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Croácia expulsa requerentes de asilo para a Sérvia

“Os testemunhos dão conta de um tratamento escandaloso e abusivo da Croácia aos requerentes de asilo nas suas fronteiras que é indigno de um Estado da União Europeia (UE)”, declarou Lydia Gall, investigadora da HRW para os Balcãs e Leste da Europa.

“As autoridades de Zagreb devem assegurar que os polícias exercem o seu trabalho de proteger os requerentes de asilo e não de os forçar de forma violenta a regressarem à Sérvia”, disse.

A HRW entrevistou 10 afegãos, entre os quais dois menores não acompanhados, que foram devolvidos à Sérvia após terem sido intercetados na Croácia desde novembro de 2016.

Os entrevistados disseram que lhes foi negado o direito de pedir asilo, embora tenham expressado o desejo de o fazer. Nove dos migrantes foram alvo de socos e pontapés dos polícias, que tiraram aos 10 o dinheiro, telemóveis e outros artigos pessoais.

A organização informou as autoridades da Croácia das denúncias a 20 de dezembro e pediu-lhes para as investigarem e castigarem os responsáveis. Até agora não recebeu qualquer resposta.

A HRW assinala que o comportamento da polícia croata viola as leis comunitárias de asilo, os direitos fundamentais e as convenções internacionais sobre os refugiados.

Adianta que, como país membro da UE, a Croácia não pode devolver migrantes à Sérvia, porque este não é considerado um terceiro país seguro de acordo com critérios internacionais.

A Croácia e a Sérvia fazem parte da chamada ‘rota dos Balcãs’, encerrada oficialmente em março de 2016, depois de ter sido utilizada por centenas de milhares de migrantes para chegarem aos países da Europa ocidental.

Ainda assim, muitos migrantes continuam a chegar e só na Sérvia estão retidas mais de 8.000 pessoas.

Migrações: Europa não deve ceder a chantagens turcas, diz vice-chanceler alemão

O vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, sublinhou esta segunda-feira que a Europa não deve ceder a chantagens, numa alusão à ameaça do Governo turco em denunciar o acordo global com a União Europeia (UE) sobre o reenvio de refugiados.

Recentemente, os líderes de Ancara admitiam distanciar-se do acordo sobre refugiados assinado com Bruxelas em 18 de março caso a UE não elimine em breve a exigência de vistos para os seus cidadãos, uma das componentes incluídas no texto.

Em março, a UE comprometeu-se a conceder 3.000 milhões de euros até 2017, e outros 3.000 milhões em data posterior, em troca da colaboração de Ancara na contenção da chegada de imigrantes em situação irregular e de refugiados ao espaço comunitário.

Bruxelas anuiu ainda a uma exigência da Turquia e admitiu a isenção dos vistos para os cidadãos turcos que pretendam entrar no espaço comunitário, sob determinadas condições.

O acordo entre as duas partes, em vigor desde 20 de março, prevê ainda que a UE aceite um refugiado sírio por cada migrante ou refugiado que tenha chegado ilegalmente às costas da Grécia, e que deverá ser “devolvido” à Turquia.

“Nem a Alemanha nem a Europa podem em qualquer caso deixar-se chantagear”, referiu o vice-chanceler e ministro da Economia na cidade de Rostock, norte do país, no início de uma viagem de verão pelo Estado federado de Mecklemburgo-Pomerânia ocidental.

O número dois da chanceler alemã, Angela Merkel, recordou que, para uma isenção de vistos, a Turquia deverá cumprir primeiro com os necessários parâmetros.

“Depende da Turquia se pode ou não haver um regime livre de vistos”, disse.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, Martin Schäfer, também se referiu ao possível distanciamento turco do acordo com a UE, apesar de não ter denotado “um ultimato ou uma ameaça”.

No entanto, sublinhou que o Governo alemão apenas sugerirá uma data concreta para a isenção dos vistos a cidadãos turcos da UE quando Ancara cumprir todas as condições.

“Então poderá ser dado o próximo passo”, afirmou Schäfer, que recusou conjeturar sobre as consequências que, nesse contexto, teria um prolongamento do estado de emergência na Turquia, declarado por três meses na sequência da tentativa de golpe de Estado de 15 de julho.

Por sua vez, a porta-voz adjunta do Governo alemão, Ulrike Demmer, salientou que o Executivo de Berlim e a UE continuam a partir do pressuposto que a Turquia vai cumprir as 72 condições para a isenção de vistos, onde se inclui a reforma da lei antiterrorista.

Sobre a resposta de Ancara à tentativa de golpe, o vice-chanceler advertiu que “um país que escolhe o caminho para a reintrodução da pena de morte distancia-se de uma forma tão drástica da Europa, que todas as negociações sobre adesão passam naturalmente, em definitivo, a ser supérfluas”.

Gabriel também defendeu a decisão do Tribunal constitucional, criticada pela Turquia, de proibir a transmissão em ecrã gigante de uma mensagem do Presidente turco Recep Tayyip Erdogan no decurso da manifestação que decorreu domingo em Colónia em apoio ao chefe de Estado turco.

Calcula-se que a comunidade turca na Alemanha atinja 3,4 milhões de pessoas, metade com nacionalidade germânica.

O também dirigente do Partido Social-Democrata (SPD), que integra a coligação no poder dirigida pela conservadora CDU de Merkel, considerou a decisão de proibir a transmissão “totalmente correta e legítima” e disse que “teve um efeito de baixar a tensão”.

O vice-chanceler considerou ainda inaceitável a tentativa, a partir do exterior, de dividir a sociedade na Alemanha e destacou os avanços em termos de convivência entre alemães e residentes de origem turca.

“O que está em causa é que não se destrua agora isso devido a uma reclamação absolutista do poder na Turquia”, comentou.

Migrações: Bruxelas nega que esteja a falhar acordo com a Turquia

A Comissão Europeia negou este terça-feira que não esteja a cumprir o acordado com a Turquia, no âmbito da crise dos refugiados, e a faltar com os fundos, como acusou esta terça-feira o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Em conferência de imprensa, em Bruxelas, Margaritis Schinas, porta-voz do executivo comunitário, garantiu que a “União Europeia (UE) continua a cumprir os seus compromissos, no âmbito do tratado UE/Turquia” e espera-se que as autoridades de Ancara também o façam e que “a cooperação continue”.

“A UE está a respeitar os seus compromissos e o que for dito em contrário não é verdade”, afirmou a mesma fonte, indicando a alocação, até ao momento, de cerca de 740 milhões de euros e a preparação de uma “medida especial suplementar” de 1,4 mil milhões de euros. Até “ao final do mês”, a alocação de verbas irá chegar, assim, aos 2,15 mil milhões de euros, o que prova que a UE cumpre os compromissos, segundo o porta-voz.

Uma fonte comunitária indicou à agência France Presse que 105 milhões de euros, dos 740 milhões, foram já dispensados à Turquia.

Margaritis Schinas sublinhou que estes valores visam apoiar os refugiados na Turquia e não é dinheiro para “o país e para o Governo turco”.

Os fundos visam melhorar as acomodações e criar infraestruturas, bem como garantir condições de educação.

À televisão pública alemã ARD, o Presidente turco disse esta terça-feira que a UE não está a cumprir o acordo que prevê que Ancara acolha de volta os migrantes que viajaram desde o seu território para as ilhas gregas.

Em troca da cooperação, os líderes europeus concordaram em acelerar a liberalização dos vistos para os turcos, relançar as negociações de adesão e ainda duplicar para um total de seis mil milhões de euros a ajuda que será concedida à Turquia até 2018 e que se destina a melhorar as condições de vida dos 2,7 milhões de sírios refugiados no país.

Segundo Erdogan, a Turquia só recebeu até agora menos de dois milhões de euros, pelo que “os governos [europeus] não estão a ser honestos”.

“Três milhões de sírios, ou pessoas do Iraque, estão agora na Turquia. (…) A União Europeia não cumpriu aquilo que prometeu nesta matéria”, afirmou.

Segundo o Presidente turco, os gastos da Turquia em ajuda a refugiados sírios ascendem já a 12 mil milhões de euros.

Mais de três mil pessoas já morreram no Mediterrâneo este ano

“A descoberta de 39 corpos, recuperados na costa líbia, esta semana, aumenta o número de vítimas para 3.034”, refere a organização, em comunicado divulgado hoje.

Comparativamente aos primeiros sete meses de 2015, morreram mais 1.117 pessoas desde o início deste ano, naquele que é o número mais elevado de mortes no Mediterrâneo registado num período tão curto.

“Este é o terceiro ano consecutivo em que as vítimas mortais ultrapassam as três mil, mas nunca tinha sido alcançado antes do final de julho, o que é muito alarmante”, disse, há dias, o porta-voz da OIM em Genebra, Joel Millman.

Cerca de 90 por cento destas mortes aconteceram na zona central do Mediterrâneo, entre Líbia e Itália. O principal país de origem dos cerca de 250 mil migrantes e refugiados que arriscaram a vida em barcos sobrelotados e mal equipados é a Líbia, seguindo-se o Egito. A maioria dos salvamentos marítimos ocorreu no canal da Sicília, ao largo de Itália.

Geralmente, os migrantes e refugiados resgatados são transportados para os portos das ilhas de Sicília e Lampedusa e para as regiões de Calábria e Apúlia, no Sul de Itália.

Merkel diz “não estar preocupada” com acordo UE-Turquia

“Não estou preocupada. É possível que determinadas questões demorem mais tempo, mas em princípio vamos cumprir o acordo”, disse Merkel à imprensa após um Conselho de Ministros em Meseberg (leste).

A chanceler alemã respondia a uma pergunta sobre declarações do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que advertiu que o parlamento turco pode bloquear o acordo se não houver progressos na aprovação da isenção de vistos para os turcos que viagem para a Europa.

O acordo para a liberalização, a partir de 30 de junho, do regime de acesso dos turcos ao espaço europeu de livre circulação Schengen faz parte do acordo UE-Turquia, mas depende do cumprimento de 72 condições, entre as quais uma reforma das leis antiterroristas da Turquia, o que Erdogan recusa.

A UE quer nomeadamente que Ancara altere a definição de terrorismo, para impedir que académicos e jornalistas sejam processados por publicarem “propaganda terrorista”.

Na segunda-feira, após um encontro com Erdogan, Merkel reafirmou a necessidade de todos os critérios serem respeitados.

Migrações: Primeiro-ministro turco diz que acordo UE-Turquia está a resultar

O primeiro-ministro da Turquia considerou esta quarta-feira que o acordo entre o seu país e a União Europeia sobre migrantes está a resultar, com o número destes a baixar drasticamente desde a entrada em vigor na segunda-feira.

Ahmet Davutoglu disse numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo finlandês, Juha Sipila, que desde 04 de abril chegaram à Grécia cerca de 350 migrantes por dia quando a média de chegadas diárias às ilhas gregas foi de 6.000 em outubro, o que representa um decréscimo de 94%.

“Esta diminuição só foi possível graças ao acordo entre a Turquia e a União Europeia, por isso o processo está a correr bem”, assinalou Davutoglu.

A 04 de abril, dia de entrada em vigor do acordo de readmissão de migrantes, a Turquia recebeu 202 requerentes de asilo provenientes da Grécia, dos quais apenas dois eram sírios.

As autoridades turcas, por seu turno, enviaram 78 refugiados sírios para três países europeus: Alemanha, Holanda e Finlândia.

“O importante é que o mecanismo é continuado, está a funcionar e a imigração ilegal está a diminuir”, afirmou.

Nos termos do acordo, criticado por várias organizações de defesa dos direitos humanos, Ancara receberá todos os migrantes que atravessam o mar Egeu para entrar na Grécia de forma ilegal, comprometendo-se a UE em troca a admitir no seu território um número igual de refugiados sírios que se encontrem na Turquia.

Campanha desafia estudantes a colocarem-se na pele de um refugiado

Lançada no Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, a campanha nacional é uma iniciativa conjunta da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), da Direção Geral da Educação, do Alto Comissariado para as Migrações e do Conselho Nacional da Juventude e novos.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da PAR, Rui Marques, explicou que a campanha visa “sensibilizar a opinião pública, em particular os jovens estudantes”, sobre “o que quer dizer ser refugiado”.

A campanha, apresentada hoje na Câmara Municipal de Lisboa, lança um desafio a todas escolas para que no dia 06 de abril incitem os estudantes a dizer como arrumariam a sua mochila se tivessem que fugir da guerra, sair da sua casa e deixar o seu país.

“É isso que acontece às famílias de refugiados que partem da Síria, deixando tudo para trás”, disse Rui Marques, sublinhando que antes de partirem têm de selecionar as poucas coisas que podem levar consigo num trajeto de centenas de milhares de quilómetros.

“Quando somos colocados perante esta experiência, ainda que simulada, de que temos de deixar tudo para trás e que a nossa vida e os nossos bens se resumem àquela mochila percebemos um pouco melhor o que quer dizer a vida destes refugiados”, sublinhou o coordenador da PAR.

Na primeira aula do dia 06 de abril, além deste desafio, será feita uma reflexão entre o professor e os alunos sobre o que é ser refugiado

O objetivo é que os alunos percebam com este exercício o que é “a vida de tantos jovens e adultos que têm de partir num rumo de incerteza, não sabendo quando e por quem irão ser acolhidos e que tudo o que têm é a mochila que trazem consigo”, disse Rui Marques.

Para o responsável, esta iniciativa tem uma “dimensão importantíssima de educação para a cidadania e de perceber que nenhuma comunidade e nenhum país estão isentos do risco de poder, um dia, ter uma situação de conflito, de crise e ser obrigada a fugir”.

Por isso, elucidou, “quando percebemos que pode ser qualquer um de nós, provavelmente a nossa atitude” será de receber essa pessoa como gostaríamos que nos recebessem.

“É um exercício de educação para a cidadania mas também um exercício de mobilização dos jovens para esta causa do acolhimento e integração dos refugiados”, acrescentou.

Para Rui Marques, esta iniciativa tem “um enorme alcance, um sentido simbólico muito forte, simples na sua execução, mas muito profunda naquilo que é a reflexão que induz”.

Segundo o coordenador da PAR, estão em Portugal 149 refugiados distribuídos por várias organizações que têm assegurado o acolhimento destas pessoas no país.

 

Migrações e empreendedorismo no feminino

Há quem defenda que 2016 será o ano em que as forças do empreendedorismo convergirão com o feminismo, e que esta fusão será positiva para todos, para a economia, para os consumidores e para a sociedade.

De acordo com o “The Kaufman Startup Index 2015” as mulheres empreendedoras são mais perspicazes do que a sua contraparte masculina a detetar as oportunidades no mercado e a criar um novo produto ou serviço para um determinado segmento.
Foi exatamente o que sucedeu com a Ei!, a primeira empresa em Portugal totalmente direcionada para a assessoria ao migrante, onde as necessidades sentidas na primeira pessoa, por uma das sócias enquanto emigrante, detetaram uma oportunidade de negócio. Foi nesse sentido que a Ei! surgiu tendo vindo a preencher uma lacuna no que respeita à prestação de serviços cuja procura tem origem nos fluxos migratórios da atualidade.
O empreendedorismo feminino é um fenómeno de tal forma interessante que tem merecido ser estudado e apresentado de forma individualizada, como acontece nesta revista. Vamos aos fatos:
Em primeiro lugar, o empreendedorismo feminino tem sido reconhecido durante a última década como uma fonte-motor importante do crescimento económico. As mulheres empreendedoras criam novos postos de trabalho e oferecem diferentes soluções de gestão, organização e resolução de problemas inerentes ao negócio ao mesmo tempo que exploram novos nichos de negócio. Contudo, as mulheres ainda são uma minoria entre os empreendedores. Mais, a percentagem de mulheres a ter acesso a venture capital no lançamento de um negócio é de apenas 20.1% comparado com 79.9% dos homens .
Ainda existe uma falha no mercado que discrimina a possibilidade de as mulheres serem empreendedoras e serem empreendedoras bem sucedidas. Esta falha de mercado tem que ser enfrentada a vários – níveis, político, económico e social – para que o potencial económico deste grupo possa ser plenamente utilizado. Sem dúvida que o impacto das mulheres na economia é substancial, contudo, ainda faltam dados concretos que permitam descrever em detalhe este impacto.
Em segundo lugar, a participação das mulheres empreendedoras tem sido negligenciada. As mulheres não têm apenas uma taxa de participação mais baixa nas empresas como gerem empresas em indústrias diferentes das dos homens, designadamente: comércio, educação e prestação de serviços, que são áreas entendidas como menos importante para o desenvolvimento e crescimento económico do que a alta tecnologia e indústria. Mais, a pesquisa mainstream, as políticas e os programas tendem a ser “men streamed” e muitas vezes não têm em atenção as necessidades específicas das mulheres empreendedoras e das mulheres que querem ser empreendedoras
Como consequência, a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres de uma perspetiva empreendedora ainda não é uma realidade.
O projeto da Ei! é um projeto de 3 mulheres empreendedoras apaixonadas pelo fenómeno das migrações – uma área em permanente mutação e crescimento.
Há poucos temas tão emotivos como as migrações. A migração é uma escolha individual, de quem busca uma vida melhor longe da sua terra natal. Mas esta escolha tem consequências que ultrapassam a esfera do indivíduo: afeta a sua vida, mas também a da sua família, a da sociedade onde escolhe residir, mas também a da sociedade que deixa para trás. É por causa desta relação, com tantos ângulos e tantos efeitos, que são necessárias várias formas de intervenção no acolhimento.
As migrações constituem hoje, simultaneamente, um dos maiores desafios e oportunidades para as políticas públicas de qualquer país. No âmbito da União Europeia, as migrações são uma realidade que suscita, e ainda bem, atenção crescente. Desde logo, no plano humanitário, a pressão migratória sobre as fronteiras externas da União Europeia tem aumentado. Temos assistido a tragédias humanitária antes desconhecidas na Europa, fruto do desespero de muitos migrantes, que procuram, por todas as formas, muito precárias, chegar a solo europeu, em busca de uma vida melhor.
Seria um erro, todavia, ver na política migratória apenas política de gestão de fronteiras, nacionais ou europeias. A política migratória é política de segurança interna. É também política social e de cidadania, política de emprego, política de gestão da diversidade, política económica
Portugal tem alterado de forma significativa, nos últimos anos, o seu perfil migratório. No final dos anos 90 do século passado, Portugal transformou-se num país de perfil intensamente imigratório, acolhendo um número elevado de imigrantes que procuravam o nosso país para trabalhar
Esta realidade trouxe ao nosso país, como todos pudemos testemunhar, maior diversidade cultural, novos profissionais, novas línguas, abertura de horizontes e uma imigração que não se cingia aos países de língua portuguesa. Tudo isto foi enriquecedor sob diversos pontos de vista. Inúmeros estudos, nacionais e internacionais, demonstraram o efeito positivo da imigração nas contas públicas.
A prestação de serviços migratórios podem ser também um trunfo de competitividade, de desenvolvimento, de alargamento daquilo a que podemos chamar o “espaço humano” de um país: toda essa rede de contactos, experiências e interações que a política migratória potência.
Mas há também uma diferença de fundo: as migrações deixaram de se centrar exclusivamente no fator trabalho, como no passado, sujeitas à oferta existente nos mercados laborais. Deixámos de assistir a movimentos migratórios apenas laborais, para hoje testemunharmos as novas migrações temporárias (circulares, de talento, turismo e de consumo) têm cada vez mais importância na economia. Esta realidade torna cada vez mais premente uma reflexão politico-estratégica para que se possa definir o posicionamento que mais convém a Portugal. As migrações são hoje motivadas por fatores como o clima, o ambiente empreendedor, as condições de ensino ou de investigação, o ambiente fiscal e regulatório, o comércio e os serviços.
A Ei! está atenta a tudo isto e oferece um conjunto de serviços diversificados e integrados para quem se encontra em mobilidade. Criada em setembro de 2014, o nosso projeto conta já com cerca de 250 clientes oriundos de 20 países diferentes e cuja tendência será seguramente para aumentar.
Existe um provérbio chinês diz que as mulheres sustentam metade do Céu. O que significa que os homens sustentam a outra metade. É necessário encontrar um equilíbrio.

Crise migratória é a ameaça mais séria que a UE já enfrentou

Embora a UE já tenha vivido outros momentos difíceis, nomeadamente a queda do Muro de Berlim ou a crise da dívida da Zona Euro, os políticos ouvidos pela AFP acreditam que o afluxo de refugiados e imigrantes está a criar divergências mais perigosas, que poderão mesmo levar ao fim do bloco.

A única esperança é que esta ameaça ao ideal europeu de solidariedade, nascido das cinzas do pós-guerra, mostre que, antes como hoje, a abordagem cada-um-por-si não funciona.

“Acredito mesmo que é a crise mais grave que a União Europeia enfrenta em muitos anos, provavelmente a mais grave desde o início do processo de integração europeia”, disse o ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso.

Barroso, que liderou a UE entre 2004 e 2014, alertou para os “velhos demónios da xenofobia e da intolerância” na Europa, afirmando que a crise migratória vai para além da economia.

“Tem uma natureza existencial porque é polarizadora”, disse o político português, numa entrevista telefónica desde a universidade norte-americana de Princeton, onde agora dá aulas.

Mais de 1,25 milhões de refugiados entraram na Europa desde o início de 2015, em fuga da guerra e da pobreza na Síria, no Iraque, no Afeganistão e de outros países no Médio Oriente e no Norte de África.

Trata-se da maior crise migratória que o continente enfrenta desde 1945, mas os políticos ouvidos pela AFO acreditam que o verdadeiro perigo reside nas divisões que está a provocar entre os 28 Estados-membros.

O ex-eurodeputado franco-alemão Daniel Cohn-Bendit teme que a Europa não consiga alcançar agora uma solução conjunta como a que foi encontrada recentemente para a crise da dívida da Zona Euro.

“Hoje temos a impressão de que existe uma insensibilidade incrível e que está cada um por si. Isto é muito perigoso para a ideia europeia”, disse Cohn-Bendit.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que abriu as fronteiras da Alemanha a mais de um milhão de migrantes no ano passado, foi aplaudida por Durão Barroso, Cohn-Bendit e outros, por dar um exemplo a outros Europeus.

“Só Merkel tem estatura europeia. O resto são anões políticos”, disse Cohn-Bendit.

A recusa de alguns líderes europeus, nomeadamente o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, em cumprir a lei europeia no que diz respeito aos migrantes preocupa os observadores.

Para Alain Lamassoure, eurodeputado francês, esta recusa criou “a crise mais grave” que a UE já enfrentou.

O ex-primeiro-ministro Belga e líder do grupo Liberal no Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt, alertou mesmo que esta crise pode “destruir o projeto europeu”.

O espaço Schengen, por exemplo, um pilar da unidade e da livre circulação na Europa, poderá colapsar, à medida que muitos dos 26 Estados-membros reintroduzem temporariamente as fronteias para impedir o afluxo de imigrantes.

Para Verhofstadt, assumidamente federalista, “a única saída é dar um salto em frente no sentido de uma maior integração europeia”.

Assim como o fundador da UE Jean Monnet escreveu nas suas memórias que “a Europa será forjada em crises”, os europeístas têm esperança que o bloco europeu seja mais resiliente do que por vezes se crê.

“No início as posições são por vezes muito distantes, mas com negociação e compromisso, no final haverá uma abordagem comum”, disse Durão Barroso.

Desde que adotaram, em setembro, um plano para recolocar 160 mil refugiados dos Estados-membros mais afetados, a Grécia e a Itália, os países da UE ainda só acolheram 600 pessoas.

Migrações: Merkel pede “posição comum” europeia

Angela Merkel

“O principal agora é ter uma posição comum sobre como proteger as fronteiras e, aí, o plano UE-Turquia oferece uma boa solução”, disse Merkel, numa conferência de imprensa em Berlim com o presidente do Sri Lanka, Maithripala Srisena.

“Estamos habituados a que na Europa algumas coisas levem tempo” a ser aceites e aplicadas, “mas isto justifica que nos mobilizemos (…) e tenciono fazê-lo para chegarmos a conclusões comuns” na cimeira de Bruxelas, acrescentou.

Merkel, pressionada na Alemanha a reduzir as entradas de refugiados, apoia um plano segundo o qual a Turquia fecharia as suas fronteiras para impedir os migrantes de atravessarem o Mediterrâneo com destino à Grécia e enviá-los-ia por avião para recolocação na UE com base num sistema de quotas.

A maioria dos países europeus tem mostrado reservas a um tal esquema.

França, principal aliada da Alemanha na Europa, opôs-se ao plano com o primeiro-ministro, Manuel Valls, a considerar que um mecanismo permanente de recolocação “não é sustentável a prazo”.

A Áustria, que no final de 2015 agiu concertadamente com a Alemanha, endureceu entretanto a sua política, limitando o número de refugiados a admitir e introduzindo controlos generalizados nas suas fronteiras com Itália, Eslovénia e Hungria.

E o Grupo de Visegrado — Polónia, República Checa, Eslováquia e Hungria — contestou abertamente a proposta de Merkel, considerando que o plano a adotar deve passar por ajudar a Macedónia e a Bulgária a fecharem as suas fronteiras com a Grécia e por excluir este país do espaço europeu de livre circulação Schengen.

Merkel advertiu hoje para os riscos que isso representaria, questionando: “Vamos abandonar e fechar as fronteiras gregas, macedónia e búlgaras, com todas as consequências que isso terá para a Grécia, para a UE no seu conjunto e para o espaço Schengen?”.

Angela Merkel, há uma década no poder, viu cair significativamente o elevado apoio interno de que tem gozado devido à sua política migratória, depois de 1,1 milhões de refugiados terem entrado na Alemanha em 2015.

A chanceler também tem ficado crescentemente isolada a UE, onde o plano para recolocar 160.000 candidatos a asilo aprovado em setembro só permitiu até agora transferir poucas centenas de migrantes para países europeus.

“A questão das quotas não é atualmente uma prioridade” para a UE, uma vez que houve acordo quanto ao número de 160.000 refugiados e quanto à forma de os distribuir, admitiu Merkel.

“Vamos falar no próximo Conselho Europeu sobre como podemos trabalhar juntos para proteger a fronteira externa e quero que trabalhemos na agenda UE-Turquia que os 28 membros adotaram”, disse a chanceler alemã.

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