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“O português é mesmo uma língua do futuro”

Trabalha há 21 anos como tradutora. O que diria que é mais importante no exercício desta profissão?

Para mim, o mais importante é dominar ambas as línguas de trabalho, conhecer bem o assunto em questão e a audiência e, acima de tudo, ter integridade e agir sempre de forma profissional.

É tradutora de inglês – português europeu em várias áreas técnicas e em áreas jurídicas viradas para os negócios. Trabalha para Portugal e para outros PALOP como Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Como descreveria a importância do seu trabalho nas relações empresariais?

Muitos dos projetos em que tenho trabalhado contribuem ativamente para aumentar o PIB desses PALOP, como é o caso, por exemplo, de projetos hidroelétricos e de petróleo e gás em Angola e Moçambique, desenvolvimento turístico em Cabo Verde, e proteção ambiental na Guiné-
Bissau e em São Tomé. Todos esses projetos têm de ser apresentados aos diversos governos e partes interessadas. Assegurar que a tradução é exata em termos de conteúdo e registo linguístico é por isso do interesse dos proponentes dos projetos, já que em projetos internacionais a tradução pode ajudar a fechar negócios ou dificultar negociações. Os tradutores devem ser invisíveis, mas na realidade são uma ponte importantíssima no mundo dos negócios, já que num país estrangeiro a tradução é o rosto da empresa.

Hoje em dia existem plataformas digitais de tradução grátis mas não são o mesmo que o trabalho de um tradutor. Porquê?

Num mundo cada vez mais automatizado, a tradução automática surge como uma consequência normal do desenvolvimento. Porém essa máquina ainda não oferece o serviço acrescentado prestado por um bom tradutor humano.

Um bom tradutor analisa o texto, as circunstâncias e o país em que o mesmo vai ser utilizado e o registo mais adequado e depois produz uma tradução que tem isso em conta, que é fácil de ler e que não é um decalque do original. Por exemplo, atualmente alguns dos PALOP usam oficialmente o antigo acordo ortográfico pelo que o português europeu não é neste momento todo igual, variando consoante o PALOP em questão. Um bom tradutor tem tudo isto em conta e produz uma tradução de qualidade, sempre em contacto com o cliente, para garantir que a mensagem é bem transferida e os resultados empresariais finais são atingidos. Tem também autoconfiança para questionar decisões linguísticas dos autores e aconselhar sobre o que é melhor para o país a que a tradução se destina.

A língua portuguesa está entre as mais faladas no mundo inteiro. Qual é, na sua opinião, o potencial dela no mundo dos negócios?

Em 2016 a língua portuguesa contava com 223 milhões de falantes nativos e 20 milhões de falantes de segunda língua e em 2017 era a 6ª língua mais falada no mundo. Com o desenvolvimento de grandes países, como Angola, Brasil e Moçambique, a língua de Camões tem um enorme potencial empresarial, até porque as empresas querem cada vez mais pessoal nacional mas também pessoal estrangeiro que domine o português. Esta é uma vantagem de crescimento muito importante e que as instituições de ensino fora dos PALOP não deveriam descurar. Para mim, o português é mesmo uma língua do futuro.

Entre todos os países com quem trabalha existem diferenças de índole multicultural evidentes em termos de negociação que possa partilhar connosco?

Penso que as diferenças têm mais a ver com os conhecimentos de cada um a respeito da tradução e do trabalho do tradutor. Muitas vezes é preciso informar os clientes sobre o trabalho e tempo necessários e a minha experiência acumulada permite-me ajudá-los a decidir sobre o que é melhor para os seus projetos. Este serviço acrescentado, com um toque humano e pessoal, é imprescindível, porque num mercado estrangeiro um produto ou serviço dependerá sempre da tradução para ter sucesso e o processo de tradução quando mal gerido poderá ter grandes consequências financeiras e reputacionais.

Além de ser tradutora sente que, por vezes, precisa de ser também uma diplomata? Porquê?

Sem dúvida. Nem sempre se pode traduzir exatamente conforme o original e muitas vezes é preciso contactar o cliente para lhe explicar que aquele termo ou aquela frase em especial pode dificultar determinada negociação ou causar más interpretações. O tradutor acaba por ser um consultor o que é fantástico. É muito gratificante, quando um cliente nos contacta por sermos o elo de que ele precisa para fechar um negócio, retomar uma negociação ou desenvolver uma parceria.

Timor-Leste debate presente e futuro da língua portuguesa

© Lusa

Domingas Bachita, da comissão organizadora, explicou que a terceira edição do encontro é integralmente organizada por alunos do Departamento de Língua Portuguesa da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) sob a coordenação de docentes do Centro de Língua Portuguesa da instituição.

“Ao longo dos dois dias de trabalhos, estudantes de diferentes departamentos e faculdades e convidados de diversas áreas relacionadas com a Educação e a Língua Portuguesa em Timor-Leste partilharão saberes e experiências nestas Jornadas, que têm como tema “Presente e Futuro do Português em Timor-Leste”, explica Bachita numa nota enviada à Lusa.

O programa das jornadas integra painéis temáticos sobre Didática, Linguística e Literatura e Cultura, mas também mesas-redondas sobre o português “enquanto elemento de identidade cultural e enquanto veículo de transmissão de conhecimentos, as vantagens pessoais e profissionais de dominar a língua portuguesa e o papel das línguas maternas em Timor-Leste”, indicou.

Promovidas pelo Centro de Língua Portuguesa da UNTL, as jornadas decorrem no final da semana no Auditório da Faculdade de Educação Artes e Humanidades daquele centro educativo.

Entre os participantes contam-se o reitor da UNTL, Francisco Martins, o comissário nacional de Timor-Leste no Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Crisódio Araújo, o embaixador Domingos Sousa e o jornalista Max Stahl.

Motivação dos alunos para a aprendizagem da leitura na sala de aula de português, a importância da pré-leitura na compreensão do texto em língua portuguesa e “vantagens e desvantagens do uso do manual de português” são alguns dos temas em análise.

“Vantagens pessoais e profissionais de dominar a língua portuguesa”, lendas tradicionais timorenses, o papel das línguas maternas em Timor-Leste e o português enquanto veículo de transmissão de conhecimentos, estão também entre os assuntos a debater.

O encerramento estará a cargo de Benjamim Corte-Real Araújo, diretor do Centro de Língua Portuguesa da UNTL e do Instituto Nacional de Linguística.

LUSA

Mercado de trabalho da língua portuguesa está a aumentar na Ásia

© Getty Images

Muitos alunos escolheram o português porque agora têm um mercado de trabalho com grande procura pelas pessoas que falam português e chinês”, disse hoje à Lusa a professora de português da Universidade de Pequim Li Jie, à margem da quarta edição do Encontro de Rede de Ensino de Língua Portuguesa.

A professora da Universidade de Pequim argumentou ainda que “há cada vez mais intercâmbios comerciais e culturais entre a China e os países lusófonos”.

Também a professora do Departamento de português na Universidade de Hanói seguiu a mesma tónica: “há cada vez mais emprego através do português, porque há cada vez mais empresas das Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que querem investir no Vietname e também há cada vez mais turistas que querem visitar o Vietname”, defendeu Tran Thi Hai Yen.

A quarta edição do Encontro de Rede de Ensino de Língua Portuguesa reúne, em Macau, entre hoje e sábado, no Instituto do Português do Oriente (IPOR), cerca de 40 docentes provenientes de instituições de ensino superior da China (Pequim, Xangai, Cantão, Jilin e Sichuan), da Tailândia (Banguecoque), do Vietname (Hanói), da Austrália (Sydney), de Timor-Leste e também de Portugal.

A coordenadora do Centro de Língua Portuguesa do IPOR, Clara Oliveira, afirmou à Lusa que tem existido um crescimento notório na aprendizagem do português como língua estrangeira e que este encontro serve como “um momento de reflexão entre todos os professores de língua estrangeiras” destas regiões do globo.

“Na República Popular da China, em termos de instituições de ensino superior, nos últimos cinco anos passaram de 10 para 32”, explicou Clara Oliveira.

Para a professora da Universidade de Pequim, estes encontros entre os docentes são fundamentais pois são uma oportunidade de trocar “ideias e opiniões sobre o ensino e aprendizagem do português para os aprendentes asiáticos”.

“Este encontro é muito importante para nós e para mim é uma muito boa inspiração (…) tenho aprendido muito com as experiências dos restantes colegas”, acrescentou Tran Thi Hai Yen.

O encontro decorre sob a forma de oficinas, de maneira a acentuar uma vertente prática e aplicada, através da promoção de espaços de partilha de experiências e de reflexões em torno de abordagens ao ensino de português como língua estrangeira.

Fundado em 19 de setembro de 1989 pela Fundação Oriente e pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, o IPOR tem como missão contribuir para a promoção da língua e cultura portuguesas.

LUSA

10 PALAVRAS E EXPRESSÕES QUE DEVIAM SER BANIDAS DA LÍNGUA

Toda a gente tem duas ou três palavras que não aprecia por aí além, porque as acha deselegantes, de mau tom e pior som. Eu tenho uma longa lista. Só de repente, lembro-me de requeiro, caberão, compito, compila e cômputo, cujo, blinda, brioche e broche, adição, vi-vos e fá-lo, eslovaca, xaputa e disputa, pariu e podido. Umas percebo porquê, outras nem por isso. Mas longe de mim querer bani-las. De que outra forma poderia dizer “Requeiro uma xaputa e um brioche”?, ou “Eu compito em disputa pelo primeiro lugar, mas caberão três pessoas no pódio”, ou “Fá-lo tu, que eu não tenho podido”? Há, no entanto, outras palavras e expressões comummente (gosto de comummente) usadas na língua portuguesa que me põem o sangue a ferver – porque são disparates. E às vezes disparates sancionados por dicionários (os linguistas rendem-se muitas vezes às massas). E hei de bater-me até ao fim dos meus dias para os fazer desaparecer. Aqui e ali, com a ajuda do Ciberdúvidas, o segundo melhor site português (depois da VISÃO, claro).

10. NORTE-AMERICANO

Não, o país não se chama Estados Unidos da América do Norte. Chama-se Estados Unidos da América. Logo, o seu povo é americano. Ou estado-unidense, para os puristas. Norte-americanos são os naturais ou habitantes do subcontinente América do Norte. “Ah, e tal, mas americanos também são os brasileiros e os chilenos!” Sim? Então digam-me uma vez em que tenha sido ambígua a frase “os americanos bombardearam mais um país acabado em ‘ão'”. Uma vez que seja que alguém tenha dito isto e o interlocutor tenha ficado efetivamente na dúvida e perguntado “quais americanos? Os equatorianos?”. Aliás, quem é que, numa conversa de amigos ao jantar, diz “cá para mim o Trump vai mesmo ser o Presidente norte-americano”, sem, de seguida, levar um carolo? Honestamente: quem? Além disso, se há 15 países sul-americanos, há 23 norte-americanos (a América Central é uma região da América do Norte, não um subcontinente). Portanto, escrever “norte-americano” não resolve dúvida nenhuma. Só cria. Já agora, as mesmas pessoas que escrevem “norte-americano” escrevem “afro-americano”. Por uma questão de coerência, não deviam escrever “afro-norte-americano”? Dito isto, O PAÍS NÃO SE CHAMA ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA DO NORTE!

9. PERCA

A não ser que seja para usar na frase “espero que o Sporting perca”, “perca” é um peixe. “Perca de peso” é, portanto, um peixe gordo.

8. COPO COM ÁGUA

O preferido dos chicos-espertos. A prova mais imediata de que a língua é o primeiro veículo da presunção.
“Quero um copo de água, se faz favor”
“Ah, e tal, quer um copo de água ou um copo com água? É que o copo é feito de vidro. Eh eh.”
“Caro senhor, quando peço um copo de água, a palavra que está subentendida é “cheio”, não “feito”.
“O que é que quer dizer subentendida?”
“Esqueça. Ia demorar muito tempo a explicar. Voltando ao essencial, também pede (como exemplifica o Ciberdúvidas) uma chávena com chá ou um maço com tabaco? É que o maço não é feito de tabaco, pois não? Pois não?”
“A torneira está avariada. Se quer água, compre uma garrafa. De água.”

7. PARA ALÉM DISSO

Ou é “além de” ou “para lá de”. Este é o terceiro dente da forquilha pleonástica do diabo: “Para além disso, há uns anos atrás subi para cima.”

6. COSTA DE CAPARICA

Da! Da! Qual de?! Essa é outra moda relativamente recente, de gente que acha que assim é que se fala bem. Mas é ilegal dizer Costa de Caparica! Bom, não sei se posso dizer que é ilegal, mas o decreto que criou a freguesia da Costa da Caparica, em 1949, chamou-lhe, precisamente, Costa da Caparica. Fim de discussão. Por uma vez que seja, a lei está do meu lado.

5. ENTRE 10 A 20

Repitam comigo: de 10 a 20 MAS entre 10 e 20. De 10 a 20 MAS entre 10 e 20. Só isso. Não tenho nada a acrescentar.

4. LITERALMENTE

Uma das minhas palavras preferidas, mas que se tornou um ódio de estimação – por causa do seguinte:
“Ah, e tal, estou literalmente morto de cansaço.”
“Estás mesmo? Então como é que consegues falar? Os mortos não falam”
“Eu não queria dizer literalmente literalmente. Queria dizer só literalmente.”
“Querias dizer metaforicamente, então?”
“Mas se eu disser metaforicamente, as pessoas vão achar que eu não estou morto de cansaço.”
“E não estás. Estás vivo.”
“Mas há dicionários que já admitem o literalmente como forma de reforçar uma ideia. Pumba! Toma lá que já almoçaste, literalmente.”
“Primeiro, literalmente ainda não almocei. Segundo, pede lá ajuda a esses dicionários para resolver esta: ‘Um viajante percorreu literalmente milhares de quilómetros a pé.’ O que é que eu acabei de dizer? Ele caminhou mesmo milhares de quilómetros? Ou estou só a dizer que ele andou muito?”
“És literalmente parvo.”
“Não tens nada que agradecer.”

3. BILIÃO

Bilião existe, sim, mas não é o mesmo que em inglês. Billion é mil milhões. Um bilião dos nossos é um trillion dos deles. “Ah, e tal, mas os brasileiros traduzem billion para bilhão.” É verdade. E se calhar eles é que fazem bem. Mas a culpa não é minha. A língua já aqui estava quando eu nasci. Queixem-se ao Camões.

2. SOLARENGO

Mais uma asneira reconhecida por alguns dicionários. Mas é uma excelente forma de nos ajudar a separar o trigo do joio: abra o calhamaço na letra S, dedilhe até “solarengo” e, se encontrar a definição “Que tem sol; que é iluminado pelo sol; que está exposto à luz e ao calor solar”, fica a saber que tem nas mãos uma excelente acendalha. Pode dar jeito para acender a lareira do solar, naqueles dias menos soalheiros.

1. AH, E TAL

Nunca – nunca! – alguém soltou “Ah, e tal, vou ali comprar a VISÃO”. Mas toda a gente se lembra de alguém que disse “ah, e tal”. É o arquétipo da expressão órfã da língua portuguesa: é das mais usadas, mas ninguém a usa.

Português será integrado no sistema educativo francês como língua estrangeira

O ministro da Educação de Portugal disse hoje que o português passará, a partir do próximo ano letivo, a integrar os currículos do sistema escolar francês como língua estrangeira.

Os ministros da Educação de Portugal e França, Tiago Brandão Rodrigues e Najat Vallaud-Belkacem, respetivamente, assinaram, em Paris, uma declaração política para reforçar a cooperação bilateral no domínio da língua.

“Com esta declaração, acima de tudo, conquistamos, por um lado, que o português possa ser ensinado em França como língua estrangeira viva, havendo a sua integração nos currículos do sistema escolar, isto é, em vez de ser uma língua supletiva, uma língua que complementava os currículos, a partir de agora, o português passa a fazer parte do sistema escolar, completamente integrado”, disse à Lusa Tiago Brandão Rodrigues, contactado a partir de Lisboa.

De acordo com o ministro da Educação, “o português passará a ser tratado como as línguas internacionais mais difundidas, como o inglês, o espanhol, o italiano”, facto que classificou como “muito importante”.

Segundo um comunicado do Ministério da Educação português, a França fará a substituição do “Ensino de Língua e Cultura de Origem (ELCO)” no sistema escolar por um novo dispositivo, o “Ensino Internacional de Línguas Estrangeiras (EILE)”, que começará a ser aplicado já no ano letivo de 2016/17.

Por outro lado, disse Brandão Rodrigues, essa mudança também é importante para a comunidade portuguesa, que terá acesso ao português integrado nos currículos e “porque existirá uma continuidade ao longo de todo o sistema escolar” do ensino da língua portuguesa, tanto no ensino básico como no secundário.

Permitirá ainda, segundo o ministro, o aumento de alunos que não são de origem portuguesa nos cursos de português, pois também vão ter acesso à língua portuguesa ao longo em todo o sistema escolar em França.

“Portugal irá continuar a dar todos os recursos que dava até aqui para o ensino do português em território francês e a França passa a dar mais recursos importantes para a consolidação da língua portuguesa”, indicou o ministro.

Tiago Brandão Rodrigues sublinhou ser importante aprofundar a cooperação educativa e linguística em acordos futuros e manter um acompanhamento técnico regular do ensino do francês em Portugal e do português em França.

“Portugal é pioneiro nessa iniciativa do Governo francês, que quer alargar esse compromisso com outras línguas”, disse ainda.

Essa declaração política, afirmou o Brandão Rodrigues, “acontece também essencialmente num quadro dos laços de amizade que existe bilateralmente, como se viu também nesses últimos tempos pelas visitas mútuas que aconteceram a ambos os países”.

“Acima de tudo é importante entender que o francês e o português apresentam-se como línguas com dimensões internacionais, como línguas de trabalho de organizações internacionais, mas também línguas da ciência, línguas de culturas, línguas de comunicação”, afirmou.

Para o ministro português, “era importante” ter “instrumentos para robustecer a aprendizagem e o ensino da língua, do português em França e do francês em Portugal”.

Segundo a nota do Ministério da Educação, esta declaração conjunta traduz, “antes de mais, uma forte vontade política, uma vez que inaugura uma nova e ainda mais ambiciosa etapa de promoção recíproca do ensino do português e do francês nos sistemas educativos de ambos os países”.

De acordo com o documento, a partir do trabalho que conduziu à assinatura desta declaração conjunta, ambos os ministros concordaram que seja celebrado até ao fim do ano um novo acordo de cooperação educativa.

O documento também foi assinado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva.

A importância da língua portuguesa

Jeane Zaccarão

É inquestionável a aproximação proporcionada pela partilha de uma mesa língua materna. Produz entre pessoas, entidades e instituições, sinergias e pontos em comum que aproximam. No contexto do tecido empresarial português, a língua portuguesa é, frequentemente, o maior aliado de que as pequenas, médias ou grandes empresas dispõem para a implementação das suas políticas de internacionalização além-fronteiras.

Sou empresária e fundei há 20 anos a Digitalis em Portugal. Sou natural do estado de Santa Catarina no Brasil e tenho atualmente a dupla cidadania. Chegada a Portugal com vinte e poucos anos de idade e um curso de Ciências da Computação da Universidade Federal de Santa Catarina, falar a língua nativa do país que me iria acolher nas próximas décadas foi fundamental para ultrapassar as barreiras e dificuldades iniciais. Foi, sem dúvida, um fator de auxílio importantíssimo para que ultrapassasse o deparar-me com uma nova cultura que, embora semelhante, é diferente o suficiente para que o esforço de adaptação exista, de fato.
Vinte e poucos anos passados, a larga maioria dos quais enquanto empresária e gestora da Digitalis, empresa líder de mercado em sistemas de informação no ensino superior, a língua portuguesa não só não perdeu importância como parece ganhá-la cada vez mais e a cada dia que passa. Foi instrumental nas estratégias da Digitalis para a internacionalização do nosso produto SIGES em Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné desde 2008 e, mais recentemente, na minha terra natal, no Brasil. As empresas que fazem da sua atividade a produção de software conhecem bem das dificuldades de se fazer uma localização eficaz de software para que este esteja pronto para mercados além-fronteiras. Passa não só pela adaptação de aspetos técnicos e funcionais e pela introdução de novas normas legais, fiscais e legislativas, mas também, não menos importante, pelos ajustes necessários na forma de comunicar com utilizadores e consumidores.
A língua não é meramente um modelo canónico de comunicação, um veículo de transporte de ideias e conteúdos. Por detrás da língua está uma também uma forma comum de pensar, contém genes de uma estrutura de pensamento que a língua nos trás. Essa forma semelhante de pensar e o subsequente entendimento que a língua proporciona àqueles que a têm em comum é, muitas vezes, aquilo que nos ajuda a ultrapassar dificuldades. E ajuda a criar compreensão, a decifrar o subtexto e o contexto, a estabelecer pontes com o próximo e empatias.
A ideia da lusofonia pode muito bem ser uma construção, tal como o próprio nome indica, lusa. Poderá muito bem ser que, admitidamente, não seja vista sob o mesmo prisma em territórios fora de Portugal. Mas quer lhe chamemos lusofonia ou não, é inegável a herança comum que nos proporciona. Falar a mesma língua e aproveitar parcelas de uma herança cultural e social comum é algo que terá tido, raras vezes na história de Portugal, tanta importância como hoje. Na Digitalis, é uma variável presente em todas as decisões de gestão que tomamos e que muito nos auxilia na obtenção dos resultados de excelência que temos conseguido nessas duas décadas de existência.

Há 30 mil espanhóis a aprender português nas escolas

Há mais alunos espanhóis a aprender português. Nos últimos cinco anos, o número de alunos do ensino básico e secundário espanhol triplicou.

Neste momento, já 30 mil alunos estão a aprender a língua, avança o Jornal de Notícias. Deste total, 97% são alunos espanhóis e 3% lusodescendentes, segundo a informação da Embaixada de Portugal em Espanha.

Este aumento de interesse prende-se com a inclusão, em 2012, do Português como língua estrangeira, sendo uma opção equiparada ao Inglês ou Francês. Mas também com o facto de a Língua Portuguesa ser cada vez mais vista no país vizinho “como uma língua referenciadora, que pode abrir portas a nível profissional”, indica a conselheira de Educação da Embaixada de Portugal, Filipa Soares.

“Espanha começa também a compreender que o português é uma expansão natural, que pode abrir as portas do mundo lusófono”, explica, sublinhando que, este é um momento em que várias economias emergentes já falam português. Daí o interesse do país vizinho, sobretudo nas regiões fronteiriças como a Extremadura.

Em defesa da língua portuguesa

Marta Moreira Dias

A 23 de setembro do presente ano constituía-se a LusNIC, Associação de ccTLDs de língua portuguesa. É possível fazer um balanço do que foi já estruturado nesta primeira etapa?
O processo de constituição da LusNIC foi moroso e difícil, não por falta de interesse dos players que tinham sido convidados a juntar-se à iniciativa, mas pelas questões associadas às formalidades inerentes à constituição de uma organização internacional onde apenas um dos cinco fundadores é português.
Neste momento ainda estamos numa fase inicial e só depois da Assembleia Geral, que irá decorrer no início do ano em São Tomé e Príncipe, definiremos em concreto o nosso plano de ação. Antes disso qualquer balanço seria precoce.

As expectativas são muitas e têm bem delineado o plano de trabalhos no sentido de promover os domínios de Topo de língua portuguesa. No entanto têm encontrado obstáculos na missão de desenvolver esta área de atuação em que se inserem?
Ainda não encontrámos grandes obstáculos, o que não quer dizer que os não devamos antecipar. A considerável dispersão geográfica dos associados e o desequilíbrio, que obviamente tentaremos diminuir, em termos de recursos ao dispor de cada associado podem vir a constituir-se como obstáculos. Porém, estamos aqui para ultrapassar barreiras e criar valor, é nisso que apostaremos.

A LusNIC surge como uma composição de diferentes entidades de importância clara no contexto de ccTLDs, nomeadamente a Associação DNS.PT, a AGER, a ANAC, entre outras instituições. De que modo esta união será uma mais-valia na promoção e defesa dos domínios de Topo de língua portuguesa?
A LusNIC será uma mais-valia no sentido da partilha de conhecimento entre todos os associados, de estreitar laços, de estabelecer políticas comuns e de ser uma voz ativa nos fóruns internacionais para, designadamente, fomentar e promover a utilização dos conteúdos e da língua portuguesa na Internet.

Novos associados são bem-vindos, segundo afirmam, e têm vindo a trabalhar no sentido de criar parcerias com entidades públicas e privadas de modo a desenvolver esta área. Qual é a importância de sensibilizar estas entidades, nomeadamente os próprios Governos?
A promoção da língua portuguesa é uma questão global. Acresce o facto de se um conjunto de países tem uma identidade comum, o que é o caso, ela deva ser explorada e, se possível, potenciada. Existem entidades ou simples iniciativas que atuam nesta área e que são importantes para nós e que são já hoje encabeçadas por movimentos ativos oriundos da academia, da sociedade civil, do estado e de outras associações como por exemplo a ARCTEL. É importante para nós estabelecer parcerias com entidades que têm experiência na troca e partilha de conhecimento nestas áreas em que nos movemos e a ideia de base é colaborar para crescer, para competir e ter voz ativa no mercado global.

Pretendem, enquanto LusNIC, fomentar a utilização da língua portuguesa no universo cibernauta. Existem ainda lacunas neste sentido? Como caracterizam a presença da língua portuguesa na Internet?
Na minha opinião não se trata de uma lacuna e a prova disso é que a língua portuguesa tem aproximadamente 280 milhões de falantes, o português é a quarta língua mais falada no mundo e a mais falada no hemisfério sul. Dados recentes revelam que na Internet o português já é a quinta língua mais utilizada e nas redes sociais – Facebook e Twitter – é a terceira. Existem cerca de 32 milhões de falantes de língua portuguesa fora dos países de origem.
Não é novidade que sobretudo o Brasil tem contribuído muito para a divulgação da língua portuguesa na Internet e, segundo estatísticas recentes, existem 1.074.116 domínios em .pt e .br, 1.308.306 sites alojados em Portugal e no Brasil e 1.013.460 sites em língua portuguesa, não são números despicientes.

A partilha de conhecimentos é um aspeto fundamental no sucesso do vosso desempenho. Desta forma, planeiam a organização de formações e workshops que fomente o conhecimento. Este é um conceito importante para a evolução da própria CPLP?
A intervenção da CPLP nesta área é muito relevante e amplamente conhecida. Esperamos, dentro daquilo que é a nossa área de intervenção, orientada sobretudo para a promoção e colaboração na defesa dos interesses dos ccTLDs de língua portuguesa, fomento da utilização da língua e dos conteúdos portugueses na Internet e cooperação e partilha de conhecimento nas áreas de intervenção dos ccTLD’s em matérias de cariz técnico, segurança, legais e de boas práticas, poder vir a contribuir para o trabalho da CPLP.

De um modo geral, como encaram o vosso papel integrado no desenvolvimento da CPLP? Que benefícios trazem à comunidade e ao seu progresso?
Podemos afirmar que as nossas expectativas são elevadas. Esperamos poder trabalhar em conjunto e contribuir para a concretização da missão de uma organização tão credível e sedimentada, tanto na nossa sociedade como nos restantes países que têm o português como uma das línguas oficiais, como é a CPLP.

Como idealizam o futuro da LusNIC enquanto associação que pretende promover os domínios de Topo de língua portuguesa e, consequentemente, a própria CPLP?
Estamos bastante otimistas quanto ao futuro da LusNIC. Estamos neste momento a trabalhar com particular empenho, desde logo porque esta é uma iniciativa que já vinha a ser pensada há alguns anos, mas que só foi possível concretizar neste momento. É uma responsabilidade acrescida da qual não largaremos mão. Refira-se que as organizações similares (por exemplo AFNIC, LACNIC) têm por base uma área geográfica comum e na LusNIC o elemento diferenciador é a língua portuguesa, ou seja, também aqui fomos inovadores.
Quanto ao futuro na CPLP e sobretudo quanto ao impacto que a criação da LusNIC aqui pode ter, é prematuro, ou melhor, demasiado ambicioso fazer essa análise neste momento. Certos porém de que esperamos vir a ser reconhecidos pela CPLP, como por outras organizações e, acima de tudo, pelas comunidades que queremos servir como uma organização que trabalha, age e tem resultados.

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