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Os clubes de saúde são uma “moda” que veio para ficar?

Que conselhos dá às pessoas que querem iniciar um negócio próprio na indústria do fitness?

Neste negócio, tal como noutros, só serão bem-sucedidos aqueles que possuam bases sólidas e experiência na área. Assim, na minha opinião, os empresários que consideram abrir um negócio de fitness têm duas opções: fazê-lo por conta própria ou através de um modelo de franchising. Tomar esta decisão exige uma análise muito ponderada e cuidadosa e, para isso, é importante definir se pretendem ser independentes ou fazer parte de um franchising. Tudo se resume à personalidade, experiência e escolha pessoal. É necessário decidir se os sistemas e o suporte de um modelo de franchising justificam a liberdade empreendedora de ser proprietário de uma empresa independente. Como esta decisão nem sempre é a mais fácil, o que eu sugiro é que as pessoas adquiram alguma experiência do negócio e da forma como ele funciona. Para isto, o melhor é começarem por trabalhar em clubes bem estruturados e organizados, de forma a que possam aprender e perceber melhor todas as variáveis deste negócio. Depois, e caso continuem com dúvidas, há a opção de contratar alguém com conhecimento na área do fitness que lhes trará clareza, direção e o suporte necessários para que possam decidir o que melhor se adapta aos seus objetivos.

Para além de uma alimentação mais saudável, os portugueses estão cada vez mais adeptos da prática de atividade física regular. Os clubes de saúde são uma “moda” que veio para ficar?

Sim, sem dúvida! Apesar de ainda haver um longo caminho a percorrer, os clubes de saúde vieram para ficar. Cada vez mais, os clubes passarão a ser uma extensão da vida dos portugueses, pois, para além das questões de perda de peso e alimentação saudável, as pessoas já perceberam que o exercício físico regular as ajuda a melhorar o seu bem-estar geral e a sua saúde mental. Neste momento já temos clubes que olham para si enquanto um local de encontro, o que lhes permite construir pequenas comunidades com interesses comuns e, consequentemente, aumentar a lealdade das pessoas pelo clube, fomentando, assim, esta “moda” de boas práticas.

Qual é o futuro do mercado do fitness?

Com o aparecimento de grandes cadeias low cost os consumidores têm muitas e boas alternativas. Para além dos ginásios tradicionais, existem também boxes de cross fit, estúdios de fitness com especialidades, desde o yoga, ao pilates, boxe, etc. Para além disto, há várias empresas a apostar em programas de promoção de saúde no local de trabalho, recorrendo aos serviços de profissionais de fitness para a implementação destes programas. Depois temos, finalmente, alguns médicos e outros profissionais de saúde a recomendar a prática de exercício físico aos seus pacientes, reforçando a importância de serem mais ativos para melhorar a sua saúde e reduzir o risco de doenças.

Os praticantes de hoje procuram experiências de fitness cada vez mais personalizadas seguindo algumas tendências. Acredita que estas tendências podem beneficiar o negócio do fitness?

As tendências são uma das verdades por excelência da humanidade e uma das principais verdades do capitalismo. Tendências influenciam a forma como pensamos, o que queremos acreditar ou não, como agimos e como reagimos. Do ponto de vista comercial, as tendências dizem-nos para onde o mercado está a ir, o que os nossos concorrentes estão a fazer e o que os consumidores pretendem. Assim, caberá aos donos das empresas de fitness distinguir entre as tendências orientadas pela opinião, e as que são baseadas em dados, e, então, agir apropriadamente dentro do mercado.

Na minha opinião, ao nível das tendências, acredito que as tecnológicas irão transformar as experiências dos utilizadores, pois à medida que os consumidores obtêm maior controlo sobre os seus dados de saúde e condição física, sentir-se-ão mais fortalecidos. A exploração de várias tecnologias atualmente desenvolvidas para o fitness é uma das grandes oportunidades diferenciadoras para os clubes e para os proprietários que desejem obter alguma vantagem competitiva face à concorrência.

Qual é a maior ameaça para a indústria do fitness atualmente?

O sucesso de alguns operadores do mercado tem feito com que haja uma maior concorrência. Como em qualquer indústria, as pessoas “copiam” as boas práticas e tentam, desta forma, melhorar os seus serviços. Claro que copiar algo sem saber o que está por detrás de muitas ações trará, a médio prazo, problemas que poderão ser difíceis de resolver e até colocar a viabilidade das empresas em causa. É necessário que as empresas percebam que é fundamental definir o seu posicionamento no mercado, assim como as suas estratégias de comunicação e marketing, pois, como sabemos, as empresas que melhor comunicam são as que conseguem apresentar melhores resultados e, por conseguinte, ser bem-sucedidas. Por último, convém não esquecer a questão do mercado imobiliário que, da forma como se encontra, proporcionará dificuldades acrescidas na obtenção e aquisição dos lugares certos para a abertura de novas unidades e este sim será, para mim, o maior desafio que se avizinha para a indústria do fitness.

O seu trabalho é prestar serviços de consultoria e apoio estratégico na gestão. Que lacunas tem encontrado?

Como sabemos, para a construção de uma marca de sucesso é necessário uma equipa de gestão forte, um grupo de consultores de confiança e uma estra-tégia de marca clara e objetiva. Neste momento, em Portugal, há, ainda, muitos clubes/ginásios que não têm estas questões bem definidas e que precisam de ajuda para se adaptarem às novas realidades de mercado. Na minha atividade de consultoria presto um  apoio à gestão e aconselhamento profissional apoiando esses proprietários ou investidores a alcançarem o sucesso, auxiliando-os na tomada de decisões e na elaboração de um plano estratégico em termos de liderança e gestão das equipas a curto, médio e longo prazo, necessário para o crescimento dos seus negócios. A base da minha consultoria assenta na criação e implementação de Dasboards de Gestão (KPI’s), reports diários e acompanhamento das equipas, por forma a proporcionar melhores resultados, assim como uma maior eficácia e rentabilidade.

“É imprescindível inserir o desporto nas suas rotinas”

Para iniciarmos a nossa conversa e de forma a contextualizar o leitor, explique-nos os seus dois conceitos focados no setor do fitness: a FHIT UNIT e a RUN BOX?

A FHIT UNIT nasceu em 2015 e tem conhecido uma evolução acelerada desde a sua criação. Começou como um teste ao mercado do fitness e encaminha-se para a visão de se tornar no primeiro fitness marketplace & SaaS em Portugal, e, em certa medida, no mundo.

A adesão presencial e online conseguida até ao momento só confirma esta visão estando, por isso, a FHIT UNIT “obrigada”, em 2019, a corresponder às aspirações dos inúmeros seguidores que a acompanham. 2019 será, em parceria com diversas marcas de referência a nível nacional, ano de muitas novidades.

A Run Box, conceito que nasce a meados de 2018 e que vai ser lançada oficialmente no início de março, é uma caixa para corredores com inúmeras vantagens em seguros, provas e parceiros.

O objectivo é facilitar a vida aos corredores oferecendo um produto que é comprado online, no site da Run Box, e que chega a sua casa e/ou trabalho pronto a ser utilizado, sem qualquer preocupação.

A Run Box é actualizada ao longo de todo o ano, e contém de base: uma T-shirt técnica de corrida personalizada Run Box, seguro de acidentes pessoais anual específico para proteger o corredor nos seus treinos e corridas, mais de 60 provas de norte a sul do País e um conjunto de descontos e vantagens em parceiros (na área da alimentação, equipamento desportivo, suplementação e fisioterapia, entre outros) que ajudarão o corredor a estar sempre a 100%.

Parece que a “moda” do fitness veio para ficar e que os portugueses se renderam ao desporto. O que precisa de fazer agora este mercado para se adaptar às necessidades e exigências dos clientes e quais os maiores desafios para 2019?

Nunca se falou tanto em desporto e nunca se fez tanto exercício em Portugal. Uma prova disso é o boom de conceitos de treino que vemos nascer quase todos os meses, é ter nascido uma concorrência cada vez mais evidente entre cadeias de ginásios e, sobretudo, ter uma vasta oferta de opções para quem quer, verdadeiramente, treinar. Parece que, finalmente, os portugueses perceberam que é imprescindível inserir o desporto nas suas rotinas.

Tudo isto, a nosso ver, é positivo. Um mercado em movimento e concorrencial é sempre positivo, para todos: para quem está no mercado, porque é obrigado a inovar, a mexer, a reinventar-se, ou passa a ser obsoleto. Mas também para quem usufrui do mercado, porque tem um maior leque de escolha para se adequar à sua personalidade, exigência ou, obviamente, necessidade.

Portanto, resumidamente, o balanço desta era em que estamos é positivo. Onde está o verdadeiro desafio desta expansão tão rápida? Na qualidade.

É muito perigoso haver um mercado tão grande, tão concorrencial, onde, para conseguir chegar a mais pessoas, a qualidade do serviço prestado acaba por ficar em segundo plano. Ouvimos muito “o importante é fazer algum exercício”. Mais ou menos. Importante é fazer algum exercício de qualidade. E é fácil haver falhas onde não podem haver nenhumas: a saúde das pessoas.

É imprescindível, quer para o bem-estar e qualidade do serviço prestado, quer para o sucesso do negócio em causa, que esta área seja cada vez mais exigente e rigorosa a nível de formação e condições dos treinadores, ao próprio acompanhamento de qualidade do aluno e as suas condições de treino.

Estamos a falar de saúde e há aqui dois lados de uma moeda: o treinador tem de ter ferramentas e formação para executar bem o seu trabalho, e o aluno tem de estar bem acompanhado para se sentir motivado e para poder usufruir verdadeiramente do seu treino e melhorar a sua condição e saúde física e mental.

João Morgado é fundador de vários conceitos na indústria de bem-estar e fitness. Com a emergência do low cost e com a tecnologia a mudar a indústria do fitness, quais são, atualmente, as prioridades dos gestores do mercado do fitness?

A prioridade de todos os “players” deveria ser sempre a qualidade das propostas que se fazem aos clientes. Se o mercado fizer gala de se apresentar pelo lado da qualidade acaba por educar o cliente, que muitas vezes procura soluções pelo preço. É imperativo contrariar a lógica do “quanto mais barato melhor”.

A qualidade das propostas está, não só na qualidade técnica imposta, mas também na diversidade que se oferece aos clientes. Não somos todos iguais, logo devemos ter cuidado em personalizar como abordamos e tratamos o cliente.

Respondendo sucintamente à questão, diria que as apostas de futuro são, sem dúvida, a digitalização, a inovação e a personalização cuidadosa e adequada a cada cliente.

Fitness Factory: o seu ginásio smart cost

Enquanto nas grandes cidades estavam e continuam a aparecer grandes cadeias e grandes grupos de investimento no segmento do low cost, verificámos que fora dos grandes centros urbanos o mesmo não acontecia. Esta era, portanto, uma oportunidade de negócio”, começa por nos explicar Pedro Simão.

Agarraram, assim, neste segmento do low cost e caracterizaram-no para atender às necessidades das pequenas cidades. Nasce assim, um ginásio com um conceito de smart cost, que profissionaliza três áreas distintas: a área de gestão, a área comercial e técnica, formatadas para serem implementadas nas pequenas cidades. “Tivemos de ter em atenção, claro está, vários fatores como o número de habitantes, a rotação de clientes e a retenção dos mesmos, o que não nos impediu de agarrar o conceito de smart cost e implementá-lo nas pequenas cidades”, acrescenta o nosso entrevistado.

Explica-nos, ainda, que o conceito de smart cost é diferente de low cost. É um conceito com um preço mais baixo no mercado, mas com elevada qualidade e que se ajusta às necessidades de cada cliente. É um conceito direcionado para o cliente que sabe que serviços quer utilizar e quanto está disposto a pagar.

Isto foi em 2015. Hoje já entraram nas capitais de distrito e nas grandes cidades, nomeadamente o Porto e Lisboa, onde, para além dos clubes que já estão implementados, estão a trabalhar na abertura de mais.

O conceito smart cost e a forte componente tecnológica são, portanto, as grandes apostas dos Clubes Fitness Factory, 100% portugueses e que estão a crescer de forma significativa, através da aposta no modelo de franchising.

A ideia do próprio nome, Fábrica do Fitness, não surgiu por um acaso. Como Pedro Simão nos diz, e utilizando aqui uma metáfora relacionada com a indústria/fábrica, esta é o setor secundário de produção. Não é o primário nem é o setor de serviço. Voltando-nos para a pessoa, trata-se de começarmos a trabalhar o nosso corpo de uma forma diferente e num setor intermédio na nossa evolução enquanto pessoa. “Entendemos que os clientes que procuram um ginásio Fitness Factory são clientes que estão à procura de um serviço de qualidade, mas, acima de tudo, são clientes que sabem que não precisam de pagar muito para ter um bom ginásio, um ginásio consistente, com um bom design e com bons serviços de base de qualidade”, refere Pedro Simão.

CONSISTÊNCIA

Este é o objetivo, manter sempre a consistência em qualquer um dos clubes do Fitness Factory. “Um cliente quando entra no nosso espaço sabe que vai encontrar todos os dias um espaço limpo, os equipamentos em perfeitas condições, um front office que lhe sorri e que o recebe bem e um instrutor sempre predisposto a ajudá-lo.

É esta consistência que trabalhamos com as nossas equipas para que os nossos clientes consigam encontrar estas condições reunidas. Mais do que encontrar máquinas queremos que os nossos clientes encontrem um espaço onde se sintam bem”, afirma Pedro Simão explicando que existem dois grandes grupos de pessoas que frequentam os ginásios: o grupo de pessoas que gostam e que querem moldar o seu corpo para se sentirem bem fisicamente; e grupo de pessoas que vão à procura dos benefícios secundários da prática de exercício físico. Este segundo grupo, o que está mais direcionado para a saúde está, nitidamente, a aumentar.

Existe uma mudança de paradigma e a saúde está agora, claramente, indexada à frequência de atividade física e de ginásios. “As pessoas sabem quais são os benefícios do exercício físico para a sua saúde e procuram, cada vez mais, os ginásios para esse efeito. Na conceção do Fitness Factory tivemos esta preocupação de cruzar as populações. As áreas de treino foram pensadas de maneira a que as pessoas se cruzem e não exista a distinção nem espaços destinados a uma atividade física específica e com um propósito apenas”, adianta Pedro Simão.

Até porque, para Pedro Simão, o fitness não é uma moda, é uma tendência e, normalmente, as tendências demoram mais a passar do que as modas. É uma tendência que está para ficar por se correlacionar diretamente com a qualidade de vida das pessoas. “Somos um reflexo do resto do mundo. Vamos ter cada vez mais público adepto dos ginásios por entenderem que esta é uma escolha para uma vida saudável. Vão continuar a aparecer cadeias e ginásios low cost, mas o mercado continuará a ter espaço para todos: os ginásios low cost, os ginásios middle market, e o ginásios boutique e premium.

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