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ROC discutem Auditoria e Novos Caminhos no XIII Congresso

A Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC) organiza a 12 de setembro, no Fórum Lisboa, o XIII Congresso dos ROC. O evento tem como tema “Auditoria – Novos Caminhos” e o desenvolvimento e novas tecnologias, a cibersegurança e a globalização são alguns dos assuntos em destaque, num programa marcado pela participação de oradores de mérito reconhecido a nível global.

O futuro da economia e das finanças passará por caminhos determinados pela evolução tecnológica e social e a OROC trabalha para que a auditoria esteja na frente dos percursos, eventualmente desconhecidos, apresentando soluções e fornecendo respostas para os problemas e questões em constante evolução e mudança.

A cada três anos, o Congresso dos ROC tem-se posicionado como o evento de referência para a reflexão sobre as temáticas mais pertinentes e na sua XIII edição, a 12 de setembro, conta com um painel de oradores que dispensa apresentações e garante que a discussão a ter lugar neste evento seja incontornável.

A abertura do XIII Congresso dos ROC cabe a José Rodrigues de Jesus, Bastonário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, num painel que conta ainda com as intervenções do Professor Mário Centeno, Ministro das Finanças, da Dra. Gabriela Figueiredo Dias, presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e do Conselheiro Ernesto Cunha, Vice-Presidente do Tribunal de Contas.

Para debater o tema Desenvolvimento e Novas Tecnologias está confirmado um painel composto pela Professora Fernanda Ilhéu, Investigadora e Professora do ISEG, o Padre Afonso Seixas Nunes, Sacerdote Jesuíta e Docente na Universidade de Oxford e o Professor Arlindo Oliveira, Presidente do Instituto Superior Técnico.

Depois do almoço discute-se Governo das Sociedades, Cibersegurança e Globalização com o Professor Nadim Habib, Docente da Nova School of Business da Universidade Nova de Lisboa, o Almirante António Gameiro Marques, Diretor-Geral do Gabinete Nacional de Segurança e com Nicolau Santos, Presidente da LUSA e jornalista.

O painel seguinte, composto pela Dra. Isabel Ucha, Presidente da Euronext, pelo Dr. Francisco Miranda Rodrigues, Bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses e por Alan Johnson, Vice-Presidente da International Federation of Accountants (IFAC), irá abordar o tema Mercados, Pessoas e Informação.

Tal como a abertura, o encerramento cabe a José Rodrigues de Jesus, Bastonário da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, numa sessão que terá ainda as intervenções de Óscar Figueiredo, Coordenador da Comissão Organizadora do XIII Congresso da OROC e do Professor Pedro Siza Vieira, Ministro adjunto e da Economia.

Segundo o Presidente da Comissão Organizadora do XIII Congresso da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC), em tempos de volatilidade e mudanças constantes na realidade económico-financeira global, é papel da auditoria fortalecer as organizações e ajudar a desenvolver as economias”. O XIII Congresso da OROC é o “palco privilegiado para a partilha de experiências e conhecimentos com impacto na abordagem dos riscos atuais e futuros da auditoria, seja de empresas privadas ou de entidades públicas”. O Bastonário da OROC, José Rodrigues de Jesus, reforça lembrando que a OROC tem “investido nas melhores práticas e quer partilhar desse esforço com todos os agentes com responsabilidades na qualidade da informação”, insiste que devemos “caminhar juntos”.

As inscrições no XIII Congresso da OROC, abertas até 12 de setembro e com um custo de 100 euros, poderão ser feitas utilizando a ficha de inscrição que está no site da OROC – http://www.oroc.pt/ – e enviadas para sec.orgsociais@oroc.pt  ou para  XIIICongresso@oroc.pt. Também poderão ser feitas através do telefone 213 536 158.

Índice de Conectividade Global da DHL: Globalização atinge novo recorde

Apesar das crescentes tensões antiglobalização observáveis em diversos países, a conectividade atingiu um recorde em 2017, à medida que os fluxos de comércio, capital, informação e pessoas através das fronteiras nacionais se intensificaram significativamente, pela primeira vez, desde 2007. O forte crescimento económico impulsionou fluxos internacionais, enquanto as importantes mudanças políticas, como os aumentos tarifários nos EUA, não estavam ainda implementadas.

O índice de 2018 mede o estado atual da globalização, bem como as classificações individuais de cada país, com base na profundidade (intensidade dos fluxos internacionais) e na amplitude (distribuição geográfica dos fluxos) das conexões internacionais de cada país. Os cinco países mais conectados do mundo em 2017 foram a Holanda, Singapura, Suíça, Bélgica e Emirados Árabes Unidos. Oito dos 10 países mais conectados são europeus, o que ajuda a tornar a Europa na região mais conectada do mundo, em particular no que diz respeito ao comércio e fluxo de pessoas. A América do Norte, líder em fluxos de capital e informação, ficou em segundo lugar no ranking mundial, seguida pelo Médio Oriente e o Norte da África, em terceiro lugar.

“Mesmo que o mundo continue num processo de globalização, existe ainda um tremendo potencial por explorar. O GCI mostra que, atualmente, a maioria dos movimentos e intercâmbios são domésticos, e não internacionais, mas temos noção de que a globalização é um fator decisivo para o crescimento e a prosperidade”, refere John Pearson, CEO da DHL Express. “O aumento da cooperação internacional continua a contribuir para a estabilidade, de modo que as empresas e os países que adotam a globalização têm enormes benefícios”.

“Surpreendentemente, apesar das recentes conquistas da globalização, o mundo está ainda menos conectado do que a maioria das pessoas pensa”, comenta o coautor do GCI, Steven A. Altman, Investigador da NYU Stern School of Business e Diretor Executivo do NYU Stern’s Center for the Globalization of Education and Management. “Isto é importante porque quando as pessoas sobrestimam os fluxos internacionais têm tendência a preocupar-se mais com os mesmos. Os dados no nosso relatório podem ajudar a mitigar estes receios e a concentrar a atenção em soluções reais para as preocupações sociais acerca da globalização”.

A um nível global, o GCI revela, por exemplo, que apenas cerca de 20% da produção económica em todo o mundo é exportada, que aproximadamente 7% dos minutos de chamadas telefónicas (incluindo chamadas através da Internet) são internacionais e que apenas 3% das pessoas vivem fora do seu país de origem. O relatório também desmistifica a crença de que a distância está a tornar-se cada vez mais irrelevante. A maioria dos países está muito mais conectada com os seus vizinhos do que com as nações mais distantes.

Economias emergentes estão menos conectadas que economias mais avançadas

O GCI continua a revelar as disparidades entre os níveis de globalização observáveis em economias mais avançadas e economias emergentes. As economias emergentes negociam de forma praticamente tão intensa como as economias avançadas, mas as segundas estão mais de três vezes mais ligadas aos fluxos internacionais de capital, cinco vezes mais ligadas no que se refere ao fluxo de pessoas e quase nove vezes mais em relação aos fluxos de informação. Além disso, enquanto os líderes dos grandes mercados emergentes se tornaram principais defensores da globalização no cenário mundial, o progresso das economias emergentes em termos de conectividade ficou estanque.

Nações do Sudeste Asiático superam expectativas

Os cinco países cujos fluxos internacionais superam as expectativas são o Camboja, a Malásia, Moçambique, Singapura e o Vietnam. Quatro destes cinco países estão localizados no sudeste da Ásia. Os países do Sudeste Asiático beneficiam de vínculos com amplas redes de fornecimento asiáticas, bem como iniciativas políticas da ASEAN, que promovem a integração económica. Esta é uma novidade positiva para a região, já que uma conexão global mais profunda poderá facilitar a aceleração do crescimento económico dos países asiáticos.

E-Commerce: dê o passo para a globalização

Tratamos de tudo por si, da envelopagem à armazenagem, do marketing direto ao e-commerce, da sua base de dados aos sistemas de gestão integrada da sua empresa. Cobrimos toda a Europa, podendo colocar à disposição dos nossos parceiros sistemas que falem a sua língua. Falamos, escrevemos e personalizamos nas mais variadas línguas. Planeamos as suas campanhas por correio, SMS, e-mail”. Este é o mote da Ship4you. E sobre o E-Commerce e o Marketing Direto, Cristina Coelho começa por explicar que quem já está na venda à distância há algum tempo com o Marketing Direto, dificilmente muda.

E quem transita para o E-commerce por não ter um investimento, à partida, tão elevado acaba por se aperceber que se trata de um processo muito mais complexo do que parece à primeira vista. Então o que é o E-Commerce e o que é que uma empresa deve fazer e saber de antemão antes de criar uma loja online?

Comércio eletrónico ou e-Commerce é a compra e venda de bens ou serviços através de canais eletrónicos. E é, atualmente, um dos mais importantes fenómenos da Internet em crescimento e o passo que qualquer empresa deve dar para alcançar o mercado global e internacionalizar-se.

As compras a partir de casa são uma realidade cada vez mais enraizada e cada vez mais frequente entre os portugueses, os quais, se prevê, deverão gastar 2,665 mil milhões de euros em compras online em 2017. Trata-se de uma nova geração e de uma nova forma de estar. Mas a passagem das organizações para o E-commerce deve ser ponderada e bem estruturada.

Vamos por partes. Existem os dois extremos no E-Commerce, casos excecionais de venda online e casos de insucesso. Vamos perceber porquê.

O marketing digital é imediato enquanto que o marketing direto, com os seus mailings, newsletters, base de dados e redes de contacto, é um marketing que pode ser analisado ao longo do tempo. O marketing digital exige, portanto, que tudo seja feito e analisado “para ontem”. Quando uma determinada empresa lança uma campanha ou um banner publicitário tem de perceber de imediato qual está a ser o seu impacto e o que deve ser feito de diferente para não estar a perder dinheiro. Depois há a questão de saber gerir uma loja online. Um processo mais complexo do que parece.

Para as grandes empresas que têm estrutura suficiente para enveredar pela venda online com alguma segurança e solidez, à partida, será um processo fácil. Já existem, têm armazéns, lojas físicas e distribuidores. A internet será só mais uma loja e apenas terá que se aprender a gerir essa loja online. Se a empresa não souber implementar os novos mecanismos da tecnologia assentes numa boa estratégia, pode estragar a imagem que já tem construída.

Quando falamos da gestão da loja online, falamos de coisas tão simples, mas extremamente importante, como o cuidado com as campanhas de promoção que são lançadas, a gestão de stocks, a rapidez na entrega das encomendas e os transportadores. É preciso ter atenção que nas vendas online os comerciantes estão a trabalhar com clientes globais.

Depois, existe o E-Commerce que surge a partir de pessoas singulares que têm um emprego, mas criam um pequeno negócio caseiro para vender à distância a partir de casa. No início as vendas podem correr bem, mas depois sem uma estrutura, conhecimento suficiente ou investimento para evoluir, o negócio caseiro acaba por não “sair de casa”. Pode acontecer o contrário, as vendas resultarem bem e aumentarem substancialmente, mas depois a estrutura acaba por não aguentar o boom das vendas pela simples falta de espaço físico para a gestão de stock ou a falta de um transportador.

Uma coisa é certa, no E-Commerce tudo tem de ser muito rápido. Os clientes que fazem compras online querem sempre receber a sua encomenda no dia seguinte. Não basta, portanto, abrir apenas uma loja online. E é aqui que entra a Ship4you.

SERVIÇOS DE A A Z

A Ship4you oferece um pacote de serviços completo ao cliente no E-Commerce e no Marketing Direto. No que diz respeito ao Marketing Direto, os serviços vão desde receber a correspondência, fazer o registo de encomendas, armazenagem e expedição das mesmas que, com a maioria dos clientes, tem de ser feita no dia seguinte à receção das encomendas. É um serviço de A a Z que incluí, ainda, serviços pós-venda. Colocam à disposição do cliente uma série de ferramentas informáticas através de um sistema próprio extremamente especializado e dedicado para este tipo de negócio, onde os clientes têm acesso às suas estatísticas e aos seus dados para fazer as suas análises e decidir que campanhas irão fazer posteriormente ao longo de todo o processo.

Com parceiros que se revelam de extrema importância, a Ship4you disponibiliza, ainda, Data Solutions para uma gestão da base de dados eficiente e fidedigna, bem como uma plataforma informática com os sistemas ERP/CRM que permite uma gestão coesa e harmoniosa dos processos e dos dados das empresas, nacionais e internacionais.

CRISTINA COELHOJá no E-Commerce, a Ship4you tem diferentes tipos de clientes. “Temos empresas para quem tratamos do serviço de clientes e tudo o que é online, temos outros clientes onde temos acesso ao backoffice dos seus sites e fazemos todo o acompanhamento desde a gestão de stocks até à expedição das encomendas. Noutros casos fazemos serviços de A a Z, desde a criação do site, a manutenção da base de dados até à integração direta com o nosso sistema, sendo nossa a responsabilidade de todo o processo”, explica Cristina Coelho.

Cristina Coelho salienta a importância do marketing digital para qualquer empresa. É caro, mas é de extrema importância. Dá como exemplo, uma loja situada no Rossio onde facilmente há pessoas a entrar. Mas se essa loja se desloca para uma rua mais escondida tem de se fazer notar. Tem de investir num sistema de publicidade muito bom para encaminhar as pessoas para a sua loja. Nas lojas online acontece exatamente o mesmo. Têm de se fazer notar, têm de conseguir ser aliciantes e levar as pessoas a fazer o clique para o seu site. Têm de saber mostrar que o seu produto é bom e que existem porque quem faz compras online tem um leque de possibilidades para analisar e comparar os produtos. São, normalmente, compras ponderadas.

A par disto, as empresas têm de saber aproveitar o aumento das compras feitas a partir de casa e saber chegar a todos os nichos do mercado, a todas as faixas etárias, dos mais entendidos aos menos entendidos das novas tecnologias, a todas as classes sociais e, sobretudo, a clientes globais. Estamos na era digital e os valores crescem de ano para ano. Hoje em dia podemos comprar praticamente tudo através da internet, até as compras do supermercado.

E-COMMERCE VEIO PARA FICAR

Ship4you – Empresa 100% portuguesa, a Ship4you orienta as empresas no sentido de perceberem que uma boa estrutura online implica uma boa estrutura física e vice-versa para que as organizações tenham um bom desempenho e cresçam de forma consolidada.

E-Commerce – O E-Commerce chegou, veio para ficar e ainda tem muito por onde crescer. Se Portugal ainda está um pouco retraído quando se trata de compras online, noutros países a realidade é completamente diferente e já vivem das vendas à distância há anos. As empresas terão que se readaptar constantemente para fazer face às exigências dos clientes que serão cada vez mais globais. Os portugueses, por exemplo, segundo um estudo, são os que têm mais probabilidade de fazer compras fora do país, sendo que os países de eleição são o Reino Unido (42% do total de compras internacionais), China (41%) e Espanha (38%).

Regras – Há regras de ouro para se estar na internet através do E-Commerce e Cristina Coelho aconselha mesmo os comerciantes a manter todo o processo simples. Quanto mais simples, mais sucesso terão. O cliente que faz compras online é um cliente que procura a comodidade, a rapidez e a eficiência. “Se quer fazer uma compra num site e o próprio processo é demorado e envolve muitos passos, o cliente acaba por desistir da compra”, esclarece a nossa entrevistada.

As empresas têm de ter consciência de que “não basta ter um bom produto”. Têm de estudar o negócio e fazer um bom plano de negócios. Têm de saber exatamente do que é que vão necessitar para ter uma loja online a funcionar. Encontrar os parceiros corretos nas várias áreas e perceber que é necessário um investimento caro. Por fim, tem de ser um processo simples. Simples e transparente”, conclui Cristina Coelho.

“A Globalização e a Geopolítica Internacional” – Um livro que obriga a repensar

Num evento que também contou com a presença do autor do prefácio da obra, Rui Pereira, Ministro da Administração Interna nos XVII e XVIII Governos Constitucionais, foi a João de Almeida Santos, Diretor do Departamento de Ciência Política, Segurança e Relações Internacionais da Universidade Lusófona, que coube a responsabilidade de dar início ao lançamento do livro “A Globalização e a Geopolítica Internacional”, no passado dia 24 de fevereiro, nas instalações da Universidade Lusófona. Desenvolvida no âmbito de uma parceria com o Departamento de Ciência Política, Segurança e Relações Internacionais, “a dimensão da obra é tão extensa que, mais do que apresenta-la, pretendo propor algumas reflexões em torno do fascinante tema da globalização”. Para João de Almeida Santos, é sempre gratificante verificar que os professores daquela instituição investigam matérias que facilitam a compreensão do mundo atual, sob a moldura de um assunto tão pertinente como é a globalização. “Logo no início desta obra os autores referem-se à globalização como algo que não é pacífico e que está envolvido por um manto de dificuldades”, explicou, acrescentando ainda que o facto de os autores defenderem que este conceito está a “cair em desuso” poderá significar que o mesmo está a “perder clareza concetual em parte por ter caído na esfera da banalidade linguística mas também por existir um afunilamento ao deslizar para a esfera da economia”.

João de Almeida Santos
João de Almeida Santos

Contudo, para Almeida Santos, esta obra ultrapassa esse denominado “afunilamento económico-financeiro”, ao propor uma panóplia de temas que integram este mundo global, desde a “política externa e segurança comum da União Europeia, à necessidade da sua reinvenção institucional e política com propostas concretas e bem estimulantes como é o caso da criação de um Senado que substitui o Conselho de Ministros até à complexa questão da guerra global da informação”, enumerou o responsável que, por inúmeras ocasiões, descreveu o livro como sendo “uma obra muito vasta” que percorre inúmeros temas que são objeto de uma análise bastante minuciosa por parte dos autores. O emprego numa ótica global, o direito ao trabalho e à subsistência para aqueles que não podem trabalhar ou a liderança no contexto internacional são outros assuntos propostos, sob a bandeira da globalização, um conceito que, para João de Almeida Santos, está “banalizado e pouco claro do ponto de vista concetual”, confundindo-se frequentemente “o processo com o conceito”. Assim sendo, com este livro de António Gameiro, Doutorado pela Universidade Complutense de Madrid, e Rui Januário, Mestre em Relações Internacionais, Almeida Santos acredita que estão lançadas “boas alavancas para entrarmos em força nos grandes temas da globalização”.

Rui Pereira
Rui Pereira

Se para os autores o facto de Rui Pereira ter aceite escrever o prefácio desta obra é de uma simbologia inestimável, para o antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros é de louvar o facto de alguém “ousar pensar e escrever sobre um conjunto vasto e atrevido de temas que estão na ordem do dia”. Globalização e Geopolítica Internacional são grandes temas do momento sobre os quais tem uma visão bastante otimista. Recuando no tempo e fazendo uma certa e curiosa analogia com o setor da saúde, Rui Pereira acredita que a “globalização está hoje para o discurso político como a virose estava para o discurso médico há uns anos”. Por outras palavras, se, no passado, perante um problema de saúde com causas desconhecidas os médicos tinham o hábito de associa-lo a uma virose, hoje o mesmo acontece com a globalização. Terrorismo, criminalidade internacional organizada, autoestradas da informação, entre muitos outros fenómenos atuais são frequentemente vistos como consequências do mundo global e, para Rui Pereira, dentro deste cenário, há uma certeza inabalável: “sabemos o que é a globalização mas não sabemos para onde nos vai conduzir”.
Com esta obra, os autores conseguiram tratar algumas temáticas relativas à globalização, enfrentando este fenómeno através de algumas das suas manifestações.  Para tal, abordaram temas com uma pertinência ímpar, como “a emergência do mundo unipolar, o fim da guerra fria, a era da mediatização global e da internet, a ameaça de colapso ecológico, a crise do estado social, as migrações e a insegurança no Mediterrâneo, a criminalidade organizada e o terrorismo”. São temas que se relacionam com a globalização que, para Rui Pereira, tem causado mais vantagens do que inconvenientes porque “no essencial, traz mais democracia, mais informação, mais liberdade e mais cultura às pessoas”, defendeu, reconhecendo, contudo, que um dos domínios onde tem efeitos mais perversos é o da segurança. “A globalização aumenta a liberdade e diminui a segurança”, afirmou Rui Pereira, lançando de imediato a questão: “nos tempos atuais, como conciliar liberdade com segurança?” Este é um problema a resolver. “Entre segurança e liberdade há uma relação de interdependência mas também existe uma relação de antinomia que tem sido agudizada pela globalização”, defendeu Rui Pereira que termina a sua intervenção com um apelo aos autores. “Perante esta avalanche da globalização, como é que podemos preservar o Estado Social? Numa futura obra espero que os autores respondam a esta questão de uma forma mais desenvolvida”, concluiu.

António Gameiro
António Gameiro

A visão dos autores
Considerando a globalização e a geopolítica internacional o denominador comum que melhor assentava, esta obra, acima de tudo, procura ser abrangente e abarcar um conjunto de temáticas sobre um assunto que, para António Gameiro, “nos interpela a todos, sobretudo aqueles que estão mais atentos ao fenómeno político e social”. Hoje não há nada que não seja acompanhado no momento e, como prova disso, o autor partilhou com o público o facto de, minutos depois do início do evento, já existirem fotografias nas redes sociais sobre o mesmo. “Estamos nesta era da globalização onde a informação nos interpela a cada momento. O livro, tendo como base um conjunto diversificado de temas, reúne o nosso esforço no sentido de narrar alguns fenómenos da globalização e da geopolítica internacional mas fomos ainda mais além, dando a nossa opinião”, salientou António Gameiro que acredita ainda que o Estado Social é cada mais digno de proteção uma vez que “o Estado Social na União Europeia é o arquétipo de Estado no Mundo. É um Estado igualitário, livre e justo que tende a fomentar políticas públicas para que as pessoas tenham mais qualidade de vida, e sejam felizes, o que traz harmonia e paz ao Mundo”. Mas, perante os desafios atuais e a falta de resolução de alguns problemas prementes, importa repensar e lançar o debate. Este é o objetivo da obra. “Espero que tenham boas reflexões porque a inquietação dos autores é imensa”, concluiu António Gameiro.

Rui Januário
Rui Januário

Por fim, depois de todas as apresentações, Rui Januário dedicou a sua intervenção à desconstrução de algumas ideias apresentadas no livro, defendendo, desde logo, que a globalização evoluiu para uma vertente social e política com referência à chamada “sociedade dos dois décimos”, uma ideia preconizada por Werner Schwab. O que significa?  “Significa que dois décimos das pessoas fazem falta e terão emprego no futuro, ao passo que 80% da população não vai ter uma atividade funcional”, explicou o autor. Se não houver uma rápida atenção relativamente ao Estado Social e aos ditames da relação entre política e economia, esta teoria tende a reforçar-se. Neste sentido, partindo do facto de no mundo ocidental 64% das receitas do Estado provir do rendimento do trabalho, Rui Januário avançou com alguns números que causam alguma preocupação e que geram aquilo a que chamou de “anemia no mercado e na democracia ocidental”. “Segundo alguns autores, para sustentarmos o Estado Social na forma e no modelo existentes, teremos de diminuir os salários em 20%. Ora, 40% do PIB da Europa Ocidental é gasto em prestações sociais, financiadas fundamentalmente pelas contribuições do fator trabalho”, explicou. Perante estas constatações, os autores lançam algumas questões na obra: “Que dose de mercado poderá a democracia suportar? O que é que o mercado pode evoluir de forma a continuarmos no modelo de Estado Social e no modelo democrático?” Posto isto, os autores não defendem uma “cura de emagrecimento dos Estados por via de uma cisão social. Mas, correndo mais uma vez o risco de serem considerados “reacionários”, António Gameiro e Rui Januário expuseram algumas medidas que poderão combater o paradigma da designada “sociedade dos dois décimos”, nomeadamente: limitar o poder político de que dispõe os mercados; criação de um imposto sobre o volume financeiro; em vez de combater a inflação, encorajar a liberdade empresarial (regulada e tutelada); criação de um imposto sobre a circulação internacional de capitais; proibição das transferências de capitais para paraísos fiscais (já não de um ponto de vista criminal mas orçamental); incremento do sistema educacional para fornecer toda a informação aos cidadãos para que se consigam aperceber das realidades; novas formas de financiamento dos orçamentos públicos; entre outras.
Se para Rui Pereira, os leitores poderão encontrar nestas páginas “um estímulo para (re)pensar o futuro de Portugal no quadro dos seus compromissos e alianças”, Rui Januário aceita que o vejam como um reacionário. “Se ser reacionário é defender o bem comum e o bem da sociedade, eu serei orgulhosamente um reacionário”, concluiu.

O conceito de globalização deverá ser devidamente clarificado para que a discussão não conheça deslizes concetuais e, portanto, para que possamos abordar esta temática de forma correta”. (João de Almeida Santos)

Tenho uma visão muito otimista porque a globalização terá mais vantagens do que inconvenientes. No essencial, a globalização traz mais democracia, mais informação, mais liberdade e mais cultura às pessoas”. (Rui Pereira)

Estamos na era da globalização onde a informação nos interpela a cada momento. O livro, tendo como base um conjunto diversificado de temas, reúne o nosso esforço no sentido de narrar alguns fenómenos da globalização e da geopolítica internacional mas fomos ainda mais além, dando a nossa opinião”. (António Gameiro)

Há quem defenda que o livro é um pouco reacionário. Pois bem, se ser reacionário é defender o bem comum e o bem da sociedade, eu serei orgulhosamente um reacionário”. (Rui Januário)

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