvir’ os órgãos que mais sintomas apresentam,sendo este um meio para se perceber o que se passa internamente no paciente depressivo.

Em resumo, dizem os especialistas desta terapia que há dois tipos de depressão: a deficiente e a excessiva.

O primeiro caso é indicado por sintomas como língua pálida ou pálpebras rosadas ou pálidas, por exemplo, sendo também a tristeza um fator bastante comum nestes casos. O seu tratamento passa por acupuntura e mudanças na alimentação.

Já no caso da depressão excessiva, distensão no peito, náuseas, vómito, falta de apetite e diarreia são os sintomas mais comuns, a que se conjuga o sentimento de raiva. Este tipo de depressão é normalmente causado pelo trabalho em excesso que leva a adrenalina e stress.

Após a identificação destes sintomas, a medicina chinesa foca-se nos próprios órgãos, sendo que cada parte do nosso corpo se relaciona com diferentes sentimentos. Deste modo, o problema que não se relaciona apenas com o psicológico poderá ser tratado de um modo mais direcionado, defendem os especialistas.

Eis os principais órgãos que se relacionam como o lado emocional do ser humano:

Fígado: relaciona-se com a criatividade, desenvolvimento artístico, intuição e a capacidade de fazer planos e os seguir, aponta o The Chalkboard. Quando não está bem, o fígado stressado leva à depressão pela falta de inspiração e foco: no caso de excesso, o resultado é um comportamento irracional, já no caso de depressão por défice, observa-se falta de coragem ou mesmo sono em excesso.

Pulmão: Este órgão responde através da pele e vários sentidos. Quando os pulmões estão fracos, os indivíduos ficam vulneráveis e sensíveis para com os outros.

Baço: A atividade mental e capacidade de pensar sobre um problema são aspetos que se reacionam com o baço. A depressão em excesso reflete-se em preocupação, pensamentos obsessivos e incapacidade de concentração, já na depressão em défice, o principal sintoma é dificuldade de concentração e falta de interesse em várias tarefas. Obsessão por comida também surge como consequência.

Rins: associam-se à memória, ambição e força de vontade. É o órgão que mais se associa às emoções, devido à sua relação com histórico genético. Neste caso, há uma associação física para com a depressão, sendo que quando se sente frio nos rins, normalmente estamos perante sentimento de medo.

Exposição solar controlada é benéfica para saúde física e mental

João Costa Amado falava à Lusa a propósito da sessão “Sol (e) água na saúde e na doença”, promovida pelo ICS e que visa alertar para os benefícios e perigos do sol e as vantagens que poderão surgir com a utilização da água termal em termos de medicação e qualidade de vida.

Esses “benefícios físicos e psíquicos” são acrescidos quando se trata da população “com idade mais avançada”, sendo “muito importante” para os estimular a nível cerebral, indicou o docente do Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica, Responsável pelo mestrado em Gerentologia e Cuidados Geriátrico.

Apesar das vantagens identificadas, o especialista alertou para os riscos que uma exposição ao sol desprotegida pode trazer, sendo “fundamental” a utilização de protetor solar de forma repetida, o uso de chapéu e óculos.

“Recomenda-se, principalmente para as crianças, para as pessoas com a pele clara ou que tenham problemas de saúde associados, um protetor com fator [de proteção] solar 50”, sendo o 30 o mínimo aconselhado, de forma a evitar os “escaldões”.

Segundo o docente, devem ser evitadas exposições entre as 11:00 e as 17:00, período durante o qual as radiações são mais fortes, devendo as pessoas buscar sempre uma zona com sombra, que lhes permita proteger das horas de maior calor.

“Deve-se também ter atenção à exposição solar em caso de toma de determinados medicamentos (como antibióticos e remédios para tratamento da acne), que podem agravar os efeitos adversos da radiação”, referiu, acrescentando que “o consumo não controlado do sol” reflete-se “num aumento da incidência de cancro”.

Relativamente à água termal, outro dos assuntos abordados durante a sessão, João Costa Amado indicou que os seus efeitos benéficos proporcionam uma melhor qualidade de vida e uma redução na medicação habitualmente consumida para controlar certas doenças, como é o caso da artrite reumatóide.

O docente defende ainda a necessidade de ingestão de águas controladas, de forma a evitar doenças infecciosas e contaminações, sobretudo nas camadas mais jovens, visto que depois dessa faixa etária “vai-se criando alguma resistência a nível intestinal”.

“Se não temos água canalizada, precisamos ter a certeza de que a que consumimos está em condições”, passando-se o mesmo “quando vamos para países onde não temos segurança sobre as análises bacteriológicas”, sendo mais adequado, nesses casos, adquirir este produto engarrafado.

Na iniciativa “Sol (e) água na saúde e na doença”, a decorrer hoje a partir das 17:30, participam, para além do docente, a fisiatra Isabel Santos, do Hospital de Paris (França), e o dermatologista António Massa.

Esta é a penúltima sessão do ciclo de conferências “Quintas com Saúde”, projeto que tem como objetivo, segundo o coordenador João Costa Amado, prestar um serviço à comunidade e, sobretudo, aumentar a literacia da população em relação à saúde.

434 0 Mais depressões são tratadas com electrochoques

A electroconvulsivoterapia — ou, usando a designação mais popular, os “electrochoques” — está a ser mais usada para tratar depressões graves. O sector privado tem vindo a disponibilizar mais este tratamento — conhecido também pela sigla ECT — e, mesmo no sector público, têm sido criadas nos últimos anos mais unidades especializadas, diz Álvaro Carvalho, director do Programa Nacional para a Saúde Mental, da Direcção-Geral da Saúde. “Há mais uso, o que não quer dizer que haja abuso”, ressalva.

Para além disso, “várias são as instituições que andam a renovar as suas máquinas de ECT”, afirma Jorge Mota, responsável pela unidade de electroconvulsivoterapia do Hospital de Magalhães Lemos, no Porto. Aqui passou-se de 252 tratamentos de ECT, em 2006, para mais de mil por ano, desde 2013. E só não se fazem mais, garante, porque o número de camas “é limitado”.

Metade dos doentes tratados nesta unidade do Porto (cada doente implica várias sessões) tem depressões, explica o médico que é também vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Electroconvulsivoterapia, e que está a preparar um livro sobre o assunto. Os restantes têm esquizofrenia.

No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a unidade de ECT foi criada em 2014. São realizadas cerca de 200 sessões por ano. “Tem havido um aumento progressivo”, relata Maria João Heitor, directora do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental. A maioria dos doentes tratados têm depressões.

O procedimento de ECT é efectuado sob anestesia geral. Não é uma terapêutica de primeira linha, como sublinha Maria João Heitor, está indicado para casos muito específicos, como se verá adiante. Na região temporal da cabeça é aplicado um estímulo eléctrico, com uma carga suficiente para produzir uma convulsão de curta duração.

De Coimbra, onde, no ano passado, se realizaram 100 sessões de ECT (a nove doentes, oito deles com depressão major) chega esta resposta, por email, às perguntas do PÚBLICO : “A tendência sentida nos últimos anos é de um claro aumento da utilização da ECT como terapêutica eficaz, rápida (em média, após quatro a seis sessões já são visíveis melhorias sintomáticas significativas) e segura para algumas doenças psiquiátricas graves.”

Joana Andrade, a médica psiquiatra que coordena a unidade de ECT do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), explica ainda que outra técnica de estimulação do cérebro, “a estimulação magnética transcraniana repetitiva”, está igualmente a ser usada, fruto de uma colaboração do Centro de Responsabilidade Integrada de Psiquiatria do CHUC com a Universidade do Minho e Universidade de Harvard (“as patologias em que foi objectivada maior eficácia terapêutica foram a depressão major e a dor neuropática”, conta).

Esta técnica de estimulação magnética (baseada “na indução de campos magnéticos no córtex por uma bobina aplicada directamente na cabeça”, com menos energia a ser transferida para o cérebro do que na ECT) faz parte quer de protocolos de tratamento (para a depressão, por exemplo), afirma Joana Andrade, quer de protocolos experimentais (para doentes com Perturbação Obsessiva Compulsiva, por exemplo). “A diferença é que para uns o nível de evidência favorável permite já a sua recomendação formal para tratamento, e nos outros esta evidência ainda está a ser construída.”

Má reputação

No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o número de tratamentos tem-se mantido estável, segundo o gabinete de comunicação: “O número anual de sessões é variável mas, geralmente, em média, são efectuados entre 150 e 200 tratamentos. Estas sessões dizem respeito ao tratamento de doentes com depressão, mas não só. Também são efectuados tratamentos a doentes com psicose, catatonia ou doença bipolar. Em média, um doente com depressão grave necessita de oito sessões.”

O PÚBLICO procurou dados noutros hospitais, nomeadamente no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, que não responderam em tempo útil. Mas olhando para as respostas dos especialistas contactados, a tendência observada noutros países parece existir em Portugal: o “velhinho” tratamento está a ver melhorar a sua reputação.

“Os abusos nos hospitais psiquiátricos nos anos 70, o uso dos electrochoques como medida coerciva, por exemplo, levaram muitos colegas meus, mais velhos, a contestá-los”, diz também Álvaro Carvalho. Uma nova geração de médicos estará hoje mais à vontade com estes tratamentos, afastadas que estão as “reacções emotivas” que os antigos exageros provocaram.

Mais: se viu o filme Voando Sobre Um Ninho de Cucos, de Milos Forman, com o jovem Jack Nicholson (interpretando a personagem Randall McMurphy) a ser submetido num cubículo com uma maca a um tratamento de electrochoques, a imagem dele a estrebuchar de dor, agarrado por vários enfermeiros, o rosto rubro com as veias a latejar, ter-lhe-á ficado gravada na memória. Contudo, a electroconvulsivoterapia que hoje se faz está longe de ser isso, garantem os médicos.

Aliás, segundo explica o norte-americano Francis Mark Mondimore, no livroPerturbação Bipolar (Climepsi), sendo um filme de 1975, o Voando Sobre Um Ninho de Cucos retratou a ECT tal como ela “se fazia por volta de 1945, o que não ajudou”.

“Houve uma altura, com o movimento da antipsiquiatria, que a ECT caiu em maior desuso”, diz Maria João Heitor. “Actualmente, existem normas orientadoras, baseadas na evidência científica, que suportam e fundamentam a sua utilização de uma forma segura e eficaz.”

Para idosos e grávidas

Não é que os receios se tenham dissipado totalmente. A imprensa dos EUA continua a ser palco de um intenso debate entre os defensores e os detractores dos electrochoques (sobretudo numa altura em que a Food and Drug Administration pondera reclassificar o grau de risco dos aparelhos usados em ECT para tratamento de episódios graves de depressão em adultos, da classe III, nível máximo de risco, para a II). Nos jornais, há doentes que relatam experiências de melhoras sem paralelo e outros que se queixam de ter perdido memórias da sua vida, para sempre.

A propósito destes relatos a Associação Americana de Psiquiatria diz, na sua página na Internet, que os riscos devem ser sempre contrabalançados pelas “consequências de um tratamento ineficaz de distúrbios psiquiátricos graves”. É que, sublinha, quem é encaminhado para ECT está, muitas vezes, em risco de vida.

Álvaro Carvalho nota que estamos sempre a falar de um tratamento para casos excepcionais. Está indicado, por exemplo, “para depressões muito graves, com um elevado risco de suicídio”, resistentes aos medicamentos; para grávidas com depressão muito grave; e, “nalguns tratados, vem também a indicação para a anorexia nervosa muito grave e para algumas formas catatónicas de esquizofrenia”.

“Frequentemente, as pessoas ficam surpreendidas quando lhes é explicado que é um tratamento mais seguro do que a medicação nas grávidas e nos idosos com patologia cardíaca e com polimedicação”, diz Maria João Heitor.

“Paradoxalmente”, prossegue a médica, “quanto mais grave a depressão, melhor a eficácia do tratamento”. Doentes com depressão grave ou depressão psicótica “têm taxas de recuperação de 80-90%”, contra 30% com antidepressivos.

Ainda assim, e apesar da sua eficácia, “se não for mantida terapêutica profilática (ECT ou medicação), as recaídas são extremamente frequentes”, acrescenta Maria João Heitor.

Certo é que a ECT parece estar a ser “reabilitada”. O que, para Jorge Mota, deve-se essencialmente a estes factores: “aumento de utentes nos hospitais psiquiátricos; rapidez de recuperação com a ECT, comparando com os psicofármacos; melhoria clínica sentida, em muitos casos, superior à conseguida com os psicofármacos, sobretudo nos doentes com resistência aos medicamentos”. Doentes que, nota, não sentiam melhoria nenhuma antes de se submeterem à ECT.

“Podemos agora, corrigidos alguns erros na antiga prática de ECT, estar a assistir ao regresso aos níveis de utilização antigos”, acredita.

Como funciona?

Hoje as boas práticas mandam que o doente seja anestesiado. “Uma equipa de enfermagem acolhe-o, sossegando a sua ansiedade e satisfazendo as suas dúvidas, no caso de doentes a iniciar tratamento”, explica Jorge Mota. Depois, é vigiado durante todo o procedimento.

“Usamos [no Hospital de Magalhães Lemos] uma máquina de corrente constante da MECTA (Monitored Electro Convulsive Therapy), uma spECTrum 5000Q, que funciona por micro-impulsos, com controle dos quatro parâmetros do impulso eléctrico (corrente, duração do pulso, ciclo, e duração total).”

É feita uma administração de breves correntes eléctricas, na cabeça, que estimulam o cérebro e causam uma resposta muscular. “O estímulo é aplicado tanto uni como bilateralmente, com doses duas vezes e meia (bilaterais) ou seis vezes (unilaterais) superiores ao limiar convulsivante medido na primeira sessão de tratamentos”, prossegue o médico.

Cada doente faz tratamento três vezes por semana, num total entre seis a 12 sessões. E quando é necessário prevenir recaídas, é colocado em programas de manutenção. “Pela investigação efectuada na nossa unidade e publicada noJournal of ECT, revista de referência na área, [as manutenções] permitem reduzir o número e duração dos reinternamentos.”

Enjoos, confusão, dores de cabeça, arritmias, perdas temporárias de memória estão entre os efeitos secundários mais comuns.

Nova explicação genética para a depressão

Trata-se de um passo para melhor compreender a componente biológica desta doença e ajudar ao desenvolvimento de novos tratamentos.

Embora se saiba que a depressão não se limita apenas aos aspetos psicológicos e pode atingir famílias inteiras, a maioria dos estudos anteriores não conseguiu identificar as variações genéticas que influem no risco de depressão, em particular nas pessoas de ascendência europeia.

Realizado por investigadores norte-americanos, este novo estudo, hoje publicado na revista especializada Nature Genetics, identificou 17 variações genéticas de risco potencial, repartidas por 15 regiões do genoma.

O trabalho descreve “as primeiras associações genéticas representativas com o risco de Transtorno Depressivo Major (TDM) nos indivíduos de origem europeia”, sublinha a revista.

Este vasto estudo, classificado como “pangenómico”, engloba mais de 121.000 pessoas que declararam ter-lhes sido diagnosticada uma depressão ou ter recebido tratamento para a doença. Estão também incluídas 338.000 pessoas que declararam não ter antecedentes de depressão.

Os investigadores utilizaram os dados provenientes da empresa norte-americana de genética 23andMe, que vende testes de ADN a particulares para avaliar o seu risco genético de desenvolver determinadas doenças.

“A identificação dos genes que têm influência no risco de uma doença é uma primeira etapa para a compreensão da biologia da própria doença”, explica Roy Perlis, do Massachusetts General Hospital, coautor do trabalho.

“Esperamos que a descoberta destes genes nos oriente para novas estratégias de tratamento”, acrescenta o especialista, também professor agregado de psiquiatria na Harvard Medical School.

Um estudo recente tinha identificado duas variações genéticas (ou mutações) que podem contribuir para o risco de desenvolver esta doença nas mulheres chinesas, mas tais mutações são extremamente raras noutras populações.

Esta análise identificou nomeadamente genes do sistema nervoso e genes envolvidos no desenvolvimento do cérebro, bem como um gene anteriormente associado à epilepsia e ao défice intelectual.

Em termos mais gerais, Roy Perlis estima que “encontrar genes associados à depressão deverá ajudar a dizer claramente que se trata de uma doença do cérebro”, esperando assim “diminuir a estigmatização” dos doentes.

A depressão atinge mais de 350 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Cogumelos alucinogénicos anularam sintomas de depressões profundas

Uma substância alucinogénica existente nos cogumelos consumidos pelos astecas e que se popularizou na contracultura do movimento hippy anulou os sintomas de depressões profundas de 12 voluntários, numa investigação levada a cabo pelo Imperial College London cujos resultados foram revelados na publicação ciêntifica “Lancet Psychiatry Journal”.

Uma semana após terem tomado psilocybin, a substância alucinogénica que se encontra ilegalizada, os sintomas haviam desaparecido em todos os voluntários, situação que se mantinha três meses mais tarde. Todos os doentes, que sofriam de depressões profundas, não haviam obtido melhoras com tratamentos anteriormente efetuados com pelo menos dois antidepressivos de uso comum.

Apesar dos resultados muito significativos da investigação, os autores realçam que são precisos mais testes para que estes possam ser conclusivos. O uso de substâncias placebo em simultâneo com a substância em estudo é a prática habitual, para determinar se os resultados não podem estar a surgir apenas devido ao efeito da sugestão. Neste caso, contudo, os investigadores consideram que tal representará uma dificuldade, uma vez que os envolvidos facilmente vão perceber se estão ou não sob o efeito de alucinogénicos.

Os investigadores aconselharam as pessoas a não tomarem este tipo de drogas por sua própria iniciativa e conta. “As drogas psicadélicas têm fortes efeitos e só são fornecidas na nossa investigação quando estão estabelecidas as necessárias precauções, tais como a supervisão cuidada e o apoio terapêutico profissional”, frisou Robin Cahart-Harris, que liderou a investigação.

Cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo são afetadas por depressões profundas. A medicação tradicional não é eficaz em cerca de um décimo dos pacientes.

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