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A minha experiência com permacultura

A nossa primeira preocupação foi cercar esse espaço com uma vedação e rapidamente iniciar o amanho do terreno, cultivando produtos hortícolas vários (ervilhas, favas, batata doce, tomate, pimento, couves, entre outros) e melhorando o estado fitossanitário dos citrinos que já se encontravam implantados.

Rapidamente nos apercebemos de que, com o elevado número de culturas que se sucediam, era importante apostar fortemente na fertilidade do solo. Com efeito, uma sobre-exploração agrícola dos terrenos leva frequentemente a uma cada vez maior aridez do solo por perda de nutrientes e estrutura, para não falar das doenças microbianas que com a falta de equilíbrio do terreno, normalmente sobrevêm.

Ora, na busca de conhecimento sobre o tema, usando a internet, fomos encaminhados para variados canais do Youtube, em que horticultores de várias geografias partilham conhecimento e experiência agrícola.

Entrámos então em contacto com a denominada permacultura. Trata-se de um termo cunhado por dois agrónomos norte-americanos no século passado e que resulta da fusão das palavras cultura e permanente. Sendo uma ciência que utiliza conhecimentos de variadas disciplinas, é primordialmente, uma técnica de design.  Perante uma determinado espaço a ocupar, a permacultura tenta responder à questão de como tornar esse espaço o mais possível regenerativo e autossustentável, tornando-o excedentário em termos energéticos, isto é, em que os outputs de energia excedem os inputs.  O desafio é apaixonante em temos intelectuais para o designer e exige por em jogo variadíssimos conhecimentos: sobre as características das diferentes espécies vegetais e animais, e da forma como se podem combinar para obter o máximo de sinergia, a seleção das melhores formas de aproveitamento de água, a escolha dos locais de implantação das espécies vegetais escolhidas para maximizar a luz solar e a colheita de nutrientes a diferentes profundidades dos solo, são exemplo dos tipos de conhecimento que se requerem.

No nosso caso, em que a Horta é um terreno com cerca de 270 m2, temos vindo a implementar algumas das ideias que apreendemos pela visualização dos referidos vídeos. Uma experiência que teve resultados espetaculares foi a aplicação numa das parcelas da Horta, da técnica de revestimento do solo por empalhamento que consiste em cobrir o terreno (o qual não é previamente mobilizado), com três camadas sucessivas relativamente à superfície do solo: uma de cartão, outra de feno e outra de palha. Depois de instaladas as plantas,  e ao fim de 4 meses de duração da experiência, podemos dizer  que o controle de infestantes foi muito mais eficaz do que nos talhões  nus, o desenvolvimento das várias espécies hortícolas (vários tipos de couves, alho francês, espinafres e alface) foi exuberante e a sanidade e nutrição das plantas revelaram-se excelentes. Apesar da camada de cartão ter impedido o crescimento de numerosas ervas infestantes, a terrível junça fez questão de aparecer. Todavia, a técnica de “shop and drop” que consiste em arrancar a infestante e deixá-la no local revelou-se interessante. Isto porque esteticamente não se diferencia muito da palha em decomposição e  a presença da erva arrancada no terreno ainda contribui para a fertilidade, decompondo-se ela própria no local.

Notámos uma alta produtividade na permacultura, fruto das práticas regenerativas que contribuem para uma excelente produção em qualidade e de alto valor económico. É possível praticar permacultura em grandes superfícies, associando cultivos vegetais e florestais.  Esta técnica vem portanto dar mais um sinal de esperança para muitas regiões do planeta ameaçadas de fome e de desertificação.

Fica o convite para visitar no Youtube canais como GreenDreams, Morag Gamble ou The NaturalFarmer, cuja visualização entusiasmará certamente muitos daqueles que sentem alguma paixão pela natureza e pela agricultura.

E também o convite para ver in loco a experiência citada, sita no Jardim do Saldanha no Montijo.

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