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Projeto com potencial para revolucionar a medicina e indústria vence Prémio Científico IBM

Na próxima quarta-feira, dia 16 de janeiro, o Instituto Superior Técnico (IST) recebe a cerimónia de entrega do Prémio Científico IBM, pelas 17h30, que distinguiu este ano o trabalho de uma investigadora desta instituição, na mesma área pioneira do último vencedor do Prémio Nobel da Física. O evento contará com a participação do Presidente da República, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do Presidente do IST, e do Presidente da IBM Portugal, entre outras personalidades.

O trabalho de investigação da autoria de Marija Vranic, natural da Sérvia, usou os supercomputadores mais potentes do mundo para abordar o estudo dos efeitos de feixes laser de alta densidade energética e as suas aplicações em campos como a medicina, podendo levar à construção de fontes compactas de partículas e de radiação de raios-X e raios-gama. Entre outras, estas fontes podem ser usadas para examinar materiais industriais, fazer imagens médicas de contraste elevado e podem até ter potencial para revolucionar áreas de terapia na saúde.

Para Marija, “É uma grande honra receber este Prémio da IBM, uma vez que é um reconhecimento importante do meu trabalho, juntando-me aos restantes premiados que têm demonstrado um percurso bem-sucedido nas mais diversas áreas científicas e de inovação. Este trabalho, que me permite conciliar a minha paixão pela Programação, Física e Matemática, é desenvolvido ao nível da computação de alto desempenho associado à tecnologia laser e vai possibilitar que surjam novidades para fins industriais e aplicações médicas, facto que me deixa muito orgulhosa”.

O Prémio Científico IBM, único na comunidade científica do nosso país, chega à sua 28ª edição e distingue anualmente os melhores trabalhos de elevado mérito científico no campo da computação e das novas tecnologias, estimulando jovens investigadores a divulgarem as suas pesquisas. O júri é constituído por um grupo de cientistas e académicos, de diferentes domínios e com grande prestígio internacional, que distingue o trabalho mais original e com maior potencial para impactar a investigação científica aplicada ao mundo real e contribuir para projetar o futuro da ciência e da inovação em Portugal.

CENFIM assume a melhoria do sistema de aprendizagem

O CENFIM  (Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica)  tem vindo a promover a formação, orientação e valorização profissional dos Recursos Humanos (RH). A trabalhar desde 1985 na formação de profissionais para a área da indústria, que marcos destacaria do percurso centro?

O CENFIM tem procurado adaptar os seus planos de ação, a sua estrutura e respetiva organização para uma resposta que possa antecipar as necessidades das empresas do setor metalúrgico e eletromecânico.

Desde o primeiro dia foi definida uma estratégia assente em três pilares:

– A nossa atividade tem que estar junto das empresas, pelo que rapidamente se implantou no país, com 13 núcleos de formação desde Arcos de Valdevez até Sines;

– Os conteúdos da formação terão que responder a necessidades concretas das empresas, pelo que o desenvolvimento curricular tem sido flexível e adaptado a essas necessidades;

– O domínio das tecnologias, em termos de equipamentos, softwares e recursos humanos deverá estar em sintonia com os avanços que se verificam não só em Portugal, mas também no resto do mundo.

Neste quadro, nos últimos anos desenvolveram-se diversos projetos dos quais destacamos:

  • A implementação de um Sistema de Gestão Integrado de Qualidade, Ambiente, Segurança e Saúde, que se encontra certificado pela APCER pelas Normas NP EN ISO 9001: 2015, NP EN ISO 14001:1999 e OHSAS 18001:1999 / NP 4397:2001, incluindo também a certificação no âmbito da Responsabilidade Social e dos Recursos Humanos.
  • A utilização intensiva das Tecnologias de Informação, não só como apoio à gestão e à tomada de decisão, mas também como parte integrante das Tecnologias de Produção e de desenvolvimento organizacional.
  • A implementação de novos modelos e novos cursos de formação, que facilitem a interacção entre os formandos, as empresas e o centro de formação, ainda que condicionados pelas regras e legislação reguladoras da atividade formativa.
  • O apoio à internacionalização das empresas do setor, através de vários projetos de Cooperação Transnacional no seio da U.E. e também junto dos PALOP’s.
  • A melhoria contínua dos nossos recursos técnico-pedagógicos, com especial incidência na atualização dos programas de formação e respetivos manuais, instalações e equipamentos, em articulação com as empresas do setor.

O CENFIM conta com 13 núcleos distribuídos pelo país. Hoje que principais desafios se colocam à atuação do centro no âmbito da formação profissional?

O principal desafio, e que neste momento é uma preocupação, prende-se com a dificuldade em manter um quadro de colaboradores (Formadores) de excelência, que nos permita desenvolver a atividade de uma forma competente e para responder às necessidades crescentes das empresas.

Outro desafio, e que se prende também com as pessoas, tem a ver com a dificuldade em recrutar formandos, sejam jovens, sejam desempregados ou ativos, para a frequência das ações de formação.

Também a questão relacionada com o modelo de gestão, cuja essência remonta a 1985 e que tem sofrido algumas revezes ao longo dos últimos anos, carece de uma clarificação por forma a tornar mais evidente a participação das empresas, através das suas estruturas representativas.

As empresas já assumem uma nova forma de estar no mercado ou ainda não estão realmente consciencializadas para a importância que o capital humano assume?

As empresas não só estão conscientes da importância das pessoas, como sentem que é o seu principal problema limitativo do crescimento, não só pela necessidade de novas qualificações, mas sobretudo pela escassez de profissionais no mercado. A carência de profissionais qualificados está a impedir o investimento de muitas empresas em novos equipamentos, limitando também o seu potencial exportador, sendo que os dados disponíveis neste momento apontam para um défice de 28 mil novos profissionais só no setor metalúrgico e metalomecânico.

Atualmente, que principais diferenças se verificam na indústria, no âmbito dos RH?

A evolução tecnológica verificada nos últimos anos tem tido reflexos evidentes nas empresas do setor, as quais se têm adaptado de uma forma espetacular, levando mesmo a que em alguns subsetores (indústria automóvel, aeronáutica, aeroespacial, moldes…) existam, em Portugal, empresas a trabalhar ao mais alto nível. A digitalização da economia tem também os seus reflexos na indústria, e o país está mobilizado em torno da i 4.0. Claro que são requeridas novas competências aos colaboradores, os quais têm procurado melhorar as suas qualificações no sentido da adaptabilidade aos novos perfis profissionais.

As empresas estão carentes de novos profissionais, que devem ser altamente qualificados e estarem disponíveis para novos modelos organizacionais.

O CENFIM tem procurado adaptar os seus programas e metodologias para apoiar a resposta a estas novas necessidades, com a consciência de que se não houver um esforço concertado a nível nacional e dos diversos atores intervenientes, dificilmente conseguiremos vencer esta batalha.

Para nós, como já referi, este será o principal desafio que se coloca ao desenvolvimento do nosso país, a qualificação dos recursos humanos, sejam jovens, ativos ou desempregados.

“Pensar a Formação: Ação e Transformação” será o tema do V Congresso Nacional da Formação Profissional, marcado para dia 10 de Maio, no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. A seu ver, que importância assume um congresso desta magnitude para o setor e a sociedade em geral?

Será um momento de reflexão, de troca de experiências, de partilha de informação que, espero, venha permitir não só afirmar a importância da Formação Profissional e dos seus agentes, mas sobretudo valorizar as competências que são adquiridas por seu intermédio.

Este Congresso anual visa dinamizar o setor da formação profissional, juntando os seus principais atores e dinamizadores. Quais são as expectativas para este setor?

A valorização do sistema de aprendizagem, que tem sido o sustentáculo da qualificação nos novos profissionais para o setor da metalurgia e metalomecânica; muitas vezes tem sido posto em causa e ainda hoje, com mais de 30 anos de existência, não é reconhecido como fazendo parte do sistema de educação nacional.

É nosso entendimento que para as empresas do setor metalúrgico e eletromecânico, não só a manutenção mas também o alargamento do âmbito da aprendizagem é de primordial importância, até porque:

  • Pode contribuir de forma relevante para a Estratégia UE 2020;
  • É diferente do sistema de educação formal apresentando uma resposta complementar a este;
  • É o único que providencia uma resposta com dupla certificação e, em simultâneo, se desenvolve em alternância, com formação em sala e prática simulada (no Centro de Formação) e formação em contexto de trabalho (na Empresa);
  • Releva a FPCT – Formação Prática em Contexto de Trabalho, como uma mais-valia no pleno entrosamento entre os principais atores do sistema, isto é, o Formando/a Indústria/ o Centro de Formação.
  • Tem revelado o mais alto e consistente nível de empregabilidade
  • Responde de forma integral a um dos fatores incluídos no Quadro Estratégico Comum para o período 2014 – 2020, que voltamos a transcrever:

Reforço do investimento na educação e formação técnica profissional e, nesse contexto, reforço de medidas e iniciativas dirigidas à empregabilidade; desenvolvimento do sistema de formação dual e de qualidade das jovens gerações, assegurando o cumprimento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, bem como as condições fundamentais para a ulterior integração no mercado de trabalho; 

O CENFIM assume o compromisso de continuar a empenhar-se na melhoria do sistema de aprendizagem e a desenvolver todos os esforços para que o mesmo possa responder às necessidades concretas das empresas e dos jovens, esperando também que quem tem responsabilidades na gestão do sistema de educação e formação comungue das nossas preocupações e, em diálogo ativo com os parceiros sociais, promova as reformas que se tornam necessárias.

Aos gestores dos RH coloca-se o desafio de conhecer as pessoas que trabalham na empresa, avaliando as suas capacidades, potencialidades e desempenho profissional. E que outros desafios lhes são colocados?

Sobretudo o de colaborar no desenvolvimento pessoal de cada colaborador, não só com vista à sua motivação mas também para um melhor desempenho em prol da competitividade da empresa. Para isso terá à sua disposição uma ferramenta essencial que é a Formação Profissional.

Governo vai lançar campanha para aproximar jovens à indústria

governante falava à Lusa na sequência da sua participação na Conferência Ministerial das Pequenas e Médias Empresas (PME) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), na Cidade do México, que terminou na sexta-feira.

Na conferência, a secretária de Estado apontou, entre outros pontos, a preparação de uma “campanha de aproximação dos jovens à indústria, que será lançada nos próximos meses e que se enquadra na lógica da importância dos recursos humanos qualificados como parte essencial do crescimento das empresas”.

No encontro, que contou com delegações de cerca de 60 países, “a discussão em torno do fortalecimento e crescimento das PME e do empreendedorismo esteve em destaque”, disse a secretária de Estado.

“Tivemos uma grande partilha de experiências, ideias e medidas inovadoras de promoção e fortalecimento das PME”, acrescentou, sublinhando que da conferência resultou “uma declaração que define a agenda da OCDE para o fortalecimento” das PME e do empreendedorismo, “prosseguindo maior produtividade e o crescimento inclusivo”.

As PME representam 99,7% das empresas em Portugal e “a grande maioria do tecido empresarial da economia global”, prosseguiu a governante, sublinhando que a “definição de políticas públicas que apoiem e estimulem o crescimento das PME é, por isso, fundamental e um eixo crucial” das políticas que estão a ser aplicadas no mercado português.

Ana Lehmann participou como oradora na sessão sobre “Promoção da Inovação em PME Estabelecidas”, na qual salientou a “importância de ter em atenção a heterogeneidade das PME”, perceber o setor, dimensão, estado de evolução tecnológica e perspetivas de conhecimento para se saber “qual a política pública que deve ser aplicada”.

“Aproveitando a presença destas 60 delegações de todo o mundo realizámos também diversos encontros bilaterais, onde estabelecemos contactos, criando pontes para que seja desenvolvido um trabalho conjunto no futuro”, acrescentou.

Sobre os encontros bilaterais, a governante sublinhou que houve “várias reuniões de trabalho muito interessantes com delegações de diferentes países”, entre as quais com uma equipa da OCDE, onde esteve o ex-ministro da Economia e agora responsável da organização Álvaro Santos Pereira.

Ana Lehmann adiantou que se reuniu individualmente com Santos Pereira e procuraram “pontos de contacto entre Portugal e a organização”.

“Destaco também uma produtiva reunião com o secretário de Estado brasileiro para as PME, José Ricardo Veiga, que mostrou grande interesse nos programas que o Governo está a desenvolver para as PME, mas também para a promoção do empreendedorismo”, disse a governante, lembrando os instrumentos financeiros.

A secretária de Estado recebeu também “a responsável pelo projeto Ecossistema i2e, um projeto ambicioso, o Tec de Monterrey, de investigação, inovação e empreendedorismo e atração de investimento”, adiantando que tem “condições para receber ‘startups’ portuguesas que se queiram internacionalizar”.

A governante reuniu-se também com o ministro da Economia japonês, o ministro do Comércio irlandês e com o secretário de Estado para o Empreendedorismo e PME argentino.

LUSA

Fabricante da “cadeira portuguesa” quer sentá-la perto do luxo

Quando esta segunda-feira os utilizadores se aproximarem dos cerca de 4000 mil terminais da rede Multibanco que existem vão ler um agradecimento especial da Adico, a fábrica de móveis de ferro fundada por Adelino Dias da Costa em 1920. A campanha lançada pela empresa visa agradecer a todos os que tem vindo a usar a “cadeira portuguesa”, o seu mais importante ícone, e que integra  um vasto repertório de referências da fábrica localizada em Avanca.

Poucos em Portugal terão ouvido falar da Adico, mas  serão menos ainda os que não reconhecem o objecto em si, ou não tenham recordações de se sentar numa esplanada composta por estas cadeiras — a Adico tem uma quota de mercado de 82% no segmento de mobiliário de ferro para o sector da restauração. A sua cadeira tem uma estrutura tubular, feita em aço curvado, com as duas pernas de trás a prolongarem-se para servir de apoio aos braços e à estrutura de encosto; depois, outros dois tubos de aço fazem as pernas dianteiras, e o tampo pode ser feito em aço, em madeira ou em ripas de madeira.

O principal produto da empresa não leva o nome de “cadeira portuguesa” há muito tempo. Até há duas décadas limitava-se a ser a 5008, a referência que era usada nos catálogos da Adico. Agora, o presidente executivo desta empresa familiar (ainda nas mãos dos descendentes do fundador), Miguel Costa Rodrigues, quer assumidamente vê-la reconhecida como um objecto de quase luxo.

A estratégia de Adico tem passado por reduzir o número de referências e por relançar alguns produtos do portfólio, melhorando-os. A última aposta passou pela colecção “Os clássicos da Adico”, adaptando-os às novas exigências da ergonomia (estamos mais altos, em média, dez centímetros, e há mercados com especificidades: na Dinamarca, as pernas têm de quatro centímetros mais altas) e, sobretudo, dando-lhes “o acabamento de qualidade e a embalagem que acredita que merecem”, diz Miguel Costa Rodrigues.

Uma certeza é a de que vão continuar a recusar produzir “marca branca”: “Não abdicamos de utilizar a nossa marca – já tivemos contactos nesse sentido, mas optamos por sacrificar o volume de negócios ao invés de ocultar a nossa marca. Queremos é acrescentar-lhe valor”, sublinha este responsável.

A empresa começou por produzir mobiliário hospitalar (camas e lavatórios em ferro, passando logo de seguida para mesas de operações hidráulicas e material de cirurgia), e já era uma referência nacional nos anos 30 quando desenvolveu uma linha de mesas e cadeiras para esplanadas de onde veio a surgir a “cadeira portuguesa”. Hoje, as exportações, que significam quase 20% na facturação da empresa, são quase integralmente referentes ao segmento do mobiliário metálico para restauração.

De olho no futuro

O gestor diz que há perspectivas de crescimento – embora poderão não ser imediatas, até porque espera fechar este ano com um volume de negócios de três milhões de euros, inferior aos 3,5 milhões de 2015. Mas acredita que está a reunir as condições para fazer uma aposta mais sustentada no mercado externo, onde só agora começa a ter uma estrutura de vendas.

“Quando todos apostaram nos mercados emergentes, nós apostámos sempre no mercado da primeira linha, aquele que pode melhor absorver o nosso produto, que queremos ver posicionado nos segmentos superiores”, explicar o gestor. Todos os meses envia produtos para Dinamarca, França, Itália ou Estados Unidos. Mas os mercados mais importantes são a Grã- Bretanha, a Holanda e a Alemanha: “Para estes já enviamos dois contentores por mês”, refere.

Parte do futuro passa por um novo investimento, de quase meio milhão de euros, destinado a melhorar o layout da fábrica da empresa e ampliar a área de produção.

No meio da nave principal da fábrica de Avanca – vai perder esse estatuto quando avançarem as obras para praticamente duplicar a capacidade de produção da fábrica – ainda cheira a tinta. O odor é do tanque com cor azul forte onde estiveram  ser mergulhadas as cadeiras que vão ser enviadas para Londres e equipar a esplanada do bar que vai servir de apoio principal a uma das mais reputadas mostras de design da capital britânica, a TENT Londres.

Miguel Rodrigues mostra o produto, de ergonomia retocada (“quisemos redesenhar o clássico, mas respeitando-o, apenas o adaptando às novas realidades”, explica) para logo a seguir mostrar a embalagem com que vai expedir cada uma daquelas cadeiras: de marroquinaria, costurada individualmente, e com a marca Adico gravada a prata. Num bolso externo, um folheto vai a contar a história da empresa.

A participação em mostras de design é uma estratégia aplicada também no mercado nacional: no final de 2015 decorreu em Cascais a exposição de “homenagem à cadeira portuguesa”, com peças saídas da intervenção de meia centena de nomes, entre eles designers como Nini Andrade Silva, ou arquitectos como Siza Vieira. No final deste mês, a mesma exposição estará no Porto, na Casa Museu Guerra Junqueiro.

“Senti que tenho de devolver a cadeira portuguesa à Adico. Que toda a gente, em Portugal e no mundo, deve saber qual é a sua história verdadeira. Somos a empresa mais antiga em Portugal neste sector da actividade. E na Europa também só conheço a Thonet, alemã, que tem quase 200 anos”, diz Miguel Rodrigues. Para o gestor, a “cadeira portuguesa” já é “um ícone”, embora não saiba dizer quem foi o autor que a desenhou. “Não podemos atribui-la a ninguém. O autor é a Adico”, remata.

Indústria: Portugal deve esquecer passado e entrar na “crista da onda”

O Conselho de Ministros aprovou hoje o documento do Plano Nacional de Reformas, um documento com 120 medidas de recuperação e apoio económico. Em declarações aos jornalistas, em Ílhavo, num encontro sobre a Indústria 4.0, António Costa afirmou que Portugal precisa de estar preparado para esta nova revolução. “O mundo está diferente”, disse, referindo que é preciso que Portugal acompanhe estas mudanças.“A questão que se coloca é saber se olhamos para o futuro e apostamos em estar na crista da onda da nova revolução ou continuamos a discutir revoluções do passado. O mundo está diferente e ainda bem que vejo na frente disto o presidente do CIP”, disse o primeiro-ministro, admitindo que se trata de uma “revolução crítica para a nossa indústria” mas que está a ser “assumida como primeira prioridade pela União Europeia”.

“A Europa está a recuperar a sua liderança industrial e nós temos que estar nessa europa. É evidente que esta revolução tem riscos e oportunidades.”, disse, lembrando que o Plano de Reformas hoje aprovado incluiu pilares essenciais para que seja possível  acompanhar a Europa, como é o caso da inovação, das qualificações e da capitalização das empresas.

“ O nosso futuro não está numa diferença de 30 euros no salário minino. O desafio é ver se temos talento, temos capacidade de iniciativa, capacidade de entrar neste novo mundo onde está uma revolução permanente”, atirou.

 

Excelência e rigor na indústria farmacêutica

Rita Ferraz da Costa

O Grupo, constituído por Ferraz, Lynce (1924), Iberfar (1951) e Logifarma (1997) distingue-se pela longevidade, confiança, reconhecimento dos clientes e também pela sua abrangência na cadeia de valor do setor farmacêutico. Representam, desenvolvem, fabricam e distribuem medicamentos. As três empresas fazem já parte da história da indústria farmacêutica com um percurso marcado pela excelência, determinação e rigor.
Conheça os motivos que as levam a ser um caso de sucesso num setor em constante dificuldade, sendo consideradas pelo IAPMEI PME Líder desde 2009 – estatuto conferido às empresas que se distinguem pela sua solidez financeira, qualidade e liderança da gestão.

A indústria farmacêutica é um mercado de máxima relevância para a saúde, contudo sujeita a desafios e constrangimentos que por vezes testam a “persistência” das empresas presentes neste setor. As margens comerciais cada vez mais reduzidas, a presença dos genéricos e a crescente exigência da regulação criam um caminho difícil à sustentabilidade e crescimento deste mercado.
Há que ter vontade de vencer os desafios, de forma hábil para que as empresas se mantenham de forma bem-sucedida no mercado. O grupo de empresas Ferraz, Lynce, Iberfar e Logifarma, embora tenha tido um percurso que lhe permitiu algumas vantagens nos momentos da crise económica, assume que foram necessárias três reestruturações na empresa Ferraz, Lynce. Rita Ferraz da Costa afirma que o pior pertence ao passado e que estão agora numa fase de crescimento quer do número de colaboradores, quer do valor das vendas. “A nossa forma de estar no mercado assentou sempre num trabalho diferenciador ao nível da preparação cuidada dos delegados de informação médica que sempre transmitiram aos médicos, com segurança e confiança, as vantagens dos nossos produtos face aos da concorrência. A classe médica confia no Ferraz, Lynce e isso para nós é um selo de excelência. Como diz o slogan, «Ferraz, Lynce, a promover saúde desde 1924»”.

Uma relação de confiança

As diferentes marcas internacionais continuam a depositar nesta equipa toda a confiança para representar em território português os seus medicamentos. “As empresas que representamos em Portugal sempre estiveram, e estão, satisfeitas com o nosso desempenho, rigor e cumprimento de toda e qualquer cláusula contratual”, garante a administradora do Grupo. O Iberfar, para além de ter o Ferraz, Lynce como cliente, fabrica para mais 11 clientes. O cumprimento do prazo de entrega do produto acabado, em conformidade com todas as exigências das Boas Práticas de Fabrico (GMPs) é o foco e um fator diferenciador que tem permitido alargar o número de clientes e também o número de mercados para os quais os atuais clientes exportam.
“Para além disso somos flexíveis. Caso surja alguma necessidade inesperada por parte de um cliente, sabemos, porque o testámos, que temos capacidade para trabalhar a três turnos, o que garantirá a entrega atempadamente”, garante Rita Ferraz da Costa.

Uma marca em expansão

Ferraz, Lynce, PME Líder desde 2009, surgiu como uma empresa cuja área de atuação se baseava na representação de terceiros. A sua qualidade rapidamente se revelou, conduzindo à produção de medicamentos para essas empresas em Portugal. Daí ao desenvolvimento de produtos próprios foi um pequeno passo.
O desenvolvimento de medicação não sujeita a prescrição médica com a marca Ferraz, Lynce é a prioridade. A diretora-geral da empresa explica qie “estamos a desenvolver e a introduzir no mercado, um por ciclo quadrimestral, medicamentos tradicionais à base de plantas e suplementos alimentares, adequados às necessidades de mercado assim como à nossa dimensão. As vantagens em desenvolver e promover produtos próprios são enormes”. Estes produtos poderão ser, assim que tenham escala, fabricados pelo Laboratório Iberfar, o que será também uma enorme mais-valia para o grupo de empresas.
Por outro lado, a proximidade, o conhecimento do funcionamento de todo o processo de fabrico por parte dos responsáveis pelas várias áreas que fazem parte do fluxo e ainda a celeridade com que podem ser tomadas decisões (Administração comum) é, como se sabe, um valor incontestável.
“Há que fazer um trabalho de excelência no lançamento dos novos produtos no mercado nacional para que venhamos a ter algo de bom para aliciar distribuidores estrangeiros a promovê-los no seu país”, refere Rita Ferraz da Costa. E assume que, “dadas as dificuldades a que fomos sujeitos, tivemos, sob pena de termos de fechar a empresa, de tomar decisões duras e atempadas que [como referido anteriormente] passaram por três reestruturações nos anos de 2011, 2013 e 2014 com o propósito de adequar os custos com as equipas de Marketing e Vendas à realidade. Estamos certos de que não teriam sido evitáveis e é com satisfação que nos encontramos de novo a aumentar as nossas equipas, com critérios de seleção rigorosos, para que consigamos fazer crescer a empresa, com base na estratégia em curso”.
A Ferraz, Lynce e a Iberfar têm recorrido, desde 2009 até à data, à contratação de estagiários ao abrigo dos programas de estágios do IEFP. O grau de empregabilidade destes estagiários é de 65% (o que corresponde a um aumento de 24 colaboradores).

O Ferraz, Lynce, dada a sua longevidade e a contratação de tantos estagiários, ficou com uma equipa de vendas com uma enorme discrepância de idades. “É muito enriquecedor para qualquer das faixas etárias e também um ponto forte para o lançamento dos novos produtos próprios”, acredita a diretora-geral.

O futuro de um grupo em constante desenvolvimento

O Laboratório Iberfar, igualmente PME Líder desde 2009 – o que “tem ajudado na negociação dos financiamentos necessários junto à Banca” – e contemplado, em 2014, com um prémio de Excelência atribuído pelo IAPMEI, tem feito nestes últimos anos enormes investimentos para que os seus equipamentos e infraestruturas sejam de excelência e ao nível do “estado da arte” da indústria farmacêutica, cumprindo as exigências dos reguladores, dos clientes, do mercado nacional e também dos mercados internacionais. Desde 2009 até hoje, o peso relativo das exportações quadruplicou. Atualmente, 40% da fabricação da empresa é destinada ao mercado externo. Num setor onde a concorrência é cada vez mais dura há que apostar, obrigatoriamente, na diferenciação e na exportação.
Em 2014, o Laboratório Iberfar conseguiu um financiamento atribuído pelo antigo QREN pelo investimento feito numa funcionalidade inovadora e exclusiva à data em Portugal na linha de embalagem, algo que Rita Ferraz da Costa considera uma “lança em África”, devido à pouca atenção dada pelos Governos às empresas do setor privado. “E estamos neste momento com uma candidatura ao programa Portugal 2020”, assume.
O aumento das exigências dos reguladores, dos clientes e dos novos mercados obrigam a que esta indústria seja cada vez mais inovadora, o que exige investimentos elevadíssimos. Na área dos aprovisionamentos e FSE’s, foi conseguida uma enorme redução de custos resultante de um trabalho persistente e rigoroso assente, sempre, na garantia de manter a qualidade dos mesmos.
Por outro lado, o Iberfar acabou de lançar um novo canal de comunicação a nível internacional, a Pharmaceutical Technology, uma plataforma tecnológica com divulgação  mundial,  que visa informar quem é quem e o que faz  no campo do fabrico e tecnologia farmacêutica. Esta plataforma gera proximidade entre fabricante, decisores de outras empresas, potenciais clientes, assim como dá  visibilidade e credibilidade junto dos profissionais do setor e do público em geral.
A Logifarma, empresa de distribuição, é um caso de sucesso. “É o maior operador logístico em Portugal e tem atualmente, como fator exclusivo e diferenciador, uma frota própria, respeitando todas as exigências necessárias ao transporte de medicamentos”, conta a administradora do grupo. Em 2015, ano em que comemorou 10 anos, a Logifarma tornou-se o único operador logístico que assegura aos seus clientes a distribuição nacional de produtos farmacêuticos em bi-temperatura, num investimento que ascendeu a 1,5 M€. A operação ficou assim controlada na totalidade. “Logifarma Total, distribuição em conformidade com a necessidade”.
O Lean 6Sigma tem sido utlizado desde 2007 por todas as empresas do Grupo com o propósito da constante melhoria dos processos operacionais e de eliminar todo e qualquer desperdício, o que tem contribuído para um trabalho e desempenho cada vez mais adequados ao bom funcionamento das empresas.

Áreas de intervenção

O Ferraz, Lynce representa e promove medicamentos sujeitos a receita médica de terceiros em Portugal, promove medicamentos sujeitos a receita médica próprios, medicamentos não sujeitos a receita médica de terceiros e próprios, suplementos alimentares e dispositivos médicos que lhe asseguram “a promoção da saúde” e a satisfação da classe médica por verem controladas as patologias dos seus doentes.
“A título de curiosidade, a marca Laevolac, trabalhada por nós há 46 anos, pela sua enorme eficácia e pela enorme confiança que a classe médica lhe reconhece é a 17ª marca mais conhecida no top 100 da indústria farmacêutica” (fonte: hmR), afirma Rita Ferraz da Costa.

Rita Ferraz da Costa

A administradora do grupo afirma ainda que gosta do que faz, o que sustenta no respeito que tem pelo trabalho feito pelas gerações anteriores (estão na quarta geração) e por ter como missão fazer crescer os negócios, criar postos de trabalho e acrescentar valor à economia portuguesa. Para além de acumular as funções de Administradora Delegada e ser responsável pelo departamento de Recursos Humanos, é também Diretora-Geral do Ferraz, Lynce, o que lhe permite estar mais próxima da equipa e participar mais ativamente nas campanhas de marketing e na criação dos slogans, maioritariamente da sua autoria, o que lhe agrada imenso.

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Atividade industrial nos EUA com maior queda em mais de seis anos

De acordo com os dados divulgados esta segunda-feira pelo Institute for Supply Management (ISM), o índice associado a este setor caiu de 48.6 em novembro para 48.2 no mês seguinte.

O valor fica aquém do estimado pelos analistas, que apontavam para 49, e reflete o impacto da apreciação do dólar e a limitação de investimento no setor energético arrastado pela queda dos preços das matérias primas. Valores abaixo da marca dos 50 representam contração da atividade.

“As dificuldades do setor manufatureiro vão continuar em 2016. (…) Ainda temos um dólar forte e os preços da energia em queda”, disse à Bloomberg o analista da Moody’s, Ryan Sweet.

De acordo com a Bloomberg, a procura interna (estimulada pela melhoria dos índices de emprego e de salários) impede que a queda na procura tenha um efeito ainda pior na atividade das fábricas.

No espaço de poucas horas esta é a segunda má notícia para o setor industrial das duas maiores economias do mundo, depois de na China a atividade ter recuado pelo quinto mês consecutivo em dezembro.

Num país envelhecido como o Japão, a morte é um bom negócio

“Quero promover os nossos produtos porque todos os anos morrem quase 1,2 milhões de pessoas, mas ainda vendemos apenas 60 mil [tapetes]”, explica Koichi Fujita, representante de uma empresa que comercializa almofadas e tapetes tatami para caixões. Os números em que baseia o seu argumento já estão desatualizados: no ano passado, o Japão despediu-se de 1,3 milhões de cidadãos, e deu as boas vindas a apenas um milhão de bebés.

A empresa de Fujita era uma das muitas expositoras da feira Endex, um evento inteiramente dedicado ao planeamento para o fim da vida, que tomou conta de um dos maiores centros de exposições de Tóquio.

“Os japoneses passam toda a vida em cima de tapetes tatami”, diz Fujita, referindo-se ao tradicional revestimento de palha que se encontra em quase todos os quartos no país. “E há um ditado popular que diz que as pessoas querem morrer sobre um tapete tatami, ou seja, que querem morrer em casa. Uma vez que tantas pessoas acabam por morrer no hospital, esta é uma oportunidade de terem o seu tatami no caixão, para a despedida”, esclarece.

O Japão tem a população mais envelhecida do mundo. Mais de um quarto da população tem 65 anos ou mais, e as estimativas do Ministério da Saúde prevêem que em 2060, serão 40%.

O consumidor idoso

Não admira, por isso, que grande parte da vida quotidiana no Japão esteja virada para os seniores. Entra-se numa loja de conveniência e encontram-se prateleiras repletas de fraldas para adulto e copos com palhinha – para os velhinhos. Nos balcões das agências bancárias e das estações de correios há óculos graduados para ajudar os clientes que estão a perder a visão, e nas passadeiras há botões para aqueles que precisam de mais tempo para atravessar a rua.

A Panasonic tem uma linha de eletrodomésticos – panelas para cozinhar arroz, micro-ondas, máquinas de lavar – mais fáceis de usar, lançada para o público mais idoso. Nas secções de congelados, há refeições prontas a comer com porções apropriadamente mais reduzidas para a terceira idade.

Assim, o negócio da morte apresenta-se como uma clara oportunidade. Os japoneses até têm uma palavra para a descrever: Shukatsu, que quer dizer preparar-se para morrer. É um jogo de palavras que remete para a expressão de procurar emprego.

“Segundo as projeções do Governo, em 2038 vamos ter 1,68 milhões de pessoas a morrer”, afirma Midori Kotani, cientista social no Instituto de Investigação Dai-Ichi Life, que está integrado numa companhia de seguros. “Como há muito mais pessoas a morrer do que a nascer, é aí que residem as oportunidades de negócio”, justifica.

Na primeira edição da Endex (Life Ending Industry Expo), mais de 200 empresas competiam por uma fatia maior da indústria funerária, que segundo o comité organizador da feira está avaliado nuns impressionantes 41 mil milhões de dólares.

Ali estavam os previsíveis caixões, lápides e os últimos modelos de carros funerários. Mas também monges budistas que lembravam que as pessoas não andam a cumprir os ritos anuais, ou empresas de café que esperavam vender os seus produtos como “lembranças” a distribuir pelos participantes num funeral, cumprindo assim a tradição local.

Também havia um crematório móvel para animais de estimação: uma empresa que se dispõe a estacionar a carrinha apetrechada com o forno à porta de casa, e a transformar o Bobby ou o Tareco em cinzas. Um cão até cinco quilos custa cerca de 300 dólares e demora uma hora a cremar. Já a cremação de um hamster é consideravelmente mais barata, e menos demorada.

O espaço é o limite

As novidades estendiam-se também aos produtos destinados a seres humanos.

“Muitas pessoas alimentaram durante anos o sonho de ir ao espaço”, diz Hirohisa Deguchi da Galaxy Stage, uma empresa especializada em enviar pequenos contentores de cinzas metálicos para o espaço (e, por coincidência, o seu apelido significa “saída”). “Pomos as cinzas nesta cápsula e lançamo-las num foguetão”, exemplifica.

Cinco pessoas tiveram os seus restos lançados para o espaço, e há outras cinco com descolagem marcada para o próximo mês.

O “memorial espacial” mais barato – o procedimento consiste em lançar as cinzas numa cápsula para o espaço, que depois se desfaz ao reentrar na atmosfera terrestre – custa cerca de 3700 dólares. Outra alternativa, orçada em oito mil dólares, pode ser entrar em órbita num satélite, que a família pode seguir, através de um GPS, durante pelo menos 240 anos. A opção de luxo, que consiste em depositar uma cápsula com as cinzas na lua, custa uns astronómicos 21 mil dólares.

Para quem preferir ficar por terra firme, a empresa Heart in Diamond oferece a possibilidade de converter o cabelo ou as cinzas numa pedra preciosa. Com preços que podem variar entre os 3000 e os 20 mil dólares, a companhia disponibiliza uma vasta gama de diamantes coloridos, incluindo laranja, azul ou verde, em diferentes tamanhos e quilates.

A maioria dos clientes são mulheres que desejam manter as suas mães por perto, informa Naoto Kikuchi, o diretor da empresa, assoberbado com o movimento no seu stand de exposição. Há uma razão especial para que este tipo de “joalharia lutuosa” seja tão apelativo para as mulheres japonesas: “Quando as mulheres são casadas, são enterradas junto da família do marido e não da sua. Estas joias são uma maneira de ficar sempre perto da família de nascimento”, explica.

Fazer gastar mais

Mas há ainda outra razão por trás desta necessidade de inovação no negócio do shukatsu: apesar de o número de óbitos estar a aumentar, o montante que as pessoas estão dispostas a gastar em funerais e outras cerimónias mortuárias está em declínio. Isso quer dizer que, do ponto de vista da indústria, o crescimento estagnou, nota Kotani, do Instituto Dai-ichi.

“Numa cidade como Tóquio, cerca de 30% das pessoas que morrem não têm funeral, vão diretas para a cremação. E o dinheiro que é gasto em cada funeral tem vindo a diminuir”, diz Kotani, acrescentando que a tendência para a moderação e frugalidade se explica pelo facto de muitos idosos não quererem tornar-se um fator de stress ou um fardo económico para as suas famílias.

“E é por isso que os empresários do setor têm de encontrar maneiras de maximizar os montantes gastos por cada morte, e que tenham aparecido serviços a oferecer o envio de mensagens em vídeo deixadas pelos mortos ou o lançamento de cinzas no espaço”, prossegue Kotani.

Entre as 22 mil pessoas que pagaram entrada para a exposição em Tóquio estava Mariko Saiko, uma viúva de 68 anos. “Ouvi falar disto na televisão”, contou, enquanto avaliava diferentes modelos de urnas budistas. “Eu não quero ser enterrada no mesmo túmulo que o meu marido, porque nunca me dei bem com a família dele”, admite, entre risos. “Por isso, quero saber o que se pode fazer e pensar no que eu posso pagar, para depois comunicar os meus planos à minha filha, quando ela me vier ver no Ano Novo”, diz.

Do ponto de vista do negócio, o incentivo para agradar a potenciais clientes como Saito é a inovação: é preciso descobrir novas formas de fazer dinheiro com a morte. Até porque, como remata Kotani, “as pessoas só morrem uma vez”.

Empresas vão voltar a contratar. Sobretudo na indústria e tecnologia

A saída da troika de Portugal e as quebras que têm sido registadas na taxa de desemprego, aliadas à necessidade de reforçar as equipas reduzidas a “mínimos funcionais” durante o período mais agressivo da crise, são as razões apontadas para o otimismo das empresas portuguesas.

A indústria e a tecnologia são os setores referidos por todas as recrutadoras a que o DN/Dinheiro Vivo perguntou onde se vai contratar mais em 2016. No caso da indústria, as empresas procuram profissionais responsáveis por manutenção, produção e logística. Já na tecnologia, as profissões mais procuradas estão relacionadas com tecnologias de informação (programadores de Java e .Net, administradores de sistemas ou big data, por exemplo), gestão de negócios online e apoio técnico.

Mas há mais: a recrutadora Adecco salienta a bioengenharia como um dos setores mais dinâmicos, bem como o setor petrolífero, embora este último tenha uma ressalva: “Este recrutamento é sobretudo numa vertente de mobilidade internacional, são procurados engenheiros portugueses para trabalhar fora do país”, explica Tiago Costa, diretor de unidade Professional da Adecco Portugal. Já a Hays destaca a procura de chefes de cozinha.

A evolução do mercado de trabalho será sem dúvida positiva. “A tendência encontra-se em subida no que diz respeito a ofertas de trabalho. Isso deve-se a uma ideia de início de estabilidade financeira pela saída da troika e de alguma recuperação na taxa de desemprego”, justifica Tiago Costa. “Muitas equipas tinham sido reduzidas a mínimos funcionais durante o período mais acentuado da crise de modo a otimizar custos. Assim que se verificou uma ligeira melhoria na economia, as empresas sentiram necessidade de voltar a reforçar as suas estruturas e a apostar no crescimento das equipas”, acrescenta Marisa Duarte, team leader da Hays Response.

Apesar das melhorias no contexto económico, as condições laborais mudam pouco. A maioria dos contratos oferecidos é a tempo inteiro e a termo certo, embora haja algumas entradas diretas para os quadros, no caso de quadros médios, diz Nuno Troni, diretor de recrutamento da Randstad. O trabalho temporário continua a ser prática recorrente sobretudo nas unidades fabris e cada vez mais entre jovens qualificados. Ainda assim, diz Marisa Duarte, há “uma tendência para apostar em benefícios para compensar a ausência de incrementos salariais significativos nos últimos anos”.

No lado da contração estão a construção e o retalho e a distribuição. Estes setores não só não vão contratar – ou vão mesmo despedir – como são os que pagam pior.

Três em quatro querem contratar

No próximo ano, três em cada quatro empresas preveem recrutar, um número superior ao deste ano, refere Nuno Troni. As previsões da Ranstad estão em linha com as que constam do estudo “Workforce + Pay 2016” elaborado pela Korn Ferry Hay Group. A consultora aponta que 76,3% das empresas portuguesas querem contratar novos colaboradores para os quadros no próximo ano. “Com o crescimento das exportações e um aumento da procura, as empresas procuram reforçar os seus quadros com colaboradores que assegurem as áreas produtivas”, justifica Miguel Albuquerque, diretor de produtos e serviços do Hay Group. “Por outro lado, a necessidade de escoar produtos, bem como o aumento da competitividade do mercado, leva a que as empresas reforcem as equipas comerciais”, acrescenta.

Salários reais ficam estagnados

2016 deverá ser também um ano de aumentos salariais, mas serão aumentos “mais modestos do que os que se verificam no resto dos países europeus”, refere Nuno Troni. Isso mesmo mostra o estudo da Korn Ferry. Os trabalhadores portugueses deverão conhecer um aumento salarial médio de 1,3% no próximo ano, quando a média europeia é de 2,8%. Contudo, com a inflação média dos últimos 12 meses fixada em 0,39% (segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística relativos a novembro), o aumento real dos salários em Portugal será praticamente inexistente: 0,4%. Já na Europa o aumento real será de 2,3%. A consultora justifica os aumentos pouco significativos com a ausência de um Orçamento do Estado para 2016, que gera um clima de incerteza.

O setor da energia está no topo dos que pagam melhor, com salários-base 17% superiores à média nacional e uma remuneração total superior em 21%. No lado oposto a distribuição e o retalho, com salários 15% abaixo da média, e a construção, que paga cerca de 12% abaixo da média.

“Grande parte do meu percurso foi feito no meio das máquinas”

Sofia Vale

A Riler foi criada em 1974 como estamparia têxtil. Em 1985 Amaro do Vale compra a empresa e transforma-a numa tinturaria têxtil. “Dá-se esta alteração para que a Riler pudesse tingir os tecidos de uma outra empresa da família, esta sim fundada exclusivamente pelo meu pai”, explica a atual CEO.

Sofia Vale entra para os negócios da família em 1998 após terminar a sua Licenciatura em gestão. “Em 95, após a perda do meu pai dão-se algumas alterações na estrutura organizacional da sociedade, habituais numa empresa familiar. Eu, sozinha na Riler estou há três anos, mas já estou na direção desde que entrei em 1998”.

 “Está a ser um ano muito bom”

Trabalhar na Riler sempre foi o sonho de Sofia Vale. “O Vale do Ave é, por excelência, a zona do setor têxtil e o meu pai sempre foi industrial nesta área. Portanto, eu cresci neste meio, nesta e na outra empresa do meu pai, mas desde sempre tive um maior fascínio pela Riler.

Vir para cá trabalhar foi, por isso, aquilo que eu sempre quis e foi o que fiz quando acabei a minha Licenciatura. Felizmente agora está a correr bem, nem sempre foi assim, mas com muito esforço e muito trabalho temos superado todas as adversidades que nos surgiram ao longo dos anos. Estamos numa fase de crescimento e investimos muito nos últimos três anos. Adquirimos novas maquinas para aumentarmos a nossa capacidade produtiva e melhorar a qualidade do serviço prestado. Outro objetivo com estas aquisições é a eficiência energética, pois atualmente todos estamos  conscientes das necessidades ambientais e a sua real importância. Para acompanhar estes investimentos foi necessário uma melhoria das instalações, e é claro que sabemos que tão importante como tudo o resto é a mão de obra qualificada e desta forma investimos na contratação de pessoas cada vez mais qualificadas bem como em muita formação e requalificação do nosso pessoal. Neste momento estamos a instalar uma máquina que acabou de chegar e no próximo ano vamos receber mais três.

Pode-se dizer que está a ser um ano muito bom.” Tão bom que este ano vai ser atingido um ambicioso objetivo em termos de faturação que já não era alcançado desde 2004. A empresa conta atualmente com cerca de 80 trabalhadores, a trabalhar em turnos contínuos. “Todos trabalhamos no mesmo sentido, somos uma equipa unida e coesa”, orgulha-se.

“A diferença não tem a ver com as capacidades entre os homens e as mulheres”

E se agora Sofia Vale já não é um nome desconhecido na indústria têxtil e transmite confiança àqueles que com ela trabalham, sejam eles colaboradores, fornecedores ou clientes, nem sempre foi assim!

“Hoje, é mais fácil porque com o passar dos anos e experiencia adquirida sou respeitada por todos, o trabalho desenvolvido até então confere-me o respeito conquistado. Já estou aqui há alguns anos mas, no início, não foi nada fácil, por vários motivos. Tradicionalmente esta indústria é um mundo de homens, na Riler apenas 10 por cento são mulheres. O facto de ser filha do dono também não ajudou quando comecei. É preciso aprender com humildade e, por isso, grande parte do meu percurso foi feito no meio das máquinas até porque vim de uma área de gestão para a produção e precisei mesmo estar lá a aprender”, afirma.

As responsabilidades inerentes ao papel de mulher e mãe também fazem com que Sofia Vale tenha que se desdobrar em tarefas para continuar a fazer o bom trabalho que a caracteriza e continuar a levar a Riler a bom porto. “Os homens, por norma, têm mais disponibilidade para se dedicarem aos negócios, porque nós, temos responsabilidades e tarefas acrescidas enquanto mães e mulheres de negócios. Antes de ter filhos, eu podia dedicar mais tempo à empresa, agora é preciso ir buscar as crianças ao colégio, é preciso ir à reunião de pais, é preciso ir ao médico… e eu tenho três lindos filhos. Não posso deixar de salientar a ajuda e o apoio que me tem dado uma grande mulher, a minha mãe.

A diferença não tem a ver com as capacidades entre os homens e as mulheres mas sim a diferença entre o esforço adicional que as mulheres tem de fazer para se afirmarem num mundo tradicionalmente liderado por homens”.“Queremos ser reconhecidos como bons naquilo que fazemos e acho que estamos no bom caminho.”

Mas este não é o único desafio que se coloca à gestão de Sofia Vale. A CEO da Riler enumera alguns outros nesta entrevista à Revista Pontos de Vista: “enquanto tinturaria, a Riler procura insistentemente cumprir com todas as diretrizes ambientais. O facto de gastarmos muita água e gás e termos os custos energéticos muito elevados preocupa-nos e por isso estamos a investir na renovação do nosso parque de maquinas. O resto é o risco natural do negócio, um cliente que fecha e fica uma conta corrente por resolver, etc.”.Riler

Ao trabalhar indiretamente, através dos seus clientes, para grandes grupos como o Inditex, a Riler é obrigada a fazer grandes investimentos, por exemplo, ao nível do laboratório, “de outra forma não temos o aval deles para podermos trabalhar. Somos auditados por esse grande grupo e temos de ser referenciados pelo mesmo para podermos trabalhar para os nossos clientes”, explica Sofia Vale.

Quanto aos objetivos para os próximos tempos, afirma: “as metas que gostava de ver atingidas são muito altas. Gostava de manter os níveis de crescimento que temos alcançado mas a instabilidade é muito grande. Quero aumentar, e já o estou a fazer em termos de capacidade, por esse motivo estamos a investir em máquinas e temos algumas para chegar em abril. Pretendo também alargar a variedade de serviços prestados, a outro tipo de acabamentos. Quero que a Riler seja conhecida como uma empresa onde o cliente sabe com o que conta quer a nível de atendimento quer a nível de qualidade do serviço e prazo de entrega curtos. Queremos ser reconhecidos como bons naquilo que fazemos e acho que estamos no bom caminho”.

Revista Pontos de Vista: A abertura do mercado europeu à China e a crise de 2008 refletiram-se no encerramento de umas quantas empresas têxtil em Portugal. No entanto, o setor deu a volta por cima e esta indústria tem emergido como uma das mais avançadas e competitivas do país. Como perspetiva o futuro do têxtil em Portugal nos próximos anos?
Sofia Vale: As expetativas são boas. Em Portugal fazemos quantidades pequenas e fazemos bem, cumprimos cadernos de encargos e fazemos rápido. Eu acho que nós portugueses somos de facto milagreiros. Este conjunto de qualidades, aliadas à nossa versatilidade, e aos preços praticados fazem a diferença. É bastante prestigiante para Portugal ter uma participação tão grande, e de tão alto nível, de empresas portuguesas na Heimtextil que é a maior feira têxtil anual da Europa. Agora, é necessário que em Portugal se continue a apostar, na qualidade, na inovação, na formação e nos cuidados com as questões ambientais.

Próximos grandes eventos/ feiras têxtil a decorrer pelo Mundo
Heimtextil – 12/01/2016 a 15/01/2016
Frankfurt am Main – Alemanha

Pitti Immagine Uomo – 12/01/2016 a 15/01/2016
Florença – Itália

Première Vision Preview New York – 19/01/2016 a 20/01/2016
Nova Iorque – Estados Unidos

Pitti Immagine Bimbo – 21/01/2016 a 23/01/2016
Florença – Itália

FIMI – 22/01/2016 a 24/01/2016
Madrid – Espanha

Salon International de la Lingerie – 23/01/2016 a 25/01/2016
Paris – França

ISPO Munich – 24/01/2016 a 27/01/2016
Munique – Alemanha

TexWorld USA – 24/01/2016 a 26/01/2016
Nova Iorque – Estados Unidos

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