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A presença feminina numa indústria onde os homens ainda estão em maior número

A Chassis Brakes International é uma das maiores fabricantes mundiais de soluções de travagem automóvel que com o seu espírito empreendedor e inovador, está presente em 23 localizações e conta com mais de 5.500 colaboradores a nível global. Em 2014, o grupo decidiu criar em Lisboa, um centro de serviços contabilísticos e financeiros para as suas empresas europeias. Olga Baptista aceitou o desafio de construir de raiz toda esta estrutura empresarial representativa do grupo.

BMW, SIEMENS E CHASSIS BRAKES…

Nascida em terras do Mondego, Olga Baptista licenciou-se em Economia pela Universidade de Coimbra. Iniciou a sua vida profissional na BMW na área de marketing, e pouco tempo depois entrou na gigante multinacional Siemens onde se desenvolveu até entrar para a grande fabricante de travões.

“Quando me juntei à Chassis Brakes International, o objetivo era criar uma equipa de 15 pessoas para fazer os serviços financeiros das empresas europeias do grupo. O sucesso do projecto e a competência da equipa que conseguimos criar, levou a uma muito maior aposta e contributo de Lisboa para o grupo. Hoje temos uma empresa com cerca de 70 pessoas que trabalham desde a área financeira e de contabilidade, à de compras a fornecedores, e suporte de vendas a clientes, que para além da Europa trabalham também com as Americas. Recentemente criámos um departamento de IT que, para todas as empresas do grupo a nível mundial, suporta, mantém e desenvolve soluções tanto ao nível de infraestrutura como de software, tais como SAP, Business Intelligence e Workflow Management”.

O nível de responsabilidade tinha aumentado significativamente. Diz ter aceite, pela vontade de se desafiar ainda mais. “Esta oportunidade fez-me questionar se seria altura de mudar. O desafio de criar uma empresa e toda uma equipa do zero, deu-me uma responsabilidade e frio na barriga que na altura achei interessante”, explica.

Questionada acerca daquilo que define a profissional que hoje se tornou, a diretora garante que a educação e formação que teve foi o mais importante: “Penso que a nossa base está bastante lá atrás. O que marca muito daquilo que sou, devo-o à minha família e educação que me deram. A partir daí vem a formação e a experiência. As situações que mais me desenvolveram foram aquelas em que a mudança aconteceu e sempre que me desafiei a sair da minha zona de conforto. Começou quando vim morar para Lisboa, o ter passado largos meses a morar em Bruxelas e na Índia também me marcaram bastante, e por último o ter vindo para a Chassis Brakes. Estas experiências foram altamente enriquecedoras, desafiaram-me bastante e trago delas bons ensinamentos pessoais e profissionais”.

“Acredito mesmo que a evolução está muito associada à mudança”

 

O QUE É INTERESSANTE NA INDÚSTRIA DOS SERVIÇOS

Numa empresa onde impera o bom ambiente de trabalho, as pessoas ajudam-se e trabalham em equipa não só pela necessidade processoal mas para o desenvolvimento delas próprias. Com uma equipa com mais de seis nacionalidades e onde a língua base é o Inglês, no dia a dia é comum falar-se línguas tão diferentes como Italiano, Turco, Polaco ou Francês.

Como nos comenta Olga Baptista: “É muito aliciante representar uma multinacional com esta diversidade e multiculturalidade. Trabalhamos em Portugal mas para o Mundo, o que nos põe diariamente em contacto com outras culturas e ideias. Algo que também me atrai neste tipo de serviços é a busca contínua pela melhoria, levando ao aumento de eficiência e da qualidade pela aprendizagem constante”.

Hoje é responsável por gerir uma equipa de 70 pessoas e afirma que o seu estilo de liderança assenta na adaptação perante as personalidades e necessidades de cada um.

“Gerir e liderar equipas foi algo que me apareceu como desafio sem o procurar, mas que rapidamente se tornou uma das minhas maiores vontades. O meu estilo de liderança depende da pessoa que está à minha frente e da situação concreta que estamos a passar”. 

“Para mim tem de haver uma adaptação às necessidades. Gosto de desenvolver equipas autónomas e dar liberdade de escolha. No entanto, autonomia não é abandono e por isso o apoio é crucial”

Com uma delicadeza assertiva, Olga acredita que só através da superação de desafios se evolui. Afirma que os seus actuais desafios se prendem em duas vertentes: “Por um lado fazer com que a empresa em Lisboa tenha um grande impacto para o grupo Chassis Brakes International e constantemente perceber como podemos contribuir para o seu crescimento. Por outro lado é motivar as pessoas que fazem parte desta grande equipa de especialistas e fazer com que cada uma consiga o seu melhor no dia a dia”.

TRABALHAR NUMA INDÚSTRIA TIPICAMENTE MASCULINA

“A indústria automóvel é super intereressante nos dias de hoje, além de ser um mercado bastante competitivo, está numa mudança constante e é otimo acompanhar e trabalhar neste meio. O futuro da  mobilidade, a eletrificação e redução de emissões, assim como a condução autónoma, são temas da atualidade e que me atraem, e isso não tem nada a ver com o género mas sim com o gosto pelos desafios e por perceber o impacto que as mudanças têm na vida em sociedade. No fundo, é entender como o mundo está a evoluir”.

Apesar de ser um mundo ainda muito dominado por homens, em termos de liderança e de operações, o centro em Lisboa contraria as estatísticas até do proprio grupo Chassis Brakes ao ter mais mulheres do que homens a ocupar funções de gestão, mas Olga esclarece que nada tem a ver com sexismos ou feminismos, “é pura meritocracia”.

E é assim que encara toda a indústria: “Não existe nenhuma dificuldade ou obstáculo por haver mais homens, é apenas um facto”, explica.

“Acredito que o estereótipo de liderança ter de se ser homem, branco, e com mais de 50 anos já passou de moda. Hoje o que se procura é a diversidade a todos os níveis: cultural, de raças e género…Obstáculos de género não tive, até acho ter tido bastantes oportunidades e soube agarrá-las da melhor forma. Situações constrangedoras tive algumas sim mas felizmente já no passado e talvez mais pela idade. Algo que, mal provava a minha capacidade de trabalho, a questão de género deixava de fazer parte da equação”.

“O que as grandes empresas querem são pessoas competentes e com visão”

“O crescimento passa pela qualificação das pessoas”

A OPCO deu início à sua atividade há cerca de 12 anos, mais concretamente em 2006. Desta forma, que balanço é possível perpetuar da vossa orgânica ao longo destes 12 anos e de que forma se foram adaptando às mudanças e vicissitudes do mercado?

De facto, surgimos em 2006, na altura sob outra designação, tendo-nos tornado independentes em 2015, já com créditos firmados no mercado, nomeadamente através da ligação à VDA QMC, ligação essa que culminou este ano, com a realização da primeira conferência VDA em Portugal. De forma geral, foi esta dinâmica, reforçada após 2015, que nos permitiu crescer e continuamente oferecer soluções inovadoras à indústria. Também a relação de longa data com vários clientes, com os quais também crescemos muito, têm sido os fatores diferenciadores. Isto, claro, sempre muito suportado pelos nossos profissionais, internos ou externos.

Como definiria atualmente a indústria automóvel em Portugal e quais são as principais prioridades para a mesma num futuro próximo?

Por tudo o que temos presenciado podemos dizer que a indústria tem mudado muito, felizmente para melhor. Esta mudança passa por dois grandes grupos: as empresas que cresceram enormemente, a todos os níveis, desde há 25, 30 anos e que hoje marcam presença significativa na indústria ou, outro grupo, mais recente, constituído por empresas que transitam de outras áreas da indústria para o fornecimento de produtos automóvel.

Este crescimento acarreta, principalmente, a necessidade de pessoal qualificado pelo que, um dos pontos prioritários, passa claramente pela gestão do conhecimento e gestão das competências.

No âmbito da formação e qualificação na indústria automóvel, quais são os principais desafios deste setor?

O grande desafio, na nossa opinião, passa exatamente pela sustentabilidade do crescimento, através da qualificação das pessoas. Vemos, felizmente, já algumas movimentações, envolvendo as empresas, as organizações e as universidades, no sentido de aumentar a oferta de cursos e, assim, alimentar a procura existente.

Qual tem sido o papel da OPCO no âmbito da qualificação e formação no setor da indústria automóvel?

Da nossa parte, temos atuado em várias frentes. Desde a nossa oferta interna, na qual estamos em constante inovação a nível de temas, passando pelo contínuo estabelecimento de ligações com as principais organizações da indústria automóvel e pelo estabelecimento de parcerias a nível de universidades e politécnicos onde contamos, muito em breve, iniciar novas atividades.

A formação e a especialização entram nesta fase como essenciais para um maior desenvolvimento? Qual é a oferta da OPCO neste sentido?

A nossa oferta é, neste momento, bastante abrangente, desde as áreas da qualidade, às áreas da produtividade, nas várias normas de referência na indústria. Temos tido uma atividade constante a nível das qualificações de auditores, gestores de projeto ou pessoal operacional. A nossa oferta é, neste momento, bastante abrangente e transversal à indústria.

De que forma é que a OPCO tem, como principal preocupação, trazer para Portugal o que de melhor existe na área? Como o perpetuam?

Até há bem pouco tempo, para obter algumas qualificações, teríamos de ir lá fora. Atualmente, tal já não é, de todo, necessário, pelo contrário, temos várias situações de profissionais que vêm de fora obter essas qualificações connosco, em Portugal. Temos, neste momento, já implementados ou em fase de proposta, projetos com países Europeus, mas também com Marrocos, Tunísia, México ou Brasil, para referir alguns. Podemos claramente dizer que já passámos a fronteira de ir buscar lá fora, para a fase de levar lá para fora o que de melhor cá fazemos.

De que forma é que a Inovação tem sido essencial para a OPCO no domínio da formação e da qualificação na indústria automóvel?

Tem sido fundamental. Temos clientes que ainda escolhem com base no preço, simplesmente, mas o nosso mercado não passa por aí, passa essencialmente por organizações que escolhem com base no valor. Podemos dizer que tem sido devido a essa inovação, seja em termos de conteúdos, abordagens ou pedagogia, que temos, ano após ano, crescido, a todos os níveis.

Quais são os principais desafios da OPCO neste domínio e o que espera num futuro próximo da Indústria Automóvel?

Os desafios estão identificados e passam por temas como novas normas, novos sistemas de gestão, os quais estamos já a desenvolver. Acreditamos que serão essas novas áreas que farão a diferença, a médio prazo.

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