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Os SIG na palma da mão de todos nós

Este ano, o GISDAY comemora-se a 15 de novembro, um evento inserido na Geography Awareness Week, que a National Geographic Society (EUA) promove desde 1987 com o objetivo de divulgar os Sistemas de Informação Geográfica. Depois de 30 anos, o que continua a ser importante revelar às pessoas e que elas ainda não sabem? 

Nestes 30 anos, a GISMÉDIA participou em 20, com uma atividade muito diversificada nos mercados a que se dirigiu ao nível nacional com algumas participações em conferências e projetos internacionais.

Que evolução tem ocorrido nesta matéria? 

Durante estes anos de atividade pudemos acompanhar a evolução da utilização dos SIG em três fases. Nos primeiros anos preferencialmente por Instituições de Ensino, Organismos Públicos, quase sempre ligados à área das utilities. Esta fase caraterizou-se pelo uso de software proprietário de vários fornecedores e destinado, fundamentalmente, ao conhecimento das áreas de intervenção do negócio, fosse ele uma rede de transportes ou um Plano Diretor Municipal.

Paulatinamente, com a maior oferta de cartografia fiável/certificada e técnicos especializados, as grandes empresas e instituições públicas passaram a integrar informação do negócio e beneficiar da capacidade de análise espacial que o software passou a proporcionar. Do ponto de vista do software é a fase do open source e da standardização designadamente a norma INSPIRE no âmbito europeu. Acompanhada de métodos de outras disciplinas, por exemplo a estatística, a análise relacional dos fenómenos permitiu a sua representação em plataformas que, entretanto, se democratizaram. A tomada de decisão conta agora com a ajuda dos SIG. O marketing e os estudos de mercado foram as novas áreas onde mais se evidenciou o uso das ferramentas SIG.

A terceira fase é a era dos SIG na internet. A partilha das plataformas de desenvolvimento e de representação, o aproveitamento das capacidades dos dispositivos móveis levaram os SIG à palma da mão de todos nós.

De forma a elucidar os nossos leitores, o sistema de informação geográfica é um sistema que pode ser utilizado em que contextos? 

Na GISMÉDIA entendemos que os SIG são mais um recurso para o desenvolvimento de qualquer atividade, seja ela a gestão do território, a gestão de uma rede de comunicações ou de transportes, ou a prevenção de catástrofes naturais como a que vivemos em Portugal com os recentes incêndios ou uma campanha publicitária.

Por outro lado, os SIG deve ser outro sistema transversal em qualquer organização, tal qual um sistema operativo. Por isso, o contexto é universal em termos dos setores de atividade e geral dentro das organizações.

A internet disseminou a utilização da tecnologia SIG para todos os tipos de utilizadores, como por exemplo, através do Google Earth. Que outros exemplos podem ser considerados?

Ao nível nacional podemos considerar exemplos como o SNIG da DGT, o SIIA da ANACOM. No âmbito internacional apontamos exemplos mais populares como Uber e a AirBnB nos quais a componente geográfica é essencial para localização e ajuda à contextualização de preferências e, consequentemente, de escolhas criteriosas.

Uma seleção de um software SIG, hoje, deve ter em consideração que funcionalidades? 

O universo 4.0 em que vivemos requer capacidade de interoperabilidade com vários sistemas e de constituir repositório inteligente gerador de informação utilizável por agentes inteligentes autónomos, como a robótica, a internet das coisas (Iot), fonte de matéria-prima para Big Data e estímulo aos profissionais de Data Science. 

Por que devem as entidades optar pela GISMÉDIA? 

A GISMÉDIA oferece a confiança de 20 anos a desenvolver e a implementar SIG em vários sectores de atividade (transportes, saúde, ambiente, gestão do território, comunicações) em clientes de referência. Ao mesmo tempo, o uso de tecnologias e dados abertos gera soluções economicamente menos onerosas.

A facilidade de constituição de equipas tecnicamente atualizadas e altamente especializadas na consultoria e desenvolvimento de soluções multimédia de SIG em estreita colaboração com as equipas dos clientes.

Esta experiência permite-nos propor soluções inovadoras que resolvem problemas reais, assentes em casos de sucesso, é uma das garantias que aportamos aos projetos de quem nos consulta.

Sistemas de Informação Geográfica: Uma ferramenta transversal

Este ano o Gisday comemora-se a 15 de novembro, no entanto, há quatro anos que a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) organiza, em abril, uma semana dedicada ao Gisday – o Gisdays. Nestes dias aposta-se na formação e em workshops, complementados por conferências com oradores convidados influentes. “Tentamos trazer, nessa semana, novidades relacionadas com o curso, tanto no que diz respeito às novidades de software como as do mercado”, começa por referir Alberto Gomes.

A verdade é que os Sistemas de Informação Geográfica estão no nosso dia-a-dia. “Estão no trânsito, na localização aeronáutica naval, nos incêndios e na  localização de pessoas. Fazem parte do nosso dia-a-dia. Algumas das perguntas que fazemos logo pela manhã, relacionadas com o tempo que vai fazer para decidir o que vestir, como está o trânsito para optar pela melhor via, tudo isso se relaciona com os Sistemas de Informação Geográfica”, explica o nosso entrevistado para quem os SIGs estão em constante evolução. “Falta sempre fazer mais alguma coisa no que diz respeito aos SIGs porque estamos constantemente a gerar novas necessidades e a gerar novos produtos”.Por isso mesmo “Portugal precisa de tornar-se mais competitivo e fazer algumas mudanças no que diz respeito à abertura dos dados geográficos, particularmente, nas instituições oficiais. As universidades têm um potencial muito forte para a investigação, mas para isso é preciso terem acesso aos dados”, esclarece o diretor do Mestrado em SIG.

Estamos, cada vez mais, a caminhar para o desenvolvimento e uso de software livre, “mas estes novos softwares devem ter em atenção a questão da localização e, sobretudo, a questão das ferramentas de análise. A sociedade em geral faz mais perguntas. Quer saber mais, quer mais respostas, quer consumir mais informação. E o software deve ter essa capacidade de resposta”, afirma Alberto Gomes. 

UM CURSO ABERTO A TODA A COMUNIDADE

É importante destacar a importância dos Sistemas de Informação Geográfica para o quotidiano das sociedades humanas, divulgando as suas potencialidades e os seus contributos à comunidade. O Mestrado em SIG e Ordenamento do Território é um curso aberto a toda a comunidade, garante o nosso entrevistado, e que pretende formar geógrafos que lidem bem com as ferramentas de informação geográfica e que saibam produzir conhecimento, nomeadamente na questão do ordenamento do território, nos riscos naturais e tecnológicos e na formação global dos alunos no domínio das novas tecnologias. “Temos tido um público diferenciado no Mestrado em SIG e OT. Temos 30 vagas disponíveis e, invariavelmente, todos os anos inscrevem-se cerca de 15 alunos não provenientes da nossa licenciatura em Geografia e que nos escolhem para complementar a sua formação. Também somos procurados por profissionais já colocados no mercado de trabalho, mas que pretendem complementar a sua formação para melhorar a sua qualificação e, consequentemente, a sua posição no posto de trabalho”, explica-nos Alberto Gomes. “Orgulho-me de dizer que temos ex-alunos a trabalhar em instituições europeias, na ONU, em várias instituições governamentais e autárquicas, e ex-alunos que criaram as suas próprias empresas”, adianta.

O Mestrado em SIG foi criado em 2008 e desde então a procura tem sido “regular”, “interessante”, e “desafiante”. “Trouxe algo novo à Geografia e veio iniciar uma nova prática ao sermos procurados por alunos de formações diferentes da nossa. É algo muito interessante, mas também desafiante. Temos, igualmente, alguns alunos estrangeiros, no âmbito do programa Erasmus, mas também fora deste programa. Desde a América do Sul à Ásia e à África do Sul”, ressalta o nosso entrevistado.

Nos últimos dois anos, o Mestrado em SIG sofreu uma mudança na sua estruturação com a incorporação de novos professores para ter um corpo docente mais coeso e diversificado. O futuro, esse, passa por olhar agora para os desafios. “Temos de estar atentos ao mercado, trabalhar na ligação entre as empresas e os nossos alunos. Para tal, temos em marcha a criação de um observatório com o propósito de rastrear o percurso profissional dos nossos ex-alunos e estabelecer um contacto direto com eles. Vamos tendo feedbacks que procuramos incorporar nas nossas formações e no Gisdays, o qual pretendemos consolidar. Queremos aproximar mais a universidade e o curso ao contexto envolvente, sejam instituições, ex-alunos, alunos, empresas”, avança Alberto Gomes.

O foco passará também por apostar nas parcerias e, em particular, em parcerias internacionais. “Temos em vista uma parceria com a universidade federal de minas gerais, Brasil, para consolidar o intercâmbio de alunos e de professores, mas também de software. É uma universidade forte no desenvolvimento de software livre e queremos aproveitar essa mais-valia, conjugando-a com um dos nossos pontos fortes que é a análise espacial”, conclui Alberto Gomes.

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